Dicionário da Saúde

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Conheça mais sobre cada uma das doenças e cuide da sua saúde com nosso Dicionário.

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Acidente vascular cerebral

O acidente vascular cerebral (AVC), também conhecido como derrame cerebral, consiste na diminuição da função neurológica decorrente de um distúrbio na circulação do sangue no cérebro.

Em 85% dos casos, resulta da obstrução de um ou mais vasos sangüíneos, de forma bastante semelhante ao que acontece no infarto agudo do miocárdio – trata-se do AVC isquêmico. No restante dos casos, o acidente tem, como causa, o rompimento de um vaso, com conseqüente sangramento cerebral – é o AVC hemorrágico, do qual, aliás, deriva a alcunha de derrame. Nas duas situações, a ocorrência destrói células nervosas nas áreas que ficam privadas da circulação do sangue, afetando as funções comandadas por elas, desde a comunicação oral, passando pela locomoção, até a capacidade de julgamento.

Independentemente do tipo, o AVC constitui um problema grave de saúde, sendo a primeira causa mundial de incapacidade e redução da qualidade de vida e a terceira causa de morte em todo o globo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Contudo, um dos fatores determinantes para agravar ou amenizar as conseqüências é o tempo que transcorre entre o começo dos sintomas e o recebimento dos primeiros cuidados médicos. Afinal, quanto menos durar a falta de irrigação, menor será a perda de tecido cerebral. A regra, portanto, é jamais deixar para ir ao pronto-socorro no dia seguinte.

Causas e Sintomas

Os sintomas dependem do tipo de AVC. No acidente vascular cerebral isquêmico, que geralmente afeta pessoas de mais idade, há perda repentina da força muscular e/ou da visão, dificuldade para falar, tonturas, formigamento em um dos lados do corpo e alterações de memória. Esses sinais clínicos podem ser transitórios, mas, ainda assim, demandam cuidados médicos emergenciais. Já no acidente hemorrágico, que ocorre em pessoas mais jovens, além desses mesmos sintomas, o quadro costuma ser marcado por dor de cabeça, inchaço cerebral, náuseas, vômitos e até convulsões.

Os mesmos fatores de risco que predispõem uma pessoa a ter um infarto agudo do miocárdio também se aplicam ao acidente vascular cerebral. Estamos falando de hipertensão arterial, colesterol elevado, tabagismo, alcoolismo, diabetes, sedentarismo, obesidade, estresse e história familiar de doenças cardiovasculares. Quando combinados em um mesmo indivíduo – como um fumante hipertenso e obeso, com altas taxas de colesterol –, tais aspectos elevam o risco de ocorrência de um acidente vascular com o passar do tempo, uma vez que a idade igualmente contribui para o enfraquecimento dos vasos.

Quem já teve uma obstrução em artérias do coração também está mais propenso a sofrer um AVC, assim como pessoas portadoras de distúrbios da coagulação, nas quais o sangue coagula com muita facilidade e forma trombos que podem obstruir artérias e vasos. Uma outra causa de AVC é o desprendimento de um coágulo em alguma parte do corpo, em geral do coração, e que vai se alojar no cérebro, levando à oclusão de um vaso.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico de AVC costuma ser feito por serviços de saúde de emergência, com base no conjunto de sintomas e nos resultados de estudos de imagem, tais como tomografia computadorizada e ressonância magnética do encéfalo, ultra-sonografia das artérias vertebrais e das carótidas – que levam sangue até o cérebro – e angiografia, um método radiológico que estuda o interior dos vasos sangüíneos.

O objetivo desses recursos é identificar a causa – obstrução ou hemorragia –, o local, a extensão e a gravidade da lesão para a instituição imediata do tratamento.

Nessa fase inicial, também costumam ser usados outros exames diagnósticos para avaliar o pulmão e o coração e, assim, descartar a possibilidade de os sintomas estarem envolvidos com uma obstrução em artérias desses órgãos.

Tratamentos e prevenções

Como as células cerebrais não se regeneram e, infelizmente, não há tratamento capaz de recuperá-las, o grande objetivo do tratamento é restabelecer a circulação local quanto antes para evitar mais perda de tecido cerebral.

Para tratar o AVC isquêmico que ocorreu há menos de 3 horas, podem ser usados medicamentos antitrombóticos que desfazem os coágulos e permitem a passagem do fluxo sangüíneo. No hemorrágico, por sua vez, os medicamentos são voltados a combater a inflamação decorrente do rompimento do vaso. Caso o coágulo seja muito grande, pode ser necessária a realização de uma cirurgia para retirá-lo.

Parte importante do tratamento dos AVCs é o trabalho de reabilitação, feito por profissionais como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos, para que o indivíduo possa reconquistar ou melhorar as habilidades comprometidas pelo AVC. Paralelamente, deve haver também um controle rigoroso dos fatores de risco.

Prevenir acidentes vasculares exige intervenção nos fatores de risco, o que se consegue com mudanças importantes no estilo de vida. A lista de medidas preventivas inclui parar de fumar, reduzir o estresse, adotar uma dieta equilibrada, com menos gordura, açúcar, sal e bebidas alcoólicas, e praticar exercícios físicos regularmente, ainda que seja uma caminhada diária de 30 minutos.

O controle da pressão arterial e das taxas de colesterol e glicose no sangue igualmente se mostra fundamental para a saúde dos vasos sangüíneos. Para tanto, o mais recomendado é visitar um cardiologista regularmente a partir dos 40 anos. Quem tem história familiar de doenças cardiovasculares precisa ficar ainda mais atento a esses fatores de risco, devendo começar o check-up cardiovascular mais cedo. A periodicidade da avaliação, em tais casos, será definida pelo médico com base no estado do indivíduo.

Afta

A afta é uma ferida, tecnicamente chamada de úlcera, que aparece na mucosa interna da boca, em geral nos lábios, nas gengivas, no céu da boca, na língua e, mais raramente, na garganta. Costuma surgir de forma isolada ou múltipla e tem formato arredondado, com coloração branco-amarelada no centro e contorno avermelhado.

Muito comum, a lesão regride espontaneamente em cerca de 7 a 14 dias, se for pequena, sem resultar em complicações. Contudo, essa condição também se apresenta como sintoma de outras doenças, razão pela qual sua recorrência ou mesmo sua persistência merecem avaliação médica e/ou odontológica.

Causas e sintomas

As lesões provocam dor, mais acentuada na hora da alimentação, sobretudo se a comida estiver quente e condimentada. Esse sintoma pode ser mais ou menos intenso, conforme o tamanho e o número das úlceras. No ápice da evolução de cada afta, a manifestação dolorosa chega a ficar constante, independentemente do contato da ferida com alimentos ou bebidas, sendo, portanto, bastante incômoda.

Estas úlceras estão particularmente associadas a traumas locais, como machucar a gengiva na hora de escovar os dentes ou pelo uso de prótese (dentadura). A presença de múltiplas aftas pode sugerir que um vírus, como o do herpes, esteja causando o quadro ou uma doença auto-imune, como a Doença de Behçet.

Outros fatores de menor importância implicados com a condição incluem estresse, deficiências nutricionais, predisposição genética, alergia a alimentos, alguns medicamentos e, nas mulheres, alterações hormonais. As lesões também podem ser um sintoma de doenças sistêmicas, que afetam todo o organismo, e de infecções como a aids. Não há evidências científicas que comprovem a relação entre o consumo de alimentos ácidos e condimentados e o desenvolvimento de aftas.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico se baseia na história do indivíduo e na identificação visual da afta, durante o exame clínico, por meio do qual o médico ou o dentista pode distinguir essas feridas de lesões mais importantes.

Eventualmente, podem ser necessários testes laboratoriais complementares, tanto para avaliar o estado geral da pessoa quanto para investigar a presença de infecções.

Tratamento e prevenções

O tratamento da afta comum visa a atenuar os sintomas até que a lesão se cure de maneira espontânea. Os quadros clínicos mais leves requerem apenas a aplicação local de anti-sépticos, antiinflamatórios, anestésicos ou ainda de revestimentos protetores de mucosa. Já os mais complicados podem exigir o uso de medicamentos antiinflamatórios potentes, como os corticóides.

Com ou sem medicação, é importante tomar alguns cuidados para não piorar os sintomas, como manter uma alimentação suave, com pouco sal e temperatura morna, já que os alimentos condimentados, quentes e ácidos acentuam a dor, e fazer uma higiene bucal adequada.

Como os traumas parecem ser fatores freqüentemente envolvidos no surgimento das lesões, convém evitar traumas na mucosa da boca, tanto no momento da higiene bucal quanto na hora de mastigar os alimentos. Além de não favorecer uma boa digestão, uma mastigação muito rápida duplica a chance de ferir o interior das bochechas e dos lábios.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Aids

A aids, ou síndrome da imunodeficiência adquirida, consiste em uma infecção que provoca a falência do sistema imunológico, ou seja, das defesas naturais, impedindo que o organismo combata adequadamente os agentes causadores de enfermidades. Dessa forma, o corpo humano fica sujeito a infecções e a tumores que não o afetariam numa situação de bom funcionamento da imunidade, razão pela qual tais moléstias são chamadas de doenças oportunistas.

O Ministério da Saúde estima que, atualmente, haja 630 mil pessoas com a doença no Brasil. O primeiro caso foi identificado em 1980 e, desde então, muita coisa mudou no que diz respeito a esse novo mal do século. Diferentemente de 20 anos atrás, quando era associada a homossexuais e a usuários de drogas, hoje a aids atinge homens e mulheres indiscriminadamente e muitas crianças já nascem soropositivas, ou seja, com o vírus da imunodeficiência humana, o HIV.

Da mesma forma, receber esse diagnóstico deixou de ser uma sentença de morte. Apesar de ainda não haver cura para a síndrome, a aids caminha para ser uma doença crônica. Dados oficiais já apontaram um aumento de cinco anos na sobrevida dos doentes entre 1993 e 2003, particularmente graças aos avanços nos tratamentos. A tendência é melhorar – até porque as pesquisas não param nessa área.

Causas e sintomas

Inicialmente, entre duas e seis semanas após a aquisição do vírus HIV, o indivíduo pode manifestar febre, dores musculares, aumento de gânglios – as chamadas ínguas – e dor de cabeça e de garganta, entre outros sintomas que representam um episódio agudo da infecção, comum a outras doenças causadas por agentes infecciosos.

Evidentemente, existe a possibilidade de essa fase passar despercebida pela pessoa infectada, até porque o quadro costuma se resolver de forma espontânea. Passado um longo período do contágio, de 2 a 20 anos, com média de dez anos, começam a surgir os sinais clínicos da falência imunológica, que variam muito e não são exclusivos da aids. Os mais comuns incluem diarréia crônica, febre persistente, transpiração excessiva, candidíase oral – o popular sapinho –, pneumonia, câncer de pele e emagrecimento exagerado.

A causa da aids é o vírus HIV, um retrovírus da família Retroviridae, que foi isolado pela primeira vez em 1983. Dois anos depois, descobriu-se também um segundo agente associado à síndrome e, desde então, ficou estabelecido que a aids decorre tanto da infecção pelo HIV-1 quanto pelo HIV-2, cada qual com vários subtipos.

Independentemente dessa classificação, só existem quatro formas de transmitir o vírus da aids: a sexual, por meio de relações anais, vaginais e orais; a intravenosa, sobretudo pelo compartilhamento de seringas; a perinatal, na qual a mãe transmite o vírus ao bebê na hora do parto; e, por fim, a transmissão por contato com sangue, seja em transfusões, seja em acidentes com material perfurocortante, aos quais os profissionais de saúde estão mais expostos.

É possível ainda adquirir a síndrome em transplantes, se o órgão vier de alguém que tinha o HIV na circulação, e em inseminações artificiais. Por outro lado, convém destacar que não se pega aids pelo contato casual com portadores da síndrome, como compartilhar utensílios domésticos, usar o mesmo banheiro, beijar e abraçar etc.

Exames e diagnósticos

Na fase de falência imunológica, os sintomas costumam ser bastante sugestivos da aids, mas não na fase aguda da síndrome. De qualquer forma, o diagnóstico não prescinde de exames de sangue específicos para detectar, no sangue do indivíduo, anticorpos contra o vírus HIV.

Geralmente são feitos dois testes, cada qual com uma metodologia distinta, para confirmar o resultado positivo. Vale lembrar que, na aids, o período de janela imunológica – tempo que o organismo leva para produzir anticorpos após o contato com um agente infeccioso – deve ser levado em conta na investigação. Se o exame for feito nesse período, que, no caso do HIV, pode variar de 2 a 12 semanas, existe o risco de haver resultados falso-negativos e, portanto, a necessidade de repetição dos testes em período determinado pelo médico.

Tratamentos e prevenções

Os tratamentos disponíveis ainda não conseguem eliminar o HIV, mas controlam a carga viral existente no indivíduo infectado e aumentam o número de células de defesa do organismo – denominadas CD4 e CD8 –, interferindo na progressão da síndrome e dando menos chance às infecções oportunistas. Para tanto, usam-se combinações dos chamados medicamentos anti-retrovirais, que agem nos mecanismos de multiplicação do HIV.

Os inibidores de uma enzima chamada transcriptase reversa impedem que o vírus se integre com a célula humana e, assim, gere novas cópias. Já os inibidores da protease levam o HIV a produzir cópias defeituosas de si mesmo, que, uma vez com defeito, não conseguem se replicar.

Durante a terapêutica, o indivíduo precisa fazer testes periódicos para a contagem do vírus e das células de defesa, de modo que o médico possa medir o efeito dos remédios e, eventualmente, modificar a conduta. O tratamento ainda inclui estratégias diversas para prevenir infecções oportunistas, com vacinas, medicamentos e cuidados gerais.

O uso de preservativo em qualquer relação sexual é o meio mais eficiente de evitar a aids, uma vez que a maioria dos casos da síndrome se deve à prática de sexo desprotegido. Reduzir outras doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e gonorréia, também constitui uma medida relevante, uma vez que essas moléstias quebram as defesas naturais que a região genital possui, favorecendo a contaminação com o HIV. Para usuários de drogas injetáveis, a recomendação é não compartilhar seringas de forma nenhuma, idealmente acompanhada da busca de ajuda para tratar a dependência química. Gestantes com aids podem reduzir em muito a chance de passar o vírus para seus bebês com um pré-natal adequado e a adesão, durante a gravidez, a um tratamento com anti-retrovirais, devendo ainda seguir os cuidados recomendados pela equipe médica antes e depois do nascimento da criança.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Amigdalite

A amigdalite é a inflamação das amígdalas, ou seja, das estruturas localizadas na parte posterior da garganta, que têm a função de proteger o corpo, produzindo anticorpos e impedindo que infecções na cavidade oral e nas regiões vizinhas se alastrem por todo o organismo.

Justamente por funcionarem como uma barreira, essas estruturas são muito suscetíveis a processos infecciosos. Quando isso ocorre, as amígdalas se inflamam, ficam inchadas, doloridas e dificultam a passagem dos alimentos para o aparelho digestivo.

Estima-se que ocorram 10 milhões de casos de amigdalite a cada ano no Brasil. Apesar de ser um problema corriqueiro na infância, a amigdalite não pode prescindir de um bom diagnóstico e de um tratamento adequado. Isso porque uma infecção bacteriana inadequadamente tratada pode evoluir para febre reumática, com conseqüentes complicações cardíacas no futuro, ou mesmo ser precursora de uma doença renal, a nefrite.

A inflamação cursa com febre, calafrios, dor de garganta, falta de apetite, mau-hálito, dificuldade para engolir e, às vezes, inchaço dos gânglios do pescoço e da mandíbula, muitas vezes de modo bem semelhante a uma virose, como a mononucleose. Nos quadros causados por bactérias, costuma haver acúmulo de pus nas amígdalas. Nos bebês, além da febre, o único sinal evidente muitas vezes é a recusa à alimentação.

As amigdalites são causadas principalmente por vírus e bactérias, mas podem ocorrer processos mistos e, às vezes, associações com fungos. Os vírus estão implicados com cerca de 50% a 70% das inflamações, especialmente os que causam também gripes e resfriados, como o adenovírus.

Entre as bactérias, os principais agentes envolvidos são os estafilococos e o estreptococo, que também provoca escarlatina e está associado à evolução da doença para febre reumática. Esses microrganismos costumam ser transmitidos de uma pessoa para outra, através da tosse, espirro e contaminação das mãos e objetos por secreções respiratórias.

Alguns fatores como mudanças bruscas de temperatura, convivência com fumantes, exposição continuada ao ar condicionado e, sobretudo, situações de queda na imunidade podem predispor o indivíduo à desenvolver uma amigdalite. O refluxo gastroesofágico, igualmente, é uma causa importante de amigdalites de repetição. O retorno do conteúdo ácido do estomago para o esôfago atinge a laringe, altera suas características e as bactérias naturalmente presentes na região se aproveitam da situação para proliferar.

O diagnóstico é clínico e depende basicamente da história do paciente e do exame da garganta. Em geral, a infecção viral atinge mais a orofaringe e a faringe, com comprometimento maior dos gânglios. Já a bacteriana se caracteriza pelo aumento acentuado das amígdalas, freqüentemente com a presença de placas de pus.

Na dúvida, alguns exames podem ser necessários, como o teste rápido para a pesquisa do estreptococo na secreção da garganta e mesmo a cultura, na qual o material biológico colhido é posto em meios próprios para o desenvolvimento de bactérias.

As amigdalites virais são tratadas apenas com analgésicos e antiinflamatórios, mas as bacterianas não prescindem de antibióticos, em geral derivados da penicilina, como a penicilina benzatina e a amoxicilina. Qualquer que seja a opção de antimicrobiano, a administração do medicamento não pode ser interrompida com a melhora dos sintomas, pois existe o risco de a bactéria permanecer no organismo e dar origem a complicações importantes, como a febre reumática.

Durante episódio de amigdalite, a alimentação deve ser baseada em alimentos mornos, líquidos e macios para facilitar a deglutição. A ausência de resposta ao tratamento de uma amigdalite com características virais indica um possível envolvimento bacteriano. Por isso, muitas vezes os médicos começam a terapêutica com um antiinflamatório e, na persistência da febre de um a dois dias depois, prescrevem um antibiótico. A remoção cirúrgica das amígdalas, utilizada de forma indiscriminada há algumas décadas, está indicada apenas quando a pessoa apresenta amigdalites bacterianas complicadas ou que se repetem várias vezes em um mesmo ano.

Pode ser realmente difícil evitar a aquisição de microrganismos causadores de infecções das vias respiratórias, especialmente nas crianças em idade escolar, mas alguns cuidados ajudam a reduzir o risco de adquirir amigdalites, como observar bem os hábitos de higiene, lavando sempre muito bem as mãos e o rosto ao chegar em casa e antes das refeições, além de evitar ambientes com ar condicionado, ficar longe do cigarro e ingerir muito líquido para manter as mucosas da boca, do nariz e da garganta sempre bem hidratadas – quanto mais secas e irritadas, mais predispostas à ação dos microrganismos.

Na presença de amigdalites de repetição, é importante afastar a hipótese de refluxo gastroesofágico com um especialista. Por fim, em qualquer situação, é fundamental evitar a automedicação com antiinflamatórios e antibióticos, que, se incorretamente usados, podem dificultar o tratamento e agravar o quadro. A combinação de dor de garganta com febre sempre pede consulta médica, em qualquer idade.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Anemia

A anemia é um distúrbio do sangue caracterizado pela diminuição da quantidade de hemoglobina, o pigmento que confere cor aos glóbulos vermelhos – também chamados de hemácias ou eritrócitos –, cuja função é transportar oxigênio dos pulmões para todas as células do corpo. Essa diminuição pode ser aguda, resultante da perda súbita de sangue ou pela destruição aguda dos glóbulos vermelhos, ou crônica, quando a diminuição da hemoglobina se instala de forma mais lenta e geralmente progressiva, sendo produto de variadas causas.

A diminuição da hemoglobina determina déficit de oxigênio em todos os órgãos do corpo. Contudo, os mais afetados por essa condição são mesmo o sistema nervoso central, o coração e os músculos. A anemia é a doença crônica de maior freqüência em todo o mundo e tem especial predileção por crianças abaixo de 2 anos e por mulheres.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 30% da população mundial é anêmica. Apesar da elevada prevalência, essa é uma doença de fácil tratamento, visto que, na maior parte dos casos, está relacionada com a deficiência de ferro, mineral que faz parte da composição da hemoglobina e, portanto, é essencial para a produção adequada deste pigmento

Causas e sintomas

Os anêmicos, em geral, apresentam fadiga generalizada, batimentos cardíacos acelerados, apatia, falta de apetite e palidez, tanto na pele quanto na parte interna dos olhos e nas gengivas, entre outros sinais clínicos menos freqüentes. Pessoas com anemia por deficiência do ferro, ou ferropriva, podem apresentar perversão do apetite, com desejo de comer terra ou tijolo.

Os sintomas, porém, se mostram tanto mais severos quanto mais baixos forem os níveis de hemoglobina no sangue e pioram com a atividade física. Com um volume de hemoglobina entre 9 e 11 g/dL, há irritabilidade, dor de cabeça e indisposição. Entre 6 e 9 g/dL, os sinais evoluem para falta de ar, cansaço intenso e aceleração dos batimentos cardíacos ao menor esforço. Abaixo de 6 g/dL, esses sintomas se manifestam mesmo em repouso.

A anemia pode ser hereditária ou adquirida. No primeiro caso, tem como causa defeitos genéticos que alteram a formação dos glóbulos vermelhos, a exemplo do que ocorre na anemia falciforme e na talassemia, as mais comuns entre as chamadas hemoglobinopatias. As adquiridas provêm de diversos fatores que interferem na produção de glóbulos vermelhos e/ou da hemoglobina, como deficiência de vitamina B12 e ácido fólico, moléstias crônicas, exposição a elementos tóxicos ou radioativos, uso constante de determinados medicamentos e doenças da medula óssea, mas principalmente da carência de ferro, determinada tanto por uma alimentação pobre nesse mineral quanto pela perda de sangue – como acontece na vigência de fluxos menstruais muito intensos ou de sangramentos gastrointestinais.

Existe também a possibilidade de a insuficiência de hemoglobina decorrer de um descontrole do sistema imunológico, que passa a produzir anticorpos contra os glóbulos vermelhos – trata-se da anemia hemolítica auto-imune.

Exames e diagonósticos

O conjunto de sintomas e o exame clínico apontam para a hipótese de anemia, mas o diagnóstico não prescinde da realização de alguns exames laboratoriais, sobretudo o clássico hemograma, que faz a contagem dos elementos constituintes do sangue e analisa sua morfologia.

Níveis de hemoglobina abaixo das faixas consideradas normais já definem o estado de anemia. A forma dos glóbulos vermelhos, por sua vez, é bastante indicativa do que está causando a condição. Na deficiência de ferro, por exemplo, os eritrócitos se apresentam em microcitose, ou seja, são menores que o normal.

De qualquer maneira, outros testes podem ser necessários para confirmar a origem da síndrome, como a determinação dos níveis do estoque de ferro e de vitamina B12 no organismo, entre outros métodos mais específicos.

Tratamentos e prevenção

O tratamento depende da causa da anemia. Quando o problema se deve à carência de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico, esses elementos precisam ser repostos por meio de suplementos. A absorção de ferro, particularmente, melhora com o acréscimo de vitamina C à terapêutica. Se a necessidade aumentada desse mineral derivar de alguma perda sangüínea, é preciso identificar e tratar o sangramento antes de tudo. Na anemia secundária a outras doenças, a causa também tem de ser resolvida ou controlada para normalizar a produção de glóbulos vermelhos.

Já o processo auto-imune requer o uso de medicamentos que reduzem a resposta do sistema imunológico – os imunossupressores, como os corticóides. Finalmente, os portadores de anemias hereditárias podem necessitar de acompanhamento para monitorar as complicações dessas hemoglobinopatias, além de reposição de sangue e administração de ácido fólico, se necessário.

Apenas as anemias adquiridas por deficiência de ferro, vitamina B12 e ácido fólico podem ser prevenidas, o que não é pouca coisa, pois essas causas respondem por mais de 90% dos casos de anemia.

A prevenção basicamente consiste no consumo cotidiano de alimentos que naturalmente forneçam esses nutrientes e de produtos enriquecidos com eles. As melhores fontes de ferro são as de origem animal, como as carnes em geral e o fígado, também ricos em vitamina B12. As de origem vegetal, como o feijão e a lentilha, devem ser ingeridas com alguma fonte de vitamina C, para que o mineral fornecido por elas seja mais bem aproveitado pelo organismo. O ácido fólico, por sua vez, está presente em alimentos como espinafre, feijão branco, aspargos, verduras de folhas escuras, soja e derivados, laranja, melão e maçã.

Evitar o excesso de álcool também previne anemia. Convém ainda ter parcimônia no uso de medicamentos com ácido acetilsalicílico – como a Aspirina® – para evitar sangramentos gastrointestinais. Mulheres com fluxos menstruais muito intensos devem fazer acompanhamento médico periódico para monitorar seus níveis de hemoglobina.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Anemia falciforme

A anemia falciforme é uma doença hereditária do sangue que altera a forma dos glóbulos vermelhos, também denominados hemácias. Nessa condição, a hemoglobina, o pigmento que dá cor ao sangue e responde pelo transporte de oxigênio para os tecidos e órgãos, tem suas propriedades químicas alteradas pela troca de um aminoácido em uma das cadeias que a compõem. Essa alteração resulta na mudança morfológica das células vermelhas, que assumem a forma de foice – daí o nome da anemia – e se tornam inflexíveis.

Com essas características, o sangue não consegue circular bem pelos vasos de menor calibre, o que reduz o suprimento de oxigênio para o organismo e aumenta o risco de lesões nos rins, nos olhos, no cérebro, no coração, no baço, no fígado e nos pulmões, que ocorrem em decorrência de obstruções em seus pequenos vasos e artérias.

Além do mais, o formato alterado das hemácias faz com que elas tenham uma duração de apenas um sexto do tempo de vida das células saudáveis. Isso causa um quadro permanente de anemia. Por todos esses fatores, o portador da doença precisa de atenção médica cuidadosa para melhorar sua qualidade de vida e reduzir o risco de complicações em órgãos vitais.

Estima-se que, a cada ano, 250 mil crianças nasçam com anemia falciforme em todo o mundo, 3,5 mil delas no Brasil, especialmente entre afrodescendentes.

Causas e sintomas

Existe grande diversidade quanto às manifestações da anemia falciforme, que podem variar desde pessoas sem nenhum sintoma clínico (traço falciforme) até quadros graves, com comprometimento de múltiplos órgãos. Esta diversidade está relacionada, além de outros fatores, com a presença de um ou dois genes mutantes para a doença. Quando ocorre bloqueio de pequenos vasos pelas hemácias deformadas e inflexíveis, a pessoa apresenta episódio de dor intensa, chamada crise álgica.

A dor pode ser óssea, torácica ou abdominal, podendo, todavia, se originar em qualquer órgão, sendo necessário estabelecer diagnóstico diferencial com outras causas de dor, não ligadas à anemia falciforme. A dor e inchaço das mãos e pés, chamada síndrome mão-pé, pode ser o primeiro sinal clínico na criança que ainda não recebeu o diagnóstico. A dor torácica acompanhada de falta de ar importante, falta de oxigenação do sangue e febre recebe o nome de síndrome torácica aguda. Trata-se de uma emergência médica que requer hospitalização imediata.

Outra complicação da anemia falciforme é a susceptibilidade à infecções graves, que são a maior causa de mortalidade entre estas pessoas. Toda criança com doença falciforme que venha a apresentar febre deve ser avaliada e tratada rapidamente, tendo em vista a possibilidade de septicemia. Além disso, crianças com anemia falciforme devem receber todas as vacinas, principalmente aquelas contra o Pneumococos e o Haemophilus.

Outras complicações da doença incluem aumento da pressão pulmonar, doenças cardiovasculares, como o acidente vascular cerebral, deformidades ósseas, acometimento dos rins e olhos, formação de pedras na vesícula, ereção involuntária e dolorosa do pênis, chamada priapismo, aparecimento de úlceras de difícil cicatrização nas pernas e crises de “seqüestro” das hemácias deformadas pelo baço, o que causa episódios de anemia aguda grave.

Trata-se de uma doença hereditária, decorrente de uma alteração no gene que dá as instruções para a formação de uma das cadeias de hemoglobina, a beta. Chamada tecnicamente de mutação, essa alteração produz a troca de um aminoácido na cadeia beta, dando origem a uma hemoglobina diferente, chamada de hemoglobina S.

Para ter a anemia falciforme, no entanto, o indivíduo precisa obrigatoriamente apresentar um par de genes alterados, herdados tanto da mãe quanto do pai, que não necessariamente precisam manifestar a doença para passá-la a seus descendentes – basta ter apenas o chamado traço falciforme, ou seja, a mutação em apenas um gene. Da mesma forma, a pessoa que manifesta plenamente esta moléstia não a transmite a seus filhos se o parceiro não contribuir com um gene alterado.

A explicação molecular da doença baseia-se no fato de que, quando a hemoglobina S é desoxigenada, sofre polimerização (agregação), resultando na distorção da forma da hemácia e diminuição acentuada da sua flexibilidade.

Exames e diagnósticos

A triagem precoce pode ser feita no bebê, pelo teste do pezinho ampliado, que pesquisa a anemia falciforme e outras doenças congênitas como a fenilcetonúria, o hipotiroidismo e a fibrose cística. Posteriormente, a confirmação costuma ser realizada com outros testes laboratoriais de análise da hemoglobina, como a eletroforese de hemoglobina e o teste de falcização.

Exames moleculares, que conseguem identificar a mutação do gene, também podem ser empregados. Os pais da criança também podem precisar ser avaliados para a identificação do traço falciforme que justifique a transmissão da doença.

Tratamento e prevenções

Por enquanto, ainda não existe nenhum medicamento capaz de impedir a produção das hemácias deformadas. Assim, o tratamento visa a prevenir complicações e reduzir o risco de lesões nos órgãos-alvo. No período mais crítico, que vai dos 3 meses até os 5 anos de vida, a criança pode receber suplementação de ácido fólico e antibióticos, geralmente a penicilina, por via oral ou injetável para prevenção de infecções.

Crianças com essa doença devem obrigatoriamente receber vacinas adicionais, além das já previstas no calendário oficial de imunização, como é o caso da antipneumocócica, que ajuda a prevenir a infecção pulmonar causada pelo pneumococo, uma bactéria bastante implicada em infecções graves nestes pacientes.

Em vista da anemia persistente, transfusões de sangue também são freqüentes nos portadores da doença, especialmente entre os adultos, que, por conta disso, precisam usar medicações ou outros recursos para retirar o excesso de ferro da circulação. Em casos selecionados, a hidroxiuréia, mais adotada na abordagem de alguns tipos de câncer, tem sido prescrita para reduzir os episódios dolorosos, diminuir o número de transfusões e hospitalizações e aumentar discretamente a concentração total de hemoglobina. Apesar dos benefícios, esse fármaco traz uma série de efeitos colaterais, razão pela qual costuma ser administrado com parcimônia.

Não há nenhuma medida que possa ser tomada para impedir a mutação genética que causa a anemia falciforme. Assim, o diagnóstico precoce continua sendo um grande instrumento para aumentar a proteção ao portador da doença e prolongar sua expectativa de vida.

Para os casais com história de moléstias do sangue na família, uma medida interessante para fazer um planejamento familiar mais consciente pode ser o aconselhamento com um geneticista, de modo que possam conhecer exatamente a probabilidade de ter filhos com essa ou outras anemias hereditárias.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Aneurisma cerebral

O aneurisma cerebral é uma dilatação que se forma na parede enfraquecida de uma artéria do cérebro. Na prática, a pressão normal do sangue, dentro do vaso, força essa região menos resistente e dá origem a uma saliência, semelhante a uma bexiga, que costuma crescer vagarosamente.

O maior problema de conviver com esse afrouxamento arterial é o risco de ruptura da artéria acometida, da mesma forma que no aneurisma de aorta abdominal, e no conseqüente vazamento de sangue.

Outro risco iminente está na possibilidade de esse vaso dilatado comprimir regiões cerebrais nobres e comprometer as funções que dependem delas. O fato é que um aneurisma no cérebro invariavelmente representa um acontecimento grave, que pode ser letal para um terço de quem o apresenta ou deixar seqüelas neurológicas em metade das pessoas que recebem esse diagnóstico.

Assim, tão importante quanto o socorro médico numa suspeita de rompimento é a descoberta precoce dessa área saliente, o que permite que o tratamento seja planejado e executado da forma menos arriscada possível.

Estima-se que 5% da população tenha algum tipo de dilatação arterial, seja no cérebro, seja em alguma parte da aorta, seja nas pernas. Sozinha, porém, a incidência anual dos casos de aneurisma cerebral roto é de quatro para cada 100 mil pessoas.

Causas e sintomas

Os aneurismas pequenos costumam ser assintomáticos, mas, quando crescem, podem comprimir uma estrutura cerebral e provocar sintomas que variam conforme a área afetada, como dor de cabeça, dor na vista, visão dupla e outras alterações.

Essas manifestações já servem para dar um sinal de alerta. Já quando ocorre a ruptura, os sinais mais comuns incluem dor de cabeça súbita, extremamente forte, náuseas, vômitos, flutuações na freqüência cardíaca e respiratória, confusão mental e perda da consciência.

Há uma combinação de condições que tornam uma pessoa mais suscetível a formar um aneurisma cerebral. Fazem parte desses fatores de risco a hipertensão arterial, os níveis sangüíneos elevados de colesterol e triglicérides, o diabetes descontrolado, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, o tabagismo e a história familiar de aneurisma – 15% dos portadores da doença têm parentes diretos com essa dilatação em artérias cerebrais. Em casos raros, a lesão pode ser ainda congênita, ou seja, já ter nascido com o indivíduo.

Exames e diagnósticos

A suspeita de aneurisma cerebral roto é levantada pela história do indivíduo e o conjunto de seus sintomas, além da avaliação clínica, que detecta anormalidades neurológicas, como o aumento da pressão dentro do crânio.

Ainda assim, a confirmação depende da realização de exames de imagem, como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética de encéfalo, que demonstrem a área da hemorragia e/ou a presença de coágulo, ou do encontro de sangue no líquido cefalorraquidiano, o liquor, que envolve o encéfalo.

Para a localização exata da dilatação e o planejamento terapêutico, uma angiografia cerebral pode ser necessária. Feito por um cateter, um tubo bem fino que é introduzido por um vaso da perna ou do braço, esse exame visualiza e fotografa o fluxo sangüíneo na região cerebral com o uso de contraste.

Já os aneurismas cerebrais não-rotos podem ser de difícil diagnóstico quando apresentam sintomas discretos, como é o caso de uma única manifestação visual. Em tais situações, seu diagnóstico precoce depende bastante da experiência clínica do especialista, uma vez que, sem hemorragia, a condição só é detectada pela angiografia, que nem sempre faz parte do check-up de rotina.

Tratamentos e prevenções

O tratamento do aneurisma cerebral é feito de forma cirúrgica, mas essa indicação precisa levar em conta o tamanho da dilatação e as condições clínicas do indivíduo. O objetivo da intervenção é excluir o aneurisma e preservar a artéria que o nutre, já que, no cérebro, nenhuma área pode deixar de ser irrigada, sob o risco de matar células e ocasionar seqüelas permanentes.

Isso pode ser feito tanto pela cirurgia convencional, que coloca um clipe metálico no aneurisma através de uma incisão feita no crânio, quanto pela técnica endovascular, na qual uma mola, introduzida por uma artéria do braço ou da perna e guiada por um método de imagem até o local da saliência, fecha a dilatação e impede que ela se rompa.

A prevenção dos aneurismas cerebrais passa necessariamente pelo controle da pressão arterial, de modo que permaneça em níveis aceitáveis, abaixo de 13 por 8,5 mmHg, e pela manutenção de índices sangüíneos adequados de glicose, colesterol e triglicérides, o que implica ter uma alimentação saudável, à base de vegetais, frutas, fibras e carnes magras, praticar exercícios físicos regularmente e não fumar nem ingerir bebidas alcoólicas em excesso.

Quem tem história de aneurisma na família deve visitar o neurologista periodicamente para rastrear o risco de surgimento de eventuais dilatações. Como última recomendação, é fundamental ficar atento a sintomas neurológicos súbitos: dor de cabeça muito forte e contínua, acompanhada de vômitos e alteração do nível de consciência, requer esclarecimento médico imediato.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Aneurisma da aorta abdominal

O aneurisma é uma dilatação localizada e permanente em uma parede arterial, que, a princípio, pode ocorrer em qualquer vaso sangüíneo de maior calibre, mas que afeta mais freqüentemente a aorta abdominal, a maior artéria do organismo.

Essa saliência geralmente ocorre na parte da aorta situada entre as artérias renais e sua bifurcação para as artérias ilíacas, acima da virilha, podendo causar várias complicações, de trombose venosa profunda nos vasos dos membros inferiores até compressão de estruturas vizinhas, como nervos e órgãos. A mais temida, porém, é o rompimento da parede da aorta, que resulta em sangramento intenso. Tal probabilidade varia conforme o diâmetro do aneurisma: quanto maior sua extensão, maior o risco de ruptura.

O fato é que a suspeita de rompimento da artéria ou mesmo o rompimento propriamente dito constituem emergências médicas. Felizmente, é possível tratar a condição antes de chegar a esse extremo, desde que, evidentemente, se saiba de sua existência.

Estima-se que de 2% a 5% da população masculina com mais de 60 anos seja portadora dessa dilatação, embora a maioria a desconheça

Causas e sintomas

Em geral, o aneurisma da aorta abdominal cursa em silêncio e acaba sendo percebido casualmente, em um check-up de rotina, por exames não-invasivos de imagem, como a ultra-sonografia, ou mesmo durante um exame físico, no consultório, já que, dependendo de seu diâmetro, a dilatação pode ser palpada.

Os sintomas começam a surgir à medida que a saliência aumenta, manifestando-se como um desconforto abdominal mal definido, por causa da pressão exercida sobre estruturas vizinhas, ou, ainda, como uma pulsação no abdome, como se fosse um coração batendo na barriga.

A presença de dor abdominal de início súbito e de forte intensidade, acompanhada de pressão arterial muito baixa, pode indicar que o aneurisma se encontra em processo de rompimento, demandando a necessidade de atenção médica imediata.

Qualquer tipo de alteração da parede da aorta que provoque seu enfraquecimento ou que comprometa sua resistência pode se constituir na causa da dilatação. Na maioria dos casos, a alteração está relacionada com a doença aterosclerótica, ou seja, com a formação de placas de gordura – os ateromas – na parede interna dessa artéria e com a conseqüente degeneração de seus tecidos.

Na prática, portanto, as paredes arteriais se enrijecem e perdem sua elasticidade tanto em decorrência do processo aterosclerótico quanto do processo degenerativo, ficando mais suscetíveis a se alongar, a se distender e, por fim, a se dilatar. Diferentemente do mecanismo que leva à formação de um coágulo, fato que possui um componente inflamatório, a dilatação leva anos para ocorrer e é pouco conhecida.

Sabe-se, porém, que a hipertensão arterial contribui diretamente com esse evento. Outros fatores de risco ainda incluem tabagismo, traumatismos, doenças inflamatórias da aorta, distúrbios hereditários do tecido conjuntivo que forma parte das paredes arteriais, e a sífilis. Como sempre, parece haver igualmente envolvimento genético no surgimento do aneurisma da aorta, uma vez que sua prevalência é maior em famílias que já receberam esse diagnóstico.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico de aneurisma da aorta pode ser feito ao exame clínico, tanto casualmente quanto diante de alguma queixa de desconforto ou pulsação no abdome. Ainda assim, é imprescindível a realização de algum método de imagem para confirmar o achado e fornecer a localização, o tamanho e a extensão do aneurisma, ou seja, se atinge também as artérias ilíacas, assim como o estado da parede da aorta e a existência de trombos em seu interior.

Os recursos usados para essa finalidade vão da ultra-sonografia à ressonância magnética abdominal, passando pela angiografia, que visualiza o fluxo da aorta com o uso de contraste. De qualquer forma, o mais comum é que a dilatação seja encontrada por acaso durante algum exame complementar para a pesquisa de alguma outra doença.

Tratamento e prevenções

Quando o aneurisma tem pequenas dimensões, a velocidade de seu crescimento pode ser acompanhada por exames de imagem periódicos, sem necessidade de nenhuma intervenção. De modo geral, devem ser tratadas cirurgicamente as saliências com mais de 5 cm de diâmetro e também as que apresentarem uma evolução muito rápida, a não ser que as condições clínicas da pessoa não permitam operação.

A cirurgia convencional consiste na retirada do aneurisma e no restabelecimento do fluxo sangüíneo dentro da artéria, com o uso de uma prótese. Mais recentemente, tem-se adotado igualmente a técnica endovascular, na qual a prótese, introduzida na aorta através de uma pequena incisão na virilha, substitui o segmento dilatado sem removê-lo, ou seja, apenas revestindo-o.

Se, por um lado, esse método é mais simples e permite uma recuperação mais rápida do indivíduo, por outro, só se aplica ao tratamento de aneurismas com determinadas características anatômicas.

A prevenção dos aneurismas da aorta abdominal passa necessariamente pelo controle da pressão arterial, de modo que permaneça em níveis aceitáveis, abaixo de 13 por 8,5 mmHg, e pela manutenção de índices sangüíneos adequados de colesterol e triglicérides, o que implica fazer uma alimentação saudável, à base de vegetais, frutas, fibras e carnes magras, praticar exercícios físicos regularmente – tomando sempre o cuidado de evitar traumas violentos no abdome – e não fumar.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Anorexia Nervosa

A anorexia nervosa é um transtorno alimentar caracterizado por uma busca obsessiva pela perda de peso corporal. Nessa condição, apesar de estar visivelmente magra, a pessoa se enxerga gorda e, com medo de ganhar peso, limita a ingestão alimentar a níveis mínimos ou usa métodos para aumentar ainda mais a perda de peso.

Ao contrário do que ocorre na bulimia, a quantidade de alimentos ingeridos é muito baixa e a prática de jejum ocorre sem que tenha havido nenhum abuso alimentar. Assim, há indivíduos anoréxicos que ingerem apenas 200 calorias por dia, ou seja, 10% das necessidades diárias de consumo calórico.

De origem multifatorial, essa doença acomete, sobretudo, mulheres jovens na faixa dos 15 aos 25 anos, e tem sido cada vez mais freqüente em nosso meio. É uma condição mais freqüente em países ocidentais e a sua prevalência nesse grupo etário é estimada em 1 a 15%.

A anorexia nervosa não deve ser vista como vaidade ou uma crise da adolescência, contornável com uma conversa em família. É uma doença que, além de desnutrição e do desequilíbrio emocional grave, pode causar seqüelas importantes, tais como osteoporose precoce, depressão, arritmia cardíaca e infertilidade, sem falar no risco de caquexia, um grau extremo de fraqueza que pode ser fatal em alguns casos.

Causas e sintomas

O sintoma mais chamativo da anorexia nervosa é a perda exagerada de peso em um curto período de tempo sem nenhuma causa aparente, acompanhada de uma visão distorcida da imagem corporal (dismorfia). A recusa alimentar não é fruto de perda de apetite, mas do pavor de engordar. Esta condição pode inicialmente passar despercebida para a família e amigos, principalmente pela negação do portador em assumir este comportamento.

A pele e as mucosas do indivíduo podem se mostrar bastante secas, assim como os cabelos, que se tornam finos e quebradiços evidenciando a presença de desnutrição. Em conseqüência disto, ocorre uma má distribuição de líquidos corporais, que pode gerar inchaços nas pernas e na barriga, com episódios de constipação intestinal. Nas garotas, o ciclo menstrual é interrompido e as características femininas sofrem regressão.

Além desses sinais clínicos, os indícios comportamentais da presença do transtorno são notados por meio da recusa em participar das refeições, por uma dieta cada vez mais seletiva em qualidade e quantidades, o isolamento dos amigos e da família e o hábito de comer escondido ou jejuar. A doença ainda costuma cursar com problemas psiquiátricos associados, como depressão, síndrome do pânico e comportamentos obsessivo-compulsivos.

A anorexia nervosa resulta de uma combinação de fatores genéticos, sociais, neurológicos e psicológicos. Entre os principais fatores implicados no desenvolvimento dessa doença estão a predisposição genética, por meio de histórico familiar de doenças psiquiátricas e antecedentes de rejeição ou abuso sexual.

A presença de outro distúrbio psiquiátrico é implicada em muitos pacientes, sobretudo quando presente a distorção da imagem corporal. Além disso, o culto à magreza, imposto pela profissão, família ou pelo grupo social é um importante gatilho para os indivíduos acometidos, particularmente os jovens.

Pesquisas estão sendo realizadas para avaliar a importância de alterações nas concentrações de alguns neurotransmissores associados ao bem-estar do indivíduo, como a serotonina e a noradrenalina na instalação dessa condição.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico é clínico e se baseia na história relatada pela pessoa e por sua família, no conjunto de sintomas e no exame físico, que já pode evidenciar sinais de desnutrição e desidratação, assim como de anemia. A avaliação do índice de massa corporal (IMC) é fundamental para este diagnóstico.

Esse índice é obtido através do peso e altura do indivíduo, sendo calculado por meio da divisão do peso da pessoa em quilogramas pelo quadrado da sua altura em metros. Existem faixas de valores previamente estabelecidos para determinação do peso adequado para cada paciente.

Os pacientes anoréxicos geralmente apresentam valores de IMC inferiores a 15% do limite inferior de normalidade de peso. Exame físico e testes laboratoriais são necessários para avaliar o grau da desnutrição e a intensidade da anemia, orientando melhor o tratamento. Na prática, o diagnóstico da anorexia nervosa é feito em estágios mais avançados, uma vez que a consulta ao médico ocorre somente quando os sinais e sintomas da desnutrição são bem evidentes.

Tratamento e prevenções

Não existe um medicamento para tratar a anorexia. A abordagem terapêutica desses pacientes deve ser realizada por uma equipe multidisciplinar, com pilares em psicoterapia, acompanhamento nutricional e, em muitos casos, emprego de medicações psiquiátricas. A recuperação do peso e reabilitação do estado nutricional é o objetivo alvo do tratamento, e deve ocorrer de forma gradual.

Da mesma maneira, o acompanhamento psicológico deve ser priorizado para o indivíduo atingir um equilíbrio e bem-estar com seu peso e corpo. Pode ser necessário a utilização de antidepressivos, ansiolíticos ou outras drogas que agem no sistema nervoso, que devem ser cuidadosamente prescritas pelo maior risco de sensibilidade e efeitos colaterais. A hospitalização para suporte médico intensivo é indicada nos casos mais graves para controle de distúrbio de comportamento e alterações clínicas de risco para a sobrevivência do paciente.

Ainda não se conhecem medidas de prevenção efetivas contra o desenvolvimento dos transtornos alimentares. O reconhecimento da anorexia nervosa precocemente e a indicação de tratamento adequado são medidas fundamentais para amenizar as complicações severas decorrentes deste comportamento.

Desde que o portador tenha um bom seguimento profissional, há menor risco de cronicidade da doença e de recorrências dos quadros agudos de descompensação. Neste aspecto, a psicoterapia é uma medida fundamental para a conscientização do indivíduo sobre sua real imagem física e a necessidade de manter um estilo de vida mais saudável.

Da mesma forma, a orientação nutricional deve ser realizada regularmente para educação de um hábito alimentar correto a ser mantido em longo prazo. Aos pais e educadores, principalmente, cabe também orientar os adolescentes para que encarem com crítica e bom senso os padrões de beleza e saúde. Na maioria das vezes, os transtornos alimentares começam na tentativa de seguir esse falso ideal.

Quem exerce profissões de risco para a anorexia igualmente precisa ficar atento para não fazer da necessidade de perda de peso uma obsessão, procurando apoio psicológico preventivo, se necessário. Por fim, as famílias devem acompanhar de perto suas crianças e adolescentes, conhecendo seu comportamento e seus hábitos alimentares. Em tempos de vigilância contra a obesidade infantil, muita gente acaba se esquecendo de que ser magro demais também não é saudável.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Apendicite

A apendicite é a inflamação do apêndice, uma pequena estrutura de cerca de oito a dez centímetros, rica em glóbulos brancos, que fica na primeira porção do intestino grosso – chamada de ceco – e que não tem uma função muito bem definida no organismo, a não ser ajudar a produzir defesas naturais. Paradoxalmente, por servir de passagem para as fezes, esse órgão acaba ficando mais vulnerável à ação das bactérias contidas no material fecal.

A apendicite constitui uma causa comum de dor abdominal aguda no mundo ocidental, requerendo, invariavelmente, tratamento cirúrgico. Ocorre em qualquer idade, mas tem predileção pela população mais jovem, entre a segunda e a terceira década de vida.

Se não for diagnosticada e tratada a tempo, a inflamação pode provocar ruptura do apêndice, com risco de peritonite, ou seja, de infecção decorrente da entrada de fezes e material contaminado na cavidade abdominal. Esse evento costuma ser bastante grave se não tratado a tempo, pela possibilidade de a infecção se espalhar para outros órgãos e mesmo pela circulação. Por isso, quem apresenta dor abdominal contínua não deve deixar para procurar um serviço médico.

Causas e sintomas

O quadro cursa com dor bem localizada, em torno do umbigo, contínua, mais do lado direito do abdome, que começa fraca e vai aumentando de intensidade, acompanhada de falta de apetite, queda do estado geral, náuseas, vômitos, febre e diarréia, podendo evoluir para parada do funcionamento intestinal, com incapacidade de eliminar gases e fezes. Esses sinais, porém, podem ser discretos ou nem estar presentes nas formas de apendicite mais atípicas. Em caso de peritonite, no entanto, a dor se torna difusa, a febre aumenta e o comprometimento do estado geral se agrava.

A apendicite ocorre quase sempre por causa de uma obstrução no apêndice, decorrente de um resíduo fecal mais endurecido que por lá passa e não consegue sair – o fecalito – ou mesmo por um parasita. A presença desse corpo estranho provoca uma resposta do sistema imunológico, com maior produção de defesas locais e o conseqüente inchaço do apêndice. Este inchaço compromete a circulação sangüínea, causando déficit de oxigênio.

Assim, as células do apêndice vão aos poucos morrendo, propiciando o ambiente ideal para a proliferação das bactérias naturalmente presentes, culminando com gangrena e perfuração. Ocorre, então, o extravasamento do material contaminado com bactérias e células mortas para a cavidade abdominal, provocando a peritonite, infecção muito grave, com alta mortalidade associada. Neste decurso, o organismo lança mão de mecanismos de defesa menos usuais: o intestino delgado se mobiliza, posicionando-se em cima do apêndice na tentativa de bloquear o processo e evitar a peritonite.

Vale lembrar que em casos mais raros, a obstrução pode decorrer da presença de um tumor.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico pode ser um pouco difícil porque existem outras doenças que provocam sintomas semelhantes, como inflamações ginecológicas e pedras nos rins. Por isso, embora o médico possa ter quase certeza de que se trata de uma apendicite só pelos sintomas e pelo exame do abdome, ele seguramente vai precisar de algum método de imagem para descartar as outras possibilidades, como a ultra-sonografia com Doppler, a tomografia computadorizada e mesmo a radiografia simples da região pélvica.

Esses recursos afastam as demais hipóteses, mas nem sempre evidenciam claramente o comprometimento do apêndice. Na dúvida, porém, os médicos normalmente preferem optar pela cirurgia, por causa do risco iminente de peritonite.

Tratamentos e prevenções

O tratamento da apendicite implica na retirada cirúrgica do apêndice, que pode ser feita tanto pela cirurgia convencional, com uma incisão maior no abdome, quanto por videolaparoscopia, com três cortes de apenas alguns milímetros, um deles para a introdução de uma fibra óptica que permite a visualização interna de toda a cavidade abdominal e os demais para a inserção dos instrumentos necessários para remover o órgão doente. Qualquer que seja a técnica, o tempo de hospitalização não passa de dois a três dias, a não ser em caso de peritonite, quando a intervenção cirúrgica e os cuidados pós-operatórios são bem mais complexos.

Infelizmente, não há como evitar uma crise de apendicite, pois a ocorrência de uma obstrução no apêndice é um evento imprevisível. O importante, em termos de prevenção, é procurar um serviço médico diante dos primeiros sinais clínicos para impedir que a inflamação evolua para peritonite. Até porque, assim como acontece em muitas outras doenças, o diagnóstico precoce da apendicite igualmente favorece o tratamento.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Apneia do Sono

A apneia do sono é uma alteração caracterizada por pausas respiratórias que podem ocorrer enquanto dormimos. Há três tipos de apneia:

• Apneia obstrutiva do sono: É a forma mais comum da apneia do sono, na qual os músculos da orofaringe relaxam, obstruindo as vias aéreas e tornando a respiração difícil e barulhenta. O colapso das paredes das vias aéreas pode bloquear totalmente a respiração. A síndrome da apneia obstrutiva do sono é a que ocorre com mais frequência na população adulta, afetando 4% dos homens e 2% das mulheres. O grande problema é que, por conta das paradas respiratórias, essas pessoas têm um sono de má qualidade. Frequentemente apresentam excessiva sonolência diurna, o que aumenta o risco de acidentes automobilísticos, e também ficam mais predispostas ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

• Apneia central do sono: Nessa forma de apneia do sono, as vias aéreas estão abertas, mas o diafragma e os músculos do tórax param de trabalhar. Os níveis de oxigênio caem e sinalizam para o cérebro, provocando o despertar e a recuperação da respiração. A apneia central do sono torna-se mais comum com a idade. Ele se torna mais frequente e grave em pessoas que têm insuficiência cardíaca congestiva ou distúrbios neurológicos.

• Apneia mista: tem componente central e obstrutivo.

Causas e sintomas

O ronco alto é o sintoma mais comum. Além deste sintoma, o indivíduo pode apresentar engasgos e sensação de sufocação durante o sono, cansaço, confusão e dor de cabeça ao acordar, sonolência excessiva diurna, dificuldade de memória e concentração, irritabilidade e depressão. O quadro também costuma ser acompanhado de obesidade, de hipertensão arterial e, nos homens, de impotência sexual.

A obstrutiva decorre de um colapso ou estreitamento da faringe, que podem ser causados por múltiplos fatores, e é exacerbada com o uso de álcool e sedativos – por provocarem relaxamento da musculatura local –, de alterações anatômicas nas vias aéreas superiores, de defeitos no esqueleto facial, da presença de tumores e cistos na região e da obesidade – por causa do acúmulo de gordura ao redor da faringe. Já a apnéia central, que é mais rara, pode estar associada a problemas neurológicos e cardíacos.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico depende da avaliação da história do indivíduo, do conjunto de sintomas e, sobretudo, dos resultados da polissonografia, exame que monitora vários parâmetros durante o sono, entre os quais a atividade elétrica cerebral, a movimentação dos olhos, dos membros e dos músculos, a respiração, os batimentos cardíacos e a oxigenação sangüínea. Dessa forma, o método consegue identificar, quantificar e classificar os episódios de parada respiratória.

Tratamento e prevenções

O tratamento depende da gravidade de cada caso. Mas medidas comportamentais são sempre indicadas, como:
• Perda de peso;
• Evitar a ingestão de álcool antes de dormir; 
• Evitar remédios para dormir (muitos remédios podem deprimir a respiração e piorar a apnéia);
• Dormir de lado; 
• Uso de medicações que aliviam a congestão nasal.

Os tratamentos específicos são:
• Um aparelho chamado CPAP (pressão aérea positiva contínua), que é uma terapia altamente eficaz: uma máscara é colocada no nariz e um compressor de ar força a entrada do ar dentro do nariz e nas vias aéreas. Essa pequena pressão mantém as vias aéreas abertas e permite que a pessoa durma e respire normalmente; 
• Aparelhos intra-orais: são aparelhos que abrem as vias aéreas reposicionando o queixo, a língua e o palato mole;
• Cirurgias: podem corrigir anormalidades que comprometem a respiração durante o sono, como amígdalas aumentadas, pólipos nasais, desvio do septo nasal e malformações do queixo e do palato mole; 
• Oxigênio: suplemento de oxigênio é raramente utilizado no tratamento da apnéia do sono. Porém o oxigênio pode ser adicionado ao CPAP para corrigir os baixos níveis de oxigênio decorrentes, por exemplo, da existência de uma doença cardíaca ou pulmonar.

É possível prevenir a apneia obstrutiva com a manutenção, ao longo de toda a vida, de um estilo de vida saudável, o que inclui horários regulares de sono, alimentação balanceada e prática de exercícios físicos, para controlar o peso, e distância do cigarro e das bebidas alcoólicas, especialmente perto da hora de dormir. Para as crianças, particularmente, convém verificar com o pediatra a necessidade de extrair adenóide e amígdalas se crescerem excessivamente. Demais anomalias nas vias aéreas superiores ou nos ossos da face igualmente devem ser tratadas o quanto antes para impedir que se reflitam de forma mais grave na qualidade do sono. Por último, quem recebe reclamações freqüentes por causa de seu ronco não deve considerar esse sinal um fato normal, mas sim procurar esclarecer a causa do sintoma, que, em muitos casos, vai ser mesmo a apneia.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Arritimia cardíaca

As arritmias são alterações anormais no número de batimentos cardíacos por minuto e no intervalo entre um batimento e outro. A freqüência e o ritmo do coração variam ao longo de um dia conforme a necessidade de oxigênio do organismo, já que a função desse órgão é bombear o sangue oxigenado pelos pulmões para todas as células do corpo.

Quem regula essa atividade cardíaca, reduzindo-a ou acelerando-a de acordo com a demanda, é o sistema nervoso autonômico, que age sobre o sistema elétrico interno do coração, comandado pelo nó sinusal, que consiste em um grupo celular capaz de gerar estímulo elétrico. Esse impulso gerado no nó sinusal se propaga, gerando contrações sincronizadas das câmaras superiores e inferiores do coração, ou seja, dos átrios e dos ventrículos, que, assim, vão encaminhando adequadamente o sangue que por ali passa.

As arritmias se manifestam quando ocorre algum problema na geração ou na condução desse estímulo elétrico, desorganizando a atividade do coração e, algumas vezes, provocando verdadeiros curtos-circuitos. Apresentam-se de diversas formas, variando conforme seu local de origem – no átrio, no ventrículo ou na junção entre essas câmaras – e a freqüência cardíaca que desencadeiam – bradicardia quando os batimentos ficam lentos, não chegando a 60 por minuto e taquicardia, quando o coração acelera, passando de 100 batimentos por minuto. A mais freqüente, porém, é a fibrilação atrial, que se origina no átrio e afeta 5% das pessoas na faixa dos 60 anos e 9% dos septuagenários.

Além de poderem ser conseqüência de algum problema cardíaco anterior, as arritmias sinalizam irregularidades do sistema elétrico e doenças do coração ainda não-manifestas, como uma eventual insuficiência coronariana. Por isso, sempre precisam de investigação detalhada, mesmo porque alguns episódios arrítmicos, como os ventriculares, produzem uma desorganização tão grande que o coração pode parar de funcionar.

Causas e sintomas

Muitas pessoas apresentam episódios arrítmicos durante o dia sem que percebam nenhuma manifestação, pois os sinais clínicos dependem do tipo de arritmia, da quantidade de ocorrências no dia, do número de batimentos atingido durante a crise e da presença de doença cardíaca prévia, entre outros fatores. De qualquer maneira, o distúrbio pode provocar desmaios seguidos de rápida recuperação, que decorrem da redução do fluxo sangüíneo no cérebro ou provocar sensação de palpitação.

Em casos mais graves, a arritmia chega a se manifestar com confusão mental, fraqueza, queda de pressão arterial, falta de ar e dor no peito ou mesmo com parada cardíaca, requerendo, neste último caso, manobras emergenciais para restabelecer o funcionamento do coração.

As arritmias podem ser decorrentes de distúrbios localizados no sistema elétrico do coração, que não afetam as demais estruturas do órgão, mas também de doenças do músculo cardíaco – o miocárdio –, das valvulas cardíacas ou das artérias que nutrem o coração, as chamadas coronárias.

Por mecanismos distintos, essas moléstias alteram a condução do estímulo elétrico, produzindo a alteração no ritmo e na freqüência cardíaca. Existem também arritmias causadas por determinadas medicações, uso de drogas ilícitas, baixo teor de oxigênio no sangue, perda acentuada de sangue, água ou minerais e hipertiroidismo.

Exames e diagnósticos

É possível detectar a arritmia no consultório pela ausculta do coração, em associação com as queixas do indivíduo, mas há necessidade da realização de alguns exames cardiológicos para confirmar as alterações no ritmo e na freqüência cardíaca e buscar suas causas antes de determinar o tratamento.

Entre os recursos mais utilizados, destacam-se o eletrocardiograma, que mede atividade elétrica do coração, o ecocardiograma, um tipo de ultra-sonografia que pode identificar doenças cardíacas que estejam causando a arritmia, o teste de esforço, que investiga a saúde das coronárias e o comportamento do ritmo cardíaco durante a atividade física, e o holter, um eletrocardiograma de 24 horas, feito por meio de um gravador preso à cintura da pessoa, que permite ao médico identificar os episódios arrítmicos e relacioná-los com as atividades e com os sintomas descritos pelo indivíduo naqueles momentos.

Tratamentos e prevenções

A abordagem terapêutica depende do tipo de arritmia. Quando existe um distúrbio na condução do estímulo elétrico, que geralmente resulta em bradicardia, o tratamento normalmente é feito com o implante cirúrgico de um marca-passo, um aparelho capaz de fazer o trabalho no nó sinusal, gerando artificialmente os impulsos.

Já arritmias que produzem taquicardia ou batimentos adicionais decorrentes de problemas na geração do impulso elétrico – como a fibrilação atrial – são tratadas inicialmente com medicamentos antiarrítmicos, mas a correção definitiva pode exigir a cauterização do foco em que o estímulo nasce indevidamente. Minimamente invasiva, essa intervenção é feita por meio de um tubo bem fino – um cateter –, que, introduzido em uma veia do braço ou da perna, alcança a área a ser corrigida, guiado por um método de imagem, e ali desativa o gerador indevido.

Nos casos de arritmias malignas, o tratamento precisa começar com uma cardioversão com desfibriladores – os mesmos usados em situações de ressuscitação cardíaca –, realizada para restaurar o ritmo cardíaco do indivíduo e tirá-lo da zona de perigo, e prosseguir com medicamentos ou mesmo com o implante de um desfibrilador externo sobre o tórax, o qual monitora o coração e, ao identificar uma arritmia desse tipo, aplica automaticamente o choque local.

As alterações geradas por fatores externos, como medicamentos ou hipertiroidismo, costumam melhorar com a supressão do fator desencadeante ou com o tratamento específico da enfermidade em questão.

Não há medidas para evitar os problemas pontuais na geração ou na condução do impulso elétrico no coração. Porém, é possível prevenir, com uma alimentação saudável e com a prática constante de atividade física, outras doenças cardíacas que podem dar origem a desorganizações na atividade elétrica desse órgão.

Da mesma forma, é importante não exagerar no consumo de álcool e cafeína, manter distância do cigarro e não usar medicamentos sem prescrição médica. Uma boa medida de prevenção consiste em visitar periodicamente um cardiologista a partir dos 40 anos e idade para monitorar a saúde cardíaca e os fatores de risco para doenças do coração, entre os quais os níveis sangüíneos de glicose, de colesterol e dos hormônios produzidos pela tiróide, especialmente quem tem história pessoal ou familiar de doenças cardiovasculares.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Artrite Reumatóide

A artrite reumatóide é uma doença crônica que provoca inflamação no revestimento das articulações – chamado de membrana sinovial –, podendo causar danos a ossos, cartilagens, tendões e ligamentos das juntas, assim como a outros órgãos, a exemplo do sistema nervoso, pulmões, coração, olhos, rins e vasos sangüíneos.

Costuma acometer várias articulações ao mesmo tempo, sobretudo mãos, punhos, cotovelos, joelhos e ombros, em geral dos dois lados do corpo, diferentemente do que acontece em outras doenças articulares, como na artrose.

A doença interfere muito na qualidade de vida das pessoas, dificultando, inicialmente, os movimentos e, conforme sua progressão, provocando deformações e até mesmo incapacidade funcional das articulações envolvidas.

Pode afetar pessoas de todas as idades, mas costuma ter picos de incidência na adolescência e também entre os 40 e os 60 anos, especialmente no sexo feminino. Estima-se que 1% da população mundial sofra de artrite reumatóide.

Causas e sintomas

A doença se caracteriza por inflamação, ou seja, dor, inchaço e calor, nas articulações das mãos e punhos, além de outras juntas, com duração prolongada e de forma simétrica, ou seja, acomete os dois punhos e os mesmos dedos das mãos direita e esquerda.

Outro sintoma característico é a dificuldade de movimentar as articulações logo após acordar, conhecida como rigidez matinal, que dura pelo menos uma hora. Em geral, evolui de forma lenta e progressiva, mas o quadro clínico é muito variável.

Alguns pacientes desenvolvem uma doença mais agressiva, com destruição articular e até envolvimento de órgãos internos, enquanto outros mostram um curso mais brando, com boa resposta ao tratamento e períodos de inatividade da doença. Alguns pacientes apresentam nódulos subcutâneos, sobretudo na região dos cotovelos.

As causas dessa inflamação ainda não estão bem estabelecidas, mas a artrite reumatóide é considerada uma doença auto-imune, ou seja, decorrente de um descontrole no sistema imunológico, que, assim, passa a produzir anticorpos que se voltam contra as articulações. Esse mecanismo não tem uma razão aparente, mas há estudos indicando que pode haver uma predisposição genética para apresentar tais reações exageradas de defesa. Muitos estudiosos ainda acreditam que a artrite reumatóide seja acionada por uma infecção anterior, causada por algum tipo de microrganismo, que, assim, parece funcionar como um gatilho para o descontrole imunológico.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da doença requer uma combinação entre história do indivíduo, conjunto de sintomas, avaliação física e resultados de alguns métodos diagnósticos. Não existe um teste específico que diga se a pessoa tem ou não artrite reumatóide.

Contudo, alguns recursos ajudam a buscar indicações que comprovem a suspeita, como exames de sangue que pesquisam a presença de anticorpos muito freqüentes nos portadores desse tipo de artrite, como o fator reumatóide e os anticorpos contra peptídeos citrulinados cíclicos, e testes laboratoriais que investigam a existência de processos inflamatórios no organismo, como é o caso da dosagem da proteína C reativa, entre outros.

Os métodos de imagem, a exemplo da radiografia convencional e da ressonância magnética, podem demonstrar alterações nas articulações e em seus constituintes, mas geralmente na fase mais avançada da doença.

Tratamento e prevenções

Assim como muitas doenças crônicas, a artrite reumatóide não tem cura, mas pode ser controlada por toda a vida. O tratamento requer uma abordagem multiprofissional e especializada, que inclui, além de medicamentos, medidas fisioterápicas, terapia ocupacional, apoio psicológico e até cirurgias, quando necessário.

O tratamento farmacológico procura atenuar as dores, reduzir a inflamação, evitar ou diminuir danos nas articulações e melhorar a qualidade de vida do portador dessa moléstia. Para tanto, são utilizados tanto medicamentos que ajudam a aliviar efetivamente os sintomas, incluindo antiinflamatórios e corticóides, quanto fármacos que modificam o curso da doença, suprimindo parcial ou totalmente a atividade inflamatória e bloqueando a evolução natural do quadro.

Nessa segunda categoria, aliás, existem atualmente novos medicamentos que atuam contra substâncias específicas do processo inflamatório, e diversos estudos em andamento, com resultados promissores. Todas essas drogas, porém, trazem efeitos colaterais importantes e requerem um estrito acompanhamento médico. A fisioterapia também é importante para a manutenção e recuperação da mobilidade articular, no fortalecimento muscular e na adaptação das articulações acometidas para a realização das atividades diárias.

Como as causas da artrite reumatóide são ainda desconhecidas, não há nada que possa ser feito para evitar o aparecimento da doença. De qualquer forma, fica claro que a manutenção de articulações flexíveis e de músculos saudáveis por meio da prática regular de exercícios bem orientada pode servir como um fator protetor no caso de a moléstia realmente surgir.

Em termos preventivos, no entanto, o mais importante é procurar ajuda médica aos primeiros sintomas, sem recorrer à automedicação. Além de evitar maiores conseqüências às articulações, o diagnóstico precoce torna o tratamento medicamentoso mais eficiente, especialmente em relação aos fármacos que modificam o curso da artrite reumatóide.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Artrose

Conhecida por vários nomes, como osteoartrose, osteoartrite ou doença articular degenerativa, a artrose é uma enfermidade reumática caracterizada pelo desgaste da cartilagem das articulações e por alterações ósseas em seu entorno.

Na prática, esse processo degenerativo faz com que a cartilagem progressivamente perca sua superfície lisa, ficando cheia de pequenas crateras que causam rachaduras e cistos no osso adjacente. Bastante freqüente, a doença motiva cerca de 30% a 40% das consultas aos reumatologistas.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, em torno dos 75 anos de idade, 85% das pessoas de ambos os sexos têm alguma evidência de artrose, tanto na radiografia quanto no exame clínico, embora apenas de 30% a 50% se queixem de dor crônica.

Causas e sintomas

A dor é o principal sintoma, mas pode não existir para quase metade dos indivíduos. Quando aparece, costuma ser primeiramente relacionada com a movimentação da articulação afetada e melhora com o repouso. Depois, as pessoas costumam relatar rigidez das juntas após um longo período de inatividade, como dormir. Com a progressão do quadro, a dor não passa nem depois do descanso, havendo igualmente diminuição dos movimentos e falta de firmeza, além de inchaço, ruído e deformidade nas articulações.

Os problemas nas articulações decorrem de fatores genéticos, mecânicos e metabólicos, mas nem sempre é possível definir sua origem. Na artrose primária, que afeta mais os idosos, a doença não tem exatamente uma causa conhecida, manifestando-se principalmente nos joelhos, na coluna e nas pequenas articulações das mãos e dedos. Já na secundária, existe um fator desencadeante bem claro para causar o processo degenerativo na articulação, que pode ser a obesidade, um trauma ocasionado por movimentos repetitivos, um defeito que já tenha nascido com o indivíduo ou mesmo uma doença. Em tais casos, o problema costuma surgir em qualquer idade.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da artrose pode ser firmado pelo conjunto de sintomas e pelo exame físico. Em alguns casos pode ser necessário realizar uma radiografia simples da articulação envolvida, que vai evidenciar as alterações decorrentes da doença na cartilagem e nos ossos adjacentes e ajuda a diferenciar de outras doenças articulares, além de outros exames complementares, como a análise do líquido sinovial, para afastar outras causas de inflamação articular, como, por exemplo, a doença por depósito de pirofosfato de cálcio.

Tratamento e prevenções

O tratamento visa, principalmente, ao alívio da dor e à melhora da qualidade de vida do portador de artrose, com a manutenção ou com a recuperação de sua capacidade para realizar suas atividades habituais. Para tanto, usam-se analgésicos ou antiinflamatórios – administrados por via oral ou aplicados diretamente nas articulações – e terapias não-medicamentosas, que incluem exercícios regulares adequados à idade e ao estado de saúde da pessoa, fisioterapia, hidroterapia e orientações psicológicas e nutricionais, entre outras providências. Em último caso, é possível ainda recorrer a uma intervenção cirúrgica.

A prevenção da artrose deve contemplar alguns aspectos que fazem parte do tratamento. Além do envelhecimento, um dos fatores que mais favorecem a doença é a obesidade. Controlar o peso, portanto, representa uma medida importante para prevenir a artrose ou retardar seu surgimento. Ao lado dos cuidados com a dieta, é também importante praticar exercícios moderados regularmente para melhorar a função muscular e manter a integridade das articulações ao longo de toda a vida.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Asma

A asma é uma doença pulmonar crônica, caracterizada por uma reação de defesa exagerada do aparelho respiratório diante de estímulos que outros indivíduos nem percebem – trata-se da chamada hiper-reatividade.

Essa resposta demasiada contrai a musculatura da região, estreitando os canais que levam o ar até os pulmões – os brônquios –, e, por ser também inflamatória, provoca o aumento da produção local de secreção.

Por isso, freqüentemente a asma é confundida com a bronquiolite ou referida como bronquite asmática. Como resultado dessa broncoconstrição, na qual os brônquios ficam inchados, quase fechados e cheios de muco, há uma grande dificuldade para respirar.

A asma atinge pessoas de todas as raças e idades em diferentes partes do globo, sendo a doença crônica mais comum na infância. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima entre 100 milhões e 150 milhões o número de asmáticos no mundo.

Causas e sintomas

Durante as crises, o asmático sente falta de ar, tosse, chiado e aperto no peito. Esses sintomas, que podem ser leves, moderados ou intensos, agravam-se na vigência de gripes e resfriados.

Estudos apontam que a asma possivelmente seja hereditária. Uma vez portador da doença, um indivíduo pode ter um filho asmático. Assim, algumas pessoas já nascem com predisposição para a hiper-reatividade do aparelho respiratório diante de qualquer estímulo. Mas a doença também se desenvolve pela continuada exposição a um determinado agressor.

Independentemente da origem da asma, existem diversos fatores que desencadeiam crises, razão pela qual são denominados gatilhos, a exemplo de pólen, mofo, ácaros, fumaça de cigarro, poluentes do ar, gases químicos, inseticidas, poeira, cheiros fortes, pêlo e saliva de animais, frio, estresse e até alguns alimentos, como leite e ovos.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da asma se baseia na história do indivíduo, no conjunto de sintomas, na avaliação clínica e em exames complementares, a exemplo da radiografia de tórax e de provas de função pulmonar, como a espirometria, que identifica e quantifica a obstrução ao fluxo de ar.

Além disso, testes laboratoriais de sangue e de pele são importantes para estabelecer a que gatilhos exatamente o asmático reage, visto que essa informação ajuda a evitar crises e a controlar a doença.

Tratamentos e prevenções

O tratamento é voltado para aliviar as crises e para manter a doença sob controle. No primeiro caso, usam-se broncodilatadores, que agem exatamente de modo contrário à resposta de hiper-reatividade, abrindo os brônquios. Para a manutenção do controle da asma, e também para aliviar as crises quando o efeito do broncodilatador se mostra insatisfatório, geralmente é associado um corticóide, que serve para desinflamar os brônquios do asmático e, assim, evitar futuras manifestações agudas.

Ambas as medicações, broncodilatadores e corticóides, são utilizados preferencialmente pela via inalatória (bombinhas) que permitem o uso de doses menores, porém mais efetivas, dada a aplicação direta no local da reação. Outro coadjuvante bastante recente na prevenção de crises é aplicação de injeções periódicas de uma substância que age contra o anticorpo responsável pela reação alérgica, a imunoglobulina E. Este novo tratamento, porém, só é indicado para pessoas que têm determinados níveis desse anticorpo.

Quem nasce com predisposição para ter essa hiper-reatividade dos pulmões precisa conhecer e evitar os gatilhos que desencadeiam as crises. De qualquer modo, é indispensável manter o ambiente do asmático o mais limpo possível e restringir seu contato com alérgenos ou com substâncias irritantes. O tabagismo e a asma, por exemplo, são absolutamente incompatíveis.

Os animais têm de ser mantidos fora de casa, ou no mínimo, impedidos de entrar nos quartos de dormir. Colchões e travesseiros devem ser forrados com material lavável, o qual precisa ser higienizado periodicamente.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Botulismo

O botulismo é uma doença que se caracteriza por paralisia muscular e tem, como causa, a toxina produzida pelo Clostridium botulinum, uma bactéria encontrada no solo, em alimentos e em fezes de animais sob a forma de esporos, ou seja, de estruturas resistentes que se formam em condições desfavoráveis.

Por isso mesmo, esse microrganismo acha nas conservas de carnes, vegetais e frutas o local ideal – sem oxigênio – para dar origem à toxina botulínica, que, uma vez ingerida, se comporta como um veneno biológico no corpo humano.

Depois que ganha a corrente sangüínea, ela atinge o sistema nervoso central e interfere na comunicação entre as células nervosas, impedindo a contração muscular. A maior ameaça desta paralisia é a severa dificuldade respiratória que ela provoca, podendo culminar com parada cardiorespiratória e morte.

Graças à melhoria das práticas e dos processos de fabricação de alimentos em conserva no mundo todo, o botulismo é hoje uma doença de baixa incidência. De 1999 a 2005, o Estado de São Paulo, por exemplo, teve 22 casos confirmados dessa moléstia, que é capaz de afetar pessoas de todas as idades, bebês inclusive.

Causas e sintomas

Nos adultos, o botulismo se apresenta com paralisia progressiva, na ausência de febre. Os sintomas se iniciam de 12 a 36 horas após a ingestão de alimento contaminado. Pálpebra caída, visão embaçada ou dupla, sensação de boca seca, dificuldade para engolir, para fazer movimentos e para respirar, fala arrastada e fraqueza muscular nos membros inferiores compõem os sintomas mais importantes. Por sua vez, os bebês infectados pelo Clostridium botulinumtêm prisão de ventre, recusam-se a comer, choram de maneira fraca e mostram-se extremamente apáticos.

A causa da doença é a toxina do Clostridium botulinum, que o homem adquire principalmente pela ingestão de alimentos contaminados com o tal veneno biológico, como as conservas, especialmente as feitas em casa. Dentro de latas e vidros, os esporos da bactéria, não destruídos durante o processo de fabricação do alimento, produzem a toxina.

Existe também uma forma de botulismo infantil, decorrente da ingestão de produtos alimentícios contaminados com esses esporos, a exemplo do mel. Em tais casos, porém, o agente infeccioso fabrica a toxina no intestino do bebê, razão pela qual o surgimento dos sintomas pode demorar de 3 a 30 dias após o contágio.

A bactéria também pode penetrar no organismo humano por ferimentos e ali encontrar as condições adequadas para dar origem à toxina, como sangue e tecidos mortos, da mesma forma que no tétano. Nessas situações, as manifestações costumam aparecer de 4 a 14 dias após a ocorrência do ferimento.

Não há possibilidade de adquirir botulismo em tratamentos estéticos e terapêuticos que utilizam a toxina botulínica, uma vez que a dose utilizada da substância é infinitamente menor que a liberada pela bactéria. Vale esclarecer, ainda, que a doença não é transmitida de uma pessoa para outra.

Exames e diagnósticos

A suspeita de botulismo fica muito evidente para o médico diante do conjunto de sintomas, da avaliação neurológica e da história alimentar ou de ferimento recente. No entanto, como existem outras doenças neurológicas e infecciosas que cursam com sintomas semelhantes, é preciso realizar exames específicos para pesquisar, no sangue da pessoa, a presença da toxina botulínica.

Esse teste, porém, precisa ser feito rapidamente porque, após oito dias de doença, os tecidos orgânicos absorvem totalmente a substância tóxica, que, portanto, deixa de circular pela corrente sangüínea. Em tais casos, há necessidade de fazer a pesquisa da toxina nas fezes e no conteúdo estomacal para esclarecer o diagnóstico.

Nos bebês e nos indivíduos que se contaminaram por ferimentos, a investigação pode contar com a ajuda do exame de cultura, no qual amostras de material biológico são postas em meios próprios para o crescimento da bactéria em questão, permitindo, assim, seu isolamento.

Qualquer caso suspeito de botulismo precisa ser imediatamente notificado ao Serviço de Vigilância Epidemiológica local, de forma que esse órgão possa tomar as providências necessárias para evitar novos casos, como tirar das prateleiras o produto que possa estar envolvido com a contaminação ou suspender as atividades de um estabelecimento que tenha vendido comida contaminada com a toxina.

Tratamento e prevenções

Independentemente da forma de transmissão da doença, o portador do botulismo precisa ser submetido a tratamento hospitalar em unidade de terapia intensiva por várias semanas para a manutenção de suas funções vitais, para a eliminação da toxina contida no organismo e para o restabelecimento de sua respiração normal por meio de respiradores artificiais.

Adultos que têm diagnóstico precoce, ou seja, quando a toxina ainda está na circulação, recebem também o soro antibotulínico, que bloqueia a ação da substância venenosa e impede a piora do quadro, embora não possa reverter a paralisia já instaurada. O soro não é recomendado para crianças, uma vez que a toxina se concentra inicialmente em seu intestino – o melhor, portanto, é estimular sua eliminação.

Qualquer que seja o caso a recuperação do doente é lenta, pois o veneno biológico instalado entre as células nervosas precisa ser destruído pelo próprio sistema imunológico. Após a alta hospitalar, o indivíduo precisa permanecer com acompanhamento médico e fisioterápico para recuperar ou reaprender funções como respirar, falar, andar, escrever, etc.

O botulismo pode ser evitado com alguns cuidados bem simples de seguir. Nenhum produto enlatado ou em conserva que esteja estufado ou que apresente má apresentação deve ser consumido, ainda que esteja dentro da data de validade. Recomenda-se também ferver por dez minutos os alimentos em conserva não industrializados antes de comê-los, visto que o calor destrói a toxina eventualmente presente no preparado.

Quem gosta de fazer conservas caseiras precisa conhecer as técnicas corretas de preparo e, no mínimo, ferver os alimentos crus em panela de pressão para matar os esporos do Clostridium botulinum – se eles não forem eliminados durante o processo de cozimento, fatalmente produzirão a toxina ao serem armazenados sem oxigênio.

Em relação ao botulismo infantil, a melhor medida preventiva é não usar mel na alimentação de lactentes durante o primeiro ano de vida, quando sua flora intestinal ainda não é capaz de combater naturalmente os inimigos. Já os ferimentos devem ser lavados com água e sabão imediatamente após o trauma e tratados com a aplicação local de anti-séptico. Convém acrescentar que essa medida também contribui para evitar o tétano em pessoas não vacinadas.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Bronquiolite

A bronquiolite é uma inflamação dos bronquíolos, que são pequenas ramificações dos canais que levam ar para os pulmões – os brônquios. Esse processo inflamatório geralmente resulta de uma infecção respiratória viral anterior, como uma gripe, e afeta, sobretudo, crianças de até 2 anos de idade, particularmente entre o terceiro e o sexto mês de vida, quase sempre no período de outono-inverno.

Com a inflamação, os bronquíolos se tornam mais grossos e, dada a presença de muco, podem ficar obstruídos, dificultando a entrada e, particularmente, a saída de ar. Por isso mesmo, não é raro a bronquiolite ser confundida com uma crise de asma.

Causas e sintomas

Os sintomas mais comuns incluem tosse intensa, febre baixa, irritabilidade, falta de apetite, dificuldade para respirar – caracterizada por chiado no peito, batimento da asa do nariz e exalações de ar forçadas e prolongadas. Pode, ainda, apresentar aumento da freqüência cardíaca, dor de ouvido, vômitos, conjuntivite e, nos casos mais graves, coloração azulada em torno da boca e nas extremidades, como nas pontas dos dedos, o que evidencia o alto grau de comprometimento respiratório.

Entre as causas da bronquiolite figuram a inalação de poeira, fumaça e gases tóxicos, as reações induzidas por medicações e, principalmente, as infecções respiratórias provocadas por agentes virais, sobretudo o vírus sincicial respiratório e outros microrganismos que desencadeiam gripes e resfriados, como o adenovírus, o influenza e o parainfluenza. Esses agentes se disseminam facilmente entre as pessoas.

Ao levar as mãos à boca, ao nariz ou aos olhos, o doente as contamina e espalha a doença quando toca outro indivíduo. Daí a importância, por exemplo, de lavar bem as mãos antes de cuidar de um bebê de apenas alguns dias ou meses de vida.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da bronquiolite costuma ser feito com base no exame físico da criança, dos sinais referidos pelos pais. A radiografia de tórax, pode ajudar no diagnóstico ao evidenciar o excesso de ar nos pulmões, além de descartar outras doenças, como a pneumonia.

Para esclarecer a origem da inflamação, os médicos podem pedir a pesquisa do vírus sincicial respiratório, que é feita por meio da análise da secreção expelida pelo nariz da criança.

Tratamento e prevenções

Para bronquiolites causadas pelo vírus sincicial respiratório, o tratamento é de suporte e visa a melhorar os sintomas, notadamente a dificuldade respiratória. Para tanto, usam-se diversas medidas, como a administração de oxigênio e/ou vaporizações, broncodilatadores para ajudar a entrada e a saída de ar, fisioterapia respiratória e até antiinflamatórios da categoria dos corticóides, entre outras providências.

O emprego de antibióticos se limita a casos de infecções secundárias. Para bebês de baixa idade – de 1 a 4 meses de vida –, geralmente o tratamento requer a internação da criança até a diminuição dos sintomas.

Atualmente, já se usam tratamentos preventivos contra o vírus sincicial respiratório, mas apenas para os bebês que têm maior risco de contrair infecções respiratórias, como os que nascem com o sistema imunológico debilitado ou com doenças cardíacas.

Nos bebês saudáveis com pouco tempo de vida, algumas medidas podem reduzir a exposição aos agentes virais que causam doenças como a bronquiolite. A principal delas é lavar bem as mãos antes de mexer na criança, ainda que seja apenas para carregá-la. Além disso, recomenda-se evitar o contato direto do bebê com pessoas resfriadas ou gripadas. Vale lembrar que a amamentação sempre contribui para fortalecer a resistência a infecções de toda sorte.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Bulimia

A bulimia é um transtorno psiquiátrico caracterizado por episódios de ingestão compulsiva e excessiva de alimentos, seguidos de métodos inadequados para reverter este abuso.

As medidas mais empregadas pelos pacientes para reparar esta situação são a indução de vômitos, uso abusivo de laxantes e diuréticos, manutenção de dietas super-restritivas, jejum prolongado e prática extenuante de exercícios físicos. Tudo isso é realizado com o intuito de reduzir os efeitos provocados pela hiperalimentação e aliviar o sentimento de culpa gerado pelo medo de engordar após o exagero alimentar.

Diferentemente da anorexia nervosa, nessa condição não há magreza demasiada – cerca de 70% dos portadores de bulimia têm peso normal e alguns têm até sobrepeso. Contudo, um ponto comum importante entre estas doenças é o medo de engordar associado a um cuidado obsessivo com a forma física. 

A bulimia afeta, sobretudo mulheres na faixa dos 18 aos 40 anos, das classes média e alta, sendo muito freqüente entre modelos, dançarinos e praticantes de atletismo, assim como entre estudantes do ensino médio e superior. Muitas vezes, está associada a outro transtorno alimentar,ou psiquiátrico, como a anorexia nervosa e a depressão.

Causas e sintomas

O principal sinal desta doença  é a hiperfagia ou alimentação em quantidades superiores, num curto espaço de tempo sem aumento proporcional de peso. Este ato é feito muitas vezes em segredo, já que o bulímico sente vergonha de seus hábitos alimentares e, principalmente, dos seus métodos compensatórios. Dessa forma, não é incomum o portador desse transtorno refugiar-se no banheiro após alimentações copiosas para a indução do vômito.

Este ato de forma repetida causa inflamação no esôfago e na garganta e maior predisposição para o surgimento de cáries. Além disso, ocorre um aumento das glândulas salivares tornando o rosto dos pacientes mais arredondados. Em alguns casos há uma redução da taxa de potássio no sangue, que pode causar alterações no ritmo cardíaco. Um indício comportamental clássico desse distúrbio é a obsessão pela prática de exercícios físicos, pela forma física e dietas.

Assim como ocorre na anorexia, trata-se de distúrbio psiquiátrico também vinculado ao medo de engordar, só que é conseqüência da perda de controle da ingestão alimentar. Um fator que muito corrobora para esta condição é o culto atual à magreza e à condenação ao sobrepeso. Além disso, fatores genéticos, ambientais e psicológicos estão envolvidos na origem dessa doença. Problemas afetivos ou familiares, ansiedade, baixa auto-estima e abuso de drogas e álcool constituem outros fatores de risco para o desenvolvimento desse distúrbio.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico de bulimia deve ser suspeitado na presença de episódios bulímicos com uma freqüência mínima de duas vezes por semana, por, pelo menos, três meses. A identificação desse quadro é clínica, ou seja, efetuada por meio de um conjunto de sintomas e na história do paciente e da sua família.

No entanto, ao contrário do que ocorre na anorexia nervosa, podem passar muitos anos até que os familiares notem a bulimia ou mesmo que o portador admita ter um problema em relação à alimentação.

Tratamento e prevenções

O tratamento visa ao controle da compulsão alimentar e à eliminação das medidas compensatórias realizadas pelo paciente para perder peso.  Este tratamento deve ser feito com uma abordagem multidisciplinar, principalmente por meio de psicoterapia individual ou em grupo, tanto para o paciente quanto para sua família. Além disso, a orientação nutricional é muito importante para a manutenção de uma dieta adequada e equilibrada.

Na maioria dos casos é necessário o uso de medicamentos para o controle químico dos episódios bulímicos. E embora as internações hospitalares sejam mais restritas a casos graves, são de grande valia para controle de complicações agudas da bulimia, como desidratação e arritmia cardíaca severa.

Em geral, os casos mais leves podem ser bem controlados com consultas de orientação comportamental (terapia cognitivo comportamental), ao passo que a bulimia de longa data pode causar danos semelhantes à anorexia nervosa. Com isso, é fundamental o reconhecimento e o tratamento médico precoces dessa doença.

A prática de uma alimentação equilibrada desde a infância, na qual a criança aprenda a ter uma boa relação com a quantidade de comida ingerida, é um meio de evitar a instalação da doença. Da mesma forma, o incentivo a um controle de peso adequado, com atividades físicas regulares e boa qualidade alimentar é eficaz na prevenção dessa condição.

Além disso, é importante que pais e educadores transmitam aos jovens um conceito crítico sobre as exigências atuais dos padrões de magreza, bem como do uso de produtos químicos e dietas milagrosas que prometem o corpo perfeito em poucas semanas. Afinal, esses distúrbios muitas vezes advêm da tentativa de enquadramento do indivíduo ao ideal enganoso de perfeição.

Por fim, as famílias que têm casos de problemas psiquiátricos, como depressão e alcoolismo, devem ficar mais atentas a seus jovens, por serem candidatos mais vulneráveis a desenvolver transtornos alimentares.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Câncer Colorretal

O câncer colorretal é um tumor maligno que atinge o cólon e o reto, conhecido como intestino grosso. É muito freqüente na população adulta brasileira, sendo a quinta causa de câncer entre os homens, com cerca de 11,5 mil casos novos a cada ano, e a quarta mais prevalente entre as mulheres, com incidência em torno de 14 mil casos anuais, concentrando-se na faixa etária dos 50 aos 70 anos.

Os cânceres do cólon e do reto têm a particularidade de exibir lesões precursoras, que são os pólipos - estruturas formadas pelo crescimento indevido da mucosa intestinal - e que, dependendo do tipo, apresentam risco de transformação maligna.

O tempo estimado para crescimento e desenvolvimento de tumor a partir de um pólipo é longo, o que permite sua identificação, retirada e, portanto, prevenção do câncer. Apesar disso, a mortalidade associada à neoplasia colorretal ainda é elevada, especialmente por conta do diagnóstico tardio.

Causas e sintomas

Os sinais clínicos mais comuns do tumor colorretal incluem alterações do hábito intestinal, com alternância de diarréia e/ou prisão de ventre, dor e desconforto abdominal, presença de sangue e muco nas fezes, evacuações dolorosas, fraqueza, afinamento no calibre das fezes, perda de peso inexplicada, náuseas e vômitos e flatulência constante. Às vezes, porém, o único sintoma pode ser a presença de anemia sem causa determinada.

O surgimento do câncer colorretal está associado à presença de alterações genéticas que ativam genes específicos, relacionados com tumores, e desativam genes protetores da mucosa intestinal. Se a pessoa nascer com uma ou mais dessas mutações, será mais sujeita a desenvolver a doença ao longo de sua vida, sobretudo se essa predisposição for combinada a outros fatores de risco, como uma dieta pobre em fibras, vegetais e folato – uma vitamina do completo B – e rica em gorduras e carne vermelha, consumo excessivo de álcool, sedentarismo e tabagismo.

No conjunto, esses aspectos explicam a causa de 75% dos casos de câncer colorretal. Os demais 25% possuem história familiar desse tumor e/ou de síndromes hereditárias específicas que afetam o cólon ou, então, são portadores de doença inflamatória intestinal, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn. Indivíduos com um ou mais parentes de primeiro grau com câncer colorretal têm aproximadamente o dobro da chance de desenvolver uma lesão maligna de uma pessoa sem esse histórico.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico depende da combinação da história pessoal e familiar do indivíduo, do exame físico e do resultado de exames complementares.

O mais importante método para a identificação do câncer colorretal é a colonoscopia, que permite a visualização direta de todo o intestino por meio de um tubo flexível com fibra ótica na ponta – colonoscópio – introduzido pelo reto. Durante esse exame, o médico já pode fazer também a biópsia das áreas suspeitas, colhendo minúsculos fragmentos para a posterior análise da natureza de suas alterações – se maligna ou se benigna.

Estabelecido o diagnóstico de neoplasia colorretal, deve ser realizado o estadiamento da doença, por meio de exames de sangue e de métodos de imagem que determinarão a extensão da lesão, o acometimento de órgãos subjacentes e a presença de metástases.

Tratamento e prevenções

A cirurgia é o tratamento primário do câncer colorretal. O tipo da intervenção depende da localização e tamanho do tumor, mas, em geral, o procedimento se resume à remoção da parte do intestino afetada e dos gânglios próximos a essa região, retirados para impedir uma recidiva local.

Pode ser necessário complementar o tratamento cirúrgico com radioterapia e quimioterapia, métodos terapêuticos que inibem o reaparecimento e disseminação do tumor.

No caso de haver somente pólipos, é necessário apenas removê-los por meio da própria colonoscopia e fazer o acompanhamento em intervalos de tempo que devem ser definidos pelo médico que acompanha o caso.

Para prevenir o câncer colorretal, é importante praticar exercícios físicos regularmente e manter uma dieta saudável, pobre em gorduras de origem animal e rica em fibras – presentes em cereais, vegetais e frutas –, em folato – encontrado em alimentos como espinafre, feijão branco, laranja, aspargo, couve-de-bruxelas, maçã e soja – e no cálcio do leite e de seus derivados, de preferência desnatados ou light.

As fibras, particularmente, têm um papel fundamental na manutenção da saúde do intestino, pois aumentam o bolo fecal, aceleram a velocidade do trânsito intestinal e diminuem o contato das substâncias cancerígenas com a parede do cólon.

Além disso, deve ser evitado o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, assim como o tabagismo, os quais estão implicados com a maioria dos cânceres. Entretanto, da mesma forma que nos outros tipos de câncer, a medida mais importante é a detecção precoce de lesões pré-cancerosas. Por isso, recomenda-se que toda pessoa com mais de 50 anos faça uma colonoscopia periodicamente.

O intervalo entre os exames será determinado pelo gastroenterologista que acompanha o caso, conforme os achados. Já as pessoas com parentes de primeiro grau com câncer colorretal devem ser submetidas à colonoscopia preventiva a partir dos 40 anos de idade.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Câncer de colo de útero (HPV)

O câncer de colo de útero é o terceiro tumor maligno mais comum na população feminina do Brasil, sendo superado apenas pelo câncer de pele e pelo câncer de mama. No País, estima-se que a incidência dessa doença chegue a quase 20 mil casos a cada ano, sobretudo na faixa dos 35 aos 55 anos.

Como qualquer tipo de tumor maligno, esse também se origina da multiplicação desordenada de células anormais, que efetivamente formam a lesão e podem ganhar a circulação, atingindo outros órgãos e tecidos do corpo. A diferença é que o câncer de colo uterino tem um vírus em sua origem – o papilomavírus humano (HPV). Alguns tipos de HPV invadem as células do colo do útero e fazem com que elas se transformem em células tumorais.

Esse processo, contudo, ocorre lentamente. Durante o passar dos anos as células vão se tornando anormais, com mutações inicialmente leves e benignas, o que se chama de displasias ou lesões pré-cancerosas. Mas essas alterações, se não tratadas, evoluem para um tumor maligno que pode crescer, destruir os tecidos à sua volta e se espalhar pelos órgãos vizinhos.

Há, portanto, tempo para interferir e impedir que tais lesões se transformem em câncer efetivamente. E, ainda que isso venha a acontecer, as chances de cura ficam próximas de 100% quando o tumor é detectado precocemente.

Apesar disso, a doença ainda representa a quarta causa de morte entre as mulheres brasileiras, o que, vale insistir, está associado ao diagnóstico tardio e à falta de acompanhamento ginecológico que toda mulher sexualmente ativa deve receber.

Causas e sintomas

Na chamada fase pré-clínica, ou seja, quando as células anormais vão se formando e dando origem a lesões precursoras da doença, quase não há sintomas, o que ratifica a importância do acompanhamento ginecológico periódico, pois é possível identificar os sinais pré-cancerosos nos exames de rastreamento desse câncer. Contudo, a infecção pelo HPV, que está por trás de todo o processo, pode causar coceira, irritação e verrugas genitais, que, eventualmente, sangram.

Conforme a doença progride, os sinais clínicos incluem sangramentos mais significativos não relacionados à menstruação, mesmo após a menopausa, além de corrimento vaginal e dor nas relações sexuais.

O papilomavírus humano está implicado em mais de 95% dos casos de câncer de colo de útero. Esse vírus é transmitido sexualmente, mas também pode passar de uma pessoa para outra por meio de roupas íntimas, objetos, instrumentos médicos e até pelo contato com mãos contaminadas, o que explica a possibilidade de contraí-lo mesmo em relações sexuais com preservativo.

Alguns fatores aumentam o risco de adquirir o HPV e, conseqüentemente, de desenvolver esse tipo de câncer, como o início precoce da atividade sexual, a multiplicidade de parceiros, o tabagismo e a higiene íntima inadequada. Como se não bastasse, mulheres com o sistema imunológico debilitado por doenças e por tratamentos também estão mais vulneráveis à ação do vírus.

Convém esclarecer que a infecção pelo HPV não deve ser vista como sinônimo de câncer. É a falta de tratamento que determina a evolução das lesões para um tumor maligno.

Exames e diagnósticos

A presença de sinais suspeitos pode ser detectada já ao exame ginecológico, feito no consultório. A confirmação, contudo, depende do resultado de métodos diagnósticos complementares. O clássico Papanicolau, que analisa as células do colo do útero, colhidas com uma espátula, mostra se existem alterações compatíveis com a doença ou mesmo com sua fase pré-clínica, ou seja, quando há apenas células com mutações leves.

A colposcopia, por sua vez, traz a imagem da região do colo do útero e permite ao médico visualizar alterações não detectadas ao exame ginecológico à olho nu. Caso seja identificada alguma lesão, é feita uma biópsia. Realizada durante a colposcopia, esse recurso consiste na retirada de minúsculos fragmentos das áreas suspeitas, que, então, são analisadas para pesquisar a presença e a natureza de suas alterações – se benigna ou maligna. O resultado da biópsia dá o veredicto.

Nas mulheres que tiverem diagnóstico confirmado de câncer de colo de útero, outros exames complementares podem ser necessários para avaliar se o tumor está restrito ao útero ou se, por acaso, atingiu a bexiga e o reto, por exemplo.

Tratamentos e prevenções

O tratamento das lesões precursoras do câncer do colo do útero é individualizado para cada caso. Varia desde o simples acompanhamento cuidadoso, a diversas técnicas, incluindo a crioterapia (congelamento) e outras formas de cauterização, até retirada da área da lesão.

O tratamento do câncer propriamente dito depende do estágio e da extensão e do estado da mulher, mas, em geral, combina cirurgia para a remoção do útero e dos gânglios próximos com radioterapia e/ou quimioterapia para eliminar as células malignas e impedir seu desenvolvimento.

Hoje em dia, já é possível preservar parte do útero para quem ainda desejar engravidar – desde que, evidentemente, se trate de um tumor em estágio inicial e limitado ao colo. Nos casos mais graves, ao contrário, pode ser necessário retirar, além do útero, outros órgãos e estruturas pélvicas.

O fato é que, assim como ocorre no câncer de mama, quanto mais precoce for a detecção do tumor, menos complexa será a intervenção cirúrgica. Vale lembrar que tanto o diagnóstico de lesões pré-cancerosas quanto cancerosas, mesmo após adequadamente tratadas requerem um acompanhamento médico bem estrito para controlar o aparecimento de novas alterações do gênero.

A prevenção do câncer de colo de útero passa por cuidados para evitar a infecção pelo HPV, o que implica o uso de preservativo em todas as relações sexuais, a boa observação das medidas de higiene pessoal, a distância do tabagismo e, principalmente, o acompanhamento ginecológico uma vez por ano, após o início da atividade sexual.

A realização do Papanicolau, exame de alta eficácia e baixo custo, é fundamental, pois consegue identificar alterações celulares compatíveis com a infecção pelo HPV antes mesmo que haja alterações visíveis. No caso de existir infecção, convém esclarecer que o parceiro sexual também precisa ser tratado para garantir a erradicação do vírus e a proteção contra o câncer.

Outra medida preventiva de destaque é a vacinação contra o HPV, indicada para mulheres de 9 a 26 anos, de preferência antes de começarem sua vida sexual. A vacina protege contra subtipos do HPV responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo uterino e por 90% dos casos de verrugas genitais e deve ser aplicada em três doses, a segunda depois de um mês e a terceira depois de seis meses, com reforço após cinco anos.

Contudo, a imunização deve ser associada às demais medidas preventivas para aumentar a proteção contra o câncer – e jamais substituí-las –, uma vez que não dá cobertura contra outros subtipos do vírus e contra outras graves doenças sexualmente transmissíveis, como a aids, por exemplo.

Fonte: Assessoria de Médicos Fleury

Câncer de Mama

O câncer de mama é o tumor maligno mais freqüente no sexo feminino, estando entre as principais causas de morte em mulheres nos países ocidentais.

Em linhas gerais, resulta da multiplicação celular no interior do ducto mamário de forma exagerada e desordenada, que invade os tecidos normais que o cercam, podendo comprometer outros órgãos se as células cancerosas atingirem a circulação sanguínea ou linfática – processo conhecido como metástase.

Como se não bastasse o risco de se disseminar pelo organismo, o câncer de mama também desencadeia efeitos psicológicos importantes na mulher, por afetar a percepção de sua feminilidade e sexualidade. Embora possa ocorrer em homens, a doença acomete sobretudo a população feminina acima dos 40 anos, sendo que o risco de adquiri-la aumenta com o avanço da idade.

No Brasil, o número anual de casos diagnosticados tem chegado a 50 mil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Não obstante o aumento da incidência e a gravidade desse tumor, a chance de cura hoje ultrapassa os 90% quando o diagnóstico é feito no estágio inicial da lesão, ou seja, antes do aparecimento de um nódulo – o popular caroço – perceptível pelo toque. A alta mortalidade associada ao câncer de mama se deve, na maioria dos casos, à sua detecção tardia.

Causas e sintomas

Em geral o tumor cresce de forma silenciosa, sem sintoma clínico específico associado, principalmente nas fases iniciais, quando as lesões somente são encontradas por meio de métodos diagnósticos, como, por exemplo, as microcalcificações agrupadas que só são visíveis ao exame de mamografia. Este período apresenta a maior chance de cura.

Em fases mais avançadas, porém, o tumor costuma ser palpável e, muitas vezes, é detectado pela própria mulher ou em uma consulta ginecológica de rotina. Outros sinais clínicos que podem alertar a mulher incluem alterações no tamanho e na pele das mamas, que podem ficar com aspecto semelhante a uma casca de laranja, secreções sanguinolentas das aréolas e presença de caroços também nas axilas.

Como em muitos outros cânceres, a causa do tumor mamário ainda não está bem estabelecida. Existe uma associação entre predisposição genética e hábitos, como o aumento da exposição ao estrógeno, o hormônio que confere as características femininas. A mulher de hoje tem filhos mais tarde, em número menor que no passado, e não raramente entra na menopausa depois dos 50 anos, ficando mais tempo sob essa ação hormonal.

Além disso, outros fatores, como a história de tumor de mama ou de ovário, pessoal ou em parentes de primeiro grau – mãe e irmã –, presença de marcadores genéticos (BRCA 1 e 2), o consumo regular de álcool, ainda que em dose moderada e o próprio envelhecimento podem contribuir para o aparecimento da doença.

Exames e diagnósticos

Os nódulos maiores podem ser identificados pelo exame físico numa consulta de rotina, mas os menores e as microcalcificações só aparecem em exames de imagem, como a mamografia, que nada mais é do que uma radiografia das mamas.

As características dos achados podem sugerir a classificação da lesão – benigna ou maligna –, mas essa informação obrigatoriamente precisa ser confirmada, antes da adoção de qualquer medida terapêutica, pela biópsia mamária, que consiste na coleta de material da área suspeita para análise.

Atualmente, existem recursos diagnósticos minimamente invasivos para essa investigação, como a punção aspirativa por agulha fina, a biópsia de fragmento e a mamotomia. Nos três métodos, são colhidas células e/ou fragmentos da lesão sob orientação da mamografia ou ultra-sonografia. Esses procedimentos são realizados ambulatorialmente e com anestesia local.

Tratamentos e prevenções

O tratamento depende do estágio da doença, do tipo de tumor e do estado geral da mulher. A cirurgia ainda é o método mais utilizado, mas, hoje em dia, não se adota mais a retirada total das mamas indistintamente. Para nódulos menores e sem comprometimento da axila, a cirurgia pode ser conservadora.

Os médicos geralmente combinam o procedimento a uma ou mais terapias para frear, de alguma forma, a disseminação da doença para outras regiões da mama ou outros órgãos. Entre as mais usadas estão a quimioterapia, que consiste na administração endovenosa de medicamentos para destruir essas células; a radioterapia, que aplica localmente radiação com a mesma finalidade; e a hormonioterapia, que bloqueia os hormônios femininos dificultando o crescimento das células tumorais.

Contra o câncer de mama, há pouco a fazer em termos de prevenção primária, até porque suas causas não estão bem esclarecidas. Ainda assim, a adoção de hábitos saudáveis sempre pode ajudar a reduzir o risco, como praticar atividade física, não ingerir bebidas alcoólicas com freqüência e controlar o peso, visto que a gordura é um local de depósito do estrógeno. Juntamente com tais cuidados, convém usar anticoncepcionais e terapia de reposição hormonal com parcimônia.

Na prática, contudo, o diagnóstico precoce ainda é a melhor arma disponível para reduzir a mortalidade por esse câncer. Afinal, quanto mais cedo se detecta o tumor, maior é a chance de tratá-lo com sucesso. Por essa razão, existe um consenso de que toda mulher, a partir dos 40 anos, deve se submeter anualmente a um exame clínico das mamas – realizado durante consulta a um ginecologista ou mastologista – e fazer mamografia.

O auto-exame periódico após a menstruação também é recomendável, por ser a chance de perceber alguma alteração mamária, principalmente nas pacientes mais jovens.

Fonte: Assessoria de Médicos Fleury

Câncer de osso

Assim como os demais tipos de câncer, os tumores ósseos também são doenças derivadas do crescimento anormal de células em alguma parte do esqueleto e/ou dos tecidos que o recobrem.

Podem ser primários, quando se desenvolvem originalmente no próprio tecido musculoesquelético, ou secundários, quando provêm de algum outro tumor que se espalhou – processo conhecido como metástase.

As lesões primárias ocorrem com mais freqüência em crianças, adolescentes e adultos jovens, sobretudo do sexo masculino, tendo apresentações que variam conforme a célula envolvida, o tecido vizinho acometido e a área óssea afetada. As principais incluem o osteossarcoma, mais encontrado em ossos longos, como os do braço e os da perna, e o sarcoma de Ewing, mais comum em ossos chatos, a exemplo das costelas, da bacia e das vértebras.

Ao contrário da metástase óssea, que não está associada a altas taxas de mortalidade, os tumores primários costumam ser bastante agressivos e se disseminam rapidamente pelos órgãos e tecidos. Por essa razão, quanto mais precoce for seu diagnóstico, maior a sobrevida do portador da doença.

Felizmente, essas lesões são consideradas raras na população pediátrica, uma vez que representam 6% dos casos de câncer nesse grupo e têm uma incidência estimada em cinco casos a cada 1 milhão de crianças.

Causas e sintomas

O sintoma inicial do câncer de osso é o surgimento de dor na parte envolvida, que começa leve, melhora com analgésicos e aos poucos vai aumentando, tanto na intensidade quanto na duração, até se tornar persistente. Essa manifestação não piora com a atividade física e normalmente se intensifica à noite. Além da dor, metade dos portadores apresenta inchaço no local do tumor. Existe ainda a possibilidade de haver fraturas espontâneas.

Como de praxe, as causas do câncer de osso primário são pouco conhecidas. Estudos demonstram que crianças que possuem certas doenças genéticas provocadas por alterações em determinados genes, têm maior predisposição para desenvolver alguns tipos de tumores ósseos. Outras teorias sugerem que a exposição à radiação de qualquer tipo – mesmo a terapêutica – também esteja relacionada com o desenvolvimento desse câncer.

A hereditariedade igualmente é considerada um fator de risco, ou seja, o fato de haver algum caso na família. Já as metástases ósseas derivam de outros cânceres, especialmente os de mama, pulmão, rim, tiróide e próstata.

Exames e diagnósticos

O médico pode suspeitar do tumor ósseo diante de dor localizada e persistente, mas a localização da lesão invariavelmente requer um exame de imagem, como a radiografia e/ou a tomografia. A confirmação do câncer, no entanto, depende da realização de uma biópsia, pois existem também tumores benignos no osso.

Feito com anestesia local, esse exame consiste na retirada de um fragmento do tumor para posterior análise da natureza de suas alterações – se benigna ou maligna – e estudo de suas características. Uma vez confirmado o diagnóstico, outros exames de imagem são necessários para conhecer a extensão da doença e pesquisar eventuais metástases, a exemplo da ressonância magnética, da cintilografia óssea e, mais recentemente, do PET/CT, um método que combina em um mesmo aparelho a avaliação anatômica pela tomografia computadorizada e uma avaliação funcional dos tecidos envolvidos pela tomografia por emissão de pósitrons, o que permite uma análise muito mais acurada dos tumores.

Tratamento e prevenções

Como as causas dos tumores ósseos primários são desconhecidas, não há nenhuma medida de prevenção primária, ou seja, que as pessoas possam adotar por si próprias, para evitar a doença.

Para quem tem casos na família, no entanto, é recomendável manter um acompanhamento médico mais estrito, a fim de rastrear lesões suspeitas ainda no começo. Por sua vez, quem já teve um câncer curado em algum outro órgão, principalmente em mama, pulmão, rim, próstata e tiróide, não pode abrir mão de fazer as consultas e os exames de rotina, nos intervalos estabelecidos pelo oncologista. Esse cuidado não evita o surgimento de novos focos, mas torna possível identificar qualquer alteração ainda em seu estágio inicial.

Fonte: Assessoria de Médicos Fleury

Câncer de Pele

O câncer de pele se caracteriza pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem o revestimento externo do corpo, o que dá origem a tumores malignos, sobretudo em pessoas de pele clara, com sardas, cabelos claros ou ruivos e olhos claros. Pode ser de vários tipos, dependendo das células que dão origem ao tumor.

O carcinoma basocelular é o mais freqüente e responde por cerca de 70% de todos os casos, atingindo especialmente as pessoas com mais de 40 anos. Começa nas células basais da camada exterior da pele – a epiderme – ou nos orifícios de onde nascem os pêlos e, apesar de ser invasivo, com risco de atingir músculos, ossos e gordura à medida que vai crescendo, raramente gera novos tumores em outros órgãos ou estruturas – processo conhecido como metástase.

Já o carcinoma espinocelular ou epidermóide é o segundo tipo mais comum, sendo responsável por cerca de 25% dos casos de câncer de pele. Afeta mais a população masculina, com idade superior a 50 anos e é mais encontrado em pessoas de pele clara, com idade superior a 50 anos, que tomaram muito sol durante a vida. Também se inicia na epiderme, em sua camada média – camada espinhosa – é um pouco mais agressivo que o basocelular e pode causar metástase em alguns casos.

O melanoma, por fim, é o tumor de pele menos freqüente, totalizando cerca de 4% dos casos. Por apresentar alto potencial de disseminação das células malignas – metástases – e por ser resistente à radioterapia e à quimioterapia, é considerado o tipo mais grave de câncer de pele. Acomete adultos de qualquer idade e tem sua origem nos melanócitos, ou seja, nas células que produzem melanina.

No conjunto, os diferentes tipos de tumor de pele perfazem um total de mais de 123 mil novos casos a cada ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Embora o índice de mortalidade seja baixo, a doença pode causar deformações e feridas importantes.

Como em qualquer outro câncer, a possibilidade de cura aumenta quanto mais precoce for o diagnóstico.

Causas e sintomas

A apresentação do câncer de pele também varia conforme o tipo de tumor. O carcinoma basocelular surge nas áreas mais expostas, como face, couro cabeludo, nariz, orelhas e pescoço. Inicialmente, aparece como uma lesão rosada, de superfície lisa e brilhante, com menos de um centímetro de diâmetro, a qual costuma aumentar e se transformar numa ferida que não cicatriza.

Por sua vez, o carcinoma epidermóide começa como uma área áspera que vai se tornando saliente e pode até formar uma ferida, semelhante à do tumor basocelular, mas mais cascuda. Atinge também as áreas mais expostas do corpo, embora possa surgir em mucosas, como nos genitais e na boca.

Por fim, o melanoma se manifesta tanto na pele normal, com o aparecimento de uma pinta escura e de contornos irregulares, que pode ser acompanhada de coceira ou descamação, quanto pela transformação de uma lesão pigmentada preexistente, que cresce, muda de cor e adquire bordas com visível irregularidade. No geral, os homens apresentam mais lesões no tronco, na cabeça e no pescoço, enquanto as mulheres têm mais áreas comprometidas em braços e pernas.

A radiação ultravioleta excessiva ocupa o posto de principal responsável pelo desenvolvimento de todos os tipos de câncer de pele, tanto a proveniente do sol quanto a das cabines de bronzeamento artificial. A exposição a esses raios é cumulativa, ou seja, a pele jamais esquece uma queimadura solar remota, pois essa agressão provoca mudanças no DNA das células, as quais, no futuro, podem ser decisivas para dar início ao processo de multiplicação celular anormal.

Por isso mesmo, entre as pessoas com maior risco de desenvolver câncer de pele estão as que abusaram do sol na infância e na adolescência, as que tiveram queimaduras graves, as que trabalham ou praticam cotidianamente esportes e atividades ao ar livre e também as que vivem em países ensolarados e têm pele clara.

Como de praxe, o componente genético sempre existe e, portanto, a história familiar desse tumor igualmente constitui um fator de risco, assim como a presença de uma grande quantidade de pintas espalhadas pelo corpo.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da grande maioria dos cânceres de pele é clínico, feito apenas por meio da inspeção visual da pele, uma vez que os olhos treinados do dermatologista já conseguem notar lesões, pintas ou áreas suspeitas, por mínimas que sejam.

Apesar disso, a confirmação da doença depende da realização de uma biópsia, procedimento no qual fragmentos da região afetada são removidos para posterior análise da natureza de suas alterações – se benigna ou maligna.

Quando surge uma pinta suspeita, o dermatologista pode lançar mão da dermatoscopia, um exame não invasivo que permite maior acurácia no diagnóstico. Persistindo a dúvida, a lesão deverá ser retirada por meio de biópsia, para ser examinada.

Tratamento e prevenções

O tratamento depende do tipo de lesão. Em geral, os tumores não-melanoma podem ser extirpados pela cirurgia, pela cauterização, pela aplicação local de quimioterapia ou pela terapia fotodinâmica, que combina substâncias fotorreagentes com uma fonte de luz para a destruição da lesão.

Já existe até um creme tópico usado para eliminar alguns tipos superficiais de tumores basocelulares, valendo-se do mesmo princípio da imunoterapia, ou seja, de estimular o sistema imunológico a combater as células malignas.

O melanoma, contudo, requer invariavelmente uma cirurgia para a remoção do tumor e dos tecidos adjacentes e, nos casos mais graves, também dos gânglios próximos para evitar futuras metástases.

Durante a exposição solar, todas as pessoas devem usar chapéu e protetor solar com FPS no mínimo 15, o qual precisa ser reaplicado a cada duas horas ou sempre depois do mergulho, do exercício ou de muita transpiração. É importante, ainda, evitar o sol no período das 10 às 16 horas, quando os raios ultravioleta B, mais danosos para a pele, são mais abundantes.

Além dessas precauções, as entidades dermatológicas recomendam o auto-exame periódico para a detecção de lesões no estágio inicial. Nessa inspeção, toda a pele e todo o couro cabeludo devem ser observados em busca de lesões. Para detectar lesões precoces de melanoma deve-se usar a regra do ABCD do melanoma que valoriza algumas características específicas das manchas e pintas: assimetrias, bordas irregulares, cor de diferentes tonalidades e diâmetro maior que seis milímetros.

Outros sinais de alerta incluem feridas que não cicatrizam em mais de quatro semanas, mudanças na textura da pele e pintas e manchas que crescem e sofrem alterações de cor e tamanho. Qualquer achado semelhante é motivo suficiente para visitar um dermatologista.

Por último, as pessoas com história familiar de câncer de pele e/ou com grande quantidade de pintas precisam de acompanhamento regular desse especialista para que qualquer alteração suspeita seja identificada no começo.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Câncer de Próstata

O câncer de próstata afeta uma glândula localizada abaixo da bexiga e adiante do reto, cuja função é produzir sêmen, o material biológico que contém os espermatozóides. Como qualquer outro tipo de doença maligna, esse câncer também se origina da divisão e da multiplicação desordenada das células, que efetivamente formam a lesão e podem se espalhar pela corrente sangüínea, atingindo outros órgãos e tecidos do corpo.

Em decorrência do diagnóstico tardio, o câncer de próstata continua sendo o segundo tumor maligno que mais faz vítimas entre os homens, só perdendo para o câncer de pulmão. O número de casos vem crescendo mundialmente a cada ano, um pouco pela maior capacidade diagnóstica, é verdade, mas, sobretudo, pelo aumento da expectativa de vida da população mundial. A doença, afinal, tem predileção por homens com mais de 50 anos – aos 75 anos, metade da população masculina desenvolve o tumor.

Apesar da alta incidência e da elevada mortalidade associada a esse câncer, a detecção precoce aumenta muito suas chances de cura e de controle. Daí a importância do rastreamento periódico de lesões suspeitas para todo homem a partir da quinta década de vida.

Causas e sintomas

No estágio inicial, o câncer de próstata costuma cursar de forma lenta e quase sempre sem sintomas – o que aumenta a importância do rastreamento periódico para permitir o diagnóstico precoce. Os sinais clínicos em geral surgem numa fase mais avançada da doença e incluem necessidade freqüente de urinar, principalmente durante a noite, jato urinário fraco, dor e dificuldade na hora de urinar, presença de sangue na urina, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga após a micção, dificuldade de ter ereção, gânglios aumentados na virilha e dores na região pélvica.

Convém ponderar que os sintomas relacionados com a micção se devem mais diretamente ao aumento da próstata, que pode também ser decorrente de alterações prostáticas benignas.

Como ocorre em outros tipos de câncer, os mecanismos que determinam a multiplicação exagerada das células da próstata não são conhecidos, embora se saiba que haja o envolvimento genético e a participação dos hormônios masculinos, dos quais o tumor também depende para crescer. De qualquer forma, o já mencionado avanço da idade está comprovadamente associado ao aumento da probabilidade de desenvolver câncer de próstata, assim como a história familiar.

Quem possui parentes diretos que tiveram essa doença antes dos 60 anos, como pai e irmãos, apresenta um risco de adquiri-la de três a dez vezes maior que o restante da população masculina.

É oportuno lembrar que o tumor maligno de próstata também afeta mais os afrodescendentes que outras raças. A incidência da doença entre os negros é de 37%.

Exames e diagnósticos

Os achados ao exame clínico e os resultados de um teste laboratorial de sangue para dosar o antígeno prostático específico (PSA), um marcador bioquímico da próstata, podem levantar a suspeita do diagnóstico. A confirmação, contudo, exige uma ultra-sonografia da região acompanhada de biópsia da próstata, que consiste na extração de minúsculos fragmentos da glândula, por meio de punções feitas por via retal, para a analise da natureza de suas modificações – se benigna ou maligna.

Tratamento e prevenções

O tratamento é individualizado e dependente do estágio clínico da doença, podendo usar isoladamente ou de forma combinada a cirurgia para a retirada da próstata, a radioterapia para reduzir as dimensões do tumor e eliminar as células malignas e a hormonioterapia, que bloqueia a ação dos hormônios masculinos com medicamentos ou mesmo com intervenções cirúrgicas, como a extração dos testículos.

A impotência sexual costuma ocorrer como resultado do tratamento em cerca de 50% a 80% dos casos, apesar de as cirurgias procurarem preservar a função erétil do indivíduo – algo mais viável em tumores menores, o que mais uma vez reforça a importância do diagnóstico precoce. Ainda assim, esse problema pode ser revertido com a variedade de recursos terapêuticos atualmente disponíveis.

Como as causas da multiplicação celular que provoca o câncer de próstata não são conhecidas, há pouco a fazer em termos de prevenção primária. De qualquer modo, algumas medidas contribuem para diminuir o risco de adquirir a doença à medida que os anos passam, como praticar exercícios físicos regularmente e manter uma alimentação saudável, pobre em gorduras de origem animal e rica em vegetais, verduras, grãos, cereais e frutas, notadamente os que contêm minerais como o selênio e antioxidantes como o licopeno, que exercem um papel comprovado na manutenção da saúde da próstata.

Contudo, a arma mais efetiva para o homem é visitar anualmente um urologista a partir dos 45 anos para rastrear a existência de lesões no estágio inicial, com exame clínico e dosagem de PSA. Para os afrodescendentes e os indivíduos com história desse câncer na família, o rastreamento deve começar mais cedo, a partir dos 40 anos. Nada muito diferente dos cuidados tomadas pelas mulheres da mesma faixa etária para prevenir e combater o câncer de mama.

Fonte: Assessoria de Médicos Fleury

Câncer de pulmão

O câncer de pulmão é o tumor maligno mais comum, apresentando um aumento anual de 2% em sua ocorrência, ou seja, todo ano o número de casos novos aumenta nesse percentual, especialmente na sexta década de vida.

Infelizmente, também é o câncer que apresenta maior taxa de mortalidade no mundo, tanto em homens quanto em mulheres, atingindo 30% das causas de mortes por câncer. O principal agente causal relacionado a este tumor é o cigarro, que está implicado em 90% dos casos.

Como outras doenças do gênero, o tumor pulmonar também se desenvolve por meio da multiplicação desordenada de células anormais, que efetivamente formam a lesão, destroem os tecidos adjacentes e ainda podem atingir a circulação e migrar para outros órgãos do corpo humano – processo conhecido como metástase.

Essa capacidade de disseminação varia conforme a natureza, ou tipo histológico e o tempo de instalação do câncer. No caso do tumor pulmonar há uma divisão em dois grupos histológicos: o de não-pequenas células e o de pequenas células.

O primeiro grupo, composto por tipos variados de células é responsável por cerca de 80% dos casos com um desenvolvimento e disseminação mais lenta que o segundo grupo, que é potencialmente mais fatal.

O câncer pulmonar dificilmente é diagnosticado de forma precoce. Pelo menos dois terços das pessoas, quando procuram o médico pela primeira vez, já estão com a doença avançada, seja local ou disseminada para outros órgãos.

Em parte, esta dificuldade para o diagnóstico decorre do fato de que os sintomas desse tumor se assemelham aos que já são esperados para fumantes de longa data. Por isso, a melhor medida para evitar esse tumor é não fumar ou parar quanto antes.

Causas e sintomas

Os principais sintomas do câncer pulmonar incluem tosse persistente, dor no peito, expectoração com sangue, falta de ar, chiado no peito, rouquidão e infecções pulmonares de repetição. Sintomas gerais como fadiga, perda de apetite e de peso e inchaço no pescoço e na face também podem estar presentes.

Ou seja, tratam-se de sinais clínicos muito semelhantes aos que o fumante já apresenta em conseqüência á sua exposição crônica a um dos maiores irritantes para os pulmões, que é o cigarro. A dica, portanto, é consultar regularmente um especialista para uma avaliação adequada dos sintomas pulmonares, sobretudo quando houver alguma modificação ou piora das queixas.

Como já mencionado, 90% dos casos de câncer de pulmão decorrem do tabagismo. O risco de morte por esse tumor é 22 vezes maior entre os fumantes do que entre as pessoas que nunca fumaram. Ocorre que, para se defender das agressões da fumaça e das 4 mil substâncias nocivas presentes no cigarro, a mucosa dos pulmões modifica suas características e adquire um aspecto mais grosseiro, semelhante ao da pele. Essa transformação se dá à custa de inúmeras alterações celulares, que podem gerar células anormais e com isto formam-se lesões locais e adjacentes.

Existem outros irritantes da mucosa pulmonar com potenciais riscos para câncer de pulmão, dentre eles destacam-se aqueles causados por exposição ocupacional a produtos químicos, especialmente arsênico, asbesto, berílio, radônio, níquel, cromo, cádmio e cloreto de vinila.

Além desses, somam-se fatores genéticos, como história familiar desse câncer, hábitos alimentares, associados ao baixo consumo de frutas e vegetais e o histórico de moléstias pulmonares prévias, como a tuberculose. A presença de cicatrizes deixadas por infecções pulmonares anteriores pode ser um gatilho para o desenvolvimento dessa doença.

Descartadas essas hipóteses, o câncer de pulmão deve ser considerado como de causa desconhecida.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico depende de uma combinação de exame físico, história do indivíduo e exames pulmonares específicos. O médico pode iniciar essa investigação por meio de exames simples, como a radiografia de tórax e a análise da secreção pulmonar, que já podem revelar alterações sugestivas de câncer.

Contudo, a confirmação diagnóstica é feita através da realização de uma biópsia, ou seja, a retirada de fragmentos da lesão para avaliar a natureza de suas alterações. Em geral, esse procedimento é realizado por meio da broncoscopia, um tipo de endoscopia pulmonar, na qual uma sonda com fibra óptica, introduzida pela cavidade nasal, possibilita a visualização local e a coleta de amostras de áreas suspeitas. Existem também outros métodos para a coleta de material direto ou indireto da lesão, como a aspiração por agulha na parede do tórax e a retirada do líquido pleural, que fica na membrana que reveste os pulmões, também por punção.

Uma vez confirmada a presença do tumor, o indivíduo precisa ser submetido a outros exames laboratoriais e de imagem para a pesquisa de metástases, que são mais freqüentes no cérebro, nos ossos, nas glândulas supra-renais e no fígado.

Tratamento e prevenções

O tratamento do câncer de pulmão pode ser feito por meio de cirurgia, radioterapia e quimioterapia, seja de maneira combinada ou isolada. A terapêutica visa a eliminar as células cancerosas e impedir seu reaparecimento. A escolha da melhor estratégia varia de acordo com o tipo, tamanho, a localização e a extensão do tumor, assim como das condições de saúde geral do portador da doença.

Quando realizada, a intervenção cirúrgica é, geralmente, abrangente, podendo ser necessária a retirada de um dos lobos pulmonares ou mesmo um pulmão inteiro, demandando fisioterapia respiratória posterior para o indivíduo retomar sua capacidade pulmonar.

Alguns cânceres, porém, não têm indicação de cirurgia, seja por causa das condições locais do tumor, seja por causa do estágio avançado da doença. Em tais casos, a abordagem terapêutica costuma se basear na associação entre a quimioterapia e a radioterapia.

A ação mais importante para prevenir o câncer de pulmão é evitar o tabagismo ou interromper, caso esse hábito já exista. Hoje há medicamentos novos e eficazes que podem auxiliar as pessoas nessa empreitada, os quais, evidentemente, requerem a prescrição e o acompanhamento de um médico.

Após dez anos de abstinência do cigarro, é possível adquirir um novo panorama em relação ao risco para câncer de pulmão. Com isso, a chance de instalação de um tumor pulmonar maligno nesse ex-tabagista torna-se semelhante à de qualquer outra pessoa não-fumante, que é uma probabilidade mais remota, vale sublinhar.

Quem, contudo, insiste em fumar deve ter o cuidado de visitar um especialista todo ano para fazer um exame adequado, a fim de detectar lesões iniciais. O mesmo vale para as pessoas que trabalham expostas a irritantes pulmonares e para indivíduos com história familiar da doença. Não custa lembrar que, quando o câncer está limitado ao pulmão, as chances de cura são mais altas e podem atingir até 75%.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Câncer de Tiróide

O câncer de tiróide é um tumor maligno localizado nessa pequena glândula, situada na região anterior do pescoço, cuja função é produzir e liberar hormônios como a tiroxina (T4), a triiodotironina (T3) e a calcitonina.

Como qualquer doença maligna, essa também se desenvolve com a multiplicação desordenada de células anormais, que efetivamente formam a lesão, comumente um nódulo tiroidiano.

O câncer de tiroide pode migrar para outros órgãos, mais frequentemente gânglios cervicais e menos freqüentemente órgãos distantes - processo conhecido como metástase.

Há quatro tipos principais de câncer de tireoide: o papilífero, o folicular, o medular e o anaplásico. O carcinoma papilífero é responsável por 80% dos casos de câncer de tireoide, o folicular por aproximadamente 10% e o medular 5%.

Quando detectados e tratados precocemente estão associados a altas chances de cura. O carcinoma papilífero e o carcinoma folicular se originam de células tiroidianas que produzem T4 e T3, sendo tratados com cirurgia e, se necessário, com iodo radiativo. Já o carcinoma medular se origina das células C da tiroide que produzem calcitonina e, portanto, não são tratados com iodo radioativo.

Além de ser o mais freqüente, o carcinoma papilífero é o tumor que tende a ser mais localizado e com maior chance de cura. Já os carcinomas foliculares e medulares podem envolver não só a tireoide mas, quando mais agressivos, podem atingir órgãos distantes como pulmões, fígado e ossos. Por fim, o carcinoma anaplásico é raro e altamente agressivo, e acomete, em geral, pessoas acima de 65 anos.

De forma geral, porém, o câncer de tireoide possui uma evolução lenta e chances de cura que chegam perto de 100% quando detectado em seu estágio inicial. A doença acomete mais as mulheres que os homens, na proporção de três para um e sua incidência tem aumentado com o tempo. Só em São Paulo, o número de casos novos triplicou nos últimos 20 anos. Esse aumento de incidência decorre, em parte, do aumento na solicitação de ultrassonografias de tireoide em exames de rotina, por um médico clínico geral ou por um ginecologista, o que também aumenta o achado de nódulos, que na grande maioria são benignos.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico de câncer de tireoide é geralmente feito a partir da detecção de um nódulo de tireoide pela própria pessoa ou pelo médico, durante exames de rotina.

Conheça o novo teste diagnóstico para nódulos tireoidianos indeterminados, oferecido com exclusividade pelo Fleury Medicina e Saúde.

A avaliação desse nódulo inclui a dosagem dos hormônios tiroidianos, de exames de imagem como a ultrassonografia, que revela detalhes da tireoide e as características morfológicas do nódulo e, se necessário, uma punção aspirativa do nódulo com agulha fina para determinar se ele é de natureza benigna ou maligna.

Tratamento e prevenções

O tratamento do câncer de tireoide depende do tipo, do tamanho e do estágio do tumor, assim como da idade da pessoa e de seu estado de saúde. Na maioria dos casos, porém, combina a retirada completa da tireoide – procedimento chamado de tiroidectomia total –, com ou sem a retirada de gânglios do pescoço. Na maioria dos casos de carcinomas papilíferos e foliculares, a cirurgia é seguida do tratamento com iodo radioativo, para destruir células tiroidianas e células cancerosas remanescentes.

Após esses tratamentos, o paciente é iniciado em terapia com hormônio tiroidiano, que serve não só para reposição hormonal mas também para evitar a recidiva do tumor. A radioterapia convencional tem indicação apenas em alguns casos e a quimioterapia não costuma ser utilizada para tratar esse tipo de câncer.

Pacientes com história de câncer de tireoide necessitam ser monitorados periodicamente. No monitoramento, é importante a avaliação clínica feita pelo médico, exames de imagem como a ultrassonografia e a obtenção de marcadores tumorais, como a tireoglobulina no caso de tumores papilíferos e foliculares, e a calcitonina e o CEA no caso do carcinoma medular.

Como a herança genética e a história de exposição à radiação estão envolvidas com boa parte dos casos do câncer de tiroide, parece fundamental que a pessoa com qualquer um desses fatores de risco visite periodicamente o endocrinologista, que determinará o intervalo dos exames de rastreamento caso a caso. Quem desconhece essa informação deve, no mínimo, ter contato com um médico de confiança pelo menos uma vez por ano, na vida adulta, para um check-up geral.

Por último, vale lembrar que qualquer achado anormal no pescoço deve ser valorizado e corretamente esclarecido quanto antes. Em se tratando de câncer, as chances de cura são sempre maiores quanto mais precoce for o diagnóstico.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Catapora

A catapora, também denominada varicela, é uma doença infecciosa altamente contagiosa que se manifesta com a formação de lesões por todo o corpo. A moléstia atinge, sobretudo, crianças entre um e dez anos de idade, apesar de acometer também adultos não-imunizados.

Na maioria dos casos, não traz conseqüências maiores, mas pode causar infecções bacterianas, sobretudo na pele, particularmente em decorrência da coceira que as pessoas sentem no local das lesões.

Nos recém-nascidos e em pessoas com o sistema imunológico deprimido por enfermidades ou tratamentos, existe a possibilidade de a catapora ser mais grave, com comprometimento de outros órgãos.

Causas e sintomas

A doença começa com febre, mal-estar, falta de apetite, cansaço e dor de cabeça. De um a dois dias depois, surgem manchas avermelhadas em vários pontos da pele, as quais, em questão de horas, se transformam em vesículas cheias de um líquido claro. Alguns dias mais tarde, estas pequenas bolhas se tornam crostas, cicatrizando-se naturalmente. Em geral, a catapora resulta no surgimento de 200 a 500 lesões, que se formam em cerca de dois a quatro ciclos, provocando intensa coceira.

A catapora decorre de infecção pelo vírus varicela-zoster, que é transmitido por via aérea, pela inalação de secreções respiratórias ou gotículas de saliva de pessoas contaminadas, ou, então, pelo contato com as lesões desses indivíduos, o que ocorre mais raramente. Depois do contato com o vírus, a doença pode demorar 15 dias para se manifestar.

O período de maior risco de transmissão do vírus começa 48 horas antes do aparecimento das vesículas e se estende até a formação de crostas em todas as lesões. Contudo, o sistema imunológico não elimina o agente causador da catapora, que permanece em estado latente no organismo e, no futuro, pode vir a causar o herpes-zoster, sobretudo em idosos e em imunodeprimidos – como transplantados e portadores de aids.

Exames e diagnósticos

Como a catapora apresenta manifestações muito peculiares, o diagnóstico costuma ser feito com uma boa avaliação médica, no consultório, sendo eventualmente confirmado por um teste laboratorial que pesquisa, no sangue de quem tem a suspeita, a presença de anticorpos contra o vírus varicela-zoster.

Tratamento e prevenções

Como a maioria das doenças causadas por vírus, o tratamento da catapora, em crianças saudáveis, objetiva apenas amenizar os sintomas, por exemplo, com o uso de antitérmicos para baixar a febre.

Para adultos e pessoas debilitadas, porém, pode ser indicado o emprego de um antiviral. Daí a importância de consultar um médico, que vai avaliar em que situações o medicamento proporcionará benefícios.

Em todos os casos, é possível atenuar a coceira com banhos ou compressas frias. Já para reduzir o risco de infecções bacterianas na pele, especialmente as crianças devem ter as unhas aparadas para que não se machuquem ao coçar as lesões.

A vacina contra a catapora previne a infecção. Embora não faça parte do calendário oficial de vacinação, é recomendada para crianças a partir de um ano de idade. Os adultos não-imunes à doença também têm indicação de ser vacinados.

Também existe um soro específico contra o vírus varicela-zoster (imunoglobulina), capaz de prevenir a infecção, porém este soro está indicado em situações bastante específicas, como para bloqueio de surto em hospitais.

Fonte: Assessoria de Médicos Fleury

Catarata

A catarata é uma doença ocular que altera o cristalino, uma lente natural, situada atrás da íris, que permite à retina receber os raios luminosos para a formação da imagem. Com a alteração, essa lente fica opaca, impedindo a pessoa de enxergar com nitidez e, progressivamente, reduzindo sua acuidade visual. Tanto é assim que a doença é uma importante causa de cegueira no mundo. Essa perda da visão, contudo, quase sempre pode ser revertida quando não há mais condições associadas, diferentemente do que ocorre com outras doenças oculares, como o glaucoma. A catarata tem uma incidência bastante relacionada com o envelhecimento, fazendo mais casos à medida em que se prolonga a expectativa de vida da população. Para se ter uma idéia, afeta 80% das pessoas com mais de 80 anos. Apesar disso, o tratamento costuma ser muito bem-sucedido na maioria dos casos e, por envolver indivíduos de terceira idade, tem estado cada vez menos invasivo.

Causas e sintomas

Na maioria dos casos, a catarata decorre mesmo do processo de envelhecimento. As células do cristalino sofrem os efeitos do tempo, o que naturalmente faz com que essa lente perca sua transparência. Contudo, a doença também pode ser adquirida em decorrência do diabetes, do uso sistemático e inadequado de colírios da categoria dos corticóides, de inflamações intra-oculares e de traumas locais. Existem também casos de catarata congênita, ou seja, de crianças que já nascem com o cristalino alterado por causa de doenças infecciosas adquiridas pela mãe durante o primeiro trimestre da gravidez, como a rubéola e a toxoplasmose.

O sintoma principal da catarata é o embaçamento da visão, como se a pessoa estivesse com uma névoa diante dos olhos ou mesmo enxergasse através de um vidro embaçado, principalmente sob claridade. O quadro piora com o tempo, a ponto de permitir apenas a visão de vultos.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da catarata é clínico e depende apenas de uma avaliação oftalmológica minuciosa, que, por si só, evidencia o comprometimento do cristalino, mesmo quando a doença se encontra em sua fase inicial.

Tratamento e prevenções

Não há medicamento que consiga recuperar a nitidez da visão. A catarata só pode ser tratada com uma cirurgia para a remoção do cristalino e a introdução de uma lente intra-ocular artificial em seu lugar, que cumpre a função de permitir a passagem da luz para a retina. Essa intervenção pode ser executada da forma convencional, chamada de facectomia, que retira o cristalino inteiro, ou pela facoemulsificação, que tritura a lente doente e aspira seus pedacinhos. Por exigir uma incisão bem menor e, assim, permitir uma recuperação mais rápida, a técnica de facoemulsificação costuma ter a preferência dos cirurgiões, evidentemente nos casos possíveis. Vale lembrar que a lente artificial que substitui o cristalino pode conter grau preciso para corrigir ou atenuar problemas visuais comuns, de refração, dispensando algumas pessoas de usar óculos.

Por se tratar de uma doença relacionada com o envelhecimento, o fato de viver mais por si só já aumenta a predisposição à catarata. Mas é possível interferir diretamente nas outras causas da doença, como o diabetes, que deve ter um controle rigoroso, e os colírios terapêuticos, cujo uso não pode ser feito sem prescrição médica ou por tempo superior ao recomendado, especialmente os corticóides. Diante de qualquer alteração ou lesão na visão, também é sempre recomendável procurar um oftalmologista imediatamente para evitar maiores conseqüências. Muitas vezes, a pessoa se acostuma com o sintoma e só vai buscar auxílio médico quando a doença já está bastante avançada, reduzindo as boas chances de reverter a perda visual. Por sua vez, a catarata congênita pode ser evitada com as medidas de prevenção de infecções em gestantes, usualmente prescritas por todo obstetra, como a vacinação contra a rubéola para mulheres não-imunes – que deve ser aplicada antes de a mulher engravidar, vale sublinhar.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Caxumba

Também conhecida como papeira ou parotidite, a caxumba é uma moléstia infecciosa altamente contagiosa que afeta as glândulas salivares, sobretudo a parótida, e também as glândulas submandibulares e sublinguais, todas próximas dos ouvidos.

Faz parte das chamadas doenças comuns da infância, pois acomete, principalmente, crianças e adolescentes em idade escolar, dos 5 aos 16 anos.

Existe a possibilidade de os rapazes infectados desenvolverem também inflamação dos testículos, denominada orquite, mas, ao contrário do que se diz, é muito incomum a doença causar esterilidade. Entre as garotas, uma parcela está igualmente sujeita a ter inflamação dos ovários, a ooforite.

A caxumba pode, ainda, atingir o pâncreas e o sistema nervoso central, provocando processos inflamatórios que, contudo, evoluem de forma benigna.

Causas e sintomas

A doença causa inchaço aparente e dor nas glândulas salivares, além de grande dificuldade para mastigar e engolir alimentos. O sintoma doloroso atinge o pico por volta do terceiro dia de infecção, diminuindo progressivamente depois disso.

Como qualquer outra infecção, a caxumba provoca um quadro característico, composto de dor de cabeça, dores musculares, fraqueza, mal-estar, febre e calafrios. Nos casos de orquite, os testículos incham e ficam doloridos e, nos de ooforite, há dor abdominal e até sangramento vaginal.

O causador da caxumba atende pelo nome de paramixovírus e é transmitido por via respiratória, mais precisamente pela inalação de gotículas do espirro ou da tosse de pessoas contaminadas. Entre o contato com esse agente infeccioso e o surgimento do inchaço nas glândulas salivares, geralmente decorre um período de 14 a 21 dias. A transmissão pode ocorrer antes da manifestação dos sintomas pela pessoa contaminada, até aproximadamente uma semana depois que o quadro se instalou.

Inicialmente, é possível que apenas um lado das glândulas seja afetado, mas, passados alguns dias, o outro lado também acaba inflamado.

Exames e diagnósticos

A caxumba costuma ser diagnosticada no consultório, com um exame clínico. A confirmação da doença pode ser feita por meio da realização de exames de sangue para identificar a presença de anticorpos contra o paramixovírus e, assim, excluir a hipótese de outras enfermidades que se manifestam de forma semelhante.

Tratamento e prevenções

O tratamento de uma criança ou de um adulto com caxumba visa, apenas, a aliviar os sintomas com o uso de analgésicos e antitérmicos, pois o próprio organismo se encarrega de combater a infecção, formando anticorpos específicos contra o vírus da doença. De qualquer modo, recomenda-se repouso até a melhora dos sintomas, boa higiene bucal e alimentação líquida ou semi-sólida, que são mais fácil de engolir.

A caxumba pode ser evitada por meio da vacinação contra o vírus que a provoca. Em geral, as crianças costumam receber essa vacina juntamente com as de sarampo e rubéola, a chamada vacina tríplice viral, que deve ser aplicada em duas doses, a primeira entre 12 e 15 meses e a segunda entre 4 e 6 anos. Adultos que não foram infectados pelo vírus da caxumba na infância ou na adolescência têm indicação de ser imunizados, com exceção de gestantes e imunodeprimidos graves.

Fonte: Assessoria de Médicos Fleury

Ceratite

A ceratite consiste na inflamação da córnea, a porção externa dos olhos que refrata e transmite a luz e ainda funciona como barreira protetora da superfície do globo ocular.

O processo inflamatório decorre, principalmente, pela ação de microrganismos, mas também em decorrência de traumas, de medicamentos, de exposição à luz ultravioleta – do sol e de cabines de bronzeamento – e até como complicações de outras doenças.

Seja qual for sua origem, a doença progride rapidamente e, sem tratamento, provoca graves lesões na córnea, com risco de perfuração dessa porção, além de afetar outras áreas do olho. Com isso, pode levar o indivíduo a sofrer uma importante queda em sua capacidade visual e até mesmo à perda de sua visão.

Ao contrário do que se pensa, a ceratite tem incidência crescente, chegando a constituir um problema de saúde pública ignorado pelas autoridades mundiais de saúde. Só em relação às inflamações da córnea de causa microbiana, estima-se que, durante os últimos 40 anos, o número de novos casos tenha aumentado quase cinco vezes.

Causas e sintomas

As inflamações da córnea cursam com grande sensibilidade à luz, visão borrada, sensação de corpo estranho grudado nos olhos, vermelhidão decorrente do acúmulo local de sangue, lacrimejamento e, sobretudo, dor intensa, uma vez que a córnea é uma região repleta de nervos.

A principal causa das ceratites é mesmo a infecciosa, proveniente da ação de vírus, bactérias, amebas e fungos. A aquisição desses microrganismos está bastante relacionada com o uso de lentes de contato e de produtos empregados para sua desinfecção, mas ocorre igualmente em estados de imunodeficiência, ou seja, da debilidade do sistema imunológico decorrente de doenças e tratamentos, e em cirurgias oftalmológicas.

A inflamação da córnea também pode ser causada por outros distúrbios que afetam a superfície ocular, como a xeroftalmia, como a que ocorre nas pessoas portadoras da síndrome de Sjögren ou que por algum motivo não conseguem piscar ou fechar os olhos ao dormir.

Há, ainda, a ceratite traumática, provocada por agressões externas, a exemplo do contato acidental com substâncias tóxicas, assim como a medicamentosa, que envolve alergia a medicações. A exposição desprotegida e prolongada à luz ultravioleta também é capaz de agredir e inflamar a córnea.

Por fim, existe a possibilidade de o processo inflamatório estar associado a algumas doenças auto-imunes, como a artrite reumatóide, nas quais um descontrole do sistema imunológico leva as células de defesa a se voltar contra os constituintes do próprio corpo.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da ceratite costuma ser feito no consultório do oftalmologista, com base na avaliação oftalmológica, realizada com uma luz especial – a lâmpada de fenda. Contudo, a determinação da causa da inflamação geralmente demanda exames complementares, como a biomicroscopia, que visualiza a camada externa do olho com lentes especiais, permitindo a análise detalhada do aspecto da lesão, e a microscopia especular da córnea, que quantifica e estuda as células contidas no interior dos vasos sangüíneos.

Algumas vezes, pode ser necessário um exame de cultura de raspado da córnea para o isolamento do agente infeccioso, de modo a permitir a diferenciação de uma ceratite de origem bacteriana de inflamações provocadas por outros patógenos importantes, como o protozoário Acanthamoeba e o vírus Herpes simplex. Os resultados da investigação inicial podem levar o médico a pedir também exames laboratoriais para pesquisar o possível envolvimento do quadro com doenças auto-imunes.

Tratamento e prevenções

O tratamento varia conforme o fator que originou a ceratite. As inflamações desencadeadas por bactérias, amebas e fungos requerem antimicrobianos adequados para combater o microrganismo responsável pelo quadro. As virais, como a maioria das viroses, só precisam de medidas de suporte até o que o organismo combata naturalmente o vírus. A única exceção é a infecção peloHerpes simplex, que deve ser tratada com antivirais e com outros medicamentos para auxiliar o controle da doença e evitar sua progressão.

Por sua vez, a abordagem das ceratites traumáticas e medicamentosas, assim como das causadas pela exposição à luz ultravioleta, inclui estratégias como o uso de antiinflamatórios, lavagens e oclusão do olho afetado, as quais podem ser adotadas em conjunto ou isoladamente.

Já o tratamento da ceratite relacionada com doenças auto-imunes requer o envolvimento de um reumatologista, pois implica a administração de medicações imunossupressoras, que reduzem a resposta do sistema imunológico contra as células da córnea.

Nos pacientes com xeroftalmia, o tratamento passa pelo uso regular de colírios lubrificantes, que funcionam como lágrimas artificiais, mantendo a córnea sadia. Nos casos em que a ceratite evolui para infecções profundas com ulcerações e cicatrizes ou até mesmo perfuração da córnea, a única saída para restaurar a acuidade visual é o transplante de córnea.

A principal medida preventiva em matéria de ceratites envolve o cuidado com as lentes de contato. É necessário seguir estritamente as recomendações do oftalmologista e do fabricante em relação a uso, manutenção e prazo de validade das mesmas, além de se certificar da procedência dos produtos empregados para sua limpeza e desinfecção.

Lentes e piscina representam uma combinação péssima, que favorece a infecção por Acanthamoeba, já que essa ameba gosta de água. Da mesma forma, adormecer sem tirar as lentes constitui um costume pouco saudável para a córnea. Os cuidados se completam com uma visita ao oftalmologista a cada seis meses.

Já quem trabalha exposto a substâncias químicas e/ou a chamas e a faíscas precisa resguardar a córnea de agressões com o uso de equipamentos de proteção individual. Por último, uma recomendação universal: nenhum colírio deve ser instilado nos olhos sem prescrição médica ou além do período recomendado.

Fonte: Assessoria de Médicos Fleury

Citomegalovirose

A citomegalovirose, ou doença de inclusão citomegálica, é uma infecção muito comum, que afeta metade da população de adultos jovens nos Estados Unidos, devido à facilidade de transmissão do agente causador da doença, o citomegalovírus.

A virose raramente causa problemas mais sérios em pessoas saudáveis, mas, em indivíduos com o sistema imunológico comprometido – os imunodeprimidos –, particularmente nos doentes de aids, tem potencial para comprometer o sistema nervoso central e o trato digestivo, além de causar hepatite, pneumonia e inflamação da retina, com risco de cegueira.

A citomegalovirose congênita, passada da mãe para o feto durante a gravidez, também costuma ser bastante grave, sobretudo se adquirida no primeiro trimestre da gestação, quando é capaz de acarretar seqüelas neurológicas, visuais e auditivas no bebê.

Vale lembrar que quem contrai a doença permanece com o vírus no organismo, em estado latente, por toda a vida, o qual pode ser reativado em situações de baixa imunidade.

Causas e sintomas

Em adultos saudáveis, é bem possível que a infecção passe despercebida. Algumas pessoas, porém, costumam apresentar um conjunto de sinais clínicos semelhantes aos da mononucleose, com aumento dos gânglios do pescoço – as chamadas ínguas –, febre, mal-estar, dores nas articulações, cansaço, erupções na pele e elevação do volume do baço e do fígado.

A causa da doença é o citomegalovírus, que pertence à família dos herpesvírus, a mesma dos agentes que provocam doenças como a catapora e a mononucleose. Esse agente pode ser transmitido por via respiratória, por meio do contato com gotículas de espirro, tosse e saliva de pessoas contaminadas, pelo beijo, por transfusões de sangue, por relações sexuais e pela chamada via materno-infantil, da mãe para o feto durante a gestação.

Exames e diagnósticos

Uma vez que os sintomas se assemelham aos de outras doenças, não há como fechar o diagnóstico apenas como uma avaliação clínica.

Inicialmente, um exame de sangue simples – o hemograma – pode apontar a existência de formato atípico dos glóbulos brancos, indicando a necessidade de aprofundar a investigação com outros testes laboratoriais. Mas existe um exame próprio para pesquisar, no sangue da pessoa com a suspeita, a presença de anticorpos que caracterizam a infecção recente pelo citomegalovírus.

Em recém-nascidos, a sorologia tem seu valor, mas o melhor exame para diagnóstico da infecção é o isolamento do vírus na urina do bebê.

Tratamento e prevenções

Como na maioria das infecções provocadas por vírus, na fase aguda, o tratamento visa a combater a febre, as dores e o mal-estar com analgésicos e antitérmicos, exigindo repouso e alimentação leve até que os sintomas desapareçam espontaneamente.

Nas formas graves da doença, que se manifestam nas pessoas com o sistema imunológico comprometido, costumam ser usados antivirais específicos.

Por conta da variedade de situações que podem transmitir o citomegalovírus, é difícil escapar do contato com esse agente ao longo da vida, o que, para adultos saudáveis, não representa gravidade.

Contudo, a prevenção pode, sim, fazer diferença para gestantes e imunodeprimidos que ainda não tiveram contato com o vírus. Para ambos os grupos, recomendam-se cuidados básicos para reduzir a exposição a agentes infecciosos de maneira geral, como redobrar a atenção com a higiene das mãos, usar preservativo em todas as relações sexuais e evitar, na medida do possível, o contato com pessoas que tenham um conjunto de sintomas característicos, com gânglios aumentados, febre e mal-estar.

Fonte: Assessoria de Médicos Fleury

Cólera

Cólera é uma doença infecciosa intestinal, causada pela toxina produzida pela bactéria Vibrio cholerae, o chamado vibrião colérico. Em 80% a 90% dos casos, o quadro instalado não se diferencia de outras diarréias e melhora espontaneamente, apenas com hidratação oral.

Contudo, há uma forma bastante grave da doença, caracterizada por perda de líquidos muito acentuada, que desidrata profundamente o portador da infecção e, sem tratamento, provoca queda importante da pressão arterial, aceleração dos batimentos cardíacos, insuficiência renal e coma, podendo levar o indivíduo a entrar em choque.

Como as diarréias cursam de forma muito semelhante, qualquer que seja o microrganismo envolvido, é sempre importante procurar um serviço médico rapidamente diante de manifestações clínicas muito acentuadas, de forma a evitar maiores complicações.

O cólera ocorre principalmente em regiões carentes de saneamento básico adequado. No Brasil, o maior número de casos, na última década, foi registrado no Norte e Nordeste do país.

Causas e sintomas

Na maioria das vezes, a infecção pelo vibrião do cólera é assintomática ou, então, provoca diarréia leve ou moderada, acompanhada ou não de vômitos, que geralmente se inicia de três a cinco dias após a ingestão de água ou alimentos contaminados.

Na forma grave da doença, subitamente o indivíduo começa a apresentar diarréia aquosa e volumosa, com grande número de evacuações, quase sempre acompanhada de vômitos e cólicas, perdendo rapidamente uma grande quantidade de líquidos e sais minerais, o que determina severa desidratação e seus sintomas característicos: sede intensa, apatia, abatimento facial, cãibras e perda de peso. Crianças podem apresentar convulsões e confusão mental nessa etapa.

A diarréia é tão profusa, que pode chegar a mais de 20 evacuações em um dia. Inicialmente as fezes apresentam sua cor característica, porém podem evoluir para uma cor esbranquiçada semelhante à “água de arroz”.

O cólera decorre da contaminação com um dos dois subtipos do Vibrio cholerae que produzem a toxina efetivamente responsável por desencadear o quadro diarréico. A bactéria penetra no organismo humano pela ingestão de água ou de alimentos contaminados com fezes de pessoas infectadas. Dessa forma, acompanha a falta de saneamento básico e de água tratada e, nas cidades que têm esgotos e tratamento hídrico, está associada a condições inadequadas de higiene no preparo de alimentos.

Após a contaminação, o agente infeccioso do cólera pode ficar incubado por um período que vai de seis horas até cinco dias, sendo a maioria das pessoas irá manifestar os sintomas em três a cinco dias.

Exames e diagnósticos

A existência de um quadro diarréico abundante geralmente já faz o médico suspeitar do cólera. Existem testes sorológicos para o diagnóstico, mas o método considerado “padrão-ouro” é o isolamento do Vibrio cholerae em exame de cultura de fezes em meios apropriados para o desenvolvimento desse agente, até porque o cólera é uma doença de notificação compulsória.

O tratamento não depende do resultado para ser instituído, mas a confirmação ajuda o local de origem do doente a tomar medidas de prevenção para impedir a ocorrência de epidemias.

Tratamento e prevenções

O tratamento do cólera se resume à reidratação do indivíduo, que, nos casos leves e moderados, pode ser feita em casa, por via oral, com soluções reidratantes que contenham sais minerais e glicose. Algumas horas depois da aceitação das soluções, é possível reiniciar a alimentação.

Na forma grave da doença, o portador da infecção precisa ser hospitalizado para receber hidratação endovenosa e antibióticos para combater o vibrião.

Vale salientar que medicamentos antidiarréicos são terminantemente proibidos no cólera, assim como em outras diarréias causadas por agentes infecciosos, uma vez que reduzem os movimentos do intestino e facilitam a multiplicação da bactéria, prolongando a infecção e muitas vezes agravando o quadro.

A prevenção do cólera depende da melhoria das condições de saneamento básico em nossas cidades. Enquanto isso não se torna realidade, a população não só pode como deve tomar providências individuais para evitar a contaminação com o vibrião colérico, entre as quais o rigor com os hábitos de higiene, o cuidado com a limpeza, com o preparo e com a procedência dos alimentos e a ingestão de água tratada.

Quem mora nas grandes cidades corre maiores riscos quando viaja para áreas com saneamento inadequado, como é o caso de muitas regiões litorâneas. Nesses locais, todo o cuidado é pouco com alimentos vendidos por ambulantes. Na dúvida, é melhor dar preferência a produtos industrializados para comer e beber, evitando sempre as pedras de gelo nas bebidas, pois podem ser feitas com água contaminada.

Já existem vacinas orais e injetáveis contra a infecção provocada pelo Vibrio cholerae, mas elas estão indicadas apenas em situações especiais, como medida de proteção complementar, uma vez que não conferem 100% de imunidade contra essa bactéria.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Conjuntivite

A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva ocular, ou seja, da membrana transparente e fina que reveste o branco dos olhos e o interior das pálpebras. ausada, sobretudo, por vírus, a doença geralmente começa em um dos olhos e, em 3 a 4 dias, passa para o outro também, durando de uma semana a 15 dias, aproximadamente.

Na grande maioria das vezes cursa de forma beningna, sem deixar seqüelas. As complicações, quando ocorrem, dizem respeito ao risco de o agente infeccioso se disseminar pelos olhos, afetando a pálpebra ou, o que pode ser bem mais grave, ganhando o interior do globo ocular, com riscos de atingir o nervo óptico e comprometer a acuidade visual do indivíduo. No entanto, essa possibilidade está mais associada às inflamações provocadas por bactérias, que, felizmente, são bem menos freqüentes que os processos virais.

A conjuntivite representa uma das doenças oculares mais comuns, sendo altamente contagiosa quando sua origem é infecciosa. Não por acaso, ocorrem com certa regularidade verdadeiras epidemias, principalmente no verão. Em 2004, por exemplo, somente o Estado de São Paulo registrou mais de 65 mil casos dessa doença ocular, concentrados nos primeiros meses do ano.

Apesar de ser um problema de saúde corriqueiro, convém sempre procurar atendimento médico para evitar complicações.

Causas e sintomas

A conjuntivite se manifesta com olhos vermelhos, devido à dilatação dos vasos sangüíneos locais, em alguns casos até com hemorragia. Outros sintomas incluem lacrimejamento, lágrima mais espessa ou "grossa", presença de secreção incolor, esverdeada ou amarelada, inchaço das pálpebras, coceira, sensibilidade aumentada à luz, ardência, desconforto e sensação constante de corpo estranho nos olhos – como se houvesse areia ou ciscos – e algumas pessoas podem referir algum embaçamento da visão.

A causa mais freqüente da doença é a infecciosa, ou seja, determinada pela ação de bactérias e, sobretudo, de vírus, os quais, evidentemente, são bastante contagiosos. Cerca de 12 tipos de vírus são capazes de causar conjuntivite. Os mais frequentes são o adenovirus e enterovirus. Em tais casos, a contaminação ocorre especialmente pelas mãos contaminadas da própria pessoa, que ao levar a mão ao olho, carrega o vírus ou bactéria até a conjuntiva.

Recém-nascidos de mães portadoras de gonorréia podem adquirir a infecção ao nascimento, no canal do parto, pela ação da mesma bactéria que causa a doença.

Contudo, há também conjuntivites alérgicas, provocadas por reações a poluentes e a outros alérgenos, e conjuntivites irritativas ou tóxicas, ocasionadas pelo contato com produtos químicos, cosméticos e outras substâncias irritantes, como o cloro da piscina, e até mesmo pelo uso indevido de colírios. Ao contrário dos demais, os processos alérgicos e tóxicos não são transmitidos de uma pessoa para outra.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico é clínico, ou seja, depende da histórica de sintomas da pessoa e do exame oftalmológico. É importante consultar um oftalmologista pois, ao fazer um exame minucioso, este médico pode descartar outras doenças importantes que cursam com desconforto e vermelhidão nos olhos, como a uveíte, e determinar, pelas características do quadro, a causa da inflamação, o que é fundamental para estabelecer o tratamento correto. Por exemplo: a presença de secreção esverdeada ou amarelada condiz com uma conjuntivite bacteriana.

Tratamento e prevenções

Assim como ocorre com muitas das doenças provocadas por vírus, o tratamento da conjuntivite viral é sintomático, ou seja, voltado a reduzir os sintomas. Para tanto, usam-se compressas de água fria, mineral ou filtrada – jamais de água boricada, que pode provocar reações alérgicas fortes nos olhos – e colírios específicos para atenuar o desconforto e a vermelhidão e para manter a limpeza da região, desde que prescritos pelo oftalmologista.

Já as conjuntivites bacterianas requerem antibióticos para combater o agente envolvido na inflamação, os quais costumam ser de aplicação tópica, ou seja, diretamente nos olhos (pomadas ou colírios).

Por fim, os processos irritativos ou alérgicos melhoram com a retirada do agente causador da inflamação. O fato é que cada tipo de conjuntivite pede uma abordagem terapêutica diferente, o que reforça a necessidade de procurar um médico logo aos primeiros sinais clínicos da doença.

Qualquer que seja a origem da inflamação, durante o tratamento o indivíduo não deve freqüentar piscinas nem usar lentes de contato, evitando ao máximo a exposição a substâncias irritantes, como passar maquiagem nos olhos.

Para prevenir a conjuntivite, é importante manter bons hábitos de higiene, principalmente, lavando sempre muito bem as mãos, que normalmente tocam os olhos sem que percebamos e, portanto, estão invariavelmente envolvidas nos casos de transmissão dessa inflamação de uma pessoa para outra.

Além disso, convém evitar banhos em piscinas sem cloro e, mesmo nas tratadas, usar óculos de proteção, inclusive para impedir irritações que podem resultar num processo inflamatório. Maquiagem para olhos e outros objetos do gênero também não devem ser compartilhados.

Pela grande facilidade de contágio e disseminação das conjuntivites infecciosas, crianças com conjuntivite precisam ser afastadas da escola até que não haja mais risco de transmitir a doença. Por último, nenhum medicamento deve ser aplicado nos olhos sem prescrição médica. A automedicação, afinal, pode ser um fator agravante da inflamação.

Fonte: Assessoria de Médicos Fleury

Coqueluche

A coqueluche é uma doença infectocontagiosa provocada por bactérias da família Bordetella, que colonizam o aparelho respiratório, especialmente a traquéia e os brônquios, por onde o ar obrigatoriamente precisa passar para chegar até os pulmões, provocando crises extenuantes de tosse.

Apesar de poder ser prevenida por uma vacina, a moléstia ainda constitui uma importante causa de mortalidade infantil ao redor do mundo, especialmente nos países em desenvolvimento, sobretudo entre crianças menores de 6 meses de idade.

As complicações decorrem principalmente da evolução da infecção para os pulmões, determinada tanto pela Bordetella quanto por outras espécies bacterianas que se aproveitam da situação.

No Brasil, felizmente o número de casos vem se mantendo em queda graças à ampliação da cobertura de vacinação, tendo saído de quase 46 mil, em 1980, para pouco mais de mil, em 2005.

Causas e sintomas

As manifestações da coqueluche podem ser divididas em três etapas. A doença começa com a fase catarral, de sintomas inespecíficos, bastante semelhantes a uma gripe, como febre, mal-estar, tosse seca e coriza por cerca de dez dias.

É na segunda fase, a paroxística, que aparecem os sintomas mais característicos da infecção, com episódios incontroláveis e extenuantes de tosse, muitas vezes seguidos de vômitos, e inspiração forçada, acompanhada de um ruído conhecido como “guincho”. Essas manifestações podem durar de duas a quatro semanas.

Depois disso, vem a fase de recuperação, quando as crises vão desaparecendo e dando lugar a uma tosse comum, que pode ainda continuar por alguns meses.

A coqueluche é causada por bactérias da família Bordetella, especialmente a Bordetella pertussis e a Bordetella parapertussis, que são transmitidas pelo contato direto com pessoas contaminadas, mais precisamente pela inalação de gotículas que o doente produz ao tossir, espirrar ou falar ou, então, por meio de objetos que tenham tido contato recente com secreções respiratórias de um indivíduo infectado. Após o contágio, os sintomas podem demorar de 7 a 14 dias para aparecer.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da coqueluche costuma ser clínico, baseando-se nos sintomas, que são bastante característicos na fase paroxística, na história do indivíduo e em uma boa avaliação física.

Nos casos duvidosos, a confirmação laboratorial pode ser feita por meio de cultura de secreção da faringe, colhida com uma haste semelhante a um cotonete e cultivada em meios próprios para o crescimento da Bordetella.

Tratamento e prevenções

O tratamento requer o uso de antibióticos, sobretudo a eritromicina, para eliminar as bactérias, associado ao repouso e à ingestão de muito líquido. Pode ser feito em casa, mas, em situações mais graves ou em crianças menores de 6 meses, deve ocorrer em ambiente hospitalar para evitar desidratação, desnutrição, infecções secundárias e outras complicações.

Quem vive com pessoas infectadas tem indicação de receber terapêutica preventiva com antibiótico e uma dose de reforço da vacina, uma vez que, após dez anos da última aplicação, a eficácia da imunização contra a bactéria causadora da coqueluche fica em torno de 50%.

A vacinação representa a forma mais segura e eficaz de prevenir a coqueluche na população infantil, que é a mais afetada pela doença. Toda criança, portanto, deve receber três doses da vacina aos 2, aos 4 e aos 6 meses de idade, além de dois reforços com a vacina tríplice contra difteria, coqueluche e tétano, o primeiro aos 15 meses e o segundo entre 4 e 6 anos. Esse esquema está previsto no calendário oficial de vacinação.

A eficácia da imunização anticoqueluche cai pela metade depois de dez anos, mas, como a doença não costuma ser tão grave em adolescentes e adultos, por enquanto não há indicação de revacinação, a não que alguém bem próximo esteja infectado. O mesmo vale para adultos nunca imunizados.

Fonte: Assessoria de Médicos Fleury

Degeneração Macular

A mácula é a parte central da retina, responsável pela visão nítida e detalhada. É esta parte do olho que é afetada pela degeneração macular.

Trata-se de uma condição associada ao envelhecimento, caracterizada pela formação de pequenos depósitos amarelados sob a mácula. Estes depósitos são chamados de "drusas" e podem fazer com que a mácula fique fina e ressecada, determinando perda da nitidez da visão. Esses casos são chamados de degeneração macular do tipo seco, a forma mais comum da doença, algo em torno de 85% a 90% dos casos.

A degeneração, entretanto, pode evoluir para a forma exsudativa (ou úmida) da doença, que consiste no crescimentos de uma membrana com vasos sangüíneos anormais embaixo da mácula. Esses vasos sangüíneos incham, rompem e formam cicatrizes permanentes que danificam a visão, provocando embaçamento da luz e das cores, mancha no campo visual central e distorção das imagens, além de determinar importante perda da visão, com risco de cegueira.

Depois da catarata, a degeneração macular é a principal causa de cegueira nos indivíduos com mais de 50 anos e vem se tornando cada vez mais freqüente em nosso meio, à medida que aumenta a expectativa de vida das pessoas. Calcula-se que esse processo degenerativo esteja presente em, pelo menos, um quarto da população com mais de 75 anos. No Brasil, a incidência é estimada em 60 mil casos novos a cada ano.

Causas e sintomas

A degeneração macular pode afetar um ou os dois olhos. Primeiramente, a pessoa tem a visão central bloqueada por um ponto negro, que depois se transforma em uma lacuna branca ou cinza. Esse dano à visão central é permanente, mas a visão lateral (periférica) raramente é afetada.

Outros sintomas são: as linhas retas parecem onduladas, as cores ficam pálidas, visão de flashes de luz ou pontos escuros, borramento visual que dificulta a leitura.

Na forma seca da doença, representada pela presença das drusas, a redução da capacidade de enxergar é lenta e acompanhada de pigmentação amarelada da mácula. Já na forma exsudativa, a diminuição da acuidade visual é mais rápida, evoluindo em semanas ou meses, por causa do rompimento de vasos de sangue anormais sob a mácula.

As causas da denegeração macular não são muito bem estabelecidas, mas seu surgimento é seguramente atribuído ao envelhecimento. Com o passar dos anos, a retina, por razões desconhecidas, perde sua capacidade de dar um encaminhamento adequado aos restos de seu metabolismo – os famosos radicais livres.

Esse processo é agravado pela luz do sol, que acelera o envelhecimento celular, notadamente em pessoas com olhos claros e que vivem em regiões mais ensolaradas. O cigarro igualmente constitui um fator de risco, por interferir na saúde das células, assim como uma dieta rica em gorduras e pobre em legumes e frutas, uma vez que os vegetais contêm antioxidantes que ajudam a combater os radicais livres.

Exames e diagnósticos

O exame oftalmológico pode apontar lesões sugestivas de degeneração macular, mas a confirmação depende de testes diagnósticos bastante específicos, como a avaliação biomicroscópica da mácula, feita para avaliar a topografia da região e identificar as drusas, e exames angiográficos, que observam o fluxo de um contraste nos vasos locais e permitem a detecção e o estudo da vascularização formada embaixo da retina, ajudando o médico até mesmo a escolher a melhor opção terapêutica.

Tratamento e prevenções

A forma seca da degeneração macular é tratada com polivitamínicos para garantir uma melhor ação antioxidante sobre as células da retina e acompanhada com exames periódicos para detectar, no início, qualquer sinal de evolução para a instalação de alguma vascularização sob a retina. Já a forma exsudativa não dispensa um tratamento para controlar a doença e afastar o risco de perda de acuidade visual.

Até pouco tempo atrás, só existia a fotocoagulação dos vasos com laser e a cirurgia para remover a membrana formada embaixo da retina e cessar as hemorragias. Ambos, porém, sem possibilidade de recuperar a acuidade visual já perdida. Atualmente, uma das alternativas a esses tratamentos convencionais é a fotodinâmica, que provoca entupimento nesses vasos de maneira mais seletiva, preservando o tecido da retina, pela associação de uma substância fotorreagente com uma fonte de luz.

Outra terapia promissora é a aplicação de medicações locais que inibem o surgimento dos vasos sob a retina, reduzem a progressão da doença e até melhoram a visão em alguns casos. Para tanto, já existem medicamentos aprovados e outros em testes, nos dois casos com resultados animadores.

Como a degeneração macular não tem uma causa bem determinada, não obstante sua associação com o envelhecimento, há pouco a fazer em termos de prevenção primária. Ainda assim, é fundamental usar óculos de sol com lentes protetoras contra raios ultravioleta, manter uma dieta saudável, à base de muitas frutas e vegetais, que contêm antioxidantes naturais, próprios para retardar os processos degenerativos, praticar exercícios físicos e controlar o peso, pois isso também prolonga a juventude de células e tecidos.

Para quem fuma, largar o cigarro constitui uma medida inteligente, inclusive para prevenir outras tantas doenças que afetam a qualidade de vida na terceira idade. Além de tudo isso, é recomendável que toda pessoa a partir dos 45 anos passe por uma avaliação oftalmológica periódica para o rastreamento de alterações suspeitas de degeneração macular ainda no começo.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Dengue

Dengue é uma virose transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, que pica apenas durante o dia, ao contrário do comum, o Culex, que ataca sempre à noite.

A doença ocorre principalmente em áreas tropicais e subtropicais do mundo, inclusive no Brasil, e incide no verão, durante ou imediatamente após períodos chuvosos. De início súbito, a dengue evolui de forma benigna quando corretamente tratada.

A maioria das pessoas melhora após cerca de cinco dias, recuperando-se completamente em dez dias. Contudo, em alguns casos, a dengue clássica pode dar lugar à hemorrágica, que é a forma mais grave da infecção, evoluindo, entre outras complicações, com diminuição acentuada da pressão arterial. Essa hipotensão requer atendimento médico imediato, pois pode levar o indivíduo ao choque.

As formas que mais importam, seja pela freqüência, seja pela gravidade são:
1. Dengue clássica – a mais comum, provoca febre, cefaléia, mal-estar generalizado e dores musculares;
2. Dengue hemorrágica – inicia-se como a forma clássica, porém, depois de três a cinco dias a febre cede. Depois de dois dias ausente, a febre volta, acompanhada de manifestações hemorrágicas na gengiva, na pele e de dores abdominais fortes;
3. Síndrome do choque da dengue – inicia-se como a forma clássica, porém, depois de três a quatro dias, o paciente evolui com queda da pressão, sudorese intensa e distúrbio de atenção devido ao baixo fluxo sanguíneo. Essa forma é bastante rara, especialmente na dengue primária (a primeira vez em que se tem dengue).

Convém ressaltar que o risco de dengue hemorrágica só existe para quem já teve algum episódio anterior da doença.

Causas e sintomas

Os sintomas da dengue podem ser confundidos com os de inúmeras outras doenças como leptospirose, sarampo, rubéola e, até mesmo, gripe. A dengue clássica manifesta-se com febre alta, dor de cabeça, dores musculares, fraqueza e apatia, dores nas juntas e no fundo dos olhos, náuseas, vômitos e manchas no corpo por cerca de sete dias.

Entretanto, é importante salientar que a intensidade dos sintomas varia de acordo com a resposta individual ao vírus, sendo que em algumas pessoas a dengue pode passar como uma gripe forte ou outra “virose”, sem o correto diagnóstico.

A dengue hemorrágica se inicia da mesma forma que a dengue clássica, mas seus sinais clínicos característicos se manifestam quando a febre começa a ceder: dor abdominal, sintomas indicativos de queda de pressão, como suores frios, tontura, desmaios e pele fria, sangramentos incessantes – nasais, gengivais, urinários, gastrointestinais ou uterinos – e escurecimento das fezes, entre outros.

A dengue é causada por um arbovírus que possui quatro sorotipos (1, 2, 3 e 4), todos eles capazes de desencadear infecção com as mesmas manifestações. Cada vez que se contrai a doença por um tipo de agente, ganha-se imunidade contra novas infecções provocadas por esse tipo. Assim, todo indivíduo pode apresentar até quatro episódios de dengue.

A dengue hemorrágica só ocorre em quem já teve dengue e sofre uma nova infecção, por um sorotipo diferente do primeiro. Esta reinfecção causa uma reação exacerbada do sistema imune, que acaba por desencadear a hemorragia.

A dengue não é transmitida diretamente de pessoa para pessoa, sempre contando com a participação do mosquito como intermediário. Entre a picada do inseto e a manifestação dos sinais clínicos costuma haver um intervalo de 2 a 15 dias.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico inicial da dengue é clínico, ou seja, baseado na história e no exame físico da pessoa, e feito por exclusão de doenças mais graves que cursam com sintomas semelhantes. É possível comprovar a virose com um teste que pesquisa, no sangue do indivíduo com a suspeita, a presença de anticorpos contra o arbovírus.

Esse exame, no entanto, só se mostra positivo a partir do sexto dia do início dos sintomas. Um exame mais recente, chamado PCR ou teste molecular, é capaz de detectar o vírus no sangue do paciente mais precocemente, permitindo ao médico fechar o diagnóstico com mais rapidez e segurança e instituir o tratamento adequado rapidamente.

Tratamento e prevenções

O tratamento da dengue clássica costuma ser feito em casa e abrange a reidratação oral do indivíduo, com soro caseiro ou soluções próprias para essa finalidade, assim como o uso de antitérmicos e analgésicos para baixar a febre e controlar as dores.

Em vista do risco de sangramento associado a essa infecção, nenhum medicamento deve ser tomado sem prescrição médica diante da suspeita de dengue, já que muitos antiinflamatórios e analgésicos contêm substâncias ativas que alteram a coagulação do sangue, favorecendo hemorragias, como é o caso do ácido acetilsalicílico, presente na Aspirina®.

Já a dengue hemorrágica requer internação hospitalar para reidratação venosa e monitoramento contínuo para evitar choque.

A prevenção da dengue implica, necessariamente, na eliminação dos transmissores, os mosquitos. Como o Aëdes aegypti é um inseto doméstico, que vive dentro ou nas proximidades das habitações, é necessário acabar com os locais onde a fêmea põe os ovos. Para tanto, qualquer coleção de água precisa ser suprimida.

Na prática, recomenda-se colocar terra no prato dos vasos das plantas, limpar as calhas dos telhados para evitar acúmulo hídrico, não expor à chuva objetos que possam armazenar água, acondicionar o lixo em sacos ou recipientes fechados e tampar caixas d’água, entre outras providências.

Como medidas de proteção individual para evitar as picadas do mosquito, recomendam-se o uso de repelente à base de dietiltoluamida (Deet) nas áreas expostas do corpo, a aplicação de inseticida nos ambientes da casa, o emprego de telas e mosquiteiros e a utilização de espirais ou vaporizadores elétricos nos horários em que os mosquitos mais picam – antes do amanhecer ou no fim da tarde.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Dependência Química

A dependência química é uma doença, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, que se caracteriza pelo consumo abusivo de medicamentos, bebidas alcoólicas e drogas ilícitas. Essas substâncias atuam direta ou indiretamente no cérebro, o que leva à perda da inibição, sensação de bem-estar, alterações da percepção visual e euforia, entre outros sintomas. Em longo prazo, no entanto, o consumo contínuo dessas drogas pode levar a danos de diversos órgãos, além de trazer consequências psíquicas e sócio-econômicas  bastante negativas. Trata-se ainda de um problema cujo reconhecimento nem sempre é fácil.

Causas e sintomas

De maneira geral, a dependência química é caracterizada pela necessidade incontrolável de consumir compulsivamente uma determinada substância, que pode ser aparentemente “inofensiva”, como uma aspirina, ou ilícita e de grande potencial lesivo,como é o caso da cocaína. Essas substâncias são divididas em três grupos:

Medicamentos
Qualquer produto farmacêutico que modifique a qualidade das informações que chegam ao cérebro ou altere diretamente seu funcionamento pode ser objeto de uso abusivo. Isso pode ser observado com o consumo de simples analgésicos ou medicamentos para reduzir a ansiedade, induzir o sono, inibir o apetite ou controlar alterações do comportamento. O que caracteriza o uso abusivo é a condição da dependência e a necessidade de utilizar muitas vezes doses cada vez maiores, com claros riscos para a saúde.

Drogas recreacionais
São substâncias que não têm finalidade terapêutica e são utilizadas com o intuito de promover alteração na percepção ou no comportamento do usuário. Algumas delas, como o álcool e a cafeína, são lícitas e chegam a ser consumidas em grande escala, com níveis de complicações muito diferentes entre si. Outras, ilícitas, possuem grande potencial de dependência e de prejuízo à saúde. O consumo de bebidas alcoólicas – tanto agudo quanto crônico – associa-se a maior risco de envolvimento em acidentes, atos de violência e leva a diversos problemas de saúde. Já a utilização da cafeína não é associada a riscos de tal magnitude.

Drogas ilícitas
Certas substâncias químicas, presentes na natureza ou sintetizadas pelo homem, são de consumo proibido por lei. Elas têm a capacidade de causar dependência, de colocar a vida em risco se consumidas de forma excessiva e de alterar intensamente o comportamento do usuário. Maconha, cocaína e metanfetamina são as drogas mais consumidas no Brasil, em ordem decrescente de freqüência. O consumo da heroína e de ácido lisérgico (LSD) é bastante reduzido. Estima-se que em uma grande cidade brasileira pode-se encontrar seis usuários de maconha e dois de cocaína para cada 100 habitantes.

Exames e diagnósticos

Existem exames laboratoriais que podem detectar essas substâncias no sangue, na urina ou no cabelo. A aplicação desses testes que tem tido maior interesse é a relacionada ao consumo de drogas ilícitas. Ela destina-se à investigação de intoxicação aguda, ao diagnóstico e acompanhamento do tratamento de dependência e a programas de prevenção, aplicados nos exames admissionais das empresas ou em avaliações periódicas de Medicina do Trabalho.

A tabela abaixo relaciona quais drogas podem ser investigadas e em que material pode ser feita a análise  O material mais adequado depende do objetivo pretendido. De modo geral, a análise no sangue está indicada para demonstrar que alguém se encontra sob efeito de determinada substância. Na urina, um resultado positivo aponta para uso recente, de dias a pouco mais de uma semana. Finalmente, a análise do cabelo permite determinar se ocorreu exposição em um período de 3 meses, uma vez que a droga se impregna na raiz do cabelo e permanece em seu fio por esse período de tempo.

 Material

Droga

Sangue

 

Urina

 

Cabelo

 

Etanol
(álcool etílico)

Sim

Sim

Não

Cocaína
(merla, crack)

Sim

Sim

Sim

Cannabis
(maconha, haxixe)

Sim

Sim

Sim

Anfetamina
("bolinha)

Não

Sim

Sim

Metanfetamina
(ecstasy)

Não

Sim

Sim

Opiáceos
(heroína, morfina)

Não

Sim

Sim

Tratamento e prevenções

A primeira exposição às drogas que levam à dependência química, lícitas ou não, tem ocorrido cada vez mais precocemente, algumas vezes antes mesmo dos 10 anos de idade. Dessa forma, as ações de prevenção já devem se iniciar a partir dessa idade. O uso abusivo de medicamentos pode acontecer em qualquer idade, mas tem sido mais frequente entre adultos.

É importante lembrar que a dependência química é uma doença crônica, como tem sido considerado, também, o tabagismo. O indivíduo deve ter a consciência que sempre terá essa tendência de comportamento. Por outro lado, é possível controlar a dependência e ter uma vida normal, com as conquistas que todos almejam. Assim como um diabético vive muito bem sem consumir açúcar, o dependente químico, se tiver empenho no seu tratamento, pode também fazê-lo sem a droga. Esse trabalho de recuperação geralmente envolve acompanhamentos médico e psiquiátrico, tendo mais chances de sucesso com o apoio de familiares e amigos.

Diabetes mellitus

O diabetes mellitus é uma doença crônica decorrente de deficiência na produção ou na ação da insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas com a finalidade de ajudar o organismo a usar os alimentos como fonte de energia.

No diabetes tipo 1, o pâncreas pára de fabricar insulina ou não a libera em quantidade suficiente. Já no diabetes tipo 2, esse hormônio não é utilizado adequadamente, ou seja, existe uma resistência à sua ação. Como resultado de tais processos, a glicose fica na circulação e deixa de levar energia para as células.

A elevação constante das taxas de glicose por muitos anos - a chamada hiperglicemia - pode provocar alterações importantes nos vasos sangüíneos e nos nervos de várias partes do corpo, sobretudo dos olhos, dos rins, dos membros inferiores e do coração.

Vale lembrar que o diabetes está entre as mais freqüentes doenças crônicas, a ponto de, só no Brasil, atingir mais de 7% da população.

Causas e sintomas

Os sintomas podem ser ausentes ou muito discretos. No quadro típico, os diabéticos relatam sede exagerada e boca seca, aumento do volume urinário, cansaço excessivo, dores no corpo, perda de peso e fome acentuada, tendo ainda pouca resistência a infecções.

Há várias causas para o diabetes mellitus. No tipo 1, uma doença auto-imune lesa de forma irreversível as células pancreáticas responsáveis pela produção de insulina, denominadas células beta.

Já no tipo 2, a forma mais comum de diabetes representando cerca de 90% de todos os casos, o organismo passa a apresentar um mecanismo de resistência à ação da insulina, ocasionado principalmente pela obesidade e pelo sedentarismo. Nesta forma de diabetes, que acomete sobretudo os adultos após os 40 anos, existe um forte componente familiar (genético).

Exames e diagnósticos

A dosagem de glicose no sangue, chamada de glicemia, é o exame mais empregado. Segundo a Associação Americana de Diabetes, o resultado é normal quando a taxa não passa de 99 mg/dL na dosagem feita em jejum. Acima de 125 mg/dL, desde que o valor seja encontrado em, pelo menos, dois exames, fica fechado o diagnóstico de diabetes mellitus.

Com valores entre 100 e 125 mg/dL, a pessoa é considerada portadora de glicemia de jejum inapropriada, ou pré-diabetes, requerendo investigações complementares, feitas após a ingestão de glicose por via oral, para a confirmação do quadro.

Neste teste, conhecido como teste oral de tolerância à glicose, a glicemia medida duas horas após a ingestão da glicose não deve ultrapassar 139 mg/dL. Níveis entre 140 e 199 mg/dL caracterizam intolerância à glicose, ou pré-diabetes, e valores iguais ou maiores que 200 mg/dL definem um quadro de diabetes.

Na presença de sintomas característicos, uma glicemia superior a 200 mg/dL, coletada a qualquer hora do dia, também é suficiente para diagnosticar a doença.

Tratamento e prevenções

O objetivo do tratamento é controlar a glicemia. Para tanto, é fundamental manter o peso adequado, o que exige mudança no estilo de vida, particularmente com a adoção de uma dieta balanceada e com a realização de exercícios físicos regulares.

Nos casos de diabetes tipo 2, o médico pode prescrever medicamentos por via oral para baixar os níveis glicêmicos ou, se necessário, a suplementação de insulina. Já no diabetes tipo 1, o uso de insulina é mandatório.

Além das consultas médicas regulares, para o bom acompanhamento da doença faz-se necessário o controle periódico da glicemia, feito por testes laboratoriais e até por aparelhos de monitorização domiciliar da glicose.

A dosagem da hemoglobina glicada deve ser feita de duas a quatro vezes ao ano, pois reflete a média do controle glicêmico dos três meses anteriores. Este é considerado o principal exame de avaliação do controle do diabetes. Ainda, devem ser feitos exames para o rastreamento de complicações crônicas do diabetes, que podem acometer os rins, os olhos, o coração, os nervos periféricos e os pés.

Manter o peso normal e praticar atividade física regularmente podem evitar ou retardar boa parte dos casos de diabetes tipo 2. No caso de diabetes tipo 1 ainda não dispomos de formas eficazes para evitar a doença.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Difteria

A difteria é uma doença infectocontagiosa causada pela bactéria Corynebacterium diphtheriae, que pode infectar tanto crianças quanto adultos não vacinados, já que essa moléstia pode ser evitada por imunização.

Esse agente bacteriano se multiplica na garganta e, inicialmente, forma uma pseudomembrana de pus sobre as amígdalas, a faringe, a laringe e a divisão entre a cavidade oral e nasal – o pálato –, que costuma dificultar bastante a respiração, sobretudo em crianças pequenas, a ponto de causar asfixia.

Além desse risco, são bastante severos os efeitos sistêmicos decorrentes da toxina que a bactéria produz depois de se instalar na garganta. Uma vez na circulação, essa substância bloqueia a produção de proteínas nos tecidos orgânicos, comprometendo gravemente o funcionamento do coração, dos nervos e dos rins.

Felizmente, a vacinação em massa, ao longo dos anos, reduziu expressivamente a incidência da difteria em todo o mundo. Para ter uma idéia, em 1991, o Brasil registrava quase 500 casos da infecção. Hoje, o número de infectados não chega a 5% desse total.

Causas e sintomas

A difteria começa com febre alta, dor de garganta, mau hálito, tosse, fadiga, dificuldade de deglutir e de respirar, náuseas e aumento dos gânglios do pescoço – as populares ínguas. Com a presença da toxina diftérica na circulação, a doença pode evoluir rapidamente para um quadro de intoxicação sistêmica, com importante comprometimento do estado geral do paciente, queda acentuada da pressão arterial, enfraquecimento nos braços e nas pernas, decorrente do compromentimento dos nervos, e sinais de lesão no músculo cardíaco, como palpitações, cansaço, dor e inchaço.

A difteria decorre da infecção das vias aéreas superiores pelo Corynebacterium diphtheriae e da ação de sua toxina. Este agente é transmitido diretamente de pessoa para pessoa por secreções respiratórias, ou seja, pela inalação de gotículas de tosse ou de saliva de indivíduos contaminados. Após o contágio, a difteria pode levar de um a seis dias para se manifestar.

Exames e diagnósticos

A suspeita de difteria pode ser levantada já ao exame clínico, quando o médico nota a presença da pseudomembrana em alguém que tem queixa de dor de garganta e febre. A confirmação deve ser feita pelo isolamento da bactéria em fragmentos dessa membrana, colhidos com uma espátula especial e cultivados em meios apropriados para seu crescimento, e igualmente da identificação da toxina em testes de toxicidade.

Essa pesquisa também pode ser feita por testes moleculares, que investigam a presença e a toxicidade da bactéria por análise de DNA.

Tratamento e prevenções

Diante da suspeita, o tratamento precisa começar imediatamente, em ambiente hospitalar, com a administração de soro antidiftérico para neutralizar a ação da toxina e de antibióticos para combater o agente infeccioso e, assim, acabar com a produção da substância tóxica.

A terapia ainda inclui repouso, hidratação, dieta leve e medidas de suporte para manter as vias respiratórias livres, assim como para prevenir complicações no coração, nos rins e nos nervos.

A imunização é a maneira mais segura e eficaz de prevenir a difteria. Toda criança, portanto, deve receber três doses da vacina aos 2, aos 4 e aos 6 meses de idade, além de dois reforços com a vacina tríplice contra difteria, coqueluche e tétano, o primeiro aos 15 meses e o segundo entre 4 e 6 anos. A partir daí, a cada dez anos é necessária uma dose única da vacina dupla contra difteria e tétano. Esse esquema está previsto no calendário oficial de imunização. Adultos e crianças com mais de 7 anos que nunca foram vacinados requerem três doses da vacina dupla, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas, também com reforço a cada década. Quem teve a doença também precisa ser imunizado, uma vez que a difteria, ao contrário de outras moléstias infectocontagiosas, não confere ao indivíduo imunidade permanente.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Dismenorreia

A dismenorréia, também chamada de cólica menstrual, é a dor pélvica que ocorre alguns dias antes ou nos primeiros dias do período da menstruação. Na imensa maioria dos casos, não está relacionada com qualquer doença ou lesão nos órgãos pélvicos, refletindo apenas uma reação natural do organismo motivada por uma substância hormonal, a prostaglandina, que faz o útero se contrair.

Em tais circunstâncias, portanto, a cólica é considerada primária e se concentra nos três primeiros anos após o primeiro ciclo, diminuindo com o tempo, por volta dos 20 anos, ou até a primeira gravidez.

Nos demais casos, porém, a dismenorréia tem como estopim algum distúrbio ginecológico, sendo classificada como secundária. Estima-se que metade das mulheres em idade fértil já tenha tido cólica menstrual em algum momento da vida.

Por haver essa possibilidade de a dor ser patológica, sempre convém procurar um ginecologista, especialmente nos quadros dolorosos incapacitantes, para esclarecer a origem do problema e receber o tratamento adequado, ainda que não haja nenhuma moléstia por trás do sintoma.

Hoje em dia, com tantos recursos terapêuticos disponíveis, ninguém mais precisa sofrer de dor até que a natureza se encarregue de cessá-la.

Causas e sintomas

Em geral, a dor costuma ser branda ou moderada e irradiada para as costas e para as coxas, sendo acompanhada de desconforto, sensação de peso no ventre ou nas costas, mal-estar, diarréia, vertigem, fadiga, suor excessivo, nervosismo e dor de cabeça, sobretudo no primeiro dia da menstruação. Mas não é raro também haver cólicas extremamente dolorosas, a ponto de incapacitar a mulher para realizar suas atividades cotidianas durante o período menstrual.

A dismenorréia primária decorre precisamente do aumento da produção de prostaglandinas no útero. O excesso dessa substância provoca fortes contrações do útero. Quando isso ocorre, os vasos sangüíneos em seu entorno têm dificuldade de alimentar os tecidos locais com oxigênio, desencadeando a dor. A alta concentração de prostaglandina também afeta outros órgãos, daí porque as cólicas andam de mãos dadas com um mal-estar característico.

Já a dismenorréia secundária é patológica, ou seja, representa um sintoma de alguma doença ginecológica, especialmente a endometriose, que cursa com menstruações muito dolorosas, podendo ainda indicar a presença de miomas e infecções que afetam útero, trompas e ovários.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico é clínico, ou seja, feito pelo ginecologista com base na história e no exame físico e ginecológico da mulher, podendo requerer estudos complementares para excluir as causas patológicas da dismenorréia, como ultra-sonografia pélvica transvaginal e dosagens hormonais no sangue.

Tratamento e prevenções

O tratamento da dismenorréia primária costuma ser feito com antiinflamatórios não-hormonais, devidamente prescritos por ginecologista, os quais devem ser tomados para bloquear a produção das prostaglandinas. Em muitos casos, o médico opta pela prescrição de anticoncepcionais orais, em uso contínuo ou cíclico. Como esses medicamentos impedem a ovulação, o período menstrual fica naturalmente menos doloroso.

Além dos medicamentos, medidas de suporte são sempre bem-vindas para atenuar a dor, como uso de bolsa de água quente, banho morno e massagens relaxantes. Já o tratamento da dismenorréia secundária deve ser específico para a doença ou condição que causa a dor, embora possa contar com o emprego dos antiinflamatórios inicialmente para aliviar os sinais clínicos. Mas, uma vez tratada a origem, os sintomas conseqüentemente desaparecem.

Como a dismenorréia primária decorre de uma reação natural do organismo, praticamente não existem medidas efetivas de prevenção contra a produção excessiva de prostaglandinas. Ainda assim, parece haver uma relação entre uma alimentação saudável – pobre em gordura animal e rica em vegetais, frutas e sementes –, acompanhada da prática regular de exercícios físicos, e ciclos menstruais menos dolorosos. Sempre é válido tentar, pois essa combinação traz, no mínimo, bons efeitos para a saúde global do organismo.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Diverticulite

A diverticulite é a inflamação dos divertículos, ou seja, de pequenas bolsas, hérnias ou dilatações saculiformes que se formam em pontos frágeis na mucosa do intestino grosso – o cólon – em decorrência do aumento constante da pressão nesse segmento para a eliminação das fezes.

Em geral, os divertículos costumam  aparecer depois dos 50 anos, acompanhando o envelhecimento do ser humano, e passam despercebidos em muitas pessoas. Estima-se que 30% da população mundial tenham esse problema, que, contudo, só incomoda em cerca de 10% a 15% dos casos.

O fato é que, como acumulam fezes em seu interior, essas hérnias, sob condições apropriadas, podem funcionar como um meio ideal para  a proliferação de bactérias – daí porque se inflamam. Quando as hérnias existem, mas sem inflamação, diz-se tratar-se de diverticulose ou doença diverticular.

Apesar de poder ser facilmente tratada em 80% de seus portadores, essa inflamação traz consigo um risco iminente de complicações, entre as quais a formação de conexões anormais (ou fístulas) entre o intestino grosso e outros órgãos próximos – especialmente com a bexiga –, a perfuração intestinal e a infecção da cavidade abdominal, ou seja a peritonite, causada pela migração do conteúdo intestinal para essa região.

A diverticulite afeta especialmente a população da terceira idade e, entre eles,  tem predileção por indivíduos que fazem tratamentos para o câncer, pelos diabéticos e todas as pessoas com o sistema imunológico comprometido.

Causas e sintomas

O sintoma mais característico da inflamação é dor abdominal do lado esquerdo do abdome, na parte mais baixa, próxima à pelve. Ela pode ser muito intensa e em cólica, com períodos de melhora e piora. Quando o médico examina o abdome do indivíduo afetado, a dor pode piorar muito, o que indica maior gravidade do quadro.

Pode ocorrer febre, ardor e dificuldade para urinar e, ainda, alternância do hábito intestinal: períodos de diarréia intercalados com constipação, podendo apresentar sangramento nas fezes. Em situações mais graves o paciente pode apresentar náuseas e vômito.

A principal causa da doença diverticular ou diverticulose é a falta de fibras na alimentação por anos a fio. Como não são digeridas, as fibras aumentam o volume do bolo alimentar, que, uma vez maior, funciona como um estímulo para as contrações do cólon e ainda reduz a necessidade de haver uma grande pressão para a eliminação das fezes. Sem esse nutriente, o esforço local precisa ser maior e, portanto, predispõe o intestino grosso a formar os divertículos nos pontos de maior fragilidade da sua parede.

Como já mencionado, o fator idade igualmente favorece o surgimento das hérnias, por causa da perda da elasticidade da musculatura do cólon, assim como fatores genéticos, ainda em estudo.

Por fim, a doença pode ainda ser decorrente do uso de medicamentos que agridem a mucosa intestinal.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da diverticulite é feito inicialmente pela exclusão de outras doenças que cursam com sintomas semelhantes. Algumas delas infecciosas como a apendicite, a colite e a infecção do trato urinário e outras de caráter inflamatório como o colon irritável e a doença de Crohn. Por fim, deve-se ainda afastar a possibilidade de doenças ginecológicas, como a endometriose, e alguns tipos de câncer no intestino.

O diagnóstico é delineado com base na história do indivíduo, no conjunto de sintomas, no exame clínico e no resultado de alguns exames de imagem, a exemplo da ultra-sonografia e da tomografia computadorizada da região pélvica e abdominal.

Se o médico souber previamente da existência de divertículos, o conjunto de sinais clínicos pode ser bastante sugestivo para a conclusão diagnóstica.

A confirmação dos divertículos geralmente é feita posteriormente, após o tratamento, pela colonoscopia, um exame que permite a visualização do intestino grosso por meio de uma sonda com fibra óptica, introduzida por via retal.

Na fase aguda da inflamação, porém, esse método não deve ser realizado pelo risco de provocar uma eventual perfuração e suas graves complicações, como a peritonite. A realização da colonoscopia  visa a afastar a hipótese decâncer de cólon, de doença de Crohn e outras doenças que afetam o intestino grosso.

Tratamento e prevenções

Em caso de suspeita de peritonite há necessidade de hospitalização imediata para a administração endovenosa de soro e antibióticos potentes mantendo o paciente em jejum. Na ausência de sinais clínicos de maior gravidade, o tratamento pode ser efetivo com antibióticos por via oral combinados com dieta leve e líquida.

A abordagem clínica costuma dar certo em 80% dos portadores da inflamação. Quando a evolução não é favorável, apesar dos cuidados instituídos, a atenção volta-se à possibilidade de complicações que requeiram conduta cirúrgica, como a drenagem dos abscessos – do acúmulo de pus – ou mesmo para a retirada da porção comprometida do cólon nas situações de maior gravidade, como a perfuração intestinal.

É possível prevenir o surgimento dos divertículos com o consumo de alimentos ricos em fibras. Como pode ser difícil obter a quantidade ideal diária desse nutriente (cerca de 10 a 20 g) apenas com a dieta cotidiana, convém acrescentar fibras alimentares às refeições, como o farelo de trigo e o farelo de aveia, que podem ser misturados a sucos, iogurtes, sopas, purês e outras preparações.

Atualmente, há também diversos produtos industrializados acrescidos de fibras, como biscoitos, pães, leites, cereais matinais, margarinas e iogurtes. A prática regular de exercícios físicos igualmente contribui para a saúde do cólon, por auxiliar o funcionamento intestinal, assim como o controle do peso.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Doença celíaca

A doença celíaca é uma condição clínica genética que se caracteriza por intolerância permanente ao glúten, uma proteína presente no trigo, no centeio, na cevada, na aveia e no malte.

Nessa moléstia, o sistema imunológico agride a mucosa do intestino delgado reduzindo sua superfície, que faz contato com os alimentos. Com isso, o órgão perde a capacidade de absorver os nutrientes dos alimentos. Por conseqüência, o portador dessa intolerância se enfraquece e desenvolve diversas doenças e condições decorrentes da má absorção, desde desnutrição e déficit de peso e crescimento até anemia e osteoporose.

Além disso, os celíacos possuem um risco maior de surgimento de câncer no intestino delgado, por conta da constante agressão à sua mucosa, quando o tratamento não é seguido corretamente.

Apesar de tais conseqüências, a condição é de fácil tratamento, o qual, precisa ser feito ao longo de toda a vida, ainda que o indivíduo passe a não ter os sintomas iniciais.

Muito comum na população mundial, a doença celíaca afeta uma em cada 250-300 pessoas, embora seja rara em africanos, chineses e japoneses.

Causas e sintomas

Na maioria dos casos, a intolerância ao glúten se apresenta na infância, nos cinco primeiros anos de vida, com diarréia crônica e deficiência de crescimento sem razão aparente, acompanhadas ou não de vômitos, anemia, perda de peso, barriga distendida, fraqueza e irritabilidade.

Contudo, pode surgir, em pacientes adultos, com sintomas não diretamente relacionados com o intestino, a exemplo de fadiga crônica, depressão, infertilidade, anemia persistente, osteoporose antes da menopausa, inflamações na pele – como bolhas, vermelhidão e estrias avermelhadas – e, mais raramente, com desordens neurológicas. Há também a possibilidade de a doença celíaca manifestar sintomas leves, o que torna o diagnóstico mais difícil.

As causas da doença celíaca são genética, imunológica e ambiental, com a ingestão do glúten.

A pessoa herda dos pais a predisposição à intolerância ao glúten, e seu sistema de defesa lesa o intestino delgado e desencadeia a má absorção. Essa reação é um descontrole do sistema imunológico, uma vez que permite um ataque a uma parte do próprio organismo.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico combina a avaliação clínica do médico com alguns recursos laboratoriais. 

Em geral, realizam-se exames que pesquisam, no sangue do indivíduo com a suspeita, a presença de anticorpos e de marcadores genéticos que estão relacionados com a doença. Esses testes ajudam bastante, mas o diagnóstico definitivo é confirmado pela identificação de determinadas alterações na mucosa do intestino delgado.

Para tanto, há necessidade da realização de uma biópsia. Nesse exame, um minúsculo fragmento da região é colhido durante uma endoscopia digestiva, um método que permite a visualização do interior do sistema digestório por meio de uma espécie de sonda com fibra óptica.

Tratamento e prevenções

O tratamento se baseia apenas na eliminação do glúten da dieta, ao longo de toda a vida do indivíduo, o que significa que ele não pode ingerir derivados do trigo, da aveia, da cevada, do malte e do centeio. Sem essa exposição, ocorre a interrupção da lesão intestinal e a mucosa do intestino delgado retoma sua característica original e volta a absorver os nutrientes dos alimentos, cessando os sintomas.

A dieta deve ser seguida mesmo na ausência de manifestações clínicas, pois as alterações no tecido intestinal causadas pela doença, aumentam o risco de desenvolvimento de tumores malignos , além de causarem abortos de repetição em mulheres e redução da fertilidade em ambos os sexos.

Não há como evitar a doença celíaca, uma vez que, nem a herança familiar, nem a reação imunológica são passíveis de controle.

Para quem é portador da doença, a melhor maneira de prevenir complicações é seguir estritamente a dieta, todo alimento deve ter sua composição conhecida para ter certeza que não foi feito com trigo, aveia, cevada ou centeio.

Lembre-se, todos os tipos de verduras, legumes, carnes, frutas e farinhas de mandioca, de arroz e batata, são permitidos. Atenção especial deve ser dada aos alimentos industrializados, nos quais o glúten pode estar “escondido”. Assim, neles, o rótulo dos ingredientes deve ser lido sempre.

Desde 2004,  existe uma lei brasileira que exige a inserção, nas embalagens de produtos alimentícios, de informação clara e visível sobre a presença ou não do glúten entre os ingredientes. Portanto, no rótulo estará escrito em negrito : contém ou não contém glúten.

Para evitar as fugas da dieta, vale a pena lembrar que, atualmente, há um sem-número de sites voltados a celíacos, com informações e dicas interessantes para tornar a alimentação do portador da doença mais nutritiva, criativa e prazerosa.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Doença de Alzheimer

A doença de Alzheimer, que recebeu esse nome por ter sido descrita pelo neurologista alemão Alois Alzheimer, em 1906, é uma doença degenerativa, considerada como a principal causa de demência no mundo todo. Ela deteriora as funções cerebrais, levando progressivamente à perda da memória, da linguagem, da razão e da habilidade de o indivíduo cuidar de si próprio.

Nessa enfermidade, ocorre a deposição, em algumas áreas do cérebro, de placas de proteína, chamadas de amilóides ou senis, que prejudicam a função cerebral e levam à destruição das regiões afetadas. Também são observadas alterações estruturais nas células do sistema nervoso, os neurônios, levando à diminuição na produção de neurotransmissores, que são substâncias químicas produzidas pelos neurônios, muito importantes para o desenvolvimento de algumas funções cerebrais. Como exemplo, temos a acetilcolina que é um neurotransmissor que participa dos processos de aprendizado e memória.

Fortemente relacionada com o envelhecimento da população, a doença de Alzheimer soma 100 mil casos novos a cada ano apenas no Brasil, sobretudo em pessoas com mais de 65 anos.

Apesar de o quadro evoluir inexoravelmente para a demência, algumas abordagens podem minimizar os sintomas ou permitir uma sobrevida com mais qualidade para os portadores.

Causas e sintomas

Os portadores da doença apresentam dificuldades para pensar, para seguir os padrões de comportamento e para administrar a rotina diária, o que se inicia de forma leve e vai se intensificando. No estágio inicial, a pessoa se mostra confusa e esquecida, sobretudo em relação à memória recente, de palavras e nomes; esquece de efetuar pagamentos e de tomar medicamentos. Mesmo com a informação sendo repetida inúmeras vezes, o paciente esquece da atividade a ser realizada, ou não lembra o que acabou de fazer.

É comum os familiares se queixarem que o paciente repete sempre as mesmas perguntas e as mesmas histórias. A linguagem declina aos poucos, inicialmente com dificuldade para encontrar palavras ou nomes; depois vai perdendo a capacidade de compreensão e expressão. A percepção temporal dos eventos e a capacidade de orientação geográfica diminuem. No início, muitos pacientes conseguem contornar os seus déficits, sobretudo aqueles com maior grau de instrução.

Em geral, eles só procuram assistência médica quando o seu comportamento assusta os familiares e não quando começam as alterações de memória. Com a evolução dos sintomas cognitivos e comportamentais, os indivíduos perdem a capacidade de vida independente. Podem apresentar distúrbios de comportamento, como agitação, agressividade, irritabilidade, frustração e ansiedade, bem como alucinações visuais e auditivas. Em quadros mais avançados, os pacientes perdem noções de asseio pessoal e doméstico, como vestir-se e pentear-se, e podem evoluir com incontinência urinária e fecal.

A razão pela qual existe a deposição das placas senis e as alterações dos neurônios não é totalmente conhecida, mas deve ter uma base ou predisposição genética. Os sintomas estão relacionados à destruição dos neurônios nas áreas cerebrais correspondentes e à diminuição dos neurotransmissores. Esta é a razão pela qual a memória é a função mais precoce e intensamente comprometida: o hipocampo, a região do cérebro relacionada à memória é a primeira área a ser afetada.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico depende de um levantamento bem detalhado do histórico pessoal e familiar do indivíduo, da realização de testes psicológicos e, especialmente, da exclusão de outros tipos de doenças e condições mentais que cursam com ou se assemelham a quadros de demência, a exemplo de traumatismo craniano, acidente vascular cerebral, depressão, infecções - como a sífilis, tumores cerebrais, distúrbios da tiróide e intoxicações por medicamentos, drogas e álcool.

A identificação das alterações cerebrais características só é possível em autópsias. De qualquer forma, a associação do quadro clínico com a detecção da proteína Tau no líquido cefalorraquidiano e avaliação cerebral através de ressonância magnética de encéfalo, permitem, com bastante fidedignidade, fazer o diagnóstico da doença.

Tratamento e prevenções

Não existe cura para a doença de Alzheimer, uma vez que as perdas de neurônios não podem ser revertidas. Assim, enquanto não se descobrem mecanismos para bloquear o avanço da degeneração, o tratamento objetiva atenuar os sintomas e proteger o indivíduo dos problemas ocasionados pela deterioração de suas funções cerebrais.

Em geral, usam-se medicamentos antipsicóticos, hipnóticos e antidepressivos, para tratar os distúrbios mais complexos do comportamento e inibidores de uma substância que degrada a acetilcolina para preservar a pequena quantidade desse neurotransmissor e, assim, melhorar os distúrbios cognitivos.

Além das medicações, que podem incluir também outros fármacos, algumas providências podem evitar o agravamento do quadro. Recomenda-se que o portador da doença ande com uma pulseira ou qualquer outro adereço com dados de identificação, para facilitar sua localização em caso de desaparecimento, que mantenha hábitos saudáveis, incluindo dieta balanceada e prática de exercícios, e que receba estímulos freqüentes, com atividades cotidianas e com a manutenção de sua participação na rotina da casa – que, para tanto, deve ser simplificada – e de seu convívio social e familiar. O estímulo às atividades cotidianas é fundamental.

Como a doença não tem cura, inúmeros estudos se voltam a buscar mecanismos para prevenir o processo degenerativo que a caracteriza. Nas mulheres, a reposição hormonal após a menopausa parece atuar como protetora das células cerebrais, embora ainda não haja evidências científicas suficientes para comprovar tal resultado. Estuda-se também o efeito de alguns antiinflamatórios e existem até mesmo vacinas em desenvolvimento.

No futuro, muito provavelmente haverá métodos mais concretos de prevenção, até porque a expectativa é de que os mecanismos causadores da doença já estejam mais claros. Por enquanto, é importante que a demência não seja encarada como uma conseqüência natural do envelhecimento. Ao menor sinal de déficit de memória ou confusão, um neurologista deve ser procurado para esclarecer o sintoma.

Acima de tudo, as pessoas devem procurar se manter ativas com o passar dos anos, tendo sempre a mente ocupada. Já está provado que a atividade cerebral prolongada previne a demência, inclusive a decorrente da doença de Alzheimer.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Doença de Chagas

A doença de Chagas é uma moléstia infecciosa causada pelo protozoárioTrypanosoma cruzi, transmitido ao homem por um inseto de nome triatoma. Este inseto é muito conhecido das populações rurais de várias regiões do Brasil.

De tamanho relativamente grande, geralmente preto ou acinzentado, tem hábitos noturnos e se alimenta somente de sangue, por isto é chamado “hematófago”. Vive nas frestas das casas de pau-a-pique, em ninhos de pássaros, em tocas de animais, em cascas de troncos de árvores e costumam picar as pessoas quase sempre no rosto, durante o sono, razão pela qual é conhecido como barbeiro.

Outros nomes populares do triatoma são: chupão, chupança, bicudo, fincão ou procotó. A doença de Chagas recebeu este nome em homenagem ao brilhante médico e cientista brasileiro Carlos Chagas, que desvendou todo o complexo ciclo da doença. O maior problema do mal de Chagas está no risco de a infecção se tornar crônica, o que ocorre em um terço dos infectados, afetando silenciosamente o coração, o intestino grosso e o esôfago, que ficam com dimensões aumentadas e, por conta disso, têm suas funções seriamente comprometidas.

Estima-se que existam de 10 a 12 milhões de pessoas com o mal de Chagas nas Américas do Sul e Central, dos quais metade estão no Brasil, onde o maior número de casos se concentra em Minas Ginais e na Bahia.

Causas e sintomas

A infecção aguda cursa com febre, mal-estar, gânglios aumentados e dolorosos, vermelhidão, inchaço nos olhos e aumento do fígado e do baço. Nas pessoas com o sistema imunológico debilitado por doenças ou por tratamentos, o parasita pode conseguir chegar ao sistema nervoso, dando origem a inflamações como a meningite e encefalite.

A infecção aguda pelo T. cruzi pode ser bastante grave em crianças. Já nos adultos, não é raro passar despercebida ou mesmo ser confundida com uma mera gripe ou “virose”. Assim, a pessoa só fica sabendo que teve a moléstia ao fazer exame de sangue específico ou ao doar sangue, pois os bancos de sangue fazem triagem para doença de Chagas.

Infelizmente, outra forma de descobrir a doença é já no aparecimento das manifestações da infecção crônica, que ocorrem muitos anos depois da infecção aguda. Entre esses sinais, os mais freqüentes são a regurgitação de alimentos e a dificuldade de engolir, em decorrência do aumento do esôfago, a prisão de ventre, por conta da dilatação do intestino grosso, e os sintomas do comprometimento da função cardíaca provocados pela dilatação do coração, como fraqueza, falta de ar, inchaço nas pernas e batimentos descompassados (arritmias).

A causa da doença é o Trypanosoma cruzi, que o barbeiro adquire ao sugar o sangue de pessoas ou roedores contaminados. O T. cruzi passa por uma transformação no tubo digestivo do inseto, ficando pronto para infectar outra pessoa. Quando o barbeiro pica outra vítima, defeca no local, liberando o parasita junto com suas fezes. Quando o indivíduo coça o local atacado, o Trypanosoma cruzi penetra pela picada e ganha a corrente sangüínea do ser humano. Quando aparecem, os sintomas se manifestam cerca de 5 a 14 dias após a picada.

No entanto, a infecção também pode ser transmitida em transfusões de sangue e durante a gestação, da mãe para o bebê. No Brasil, há registros de aquisição da doença pela ingestão de caldo-de-cana e açaí contaminados com o parasita.

Exames e diagnósticos

Na fase aguda, o médico pode suspeitar do mal de Chagas diante dos sintomas e da história do indivíduo, particularmente do fato de ele viver em áreas endêmicas ou ter visitado recentemente essas regiões.

De toda forma, o diagnóstico não prescinde de exames de sangue clássicos para confirmar a infecção, como o isolamento do parasita em cultura e a investigação de anticorpos característicos de doença recente, ou mesmo de testes moleculares, que pesquisam o DNA do agente infeccioso em amostras de materiais biológicos.

Na fase crônica, além do teste para pesquisar anticorpos que caracterizam uma infecção remota, há necessidade de outros métodos diagnósticos para verificar o funcionamento e as dimensões dos órgãos-alvo da doença, a exemplo da radiografia do abdome e de exames cardiológicos como o ecocardiograma, um tipo de ultra-sonografia do coração, e o eletrocardiograma, que verifica a atividade elétrica cardíaca.

Tratamento e prevenções

Na fase aguda da doença, o tratamento é feito com medicamentos específicos, que conseguem eliminar o parasita do sangue e dos tecidos se administrados por cerca de 30 a 60 dias. Contudo, a terapêutica requer acompanhamento médico semanal ou quinzenal para a adequação da dose e o manejo dos efeitos colaterais, que são importantes.

No Brasil, estão licenciadas duas drogas: o nifurtimox e o benzonidazol. Na fase crônica, como quase não há parasitas na circulação, a abordagem terapêutica costuma se voltar às manifestações da doença, com o objetivo de atenuar os sintomas e evitar mais complicações. Particularmente o coração precisa de maiores cuidados, pois o aumento de suas dimensões leva à insuficiência cardíaca. Alguns indivíduos podem precisar até mesmo de transplante desse órgão.

A prevenção da doença de Chagas depende da eliminação do inseto transmissor. Para quem mora em áreas endêmicas ou visita freqüentemente essas regiões, é fundamental melhorar as habitações, usando reboco e tampando rachaduras e frestas, colocar telas em portas e janelas, evitar a permanência de animais dentro de casa, não acumular lenha, telha ou outros entulhos no interior da residência ou em seus arredores, retirar ninhos de pássaros dos beirais e manter criações de animais bem afastadas das moradias.

Essas pessoas também devem ficar atentas a qualquer febre ou sintoma semelhante a uma gripe, procurando sempre um serviço médico nessas situações para descartar a infecção pelo Trypanosoma cruzi.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Doença de Creutzfeldt-Jakob

A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) recebeu esse nome por causa de dois neurologistas que a descreveram no início do século passado – Hans Creutzfeldt e Alfons Maria Jakob. Ela é uma condição que afeta o cérebro, ocasionando extensas lesões que ocasionam a rápida instalação de demência e distúrbios do movimento.

Durante muitos anos, acreditou-se que ela seria causada por um vírus que, agindo de forma lenta, levaria a uma progressiva destruição dos tecidos cerebrais, que ficava com aspecto esponjoso, o fez com que ela fosse chamada de encefalopatia espongiforme. Mais recentemente foi demonstrado que a DCJ é determinada não por um agente infeccioso tradicional, como um vírus ou bactéria, mas pela mudança na conformação de uma proteína que habitualmente está presente no organismo e que foi denominada partícula protéica infecciosa. Essa alteração na conformação da proteína priônica pode ocorrer de forma espontânea, ser determinada por uma mutação no gene que a codifica ou ser causada pela ingestão ou inoculação acidental de partícula de príon que tenha conformação anômala.

Esse mecanismo de transmissão desafiou por muitos anos centenas de pesquisadores, pois o conceito de que uma proteína poderia ter um caráter infeccioso levou muito tempo para ser concebido e aceito. A presença de príon anômalo leva, por sua vez, à “conversão” das partículas priônicas que têm conformação normal e à formação de agregados insolúveis, que terminam por destruir as células do sistema nervoso.

Há muitos anos, já era conhecida uma doença neurodegenerativa com características muito similares, denominada scrapie, que afetava carneiros. Essa doença era endêmica entre os ovinos e permaneceu assim por muitos anos. No entanto, na fabricação de ração para consumo animal, muitas vezes eram utilizados resíduos de abatedouros de carneiros, que algumas vezes eram portadores de scrapie. Nos décadas de 80 e 90, a ingestão desta ração por outras espécies animais, principalmente bovinos, levou à transmissão das partículas infecciosas e à eclosão da epidemia, que ficou conhecida como “doença da vaca louca”.

A partir do consumo de produtos de origem bovina contaminados pelo príon com conformação anômala, a doença foi transmitida para o ser humano, o que ficou conhecido como epidemia de variante da DCJ (vDCJ) e que afetou especialmente habitantes do Reino Unido. Uma condição similar, que ficou conhecida como kuru, já havia sido registrada entre habitantes da Nova Guiné, mas nesse caso a transmissão era causada pelo canibalismo ritualístico, praticado por certas tribos.

Qualquer que seja a causa e o modo de aquisição, essa infecção sempre tem curso muito rapidamente progressivo e fatal. Felizmente, sua incidência é baixíssima em todo o mundo, com cerca de 0,5 a 1,5 casos por milhão de habitantes a cada ano. No Brasil, no período de 1980 a 1999, foram registrados 105 óbitos por DCJ, mas até o momento não houve qualquer notificação da vDCJ.

Causas e sintomas

As manifestações clínicas dependem do mecanismo de transmissão e de características individuais, mas a doença de Creutzfeldt-Jakob costuma se caracterizar por demência rapidamente progressiva, com perda de memória, confusão mental, visão alterada, falta de coordenação motora, tremores, distúrbio na marcha, rigidez na postura e contrações musculares involuntárias – as mioclonias. Nos estágios finais, os portadores não conseguem se mexer.

A forma clássica da DCJ pode ser geneticamente determinada, o que ocorre em cerca de 10% dos casos; o indivíduo recebe um gene defeituoso que vai codificar uma proteína que é mais sujeita a assumir uma conformação anormal e acaba levando à DCJ.

Em cerca de 5% dos casos a contaminação se dá de forma iatrogênica, resultante de procedimentos médicos realizados com materiais biológicos contaminados, como em transplantes de córnea, enxertos de dura-máter ou transfusão de sangue. Já foram também registradas contaminações por instrumentos neurocirúrgicos infectados.

Contudo, na maior parte dos indivíduos (85%), a forma clássica da DCJ surge espontaneamente, sem nenhum fator de risco ainda conhecido, nem história familiar, nem transmissão do agente por algum veículo. Por sua vez, a vDCJ é proveniente do consumo de carne ou de vísceras de gado bovino portador da doença da vaca louca.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico depende de avaliação clínica e da realização de exames neurológicos diversos, como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética de encéfalo, o eletrencefalograma, que registra a atividade elétrica cerebral e a análise do líquido cefalorraquidiano (líquor). Neste último, pode-se pesquisar uma proteína, denominada 14-3-3, cuja presença é bastante indicativa da DCJ.

O diagnóstico de certeza, no entanto, só é dado pela análise do tecido cerebral. É importante lembrar que, no início, o médico não pode deixar de descartar uma série de outras doenças infecciosas ou degenerativas do sistema nervoso central, a exemplo da doença de Alzheimer e de infecções crônicas como a sífilis, razão pela qual vários exames adicionais podem ser necessários.

Tratamento e prevenções

Por enquanto, nenhuma forma da doença tem cura nem tratamento que possa prolongar a vida do doente. Em vista da rápida evolução do quadro, os portadores da DCJ e da vDCJ necessitam muitas vezes ser hospitalizados para receber medicamentos e medidas de suporte para o controle dos sintomas e a manutenção de seus sinais vitais. Contudo, o avanço do conhecimento científico a respeito de demências mais prevalentes, como a doença de Alzheimer, e sobre os próprios príons poderá, no futuro, oferecer mais alternativas para que a Medicina consiga fazer mais pelas pessoas afetadas por esse mal.

Como a quase totalidade dos casos da forma clássica é formada pelo surgimento espontâneo e de herança familiar, não há medidas conhecidas de prevenção contra a DCJ. Os raros casos de transmissão iatrogênica, no entanto, podem ser evitados com o uso de materiais descartáveis e com o emprego de processos eficientes de esterilização e desinfecção de artigos hospitalares.

As medidas de prevenção mais eficientes estão voltadas contra a introdução da vDCJ no País, o que, ao que parece, vem dando certo até agora. Desde 1998, o governo brasileiro proibiu a importação de derivados de sangue humano doado por pessoas residentes no Reino Unido, assim como a importação e a comercialização de carne bovina e de produtos de uso em saúde ou em alimentação animal cuja matéria-prima seja originária de países que tiveram casos de encefalopatia espongiforme bovina. Além disso, o Ministério da Agricultura tornou obrigatória a análise de ruminantes mortos com suspeita de doenças neurológicas para cercar eventuais focos da doença bovina e, assim, prevenir a contaminação humana.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Doença de Crohn

A doença de Crohn é uma inflamação crônica que compromete todo o tubo digestivo, da boca até o reto e o ânus, embora a porção terminal do intestino delgado – o íleo – seja a parte mais afetada, assim como o segmento inicial do intestino grosso – o ceco.

A moléstia, que leva o nome do médico que a descreveu em 1932, Burril B. Crohn, deriva de um descontrole do sistema imunológico. Num portador da doença de Crohn o sistema imunológico está continuamente em atividade agredindo as paredes intestinais, afetando todas as suas camadas e causando lesões importantes.

Essa situação provoca aumento da velocidade da eliminação das fezes, esfoliação das mucosa intestinal, dificuldade para absorver os nutrientes e desnutrição.

Sem tratamento, com o passar do tempo outras graves complicações começam a surgir, desde a formação de coleções de pus dentro do abdome – os abscessos –, passando por obstruções intestinais e sangramentos digestivos.

A Doença de Chron é um fator predisponente ao desenvolvimento do câncer colorretal. Não se conhece ainda a prevalência da doença no Brasil. Sabe-se, porém, que a freqüência é baixa na América do Sul e elevada na América do Norte, sobretudo nos Estados Unidos, onde se estima que haja 600 mil portadores dessa moléstia.

A inflamação costuma se manifestar dos 20 aos 40 anos, em proporção semelhante entre homens e mulheres.

Causas e sintomas

Os principais sintomas incluem diarréia crônica, às vezes com muco ou sangue, dor abdominal, febre e emagrecimento. Os indivíduos podem apresentar também outras manifestações à distância, como dores articulares, aftas, lesões de pele e uma inflamação nos olhos chamada uveíte.

Um sinal freqüente da doença, que aparece em pelo menos 30% de seus portadores, são as fístulas, ou seja, trajetos de comunicação anormais que ligam duas regiões diferentes do intestino ou entre o intestino e órgãos como a bexiga, a superfície da pele, em volta do ânus e a vagina permitindo o transito anormal das fezes. Essa situação predispõe  o indivíduo a repetidas infecções na região. Vale lembrar que a doença alterna períodos tranqüilos, sem problemas, com crises de início e duração, às vezes, imprevisíveis.

O desenvolvimento da reação descontrolada do sistema imunológico, no caso dessa inflamação gastrointestinal, parece estar associado a fatores genéticos e ambientais.

No contexto da genética, pessoas com parentes portadores da inflamação têm 10% de chance de evoluir com a moléstia. Do ponto de vista do ambiente, pode haver vários gatilhos para o desenvolvimento da doença, como uma infecção prévia, que estimule o sistema imune a produzir uma reação exagerada; o tabagismo, que aumenta a predisposição para essa inflamação em duas a quatro vezes; o consumo exagerado de conservantes, corantes para alimentos e agrotóxicos, que leva o sistema imunológico a reagir em demasia; e as condições ambientais propriamente ditas – a prevalência de Crohn é maior nos países nórdicos, no norte da Itália, no Canadá e nos Estados Unidos e Israel.

Exames e diagnósticos

A suspeita da inflamação pode ser levantada pelo conjunto de sintomas e pelo exame clínico, pois é bastante provável que o médico perceba uma maior sensibilidade e até mesmo uma massa, ou nodulação, ao examinar o abdome do indivíduo. De qualquer forma, a comprovação depende da realização de uma série de exames para localizar exatamente os segmentos inflamados, já que a doença atinge todo o tubo digestivo.

Para avaliar o estômago e o esôfago, normalmente os médicos se valem da endoscopia digestiva alta, que visualiza esses órgãos por meio de uma espécie de sonda óptica, colocada pela cavidade bucal. Já a colonoscopia serve para a análise de parte final do intestino delgado e do intestino grosso, com a mesma técnica, só que introduzida pelo ânus.

O trânsito intestinal igualmente precisa ser estudado, o que pode ser feito tanto por meio de uma radiografia com uso de contraste quanto por intermédio da cápsula endoscópica, ideal para a visualização do intestino delgado. Essa cápsula consiste em uma microcâmera, no formato de uma pílula, que, depois de ser engolida como qualquer remédio, fotografa todo o trajeto por onde passa e é naturalmente eliminada pelas fezes.

Por fim, a tomografia do abdome revela informações que somam aspectos anatômicos do tubo digestivo. Completam a investigação alguns testes laboratoriais de sangue para verificar o estado de nutrição do indivíduo e pesquisar a presença de proteínas ligadas a processos inflamatórios.

Tratamento e prevenções

A doença de Crohn é crônica e, portanto, não tem cura, mas pode ser adequadamente controlada ao longo de toda a vida do indivíduo com relativo sucesso. Os sintomas, sobretudo a diarréia, costumam ser controlados com medicamentos específicos, sempre sob orientação médica

O principal objetivo do tratamento é impedir a auto-agressão do sistema imunológico contra o tubo digestivo e tratar o processo inflamatório. Para tanto, usam-se alguns antibióticos e, sobretudo, imunossupressores, ou seja, drogas que reduzem a resposta do sistema imunológico.

Mais recentemente, tem sido também usada a terapia imunobiológica, assim denominada por se tratar da infusão endovenosa de anticorpos que se voltam contra o fator de necrose tumoral (TNF), uma substância que é produzida pelos glóbulos brancos, aumentando a reação inflamatória. Uma vez no organismo, os anticorpos se ligam naturalmente ao TNF, interrompendo sua ação.

Quando nenhum de tais recursos se mostra eficaz, a pessoa pode precisar de cirurgia para retirar a parte inflamada do intestino. Esse expediente pode ser necessário em caso de complicações, como por exemplo, episódios de sangramentos de difícil controle.

Como as causas dessa doença são ainda pouco claras, não há muito que fazer para preveni-la. Evitar o tabagismo, no entanto, constitui uma medida com forte impacto pois, além de diminuir a chance de o indivíduo com mais predisposição para essa moléstia vir a desenvolvê-la, reduz diretamente o risco de outros grandes males, notadamente as doenças cardiovasculares, o câncer de pulmão e diversos outros tipos de câncer.

Recomendação semelhante vale para o consumo de alimentos com muitos corantes, conservantes e agrotóxicos. Hoje é muito difícil viver  sem se expor totalmente a tais substâncias, mas trocar o artificial pelo natural, sempre que isso for possível, vai fazer bem, mesmo para quem não é vulnerável a processos inflamatórios crônicos.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Doença de Gaucher

Descrita pela primeira vez pelo médico francês Philippe Charles Ernest Gaucher, em 1882, a doença de Gaucher é uma moléstia genética decorrente da deficiência da enzima betaglicocerebrosidase, ou betaglicosidase, cuja função é digerir o glicocerebrosídeo, um tipo de gordura resultante dos resíduos das células que todos os dias morrem e são substituídas por outras novas.

O mau funcionamento da enzima, considerado um erro inato do metabolismo, leva esse lipídio a se acumular nas células de limpeza do organismo, os macrófagos, que, com isso, incham e passam a se depositar na medula óssea, a parte interna do osso, assim como no baço e no fígado, aumentando visivelmente as dimensões desses órgãos – tanto que uma das características da doença é o formato grande e arredondado do abdome. Esse depósito anormal dos macrófagos, ou células de Gaucher, determina diversas consequências ao organismo, especialmente problemas ósseos, que se tornam mais fracos e mais sujeitos a fraturas, e transtornos hematológicos, entre os quais a anemia e a queda acentuada no nível das plaquetas, que atuam no sistema de coagulação e, em menor número, favorecem as hemorragias.

A doença pode se apresentar de três formas em crianças e adultos. A mais comum é a do tipo 1, que não provoca comprometimento neurológico e está presente em um a cada 40.000-50.000 nascimentos. Os tipos 2 e 3 afetam o sistema nervoso, o primeiro mais raramente e de modo mais severo e o segundo de maneira mais branda, mas nem por isso menos importante.

Causas e sintomas

As manifestações dependem do grau de deficiência da betaglicosidase e do acúmulo dos glicolipídios, que são variáveis. O quadro também varia de acordo com o tipo da doença.

No tipo 1, crianças ou adultos apresentam palidez, cansaço e fraqueza, em decorrência da anemia, sangramentos frequentes no nariz ou gengivas e surgimento de manchas roxas pelo corpo, provenientes do reduzido número de plaquetas, e dores nas pernas e nos ossos, algumas vezes com fraturas espontâneas, além de distensão, desconforto e dor abdominal, por causa do aumento do baço e do fígado. Com a progressão do quadro, as doenças hematológicas e ósseas vão se agravando.

A doença do tipo 2 acomete bebês e se manifesta com convulsões, rigidez dos braços e pernas e progressivo retardo mental, cursando de modo agressivo e causando rapidamente anormalidades cerebrais graves e deterioração mental.

Finalmente, o tipo 3, que afeta crianças e adolescentes, compromete o cérebro de forma menos intensa que o tipo 2, mas, por outro lado, atinge também baço, fígado e ossos.

A origem da doença está em diferentes alterações – tecnicamente chamadas de mutações – no gene que contém as instruções para a produção da betaglicosidase, que se encontra no cromossomo 1. Mais de 150 mutações no DNA já foram descritas em portadores de Gaucher, mas existem sete mais frequentes, que, pelo menos, permitem diferenciar a forma que não afeta o sistema nervoso, o tipo 1, das que causam as complicações neurológicas, os tipos 2 e 3.

Felizmente, não basta existir apenas uma dessas alterações genéticas para que a enzima não seja adequadamente produzida. Qualquer que seja a mutação, a transmissão só se dá quando a pessoa herda dois genes alterados, ou seja, tanto da mãe quanto do pai, o que pode ocorrer não apenas quando ambos os cônjuges possuem a doença, mas também quando ambos portam somente a mutação, ou seja, apenas um gene modificado.

A chance de um indivíduo com Gaucher ter filhos saudáveis é de 100% se seu parceiro não for portador da mutação. Mesmo assim, convém lembrar que os herdeiros desse casal carregarão a alteração genética.

Exames e diagnósticos

A suspeita de Gaucher costuma ser levantada pelo conjunto de sintomas e pelo exame clínico, revelador da hepatoesplenomegalia, isto é, do aumento visível do fígado e do baço, e confirmada por um simples exame de sangue, que pesquisa a atividade enzimática da betaglicosidase. Uma baixa atividade dessa enzima indica a presença do erro inato do metabolismo. A investigação deve prosseguir com um teste molecular, também feito em sangue, em busca das mutações mais frequentes no DNA dos portadores, de forma a procurar esclarecer o subtipo da doença.

Tratamento e prevenções

Atualmente, é possível fazer a reposição endovenosa da enzima, em média a cada 14 dias, com a imiglucerase, uma cópia da betaglicosidase desenvolvida pela técnica de DNA recombinante, cujo princípio se baseia em transferir as informações genéticas de enzimas, plantas e tecidos para um hospedeiro conhecido, o qual, então, é cultivado sob as melhores condições.

Esse tratamento tem se mostrado bastante eficiente nos casos que não possuem comprometimento neurológico, ou seja, particularmente no tipo 1 da doença. O tipo 3 responde a essa terapia se ela for instituída antes das manifestações nervosas, mas não o tipo 2, que cursa de forma mais agressiva e não tem tratamento. Na ausência da reposição enzimática, restam apenas recursos de suporte e medidas paliativas, a exemplo das transfusões de sangue para reduzir a anemia e a queda do índice de plaquetas, assim como da remoção cirúrgica do baço. Não há como evitar o erro inato que causa a doença de Gaucher.

De qualquer modo, o aconselhamento genético antes da gravidez constitui a medida mais acertada para quem deseja fazer um planejamento familiar mais consciente, especialmente entre aqueles que têm parentes portadores de moléstias hereditárias. Esse aconselhamento, na verdade, consiste em uma consulta com um geneticista, que consegue avaliar todos os fatores que podem aumentar a probabilidade de um casal ter descendentes portadores de Gaucher e de outras doenças genéticas.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Doença de Parkison

A doença de Parkinson, ou parkinsonismo primário, é uma moléstia crônico-degenerativa do sistema nervoso central que acomete a região cerebral que auxilia a execução dos movimentos.

Nessa condição, descrita pela primeira vez pelo médico inglês James Parkinson, em 1817, ocorre uma perda de neurônios numa área chamada de substância negra, que concentra as células produtoras de dopamina, um neurotransmissor essencial para o controle da motricidade. Com a diminuição da quantidade de dopamina, o portador da doença passa a apresentar tremores e lentificação dos movimentos.

A evolução do quadro compromete a autonomia do indivíduo, dificultando inicialmente a execução das atividades cotidianas e, com o passar do tempo, limitando significativamente sua capacidade de se movimentar, sem afetar, na maioria das vezes, sua capacidade intelectual. Hoje em dia, contudo, há um arsenal razoável de medicamentos para controlar os sintomas motores e melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.

A doença de Parkinson é uma das afecções neurológicas mais freqüentes em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde, 1% da população de todo o globo com mais de 65 anos é portadora da condição, estimando-se que, na população geral, ela ocorra em uma em cada 500 pessoas.

Causas e sintomas

Os primeiros sinais da carência de dopamina começam de forma bastante discreta e, não raramente, costumam ser notados apenas por pessoas próximas do portador da doença.

Nessa fase inicial, o indivíduo apresenta fadiga no fim do dia, caligrafia menos legível, fala menos articulada e monótona, lapsos de memória, irritabilidade, dificuldade de concentração, movimento menor em um dos lados do corpo – nos braços ou nas pernas –, perda de espontaneidade na expressão facial e desaceleração dos movimentos.

Com a progressão da queda de dopamina, surgem, então, os sintomas motores próprios da doença, que incluem tremores, sobretudo nas mãos, rigidez muscular, desequilíbrio e redução da movimentação em todas as esferas. Esse conjunto pode ser acompanhado de depressão, distúrbios do sono, alterações marcantes na fala, problemas respiratórios, dificuldade de deglutição e no controle urinário, tonturas e dores musculares.

No parkinsonismo primário, os mecanismos responsáveis pela degeneração que causa a perda de células nervosas na substância negra ainda são desconhecidos, mas estudos apontam o envolvimento de fatores genéticos, metabólicos e ambientais nesse processo. Uma das hipóteses que procura justificar a ocorrência de doenças degenerativas, entre elas a doença de Parkinson, é a do estresse oxidante, segundo a qual a morte das células resulta de lesão provocada pelo excesso de substâncias geradas a partir da oxidação, conhecidas como radicais livres.

Vale lembrar que existem também formas de parkinsonismo secundário, nas quais a perda da função dos neurônios que produzem dopamina decorre de causas determinadas, como encefalites, medicamentos específicos, sobretudo os de uso psiquiátrico, acidente vascular cerebral e exposição prolongada a substâncias tóxicas.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da doença de Parkinson é clínico, sendo habitualmente baseado em dados da história e do exame neurológico. Os exames complementares auxiliam na averiguação de outras possibilidades diagnósticas.

Tratamento e prevenções

A doença de Parkinson não tem cura, mas pode ter seus sintomas atenuados. O tratamento, portanto, visa a controlar as manifestações clínicas e a melhorar a qualidade de vida do indivíduo. Para tanto, usam-se medicações que atenuam os sintomas, assim como procura-se instituir programas de fisioterapia e fonoaudiologia.

Atualmente, existem diversos medicamentos disponíveis, alguns dos quais são prescritos de forma combinada, de acordo com a idade da pessoa, os sintomas predominantes e o estágio da doença. O mais eficaz é a reposição de dopamina por meio de uma substância chamada levodopa, que, uma vez metabolizada, se transforma no próprio neurotransmissor em questão e, portanto, atenua bastante os sintomas. Em casos especiais, pode ser considerado o tratamento cirúrgico.

Não existe prevenção para a doença de Parkinson, uma vez que suas causas não são ainda claras. Dessa forma, o importante é que o diagnóstico seja feito o mais cedo possível para a rápida instituição do tratamento, a fim de garantir a manutenção da qualidade de vida do indivíduo. Ademais, não custa lembrar que os estudos mundiais para um melhor conhecimento dos mecanismos da doença estão avançando e, com isso, a chance de haver alguma forma de bloquear esse processo em algum ponto começa a ficar mais palpável. E, uma vez que exista essa possibilidade, quanto mais precoce a intervenção for realizada, mais bem-sucedida ela será. Já o risco de parkinsonismo secundário pode ser atenuado com a interferência em suas causas, algumas mais passíveis de intervenção que outras.

É possível, por exemplo, reduzir a probabilidade de sofrer um acidente vascular cerebral com o controle da pressão arterial e a prática regular de exercícios. Sabe-se também que certos medicamentos, como alguns dos utilizados no tratamento da vertigem, podem levar ao parkinsonismo, que é inteiramente reversível com a suspensão da medicação.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Doença do Refluxo Gastroesofágico

A doença do refluxo gastroesofágico é uma condição na qual ocorre refluxo patológico do conteúdo gástrico presente no estômago para o esôfago. É bastante prevalente, atingindo homens e mulheres com igual freqüência e tendo maior prevalência após os 40 anos. Numa situação normal, o material gástrico não reflui porque existe no final do esôfago uma válvula – o esfíncter esofagiano – que se abre para a descida dos alimentos, mas se fecha para bloquear o retorno de qualquer líquido do estômago.

Na doença do refluxo, há sempre alguma alteração nesse mecanismo de barreira, que, assim, não funciona adequadamente, permitindo a subida do suco gástrico. Esse material ácido agride o esôfago e causa sintomas de indigestão, dos quais o mais comum é a azia, ou queimação. O refluxo, porém, pode chegar até a boca, provocando alterações dentárias e halitose, assim como invadir a laringe e os pulmões, determinando queixas respiratórias.

Contudo, a maior conseqüência dessa doença é a inflamação do esôfago, denominada esofagite, que, sem tratamento, pode estreitar a região, dificultando a deglutição, ou dar origem a alterações na mucosa do esôfago, que, para se defender da agressão continuada, se torna semelhante à mucosa estomacal. Essa mudança na constituição dos tecidos locais acarreta mutações nas células, levando a um aumento no risco de desenvolvimento de câncer de esôfago.

Por isso, quem chega a tal estágio precisa de acompanhamento médico periódico para rastrear precocemente o surgimento de qualquer lesão suspeita.

Causas e sintomas

O refluxo se manifesta com azia, regurgitação, sensação de bolo na garganta e dor no tórax, por vezes tão intensa que se assemelha à dor de origem cardíaca, da angina ou do infarto do miocárdio. Quando atinge a laringe, pode provocar inflamação local, acompanhada de tosse seca e pigarro freqüente. A aspiração do conteúdo gástrico para os pulmões causa doenças respiratórias comuns, como pneumonia, bronquite e até asma. Nessas pessoas com sintomas atípicos de refluxo, o diagnóstico costuma ser mais difícil, pois só se desconfia de que a alteração é de causa gástrica quando o problema persiste.

O refluxo é causado por alterações nos mecanismos de barreira que existem entre o esôfago e o estômago. Uma delas envolve problemas no músculo do esfíncter esofagiano, que deixa de se contrair adequadamente para fechar a válvula. Esse relaxamento pode acontecer sem ter nenhuma origem conhecida, mas geralmente está associado a sobrepeso, excesso de bebidas alcoólicas, tabagismo e consumo freqüente de comidas muito condimentadas ou engorduradas.

Outra causa comum da doença do refluxo é a chamada hérnia de hiato. O esôfago atravessa um músculo de grande superfície que separa o tórax do abdome – o diafragma – por meio de um orifício chamado hiato. Quando esse hiato é mais largo do que deveria, a porção superior do estômago escorrega para cima do diafragma e desalinha as duas partes do esfíncter inferior, que, assim, deixa de funcionar perfeitamente.

Por fim, o refluxo também pode ser decorrente de alteração da motilidade do esôfago, que não faz os movimentos adequados e impossibilita a lavagem contínua da região pela saliva, que é um dos mecanismos de defesa dessa porção do sistema digestório.

Exames e diagnósticos

Os sintomas mais típicos do refluxo são a queimação retroesternal e sensação de bolo na garganta, que podem ser bastante indicativos da doença, mas para o diagnóstico preciso se faz necessário uma investigação criteriosa.

O primeiro exame geralmente solicitado é a endoscopia digestiva alta, que permite a visualização direta do interior do esôfago e do estômago para detectar alterações associadas ao refluxo, como a esofagite e a hérnia de hiato. Em pelo menos metade dos casos, porém, a endoscopia nada detecta, sendo necessário muitas vezes à utilização de métodos mais específicos, como a pH-metria, que mede e monitora a acidez no esôfago e na faringe, e a impedâncio-pH-metria, que acusa, além do ácido, o retorno de qualquer material gástrico para o esôfago, permitindo classificar o grau e o tipo de refluxo.

Esses dois exames são realizados por meio de uma sonda muito fina, que chega ao esôfago pelo nariz e ali permanece registrando eletronicamente as alterações encontradas durante 24 horas. Quando os sintomas são atípicos, como tosse, pigarro e dor torácica, o médico primeiramente descarta a possibilidade de essas queixas estarem relacionadas com infecções respiratórias e ou problemas cardíacos. Nestes casos, o diagnóstico de refluxo pode ser mais demorado.

Tratamento e prevenções

Para os casos mais simples, o tratamento pode ser apenas clínico, com medicamentos voltados tanto para diminuir a produção de ácido pelo estômago – os chamados inibidores da bomba de prótons – quanto para acelerar o esvaziamento gástrico e prevenir o refluxo – os procinéticos.

Além disso, o indivíduo deverá modificar hábitos que possam contribuir para piorar o quadro, como parar de fumar, perder peso e evitar alimentos e bebidas que agravem os sintomas, sendo ainda orientado a fracionar a dieta, para facilitar a digestão, e a não se deitar após as refeições, o que favorece o retorno do suco gástrico para o esôfago. Em caso de não haver resposta aos medicamentos e as mudanças de hábitos, geralmente recorre-se à cirurgia para construir uma válvula no esôfago e, no caso de haver hérnia de hiato, para estreitar a abertura no diafragma por meio de sutura. Esse procedimento pode ser feito de forma convencional ou, então, por videolaparoscopia, técnica na qual a intervenção é realizada através de minúsculas incisões, com o auxílio de uma microcâmera.

A endoscopia também tem sido utilizada de forma terapêutica em casos selecionados de refluxo causado pela presença de hérnia de hiato de pequenas dimensões.

É possível interferir nos fatores que contribuem para o relaxamento do esfíncter inferior do esôfago. Entre as medidas relevantes, recomenda-se parar de fumar, evitar a ingestão freqüente e exagerada de bebidas alcoólicas, manter uma alimentação balanceada, sem excesso de gorduras, condimentos e outros alimentos mais agressivos para o sistema digestório, controlar o peso e praticar exercícios físicos regularmente. Uma recomendação importante para evitar a esofagite, para quem já tem sintomas típicos, é procurar ajuda médica quanto antes.

Como a azia é um sintoma incômodo, mas corriqueiro, muita gente acaba caindo na tentação de se automedicar, enquanto o esôfago vai sendo continuadamente agredido pelo retorno do conteúdo gástrico.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Doença por depósito de pirofosfato de cálcio

A doença por depósito de pirofosfato de cálcio, antigamente denominada pseudogota ou condrocalcinose, consiste em um tipo de inflamação causada pela deposição anormal de cristais de pirofosfato de cálcio na cartilagem das articulações. Este reumatismo tem como característica o fato de apresentar crises dolorosas agudas recorrentes em uma mesma articulação, principalmente nos joelhos.

O termo pseudogota era utilizado popularmente como uma alusão a outra moléstia reumática também provocada por acúmulo de cristais, a gota, que, no entanto, decorre da concentração de partículas de urato monossódico (provenientes do ácido úrico) nas articulações. Já os cristais de pirofosfato de cálcio derivam da combinação do cálcio com subprodutos do fósforo e parecem não ter influência da alimentação, tal como ocorre na gota.

O fato é que a presença desses cristais provoca uma intensa reação inflamatória na articulação acometida, desencadeando crises agudas de dor, que, em longo prazo, podem resultar em degeneração da junta e incapacidade de funcionamento da mesma. As artrites causadas pelo depósito de cristais são denominadas doenças microcristalinas e são tipicamente mais freqüentes em adultos, sobretudo após os 60 anos de idade.

Causas e sintomas

Os principais sintomas são a dor e o inchaço, sobretudo nas grandes articulações dos joelhos, punhos e tornozelos. Em geral, acomete uma articulação de cada vez, mas algumas vezes pode se manifestar em mais de uma junta ao mesmo tempo. O quadro doloroso pode durar de dias a semanas e é, geralmente, acompanhado de calor local e rubor. Contudo, é possível que a inflamação curse de forma subclínica, ou seja, sem nenhum sinal aparente.

Não há uma causa específica para a deposição desses microcristais nas articulações. No entanto, em alguns casos, existe um padrão familiar de desordens metabólicas ou deficiências de enzimas envolvidas no metabolismo do cálcio e do fósforo, que podem estar implicados na instalação dessa doença. Há também uma maior freqüência de deposição articular desses microcristais em pacientes com distúrbios da tiróide (hipertiroidismo e hipotiroidismo) e paratiróide, provavelmente pelo papel de regulação do balanço de cálcio no sangue desempenhado por estas glândulas.

Exames e diagnósticos

Suspeita-se dessa doença quando há recorrência de crises dolorosas, sobretudo em uma mesma articulação, em pacientes acima dos 60 anos. A confirmação do diagnóstico é feita pela análise do líquido contido na junta afetada - o líquido sinovial - que é aspirado por meio de uma punção simples com agulha, e pode mostrar a presença dos cristais dentro da articulação.

Esse exame permite diferenciar a doença por depósito de pirofosfato de cálcio de outras moléstias reumáticas e, sobretudo, de outras doenças microcristalinas, como a gota.  Um outro método que pode auxiliar no diagnóstico é a radiografia da articulação afetada, que pode, em alguns casos, mostrar sinais característicos do depósito desses cristais nas cartilagens.

Tratamento e prevenções

Infelizmente ainda não existe nenhum medicamento ou estratégia terapêutica capaz de remover o acúmulo de pirofostato de cálcio da articulação. Assim sendo, o tratamento visa a atenuar os sintomas da inflamação nas crises agudas, mas não consegue curar as lesões já existentes na articulação, geradas pelo depósito dos cristais.

Assim, as medicações mais usadas na fase aguda são os antiinflamatórios, seja por via oral, ou pela injeção local de corticóide, de acordo com a indicação médica. Da mesma forma, a drenagem do acúmulo excessivo de líquido articular, promove em muitos casos um grande alívio dos sintomas.

Para evitar novas crises, a medicação mais empregada é a colchicina, que, embora não impeça a progressão da doença, tem mostrado resultados positivos. As indicações de cirurgias são raras, e são restritas a casos de incapacidade funcional, para a substituição da articulação por uma prótese.

Como em muitos casos o depósito de pirofosfato de cálcio ocorre sem nenhuma razão conhecida, ainda não há medidas preventivas eficientes que possam evitar a instalação dessa doença.

Contudo, o tratamento adequado das crises e a realização da profilaxia medicamentosa podem ajudar a impedir a recorrência dos quadros. Da mesma forma, é importante o acompanhamento médico de desordens do metabolismo ou distúrbios de tiróide e paratiróide. Convém adicionar que a prática regular de exercícios físicos e o controle de peso contribuem para a saúde das articulações em todas as faixas etárias.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Doença pulmonar obstrutiva crônica

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) caracteriza-se pela obstrução parcial dos canais que levam o ar para dentro e para fora dos pulmões – os brônquios – e pela redução progressiva da capacidade de respirar. Essa doença, que afeta mais de 3 milhões de brasileiros, 90% dos quais fumantes, reúne duas condições clínicas que cursam lado a lado nessa população: a bronquite crônica e o enfisema pulmonar.

Na bronquite crônica, o sistema natural de limpeza dos pulmões, prejudicado pela fumaça, não elimina adequadamente a secreção local, que tem sua produção aumentada numa tentativa de varrer as substâncias nocivas do cigarro. Como resultado desse processo, os brônquios se inflamam e se estreitam, dificultando a passagem de ar e causando uma tosse permanente – a tosse dos fumantes.

Já o enfisema consiste no aumento e na destruição dos alvéolos pulmonares, ou seja, dos pequenos sacos de ar de onde o oxigênio sai para ganhar a corrente sangüínea, os quais dão lugar a grandes bolsas de ar. Com isso, os pulmões vão perdendo a elasticidade e, progressivamente, ficando incapazes de expelir o ar por falta de força.

A dificuldade de expirar, aliada à inflamação e ao estreitamento dos brônquios, leva o portador da DPOC a ter de fazer um esforço cada vez maior para respirar, o que se reflete de forma negativa em outros órgãos, particularmente no coração.

Causas e sintomas

As manifestações típicas da DPOC incluem tosse persistente, quase diária, com expectoração de secreção, acompanhada de falta de ar e de chiado no peito, sobretudo na vigência de infecções respiratórias, que o fumante adquire com mais facilidade.

Num momento inicial algumas pessoas tossem menos, mas apresentam uma limitação gradual para fazer exercícios, tais como subir uma ladeira ou uma escada. Com o passar dos anos de tabagismo, a dificuldade respiratória se torna cotidiana e surge em atividades mínimas. Vestir uma roupa ou calçar um sapato, por exemplo, podem exigir um grande esforço do portador de DPOC mais avançada. Em casos mais graves, observa-se ainda inchaço nos membros inferiores – pernas e pés –, já evidenciando sinais de comprometimento cardíaco.

A principal causa da DPOC é a fumaça do cigarro, que também pode afetar o fumante passivo, ou seja, aquele que convive com quem efetivamente fuma. De qualquer modo, são necessários muitos anos de tabagismo para a instalação da doença.

A exposição prolongada a substâncias irritantes igualmente dá origem à DPOC, como a que envolve algumas ocupações, a exemplo dos trabalhadores de minas de carvão.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico requer uma boa avaliação clínica e exames complementares. O relato de tabagismo de longa data e de tosse produtiva persistente já revela a existência de bronquite crônica. Apesar disso, os médicos costumam se valer de métodos de imagem, como a radiografia de tórax e de recursos específicos para esse tipo de investigação, como as provas de função pulmonar.

Esses testes são essenciais para medir o fluxo aéreo, ou seja, a capacidade dos pulmões de armazenar ar, e para mensurar a velocidade de expiração, que já aponta o estágio da doença. Quanto mais devagar o ar é expelido, mais grave é a DPOC.

Tratamento e prevenções

O tratamento combina medicamentos e outras estratégias para melhorar a qualidade de vida do portador da DPOC. Em geral, usam-se broncodilatadores em forma de xarope ou spray – as tradicionais bombinhas –, os quais atuam contra o estreitamento dos brônquios, relaxando a musculatura local, e corticóides para diminuir a inflamação em casos mais difíceis.

Quando há infecção, que freqüentemente acomete os portadores de DPOC, antibióticos podem ser necessários, em geral por período limitado. O uso domiciliar de oxigênio ainda pode aliviar a falta de ar na DPOC mais avançada. Por fim, a reabilitação pulmonar por meio de exercícios está igualmente indicada para reduzir os sintomas e as limitações impostas pela doença. Antes de tudo, porém, é imprescindível eliminar o causador da DPOC em 90% dos casos – o cigarro.

Manter distância do cigarro configura a medida mais importante na prevenção da DPOC. Quem fuma, portanto, precisa considerar seriamente a hipótese de parar – quanto mais cedo, menor o estrago. Até porque os primeiros sinais da dificuldade respiratória começam quando a pessoa já perdeu cerca de 40% a 50% de sua capacidade pulmonar.

É claro que abandonar o tabagismo não devolve o que já foi perdido em anos de inalação de fumaça, mas breca a progressão da doença e comprovadamente aumenta a expectativa de vida do indivíduo.

Já as pessoas que exercem algum trabalho sujeito à constante inalação de substâncias irritantes precisam exigir e usar equipamentos de proteção individual, como máscaras.

Para quem já é portador da DPOC, vale lembrar que a vacina anual antigripe ajuda a evitar o agravamento da inflamação crônica dos brônquios, assim como a imunização contra o pneumococo, a principal bactéria implicada em infecções respiratórias.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Embolia pulmonar

A embolia pulmonar, ou tromboembolismo pulmonar (TEP), é uma condição potencialmente grave que ocorre pela migração de um êmbolo ou coágulo para o pulmão. Geralmente este coágulo é formado em alguma veia do corpo, sobretudo nos membros inferiores, se desprende e segue pela circulação venosa até os pulmões, onde obstrui a passagem do sangue por uma artéria.

A repercussão dessa oclusão depende do tamanho do trombo, da área afetada e da existência de circulação local que possa suprir esta deficiência. No entanto, em casos de trombos grandes, a interrupção da circulação pode causar desde danos pulmonares na região irrigada pela artéria acometida, em decorrência da falta de oxigênio, até mesmo morte súbita.

Como a trombose venosa profunda (TVP) é a principal responsável pela ocorrência de tromboembolismo pulmonar, qualquer suspeita de coágulo nos membros inferiores deve ser prontamente avaliada e tratada para evitar a migração para o pulmão ou a obstrução da circulação de outros órgãos. Se, contudo, já existirem condições desfavoráveis de circulação no pulmão, torna-se uma emergência pelo risco de mortalidade, que se torna mais elevado.

Estima-se que cinco em cada 10 mil pessoas apresentem um episódio de tromboembolismo pulmonar na população geral.

Causas e sintomas

As manifestações da embolia pulmonar incluem falta de ar e dificuldade para respirar, dor no tórax, tosse seca ou com sangue, sensação de ansiedade, febre baixa e palpitações. Como não há nenhum sinal ou sintoma que seja específico de embolia pulmonar, é importante a consideração de fatores de risco pré-existentes para o diagnóstico de TEP. A avaliação das queixas deve ser criteriosa, uma vez que muitas delas já fazem parte do cotidiano dos pacientes tabagistas e portadores de outras doenças clínicas.

A principal causa do tromboembolismo pulmonar é a trombose venosa profunda, que costuma se formar nos membros inferiores. Um dos principais fatores de risco para ocorrência da embolia pulmonar é imobilização. Desta forma, as pessoas mais sujeitas a essa condição são as que ficam muito tempo numa mesma posição, como em longas viagens aéreas, aquelas submetidas á cirurgias de longa duração e com necessidade de hospitalização e/ou imobilização prolongadas, como ocorre em fraturas de fêmur.

Existem outros fatores de risco envolvidos, tais como o tabagismo, o uso de anticoncepcionais orais, a obesidade e a presença de varizes. De forma peculiar, os portadores de doenças malignas e de distúrbios de coagulação do sangue, apresentam uma maior predisposição á embolia pulmonar. Com menor freqüência, porém, a obstrução pulmonar também pode ser decorrente de êmbolos de gordura, de líquido amniótico – em grávidas –, de medula óssea e de fragmentos de tumor ou, então, derivar de corpos estranhos e de bolhas de ar, mais comum em mergulhadores.

Exames e diagnósticos

A confirmação diagnóstica deste quadro em tempo hábil para o tratamento é um desafio para o médico, que precisa ter em mente esta suspeita e realizar exames prontamente. Salienta-se a importância da história clínica e a atenção aos fatores de risco do paciente para embolia.

O relato de diagnóstico recente de trombose em membros inferiores e histórico prévio de eventos embólicos em pacientes com queixas pulmonares também fornecem indícios muito sugestivos de quadro de tromboembolismo.

Evidentemente, a ausência de um fator de risco recente para esse evento pode dificultar mais suspeita clínica. De toda forma, a confirmação do quadro pode necessitar realização de exames cardiológicos,  como o eletrocardiograma e o ecocardiograma, e de recursos de imagem do tórax, a exemplo de cintilografia, tomografia e ressonância magnética, e em alguns casos de arteriografia dos pulmões. Embora este último método seja invasivo e menos usado na prática, é considerado o mais preciso para o diagnóstico do tromboembolismo.

Por meio do uso de contraste, esse exame permite verificar o fluxo sangüíneo nas artérias pulmonares e identificar exatamente os pontos de oclusão.

Tratamento e prevenções

O tratamento da embolia pulmonar precisa ser feito em ambiente hospitalar e a taxa de resposta clínica depende do tamanho do êmbolo, da área afetada e do retardo no diagnóstico.

As principais medidas hospitalares são a administração de oxigênio, de analgésicos para controle da dor e de anticoagulantes para evitar a progressão dos coágulos existentes e impedir a formação de novos. O uso da heparina e de  trombolíticos,- usados no tratamento dos êmbolos-, são muito úteis, mas não estão indicados para todos os casos. Depois que o paciente recebe alta hospitalar, pode ser necessário manter a terapêutica por mais alguns meses, dependendo do fator que desencadeou o tromboembolismo. Em circunstâncias mais graves, pode ser necessária uma cirurgia de emergência para a remoção do trombo. Em pessoas que apresentam episódios recorrentes de trombose e embolia, uma alternativa é a implantação cirúrgica de um filtro na veia principal que desemboca no coração.

Além dessa indicação, o filtro de veia Cava é uma boa opção para os indivíduos com contra-indicações ao uso contínuo de anticoagulantes – ou seja, com risco aumentado de hemorragias severas –, para evitar que um coágulo desprendido possa atingir os pulmões.

Os cuidados para evitar a embolia pulmonar praticamente são os mesmos que devem ser adotados para prevenir a trombose venosa profunda. Mesmo quem não tem fatores de risco conhecidos para a formação de trombos nos membros inferiores pode se prevenir desses eventos com a prática regular de exercícios. Exercitar as pernas por meio de caminhadas diárias já constitui um método preventivo eficaz. Em pessoas que sabidamente permanecerão longos períodos acamadas por tratamentos, imobilizações ou deficiências,o uso preventivo de anticoagulantes pode estar indicado. Esse cuidado também pode ser necessário em viagens aéreas prolongadas, a depender de indicação médica prévia. De toda forma, o ato de movimentar-se no avião pode ajudar bastante à manutenção de uma adequada circulação. Como de praxe, parar de fumar e perder peso são requisitos básicos para a saúde do sistema vascular. Por fim, os casos de embolia gasosa dos mergulhadores podem ser evitados com a obediência de procedimentos adequados para mergulho seguro.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Encefalite

A encefalite é uma inflamação do cérebro desencadeada pela presença de um agente infeccioso, habitualmente um vírus. Quando esse microrganismo agride diretamente o tecido cerebral, diz-se que essa encefalite é por invasão direta. Quando essa inflamação é uma reação desencadeada por um agente infeccioso em outra parte do corpo, até mesmo alguns dias antes da eclosão dos sintomas, ela é chamada de encefalite imunoalérgica.

Tanto a presença direta do microrganismo quanto a reação à sua presença em outra parte do corpo podem levar à inflamação do cérebro, que se manifesta por alteração da consciência – confusão mental, sonolência, etc. -, associados a sinais de fraqueza em alguma parte do corpo e crises convulsivas.

A encefalite pode ocorrer em qualquer idade e por diferentes agentes infecciosos, mas ela é mais freqüente em indivíduos que apresentem deficiência imunológica.

Causas e sintomas

Tanto na meningite como na encefalite existe uma inflamação do sistema nervoso desencadeada pela presença de um microrganismo, mas no primeiro caso essa envolve de forma mais intensa as meninges, que são as membranas que ficam em volta do cérebro.

Os sintomas das meningites tendem a ser mais brandos do que os da encefalite, mas algumas vezes, essa separação é um tanto arbitrária. No caso de infecções por bactérias, é mais freqüente falar-se em meningite, enquanto que em infecções por vírus que levem a um distúrbio da consciência e sinais motores, em encefalites.

Vários agentes infecciosos causam encefalite, como bactérias, parasitas, fungos e, sobretudo, vírus. Eles são transmitidos por via respiratória, gastrointestinal, por picadas de insetos e carrapatos e até por mordida de animais, como é o caso do vírus da raiva. Entretanto, o agente mais freqüente é o vírus herpes simplex, que habitualmente provoca apenas o aparecimento de bolhas nos lábios, mas que algumas vezes pode alcançar o sistema nervoso e levar ao aparecimento de uma encefalite que, se não tratada rapidamente, pode ocasionar graves seqüelas neurológicas. Em algumas regiões do Brasil, os mosquitos e carrapatos são uma importante fonte de transmissão de outros vírus que causam encefalites e que surgem até três semanas após a sua inoculação.

Exames e diagnósticos

A confirmação de um quadro de encefalite depende de uma avaliação clínica e de diversos exames complementares, entre os quais a análise do exame do líquido cefalorraquidiano, ou liquor, que é colhido por meio de punção na região lombar. Esse material biológico fica contido em um espaço que envolve todo o sistema nervoso e reflete o que nele se passa.

A análise do liquor pode sugerir qual o tipo de infecção, se bacteriana ou viral, e até mesmo revelar a presença de agentes infecciosos. . Em geral, há também necessidade da realização de exames de imagem, como a tomografia computadorizada e a ressonância magnética, para pesquisar o local exato da inflamação e outras alterações no cérebro, que podem inclusive sugerir um determinado agente infeccioso.

Tratamento e prevenções

A conduta do médico depende do agente envolvido. Para combater alguns vírus que causam a doença, como o Herpes simplex, existem medicamentos antivirais específicos. Já em outras encefalites virais, a terapia é apenas sintomática, voltada a controlar as conseqüências da inflamação, como o inchaço no cérebro. Se forem bactérias as causadoras da infecção, será necessário prescrever antibióticos. Em todos os casos, porém, o tratamento costuma ser feito em ambiente hospitalar, em vista dos cuidados que a infecção demanda e da necessidade de acompanhamento próximo.

A maior parte das encefalites ocorre de forma esporádica e não necessita de nenhum mecanismo especial de contenção para evitar sua disseminação. Existem poucas formas de encefalite que são preveníveis por meio de vacina, e elas não ocorrem no Brasil: são elas a encefalite japonesa e a encefalite do carrapato. A administração destas vacinas está indicada apenas para quem vai viajar para regiões onde elas são endêmicas. Existem imunizações que reduzem significativamente o risco de infecção bacteriana do sistema nervoso: são elas a vacina contra o H. influenzae B, contra o meningococo e contra o pneumococo.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Endometriose

A endometriose é uma doença caracterizada pela implantação de fragmentos do tecido que reveste a parte interna do útero – o endométrio – fora da cavidade uterina.

Essa condição tem sido estudada há muitos anos, mas seus mecanismos ainda não são totalmente conhecidos. Supõe-se que, quando a mulher menstrua, minúsculos pedaços do endométrio, em vez de serem eliminados, subam pelas trompas, implantem-se na cavidade abdominal adjacente e cresçam sob a ação dos hormônios.

O problema é que, a cada ciclo menstrual, esse tecido endometrial implantado em outras regiões abdominais – sobretudo nos ovários, nas trompas, na superfície externa do útero e na área entre a vagina e o reto – também sangra, provocando sintomas incômodos e algumas vezes incapacitantes.

Apesar disso, a endometriose não costuma evoluir para formas mais graves ou para câncer. Sua conseqüência mais importante é a infertilidade, que pode ocorrer em mulheres com a trompa obstruída ou deformada, ou mesmo por uma combinação de fatores hormonais e imunológicos.

Estima-se que de 10% a 15% da população feminina em idade reprodutiva tenha endometriose, mas nem todas as mulheres apresentam dificuldade para engravidar.

Causas e sintomas

O sintoma mais característico é a cólica menstrual de forte intensidade, que não melhora facilmente com analgésicos, a ponto de incapacitar a mulher para exercer suas atividades cotidianas.

Além disso, a endometriose causa dores nas relações sexuais, irregularidade nos ciclos menstruais, alterações intestinais e urinárias durante a menstruação, como dor à micção e à evacuação ou mesmo diarréia, e a já mencionada infertilidade.

A tentativa malsucedida de engravidar por mais de um ano, associada a esses sinais clínicos, é fortemente indicativa do quadro. Nos casos mais avançados da doença, a mulher pode ter cólicas crônicas, ou seja, também fora do período menstrual.

Assim como seus mecanismos, as causas da endometriose não estão totalmente claras. Uma das correntes mais aceitas diz respeito à participação da imunidade no processo de implante do endométrio no exterior do útero. O natural seria que esse tecido fosse rejeitado fora de seu ambiente natural, mas o sistema imunológico, por alguma razão, impede essa rejeição, permitindo que o tecido endometrial se fixe e se aprofunde na cavidade abdominal, dando origem à doença.

Alguns fatores também parecem predispor a mulher a ter a endometriose, entre os quais o número de menstruações, que hoje é dez vezes maior do que no início do século passado. Fala-se, ainda, em um componente hereditário como fator de risco, não obstante a dificuldade de identificar mulheres mais velhas com endometriose, já que, não faz muito tempo, a condição era mal diagnosticada.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico exige uma combinação entre avaliação da história da mulher, exame ginecológico bem-feito e resultados de métodos diagnósticos complementares, entre os quais o teste para dosar uma substância considerada como um marcador de endometriose, o CA-125, a ultrassonografia da pelve por via transvaginal, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética.

A confirmação, no entanto, vem com a análise de fragmentos das lesões, que geralmente são retirados pela videolaparoscopia, um procedimento cirúrgico usado também para o tratamento da endometriose.

Nessa intervenção, o médico visualiza a região pélvica e abdominal por meio de uma microcâmera, faz a biópsia, retirando fragmentos das áreas suspeitas para posterior análise, e já destrói os focos encontrados, tudo por meio de minúsculas incisões.

Tratamento e prevenções

O tratamento tem o objetivo de aliviar a dor, reduzir o tamanho dos implantes, impedir a progressão da doença, restaurar a fertilidade e evitar o surgimento de novos focos.

Para os casos de endometriose avançada, quase sempre há necessidade de cirurgia (na maioria das vezes feita por meio da videolaparoscopia) seguida de terapêutica com medicamentos que suprimem a atividade dos ovários e tornam mais lento o crescimento do tecido endometrial.

Já a endometriose inicial pode ser tratada com a própria pílula anticoncepcional combinada ou somente com a progesterona, o hormônio feminino que prepara o organismo para a gestação.

Em ambas as situações, a terapêutica deve ser combinada à prática de exercícios regulares e ao controle da ansiedade e do estresse. Vale lembrar que o ambiente hormonal da gravidez também contribui com o tratamento da endometriose.

Não há nada muito bem estabelecido para a prevenção da endometriose. Ainda assim, parece existir uma relação entre o uso de anticoncepcionais orais e a menor incidência da doença. Além disso, há indícios de que a gravidez não só ajude a tratar a doença, como também iniba o surgimento de novos implantes de endométrio fora do útero.

Em termos preventivos, contudo, o mais importante é que a mulher em idade reprodutiva visite o ginecologista anualmente para que o médico possa detectar a doença em seu estágio inicial e, assim, evitar o agravamento dos sintomas dolorosos e, sobretudo, os tratamentos mais invasivos. Vale lembrar que a endometriose não é uma doença transmissível.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Enxaqueca

Também chamada de migrânea, a enxaqueca não é apenas um dos tipos mais comuns de cefaléia, mas uma síndrome neurológica decorrente de alterações bioquímicas no cérebro. Essa condição se caracteriza por dor de cabeça de intensidade moderada a forte, acompanhada de outros sintomas muitas vezes incapacitantes, os quais se manifestam em crises que podem durar de 4 a 72 horas. A condição é muito freqüente na população mundial, inclusive entre crianças, afetando 20% das mulheres e de 5% a 10% dos homens, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaléia.

Em geral, começa antes dos 40 anos e, ao contrário de tantas outras doenças, regride com o passar do tempo, precisamente depois dos 55 anos. Na prática, porém, poucas pessoas procuram os serviços médicos por causa das manifestações e muitas não sabem reconhecer os episódios como enxaqueca.

Apesar disso, a condição não deve ser vista como algo normal, mas como uma doença que pode ser controlada com tratamentos que, se não forem capazes de prevenir as crises, conseguirão pelo menos abreviá-las com eficácia.

Causas e sintomas

O sintoma mais característico é a cólica menstrual de forte intensidade, que não melhora facilmente com analgésicos, a ponto de incapacitar a mulher para exercer suas atividades cotidianas.

Além disso, a endometriose causa dores nas relações sexuais, irregularidade nos ciclos menstruais, alterações intestinais e urinárias durante a menstruação, como dor à micção e à evacuação ou mesmo diarréia, e a já mencionada infertilidade.

A tentativa malsucedida de engravidar por mais de um ano, associada a esses sinais clínicos, é fortemente indicativa do quadro. Nos casos mais avançados da doença, a mulher pode ter cólicas crônicas, ou seja, também fora do período menstrual.

Assim como seus mecanismos, as causas da endometriose não estão totalmente claras. Uma das correntes mais aceitas diz respeito à participação da imunidade no processo de implante do endométrio no exterior do útero. O natural seria que esse tecido fosse rejeitado fora de seu ambiente natural, mas o sistema imunológico, por alguma razão, impede essa rejeição, permitindo que o tecido endometrial se fixe e se aprofunde na cavidade abdominal, dando origem à doença.

Alguns fatores também parecem predispor a mulher a ter a endometriose, entre os quais o número de menstruações, que hoje é dez vezes maior do que no início do século passado. Fala-se, ainda, em um componente hereditário como fator de risco, não obstante a dificuldade de identificar mulheres mais velhas com endometriose, já que, não faz muito tempo, a condição era mal diagnosticada.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico exige uma combinação entre avaliação da história da mulher, exame ginecológico bem-feito e resultados de métodos diagnósticos complementares, entre os quais o teste para dosar uma substância considerada como um marcador de endometriose, o CA-125, a ultrassonografia da pelve por via transvaginal, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética.

A confirmação, no entanto, vem com a análise de fragmentos das lesões, que geralmente são retirados pela videolaparoscopia, um procedimento cirúrgico usado também para o tratamento da endometriose.

Nessa intervenção, o médico visualiza a região pélvica e abdominal por meio de uma microcâmera, faz a biópsia, retirando fragmentos das áreas suspeitas para posterior análise, e já destrói os focos encontrados, tudo por meio de minúsculas incisões.

Tratamento e prevenções

O tratamento tem o objetivo de aliviar a dor, reduzir o tamanho dos implantes, impedir a progressão da doença, restaurar a fertilidade e evitar o surgimento de novos focos.

Para os casos de endometriose avançada, quase sempre há necessidade de cirurgia (na maioria das vezes feita por meio da videolaparoscopia) seguida de terapêutica com medicamentos que suprimem a atividade dos ovários e tornam mais lento o crescimento do tecido endometrial.

Já a endometriose inicial pode ser tratada com a própria pílula anticoncepcional combinada ou somente com a progesterona, o hormônio feminino que prepara o organismo para a gestação.

Em ambas as situações, a terapêutica deve ser combinada à prática de exercícios regulares e ao controle da ansiedade e do estresse. Vale lembrar que o ambiente hormonal da gravidez também contribui com o tratamento da endometriose.

Não há nada muito bem estabelecido para a prevenção da endometriose. Ainda assim, parece existir uma relação entre o uso de anticoncepcionais orais e a menor incidência da doença. Além disso, há indícios de que a gravidez não só ajude a tratar a doença, como também iniba o surgimento de novos implantes de endométrio fora do útero.

Em termos preventivos, contudo, o mais importante é que a mulher em idade reprodutiva visite o ginecologista anualmente para que o médico possa detectar a doença em seu estágio inicial e, assim, evitar o agravamento dos sintomas dolorosos e, sobretudo, os tratamentos mais invasivos. Vale lembrar que a endometriose não é uma doença transmissível.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Epilepsia

A epilepsia é uma disfunção neurológica causada por uma descarga elétrica anormal e excessiva do cérebro, que interrompe temporariamente sua função habitual, provocando alterações súbitas e involuntárias no comportamento, no controle muscular, na consciência e/ou na sensibilidade do indivíduo.

Estima-se que haja 60 milhões de epilépticos em todo o mundo, dos quais 3 milhões somente no Brasil. As crises podem ocorrer em qualquer idade, mas têm início mais freqüentemente na primeira e nas últimas décadas da vida, neste último caso geralmente em decorrência de alguma doença, como o acidente vascular cerebral. Apesar da alta prevalência, a epilepsia ainda é cercada de tabus, que vão do receio de ela ser contagiosa até a associação do quadro com problemas espirituais.

Como se não bastasse, diante de um ataque epiléptico, quem está ao redor não sabe o que fazer e quem sofre a crise fica inseguro e envergonhado. Contudo, essa disfunção pode ser facilmente tratada na maioria dos casos, de forma que a pessoa possa levar uma vida normal, sem sequer se lembrar de que pode vir a ter uma crise. Prova disso é que a história da humanidade está recheada de personagens que, não obstante a epilepsia, levaram muito mais que uma vida normal, entre eles Alfred Nobel, Dostoievski, Machado de Assis, Júlio César, Flaubert, Alexandre, o Grande e Dom Pedro I, só para citar alguns.

Causas e sintomas

A apresentação da disfunção varia conforme o tipo de crise. O mais comum, que responde por 50% dos casos, é o ataque tônico-clônico – também chamado de convulsão –, que envolve todo o cérebro. Neste caso, a pessoa fica rígida, cai no chão e começa a se debater por alguns poucos minutos. A outra metade é formada por três tipos de crises: as parciais complexas, caracterizadas por perda de contato com o ambiente, movimentos automáticos das mãos e confusão mental por de 1 a 2 minutos; as mioclônicas, nas quais ocorrem breves choques ou formigamentos nas mãos e membros, sem perda de consciência; e, finalmente, as crises de ausência, quando há um desligamento completo da pessoa durante cerca de 10 a 20 segundos, várias vezes por dia.

O fato é que, aos olhos de quem nada sabe sobre o assunto, tais sintomas acabam sendo confundidos com problemas psiquiátricos.
As causas variam muito e incluem fatores genéticos, lesões adquiridas por ocasião do nascimento, malformações, doenças degenerativas do sistema nervoso, tumores, doenças infecciosas e parasitárias que afetam o cérebro, intoxicações, traumatismos cranianos e distúrbios vasculares, metabólicos e nutricionais.

O risco de a disfunção ser transmitida dos pais para os filhos existe, mas só é maior – da ordem de 20% a 30% – quando o casal é epiléptico. Apesar de tantas possibilidades, na maioria dos casos não se conhece a origem da epilepsia.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da epilepsia é fundamentado na história clínica, e baseia-se na ocorrência de mais de uma crise epiléptica com intervalo superior a 24 horas, sem que exista um fator desencadeante agudo definido, tais como trauma craniano, febre, uso de drogas estimulantes e intoxicação por medicamentos.

De qualquer forma, os médicos costumam solicitar exames para complementar a avaliação clínica, especialmente o eletroencefalograma, que nada mais é do que o registro da atividade elétrica cerebral, o qual ajuda a classificar a epilepsia, a escolher a medicação mais adequada e a estabelecer o tempo de tratamento, além de indicar a necessidade de aprofundar a investigação com outros métodos de imagem, como tomografia e ressonância magnética do encéfalo.

Tratamento e prevenções

O tratamento costuma ser feito com medicamentos que inibem as descargas anormais do cérebro – os antiepilépticos. Hoje em dia, existem dezenas de medicações diferentes e em 70% dos casos o uso contínuo do remédio é suficiente para controlar completamente as crises.

A regularização dos hábitos de sono e a redução dos níveis de ansiedade e de estresse também contribuem para o sucesso da terapêutica. Nos casos de difícil controle medicamentoso, um dos recursos que pode ser utilizado, sempre com supervisão de médico e nutricionista, é a dieta cetogênica, pobre em carboidratos e rica em gorduras, e que leva a um estado de cetose – o qual favorece a inibição das crises. Uma outra alternativa a ser considerada é a cirurgia, que pode estar indicada quando a região que leva à ocorrência de crises encontra-se em área que possa ser removida sem levar ao aparecimento de sintomas neurológicos significativos.

Vale lembrar que, durante um ataque epiléptico, não há nenhuma medida que possa abreviá-lo. Deve-se apenas voltar a cabeça da pessoa para o lado, de forma a evitar a aspiração de alimentos, caso haja vômito, e protegê-la da ocorrência de traumatismos. Não é necessário colocar objetos na boca do indivíduo, já que a língua permanece em sua posição normal. A dificuldade de respirar é apenas momentânea e decorre da intensa descarga elétrica do cérebro.

Como a epilepsia tem diversas causas e, em muitos casos, a origem é desconhecida, há pouco a fazer em termos de prevenção primária. De qualquer maneira, algumas recomendações são indispensáveis. As crianças devem receber acompanhamento médico constante, do pré-natal à idade escolar, para evitar especialmente as doenças infecciosas mais graves como as meningites, e prevenir o trauma craniano, dois fatores de risco importantes para os ataques epilépticos. Nos adultos, recomenda-se prevenir o acidente vascular cerebral, bastante associado com a epilepsia na terceira idade, o que pode ser conseguido com o controle da pressão arterial, do diabetes e, para quem fuma, com o abandono do tabagismo.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Escarlatina

A escarlatina é uma doença infectocontagiosa que atinge crianças e adolescentes, consistindo em uma infecção de garganta acompanhada de manchas na pele vermelho vivo, escarlate – daí seu nome.

A reação de muitas pessoas diante de um diagnóstico de escarlatina é de susto porque, de fato, a doença era considerada perigosa num passado distante porque não havia medicamentos capazes de eliminar a bactéria causadora do quadro. Com o advento da penicilina, no entanto, tudo mudou.

A infecção pode ser combatida com facilidade e só evolui para forma mais grave se não for adequadamente tratada, causando sobretudo nefrite e febre reumática.

Causas e sintomas

A doença começa com febre alta e calafrios, dores pelo corpo, queda do estado geral e dor de garganta. Quase sempre no segundo dia de doença, a criança passa a apresentar manchas vermelhas por todo corpo, que aparecem primeiro no tórax, daí se estendendo de forma rápida ao restante do tronco e aos membros, poupando as palmas das mãos, a planta dos pés e em volta da boca. Nas dobras de pele das articulações (punhos, axilas, pregas dos cotovelos, quadris e região atrás do joelho) verifica-se a presença de faixas mais escuras, bordôs. A língua fica vermelha e áspera (“língua em framboesa”). As manchas espalham-se rapidamente e alcançam maior intensidade cerca de 24 horas depois do seu aparecimento. Nos casos tratados de forma apropriada, vão esmaecendo depressa, com a cura do processo infeccioso. Na última fase da escarlatina a pele descama, a princípio sob a forma de pequenas escamas no tronco e rosto, tornando-se depois generalizada, intensa e característica.

A escarlatina decorre de infecção pela bactéria Streptococcus pyogenes, a mesma responsável pela amigdalite. A diferença é que, nessa doença, uma toxina produzida pelo estreptococo produz as manchas vermelhas na pele. A transmissão do agente infeccioso ocorre na fase inicial da escarlatina, por meio do contato direto com a pessoa contaminada, mais precisamente pela inalação de secreções respiratórias, como gotículas de tosse. Daí a facilidade de a infecção se disseminar no ambiente escolar, por exemplo.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico costuma ser feito clinicamente, ou seja, por meio do exame físico e das queixas da criança, mas é comum que os médicos peçam um exame de sangue simples – o hemograma – para verificar o comportamento dos glóbulos brancos, que, afinal, respondem pelo combate a infecções.

Dentre os exames específicos para identificação do estreptococo, existe a cultura e o teste rápido para a pesquisa da bactéria na garganta da criança. A vantagem do teste rápido é que o resultado fica pronto em cerca de meia hora. Convém ressaltar que um teste rápido com resultado negativo não exclui a infecção, razão pela qual o tratamento é iniciado da mesma forma se houver um quadro compatível com o de escarlatina.

Tratamento e prevenções

O tratamento utiliza antibióticos à base de penicilina, aos quais o estreptococo é muito sensível, e antitérmicos para baixar a febre. Caso a criança seja alérgica a esses  antimicrobianos, outras drogas também podem ser usadas com sucesso. É importante manter a criança em casa, em repouso relativo, e oferecer-lhe bastante líquido e alimentação fácil de engolir, já que a dor de garganta provocada pela infecção é intensa.

A melhor forma de prevenir a escarlatina é evitar o contato com pessoas infectadas.  Em se tratando da população pediátrica, porém, isso pode parecer difícil, pois, na escola, tem sempre alguém doente. Assim, o ideal é manter a criança que está com febre em casa até que o diagnóstico seja esclarecido.

Muitas vezes, os pais pensam que se trata apenas de uma gripe, mandam o filho para a aula e acabam espalhando o estreptococo na turma. De qualquer forma, é sempre interessante avisar a escola que um aluno contraiu escarlatina para possibilitar o diagnóstico precoce nos colegas. Para crianças que têm convivência muito próxima com alguém infectado, os pediatras muitas vezes recomendam o tratamento preventivo com antibiótico.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Esclerose múltipla

A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crônica que afeta o cérebro e a medula espinhal e se caracteriza por destruição, mediada pelo sistema imunológico, da mielina, que nada mais é do que um revestimento das fibras nervosas. Ela faz com que a velocidade de comunicação entre os neurônios aumente e que não ocorra a dispersão da atividade elétrica gerada pela transmissão do estímulo nervoso.

Quando um determinado comando encontra, em seu trajeto natural, uma interrupção da mielina, a informação não segue adiante ou, então, o faz com menor velocidade, o que impede sua adequada efetivação. A esclerose múltipla afeta pessoas jovens, entre 20 e 40 anos, sendo mais comum em mulheres que vivem no Hemisfério Norte, onde ocorrem pelo menos cem casos a cada 100 mil habitantes.

Causas e sintomas

Os sintomas da esclerose múltipla incluem distúrbios visuais, como embaçamento ou perda da visão de um olho, fraqueza muscular ou mesmo paralisia de um ou mais membros, como braços e pernas, formigamentos, dormência ou queimação nos membros ou no tronco, instabilidade na caminhada ou tremor nas pernas, movimentos involuntários dos olhos, problemas de articulação da fala, dificuldade para engolir, alterações sensoriais, a exemplo de não sentir dor ao se cortar ou se queimar, incontinência urinária e modificações no humor e na capacidade intelectual. Na maior parte das vezes, essas manifestações cursam com surtos em que há uma piora dos sintomas, seguidos por períodos de melhora, podendo ainda haver longos períodos de estabilidade.

A perda da bainha de mielina decorre de uma reação descontrolada do sistema imunológico – chamada de processo auto-imune –, que passa a produzir anticorpos que se voltam contra a mielina, inflamando-a e lesando-a. Não se sabe, porém, o que exatamente funcionaria como o gatilho dessa resposta imunológica desordenada. A herança genética contribui para o desenvolvimento dessa enfermidade, o que fica evidente quando se observa que 15% dos portadores de esclerose múltipla possuem um parente próximo igualmente afetado por esse mal.

Exames e diagnósticos

O conjunto de sintomas num indivíduo jovem, sobretudo com história de aparecimento de manifestações seguidas de melhora, faz o médico suspeitar dessa doença. Contudo, o diagnóstico não prescinde da realização de alguns exames para pesquisar alterações compatíveis com a perda de mielina e excluir outras moléstias que cursam com sintomas semelhantes. O principal deles é a ressonância magnética do encéfalo, que não só detecta áreas com mielina alterada, como também consegue distinguir desmielinizações recentes de processos ocorridos já há tempos.

A análise do liquor, um líquido que fica entre as membranas que revestem o encéfalo, igualmente pode ser bastante informativa, revelando, por exemplo, a presença da resposta imune que se acha associada à doença.

Tratamento e prevenções

A esclerose múltipla ainda não tem cura. O objetivo do tratamento, portanto, é reduzir a possibilidade de um novo surto e mesmo diminuir a intensidade das próximas manifestações, se elas de fato ocorrerem.

Para tanto, usam-se medicamentos que reduzem a resposta do sistema imunológico e a própria inflamação, a exemplo de corticóides e outros imunossupressores e imunomoduladores, associados a estratégias como fisioterapia, para a manutenção do equilíbrio e da força muscular. A terapêutica tem que ser individualizada e necessita ser mantida por muitos anos.

Como as causas dos processos auto-imunes não são conhecidas, não há meios de prevenir a esclerose múltipla. Contudo, quem tem história familiar da doença deve ficar mais atento às suas manifestações iniciais mais leves e transitórias, como dormência nos membros ou surgimento súbito de visão turva ou embaçada, entre outros.

O diagnóstico precoce, ainda que não implique um tratamento medicamentoso imediato, determina um acompanhamento médico que, no mínimo, confere maior segurança ao portador do distúrbio e à sua família.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Esquistossomose

A esquistossomose é uma doença parasitária provocada pelo Schistosoma mansoni, um verme que, antes de se hospedar no organismo humano definitivamente, precisa de caramujos para completar seu ciclo de vida. Uma vez desenvolvidas, as larvas desses parasitas penetram na pele do homem e se alojam nas veias do intestino e do fígado, podendo causar uma infecção crônica inicialmente silenciosa e lenta, mas com risco de graves complicações, a exemplo da cirrose hepática.

Apesar disso, a infecção é de fácil tratamento quando corretamente identificada. Existem cerca de 80 paises considerados como regiões endêmicas de esquistossomose, todos eles com carência de saneamento básico, onde há cerca de 200 milhões de infectados. O Brasil lamentavelmente está entre eles, com uma estimativa de 12 milhões de portadores do Schistosoma mansoni, os quais se distribuem nos Estados de Minas Gerais, Pernambuco, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe e Espírito Santo.

Causas e sintomas

Na fase aguda da infecção, os sintomas surgem subitamente após a terceira ou quarta semana da contaminação. As manifestações incluem coceiras e lesões de pele, do tipo urticária. Dependendo da sensibilidade pessoal e do número de vermes, a pessoa pode apresentar ainda febre, calafrios, dor de cabeça, dores pelo corpo, falta de apetite, tosse seca, diarréia, enjôos, vômitos, dores abdominais, aumento dos gânglios – as populares ínguas – e perda de peso.

Esses sintomas desaparecem em algumas semanas, razão pela qual podem ser confundidos com os de uma virose. Sem tratamento adequado, a infecção evolui para sua fase crônica silenciosamente ou com episódios de diarréia alternados com prisão de ventre, além de fadiga e cólicas abdominais. As manifestações clínicas da fase crônica coincidem com a eliminação de ovos do parasita.

À medida que a infecção se agrava, as manifestações ficam mais severas, incluindo vômitos com sangue, aumento das dimensões do baço e do fígado e acúmulo anormal de líquido no abdome, a ascite, popularmente conhecida como barriga d’água.

Exames e diagnósticos

O Schistosoma mansoni é transmitido ao ser humano pelo contato externo com água contaminada com larvas de caramujos do gênero Biomphalaria, encontrados em rios, lagos, represas, riachos, valetas, poços, brejos, água de irrigação e água de enxurrada das chuvas – eles só não gostam de correnteza.

Mas é importante frisar que o processo todo começa por falta de condições adequadas de esgoto e saneamento básico, visto que os ovos do parasita são liberados pelas fezes humanas contendo o verme. Ou seja, a pessoa infectada defeca na beira de um lago, liberando ovos do parasita nas fezes. Uma vez na água, esses ovos dão origem a larvas que, primeiramente, habitam os caramujos para completar seu ciclo de vida. Quando adultas, elas voltam para a água e procuram seu hospedeiro definitivo – o homem –, no qual entram pela pele. Tanto é assim que, cerca de 24 horas após a contaminação, pode haver uma reação alérgica no local da penetração do agente, com coceira e vermelhidão. Os sintomas geralmente se manifestam apenas de quatro a oito semanas depois do ingresso do parasita no organismo.

O diagnóstico da esquistossomose combina a avaliação física, o conjunto de sintomas e, sobretudo, a história do indivíduo. Muitas vezes, o que faz o médico suspeitar da doença na fase aguda é mesmo o relato do contato com água em áreas endêmicas.

A confirmação da parasitose, porém, exige a realização de algum exame laboratorial. Os mais adequados para essa finalidade incluem a análise de fezes para a pesquisa de ovos do Schistosoma mansoni, a investigação de anticorpos contra o parasita no sangue do indivíduo e a biópsia retal, ou seja, a coleta de fragmento de tecido do reto para busca dos ovos do agente infeccioso. O uso de cada um desses métodos depende da quantidade de vermes no organismo e da fase da infecção.

Tratamento e prevenções

A esquistossomose costuma ser tratada com antiparasitários, ou seja, com substâncias que combatem o Schistosoma mansoni. Existem três grupos desses medicamentos, mas o mais usado é o praziquantel, com administração por via oral, na maior parte das vezes durante apenas um dia. Na infecção crônica, a ação contra o agente não muda, porém as complicações precisam de abordagem terapêutica específica.

A prevenção da esquistossomose exige programas mais amplos de saúde pública, com melhor identificação e tratamento dos portadores, ampliação da rede de esgoto e tratamento de águas, aplicação de medidas de combate aos caramujos, sem os quais o parasita não se desenvolve, e, sobretudo, estratégias de educação sanitária.

Contudo, ninguém precisa esperar que as autoridades dêem o primeiro passo. Na prática, é importante evitar o contato com água represada ou de enxurrada, protegendo-se adequadamente com botas e luvas de borracha. Locais infestados por caramujos podem receber medidas simples de controle dessas espécies, a exemplo de pequenas mudanças ambientais para acabar com águas paradas, como drenagens e aterramentos, da introdução de animais que se alimentam destes moluscos e do uso de moluscocidas.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Febre Amarela

A febre amarela é uma doença infecciosa provocada por um vírus que ingressa no corpo humano pela picada de mosquitos. A infecção, que pode ser prevenida por imunização, ocorre em regiões de florestas e cerrado, exclusivamente em países da América do Sul, da América Central e da África, afetando pessoas não vacinadas e não-imunes em áreas urbanas, silvestres ou rurais.

As cinco regiões brasileiras possuem pontos de transmissão da febre amarela, mas o problema salta aos olhos no Norte e no Centro-Oeste, onde todos os municípios são considerados áreas de risco. Na maioria dos indivíduos, a doença cursa de maneira benigna, como outras moléstias infecciosas, melhorando naturalmente depois de alguns dias.

Cerca de 15% dos doentes, porém, apresentam a forma grave da infecção, na qual, depois de uma aparente melhora, os sintomas voltam a se intensificar e são acompanhados de complicações hemorrágicas e severo comprometimento dos rins e do fígado, requerendo cuidados médicos intensivos – nem sempre suficientes para reverter o quadro, vale sublinhar.

É esse risco que torna a febre amarela uma moléstia temida, já que, diante de uma infecção, é impossível saber se haverá evolução para sua apresentação mais grave. Contudo, a vacinação funciona como uma grande aliada da população que reside em áreas endêmicas e, sobretudo, dos viajantes que visitam tais regiões, que, afinal, formam o grupo mais suscetível.

Causas e sintomas

A maioria das pessoas desenvolve sintomas discretos ou nem tem manifestações clínicas. Quando presentes, os sinais da doença começam subitamente com sensação de mal-estar, dor de cabeça, dores musculares, cansaço, febre e calafrios, seguidos de náuseas, vômitos e, eventualmente, diarréia. Esse quadro melhora em três ou quatro dias. A forma grave se manifesta justamente de 24 a 48 horas depois que a infecção parece atenuada. A febre reaparece, acompanhada de dores de cabeça e abdominal, além de vômitos que podem conter sangue.

O quadro prossegue se agravando com sangramentos no nariz e nas gengivas, manchas semelhantes a hematomas pelo corpo, coloração amarelada na pele e nas mucosas – a chamada icterícia –, já como um indício do mau funcionamento do fígado, e diminuição do volume urinário, que, por sua vez, anuncia o comprometimento renal. Por conta desse risco, toda pessoa que apresenta febre durante ou após uma viagem para área de risco deve procurar imediatamente um serviço médico.

A febre amarela é causada por um flavivírus que, nas Américas, é transmitido principalmente por mosquitos do gêneroHaemagogus e Sabethes. Nas áreas silvestres, estes mosquitos já podem nascer carregando o agente da doença ou, então, tornar-se seu vetor após ter picado macacos infectados. Esse inseto também consegue se adaptar a áreas rurais e, assim, espalha a doença também em tais regiões.

Já em ambientes urbanos, a contaminação ocorre por meio do Aëdes aegypti, o mesmo mosquito que carrega o vírus da dengue. O mosquito se torna vetor ao picar pessoas que adquiriram o vírus em áreas silvestres – um ser humano pode ser fonte de contaminação para um mosquito desde o momento que antecede a manifestação de sintomas até o quinto dia da infecção.

O mosquito Aëdes albopictus, também implicado com a transmissão da dengue, igualmente é um potencial transmissor do flavivírus, pois, como o primeiro, multiplica-se dentro ou nas proximidades das habitações. O Brasil não tem casos da doença em áreas urbanas desde 1942, mas, diante da proliferação do Aëdes aegypti em muitas das nossas cidades, como comprovam os numerosos casos de dengue que ocorrem a cada ano, existe um risco real de a febre amarela voltar para o meio urbano.

Vale lembrar que uma pessoa não passa a infecção diretamente para outra, mas sempre com a participação de um dos insetos aqui mencionados.

Exames e diagnósticos

As manifestações clínicas da febre amarela não são suficientes para o médico tirar uma conclusão diagnóstica, mesmo com o histórico de viagem recente para áreas silvestres, pois outras doenças transmitidas por mosquitos também começam de forma semelhante, como a própria dengue e a malária.

Assim, o diagnóstico depende da realização de exames de sangue tradicionais, como a pesquisa de anticorpos contra o flavivírus ou o isolamento desse agente em uma cultura apropriada para seu crescimento, ou de exames moleculares, que investigam a presença do microrganismo no material biológico por análise de DNA.

A confirmação da infecção é indispensável para evitar epidemias, sempre com a adoção de medidas de prevenção no local de origem do doente. De qualquer maneira, vale lembrar que o diagnóstico de febre amarela não exclui a possibilidade de a pessoa também ter contraído malária, já que as áreas de transmissão das duas doenças são as mesmas.

Tratamento e prevenções

O tratamento da febre amarela é apenas sintomático, ou seja, feito para melhorar o estado geral do indivíduo. Recomenda-se hidratação vigorosa e antitérmicos para baixar a febre. É importante ressaltar que os remédios que contêm ácido acetilsalicílico – o princípio ativo de muitos antiinflamatórios e da Aspirina® – devem ser evitados, pois essa substância favorece a ocorrência de hemorragias.

Apesar da simplicidade terapêutica, o indivíduo com suspeita de febre amarela precisa ficar internado para que possa receber cuidados imediatos no caso de a infecção evoluir para sua forma mais grave. Nesses casos, aliás, o tratamento deve ser intensivo e pode incluir medidas adicionais, como transfusões de sangue e diálise peritoneal, procedimento realizado para eliminar toxinas da circulação quando o funcionamento renal fica comprometido.

A vacina contra o flavivírus é o melhor meio de prevenir a febre amarela. Quem reside em áreas de risco – de modo geral, as mesmas onde ocorrem casos de dengue – deve ser imunizado a cada dez anos, a partir dos 9 meses de idade. Para as pessoas que vão passar algum tempo nessas regiões, a orientação é receber a vacina pelo menos dez dias antes da viagem. Como medidas de proteção individual nas áreas silvestres, é importante usar calças e blusas de mangas compridas e aplicar, nas áreas expostas do corpo, repelente à base de dietiltoluamida (Deet), cuja concentração deve ser de 10% para crianças e de 50% para adultos.

Além disso, convém procurar um hotel que tenha ar-condicionado ou, então, usar mosquiteiros impregnados com inseticidas. Contudo, a prevenção da febre amarela nos centros urbanos passa pela eliminação do Aëdes aegypti e, principalmente, dos locais onde a fêmea põe os ovos.

Para tanto, qualquer coleção de água limpa precisa ser suprimida. Na prática, recomenda-se colocar terra no prato dos vasos das plantas, limpar as calhas dos telhados para evitar acúmulo hídrico, não expor à chuva objetos que possam armazenar água, acondicionar o lixo em sacos ou recipientes fechados e tampar caixas d’água, entre outras providências.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Febre maculosa

A febre maculosa, também chamada de febre do carrapato, é uma infecção febril aguda causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida por carrapatos infectados. A doença se caracteriza por febre, seguida pelo surgimento de manchas de pele róseas, que, alguns dias depois, ficam salientes e com uma coloração mais forte – são as máculas, daí o nome maculosa. Pode cursar de forma branda, às vezes até assintomática, mas também de forma grave, o que ocorre em cerca de 30% a 40% dos casos, com manifestações hemorrágicas e comprometimento dos rins, dos pulmões e do sistema nervoso central. Contudo, não é possível saber, de antemão, se a infecção vai evoluir para sua apresentação mais grave, que tem alto risco de mortalidade. Embora seja pouco freqüente, quando comparada a outras moléstias infecciosas transmitidas por vetores, a febre maculosa tem uma incidência constante no País. De 1995 a 2004, por exemplo, foram registrados 345 casos, sobretudo na zona rural de Estados como São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro. Estima-se, porém, que o número de ocorrências a cada ano seja maior, uma vez que os indivíduos que apresentam sintomas mais brandos acabam não procurando atendimento médico. Além do mais, existe a agravante de o diagnóstico ser dificultado no início, pela semelhança dos sintomas com os de outras doenças que cursam com manchas, como o sarampo e a rubéola. Por via das dúvidas, portanto, é fundamental buscar assistência médica para esclarecer o quadro e, se for o caso, receber o tratamento precocemente.

Causas e sintomas

O quadro característico dessa infecção inclui febre de início súbito, que pode chegar até 39-40 graus, acompanhada de dor de cabeça intensa, dor no corpo, calafrios e olhos vermelhos e inchados. As máculas costumam surgir por volta do terceiro ou quarto dia de febre, começando nos punhos e tornozelos e avançando para o tronco e o rosto e, finalmente, para as mãos e os pés. Além de crescerem e adquirirem uma coloração arroxeada, essas lesões podem ainda sofrer descamação e apresentar pontos hemorrágicos embaixo da pele. Na forma mais grave, a doença provoca torpor, vômitos, dores abdominais, diarréia, problemas no funcionamento renal, inchaço das pernas, pressão baixa, aumento do baço e do fígado, tosse seca intensa, dor no tórax, complicações neurológicas – como a meningite –, sangramentos nas gengivas, no nariz, no tubo digestivo e na pele, além de inflamação de vasos sangüíneos, o que pode ocasionar o apodrecimento de determinados pontos da pele – processo conhecido como necrose. A morte é pouco comum quando se aplica o tratamento precocemente.

Exames e diagnósticos

A causa da infecção é a Rickettsia rickettsii, uma bactéria que sobrevive basicamente apenas nos carrapatos, que são os únicos transmissores – uma pessoa não passa a doença para a outra em nenhuma hipótese. No Brasil, a espécie mais freqüentemente envolvida na transmissão da febre maculosa é a Amblyomma cajennense, popularmente conhecida como carrapato-estrela, carrapato-de-cavalo ou rodoleiro. Esse parasito se alimenta exclusivamente de sangue e infesta homens, animais domésticos e selvagens, especialmente as capivaras, inoculando a bactéria na corrente sangüínea de sua vítima ao picá-la para se alimentar. Para transmitir o agente ao homem, porém, ele precisa ficar aderido à pele por cerca de quatro a seis horas. Após a picada, a doença pode demorar de 2 a 14 dias, em média sete dias, para se manifestar.

Como a febre maculosa, no começo, se parece clinicamente com muitas outras doenças que cursam com manchas e febre alta, o diagnóstico exige a pesquisa sangüínea de anticorpos contra a Rickettsia no sangue do indivíduo e de exame de cultura de sangue para o isolamento da bactéria, no qual a amostra é posta em meios apropriados para o crescimento bacteriano. Diante dos sintomas e dos dados epidemiológicos, ou seja, em locais onde a doença ocorre com mais freqüência, os médicos não esperam o resultado dos exames para instituir o tratamento, pelo risco de a infecção ser letal em suas forma mais grave.

Tratamento e prevenções

O tratamento da febre maculosa é feito com antimicrobianos para combater a Rickettsia, como as tetraciclinas e o cloranfenicol. O medicamento escolhido precisa ser administrado pelo tempo prescrito pelo médico, que varia de 10 a 14 dias. Em caso de complicações, o indivíduo precisa também de cuidados específicos, em ambiente hospitalar, para tratar as manifestações e, sobretudo, restabelecer o funcionamento adequado dos órgãos afetados.

Para prevenir a febre maculosa, é preciso tomar cuidado com carrapatos em regiões onde eles possam existir. Para tanto, recomenda-se usar calças compridas com botas de cano alto, colocando as barras dentro das meias quando tiver de andar no meio de vegetação alta, e preferir roupas claras, que facilitem a identificação dos parasitos. Uma medida fundamental é examinar o corpo a cada três horas, no mínimo, porque o carrapato-estrela precisa ficar grudado à pele pelo menos por quatro horas para passar a Rickettsia. Os eventuais carrapatos encontrados na pele precisam ser retirados com muito cuidado, com a ajuda de uma pinça, e não devem ser esmagados com as unhas, uma vez que essa prática libera bactérias que podem penetrar no organismo. Depois, a região afetada precisa ser bem higienizada com água e sabão.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Febre Reumática

A febre reumática (FR) é um tipo de reumatismo que acomete crianças a partir dos 3 anos de idade, embora seja mais comum dos 5 aos 15 anos. É uma doença rara em países desenvolvidos, mas relativamente comum no Brasil.

Trata-se de uma complicação inflamatória tardia de infecções de garganta causadas por uma bactéria chamada estreptococo. Entretanto, estima-se que, do total de crianças que tenham faringites, apenas de 2,5% a 4% desenvolvam esse quadro de febre reumática. Nesta doença podem ser afetadas as articulações, o coração, o sistema nervoso e a pele.

As manifestações cardíacas são as mais graves, uma vez que podem lesar as valvas do coração e comprometer suas funções, limitando a qualidade vida do paciente em curto e em longo prazo. O comprometimento cardíaco da febre reumática ainda é uma das causas mais freqüentes de cirurgias cardíacas em indivíduos adultos.

Embora a origem dessa doença esteja vinculada à presença do estreptococo, existem outros fatores implicados no desenvolvimento da mesma. Sabe-se que ocorre uma resposta inapropriada do sistema imunológico, que leva à produção de anticorpos contra proteínas do próprio organismo, devido a uma semelhança destas com a proteína M presente na membrana do estreptococo. Esses anticorpos podem então causar danos em tecidos articulares, na pele, no sistema nervoso e no coração.

Causas e sintomas

A doença se caracteriza por quadros cardíacos, articulares, neurológicos e cutâneos, que podem aparecer cerca de uma a três semanas após a infecção pelo estreptococo. O comprometimento cardíaco, a cardite, é a manifestação mais freqüente dessa doença. O sopro no coração ocorre em 100% dos pacientes, podendo ou não causar queixas de batedeira (palpitações), cansaço e falta de ar aos esforços, dependendo do grau de comprometimento da valva cardíaca.

Em alguns casos há quadros de inflamação das membranas que envolvem o coração (pericardite) e até evolução para quadros mais graves como de insuficiência cardíaca. Já a artrite caracteriza-se por inflamações nas grandes articulações, com um caráter migratório e autolimitado. A presença de dor intensa, inchaço e calor local, sobretudo nos joelhos e nos cotovelos, pode limitar bastante os movimentos, mas evolui para a cura, sem deixar sequelas.

Um outro sinal clínico muito importante é a Coréia, que embora seja rara, é altamente sugestiva de febre reumática. Caracteriza-se por movimentos involuntários, desordenados dos braços e pernas. Embora raro, podem aparecer pequenos caroços (nódulos) debaixo da pele, duros, indolores, localizados nas superfícies das articulações e, eventualmente, no couro cabeludo. Outra lesão de pele rara, mas característica, é o eritema marginado, que são manchas fugazes, com bordas nítidas avermelhadas e centro claro, localizadas no tronco.

A febre reumática pode ocorrer em surtos agudos e autolimitados, com duração de um a seis meses. As recorrências ocorrem especialmente nos primeiros cinco anos após o surto inicial e naqueles pacientes com antecedente de doença cardíaca.

A principal causa dessa doença é a infecção recorrente pelo estreptococo. Muitas crianças têm infecções de faringe e escarlatina, que são causadas por esta bactéria. No entanto, a evolução para febre reumática só se dá naquelas que possuem uma predisposição para apresentar essa reação inflamatória.

Acredita-se que tal vulnerabilidade seja por herança familiar, mas, na verdade, ainda não se conhecem muito bem as causas do desenvolvimento desta resposta inflamatória inadequada ao estreptococo e de outras enfermidades que também cursam com processos de auto-agressão.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da febre reumática depende de uma boa avaliação médica, que inclua o conjunto de manifestações clínicas e a história da criança, com relato de faringite ou escarlatina recentes. Os resultados de testes laboratoriais de sangue podem revelar a existência de processo inflamatório no organismo – os chamados marcadores de inflamação – e o contato prévio com o estreptococo, caracterizado pela presença do anticorpo anti-estreptolisina (ASLO). O encontro de dois sinais clínicos mais significativos, como a coréia e o sopro cardíaco, associado a evidência de infecção recente pelo estreptococo já é suficiente para confirmar a hipótese.

Entretanto, como alguns dos sintomas não são específicos e pode haver infecções pelo estreptococo sem sintomas, o diagnóstico de febre reumática muitas vezes é um desafio para o médico. Assim, é muito importante descartar outras doenças, como artrite reumatóide juvenil, anemia falciforme, leucemia, que podem apresentar sintomas semelhantes.

Tratamento e prevenções

O tratamento busca eliminar o estreptococo (tratamento inicial) e prevenir novas infecções (fase de profilaxia). Inicialmente, consiste na aplicação da penicilina benzatina em dose única, independente da época em que a infecção tenha ocorrido, com a finalidade de erradicar o estreptococo do organismo da criança. Nessa fase também se prioriza o combate aos sintomas com o uso de antiinflamatórios não-hormonais para as artrites e de corticóides para as complicações do coração.

Além do emprego de medicações neuropsiquiátricas para o tratamento da coréia. O repouso durante as crises agudas é recomendado, sobretudo para crianças com cardite e artrite.

A segunda etapa, chamada de profilaxia secundária, inclui a aplicação da penicilina benzatina a cada duas a três semanas, por tempo prolongado, a ser definido pelo médico individualmente. Assim, de acordo com a gravidade da doença, alguns pacientes recebem medicamentos até os 18 anos, outros até os 25 e, eventualmente, por toda a vida. O objetivo dessa estratégia é evitar o surgimento de novos surtos da doença, que podem comprometer cada vez mais o coração do paciente.

A melhor maneira de evitar a instalação da febre reumática é consultar um médico sempre que houver suspeita de uma infecção causada pelo estreptococo, para que esta seja diagnosticada e prontamente combatida. Essa é uma medida importante, uma vez que não há vacina específica ou outra forma efetiva de prevenir os processos infecciosos nas vias respiratórias da população infantil, sobretudo na idade escolar.

A adesão às fases do tratamento médico proposto é fundamental para minimizar os danos ao coração e evitar a necessidade de intervenções cirúrgicas cardíacas. Além disso, é sempre bom salientar que cultivar bons hábitos de higiene e cuidados com a saúde das crianças diminui muito a predisposição destas à ação dos microrganismos como o estreptococo.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Febre tifóide

A febre tifóide é uma doença infecciosa causada pela bactéria Salmonella typhi, transmitida principalmente por água e alimentos contaminados.

Como diz o próprio nome, a infecção se caracteriza por uma febre alta prolongada, acompanhada de alterações intestinais, como diarréia com sangue e do aumento das dimensões do baço e do fígado. Cerca de 10% dos casos apresentam manchas avermelhadas no tronco. Na ausência de tratamento adequado, a doença permanece evoluindo por semanas e às vezes, até por meses.

As principais complicações incluem hemorragias abdominais, perfuração intestinal, com risco de infecção da cavidade abdominal, e outros processos infecciosos severos, que podem afetar os rins, as vias urinárias, os pulmões, as válvulas cardíacas, os ossos, os músculos e o sangue. Em média, a febre tifóide pode ser fatal em 15% das pessoas que a contraem. Na maioria dos infectados, contudo, a temperatura começa a cair a partir da terceira semana e volta ao normal na quarta semana. Apesar disso, as recaídas são comuns nos indivíduos que não recebem tratamento adequado.

A moléstia está presente em todo o globo, mas é mais freqüente nas regiões carentes de saneamento básico, particularmente na Índia, Américas do Sul e Central e África. Estima-se que, anualmente, ocorram de 12 milhões a 33 milhões de casos, a maior parte na Ásia e na África. No Brasil, foram registrados quase 8 mil casos confirmados de 1996 a 2005, a maioria no Norte e no Nordeste, porém com sensível queda de incidência – em 1996, houve 1.358 pessoas diagnosticadas, ante 397, em 2005.

Causas e sintomas

A doença cursa sobretudo com febre alta, que sobe lentamente nos primeiros dias de infecção, atingindo o patamar de 39ºC a 40ºC nas duas semanas seguintes, desce gradualmente no final da terceira semana e atinge níveis normais por volta da quarta semana. A elevação da temperatura corporal é acompanhada de dores de cabeça, dor no corpo, mal-estar geral, falta de apetite, dor abdominal, aumento do volume do baço, manchas rosadas no tronco e alterações intestinais, como prisão de ventre ou diarréia com sangue.

Embora a maioria dos doentes se recupere por completo, podem surgir complicações, principalmente naqueles não tratados ou os que o foram tardiamente. Estas complicações incluem hemorragias digestivas e perfuração intestinal, esta última ocasionando fortes dores abdominais, quadro conhecido como peritonite.

Durante a segunda ou terceira semana pode manifestar-se pneumonia, infecção da vesícula biliar ou do fígado. Uma infecção do sangue (bacteriemia) pela Salmonella typhi pode conduzir a uma infecção dos ossos (osteomielite), das válvulas cardíacas (endocardite), do cérebro (meningite), dos rins (glomerulonefrite), das vias urinárias ou do músculo, com formação de abcesso. Em aproximadamente 10 % dos casos não tratados, os sintomas da infecção inicial repetem-se em duas semanas.

Entretanto, existem pessoas que são portadoras da bactéria, carregando-a e eliminando-a nas fezes por longos períodos de tempo sem, conduto, terem qualquer sintoma da infecção. São estas pessoas que perpetuam o ciclo da doença.

A infecção tem, como causa, a bactéria Salmonella typhi, que ingressa no organismo humano por meio de água e de alimentos contaminados com fezes de portadores do agente infeccioso. A contaminação dos alimentos ocorre pela água empregada em sua lavagem e/ou preparo, pela sua manipulação por mãos que não foram bem higienizadas ou, ainda, por moscas. Mais raramente, a bactéria também pode ser adquirida pelo contato direto com materiais biológicos de pessoas infectadas, como secreções respiratórias, pus, vômitos, fezes e urina.

Uma vez no organismo, o agente precisa vencer a barreira da acidez gástrica para chegar ao intestino delgado, onde trava uma batalha com os microrganismos ali naturalmente presentes para conseguir invadir a parede intestinal e, finalmente, alcançar a corrente sangüínea. Em média, o intervalo entre a contaminação e a manifestação dos sintomas vai de 7 a 14 dias.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico depende fundamentalmente do isolamento da Salmonella typhi no sangue, na primeira semana de doença ou nas fezes, a partir da segunda semana. Existem também provas sorológicas, como a reação de Widal, que podem se úteis no diagnóstico, havendo, no entanto, necessidade de se colher duas amostras, uma na fase inicial da doença e outra após duas semanas.

É importante notar que o uso indiscriminado de antibióticos pode interferir tanto no resultado das culturas como também nas provas sorológicas. Ocorre que, no início, a febre tifóide pode ter manifestações semelhantes às de outras doenças infecciosas importantes, a exemplo da malária. Da mesma forma, não é difícil confundi-la com outras infecções à medida que progride, como pneumonia e tuberculose. Por isso, muito freqüentemente o médico pode precisar investigar melhorar essas hipóteses.

Tratamento e prevenções

O tratamento da febre tifóide pode ser feito ambulatorialmente, apenas com o uso de antibióticos contra o agente infeccioso e de medidas para a hidratação do indivíduo. Se o caso for mais grave, a administração dos medicamentos e da hidratação precisa ser realizada em regime de internação hospitalar, por via endovenosa. De qualquer maneira, é possível curar mais de 99% dos casos com o estabelecimento rápido da antibioticoterapia. Em geral, os infectados que não resistem à febre tifóide ou estão desnutridos ou são muito jovens ou, ainda, têm idade muito avançada.

A forma mais efetiva de prevenir a febre tifóide em uma localidade é a existência de infra-estrutura de saneamento básico adequada, incluindo a execução de melhorias no sistema de armazenamento e distribuição de água tratada e a construção de redes de esgoto. A inspeção sanitária em estabelecimentos como escolas, restaurantes e bares, além do controle das moscas também são medidas importantes.

A prevenção passa ainda obrigatoriamente pela educação sanitária da população, de forma que cada pessoa saiba como se adquire a doença e possa fazer sua parte para evitar a contaminação. Na prática, é fundamental ferver ou filtrar a água antes de consumi-la, prevenir-se com boas práticas de higiene pessoal, como lavar as mãos após usar o banheiro, manipular os alimentos de forma adequada e higiênica e, se possível, evitar o consumo de produtos preparados e vendidos por ambulantes – na dúvida, especialmente em viagens, é melhor ficar com alimentos industrializados. Mesmo assim, todo o cuidado é pouco com pedras de gelo, que muitas vezes podem esconder a fonte da uma eventual contaminação.

Existem duas vacinas contra a febre tifóide, uma injetável e outra oral, que, entretanto, não têm indicação universal porque sua eficácia deixa a desejar. A utilização de tais produtos deve ser avaliada por um médico e, ainda assim, se o risco de infecção for muito elevado. Contudo, a imunização não dispensa os cuidados mencionados.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Fenilcetonúria

A fenilcetonúria é uma doença geneticamente determinada decorrente da abolição ou diminuição da atividade de uma enzima – a fenilalanina hidroxilase –, que é responsável por transformar a fenilalanina em tirosina. Esses dois aminoácidos encontram-se presentes em todos os alimentos-fonte de proteínas, como leite, queijos, carnes, ovos e leguminosas, a exemplo de feijão, lentilha e grão-de-bico.

Com esse defeito enzimático, a fenilalanina não é transformada corretamente e se acumula no organismo mas é no cérebro que o seu excesso pode causar mais transtornos, levando a redução da capacidade intelectual e a distúrbios do comportamento. A fenilcetonúria pode ser tratada com dieta com restrição de fenilalanina, por meio da redução da oferta de proteínas e do uso de leite especiais, e com isso se impede a ocorrência dos sintomas neurológicos.

Esse acompanhamento nutricional tem que ser feito de forma rigorosa, especialmente nos primeiros anos de vida, com o intuito do manter sob controle os níveis de fenilanina no sangue. No Brasil, estima-se que a fenilcetonúria incida um em cada 15 mil nascidos vivos.

Causas e sintomas

Os portadores de fenilcetonúria não apresentam sintomas ao nascer, e somente quando crescem é que se percebe que a velocidade com que se desenvolvem é menor do que a esperada: demoram mais para sentar-se, andar e falar, são mais irritados e algumas vezes hiperativos. Com o advento do teste do pezinho, que é feito na maternidade ou logo nos primeiros dias de vida, a doença passou a ser diagnosticada antes que surjam os sintomas, e o seu tratamento precoce impede que a doença se manifeste.

A fenilcetonúria é causada por alterações, conhecidas como mutações, quase sempre localizadas no gene que fornece as instruções para a produção da enzima fenilalanina hidroxilase, responsável pela transformação da fenilanina em tirosina. Quando esta enzima encontra-se defeituosa ou não funcionante, os níveis de fenialanina tendem a se elevar. Ela é uma condição que é herdada como uma característica recessiva, isto é, que depende de informação truncada que é recebida tanto do pai como da mãe.

Durante a gravidez, no entanto, as portadoras da doença precisam se valer de um cuidado extremo para evitar níveis elevados de fenilalanina – a chamada hiperfenilalaninemia materna –, uma vez que esse acúmulo do aminoácido pode provocar desordens neurológicas e malformações no feto. Há ainda tipos mais raros de fenilcetonúria, decorrentes de alterações em outros genes que estão envolvidos com a produção de cofatores necessários para a adequada transformação da fenilalanina em tirosina; essas formas podem necessitar de tratamento medicamentoso, além do controle nutricional.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico costuma ser feito ainda na maternidade, por meio do teste do pezinho, que, tanto em hospitais da rede pública quanto da privada, deve ser obrigatoriamente realizado para pesquisar, no sangue do recém-nascido com mais de 48 horas de vida, a fenilcetonúria e o hipotiroidismo.

Em algumas regiões do Brasil, investigam-se outras doenças, como a fibrose cística e a anemia falciforme. O resultado positivo para fenilcetonúria requer confirmação por uma nova análise do sangue do bebê. Caso o diagnóstico seja feito mais tardiamente, outros métodos diagnósticos podem ser necessários para avaliar o comprometimento gerado pelo excesso de fenilalanina no organismo, tais como a ressonância magnética do encéfalo.

Tratamento e prevenções

O tratamento da fenilcetonúria é feito com uma dieta especial, com restrição de fenilalanina, e deve começar tão logo o diagnóstico seja confirmado para evitar o comprometimento neurológico provocado pela doença, sendo acompanhado por exames laboratoriais periódicos para dosar o nível da substância no sangue. Como a fenilalanina está presente em todas as proteínas, os alimentos protéicos precisam ser substituídos por fórmulas específicas com pouca ou nenhuma quantidade desse aminoácido.

À medida que a criança cresce, esses preparados são combinados a frutas, vegetais, gorduras e carboidratos, que contêm baixo teor de fenilalanina. Em síntese, a alimentação deve ser bem calculada para suprir a quantidade de proteínas e as calorias necessárias ao desenvolvimento infantil, mantendo, contudo, níveis mínimos do aminoácido na circulação.

A duração da dieta fica a critério médico, mas, via de regra, costuma ser mais rígida até a adolescência, voltando a adquirir essa característica na gravidez. Mulheres portadoras de fenilcetonúria que não façam acompanhamento nutricional na gestação, têm risco de ter filhos com malformação cardíaca, retardo mental e microcefalia, uma vez que teores elevados de fenilalanina são prejudiciais ao desenvolvimento do bebê.

O diagnóstico precoce, por meio do teste do pezinho, é a melhor forma de se prevenir a ocorrência dos sintomas associados à fenilcetonúria. Uma vez feito o diagnóstico em um bebê, a chance dessa condição se repetir em outra gestação do casal é de 25%.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Fibromialgia

A fibromialgia é uma doença que se caracteriza por uma dor crônica que migra por vários pontos do corpo e se apresenta sobretudo nos músculos, tendões e ligamentos, especialmente em um dos lados do corpo, embora possa ser bilateral.

Esta doença é considerada um reumatismo e é caracterizada por dor generalizada e fadiga. Essas manifestações estão diretamente relacionadas com o funcionamento do sistema nervoso central e com o processo natural de supressão das dores. Ou seja, há uma disfunção que impede o mecanismo que coordena dor e analgesia de funcionar direito.

Numa pessoa saudável que fica sentada muito tempo numa posição errada, o organismo usa substâncias analgésicas de que dispõe naturalmente, como as endorfinas e a serotonina, conseguindo evitar sintomas de desconforto. Já em um indivíduo com fibromialgia, submetido à mesma condição, o organismo não consegue impedir a dor, refletindo um limiar menor para qualquer sintoma doloroso ou situação desconfortável.

A doença, contudo, não é um processo inflamatório, como uma tendinite, nem causa deformidades físicas, como a artrite reumatóide, mas pode estar associada à esse tipo de doença, dificultando o diagnóstico.

Da mesma forma, não se trata de doença grave, não apresenta risco de vida, no entanto, compromete muito a qualidade de vida e o humor do indivíduo. Seu maior problema está neste impacto negativo causado pela constância de dor generalizada limitando as atividades habituais das pessoas, o qual, contudo, pode ser eficientemente amenizado por um tratamento multidisciplinar.

Alguns estudos calculam que essa condição afete cerca de 5% da população mundial, especialmente as mulheres na faixa dos 35 aos 50 anos.

Causas e sintomas

Dor generalizada, fadiga e alteração do humor são os principais sintomas desta doença . Há nove pontos de cada lado do corpo – e, portanto, 18, no total – nos quais a dor pode se instalar e se espalhar: atrás da cabeça, no pescoço (na altura das vértebras cervicais), em cima do ombro e nas costas,  no tórax (perto da segunda costela), nos quadris, nas nádegas,  no local onde o fêmur se encaixa na bacia,  no cotovelo e na parte traseira do joelho. Não é à toa que as pessoas se queixam, no consultório, de que “tudo dói”. Mas, além da dor, os sinais clínicos abrangem fadiga, ansiedade, dormência nas mãos e pés, alterações intestinais, depressão, dor de cabeça e ausência de sono reparador – os indivíduos acordam já cansados, como se não tivessem dormido.

A causa ainda é desconhecida, mas existe uma deficiência neuroquímica que ajuda a explicar a fibromialgia: em seus portadores, os níveis de serotonina, neurotransmissor associado ao bem-estar, são mais baixos. Além disso, há alguns fatores associados ao aparecimento da condição, como a exposição cotidiana à tensão e ao estresse e, por se tratar de um problema quase que exclusivamente feminino, os desequilíbrios hormonais. Outras correntes, ainda em estudo, sugerem o envolvimento de algum agente infeccioso na doença, que desencadearia todo o processo, a presença de lesões no sistema nervoso central, que, portanto, afetariam o mecanismo de supressão da dor, e a existência de alterações no metabolismo dos músculos, que os tornaria mais fracos e cansados.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico é clínico, realizado após uma investigação médica diagnóstica de outras causas para estas mesmas queixas clínicas. Assim não há exame complementar que possa ser utilizado para estabelecer um diagnóstico definitivo.

No entanto, o exame clínico associado ao conjunto de sintomas e achados no exame físico, são os principais parâmetros para a definição desta doença. Essa avaliação, feita pelo médico no consultório, é fundamental para afastar a possibilidade dos sintomas estarem associados a outros problemas clínicos ou neurológicos mais graves que cursam com cansaço e fraqueza muscular.

O exame físico requer a palpação dos 18 pontos de dor padronizados para o diagnóstico  dessa doença. A presença de hipersensibilidade em 11 pontos e queixa de dor contínua por mais de três meses é altamente sugestiva de fibromialgia. Queixa de contratura muscular, maior sensibilidade ao toque físico e as oscilações de temperatura também são comuns nos pacientes com essa doença. Embora não existam testes laboratoriais que possam confirmar a suspeita, o exame de polissonografia pode ser bastante útil para avaliação dos pacientes que apresentam sono não reparador.

Além disso, alguns exames adicionais, de sangue e de imagem, podem ser realizados para descartar inflamações em articulações e tendões, bem como descartar outras doenças clínicas.

Tratamento e prevenções

O tratamento ideal é realizado pela utilização de três pilares, baseados em remédios, atividade física e suporte psicológico. Na linha de medicações, podem ser empregados desde analgésicos, antiinflamatórios, até antidepressivos. Estes últimos porque os neurotransmissores reguladores da dor e do humor (depressão) são interligados e semelhantes. Mas apenas o uso de medicações não basta. Um dos grandes aliados deste tratamento,é a realização de um programa permanente de condicionamento físico orientado.

Além de exercícios de alongamento e relaxamento, atividades físicas aeróbicas leves, como hidroginástica, natação e caminhada são extremamente benéficas para estes pacientes. As crises, no entanto, podem voltar porque a doença tem relação com gatilhos físicos e psicológicos. Uma grande sobrecarga de trabalho ou uma insatisfação  muitas vezes são suficientes para o ressurgimento dos sintomas. Por isso mesmo, o apoio psicológico costuma ser um adjuvante fundamental no tratamento.

Por se tratar de uma doença de causa desconhecida, não há medidas primárias que possam evitá-la. Mas, dada sua associação com o estresse, a tensão e o desequilíbrio emocional, sobretudo as mulheres devem buscar, desde cedo, uma atividade física regular e reservar periodicamente momentos de lazer e de relaxamento para liberar suas tensões cotidianas.

Cuidar da postura também é importante, pois muitas vezes as crises podem ser desencadeadas por causa de um posto de trabalho inadequado, por exemplo.

Por fim, dormir faz uma grande diferença no modo como encaramos as dificuldades do dia-a-dia. Para tanto, vale fazer a chamada higiene do sono: eliminar tudo que possa atrapalhar esse momento tão valioso, como luz, barulho, colchão inadequado e temperatura desagradável, não fazer do quarto um escritório e não tomar bebidas alcoólicas ou estimulantes – como café – algumas horas antes de dormir.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Fibrose cística

A fibrose cística, ou mucoviscidose, é uma doença genética na qual as glândulas que fabricam muco, suor e enzimas digestivas apresentam um funcionamento anormal. Com isso, o suor apresenta um teor maior de cloro e sódio, tornando-se mais salgado, e as demais secreções ficam mais espessas e volumosas, obstruindo vários caminhos essenciais para o bom funcionamento do organismo.

No sistema digestório, o pâncreas não consegue liberar as enzimas que deveriam auxiliar a digestão no intestino, em decorrência do entupimento de seus ductos pelo suco digestivo mais consistente que ele próprio fabrica. Assim sendo, o indivíduo não absorve bem os nutrientes dos alimentos e não ganha peso.

A obstrução igualmente pode causar um processo inflamatório no fígado em decorrência do acúmulo de bile, outra secreção utilizada na digestão de gorduras. Já no sistema respiratório, o pulmão produz um muco mais grosso e pegajoso, que dificulta a limpeza natural da região e obstrui as vias respiratórias, aumentando o risco de infecções pulmonares e bronquite crônica.

Além dessas complicações, os homens portadores de fibrose cística são estéreis em mais de 95% dos casos. Segundo o Ministério da Saúde, uma em cada 10 mil crianças nasce com a doença no Brasil.

Causas e sintomas

Em vista da má absorção dos nutrientes dos alimentos, o portador de fibrose cística evacua muitas vezes, em grande quantidade, eliminando fezes brilhantes e com odor bastante forte. Sente fome e alimenta-se bem, mas tem deficiência de ganho de peso e altura.

Em relação à parte respiratória, apresenta tosse crônica produtiva, com catarro, acompanhada de chiado no peito e de dificuldade para respirar. O suor é abundante e excessivamente salgado, podendo ser notado por um beijo – tanto é assim que a mucoviscidose também é conhecida como a doença do beijo salgado.

A doença se deve a defeitos genéticos transmitidos dos pais para os filhos. Tecnicamente chamados de mutações, esses defeitos envolvem o gene CFTR – sigla de cystic fibrosis transmembrane regulator –, o qual dá instruções para a proteína CFTR exercer seu papel no organismo, de transportar cloro e bicarbonato entre as membranas das células.

Mais de mil mutações nesse gene já foram identificadas nos portadores de fibrose cística, mas a mais comum é a delta-F508, presente em 70% dos casos. Para uma criança nascer com a doença, o pai e a mãe precisam ser portadores dessas alterações genéticas, que ocorrem em cerca de 20% da população, sem que as pessoas apresentem sintomas.

Exames e diagnósticos

A fibrose cística costuma ser diagnosticada na infância. Existe um teste do pezinho  ampliado, que inclui o rastreamento desta doença, coisa que teste do pezinho convencional não contempla. O exame mais usual para diagnóstico desta enfermidade é o teste do suor, um método muito simples que consiste na dosagem de cloro na transpiração. Dois resultados positivos, acompanhados dos sintomas, são considerados suficientes para diagnosticar a fibrose cística.

Atualmente, os testes genéticos conseguem detectar até 90% das alterações genéticas que causam a doença, razão pela qual têm sido bastante utilizados para a confirmação da suspeita.

Tratamento e prevenções

Por enquanto, a fibrose cística não tem cura, mas é possível minorar as complicações provocadas pela doença. Para melhorar a absorção dos nutrientes, a criança deve ter uma dieta rica em calorias e sem restrição de gorduras, complementada pelo uso de vitaminas e de enzimas digestivas.

Já para evitar problemas pulmonares, costumam ser prescritas inalações diárias com medicamentos próprios para ajudar a fluidificar a secreção e facilitar sua eliminação, assim como fisioterapia respiratória e hidratação abundante. Esse grupo de pessoas também tem recomendação de receber a vacina contra a gripe e a vacina contra o pneumococo, um dos principais agentes bacterianos envolvidos com as pneumonias mais severas. Quando as infecções se instalam, porém, os antibióticos são inevitáveis.

Por se tratar de uma doença genética, não há como evitar a fibrose cística. Hoje em dia, porém, os testes genéticos podem predizer, com boa margem de segurança, a chance de um casal ter filhos com distúrbios dessa natureza. Tais exames não prescindem de prescrição médica e devem ser realizados dentro de um contexto de aconselhamento genético, na hora de decidir um planejamento familiar – jamais durante a gravidez, vale sublinhar.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Gastrite

A gastrite é uma inflamação bastante freqüente da mucosa do estômago, que ocorre em resposta a um agressor. Pode ser aguda, de aparecimento súbito e relacionada com algum evento recente, como o uso de um medicamento, ou crônica, quando o processo inflamatório está associado a uma agressão constante, como a presença da bactéria Helicobacter pylori.

Diferentemente da úlcera, que é localizada e mais profunda, a gastrite afeta toda a mucosa estomacal, mas de maneira superficial. Em geral, a inflamação é facilmente tratável, sobretudo nos casos agudos, com causa definida, não ocasionando maiores complicações.

Causas e sintomas

As pessoas costumam usar o termo gastrite como um sintoma, mas os episódios agudos geralmente incluem dor na região do estômago, queimação, azia, má digestão – especialmente dos alimentos mais gordurosos –, náuseas, vômitos e, nos casos mais graves, sangramento perceptível no vômito e nas fezes, que ficam escurecidas com a presença de sangue.

Na gastrite crônica, a pessoa pode ter apenas sensação de saciedade após uma pequena ingestão de alimentos, porém esse quadro não apresenta sinais clínicos evidentes na maioria das situações.

A gastrite aguda costuma ter uma origem bem clara, como o uso de medicamentos – a exemplo do ácido acetilsalicílico, dos corticóides e de outros antiinflamatórios –, o consumo de bebidas alcoólicas e a ingestão acidental ou proposital de substâncias corrosivas.

Esses episódios igualmente podem ser provocados como resposta a uma infecção gastrointestinal causada por bactérias, vírus, fungos ou parasitas. Além disso, podem surgir como complicação secundária de grandes cirurgias, lesões traumáticas, queimaduras extensas e infecções generalizadas.

Já a gastrite crônica se origina principalmente como reação à presença do Helicobacter pylori na mucosa gástrica, a mesma bactéria que desencadeia a grande maioria das úlceras pépticas. A inflamação crônica ainda pode ter causas mais raras, como a gastrite auto-imune que evolui com atrofia da mucosa gástrica, e o refluxo constante da bile presente no duodeno para o estômago.

Exames e diagnósticos

Com o conjunto de sintomas e a história do indivíduo, o médico pode suspeitar da gastrite. Contudo, a confirmação da doença depende da realização de uma endoscopia digestiva alta, exame que visualiza a mucosa gástrica por meio de um tubo flexível – endoscópio – introduzido pela boca.

Além da visão direta, esse método permite a realização do teste de urease, que consiste na análise de um fragmento pequeno da mucosa gástrica para pesquisa direta da presença do helicobacter, ou da biópsia com exame anatomopatológico, para verificar o grau de inflamação da mucosa e a natureza de suas alterações – se benigna ou maligna.

Tratamento e prevenções

Os episódios agudos melhoram com a supressão da causa, como os medicamentos e as bebidas alcoólicas, mas a maioria dos casos requerem medicamentos para a melhora dos sintomas, como os que contribuem com o esvaziamento gástrico – os chamados pró-cinéticos – e os que reduzem a produção de ácidos, que incluem os inibidores da bomba de prótons e os antagonistas de receptores H2.

Juntamente com as medicações, recomenda-se uma alimentação saudável, em porções pequenas e intervalos não superiores a três horas. Quando existe infecção pelo helicobacter, em alguns casos, será necessário o tratamento da bactéria com o uso de antibióticos.

A prevenção da gastrite exige distância dos agressores da mucosa gástrica, o que, na prática, implica procurar não ingerir medicamentos sem prescrição médica, sobretudo ácido acetilsalicílico e outros antiinflamatórios, não ingerir bebidas alcoólicas em excesso, parar de fumar e evitar os riscos de contaminação alimentar por microrganismos, pelo consumo de água e alimentos de procedência duvidosa.

Ademais, o estômago também precisa ser bem tratado para poder tolerar melhor as agressões, quando elas forem inevitáveis. Para tanto, é importante respeitar os horários das refeições, dar preferência a uma dieta composta de frutas, verduras e carnes magras, evitando o consumo cotidiano de comidas muito gordurosas, e mastigar completamente os alimentos. A digestão, afinal, começa na boca.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Glaucoma

O glaucoma é uma doença ocular que causa lesões irreparáveis no nervo óptico, as quais determinam perda progressiva do campo visual – a pessoa enxerga o que tem na frente, mas não o que está ao redor – e, posteriormente, se progredir, existe a perda da visão central.

Na doença, o humor aquoso, um líquido que mantém a pressão intra-ocular equilibrada, deixa de ser naturalmente escoado por causa de alguma obstrução. Essa falha no sistema de drenagem do líquido aumenta a pressão intra-ocular e a constância dessa elevação causa lesão do nervo óptico.

Estima-se que 13% dos casos de cegueira em todo o mundo sejam provocadas pelo glaucoma. Em geral, a doença acomete pessoas com mais de 40 anos, mas pode estar presente em crianças, evidentemente como uma doença congênita.

Causas e sintomas

O grande problema é que, a exemplo da hipertensão arterial, que desencadeia doenças cardiovasculares, todo esse processo de acúmulo do humor aquoso, elevação da pressão intra-ocular e desenvolvimento de lesões oculares vai se desenrolando silenciosamente, no tipo mais comum de glaucoma, o de ângulo aberto. Quando a pessoa nota a perda visual, o nervo geralmente já está muito prejudicado.

Contudo, existe uma forma da doença em que há sintomas, embora seja bem mais rara. Trata-se do glaucoma de ângulo fechado, no qual o indivíduo pode sentir dores fortes no olho e na cabeça e borramento da visão. Essa situação, porém, configura uma crise aguda de glaucoma e requer cuidados médicos imediatos.

No tipo de glaucoma mais freqüente, a falha no sistema de drenagem do humor aquoso decorre de uma alteração no ângulo da câmara anterior do olho, tanto em sua anatomia quanto em suas células. Essa alteração impede que o líquido seja escoado. Há situações, no entanto, em que esse sistema pára de funcionar sem explicação.

O glaucoma também pode ser secundário, ou seja, causado por alguma outra doença ocular, como um processo inflamatório (uveíte) ou uma hemorragia (traumática), e mesmo pelo uso prolongado de colírios que contêm corticóide.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico do glaucoma depende da realização de uma boa avaliação oftalmológica, que inclua a medida da pressão intra-ocular, o exame de fundo de olho (para pesquisar a existência de lesões do nervo óptico), e a campimetria, para verificar se há eventual perda do campo visual. Como as pessoas geralmente não apresentam sintomas, é comum a doença ser diagnosticada em um check-up oftalmológico de rotina.

Tratamento e prevenções

Inicialmente, o tratamento é feito com colírios, que servem tanto para baixar a pressão intra-ocular quanto para aumentar a drenagem do humor aquoso. Se os medicamentos não permitirem o controle da doença, o próximo passo é recorrer a técnicas cirúrgicas e terapias a laser para promover o escoamento do humor aquoso, todas passíveis de execução em regime ambulatorial.

Qualquer que seja o recurso, convém lembrar que as medidas terapêuticas só agem nos fatores que causam a lesão no nervo óptico – ou seja, baixam a pressão ou ajudam o líquido a ser drenado –, não servindo, portanto, para reverter a visão já perdida. Mas a instituição do tratamento mais adequado e um bom acompanhamento afastam substancialmente a possibilidade de perder a visão em decorrência do glaucoma. Daí a importância do diagnóstico precoce.

Em termos de prevenção primária, não há o que fazer para evitar o aparecimento do glaucoma. Por se tratar de uma doença silenciosa, a melhor medida é visitar anualmente o oftalmologista, a fim de controlar a pressão intra-ocular e rastrear lesões em estágio inicial e mínimas perdas de campo visual.

Os indivíduos que têm história da doença na família, os míopes e as pessoas das raças negra e asiática devem ser ainda mais rigorosos com esse acompanhamento, uma vez que sua predisposição para o glaucoma é maior.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Glomerulonefrite

Responsável por metade das doenças renais, a glomerulonefrite consiste em uma inflamação não-infecciosa dos glomérulos dos rins, ou seja, das minúsculas estruturas compostas de vasos e fibras nervosas que respondem diretamente pela filtração do sangue. A doença decorre de uma reação anormal do sistema de defesa do organismo, que tanto pode se caracterizar pela produção de anticorpos que se voltam contra os glomérulos quanto pela deposição indevida de complexos imunológicos nessa porção dos rins. Tais moléculas, denominadas imunocomplexos, costumam se formar em várias partes do corpo, por razões diversas, e são constituídas por um anticorpo unido a um antígeno – qualquer substância capaz de acionar a fabricação de células de defesa, como o antígeno liberado por alguma bactéria. Existem diferentes tipos de glomerulonefrite, que recebem classificações distintas conforme suas manifestações e causas e também conforme seu curso. Embora as apresentações variem, essas inflamações se assemelham porque os glomérulos respondem ao ataque imunológico de modo similar. À medida que são lesados, vão perdendo a capacidade de executar uma boa filtração. Com isso, deixam escapar sangue e proteínas pela urina, desequilibram o nível de líquidos e de sais minerais no organismo e levam as toxinas resultantes do processo de morte e renovação de células sangüíneas a se acumular na circulação. O fato é que, sem tratamento nem acompanhamento, as glomerulonefrites podem evoluir para formas clínicas conhecidas como síndrome nefrótica e síndrome nefrítica, e resultar numa perda das funções dos rins rapidamente progressiva e irreversível.

Causas e sintomas

Os sinais e sintomas da doença variam de pessoa para pessoa, mas, de modo geral, incluem alterações no aspecto da urina, que fica mais escura e espumosa em decorrência da perda de sangue e de proteínas, redução do volume urinário, elevação da pressão arterial, inchaço nos membros inferiores e no rosto e mal-estar generalizado, incluindo cansaço, fraqueza, indisposição e anemia. Convém ponderar que muitos casos podem cursar sem nenhuma manifestação clínica, só sendo descobertos em exames laboratoriais de rotina, que revelem a existência de alterações urinárias.

O fenômeno imunológico que está no cerne dessa inflamação renal é desencadeado por alguns gatilhos, sobretudo as infecções provocadas por microrganismos em qualquer parte do corpo, como ocorre na glomerulonefrite pós-estreptocócica, que se desenvolve depois de amigdalites ou infecções de pele provocadas por uma bactéria chamada estreptococo. Nessa situação, os antígenos da bactéria, unidos aos anticorpos que os neutralizam, se depositam nos glomérulos e causam-lhes lesões. Determinados medicamentos e doenças como diabetes mellitus, hipertensão arterial, lúpus eritematoso sistêmico, aids e hepatites, podem evoluir com glomerulonefrite, mas o ataque do sistema imunológico às células dos glomérulos também pode surgir sem nenhuma razão que o explique, a não ser a predisposição genética para esse tipo de reação.

Exames e diagnósticos

As manifestações clínicas características e as anormalidades detectadas em testes laboratoriais, como a presença de sangue e de proteínas na urina e o excesso de toxinas na corrente sangüínea, já apontam a existência de inflamação nos rins. Contudo, o diagnóstico preciso depende da realização de uma biópsia local para conhecer exatamente o tipo e a extensão da lesão nos glomérulos. Esse procedimento, que hoje pode ser efetuado em ambiente ambulatorial, consiste na retirada de minúsculos fragmentos dos rins por meio de uma punção especial com agulha, feita sob anestesia local, para posterior análise de suas alterações, células e tecidos.

Tratamento e prevenções

As inflamações mais leves, denominadas glomerulonefrites focais, em geral se resolvem espontaneamente em médio e longo prazos, requerendo apenas um controle rigoroso da pressão arterial e da retenção de líquidos, o que costuma ser resolvido com medicamentos diuréticos. Já as mais agressivas, que se comportam de maneira difusa, precisam de medidas para reduzir a formação do complexo antígeno-anticorpo, o que inclui particularmente o emprego de antiinflamatórios e imunossupressores inespecíficos, como os corticóides, a azatioprina e a ciclofosfamida, entre outras medicações. Além disso, nos casos mais graves, a adoção de uma dieta com restrição de proteínas, sal, potássio e fósforo faz parte das estratégias terapêuticas para evitar a evolução da doença para a insuficiência renal crônica.

Como as glomerulonefrites estão relacionadas com um descontrole do sistema imunológico, há pouco a fazer para impedir o desenvolvimento dessas inflamações. A prevenção, contudo, passa pelo rigor contra o uso indiscriminado de quaisquer medicamentos sem prescrição, especialmente de antiinflamatórios, assim como pela adoção de medidas de proteção contra doenças infecciosas importantes, como a aids e as hepatites. Contudo, uma vez que muitos casos provêm de infecções anteriores por bactérias, os tradicionais cuidados com a saúde em geral – como ter uma alimentação equilibrada, dormir bem, praticar atividade física e manter hábitos saudáveis, incluindo os de higiene pessoal – sempre podem ajudar a reduzir as chances de contaminação com diferentes microrganismos. As amigdalites bacterianas em crianças, em particular, merecem atenção. Essas infecções precisam ser tratadas invariavelmente pelo tempo recomendado, de modo que se tenha a certeza da eliminação do agente infeccioso. Mesmo assim, é bom ficar de olho no surgimento de alterações urinárias depois do tratamento.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Gota

A gota é uma doença que ocorre quando há elevação de ácido úrico no sangue – uma das substâncias produzidas no processo natural de destruição e renovação celular – com a conseqüente deposição de cristais de urato monossódico, derivados desse ácido, nos tecidos e nas articulações, especialmente dos joelhos e dos pés.

Por sua vez, esse acúmulo de cristais pode desencadear uma reação inflamatória nas articulações, ou artrite. Os episódios de artrite são bastante dolorosos, mas se resolvem poucos dias, o que faz com que muita gente não procure ajuda médica depois de uma primeira manifestação.

Ocorre que, sem nenhuma medida terapêutica para controlar o excesso de ácido úrico na circulação, as crises se tornam freqüentes e mais intensas, chegando a provocar até mesmo deformações nas regiões inflamadas. Além disso, os rins também podem ser afetados, seja com alterações em seu funcionamento, seja com o desenvolvimento de cálculos renais – as populares pedras nos rins.

Estima-se que 2% da população mundial seja portadora de gota, sobretudo homens com mais de 40 anos. Nas mulheres, a doença é pouco comum e, quando aparece, surge após a menopausa.

Causas e sintomas

As primeiras crises costumam afetar somente uma articulação, na maioria dos casos. Em geral, a inflamação começa com um inchaço abrupto do dedão do pé, acompanhado de dor forte. A pele da região fica avermelhada, brilhante e quente.

Com a freqüência das crises, outras articulações podem ser atingidas, como as do dorso dos pés, dos tornozelos, dos joelhos, dos punhos, das mãos, dos cotovelos e dos ombros.

A gota é uma doença geneticamente determinada em grande parte dos indivíduos. Seu portador tanto pode não possuir um mecanismo enzimático que determina a excreção renal do ácido úrico quanto pode apresentar uma produção exagerada dessa substância, também ocasionada por um defeito em uma enzima.

O uso crônico de alguns medicamentos igualmente pode diminuir a capacidade renal de excretar o ácido úrico, como é o caso dos diuréticos e do ácido acetilsalicílico, presente na Aspirina® e em alguns antiinflamatórios.

Exames e diagnósticos

As manifestações clínicas já podem levar o médico a suspeitar de gota, mas o diagnóstico definitivo da doença exige o encontro de cristais de urato monossódico dentro de células de defesa presentes no líquido da articulação acometida – o chamado líquido sinovial –, o qual é aspirado por meio de uma simples punção feita na articulação afetada.

A análise desse líquido é importante também para afastar outras causas de artrite aguda, especialmente infecção. Além disso, há outras doenças reumáticas que cursam com inflamação das juntas, a exemplo da artrite reumatóide, da artrose e da doença por depósito de pirofosfato de cálcio, outro cristal que pode se depositar na articulação e desencadear um quadro de artrite.

Além da análise do líquido articular, a radiografia da área afetada e a dosagem de ácido úrico no sangue e na urina podem contribuir com a investigação diagnóstica.

Tratamento e prevenções

Durante uma crise, o tratamento da gota é feito com antiinflamatórios para atenuar a dor e o inchaço. A retirada do líquido inflamatório produzido na articulação também pode ser uma medida associada para aliviar os sintomas. Passada a inflamação, a terapêutica deve prosseguir com a restrição do consumo de bebidas alcoólicas e de alimentos ricos em ácido úrico – como frutos do mar, carnes vermelhas, miúdos, enlatados e outros – e com o uso de medicamentos para reduzir a taxa de ácido úrico no sangue, seja para diminuir a formação ou para aumentar a excreção dessa substância pelo rim. Esses fármacos, no entanto, devem ser prescritos de forma individualizada pelo médico que acompanha o paciente.

Como os mecanismos enzimáticos mais envolvidos nas causas da gota são genéticos, não há medidas para impedir o surgimento da doença, mas as crises de artrite podem, sim, ser evitadas com a manutenção do tratamento e o controle rigoroso dos níveis de ácido úrico no sangue. Quando eles estiverem elevados, o cuidado com a alimentação e com o consumo de bebidas alcoólicas deve ser redobrado, pois qualquer excesso pode significar um episódio de inflamação.

Via de regra, recomenda-se manter continuamente uma dieta saudável, com pouca gordura, sobretudo de origem animal, e aumentar bastante o consumo de água, para contribuir com a excreção do ácido úrico. Contudo, como muitos alimentos contêm essa substância ou fazem o organismo aumentar sua produção, uma orientação nutricional pode ser de bastante utilidade na prevenção das crises.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Hanseníase

A hanseníase, também conhecida como lepra, é uma doença infecciosa causada por uma bactéria que ataca os nervos periféricos e a pele. Trata-se de uma das doenças mais antigas que acometem o homem, bíblica, com referências datadas de 600 anos a.C.

Como as complicações da moléstia afetam a capacidade de sentir na pele dor, frio e calor, além de lesar os nervos dos membros inferiores e superiores, provoca deformações que estigmatizam o doente.

Por todos esses aspectos, a hanseníase está associada a um passado triste, de isolamento e discriminação, motivo pelo qual se tornou politicamente incorreto o termo “lepra”, que evoca estigma e preconceito.

Atualmente, o termo correto para designar a doença é hanseníase ou mal de Hansen. Mas hoje não há razão para temores porque a doença tem tratamento para eliminar a bactéria e evitar todas as suas complicações, evidentemente quando instituído a tempo. A agilidade na introdução da terapêutica é também importante para evitar a transmissão do microrganismo.

De qualquer forma, é evidente que as pessoas ainda se assustem com esse diagnóstico, até porque, no Brasil, a hanseníase continua sendo um problema de saúde pública: em 2006, foram mais de 39 mil novos casos em território nacional, a maioria concentrada no Norte e no Nordeste.

Apesar desse número, a freqüência da moléstia vem apresentando queda nos últimos anos, como resultado de campanhas nacionais de saúde, que procuram diagnosticar e tratar esse mal no País. Em 1985, havia 19 pessoas com hanseníase a cada 10 mil brasileiros; já em 2005, essa proporção caiu para 1,48 doente a cada 10 mil habitantes.

No mundo todo, porém, o panorama ainda é lamentável: são 700 mil casos novos a cada ano, especialmente nas regiões mais pobres do planeta, como a Índia, campeã global em número de casos.

Causas e sintomas

Por ser uma doença primariamente do sistema nervoso periférico (aquele que dá a sensibilidade e força muscular aos olhos, braços e pernas) os sinais e sintomas da hanseníase incluem dor em trajeto dos nervos que passam pelos cotovelos, punhos, atrás dos joelhos e tornozelos, com diminuição da força de mãos, pés e olhos (pálpebras), provocando ao longo prazo, sem tratamento, deformidades e perda funcional do(s) membro(s) acometido(s).

Há também comprometimento secundário da pele, caracterizado pelo aparecimento de manchas elevadas brancas ou avermelhadas, com sensação de formigamento, queimação ou ardência, que em seguida evoluem com dormência e perda da sensibilidade, primeiro para a temperatura e depois também para a dor. Em alguns casos há formação de placas ou caroços vermelhos dolorosos sob a pele, febre, dor nas articulações (juntas), inchaço nas pernas e obstrução nasal, entre outros sinais e sintomas. Essas manifestações variam conforme o tipo de hanseníase, que pode se apresentar em formas mais brandas – paucibacilares – ou mais graves – multibacilares –, de acordo com a imunidade do indivíduo.

A doença tem como causa uma bactéria chamada Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen, que tem esse nome por causa do médico norueguês Gerhard Henrik Armauer Hansen, que foi o primeiro a demonstrá-lo, em 1873. Essa bactéria é transmitida de uma pessoa contaminada – e não tratada – para uma pessoa saudável pelas vias aéreas, mais precisamente pela inalação de gotículas da saliva ou de secreções respiratórias do doente. Contudo, é preciso haver um contato íntimo e prolongado, de grande proximidade com o portador da hanseníase para se adquirir o bacilo, pois a doença é pouco contagiosa.

Além disso, a maioria da população, ao ser contaminada, não chega a adoecer porque suas defesas naturais conseguem combater o M. leprae, embora essa situação possa ser alterada em função da relação agente infeccioso/meio ambiente/indivíduo.

Na prática, 95% das pessoas que têm contato com o bacilo não chegam a desenvolver a infecção. Nos indivíduos que adoecem, a infecção evolui de maneiras diversas, de acordo com a característica da resposta imunológica da pessoa. Se a resposta imunológica é competente, produz-se uma forma localizada e não contagiosa da doença; se essa resposta não é efetiva, desenvolve-se uma forma generalizada e transmissível. Entre esses dois extremos, encontram-se formas intermediárias, refletindo um largo espectro de variações de resposta do sistema de defesa do organismo contra o agente.

É interessante notar que este bacilo demora para se multiplicar no organismo, a ponto de o período de incubação, do contágio até a manifestação dos sintomas, variar de dois a sete anos.

Exames e diagnósticos

Em áreas endêmicas e sem recursos laboratoriais de fácil acesso, um médico pode diagnosticar a hanseníase clinicamente, pela observação das lesões de pele em que o indivíduo não apresenta sensibilidade ou mesmo pela constatação de debilidades musculares ocasionadas por lesões nos nervos. Porém, como existem outras doenças dermatológicas que cursam com lesões semelhantes, sempre que possível deve-se procurar fazer uma confirmação laboratorial.

Para tanto, há necessidade da realização de uma pesquisa direta do microrganismo na linfa, o líquido que circula no sistema linfático, responsável pela defesa do organismo, e/ou de uma biópsia, que consiste na coleta de fragmento da lesão da pele ou do  nervo para análise com técnica específica para identificação do bacilo de Hansen.

Aguarda-se a possibilidade futura de fazer diagnósticos precoces por meio de testes moleculares, que pesquisarão a presença do DNA da bactéria em materiais biológicos.

Tratamento e prevenções

Em tempos remotos, o “leproso” era excluído da sociedade e do meio familiar, mantido em isolamento. Com o tratamento medicamentoso existente hoje em dia, este cenário mudou completamente. A pessoa em tratamento para hanseníase não precisa ser afastada das atividades profissionais e pode conviver normalmente com colegas de trabalho, filhos, amigos e família.

O tratamento é feito em casa, com uma combinação de drogas recomendada pela Organização Mundial da Saúde. Esta combinação é composta de três antibióticos, que, no Brasil, são distribuídos gratuitamente nos postos de saúde: a dapsona, a rifampicina e a clofazimina. O tempo da terapêutica varia conforme a gravidade da doença, indo de seis meses a dois anos, mas é indispensável que o portador da hanseníase tome os remédios pelo período prescrito.

Também é importante fazer acompanhamento regular, pois alguns doentes podem apresentar reações durante o tratamento, caracterizadas por caroços vermelhos dolorosos na pele com febre alta, dor nos nervos e outras manifestações. Todos esses casos devem ser encaminhados ao médico, porque existem outros medicamentos para controlar estas reações (prednisona e talidomida). Além do médico, o paciente deverá consultar profissionais que avaliem a condição dos nervos periféricos e existência de deformidades, combinando terapia de reabilitação física, psicológica e social na prevenção de incapacidades e melhora na qualidade de vida dos que já apresentam complicações.

É importante ressaltar que, apenas com algumas doses da medicação, o doente deixa de transmitir o bacilo de Hansen.

Como o tratamento impede a transmissão da doença, a melhor forma de prevenção é seu diagnóstico precoce, seguido da instituição da terapêutica. Para isso, no entanto, é necessário que as pessoas conheçam a hanseníase e seus primeiros sinais e, principalmente, saibam que hoje existe cura. Nesse sentido, são válidas as campanhas de erradicação da hanseníase, que, no Brasil, deveriam usar mais as mídias de massa, como o rádio e a televisão.

Quem vive com portadores da doença deve adotar uma proteção mais ostensiva, que inclua avaliação clínica e uso da vacina BCG, a mesma aplicada ao nascimento contra a tuberculose, pois esse recurso ajuda o sistema imunológico a barrar o desenvolvimento do bacilo de Hansen. Por último, uma medida de prevenção mais ampla, para o País, seria a melhoria da qualidade de vida das pessoas.

A hanseníase está intimamente associada a um baixo nível socioeconômico da população. Habitações superpovoadas, más condições de higiene e desnutrição formam a combinação ideal para a disseminação do microrganismo.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Hantavirose

A hantavirose é uma doença infecciosa aguda grave nova, provocada pelo hantavírus, o qual está presente em ratos silvestres, que vivem em áreas rurais.

No início, a infecção se parece com uma gripe forte, mas progride muito rapidamente, com severas complicações nos órgãos vitais, sobretudo no coração, nos pulmões e nos rins. Qualquer que seja o tipo de apresentação da virose, o fato é que ela cursa de modo agressivo, podendo ser fatal em apenas 72 horas se não receber nenhum tratamento.

Nas Américas, considera-se a hantavirose como uma doença emergente, ou seja, em ascensão. Tanto é assim que o Brasil saiu de três casos, em 1993, para 167, em 2006, a maioria no Sul e no Sudeste, seguida pelo Centro-Oeste. Por isso, é fundamental que a população das áreas rurais nessas regiões de maior prevalência tenha conhecimento de como evitar o contato com os ratos e, especialmente, que procure sempre esclarecer, em um serviço médico, a origem de eventuais estados febris logo no começo dos sintomas.

Causas e sintomas

Os sinais clínicos da hantavirose se parecem muito com os de qualquer virose nos primeiros dias, já que a infecção causa febre, dor de cabeça, vômitos, náuseas e tonturas, tosse seca, falta de ar, dores musculares e dor abdominal. Esses sintomas duram, em média, de três a seis dias, depois dos quais pioram progressivamente, surgindo manifestações da chamada síndrome pulmonar e cardiovascular por Hantavirus, caracterizada por importante dificuldade para respirar, palpitação e queda muito acentuada de pressão arterial.

A doença tem, como causa, o hantavírus, ou vírus Sin Nombre, que é transmitido pela inalação de poeira contaminada com vírus eliminados na urina, nas fezes e na saliva de ratos silvestres que vivem em áreas rurais, os quais carregam esse agente infeccioso. Os ratos urbanos, como ratazanas e camundongos, não são transmissores do vírus. De forma menos comum, é possível ainda adquirir a hantavirose por mordida dos roedores e por meio do contato direto do microrganismo com lesões de pele e com mucosas.

A transmissão de pessoa para pessoa também já foi notificada, mas em um surto isolado, fora do Brasil. Em Santa Catarina, a maior freqüência da doença está associada à ratada, ou seja, ao aumento do número de roedores decorrente de um fenômeno natural – a floração da taquara, que ocorre a cada 30 anos. Depois que floresce, a planta lança ao solo o alimento preferido dos ratos silvestres, o arroz-de-taquara. Com tanta comida à disposição, os animais se reproduzem mais. Mas a fartura acaba e eles, então, vão em busca de alimento nas habitações, chegando mesmo a invadir as cidades, como ocorreu na última oportunidade.

As pessoas mais suscetíveis a essa virose incluem, além dos moradores de áreas rurais, agricultores, caçadores, pescadores e turistas que fazem trilhas e acampamentos.

Exames e diagnósticos

Como as manifestações clínicas iniciais da doença são comuns a tantas outras viroses, o diagnóstico depende inicialmente de um bom cruzamento entre os sintomas e a história do indivíduo, de modo que o médico encontre indícios da possibilidade de ele ter tido contato com o vírus – residência, trabalho ou turismo em áreas rurais. Dessa forma, o especialista pode pensar nessa hipótese ainda no começo da infecção e buscar sua confirmação laboratorial, por meio da pesquisa de anticorpos contra o hantavírus no sangue da pessoa com a suspeita.

Na fase das complicações cardiorrespiratórias, uma radiografia de tórax revela alterações pulmonares compatíveis com a hantavirose.

Tratamento e prevenções

Como outras doenças causadas por vírus, o tratamento da hantavirose é feito com medicações para tratar os sintomas e com medidas de suporte clínico para a manutenção das funções vitais, muitas vezes em unidade de terapia intensiva, até que o organismo se encarregue de combater o agente infeccioso por meio de suas defesas naturais – ou seja, pela ação dos anticorpos contra o hantavírus.

A melhor maneira de prevenir a doença é evitar o contato com ratos silvestres e suas secreções, alem de adotar alguns cuidados para manter os roedores a uma distância segura em áreas rurais. As providências preconizadas são simples de tomar: não manter a casa fechada por muito tempo, não plantar nada a menos de 30 metros de distância da habitação, aparar constantemente o mato ao redor do local, não deixar madeira, lixo ou folhas acumuladas perto da residência, guardar rações ou alimentos pelo menos a 40 centímetros do chão, não comer frutos caídos ou próximos do solo, tapar frestas e buracos por onde o rato possa passar, fazer a limpeza da casa com rigor e jamais tocar no rato.

A desinfecção dos ambientes contaminados ou simplesmente suspeitos de contaminação deve ser feita com hipoclorito de sódio (água sanitária) a 10%, por pessoa adequadamente protegida com luvas e botas de borracha, macacão fechado, máscara, óculos de proteção e chapéu. Nenhum método de limpeza que levante poeira deve ser usado nesses locais, já que o vírus pode ser muito facilmente inalado em tais situações. Quem gosta de acampar no mato deve procurar um local afastado da mata e exposto ao sol para montar a barraca, além de manter os alimentos bem fechados e só usar calçados fechados.

Por último, é fundamental procurar um médico diante de uma doença febril.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Hepatite

A hepatite é uma inflamação no fígado, órgão que tem múltiplas funções, entre as quais a produção das principais proteínas do organismo e a neutralização de substâncias tóxicas absorvidas pelo intestino. Embora essa inflamação possa ser decorrente de diversos fatores, as causas mais comuns são mesmo as virais, sobretudo as provocadas pelos vírus A, B e C, que atingem milhões de pessoas em todo o mundo.

A hepatite A, na grande maioria das vezes, cursa sem causar grandes problemas nem deixar seqüelas. Já na hepatite B, e principalmente na hepatite C, a doença pode se tornar crônica, ou seja, o vírus pode permanecer no organismo da pessoa infectada durante muitos anos. Nessa situação, a pessoa permanece com o fígado continuamente inflamado, demandando cuidados especiais para evitar a evolução do quadro para cirrose ou câncer hepático, em longo prazo.

Vale lembrar que esse risco também existe nas hepatites decorrentes de outras causas que não os agentes virais.

Causas e sintomas

Na hepatite aguda o indivíduo pode apresentar mal-estar geral, febre baixa, vômitos, náuseas, cansaço físico, dores no corpo e perda de apetite. Logo depois, esse quadro dá lugar ao aparecimento de fezes esbranquiçadas, de urina escura e de uma coloração amarelada na pele e nas mucosas – a chamada icterícia. Muitas vezes, porém, esses sinais nem sequer surgem ou, então, são tão discretos que a doença passa despercebida.

Os portadores de hepatite crônica, qualquer que seja a causa, geralmente não têm sintomas, a não ser em fases mais avançadas, nos casos de cirrose e câncer hepático.

O fígado pode se inflamar em decorrência do abuso de álcool e drogas, do uso continuado de medicamentos de diversas categoriais, de doenças hereditárias, de um descontrole no sistema imunológico, que se volta contra as células hepáticas, e sobretudo da ação de diferentes agentes infecciosos, especialmente vírus. Os mais freqüentes, porém, têm formas de transmissão distintas.

O vírus A é contraído pela ingestão de água e alimentos contaminados ou, então, passado de uma pessoa infectada para outra em decorrência da falta de cuidados básicos de higiene. Por isso mesmo, trata-se de uma moléstia bastante prevalente nos locais em que o saneamento básico se mostra deficiente ou não existe.

Já os vírus B e C são adquiridos pelo contato com secreções e sangue de indivíduos contaminados, como no caso de compartilhamento de seringas entre usuários de drogas injetáveis, ou em transfusão de sangue contaminado.

A hepatite B, em particular, é considerada uma doença sexualmente transmissível (DST), embora exista outras formas de contágio com o vírus B, a exemplo da ocupacional, particularmente entre os trabalhadores da área da saúde.

Exames e diagnósticos

O conjunto de sintomas, o exame físico e a história do indivíduo podem sugerir fortemente a hipótese da doença. Como a evolução do quadro varia conforme o agente que o motivou, e também não há possibilidade de diferenciar um tipo de hepatite de outro com base apenas nos sinais clínicos, é imprescindível a realização de exames laboratoriais para pesquisar, no sangue do doente, a presença de antígenos e anticorpos contra os diferentes vírus que causam a inflamação no fígado, assim como de marcadores sugestivos de inflamação auto-imune.

Nos casos de risco ou de suspeita de hepatite crônica, existe a possibilidade de outros métodos serem necessários para completar a investigação, como a quantificação do vírus no sangue e a biópsia de fígado, um exame que determina a fase e a gravidade da doença pela análise de um minúsculo fragmento do órgão, retirado por meio de uma punção especial.

Tratamento e prevenções

Em geral, a hepatite A se resolve espontaneamente em algumas semanas, sem necessidade do uso de medicamentos. Já as hepatites B e C, pelo risco de se tornarem crônicas, podem demandar tratamentos específicos, que dependem da idade do indivíduo, da presença de outras doenças e do grau de inflamação do fígado, entre outros fatores. Essas terapias geralmente são feitas com drogas antivirais capazes de reduzir a duplicação dos vírus e, portanto, a gravidade da infecção em muitos casos.

Se a hepatite é causada por álcool, drogas e por doenças que determinam o acúmulo de algum elemento no fígado, somente a supressão do elemento tóxico costuma ser suficiente. Já a abordagem terapêutica da hepatite auto-imune é bastante diferenciada, requerendo o emprego de medicamentos para conter o processo inflamatório.

Convém lembrar que em todas elas o consumo de álcool deve ser suspenso até que os testes laboratoriais evidenciem que o funcionamento do fígado foi normalizado.

As hepatites A e B podem ser prevenidas pela imunização. A vacina contra o vírus A está indicada principalmente em pessoas com risco de contrair a infecção, como em viajantes para regiões onde a hepatite A é mais prevalente, mas já pode ser aplicada em crianças a partir de 1 ou 2 anos de idade, dependendo do fabricante, devendo ser aplicada em duas doses, com intervalo de 6 a 12 meses entre elas. Contudo, esse produto não faz parte do calendário oficial de vacinação infantil, como acontece com a vacina contra hepatite B, que tem indicação universal. Desta última, a criança já pode receber a primeira dose logo ao nascer e, as demais, aos 30 e aos 180 dias de vida. Como a inclusão da vacina contra o vírus B no calendário oficial é relativamente recente, recomenda-se a imunização de adolescentes e de pessoas cuja atividade ou comportamento impliquem maior risco de contágio.

Contra a hepatite C, porém, não há vacinas. Assim, o contato com sangue e secreções de terceiros deve ser evitado a todo custo. Uma dica importante é procurar se certificar de que o material perfurocortante usado em tratamentos médicos ou na aplicação de tatuagens e piercings, entre outras situações semelhantes, seja descartável. Embora a transmissão sexual do vírus C não esteja bem estabelecida, também se recomenda o uso de preservativo na prevenção da doença, até porque essa medida impede outras DSTs, incluindo a hepatite B e a aids.

Já para evitar a inflamação do fígado por álcool e drogas, é essencial tratar a dependência que costuma existir na vigência de consumo abusivo dessas substâncias. A hepatite auto-imune, por sua vez, não tem como ser prevenida, apenas controlada, pois os mecanismos que a desencadeiam ainda são pouco conhecidos.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Hérnia

A hérnia é uma fraqueza natural, congênita ou adquirida na parede abdominal, que permite que o tecido gorduroso e/ou o intestino se exteriorizem por essa área enfraquecida. Costuma ocorrer principalmente em locais suscetíveis da parede do abdome, que se estende da porção inferior dessa região até a raiz da coxa – aliás, daí vem a classificação das hérnias abdominais em inguinais (na virilha), femorais ou crurais (na coxa), umbilical (no umbigo) e epigástricas (na linha média do abdome), sem contar as incisionais, hérnias que se formam em locais onde foi feito corte para cirurgia.

Na prática, a condição se manifesta como um tipo de abertura, chamada de anel ou orifício herniário, em pontos fracos da parte muscular e fibrosa da parede abdominal, através do qual as estruturas internas dessa cavidade tendem a escapar, sobretudo quando há aumento da pressão dentro do abdomen. Assim, as alças intestinais, envoltas externamente por pele, entram e saem do anel herniário, mas podem ficar encarceradas dentro dele – e é aí que mora o perigo.

Nessa situação, há grande risco de estrangulamento da hérnia no interior do orifício, o que interrompe a eliminação das fezes e comprime os vasos sangüíneos locais. Esse acontecimento constitui uma emergência médica porque, sem alimento e oxigênio, os tecidos da alça apodrecem e favorecem a perfuração intestinal e o conseqüente vazamento do conteúdo do intestino na cavidade abdominal, dando origem a um processo infeccioso grave – a peritonite –, que pode se espalhar rapidamente por todo o organismo.

As hérnias abdominais são muito freqüentes em todo o mundo, especialmente as inguinais, que representam 70% das ocorrências e afetam mais os homens. Para ter uma idéia, realizam-se 600 mil operações anuais de correção dessas protrusões nos Estados Unidos.

Causas e sintomas

Quando pequena, a hérnia pode ser apenas desconfortável. Mas, à medida que a saliência e o anel hérniario aumentam, a condição se torna bastante incômoda, especialmente com atividades e/ou situações que pressionam a porção inferior do abdome, como evacuar, tossir, urinar, passar muito tempo em pé e carregar peso, aí incluindo a gravidez. Em caso de estrangulamento, além de dor intensa, a pessoa apresenta também náuseas e vômitos.

As causas das hérnias abdominais incluem principalmente o enfraquecimento da parede abdominal decorrente da idade, da prática de grandes esforços, por tempo prolongado, e de cirurgias prévias. Algumas condições clínicas também podem estar por trás do surgimento de protrusões na parede abdominal, tais como prisão de ventre crônica.

Já na população infantil, as hérnias costumam ser congênitas, ou seja, as crianças já nascem com uma fraqueza em alguns pontos da parede do abdome.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico das hérnias é clínico na maioria das vezes, uma vez que a saliência que as caracteriza costuma ser visível e palpável.

Portanto, apenas a queixa do indivíduo levanta a suspeita clínica. Em pessoas obesas, porém, a confirmação pode demandar a realização de um exame de imagem, como uma ultra-sonografia de abdomen.

Tratamento e prevenções

O tratamento das hérnias é sempre cirúrgico, procedimento chamado de herniorrafia. Existem várias técnicas para isto, desde a cirurgia convencional, até técnicas videolaparoscópicas, menos agressivas. Algumas hérnias requerem a colocação cirúrgica no local de uma pequena tela de material sintético para vedar o orifício herniário. A herniorrafia tem de ser feita em caráter emergencial em caso de estrangulamento, pelo risco de infecção e perfuração intestinal eminente.

Só é possível prevenir o enfraquecimento abdominal decorrente de fatores que podem ser controlados de alguma forma. As pessoas que fazem esforços muito intensos em decorrência da profissão ou de alguma atividade esportiva, como levantamento de peso, precisam usar cintas de contenção para evitar a formação de hérnias. Já quem apresenta problemas de saúde que ocasionam uma grande pressão na parte inferior do abdome deve procurar tratar essa causa quanto antes.

O mais importante, em termos preventivos, é evitar a todo custo o estrangulamento, que traz riscos para o portador da protrusão. Em outras palavras, quem tem hérnia deve procurar um médico quanto antes para que o tratamento cirúrgico seja planejado e ocorra fora de uma situação de emergência.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Hipercolesterolemia

A hipercolesterolemia é uma condição que se caracteriza pela presença de taxas elevadas de colesterol no sangue, bem acima dos 200 mg/decilitro, o que afeta um quinto da população brasileira, especialmente as pessoas com mais de 45 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Embora tenha funções orgânicas essenciais, como a produção de hormônios, o colesterol representa um dos fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, quando em excesso.

Ocorre que essa substância é transportada por lipoproteínas principalmente de baixa (LDL) e de alta (HDL) densidade. O problema está nas de baixa densidade, que levam o colesterol para a circulação e permitem que ele se deposite nas artérias – por isso, são conhecidas como colesterol ruim. Esse acúmulo forma perigosas placas de gordura que, com o tempo, podem ser precursoras de uma obstrução do fluxo sangüíneo nas artérias do coração e do cérebro, dando origem, respectivamente, ao infarto do miocárdio e ao acidente vascular cerebral, conhecido popularmente como “derrame”.

As lipoproteínas de alta densidade, ao contrário, têm um efeito protetor sobre a saúde cardiovascular, pois carregam o colesterol para fora das artérias – daí porque são tidas como colesterol bom. Por haver essa diferença, o controle e o tratamento da hipercolesterolemia visam não apenas à redução dos níveis totais da substância no sangue, que são formados pela soma dos valores de LDL e HDL, mas a uma proporção saudável entre as duas frações, de forma que haja menos colesterol ruim e mais colesterol bom.

Causas e sintomas

O colesterol elevado não provoca sintomas, nem mesmo quando começa a formar placas de gordura nas artérias. A condição cursa em silêncio e, sem controle, pode ter como a primeira manifestação um infarto do miocárdio ou mesmo um acidente vascular cerebral.

Contudo, é importante lembrar que a hipercolesterolemia quase sempre está acompanhada de outras condições que favorecem a ocorrência desses eventos, como o sedentarismo e a obesidade.

Em geral, a hipercolesterolemia é resultante de uma predisposição genética, ou seja, da herança de alterações nos genes que interferem no metabolismo de gorduras, associada a uma vida sedentária e a uma alimentação pouco saudável, com a ingestão farta e freqüente de gordura animal e do tipo trans, presente em margarinas, biscoitos, salgadinhos, fast food e diversos outros produtos industrializados. No entanto, algumas doenças também causam níveis elevados de colesterol, a exemplo do hipotiroidismo, da insuficiência renal e de problemas no fígado.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico depende da dosagem sangüínea de colesterol total e de suas frações, ou seja, das lipoproteínas de alta e baixa densidade (HDL e LDL), e também dos triglicérides, um outro tipo de gordura presente na circulação, que contribui para aumento do risco cardiovascular quando elevada.

De qualquer forma, a interpretação médica dos resultados é fundamental, mesmo para as pessoas que têm resultados dentro do esperado. Isso porque a composição do colesterol total igualmente precisa ser avaliada.

Um valor normal composto principalmente do colesterol ruim, por exemplo, pode representar um sinal de alerta para uma futura hipercolesterolemia.

Tratamento e prevenções

O tratamento combina reorientação alimentar, prática regular de atividade física – que é o único método comprovado de elevar os níveis do colesterol protetor – e medicamentos, especialmente as estatinas, que agem diretamente no fígado, o órgão que produz o colesterol, inibindo a ação de uma enzima essencial para a formação do LDL.

Algumas pessoas experimentam queda nos níveis totais de colesterol apenas com as mudanças no estilo de vida. Outras, mesmo com dieta, não conseguem apresentar melhora significativa por conta da forte predisposição genética, precisando dos fármacos. A prescrição dos medicamentos, porém, varia conforme a idade do indivíduo e a presença de outros fatores de risco para doenças cardiovasculares.

Independentemente de ter história de parentes com colesterol elevado e com doenças cardiovasculares na família, toda pessoa deve manter uma alimentação saudável desde os primeiros anos de vida, com a ingestão diária de fibras, que ajudam a reduzir a absorção de colesterol pelo intestino, e de gorduras de origem vegetal, sobretudo as monoinsaturadas, como o azeite de oliva, que comprovadamente atuam na redução do LDL da circulação.

As crianças, particularmente, devem limitar o consumo de alimentos que contenham gordura trans, ainda presente em muitas redes de fast food e em diversos produtos industrializados voltados ao público infantil. Já os adultos, além desse cuidado, precisam de parcimônia na ingestão de carnes, leite e seus derivados, preferindo os cortes magros e os produtos lácteos desnatados.

O acompanhamento periódico dos níveis de colesterol também é recomendado já a partir dos 20 anos de idade, devendo ser feito mais cedo quando o risco genético de males cardiovasculares for maior – por exemplo, quando um dos pais teve ataque cardíaco antes dos 40 anos.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Hipertensão

A hipertensão arterial, também conhecida como pressão alta, é uma doença relacionada à força anormal que o sangue exerce na parede dos vasos sanguíneos ao circular por todo o corpo. Esta doença decorre da perda progressiva da elasticidade da parede das artérias, que ficam como que contraídas, dificultando a passagem do fluxo sangüíneo. A doença afeta cerca de 10 a 20%  da população brasileira, alcançando até 50% na população idosa e é caracterizada pela elevação da pressão arterial com valores superiores a 130 mmHg para a pressão sistólica (máxima) e a 85 mmHg para a diastólica (mínima) - ou, simplesmente, acima de 13 por 8,5. Com isso, o coração precisa fazer maior esforço para bombear o sangue, o que, em longo prazo, compromete seu desempenho. As alterações provocadas pela doença na estrutura dos vasos também aumentam o risco de ocorrência do acidente vascular cerebral, de doenças nos rins e no coração. Além disso, facilitam a formação de placas de gordura nas artérias coronárias, elevando a predisposição do paciente hipertenso ao infarto agudo do miocárdio. A hipertensão pode reduzir a expectativa de vida dos pacientes em até 40% se não for controlada adequadamente.

Causas e sintomas

A maioria das pessoas não apresenta nenhum sintoma, justificando a denominação de doença “assassina” silenciosa para a hipertensão arterial. As queixas, quando presentes, são de dor de cabeça, principalmente na nuca, tonturas, zumbidos no ouvido e sangramento nasal. Estes sintomas são mais freqüentes nas crises e são causados por aumentos abruptos dos valores de pressão arterial. Já sintomas de palpitações, dor no peito, falta de ar e inchaço sugerem comprometimento cardíaco e maior gravidade da doença. Sintomas gerais e de órgãos nobres, como as lesões visuais (retina), perda de memória e de equilíbrio também requerem cuidados médicos regulares e imediatos.

A doença não possui uma causa conhecida na maioria das pessoas. Em cerca de 10% dos casos porém, existem alguns fatores que parecem estar diretamente relacionados com a instalação da hipertensão. Entre eles, ressaltam-se os problemas endócrinos e renais, a gravidez, o uso contínuo de alguns medicamentos, como anticoncepcionais, anti-inflamatórios não-hormonais, descongestionantes nasais, antidepressivos, corticóides e moderadores de apetite. Além destes, a exposição a algumas drogas, como cocaína, bebidas alcoólicas e cigarro, também está associada à hipertensão. A obesidade está fortemente vinculada com a doença, especialmente considerando-se a gordura abdominal, a ponto de a perda de peso corporal ser uma maneira bastante eficaz de diminuir os níveis da pressão arterial. Da mesma forma, o consumo excessivo de sal em indivíduos geneticamente predispostos pode aumentar os valores da pressão arterial.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico se baseia em duas medidas da pressão arterial, numa situação de repouso, realizadas no consultório médico com um aparelho próprio para essa finalidade – o esfigmomanômetro. Como vários fatores psicológicos, como a agitação e o estresse, podem exercer influência sobre a pressão arterial, é fundamental uma avaliação médica em condições ambientais adequadas para o estabelecimento deste diagnóstico. Atualmente, há recursos laboratoriais adicionais para diagnosticar a doença, como a monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA), que efetua medidas de seus valores por 24 horas, ao longo das atividades cotidianas e durante o sono. O teste ergométrico também verifica o comportamento da pressão antes, durante e após o esforço físico. No entanto, nenhum desses exames, isoladamente, substitui a avaliação clínica global do paciente realizada pelo médico.

Tratamento e prevenções

O tratamento visa manter a pressão arterial abaixo de 13 por 8,5 e o paciente sem sintomas.  Em algumas doenças como a diabetes recomendam-se níveis menores ainda, próximos ou abaixo de 12 por 8,0. A princípio, mudanças na dieta com perda de peso e a prática de exercícios físicos regulares estão indicadas para a grande maioria dos pacientes, sendo estas medidas consideradas praticamente obrigatórias. No entanto, para muitos há necessidade adicional do uso de medicações anti-hipertensivas regularmente. Existem várias classes destes medicamentos que atuam de formas distintas para viabilizar ao final a diminuição do trabalho realizado pelo coração ao bombear o sangue para os vasos sanguíneos.  O tratamento deve ser monitorizado regularmente pelo médico, que determina a medicação mais indicada de acordo com a gravidade e fatores de risco de cada paciente.

Assim como ocorre na prevenção de várias doenças cardiovasculares, a manutenção de um estilo de vida saudável ajuda a evitar o desenvolvimento da hipertensão arterial e suas complicações. Parar de fumar, evitar bebidas alcoólicas e um bom controle de peso são medidas úteis tanto no tratamento quanto na prevenção desta doença. Da mesma forma, a prática de exercícios regulares e dietas balanceadas, com consumo reduzido de sal, são medidas eficazes para evitar esta condição. Como a hipertensão é geralmente uma doença assintomática, recomenda-se que toda pessoa, a partir dos 40 anos, visite um clínico ou cardiologista para a avaliação da pressão arterial e do estado geral de seu coração. Também na hipertensão, quanto mais precoce for o diagnóstico e tratamento, menores serão as conseqüências em órgãos-alvo da doença.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Hipertiroidismo

O hipertiroidismo é uma doença marcada pelo funcionamento exagerado da tiróide. Com isso, a glândula produz mais hormônios tiroidianos do que o normal – a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3) –, o que faz com que todos os processos regulados por essas substâncias fiquem acelerados, como o próprio metabolismo, o crescimento celular e as funções cardíacas, gastrointestinais e neurológicas, entre outros.

Numa fase mais leve, a doença pode até passar despercebida e ser diagnosticada apenas em exames de rotina, mas, com sua progressão, os sintomas podem incomodar bastante, com risco de haver complicações cardíacas importantes, como a arritmia, que evidentemente pode ser evitada com tratamento adequado.

O hipertiroidismo afeta sobretudo as mulheres, especialmente na faixa etária dos 20 aos 40 anos

Causas e sintomas

Os principais sintomas incluem fraqueza muscular, tremores nas mãos, batimentos cardíacos acelerados, fadiga, perda de peso importante, fome excessiva, diarréia ou aumento do número de evacuações, irritabilidade e agitação, ansiedade, insônia, sudorese excessiva, sensação exagerada de calor e irregularidade menstrual. Esses sinais clínicos raramente surgem em conjunto e podem nem estar presentes na fase inicial da doença.

Há várias causas para o hipertiroidismo, mas a mais comum é a doença de Graves, um processo auto-imune no qual o sistema imunológico, em decorrência de um descontrole de origem desconhecida, passa a produzir anticorpos que estimulam o funcionamento da glândula.

Outras causas de hipertiroidismo incluem nódulos tiroidianos que produzem hormônios tiroidianos em excesso (chamados de “nódulos quentes” ou “nódulos tóxicos”) e tiroidites, ou seja, inflamação da tiróide, que pode causar hipertiroidismo passageiro.

O hipertiroidismo também pode surgir como conseqüência da ingestão exagerada de hormônios tiroidianos, usados no tratamento do hipotiroidismo e em fórmulas para emagrecimento.

Exames e diagnósticos

Como os sintomas são inespecíficos, nem sempre o médico suspeita de hipertiroidismo na primeira consulta. Muitas vezes, a hipótese da doença começa a ser aventada na investigação da causa de uma arritmia cardíaca.

De qualquer forma, a identificação da doença depende de exames para medir os níveis dos hormônios tiroidianos na circulação. Uma vez confirmado o quadro de hiperfuncionamento da glândula, a segunda etapa é buscar a origem do problema para a melhor definição do tratamento.

Essa investigação pode ser feita com métodos de imagem – como a ultra-sonografia e a cintilografia – para pesquisar a existência de nódulos e de outras alterações e também com testes laboratoriais que verificam, no sangue da pessoa, a presença de anticorpos específicos contra a tiróide, que caracterizam a principal causa do hipertiroidismo – a doença de Graves.

Tratamento e prevenções

O tratamento varia conforme a gravidade da doença e sua causa. Inicialmente, usam-se medicamentos tanto para bloquear a produção de hormônios pela tiróide quanto para controlar os sintomas. Às vezes, essa terapêutica é suficiente para controlar o funcionamento da glândula e evitar a recorrência do problema.

Contudo, em alguns casos, o indivíduo precisa ser encaminhado para uma das duas formas de tratamento definitivo: o uso de iodo radioativo para destruir a parcela hiperativa da glândula e a cirurgia para a retirada parcial ou total da tiróide.

As duas possibilidades quase sempre provocam, como efeito secundário, o hipotiroidismo, requerendo a reposição oral de hormônios tiroidianos pelo resto da vida.

Praticamente não há meios de prevenir a doença, já que suas principais causas não podem ser evitadas. De qualquer forma, convém não usar medicamentos para emagrecimento que contenham hormônios tiroidianos em sua fórmula, uma vez que, em excesso, eles podem causar o hiperfuncionamento farmacológico da tiróide.

Como a doença pode ser assintomática no início, particularmente para as mulheres, é importante fazer um check-up médico anual e procurar um endocrinologista diante de alterações nos exames de triagem. Quanto antes o tratamento seja iniciado, menores os riscos de complicações, como arritmias cardíacas e perda óssea (osteoporose).

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Hipotiroidismo

O hipotiroidismo é uma condição decorrente da baixa produção de hormônios pela glândula tiroide.

Os chamados hormônios tiroidianos – a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3) – regulam funções cardíacas, gastrointestinais e neurológicas, além de atuarem na reprodução e no crescimento celular. A falta deles, portanto, determina um conjunto de sintomas que interferem bastante na qualidade de vida das pessoas. Mas é no feto ou nos recém-nascidos que o hipotiroidismo costuma ser mais grave, uma vez que, se não tratado a tempo, pode impedir o desenvolvimento adequado de todo o corpo, até mesmo do cérebro, determinando déficit de crescimento, deficiência mental irreversível e surdez, entre outras seqüelas.

Apesar dessas consequências, convém ressaltar que a doença é de fácil tratamento em qualquer idade, embora requeira o uso crônico de medicação e o acompanhamento médico constante para monitorar os níveis dos hormônios tiroidianos.

Estima-se que o hipotiroidismo acometa 5 milhões de brasileiros, incidindo quatro vezes mais nas mulheres que nos homens. Já a forma congênita afeta um em cada 3 mil nascidos vivos.

Causas e sintomas

Nos quadros mais leves, em que a diminuição dos hormônios não está tão acentuada, o paciente pode ter poucos ou até nenhum sintoma, o que dificulta o diagnóstico.

Com a piora da disfunção, pode apresentar uma variedade grande de queixas, entre as quais cansaço, depressão, raciocínio lento, pele e cabelos ressecados, unhas quebradiças, prisão de ventre, fraqueza muscular, anemia, perda de apetite, aumento de peso, intolerância ao frio, inchaço no rosto e nos membros inferiores, elevação do colesterol sanguíneo e, na mulher, irregularidades no ciclo menstrual e surgimento anormal de leite nas mamas.

Já o hipotiroidismo congênito raramente produz sintomas ao nascimento. Em geral, os sinais clínicos surgem nas semanas subseqüentes e incluem choro rouco, hérnia umbilical, prisão de ventre, apatia, dificuldade para mamar, coloração amarelada prolongada na pele e nas mucosas – a chamada icterícia –, diminuição de reflexos, pele seca e fraqueza muscular.

Nos adultos, a maioria dos casos de hipotiroidismo tem, como causa, a tiroidite de Hashimoto, que, na verdade, é uma doença autoimune determinada por um descontrole do sistema imunológico, que passa a produzir anticorpos que se voltam contra a tiroide. Esse ataque compromete o funcionamento da glândula, que, assim, diminui sensivelmente a produção hormonal.

A doença ainda pode ocorrer depois de cirurgia para a retirada da tiroide, feita em decorrência de tumor ou de aumento acentuado da glândula – o bócio. Além disso, pode surgir como conseqüência do uso continuado de medicamentos ou de tratamentos que interfiram na produção dos hormônios tiroidianos.

Outra causa importante é a dieta pobre em iodo, elemento usado pela tiroide para sintetizar tiroxina e triiodotironina, presente sobretudo no sal marinho e em frutos do mar.

Já nos recém-nascidos, o hipotiroidismo provém de anomalias na formação da tiroide e, em menor escala, da ausência de substâncias que participam da fabricação de T4 e T3. Ambas as situações derivam de alterações genéticas ainda não totalmente esclarecidas.

Exames e diagnósticos

Nos recém-nascidos, a detecção da doença é feita pelo teste do pezinho, ainda na maternidade, de preferência depois de 48 horas do nascimento. Tanto a rede pública quanto a privada são obrigadas, por lei, a fazer essa investigação para rastrear, além do hipotiroidismo, outras três enfermidades: a fenilcetonúria, a fibrose cística e a anemia falciforme.

Diante de um teste positivo para a disfunção tiroidiana, o resultado precisa ser confirmado por outro exame de sangue antes da instituição do tratamento. Nos demais casos, como os sintomas são muito inespecíficos, o diagnóstico depende de testes laboratoriais para dosar o nível dos hormônios tiroidianos na circulação, para verificar como está o funcionamento da tiroide e para pesquisar anticorpos contra a glândula, cuja presença configura a causa mais comum do hipotiroidismo, que envolve o sistema imunológico.

Tratamento e prevenções

O tratamento é realizado de forma contínua com a reposição oral apenas da tiroxina (T4), já que a maior parte da triiodotironina (T3) usada pelo organismo provém da conversão de T4 em T3, que ocorre já nas células. O organismo responde de forma rápida à terapêutica com a cessação do conjunto de sintomas e, nas crianças, o desenvolvimento físico e mental se processa normalmente, desde que o uso do hormônio comece logo após o nascimento.

Periodicamente, o portador da disfunção precisa visitar o médico para medir a efetividade da reposição por meio de avaliação clínica e de testes laboratoriais. Em muitos casos, pode ser necessário também um controle mais rigoroso do colesterol, já que o hipotiroidismo favorece a elevação dos níveis sangüíneos dessa substância.

Como as alterações genéticas que desencadeiam os defeitos de formação da tiroide e de produção de hormônios não estão totalmente claras, é difícil prevenir e mesmo antever a possibilidade de ter um filho portador de hipotiroidismo congênito. De qualquer modo, a gestante deve fazer um bom pré-natal, que também investigue a atividade da tiroide durante toda a gravidez, a fim de garantir que a glândula esteja funcionando bem nesse período. Isso porque, até a 26ª semana de gestação, o feto depende exclusivamente dos hormônios tiroidianos da mãe.

Esse cuidado não evita a forma congênita da doença, mas impede que a falta de T3 e T4 interfira no desenvolvimento fetal. Já na vida adulta, por enquanto não se conhecem outras ações para evitar o aparecimento da disfunção, além do consumo de sal de boa procedência. Isso porque, desde a década de 50, a Organização Mundial de Saúde determina que o sal de mesa receba um acréscimo de iodo, durante sua produção, como medida de prevenção universal contra o bócio e o hipotiroidismo.

Ainda assim, o mais indicado, sobretudo entre as mulheres, é fazer consultas médicas periódicas para avaliar a função da tiroide e detectar qualquer alteração antes mesmo do surgimento dos sintomas. Quem tem colesterol elevado também deve ficar mais atento, pois muitas vezes esse aumento está associado à disfunção da glândula.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Hordéolo (terçol)

Mais comum na infância, o hordéolo, popularmente chamado de terçol, é a inflamação de uma glândula sebácea das pálpebras, que ocorre quando o ducto secretor da glândula se obstrui. Esse processo inflamatório pode acontecer de maneira isolada ou múltipla, na pálpebra superior e/ou inferior, e forma um pequeno nódulo (caroço) inflamado na região acometida.

Na maioria das vezes, o terçol não representa gravidade, mas pode causar dor e incômodo durante a fase aguda, que dura de 1 dia a 7 dias, em média. A recorrência do terçol é indício de uma doença chamada blefarite, um tipo de inflamação que acomete mais difusamente as pálpebras, não contagiosa e que pode ser causada por bactérias, parasitas ou pela produção excessiva de uma camada de gordura na pálpebra. Se diagnosticada, a blefarite deve receber um tratamento específico, a fim de evitar a formação de novos hordéolos.

Causas e sintomas

O terçol pode ocorrer de forma isolada, aleatória, sem aparente fator predisponente. Ou pode ser recorrente e múltiplo, nos casos que está associado à blefarite. Essa última predispõe à formação de hordéolos, e deve ser tratada especificamente. Essa doença pode ser seborreica ( inflamação causada pela produção excessiva de gordura ) ou por infecções bacterianas e parasitárias ou, ainda, ter uma causa mista. O tratamento pressupõe o diagnóstico feito por um médico que orienta higiene local e, geralmente, o uso de medicação tópica (colírio e pomada), específica para cada etiologia.

Os principais sintomas relacionam-se à inflamação e estão presentes logo nos primeiros dias: dor local, calor, vermelhidão e inchaço local e às vezes até de toda a pálpebra comprometida. 

O terçol pode passar da forma aguda (com dor, vermelhidão  e inchaço local) para a forma subaguda, quando não há mais dor, e apenas persiste uma inflamação menos intensa e um pequeno caroço no local.  A fase aguda pode durar de 1 dia a 7 dias, em média. Já a fase subaguda pode durar até 30 dias. Nessa evolução pode acontecer o esvaziamento natural do conteúdo do terçol, quando ocorre extravasamento do pus.  Entretanto, se um “caroço” persistir sem qualquer  sinal inflamatório (dor, edema ou vermelhidão local), a denominação modifica-se para calázio.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico do terçol é realizado pela avaliação de um oftalmologista. Raramente, o médico pode indicar uma biópsia excisional – pequena cirurgia que retira o nódulo - para análise das células que compõem a lesão. No caso da blefarite, que pode ser condição predisponente para o terçol de repetição, é indicada a coleta de material das pálpebras para a análise microbiológica, permitindo diagnóstico etiológico e instituição de tratamento específico conforme resultado de antibiograma.

Tratamento e prevenções

O terçol é tratado como uma inflamação local. Geralmente, recomenda-se aplicar compressas mornas. É muito importante não manipular ou espremer o local. Se o inchaço e a dor forem intensos, o que é raro, o uso de antiinflamatório pode ser indicado por poucos dias.

A prevenção envolve basicamente a consulta oftalmológica de rotina. Em caso de blefarite, é preciso realizar o tratamento adequado, incluindo-se a fase de manutenção, que muitas vezes consiste em higiene das margens palpebrais diariamente. Tanto o hordéolo quanto a blefarite não são inflamações contagiosas – não sendo necessário, portanto, evitar o contato com pessoas que apresentem seus sintomas. 

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Iceterícia

A icterícia não é uma doença, mas um sintoma de alguma desordem na eliminação dos pigmentos originários da destruição dos glóbulos vermelhos – também chamados de hemácias ou eritrócitos – no organismo. Os eritrócitos duram cerca de 120 dias, depois são naturalmente eliminados. Um dos produtos que resultam desse processo é a bilirrubina, um pigmento que o fígado metaboliza e as vias biliares se encarregam de transportar até o duodeno, no intestino delgado, onde é efetivamente eliminado. Quando ocorre algum problema nos mecanismos de metabolização e eliminação, ou mesmo na formação – como, por exemplo, um aumento da produção por maior destruição das hemácias, a bilirrubina começa a sobrar na circulação, conferindo à pele e às mucosas uma coloração amarelada. Metade dos recém-nascidos apresenta a chamada icterícia fisiológica, que cursa de forma benigna na maioria das vezes, mas pode requerer tratamento nos casos mais pronunciados, sob o risco de deixar seqüelas. Já em crianças mais velhas e nos adultos, a icterícia costuma ser um sintoma de determinadas doenças, sobretudo do fígado, da vesícula biliar e do sangue, demandando uma investigação minuciosa e maiores cuidados.

Causas e sintomas

Nos recém-nascidos, a icterícia se deve mais a uma questão de adaptação do organismo do bebê à tarefa de eliminar a bilirrubina, seja pelo grande número de hemácias, seja pela imaturidade do fígado, mais comum em prematuros. Contudo, o problema também pode ser patológico, resultante de incompatibilidade sangüínea entre mãe e criança e também de algumas doenças e infecções congênitas. Já nas crianças mais velhas e nos adultos, a condição geralmente se apresenta como um sinal de mau funcionamento do fígado, de obstrução das vias biliares ou, ainda, de destruição acelerada de glóbulos vermelhos. Essas condições são provocadas por diversas doenças localizadas ou sistêmicas, que afetam todo o organismo. A dificuldade de o fígado metabolizar a bilirrubina, por exemplo, costuma ser causada pela hepatite e pela cirrose em fase avançada ou mesmo por doenças infecciosas, como a malária e a febre amarela. Já as vias biliares podem sofrer obstrução em decorrência de problemas anatômicos, infecções, tumores, cálculos – as pedras na vesícula. Por sua vez, a maior destruição dos glóbulos vermelhos pode ocorrer por distúrbios dos próprios glóbulos vermelhos, como na anemia falciforme e na talassemia, ou por uma doença auto-imune.

A manifestação clínica da icterícia é a coloração amarelada da pele e das mucosas, vista mais facilmente nos olhos, acompanhada de escurecimento da urina. Pode apresentar outros sinais e sintomas, dependendo da causa da icterícia, como perda de peso e de apetite e fezes mais claras.

Exames e diagnósticos

A icterícia neonatal é facilmente notada ao exame clínico, mas sua quantificação depende da dosagem de bilirrubina no bebê, que pode ser feita pelo exame de sangue convencional e pela avaliação transcutânea, na qual um aparelho especial, colocado sobre a pele da criança, faz a contagem do pigmento sem necessidade de punção. A hipótese de a icterícia neonatal ser patológica pode ser aventada pela falta de resposta ao tratamento convencional, mas principalmente pelos resultados de outros exames feitos logo após o nascimento, como o teste do pezinho, que pesquisa doenças congênitas, e a própria determinação do grupo sangüíneo do bebê. Em adultos e crianças maiores, a icterícia também é detectada por avaliação clínica com confirmação laboratorial pela dosagem sangüínea de bilirrubina. Contudo, a investigação precisa prosseguir para buscar a origem da manifestação, o que pode necessitar a realização de novos exames de sangue, de ultra-sonografia abdominal e até de biópsia do fígado.

Tratamento e prevenções

Nos recém-nascidos, a icterícia nem precisa de tratamento específico quando se apresenta de forma leve, desaparecendo espontaneamente em cerca de uma semana, apenas com a ajuda de banhos de sol. No entanto, quando os níveis de bilirrubina estão muito elevados, o bebê pode precisar ficar exposto a uma luz artificial por alguns dias, ainda na maternidade – é a chamada fototerapia. Se a razão for uma doença ou infecção congênita, a causa da manifestação é que vai precisar ser abordada. O mesmo ocorre em crianças maiores e em adultos, nos quais, vale lembrar, a icterícia aparece como sintoma de algum problema mais complexo. Uma vez tratada a origem, a manifestação também desaparece.

A icterícia fisiológica não pode ser evitada, pois muitas vezes decorre de uma adaptação do próprio bebê. Contudo, um bom acompanhamento pré-natal seguramente pode reduzir o risco de problemas mais graves que cursam com essa manifestação, como infecções congênitas e a incompatibilidade sangüínea. Nos demais públicos, a icterícia representa um sintoma de algumas doenças que podem ser efetivamente prevenidas com vacinação, como é o caso das hepatites A e B e da febre amarela. Já as demais causas do excesso de bilirrubina na circulação devem ser tratadas rapidamente para prevenir maiores complicações. Em muitas doenças infecciosas, por exemplo, o surgimento da icterícia é um indício de agravamento do quadro.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Incontinência Urinária

A incontinência urinária é a perda involuntária de urina, ou seja, em circunstâncias em que a pessoa não deseja urinar.

Para entender esse distúrbio, é preciso conhecer os mecanismos que envolvem o ato de urinar. A cada 10-15 segundos a bexiga recebe pequenas quantidades de urina dos canais que a ligam aos rins – os ureteres – e, quando fica cheia, os sensores nervosos locais enviam uma mensagem ao cérebro, dando conta da necessidade de esvaziar o reservatório.

Contudo, tal processo está sujeito à vontade de cada um, que determina a contração da bexiga e o relaxamento do canal de saída do trato urinário – chamado de uretra – para que ocorra a micção ou, então, ordena que a uretra permaneça contraída e a bexiga, relaxada até que seja possível urinar.

A incontinência se dá quando esse mecanismo de armazenamento e esvaziamento não funciona de maneira coordenada, sobretudo após algum esforço, como dar uma simples gargalhada, ou quando existe urgência urinária, um desejo incontrolável de urinar.

Embora afete 20% da população adulta, principalmente do sexo feminino e acima de 50 anos, essa condição não deve ser vista como uma conseqüência natural do envelhecimento, até porque traz constrangimento e limitações sociais que comprometem seriamente a qualidade de vida das pessoas.

Causas e sintomas

A incontinência urinária pode ocorrer por dois mecanismos distintos, que levam a quadros um pouco diferentes.

No mais comum, a incontinência urinária de esforço, a perda involuntária de urina ocorre durante esforços, como tossir, espirrar, gargalhar e exercitar-se. Essa condição é mais freqüente em mulheres e pode ter graus variados de manifestação, desde perdas mínimas com grandes esforços, até perdas volumosas com a mínima tosse, ao caminhar ou se levantar.

Na outra situação, conhecida como bexiga hiperativa, o principal sintoma é uma vontade de urinar muito intensa, que não pode ser controlada, que recebe o nome de urgência miccional. Neste caso, costuma haver uma perda maior ou a pessoa tem que fazer muita força para evitar o desejo insuportável de urinar.

No caso da bexiga hiperativa, a pessoa fica com o hábito urinário (o número de vezes que urina) alterado, muitas vezes interrompendo suas tarefas normais cotidianas e até mesmo interrompendo várias vezes o seu sono durante a noite. Esse tipo de incontinência pode acometer homens e mulheres em todas as idades, embora seja mais freqüente em pessoas mais idosas. A bexiga hiperativa pode, ainda, se acompanhar de incontinência por esforço, nos casos de incontinência mista.

Em pelo menos metade dos casos, a incontinência urinária é transitória e decorre de causas reversíveis, como a infecção urinária, o pós-parto, o uso de certos medicamentos, prisão de ventre associada e as doenças ou condições que causam muita tosse, como a asma, a bronquite e o fumo. Assim sendo, uma vez resolvido o problema, o quadro desaparece sozinho.

Na outra metade, a incontinência é persistente e está associada a alterações específicas, muitas vezes anatômicas.

A incontinência urinária em mulheres é uma condição muito freqüente e tem duas causas principais: a incontinência urinária de esforço, em que o mecanismo de fechamento da uretra torna-se deficiente em graus variados, muitas vezes envolvendo a queda da bexiga, e a presença da bexiga hiperativa. Nesta última situação o músculo da bexiga que permanece a maior parte do tempo relaxado adquire uma irritabilidade, uma sensibilidade maior a qualquer estímulo, contraindo-se e originando a urgência e até a perda da urina.

Nas mulheres, a incontinência de esforço pode resultar de flacidez congênita dos ligamentos que sustentam a bexiga, partos vaginais múltiplos, roturas perineais e prática de exercícios de muito impacto. Já nos homens, a incontinência está mais relacionada à bexiga hiperativa ou decorre de cirurgia para tratamento do câncer de próstata.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico depende de uma avaliação médica bem abrangente, que inclui o exame físico e a análise da história do indivíduo, além de testes diagnósticos, desde o simples – mas fundamental – exame de urina, que em tais caso é obrigatório para descartar uma infecção urinária, até métodos mais sofisticados, como a urodinâmica, que reúne um conjunto de exames para estudar detalhadamente o armazenamento e o esvaziamento da bexiga. O objetivo é identificar a causa e o tipo da incontinência para a instituição do tratamento mais adequado.

Tratamento e prevenções

Se a incontinência for transitória, basta tratar a causa que o sintoma desaparece, como ocorre com a infecção urinária. Já os quadros persistentes têm tratamentos que variam conforme o caso e os achados diagnósticos.

As incontinências por esforço beneficiam-se hoje com procedimentos cirúrgicos muitas vezes minimamente invasivos, como a colocação de faixas sintéticas especiais, restaurando a posição e o fechamento da uretra.

Já a bexiga hiperativa, diagnosticada pelo estudo urodinâmico, o tratamento é preferencialmente feito com medicamentos por via oral e, nos casos mais refratários, com o uso de toxina botulínica injetável na bexiga (procedimento cirúrgico ambulatorial).

A cirurgia reparadora continua sendo o método de escolha para reverter a incontinência de esforço, mas não se aplica a todos os casos.

A prevenção da incontinência urinária passa por alguns cuidados fáceis de adotar no dia-a-dia, como urinar a cada três ou quatro horas, garantir o bom funcionamento intestinal, aumentando a ingestão de fibras, controlar o peso e praticar exercícios físicos, de modo a fortalecer a musculatura pélvica que dá sustentação à bexiga e à uretra.

Para a mulher, é importante evitar os exercícios de alto impacto, além de uma boa assistência pré-natal e durante o parto, fundamental para evitar traumas na região pélvica.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Infarto Agudo do Miocárdio

Conhecido popularmente como ataque cardíaco, o infarto agudo do miocárdio se caracteriza pela ausência ou pela diminuição da circulação sangüínea no coração, o que priva o músculo cardíaco (miocárdio), no local acometido, de oxigênio e de nutrientes, causando lesões importantes que podem levar até a morte de suas células, conforme o tempo de duração do evento. Com isso, o funcionamento do coração, que trabalha como uma bomba mecânica, pode ser seriamente afetado.

O bloqueio ao fluxo de sangue habitualmente se deve à obstrução de uma das artérias coronárias, sobretudo em razão de um processo inflamatório associado à presença de placas de colesterol em suas paredes, a chamada aterosclerose. Na prática, o sangue fica impedido de circular tanto pelo desprendimento de um fragmento dessas placas quanto pela formação de coágulos nas artérias.

O infarto agudo do miocárdio é uma ocorrência grave, que está entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo. No entanto, quanto antes a pessoa receba atendimento médico diante dos primeiros sintomas, maiores serão suas chances de sobrevida.

Causas e sintomas

O infarto tem manifestações clínicas bem específicas, como dor referida no tórax (ou peito) contínua, de forte intensidade e sensação de compressão, aperto ou queimação no peito, ardor bastante semelhante à azia, dor peitoral irradiada para a mandíbula e para os ombros e braços, mais freqüentemente do lado esquerdo do corpo, e, por vezes, palpitações prolongadas - tecnicamente chamadas de arritmias.

A pessoa pode apresentar, ainda, suor excessivo, náuseas, vômitos, tontura e desfalecimento, assim como ansiedade e agitação. É importante lembrar que os diabéticos apresentam menos sintomas ou nada sentem ao infartar.

O ataque do coração resulta de uma série de agressões acumuladas ao longo dos anos, como tabagismo, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, níveis altos de colesterol, estresse, sedentarismo, entre outros. Todas elas, isoladamente, constituem fatores de risco para o infarto agudo do miocárdio e aumentam a probabilidade de ocorrência desse evento quando presentes em conjunto na mesma pessoa – por exemplo, um fumante obeso e hipertenso, com altos índices de colesterol no sangue.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico do infarto é geralmente feito por um serviço de saúde de emergência, com base nos sintomas e nos resultados do eletrocardiograma - que, em muitas situações, sugere a interrupção da circulação no coração -, e de exames de sangue que medem o nível de enzimas resultantes da destruição de células cardíacas.

O ecocardiograma também pode ser útil, especialmente nos casos duvidosos. Uma vez confirmada a suspeita, outros métodos de imagem costumam ser usados para investigar a extensão da lesão no miocárdio, o local da obstrução e os vasos envolvidos.

Tratamento e prevenções

Inicialmente, o tratamento visa a diminuir a lesão no miocárdio e evitar complicações fatais, o que requer a administração de medicamentos para o coração trabalhar de modo mais econômico e para ajudar a restaurar a circulação sangüínea local.

Dependendo do tipo de infarto e da gravidade do entupimento, a desobstrução das artérias muitas vezes requer um procedimento mais invasivo, como a angioplastia e/ou a cirurgia de revascularização do miocárdio.

Empregando as denominadas pontes de veia safena ou de artéria mamária, a intervenção cirúrgica constrói um caminho alternativo para o miocárdio ser irrigado pelo sangue. Já a angioplastia, também chamada de intervenção coronária percutânea, dilata a parte estreitada da artéria doente por meio de um pequeno balão, que é levado até o local da obstrução por um cateter e ali é insuflado para promover a dilatação arterial. Após a obtenção da dilatação e conseqüente “abertura” da artéria, implanta-se freqüentemente um dispositivo metálico denominado stent no local tratado com a finalidade de evitar que a obstrução retorne.

Qualquer que seja o procedimento, o tratamento prossegue com medicamentos e mudanças importantes no estilo de vida, como equilibrar a alimentação, praticar exercícios regulares com orientação médica, parar de fumar e fazer um controle rigoroso dos fatores de risco. É importante deixar claro que quem sobrevive a um infarto e adota hábitos saudáveis, em geral, consegue voltar à vida normal e retomar suas atividades.

A melhor maneira de evitar o infarto agudo do miocárdio é reduzir a exposição aos fatores de risco que podem ser controlados, como o cigarro, a obesidade, o estresse, o sedentarismo, o diabetes, a hipertensão e os níveis elevados de colesterol.

Nesse sentido, o primeiro passo consiste em mudar a alimentação, que deve ser composta de carnes magras, sobretudo peixes e aves, além de verduras, legumes e frutas, com o uso de óleos de origem vegetal, notadamente o azeite de oliva e o de canola, que contém gorduras de boa qualidade para a saúde cardíaca.

Praticar atividade física regular também é fundamental, sempre com orientação profissional, tanto para a manutenção do peso e das taxas de glicose e colesterol quanto para a redução das tensões do dia-a-dia.

Para completar, toda pessoa precisa visitar periodicamente o cardiologista a partir dos 40 anos e fazer os exames solicitados na consulta de rotina. Quem tem história de doença cardíaca na família deve ficar ainda mais atento aos fatores de risco, além de começar esse check-up mais cedo. A periodicidade da avaliação, em tais casos, vai ser determinada pelo médico conforme o estado de cada pessoa.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Influenza A (H1N1) / Gripe Suína

A influenza A (H1N1), que ficou conhecida como gripe suína, é uma forma de gripe que começa nos porcos e passa para o ser humano. O surto atual, que vem registrando milhares de casos ao redor do mundo, é causado por um vírus com alto grau de letalidade.

Segundo dados disponíveis até o momento, o vírus tem matado seis em cada cem pessoas, principalmente jovens, o que não é habitual nos casos de gripe.

Causas e sintomas

O vírus da gripe suína é transmitido por gotículas de saliva, seja do porco para o ser humano, ou de ser humano para ser humano. Pode ser transmitido também, em um grau menor, a partir do contato com as mãos de uma pessoa contaminada, ao coçarmos o nariz e olhos. Não há possibilidade de transmissão via consumo de carne de porco frita ou cozida, já que o vírus é inativado pelo calor.

As informações disponíveis até o momento mostram que o surto atual de gripe suína parece ser convencional, ou seja, os sintomas são febre muita alta, acima de 39º C (alguns países estão fazendo alerta para febre acima de 38,5º C), dores musculares, dor de cabeça, dor nas juntas e articulações e ardor nos olhos. Em alguns casos registrados no México, pacientes também tiveram diarréia associada aos demais sintomas, mas este dado clínico não costuma ser habitual.

Uma característica importante da doença é que ela começa abruptamente e tem instalação muito rápida, com período de incubação – do contágio até as primeiras manifestações de sintomas – de um a dois dias. Alguns países, por precaução, estão ampliando esse período de incubação para quatro dias.

Exames e diagnósticos

O método de diagnóstico usado atualmente na rotina dos laboratórios é capaz de detectar o vírus influenza, mas não de dizer se é o envolvido na gripe suína. No mundo, existem hoje apenas cinco laboratórios capazes de diferenciar o vírus da gripe suína a partir de testes moleculares muito específicos. Quando o teste para influenza, por sua vez, dá negativo, significa que a pessoa não tem o vírus suíno.

Tratamento e prevenções

Ainda não existe uma vacina específica contra o atual vírus da gripe suína. A partir do momento em que se consegue identificar um vírus novo, o processo de produção da vacina demora cerca de seis meses. A vacina atual contra o vírusinfluenza, portanto, não protege contra a gripe suína.

No que tange à prevenção, algumas medidas podem ser tomadas. Por exemplo, para quem vai ao México nesse momento, se possível, é melhor postergar a viagem. Se a mesma não puder ser adiada, aconselha-se evitar aglomerações e seguir as determinações das autoridades locais.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Insuficiência Renal Crônica

A insuficiência renal crônica é a perda progressiva e irreversível das funções renais, invariavelmente determinada por outras doenças crônicas. Com a instalação desse quadro, os rins paulatinamente deixam de exercer suas funções. A falta de um trabalho renal adequado traz muitas complicações em longo prazo, como anemia, doenças cardiovasculares, maior suscetibilidade a infecções, lesões no cérebro, problemas articulares, enfraquecimento ósseo, comprometimento do sistema imunológico e risco aumentado de hemorragias, entre várias outras conseqüências, sem falar da possibilidade de o quadro evoluir para a doença renal terminal, quando os rins funcionam com menos de 10% de sua capacidade total. A perda das funções renais, porém, é sempre lenta, razão pela qual o organismo vai se adaptando ao problema. Assim, freqüentemente acontece de a insuficiência avançar sem que indivíduo nada sinta, enquanto todos os sistemas orgânicos vão sendo silenciosamente comprometidos. Por isso, é fundamental que os portadores de doenças crônicas como diabetes, hipertensão arterial e nefrite façam acompanhamento médico periódico, a fim de que o funcionamento dos rins seja preservado pelo maior tempo possível.

Causas e sintomas

Os sintomas normalmente só aparecem quando a capacidade renal está reduzida a menos da metade de seu total. Inicialmente, podem incluir sinais clínicos bastante inespecíficos, como mal-estar generalizado, fadiga, perda de peso, náuseas e vômitos, dor de cabeça, falta de apetite, soluços freqüentes e coceira. Posteriormente, com a evolução da doença, há mudanças nos hábitos urinários, com aumento ou redução do volume excretado e necessidade de urinar durante a noite, surgimento de hematomas pelo corpo, anemia leve, hipertensão arterial, cansaço, falta de ar, inchaço nos pés e nos olhos, palidez, alterações na cor da pele, mau hálito, cãibras, dificuldade para dormir, dores nas extremidades, hemorragias gastrointestinais e formigamentos, entre outros.

O diabetes é uma das principais causas da insuficiência renal crônica, que, em tais casos, começa com o aumento constante da pressão arterial e com a perda de proteínas pela urina, manifestações que costumam aparecer depois de, pelo menos, 15 anos de doença. A hipertensão também determina a falência progressiva dos rins em longo prazo, assim como a nefrite crônica. Essas três condições respondem por 80% dos casos, mas os rins igualmente podem ter suas funções comprometidas por infecções urinárias de repetição, cistos em grande quantidade, cálculos renais – as chamadas pedras nos rins –, doenças auto-imunes e outras doenças hereditárias.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da insuficiência renal crônica depende de uma avaliação clínica que inclua uma boa análise da história do indivíduo, para identificar possíveis doenças crônicas, e da realização de diversos exames laboratoriais de sangue e de urina. Entre eles, merece destaque a dosagem de duas toxinas, a uréia e a creatinina, que são consideradas marcadores dessa doença renal e servem para indicar o grau da insuficiência – que vai de reserva renal diminuída, quando os rins trabalham com 50% de sua capacidade, até doença renal terminal, quando menos de 10% de suas funções estão preservadas. A investigação se completa com métodos de imagem para investigar alterações morfológicas locais, como ultra-sonografia. A redução do volume dos rins, por exemplo, é um dos sinais da insuficiência renal crônica.

Tratamento e prevenções

Desde que os rins tenham mais de 10% de sua capacidade de funcionamento, o tratamento pode ser feito com medicamentos como diuréticos e anti-hipertensivos e com dieta com restrição de líquidos, para não sobrecarregar a função renal, e de alimentos ricos em proteínas, sódio, potássio e fósforo, para reduzir o nível das toxinas que sobram na circulação, por causa da má filtração do sangue. Em tais casos, o objetivo é atenuar os sintomas, reduzir o risco de complicações e conter a progressão do quadro, controlando ainda as doenças associadas. Com menos de 10% da função renal, tais medidas são ainda necessárias, mas insuficientes para manter a saúde do indivíduo. Nessa fase, o portador da doença precisa remover de forma artificial as toxinas da circulação ou, dependendo de seu estado geral, ser submetido a transplante renal. A remoção das toxinas pode ser efetuada por diálise peritoneal, na qual um líquido, introduzido no interior do abdome várias vezes ao dia pelo próprio indivíduo, absorve os resíduos, ou, então, por hemodiálise, procedimento em que uma máquina filtra todo o sangue em três sessões semanais, feitas em clínicas especializadas.

A melhor forma de evitar a insuficiência renal crônica é manter controladas as doenças que a causam. A hipertensão e o diabetes podem ser bem administrados com um conjunto de medidas que incluem alimentação adequada, medicamentos e prática regular de exercícios físicos, com monitoramento médico periódico. Na nefrite crônica, é vital seguir o tratamento recomendado, à base de dieta e de remédios que reduzem a resposta imunológica que desencadeia essa inflamação, além de controlar a pressão arterial. Outra recomendação importante consiste em tratar adequadamente as infecções urinárias, procurando um médico ao menor sintoma de incômodo urinário e, diante da confirmação do diagnóstico, aderindo ao tratamento com antimicrobiano pelo tempo determinado. Os rins também não devem ser sobrecarregados com o uso freqüente de medicamentos sem prescrição médica, sobretudo com antiinflamatórios.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Joanete

O joanete, tecnicamente chamado de hálux valgo, consiste em uma deformidade do osso, ou das estruturas que o recobrem, localizada na articulação metatarsofalangiana, da base do primeiro dedo (vulgarmente conhecido como dedão) do pé. Nessa condição, ele se inclina na direção do segundo dedo, a ponto de cobri-lo ou de entrar embaixo dele, e o osso local, o metatarso, desloca-se para o lado oposto, determinando uma dolorosa e esteticamente comprometedora saliência na borda interna do pé, semelhante a um grande calo. Em vista da dor e do desconforto que provoca, a condição pode necessitar tratamento, sem o que a deformidade pode ficar mais importante, agravando o sintoma doloroso. Estima-se que quatro em cada cinco pessoas apresentem, em algum momento da vida, problemas que envolvem a saúde dos pés, dentre os quais o joanete é um dos mais prevalentes. O transtorno afeta um terço da população urbana – usuária de calçados fechados –, atingindo mais as mulheres que os homens, na proporção de oito para um.

Causas e sintomas

A condição começa com um pequeno inchaço, podendo provocar inicialmente apenas incômodo, dado o atrito da região acometida com os calçados. À medida em que a deformidade se acentua, o inchaço na base do dedo aumenta, trazendo consigo dores e pontadas, que se tornam mais intensas com o uso de sapatos apertados. Aliás, muitas vezes os calçados do portador do joanete ficam também deformados, uma vez que se amoldam ao pé doente.

Embora esteja associado ao uso de sapatos apertados, o joanete é considerado uma condição com predisposição hereditária, uma vez que a estrutura óssea de cada pessoa deriva da de seus progenitores. Portanto, a presença de familiares portadores dessa deformidade constitui, sozinha, um fator de risco importante para seu desenvolvimento. É claro que a combinação da história familiar com o uso de calçados desconfortáveis torna a possibilidade do surgimento desse distúrbio bem mais provável, especialmente os de bico fino, que apertam os dedos uns contra os outros, e os saltos altos, que levam quase todo o apoio do peso do corpo para a parte da frente do pé, intensificando a compressão dos dedos – aliás, isso ajuda a explicar o motivo da predominância do joanete nas mulheres. Existem também alguns problemas de saúde que estão relacionados com o surgimento dessa deformidade, como a artrite reumatóide.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico do joanete é basicamente clínico e, portanto, feito com base nos sintomas e no exame físico do pé afetado, por meio do qual o ortopedista consegue verificar as estruturas alteradas, até porque geralmente a deformidade é visível. Quase sempre, porém, o médico solicita radiografias da região para verificar a extensão do problema e planejar o tratamento. Os raios X precisam ser feitos com a pessoa em pé, pois o peso do corpo acentua as deformidades e pode revelar detalhes não captados na avaliação clínica.

Tratamento e prevenções

O médico vai estabelecer o tratamento conforme a gravidade do quadro, a intensidade dos sintomas, a presença de outras queixas e o perfil da pessoa, incluindo sua idade, seu estado geral de saúde e sua própria expectativa. Assim, de acordo com esses fatores, a abordagem pode ser efetuada apenas com medidas conservadoras, que aliviam a dor e previnem a progressão da alteração, ou, então, com correção cirúrgica. A terapia conservadora implica a mudança de calçados, o uso de acessórios ortopédicos especiais, como palmilhas para evitar a pressão sobre a área deformada, espaçadores de dedos e mesmo o emprego de antiinflamatórios, quando necessário. A cirurgia costuma ser feita mais por motivos clínicos que estéticos e tem o objetivo de remover a deformidade, realinhar ou reconstruir a articulação e restaurar seu funcionamento, o que resulta na eliminação dos sintomas. Atualmente, há mais de cem técnicas cirúrgicas diferentes para tratar o joanete, a maioria passível de ser efetuada em ambiente ambulatorial.

Para prevenir o joanete, independentemente de haver história familiar, é importante usar calçados confortáveis, que distribuam o peso do corpo de forma equilibrada nos pés. Quem usa sapatos de bico fino e de salto alto por gosto ou por necessidade deve, pelo menos, alterná-los com sapatos baixos e de bico largo algumas vezes durante a semana. Além disso, na medida do possível, os saltos não devem ultrapassar três centímetros para não sobrecarregar a parte dianteira dos pés. É importante deixar claro que pés saudáveis não doem. Por isso, eventuais dores e pontadas precisam ser valorizadas. Muitas vezes, a progressão de uma deformidade, identificada no início, pode ser contida com o uso de acessórios ortopédicos e, principalmente, com orientações adequadas.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Labirintite

Labirintite é um termo leigo, bastante usual, para designar as labirintopatias, ou seja, as doenças que afetam o labirinto – órgão que fica na parte interna do ouvido e é responsável por receber, codificar e transmitir informações para o cérebro sobre os sons e os deslocamentos do corpo –, suas vias de ligação e mesmo as áreas cerebrais relacionadas com a audição e o equilíbrio. Calcula-se que existam mais de 300 moléstias que acometem o labirinto, com mais de 2 mil causas já identificadas.

Segundo o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, 42% da população geral já sentiu algum tipo de tontura na vida e, em pelo menos 95% dos casos, a origem do sintoma tinham relação com distúrbios do labirinto. O problema atinge pessoas de todas as idades, com predileção pelos idosos.

Apesar da crença de que a labirintite não tem cura, quando bem diagnosticada e tratada, o portador da condição obtém índices de melhora da ordem de 90%.

Causas e sintomas

A tontura está no relato de qualquer portador da condição, mas a descrição correta do que se sente na labirintite corresponde mesmo à vertigem, na qual a pessoa vê os objetos do ambiente rodando ao seu redor ou tem a sensação de que seu corpo gira em relação ao ambiente, seja de modo constante, seja quando movimenta a cabeça. Esses sinais podem ser ou não acompanhados de náuseas, vômitos, suor excessivo, angústia, alterações gastrointestinais e manifestações auditivas, como perda de audição, sensação de ouvido tapado e zumbido. O conjunto completo de sintomas, incluindo os auditivos, está bastante associado à doença de Ménière, uma das labirintopatias mais comuns em adultos dentre os 300 tipos existentes.

Como já mencionado, mais de 2 mil causas de distúrbios do labirinto já foram identificadas, mas, do meio de todas essas, há um grupo mais comum, responsável pela maioria dos casos. Nesse conjunto estão processos infecciosos, a exemplo das infecções virais de vias aéreas superiores, erros alimentares, problemas metabólicos, sobretudo os relacionados com o metabolismo do açúcar, uso de medicações tóxicas para os ouvidos, como determinados antiinflamatórios, diuréticos e antibióticos, algumas doenças preexistentes, tais como diabetes, tumores, distúrbios da tiróide e hipertensão arterial, alterações bruscas da pressão atmosférica, como as que ocorrem em aviões ou em mergulhos, consumo excessivo de doces, abuso de drogas ilícitas, traumas sonoros e de cabeça e pescoço, problemas de coluna cervical, doenças psiquiátricas e aterosclerose, ou seja, a formação de placas de gorduras nas artérias por excesso de colesterol na circulação.

Café, fumo, estresse e bebidas alcoólicas são coadjuvantes importantes. Em idosos, freqüentemente a origem da vertigem se encontra na migração indevida de partículas de carbonato de cálcio que existem na parte do labirinto que responde à ação da gravidade – a mácula do utrículo – para a parte desse órgão que reage aos movimentos da cabeça – os canais semicirculares. Esse fenômeno, chamado de vertigem posicional paroxística benigna, pode ocorrer por vários motivos, de alterações metabólicas a traumas.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico combina a avaliação otoneurológica, a história do indivíduo e seus antecedentes de saúde, para ajudar a investigação das possíveis causas, e testes específicos para avaliar a audição e o equilíbrio. Esses exames são muito simples, rápidos e não causam desconforto, a ponto de muitos dos recursos próprios para medir o equilíbrio serem feitos por meio da observação do movimento dos olhos da pessoa, já que a movimentação ocular está funcionalmente relacionada com o labirinto.

Há uma enorme gama dos chamados testes labirínticos, mas eles são realizados de acordo com a necessidade de cada pessoa, sem uma seqüência predeterminada. Os resultados das avaliações básicas podem indicar a necessidade de testes mais avançados.

O objetivo é identificar o nível de localização do distúrbio e o lado acometido, além de graduar a intensidade da doença. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética de cabeça também podem contribuir com a investigação, uma vez que mostram alterações compatíveis com as labirintopatias.

Tratamento e prevenções

O diagnóstico combina a avaliação otoneurológica, a história do indivíduo e seus antecedentes de saúde, para ajudar a investigação das possíveis causas, e testes específicos para avaliar a audição e o equilíbrio. Esses exames são muito simples, rápidos e não causam desconforto, a ponto de muitos dos recursos próprios para medir o equilíbrio serem feitos por meio da observação do movimento dos olhos da pessoa, já que a movimentação ocular está funcionalmente relacionada com o labirinto.

Há uma enorme gama dos chamados testes labirínticos, mas eles são realizados de acordo com a necessidade de cada pessoa, sem uma seqüência predeterminada. Os resultados das avaliações básicas podem indicar a necessidade de testes mais avançados.

O objetivo é identificar o nível de localização do distúrbio e o lado acometido, além de graduar a intensidade da doença. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética de cabeça também podem contribuir com a investigação, uma vez que mostram alterações compatíveis com as labirintopatias.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Leishmaniose

A leishmaniose é uma moléstia infecciosa, considerada primariamente uma zoonose, que afeta os animais, sobretudo os cães, só acometendo o homem quando este entra acidentalmente no ciclo de transmissão do parasita. Ganhou essa denominação por causa do sobrenome do cientista inglês que descreveu o agente etiológico da doença pela primeira vez, William Leishman.

É causada por protozoários do gênero Leishmania e transmitida por mosquitos chamados flebotomíneos. Uma das seis mais importantes doenças tropicais, segundo a Organização Mundial de Saúde, essa infecção pode ter duas apresentações distintas: a leishmaniose tegumentar, ou ferida brava ou úlcera de Bauru, que se manifesta na pele e nas mucosas, e a leishmaniose visceral, ou calazar, que acomete órgãos internos, como a medula, o baço e o fígado.

A forma visceral é bastante grave e faz milhares de vítimas ao redor do globo, inclusive no Brasil, o que, contudo, se deve à ausência de diagnóstico e à conseqüente falta de tratamento.

Na tegumentar, por sua vez, o maior risco está na possibilidade de haver deformidades e complicações respiratórias provenientes do comprometimento de mucosas.

A doença ocorre com mais freqüência em áreas rurais. O Brasil registra o maior número de casos no Norte – na forma tegumentar – e no Nordeste – na forma visceral –, mas, nos últimos anos, devido ao crescimento desordenado de nossas cidades, a leishmaniose tem aparecido também em locais próximos a áreas urbanizadas, em Estados do Sudeste e do Sul.

Causas e sintomas

A leishmaniose tegumentar é caracterizada pelo aparecimento de pequena lesão no local da picada do mosquito vetor, que evolui em aproxidamente 4 semanas para um nódulo com uma crosta central que pode atingir cerca de 1 cm de diâmetro. A perda desta crosta dá origem a uma úlcera, que evolui para a úlcera leishmaniótica clássica, de formato arrendondado, com bordas elevadas como uma moldura e indolor. A lesão inicial pode ser única ou múltipla, dependendo do número de picadas infectantes. A mucosa mais freqüentemente acometida é a da região nasal, sendo os principais sinais e sintomas sangramento nasal, eliminação de crostas pelo nariz e obstrução nasal.

Existem duas formas extremas de leishmaniose tegumentar: a ulcerativa e não ulcerativa e as formas intermediárias. Além das lesões nasais, podem ocorrer lesões em lábios, língua, céu da boca, boca e garganta. Estas úlceras ou infiltrações são crônicas, ou seja, não cicatrizam, pelo contrário, progridem, podendo causar a destruição dos tecidos. Já a forma visceral ou calazar, palavra de origem hindu que significa “febre negra”, determina sinais clínicos que progridem por período prolongado, como febre irregular persistente, perda de peso muito acentuada, intensa palidez devido à profunda anemia, prostração, desnutrição, diarréia, queda importante da imunidade, dificuldade de coagulação do sangue e aumento do volume abdominal, devido ao crescimento anormal do baço e do fígado. A leishmaniose visceral tem alta letalidade, principalmente em indivíduos não tratados, crianças desnutridas e em pessoas portadoras da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV).

A doença tem como causa protozoários do gênero Leishmania, que são transmitidos ao homem pela picada de insetos chamados flebotomíneos, popularmente conhecidos como cangalha, cangalhinha, mosquito-palha, birigüi, tatuíra, entre outros nomes. Esse vetor, que costuma atacar no início da noite e ao amanhecer, carrega o parasita ao picar animais infectados.

A leishmaniose visceral é causada apenas pelas leishmânias da espécie donovani. Entre a picada do vetor e o surgimento dos sintomas pode transcorrer um período que varia de dez dias até 24 meses, com média de três a quatro meses. Já a tegumentar pode ser provocada por vários tipos de leishmânia, que, por sua vez, são disseminados por pelo menos 15 espécies diferentes de mosquitos do gênero Lutzomyia. Qualquer que seja a forma da doença, pelo menos no Brasil não há casos de transmissão da infecção de pessoa para pessoa.

Exames e diagnósticos

O médico suspeita de leshmaniose tegumentar a partir da história do doente, se o mesmo procede de área endêmica e das características da(s) úlcera(s). O diagnóstico definitivo pode ser feito a partir da pesquisa direta do parasita na lesão, em material obtido por raspado, punção ou biópsia. Este exame parasitológico direto é o método de primeira escolha, por ser o mais rápido, de menor custo e de fácil execução. Outros métodos incluem inoculação de material biológico do paciente em animais de laboratório, teste imunológico, conhecido como teste ou Intradermorreação de Montenegro e pode-se ainda fazer o cultivo de material da lesão para isolamento do protozoário.

Para diagnóstico do calazar, além dos sinais clínicos indicativos da doença, como febre persistente acompanhada de aumento do baço e do fígado, sobretudo em pessoa procedente de região onde houver casos da doença, pode-se utilizar exames sorológicos específicos, como a Imunofluorescência Indireta (IFI) e o Ensaio Imunoenzimático (ELISA). Também pode-se utilizar a Intradermorreação de Montenegro ou ainda a pesquisa direta ou cultura do parasita em material de aspirado de medula óssea ou do baço. Outros exames apoiam o diagnóstico e graduam a gravidade da doença, como o hemograma, que revela anemia e contagem baixa de glóbulos brancos e plaquetas. Outros exames mostram alterações das proteínas do sangue, das enzimas do fígado e na velocidade de sedimentação do sangue (VHS).

Recursos mais sofisticados, a exemplo dos testes moleculares, que pesquisam o DNA do agente infeccioso em diferentes materiais clínicos, embora constituam-se em uma nova perspectiva para o diagnóstico da leishmaniose visceral, pois apresentam 94% de sensibilidade, seus resultados ainda dependem de muitas variáveis como procedência do doente; tipo de amostra; alvo do DNA utilizado para amplificação; método de extração do DNA, etc.

Tratamento e prevenções

O tratamento de qualquer forma da leishmaniose é feito inicialmente com injeções de uma droga chamada antimonial pentavalente. No Brasil, o Sistema Único de Saúde fornece esse medicamento, que deve ser aplicado diariamente durante um período de no mínimo 20 e no máximo 40 dias.

O tratamento com antimonial deve ser feito com controle rigoroso, pois trata-se de medicação que pode apresentar efeitos tóxicos no rim, fígado e pâncreas, mas sobretudo no coração, levando à arritmias que podem ser graves e até fatais. Caso a resposta não seja adequada, existem remédios de segunda escolha, entre eles a Anfotericina B. Além da terapêutica, o portador da infecção deve se manter em repouso por período determinado pelo médico e receber boa alimentação. Nos casos de leishmaniose tegumentar, recomendam-se também cuidados locais com as lesões para evitar infecções secundárias. 

Por enquanto, os métodos de prevenção da doença continuam bastante básicos, incluindo dedetização das áreas de risco, destinação adequada do lixo, uso de mosquiteiros impregnados de inseticidas, aplicação de repelentes sobre a pele nos locais endêmicos, busca ativa de casos pela vigilância epidemiológica, diagnóstico precoce e tratamento adequado dos casos humanos, vacinação de cães, além do sacrifício dos cães doentes e controle de outros animais que atuam como reservatório do parasita.

Contudo, a imunização para humanos deve ser uma realidade nos próximos anos, uma vez que há promissoras iniciativas em fase de desenvolvimento e aprovação, inclusive dentro do Brasil. Até lá, porém, além dos cuidados para evitar a proliferação e a picada do mosquito que transmite a leishmaniose, é fundamental procurar atendimento médico imediato diante dos primeiros sintomas da infecção, sobretudo nas regiões de maior risco.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Leptospirose

A leptospirose é uma doença infecciosa e potencialmente grave, causada por uma bactéria chamada Leptospira interrogans. Embora seja considerada uma zoonose, ou seja, uma doença de animais, essa infecção afeta também o homem, que se contamina, sobretudo, por meio do contato com a urina do rato.

Por isso mesmo, ocorre em todas as regiões do mundo, exceto nas polares, embora seja mais freqüente em países tropicais e subtropicais, particularmente em áreas com condições sanitárias precárias e com elevada infestação de ratos.

De 1980 a 2005, o Brasil teve pouco mais de 60 mil casos da doença em todo o território nacional, um terço dos quais no Sudeste.

Apesar de inspirar certo receio, a leptospirose cursa de maneira benigna na maioria dos casos. Em 10% dos infectados, porém, pode se manifestar em sua forma grave, denominada doença de Weil, com manifestações hemorrágicas severas e comprometimento da função renal.

Assim como acontece com a cólera e com a dengue, não dá para prever quando a leptospirose vai ser mais agressiva, mas há estratégias terapêuticas capazes de prevenir essa apresentação assim que a infecção se instala.

Por isso mesmo, é fundamental procurar um serviço médico diante do surgimento dos primeiros sinais clínicos, sobretudo após a exposição a situações de risco.

Causas e sintomas

Existe a possibilidade de a leptospirose ser assintomática, mas, em geral, o processo infeccioso começa com febre alta, sensação de mal-estar, dor de cabeça, dores musculares, cansaço, olhos avermelhados, tosse, faringite e calafrios. Esses sinais podem ser acompanhados de dor abdominal, náuseas, vômitos e diarréia, com possibilidade de desidratação.

Depois de dois ou três dias de aparente melhora, o quadro às vezes ressurge com novas manifestações, como manchas avermelhadas na pele e meningite de boa evolução. É nesse período que também se apresenta a forma mais grave da doença, igualmente depois que a infecção parece ter cessado, com coloração amarelada na pele e nos olhos – a icterícia –, sangramentos no nariz, nas gengivas e nos pulmões, manchas escuras na pele, semelhantes a hematomas, torpor e redução - ou mesmo ausência - de volume urinário.

A causa da doença é a bactéria Leptospira interrogans, que está presente na urina de animais infectados, particularmente do rato, em cujos rins o microrganismo se multiplica sem provocar danos ao animal.

Ao ser expelido, esse agente sobrevive no solo úmido ou na água – menos na do mar – e penetra no organismo humano através da pele e das mucosas, assim como pela ingestão de água e de alimentos contaminados.

No Brasil e em outros países em desenvolvimento, a maioria das infecções ocorre pelo contato com a enxurrada ou com a lama das enchentes, que se misturam à urina dos ratos e, assim, espalham as bactérias.

Ocorre que a combinação de saneamento inadequado, crescimento desordenado das cidades, ineficiência do sistema de drenagem das águas das chuvas e coleta de lixo inadequada favorece tanto a proliferação dos roedores quanto as inundações. Independentemente de haver enchente, o contato com água ou lama de esgoto, de lagoas e rios contaminados e mesmo de terrenos baldios também constitui risco para a aquisição da leptospirose.

A doença igualmente pode ser transmitida pela urina de outros animais infectados, como cães, gatos, porcos, cavalos, bois, cabras e ovelhas. Logo, a leptospirose está associada a algumas atividades profissionais como tratadores de animais, trabalhadores de serviços de água e esgoto, lixeiros, plantadores de arroz, cortadores de cana-de-açúcar, entre outras.

Uma pessoa contaminada, contudo, não passa a infecção para outra. Os sintomas costumam aparecer de 3 a 24 dias após o contágio, com média de dez dias de incubação.

Exames e diagnósticos

Uma vez que as manifestações iniciais da leptospirose se assemelham bastante às de outras doenças infecciosas, como a malária, a febre amarela, a dengue e mesmo a hepatite, a suspeita acaba sendo levantada com base na história do indivíduo.

A probabilidade de contaminação com leptospiras é grande em uma pessoa que teve sua casa inundada ou que limpou uma fossa ou um bueiro, por exemplo. De qualquer forma, se ela esteve ou vive em áreas de risco para a malária ou para a febre amarela, essas possibilidades precisam ser igualmente investigadas.

A confirmação da leptospirose, contudo, depende de exames laboratoriais específicos, tanto para pesquisar anticorpos contra a Leptospira interrogans no sangue da pessoa com a suspeita quanto para a investigação direta desse agente infeccioso em exame de cultura, no qual o material biológico coletado é posto em meios apropriados para o desenvolvimento da bactéria.

Tratamento e prevenções

O portador de leptospirose deve ser tratado com hidratação, analgésicos e antitérmicos, exceto os que contenham ácido acetilsalicílico, como a Aspirina® e outros antiinflamatórios, uma vez que essa substância favorece as hemorragias. Quando o diagnóstico é feito até o quarto dia da infecção, usam-se também antibióticos, que, apenas nessa fase, ajudam a prevenir o desenvolvimento da forma mais grave da doença.

Os infectados podem receber o tratamento em casa, desde que não haja sinais de icterícia nem de meningite. Nestas situações, há necessidade de internação para tratamento intensivo e monitorização da função dos rins, com a adoção de medidas específicas em caso de perda da capacidade renal, como a diálise peritoneal, um procedimento para a eliminação das toxinas do sangue quando o mecanismo natural de filtração fica comprometido.

A prevenção da leptospirose passa obrigatoriamente pela melhoria das condições de infra-estrutura básica, o que inclui rede de esgoto e de abastecimento de água tratada, drenagem de águas das chuvas, limpeza de córregos e rios, remoção adequada do lixo e eliminação de ratos. Essas medidas por si só já reduziriam as inundações e o número de roedores.

Enquanto isso não ocorre, a contaminação com a bactéria envolvida nessa infecção pode ser evitada com medidas individuais de proteção. Em caso de enchente, deve-se evitar o contato desnecessário com a água e com a lama. Do contrário, o uso de botas e luvas impermeáveis é indispensável. Depois de uma inundação, os locais que se encheram de água e lama precisam ser desinfetados com água sanitária, que consegue eliminar as leptospiras.

No dia-a-dia, por sua vez, é importante armazenar o lixo em sacos plásticos e em lixeira tampada e zelar por seu devido encaminhamento, de modo a evitar a proliferação de ratos. A limpeza de fossas e bueiros, igualmente, exige proteção adequada de mãos e pés, por serem fontes naturais de contaminação.

Quem tem animais de estimação também deve se proteger ao recolher fezes e urina dos bichos, além de usar água sanitária na limpeza das áreas que eles ocupam.

Em locais em que a procedência hídrica for duvidosa, recomenda-se estabelecer uma rotina de tratamento, idealmente com supervisão, pelo menos da água usada no preparo dos alimentos. Por fim, a limpeza de vegetais e frutas tem de ser criteriosa em qualquer lugar do planeta, incluindo sua imersão em água clorada.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Leucemia

A leucemia é um câncer que envolve os leucócitos, ou seja, os glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo humano. Nessa doença há uma proliferação exagerada e desordenada de células brancas doentes, que, além de não exercerem suas funções, superpovoam a parte interior dos ossos conhecida como medula óssea, na qual o sangue é fabricado. Com isso, afetam a produção dos glóbulos vermelhos, que, em número insuficiente, não conseguem transportar de forma adequada o oxigênio a todos os órgãos e tecidos do corpo, e das plaquetas, que, pequena quantidade, não são capazes de conter sangramentos.

A leucemia pode ser aguda, de início súbito e potencialmente mais grave, ou crônica, quando cursa mais lentamente, muitas vezes sem sintomas. Como existem vários leucócitos distintos, alguns dos quais com diferentes subtipos, há vários tipos de leucemia. As mais comuns são a linfóide e a mielóide, que envolvem respectivamente os linfócitos, responsáveis pela produção de anticorpos, e os neutrófilos/granulócitos, cuja função é destruir bactérias e fungos.

Apesar de ainda ser uma doença bastante grave, a leucemia hoje tem boas chances de cura e, mesmo quando essa possibilidade inexiste, o tratamento pode aumentar muito a sobrevida dos doentes.

Causas e sintomas

Os sintomas aparecem subitamente na forma aguda da leucemia. Além de a pessoa ficar mais sujeita a infecções, pela falta de glóbulos brancos saudáveis, a baixa produção de células vermelhas causa anemia, comprometendo o funcionamento de vários sistemas orgânicos e gerando sinais clínicos como fraqueza, palidez, cansaço excessivo, perda de apetite e de peso.

O número reduzido de plaquetas provoca sangramentos no nariz e na gengiva, além do surgimento de hematomas na pele, elevando o risco de hemorragias no cérebro e no aparelho digestivo. A quantidade exagerada de glóbulos brancos pode determinar ainda aumento importante do tamanho do baço.

Na leucemia crônica, inicialmente a pessoa nada sente e só acaba descobrindo a doença em exames de rotina. Com a progressão do quadro, porém, os sintomas são os mesmos da forma aguda.

Assim como em vários outros tipos de câncer, as causas da leucemia ainda são desconhecidas. De qualquer modo, sabe-se que a produção descontrolada de glóbulos brancos deriva de alterações no DNA das células, as chamadas mutações, que podem ocorrer espontaneamente e também em decorrência da exposição prolongada a substâncias cancerígenas, como o benzeno, e a grandes doses de radiação, devido a tratamentos prolongados ou acidentes. Algumas moléstias e condições genéticas igualmente aumentam a vulnerabilidade de seus portadores para a leucemia, como é o caso da anemia de Fanconi.

Exames e diagnósticos

É difícil um médico não suspeitar de leucemia diante de um episódio agudo, mas o diagnóstico depende da realização de alguns exames. O primeiro deles é o hemograma, um teste simples que faz a contagem das células do sangue e já aponta a existência da doença ao evidenciar um número muito aumentado de glóbulos brancos, com acúmulo de células jovens (blásticas) anormais. A confirmação, contudo, vem com o mielograma, exame em o líquido da medula óssea, aspirado por uma punção especial, é analisado para a identificação das células que estão invadindo esse local e impedindo a fabricação de outros elementos do sangue.

A investigação costuma prosseguir com recursos mais sofisticados para classificar o tipo de leucemia e até mesmo verificar a mutação genética envolvida. Só a leucemia linfóide, por exemplo, tem sete apresentações diferentes. Essas informações são vitais para escolher a estratégia de tratamento e definir o prognóstico, ou seja, a estimativa médica de como o quadro vai se desenvolver.

Nas leucemias agudas, o tratamento geralmente começa com a quimioterapia, que consiste na administração endovenosa de medicamentos, em ambiente hospitalar, com a finalidade de eliminar as células doentes – os blastos. Uma vez suprimidas, elas deixam de superpovoar a medula e, assim, a produção de glóbulos vermelhos e plaquetas volta a se normalizar.

A terapia continua com outras estratégias para consolidar a chamada remissão da leucemia e impedir que os glóbulos brancos doentes voltem a proliferar, podendo implicar a administração oral de medicamentos, novas sessões de quimioterapia e transplante de medula óssea.

Evidentemente, tudo isso tem de ser realizado com ações para controlar as complicações infecciosas e hemorrágicas da doença e para prevenir a invasão do sistema nervoso central pelos células doentes.

Nas leucemias crônicas, a abordagem terapêutica varia muito conforme o tipo da doença, mas inclui basicamente o uso de medicamentos por via oral e o transplante de medula óssea. Em alguns casos, nem sempre se inicia o tratamento imediatamente por não haver alterações significativas na produção das células sangüíneas – o indivíduo vai sendo monitorado até que exista necessidade de instituir alguma medida.

Tratamento e prevenções

Como as causas da leucemia não são exatamente claras, há pouco a fazer em termos de prevenção primária. Entre os fatores de risco conhecidos, é possível evitar apenas a exposição a substâncias cancerígenas, o que, no entanto, tem de ser feito com o aumento da fiscalização aos produtores de tais compostos, para que não exponham nem a comunidade nem seus funcionários a esse risco.

Como em outros tipos de câncer, um diagnóstico precoce muitas vezes pode ser decisivo para aumentar as chances de cura. Por isso, entre as crianças, particularmente, que são alvo importante das leucemias, é importante manter o acompanhamento médico periódico até a idade escolar, de modo que seja possível rastrear qualquer alteração quanto antes.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Linfoma

O linfoma é um tipo de câncer que se origina nos linfócitos, células do sistema imunológico responsáveis pela defesa do nosso organismo. O linfócito é um tipo de leucócito (glóbulo branco) que desempenha sua importante função circulando no sangue e organizando-se nos linfonodos (gânglios linfáticos) e em outros órgãos como o baço, medula óssea e, na infância, no timo. Os linfonodos estão distribuídos ao longo de todo o corpo e alguns deles localizam-se em regiões acessíveis como pescoço, axilas e nas virilhas.

Quando surge o linfoma, há geralmente o acometimento dos gânglios linfáticos, que aumentam de tamanho. Como todo tipo de câncer, o linfoma é desencadeado por alterações no comportamento da célula que lhe deu origem, no caso o linfócito. Num dado momento, que não é possível ser determinado, sua “central de comando” passa a seguir regras que o fazem se multiplicar muito mais rapidamente do que os outros linfócitos normais, além de lhe conferir a capacidade de invadir órgãos nos quais em condições normais não se encontraria tão abundantemente. Com isso, adquire as características de uma célula denominada maligna, pelos transtornos que causa - principalmente o aumento no volume das regiões afetadas.

De forma geral os linfomas se dividem em dois grandes grupos: o linfoma não Hodgkin e o linfoma Hodgkin. Eles são decorrentes de diferentes mecanismos desencadeantes e, no último, da participação de algumas outras células.
Na verdade, esses dois grandes grupos se subdividem ainda mais, sempre na dependência das características do linfócito que originou a doença. Esse fato tem grande importância porque é a partir dessa classificação que é possível estabelecer o tratamento mais adequado.

O linfoma não é uma doença muito frequente na população. Alguns aspectos podem aumentar o risco do seu surgimento, como o comprometimento do sistema imune - às vezes, devido a tratamentos para outros tipos de doenças.

Causas e sintomas

Na grande maioria das vezes não é possível estabelecer uma causa para a ocorrência do linfoma. As situações caracterizadas por algum comprometimento na função do sistema imunológico podem aumentar o risco do surgimento da doença. Além disso, alguns tipos de infecção, como pelo Helicobacter pylori ou pelo vírus Epstein-Barr, e a exposição a agentes químicos e radioativos podem, também, favorecer sua evolução.

A queixa mais frequentemente relacionada ao linfoma é o surgimento de algum caroço que corresponde ao aumento de tamanho de linfonodos. Além disso, a pessoa pode apresentar cansaço, perda de peso, febre não muito alta e que costuma ocorrer ao anoitecer e sudorese noturna. Conforme a área comprometida, que pode estar nas regiões internas do corpo, diversos outros sintomas podem acontecer.

Exames e diagnósticos

O exame mais importante é a biópsia da região afetada. Frequentemente retira-se um gânglio aumentado, comprometido pelo processo. Nesse material são realizados diversos estudos que definem, hoje com bastante precisão, o tipo e subtipo de linfoma. Esse procedimento é fundamental para ser instituído o tratamento mais adequado. Dentre os testes realizados estão os exames anatomopatológico, imunoistoquímico, imunonfenotípico, citogenético e genético-molecular.

Para avaliar a extensão da doença, são necessários exames complementares, como análise da medula óssea, exames radiológicos – como tomografias e, em alguns casos, o PET-CT (tomografia computadorizada por emissão de pósitrons, com fusão de imagens) – e exames ultrassonográficos, além de outros testes bioquímicos gerais.

Tratamento e prevenções

Ao diagnosticar a doença, ela é classificada (determina-se o tipo) e seu estágio é avaliado (é realizada uma pesquisa para saber se a doença se disseminou a partir do seu local de origem e em que intensidade). Esta informação é fundamental para estimar o prognóstico do paciente e selecionar o melhor tratamento, que, em geral, consiste de quimioterapia, com ou sem radioterapia. As medidas preventivas não são específicas para esta doença e relacionam-se àquelas voltadas para uma boa qualidade de vida e as que diminuem os riscos de contato com agentes infecciosos. Claro que a exposição a agentes tóxicos, sejam químicos ou físicos, são desaconselháveis por muitos motivos, inclusive para diminuir riscos de doenças neoplásicas. Vale ressaltar que, na dependência do tipo de linfoma envolvido, as possibilidades de tratamento e cura são bastante animadoras, tendo em vista os atuais avanços da pesquisa nesta área específica da medicina, denominada onco-hematologia.  Como em outros tipos de câncer, um diagnóstico precoce muitas vezes pode ser decisivo para aumentar as chances de cura. Por isso, é importante manter o acompanhamento médico periódico e procurar ajuda sempre que algum incômodo chame a atenção.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Lombalgia

A lombalgia consiste em uma dor na região lombar, precisamente na parte inferior da coluna, entre a última costela e as nádegas. Pode ser aguda, irrompendo súbita e bruscamente, ou crônica, quando se mantém por mais de três meses, tem início impreciso e apresenta períodos de melhora e piora.

Independentemente de sua classificação, essa dor costuma ser altamente incapacitante, a ponto de figurar como a segunda causa de consulta médica, perdendo apenas para o resfriado comum. Estima-se que 80% das pessoas já tiveram ou ainda terão um episódio de lombalgia na vida, principalmente depois dos 40 anos.

Causas e sintomas

O sintoma da lombalgia é a dor na região inferior das costas, que pode se irradiar para as coxas e pernas quando as estruturas dos discos existentes entre as vértebras da coluna se deslocam e comprimem as raízes dos nervos que saem dessa região, condição conhecida como hérnia de disco.

Algumas vezes, principalmente nos casos de dor aguda, a pessoa pode sentir como se estivesse “travada”, pois não consegue mover a parte inferior da coluna, por causa da dor intensa e da contratura dos músculos da região.

Na maioria das vezes, a lombalgia se deve a lesões nos ligamentos e nos músculos, ou, então, nos discos intervertebrais, causadas pela prática exagerada de exercícios físicos, sem orientação de especialista, por posturas inadequadas ou pela permanência em uma mesma posição durante longos períodos e por sobrepeso – cada quilo de gordura a mais no corpo equivale a quatro quilos de carga adicional para a coluna.

Com menos freqüência, os episódios dolorosos podem se originar de fraturas nas vértebras, em geral associadas à osteoporose, de defeitos congênitos e mesmo de traumas violentos, como acidentes. Doenças infecciosas e metabólicas, tumores, artrite e artrose também causam dor lombar, estando, contudo, mais relacionados com a lombalgia crônica.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da condição é clínico e, portanto, exige uma boa consulta médica, a qual pode ser seguida, quando indicado, da realização de exames de imagem para confirmar a hipótese formulada durante a avaliação e afastar a possibilidade de a dor estar relacionada a alguma outra doença.

Entre os exames que podem ser solicitados, a radiografia simples mostra alterações maiores na coluna, enquanto a ressonância magnética pode evidenciar mesmo os mínimos comprometimentos nos ligamentos e nos discos intervertebrais.

Tratamento e prevenções

Em 80% dos casos, os episódios agudos cedem espontaneamente em até seis semanas. Por essa razão, o tratamento costuma ser apenas sintomático em tais situações, ou seja, feito com analgésicos, antiinflamatórios, repouso e medidas relaxantes, a exemplo da aplicação de bolsas de água quente na região lombar.

Já nas lombalgias crônicas, é necessário combinar a fisioterapia aos medicamentos, com o objetivo de recuperar a postura do indivíduo e fortalecer os músculos da região. Se, contudo, a dor for secundária a alguma outra condição ou doença, o tratamento será voltado a combater a causa.

A prevenção das lombalgias passa obrigatoriamente pela prática regular de atividade física, com orientação de especialista, pelo controle do peso corporal e, para quem fuma, pelo abandono do cigarro, que está associado a um maior risco de episódios de dor nas costas. Fora isso, alguns cuidados precisam ser observados no dia-a-dia para evitar lesões nas estruturas lombares, como jamais dobrar a coluna ao apanhar um objeto no chão – o correto é flexionar os joelhos, não girar o tronco ao carregar um objeto pesado e preferir sempre empurrar uma carga a puxá-la.

Por fim, quem trabalha muito tempo sentado deve usar cadeiras adequadas, que tenham um ângulo de 90 graus entre o assento e o encosto, e fazer intervalos a cada 90 minutos, levantando-se para dar uma volta, esticar o corpo e, de quebra, aliviar as tensões.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Lúpus Eritematoso Sistêmico

O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença auto-imune, ou seja, provocada por um desequilíbrio do sistema imunológico, no qual as células responsáveis pela defesa (anticorpos) agem inadequadamente contra constituintes do próprio organismo.

Por se tratar de um quadro sistêmico, em que qualquer célula pode ser auto-agredida, a sua gravidade é bastante variável. Assim, as suas manifestações clínicas incluem desde lesões isoladas na pele e nas articulações até nos órgãos internos vitais como os rins e o cérebro.

Embora não haja uma causa conhecida, existem algumas teorias sobre origem desta doença, em que uma agressão externa poderia desencadear esse processo. Dentre elas estão as infecções por vírus ou bactérias, o contato com agentes químicos, o stress e mesmo a exposição à radiação ultravioleta. Esse agressor externo, que aqui vamos chamar de antígeno, induz o organismo à produção desses anticorpos dirigidos contra o próprio organismo – os auto-anticorpos. A união destes ao inimigo agressor (antígeno) forma um par denominado de complexos antígeno-anticorpo. Esses pares ativam um sistema específico de proteínas de inflamação e dão origem a complexos imunes, que têm acesso a vários órgãos de forma isolada ou simultânea, afetando assim o funcionamento dos mesmos. A produção e deposição desses complexos é quem determina a gravidade da doença.

O lúpus afeta preferencialmente mulheres jovens. Assim, a doença ocorre nove vezes mais no sexo feminino que no masculino e, sobretudo, na idade reprodutiva, entre 20 e 40 anos, preferencialmente na raça negra. Não é uma doença freqüente - estima-se que ocorra um caso novo a cada 10 mil pessoas.

Causas e sintomas

A doença é caracterizada por períodos de atividade e remissão dos sintomas e pode apresentar uma gama muito variada de queixas clínicas. As mais comuns são lesões na pele e mucosas, dores nas articulações e fadiga. Os sinais clínicos externos incluem lesões na mucosa da boca e da faringe, especialmente aftas e importante queda de cabelos (alopécia). Além destas pode ocorrer uma intensa sensibilidade ao sol e a formação de uma típica lesão na pele semelhante à asa de uma borboleta nas bochechas e no dorso do nariz (rash malar). Nas articulações a auto-agressão pode causar dor e inflamações migratórias em punhos, cotovelos, ombros e dedos das mãos.

Embora tenha algumas características semelhantes à artrite reumatóide, não tem o mesmo caráter deformante. Os quadros de maior gravidade são os que têm comprometimento dos rins e do cérebro. Nos rins, o depósito dos complexos imunes pode dar origem à nefrite lúpica, que nem sempre produz sintomas, mas pode ser severa e em alguns casos até necessitar de diálise.

O inchaço nos membros inferiores, as alterações urinárias e a elevação da pressão arterial são manifestações da gravidade dessa inflamação renal. Já os sinais neurológicos são variados e abrangem desde dor de cabeça persistente, dormências, movimentos involuntários de membros do corpo, até convulsões. Pode apresentar ainda distúrbios do humor e comportamento, tais como depressão e psicose.

O coração também pode ser afetado por inflamação da membrana que o envolve, a pericardite, ou de seu músculo, a miocardite, provocando palpitações, falta de ar e dor no peito, entre outros sinais. No pulmão, costuma ocorrer manifestação semelhante, com um processo inflamatório que acomete a pleura, o tecido que recobre a superfície desse órgão, determinando dor e respiração difícil.

Por sua vez, os vasos sangüíneos tendem a apresentar inflamações e a formar coágulos, pode formar manchas pelo corpo, além de apresentar maior risco para trombose e embolia pulmonar.

Por fim, as próprias células do sangue, como glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas podem ser lesados e apresentarem respectivamente, anemia, maior facilidade para contrair infecções e risco de hemorragias.

Não se conhecem as causas dos chamados processos auto-imunes, nos quais o sistema imunológico se volta contra constituintes do próprio corpo. Sabe-se, contudo, que o lúpus eritematoso sistêmico conta com o envolvimento de fatores genéticos, hormonais, emocionais e ambientais em sua origem. Ou seja, a pessoa já nasce mais suscetível a desenvolver essa doença e o contato com um mecanismo de gatilho – seja uma infecção ou a exposição ao sol ou a agentes químicos – pode ser suficiente para deflagar a doença.

Existe também a possibilidade de associação dessa doença a alguns medicamentos. Vale ressaltar que o lúpus não é uma doença maligna, nem contagiosa e não tem transmissão materna obrigatória para o bebê durante a gravidez. No entanto, os quadros de abortos não são raros nas mulheres lúpicas.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico é feito pela somatória de informações clínicas, incluindo os sintomas e os achados ao exame físico, com exames laboratoriais, particularmente a pesquisa de diferentes tipos de auto-anticorpos no sangue do paciente. A presença de alguns deles pode confirmar a suspeita e mesmo determinar a gravidade da doença, como o envolvimento renal e cerebral. Contudo, nem sempre os resultados dos exames são suficientemente claros ou estão positivos na ocasião da doença.

Como as manifestações são muito variáveis, o tratamento precisa ser bem individualizado. Em geral, a doença é abordada com imunossupressores e imunomoduladores,  ou seja, com medicamentos que reduzem a ação do sistema imunológico, semelhante àqueles usados no controle de pessoas que realizaram transplante de rins. Em situações especiais de tratamento algumas dessas drogas têm administração endovenosa mensal, em vez de serem tomadas via oral diariamente. Assim, o paciente recebe, em ambiente hospitalar, num mesmo dia uma maior quantidade do medicamento - procedimento denominado pulsoterapia.

 Evidentemente, essa imunossupressão requer um acompanhamento médico estrito para que o paciente não se torne susceptível a doenças infecciosas oportunistas. O acompanhamento feito por um médico especialista, no caso um reumatologista, permite uma melhor indicação e escolha do esquema de tratamento de acordo com a severidade do quadro.

Os sintomas do lúpus, no entanto, podem requerer o emprego de outras drogas, como analgésicos, antiinflamatórios, além de uso diário de protetor solar. Além disso, tendo em vista o papel que o stress desempenha na atividade do lúpus, recomenda-se ao paciente medidas para melhorar sua qualidade de vida. Tanto no incremento de atividades de lazer e de repouso, quanto a pratica de exercícios físicos regulares.

Além da psicoterapia, os pacientes com lúpus podem contar com o apoio oferecido por uma associação de pacientes portadores dessa enfermidade, nos quais os participantes compartilham experiências e tiram desse contato bons exemplos para superar as dificuldades - no Brasil, a entidade é representada pela ABRALES.

Tratamento e prevenções

Como as causas dos processos auto-imunes não são conhecidas, não há nenhuma medida de prevenção que impeça o desenvolvimento da doença. Contudo, uma vez que existe a possibilidade de o lúpus estar relacionado a alguns medicamentos, é imprescindível evitar a automedicação em qualquer circunstância.

Para quem já recebeu o diagnóstico da enfermidade, algumas estratégias são importantes para impedir o agravamento do quadro. É importante o uso rigoroso do protetor solar diariamente, e mesmo assim evitar a exposição solar e ainda o emprego de medidas de redução do stress. É indicada cautela no uso de hormônios e de anticoncepcionais nos pacientes com lúpus por um possível elo entre a ocorrência de crises dessa doença e altos níveis de estrógeno no sangue.

Para os pacientes em uso de imunossupressores, recomenda-se evitar aglomerados de pessoas e contato com doentes e hospitais, para não contrair infecções. Manter-se informado sobre a doença, participar do tratamento e ter um acompanhamento regular com seu médico proporciona, para a maioria dos pacientes, uma boa qualidade de vida.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Malária

A malária é uma doença infecciosa muito freqüente nos países de clima tropical e subtropical, causada por quatro espécies do protozoário Plasmodium, que são transmitidas pela picada de mosquitos anofelinos, ou Anopheles. Passados 30 minutos de sua entrada na circulação do homem, esse parasita alcança o fígado e se multiplica dentro das células hepáticas e, destas, passa para os glóbulos vermelhos, onde se desenvolve e os destrói, lançando substâncias tóxicas na corrente sangüínea e  espalhando-se por todo o organismo.

A doença pode ser tratada com sucesso se for rápida e corretamente diagnosticada, até porque possui uma forma maligna, provocada pelo Plasmodium falciparum, que precisa ser identificada com prontidão e abordada como uma emergência médica. Sem tratamento, contudo, qualquer tipo dessa infecçao causa anemia e coloração amarelada da pele e dos olhos, a chamada icterícia, com risco de comprometer o funcionamento de órgãos vitais, como os rins e o cérebro.

Estima-se que a malária afete 300 milhões de pessoas no mundo todo a cada ano, mais de 90% em países africanos, sendo fatal para cerca de 1,5 milhão de pessoas.

No Brasil, está concentrada na chamada Amazônia Legal, que compreende Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Em 2005, foram registrados quase 600 mil casos nessas regiões, quase 12 vezes a mais do que em 1970, quando a epidemia parecia controlada após ostensivas aplicações de inseticida.

Contudo, a migração desordenada de indivíduos não-imunes para esses Estados fez com que o aparente controle fosse por água abaixo. E desde 1999 assistimos a essa avalanche malárica, que, para ser revertida, requer agilidade dos órgãos de saúde tanto no combate ao mosquito quando no diagnóstico rápido dos casos.

Causas e sintomas

A presença do parasita no organismo produz febre alta, calafrios, sensação de mal-estar, dor de cabeça, dores musculares, cansaço e falta de apetite, assemelhando-se, no início, a uma gripe. Esse quadro pode durar de seis dias a semanas. Depois disso, a pessoa passa a ter crises a cada dois ou três dias, que coincidem com a destruição dos glóbulos vermelhos e com a invasão de toxinas na circulação. A temperatura corporal sobre para perto de 39-40 graus, geralmente no fim da tarde, o que é acompanhado de palidez e de tremores que podem durar de 15 a 60 minutos e são seguidos de horas de febre e queda repentina da temperatura, com suores intensos.

Após a crise, contudo, o indivíduo se sente bem, evidentemente até o próximo episódio. Na forma mais grave da infecção, causada pelo Plasmodium falciparum, as crises podem se manifestar com sinais mais graves, como delírios, desmaios, convulsões, entupimento de vasos e artérias e até choque e coma.

De acordo com a espécie do parasita, variam os intervalos das crises de febre: o P.vivax e P.ovale - acessos em dias alternados, 48 em 48 horas; P. malariae - os acessos se repetem cada 72 horas (daí o nome “febre terçã”); P. falciparum - com intervalos de 36 a 48 horas, por vezes com febre ininterrupta.

A malária chega ao ser humano por meio da picada da fêmea do Anopheles, que se contamina ao atacar uma pessoa já infectada. Esse inseto põe seus ovos em grandes coleções de água, daí porque é tão comum na região amazônica, e tem hábitos noturnos, do crepúsculo ao amanhecer, procurando suas vítimas quase sempre dentro das habitações, em áreas rurais e semi-rurais.

Há quatro espécies do parasita que podem ser transmitidas pelos anofelinos: além do Plasmodium falciparum, responsável pela infecção mais grave, há o Plasmodium vivax, o Plasmodium malariae e o Plasmodium ovale, este último mais comum na África. O período de incubação, ou seja, o tempo transcorrido após a picada até o surgimento dos sintomas, dura, em média, 15 dias, mas pode levar meses em alguns casos. Como o agente infeccioso fica na circulação de seu hospedeiro, é possível transmitir a malária também por transfusão de sangue, por seringas e agulhas contaminadas e ainda durante a gestação, da mãe para o bebê.

Exames e diagnósticos

As manifestações clínicas não são suficientes para estabelecer o diagnóstico de pronto, apesar da forte suspeita que inspiram, mesmo que o indivíduo viva em áreas endêmicas ou tenha história recente de viagem para essas regiões, uma vez que esses também são locais de risco para a dengue e para a febre amarela, que cursam com sintomas parecidos no início da infecção. Por isso, há necessidade da realização de exames específicos para a detecção e a identificação do Plasmodium.

O exame parasitológico do sangue em gota-espessa deve ser realizado o mais rapidamente possível. Em geral, o resultado sai em cerca de 20 minutos a pouco mais de uma hora e só depois dele é que o tratamento começa, uma vez que cada espécie requer uma abordagem terapêutica diferente.

Existem outros exames, como provas rápidas de detecção de antígenos do parasita, ou seja, de substâncias que levam o organismo a produzir anticorpos, ou a pesquisa dos próprios anticorpos (testes sorológicos) e ainda testes de biologia molecular que detectam o material genético do parasita em amostras biológicas, embora nenhum destes ainda substitua o exame parasitológico direto em gota-espessa.

Vale lembrar que confirmação laboratorial da malária não exclui a hipótese de febre amarela nem de dengue nas áreas de risco, razão pela qual essas possibilidades precisam ser também investigadas.

Tratamento e prevenções

O tratamento da malária é feito com antimaláricos, ou seja, medicamentos aos quais as diferentes espécies de Plasmodium são suscetíveis. Atualmente, usam-se substâncias como a mefloquina, a artemisina, a quinina e a cloroquina. Cada tipo de parasita, porém, exige um medicamento diferente ou associações desses fármacos, que podem ser usados por via oral, em casa.

Já as infecções causadas pelo Plasmodium falciparum constituem emergências médicas, requerendo hospitalização, e normalmente exigem medicações de ação rápida, administradas por via endovenosa, monitoração dos órgãos vitais e abordagem das complicações. Em qualquer caso, a terapêutica não deve ser interrompida antes do tempo prescrito pelo médico, que varia conforme a espécie envolvida, sob o risco de haver recaídas.

Não há vacinas contra a malária. Por isso, a melhor forma de prevenção é evitar a picada do mosquito. Assim, em regiões endêmicas, recomenda-se usar repelente nas áreas expostas do corpo – que deve conter dietiltoluamida (Deet) na concentração máxima de 10% para crianças e de 50% para adultos – e vestir calças e camisas de mangas compridas, além de colocar mosquiteiros e telas dentro das habitações. O ar condicionado também ajuda a afugentar o vetor.

É fundamental não ficar próximo de lagos, igarapés e águas paradas ao entardecer ou ao amanhecer, pelo risco iminente de um ataque dos anofelinos em tais períodos. Quem vai ficar em uma área de risco por um período limitado deve conversar com um médico especialista em Medicina de Viagem ou em Infectologia para avaliar a possibilidade de receber um tratamento preventivo com anti-maláricos. Só não vale se automedicar.

De qualquer maneira, o importante é que tanto os moradores quanto os visitantes de locais endêmicos procurem um serviço médico diante de qualquer febre, pois, no começo, a doença se parece muito com uma gripe. O diagnóstico precoce certamente poupa as pessoas de sofrimentos desnecessários e, sobretudo, impede as severas complicações associadas à malária maligna.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Meningite

A meningite nada mais é do que a inflamação das meninges, que são as membranas que recobrem todo o sistema nervoso, do cérebro até a medula espinhal.

Ela é habitualmente causada pela presença de um agente infeccioso nesse local, que é protegido por uma barreira que dificulta a livre circulação dos microrganismos.

A meningite atinge preferencialmente indivíduos que tem menos defesas contra infecções, seja pela idade, como ocorre com crianças pequenas e idosos, seja pela existência de comprometimento da imunidade.

A gravidade da meningite depende, entre outros fatores, do tipo de microrganismo envolvido e do tempo transcorrido entre os primeiros sintomas e o início do tratamento. De modo geral, as meningites causadas por bactérias são potencialmente mais graves e podem deixar seqüelas, a exemplo de surdez, dificuldades motoras e limitação das habilidades intelectuais.

Causas e sintomas

Dor de cabeça, vômitos freqüentes, rigidez da nuca, mal-estar, irritação e febre alta constituem sintomas característicos da meningite. Nas infecções por vírus, no entanto, as manifestações são mais leves, assemelhando-se a um quadro de gripe, porém com dor de cabeça e vômitos proeminentes.

As meninges podem ser infectadas por qualquer microrganismo, mas principalmente por vírus e bactérias que, de forma oportunista, conseguem vencer a barreira que existe entre a circulação e o sistema nervoso central. Certos agentes infecciosos têm, no entanto, maior afinidade pelas meninges, entre os quais as bactérias do gênero hemófilos, pneumococo e meningococo.

Exames e diagnósticos

O conjunto de sintomas e o exame físico, por meio do qual o médico nota a rigidez da nuca, levantam fortemente a suspeita de meningite. O diagnóstico, contudo, não dispensa a realização do exame de líquido cefalorraquidiano, ou liquor, que é retirado por meio de uma punção na região lombar, localizada na parte inferior da coluna.

A análise desse material, que está contido nas meninges e reflete o que ocorre no sistema nervoso central, revela a presença e o tipo dos agentes infecciosos e auxilia no planejamento do tratamento.

Tratamento e prevenções

Se for uma infecção viral, o tratamento será sintomático, ou seja, voltado a aliviar os sintomas, com analgésicos para as dores, antitérmicos para a febre e antieméticos para os vômitos. Em tais casos, o paciente pode ir para casa, uma vez que em poucos dias o quadro se reverterá naturalmente – como habitualmente ocorre nas demais infecções provocadas por vírus, o organismo acaba desenvolvendo anticorpos próprios para combater o agente infeccioso.

No caso de infecção bacteriana, além do tratamento sintomático, precisa ser instituído imediatamente um tratamento com antibióticos, administrados por via endovenosa, no hospital. Se o exame não der certeza do tipo de microrganismo envolvido, mesmo assim os antibióticos costumam ser prescritos, pelo menos até que essa informação seja bem esclarecida.

É possível prevenir algumas das meningites mais graves com imunização. A vacina contra os hemófilos está no calendário oficial e deve ser aplicada na criança em três doses, aos 2, aos 4 e aos 6 meses de idade, com reforço entre 12 e 15 meses. Existem também vacinas que conferem boa proteção contra três tipos de meningococo e contra vários tipos de pneumococo – uma delas cobre 23 tipos da bactéria. Estes últimos imunizantes não estão disponíveis de forma livre na rede pública, mas são recomendados para crianças e idosos, assim como para pessoas com o sistema imunológico debilitado por doenças ou tratamentos.

Pouco há a ser feito para se evitar as meningites virais, que, entretanto, costumam ter excelente evolução e não deixam seqüelas.

Fonte: Assessoria Médica Fleury.

Micose

As micoses são infecções fúngicas, ou seja, causadas por fungos. Quando acometem a pele, os pêlos, as unhas e as mucosas, são chamadas micoses superficiais.

 Corriqueiras, costumam ser mais freqüentes no verão, justamente por causa do aumento do calor e da umidade, propícios para a multiplicação desses agentes. Às vezes, porém, podem ser difíceis de tratar, sobretudo pela falta de adesão das pessoas ao tratamento e às orientações para deixar a pele mais seca.

As micoses afetam pessoas de todas as idades, mas podem ser mais intensas quando existe algum distúrbio da imunidade. Por isso mesmo, sua proliferação é mais frequentemente observada em indivíduos com o sistema imunológico debilitado, como portadores de aids, pacientes em tratamento de um câncer e diabéticos, nos quais sempre inspira cuidados, pelo risco maior de disseminação do agente infeccioso para órgãos internos, quando passam a ser consideradas micoses profundas.

Causas e sintomas

De maneira geral, as micoses da pele se manifestam com coceira e graus variados de descamação.

Na pele, os locais mais freqüentemente acometidos são as plantas e entre os dedos dos pés (pé de atleta) e no tronco (pano branco). Nas unhas, as micoses podem causar deformidade das unhas, placas brancas ou unhas grossas e quebradiças. Já no couro cabeludo, a infecção pode se apresentar como uma área circunscrita sem cabelo, alguma descamação e inúmeros pontos pretos. Nas mucosas, por sua vez, os sintomas variam de acordo com a área afetada. A infecção na boca – o popular sapinho – cursa com o desenvolvimento de lesões brancas, semelhantes às aftas, que podem ser acompanhadas de dor, perda do apetite e do paladar. Nas mucosas dos genitais e do ânus, a presença de fungos está associada a sinais como coceira, ardor, vermelhidão, inchaço (no homem) e corrimento semelhante ao leite coalhado (na mulher).

Existem vários tipos diferentes de fungos. Alguns podem ser encontrados normalmente em algumas regiões do corpo humano. Outros, em animais domésticos e no solo. Na maioria das vezes, convivemos com esses microrganismos sem que eles provoquem nenhum dano, pois nossa pele possui mecanismos de defesa próprios que impedem que eles penetrem. Diante de qualquer alteração nestes mecanismos de defesa da pele, entretanto, eles podem proliferar.

Os fatores mais comuns que levam à perda da barreira natural da pele aos fungos são a umidade e o calor. Os obesos, por conta de seu maior número de dobras na pele, são mais propensos a apresentar micoses.

Outros fatores que diminuem a resposta imunológica aos fungos também aumentam o risco do aparecimento de uma micose, como nos imunodeprimidos pela ação de um vírus ou pelo tratamento com algumas medicações.

Exames e diagnósticos

Na maioria das vezes, o aspecto da lesão e o conjunto de sintomas já permitem ao médico fechar o diagnóstico, mas a confirmação laboratorial pode ser bastante importante para diferenciar a micose de outras doenças e para o acompanhamento do tratamento.

Para tanto, há necessidade de colher fragmentos da lesão através de um raspado da pele ou da unha para a identificação do fungo por análise direta ou por exame de cultura, no qual o material da micose é posto em meios próprios para o crescimento destes microorganismos e sua posterior identificação.

Tratamento e prevenções

Em muitos casos, o tratamento pode ser feito apenas com antifúngicos tópicos, para aplicar nas lesões, em forma de spray, creme ou pomada. Para alguns tipos de micose de unha, existem também esmaltes terapêuticos.

Contudo, para a maioria das infecções fúngicas das unhas e para infecções de pele mais extensas ou mais resistentes é necessário a administração de antifúngicos por via oral para eliminar a colônia de fungos e impedir seu reaparecimento.

Qualquer que seja a estratégia é importante que o indivíduo use o remédio pelo tempo recomendado pelo médico, uma vez que o emprego incorreto do fármaco pode levar ao reaparecimento dos sintomas precocemente ou mesmo à sua disseminação para outras partes do corpo.

As micoses podem ser evitadas com algumas medidas de higiene pessoal e a mudança de determinados hábitos. É importante evitar deixar a pele úmida durante muito tempo, enxugando-a muito bem após o banho, sobretudo os dedos dos pés, a virilha e outras dobras do corpo mais propícias à umidade.

Em caso de “pano branco”, o uso de um shampoo de cetoconazol, pelo menos uma vez por semana, pode ajudar a evitar novas manchas no tronco, pois o fungo provém do cabelo.

No verão, calçados abertos e roupas de algodão ajudam a manter o corpo mais arejado, evitando a proliferação de fungos.

Já na manicure, é fundamental se certificar de que os instrumentos utilizados estejam previamente esterilizados e não retirar a cutícula, pois ela impede que os fungos penetrem ao redor das unhas.

O uso de luvas ao lavar louça também constitui uma estratégia acertada de prevenção, pois o contato constante com água e detergentes machuca a pele das mãos e aumenta a predisposição a micoses. Por outro lado, as próprias luvas podem manter a umidade da pele, se utilizadas durante muito tempo. Por isso, pode ser necessário o uso de luvas de algodão embaixo das luvas de borracha.

Miocardite

A miocardite consiste na inflamação da camada média do músculo cardíaco, o famoso miocárdio, responsável direto pelo bombeamento de sangue para os órgãos. Este complexo trabalho do miocárdio de ejetar adequadamente o sangue oxigenado para o organismo é fundamental para a nutrição dos tecidos. Esta doença geralmente decorre de uma complicação de um processo infeccioso, sobretudo por vírus, que, ao atacar as células do coração, chamadas de miócitos, geram uma resposta inflamatória imediata do sistema imunológico. Este quadro induz a produção de tipos específicos de linfócitos dirigidos contra os miócitos, que liberam substâncias nocivas que podem comprometer o funcionamento do miocárdio. Embora este processo possa regredir através de resposta natural do organismo, existe risco de instalação de quadro de insuficiência cardíaca de forma aguda. Outro risco é o de que a inflamação cause um bloqueio de condução do impulso elétrico cardíaco, o que pode resultar, entre outras complicações, em arritmia maligna. Felizmente, a miocardite é inflamação pouco comum, acometendo de oito a dez em cada 100 mil pessoas, a maioria homens, na faixa dos 40 anos.

Causas e sintomas

O paciente pode não ter nenhum sintoma ou apresentar queixas de febre, dor incaracterística no peito, acompanhada ou não de falta de ar. A sensação de fadiga, batedeira (palpitações), inchaço e a ocorrência de desmaios pode indicar a possibilidade de arritmias, bloqueios denominados atrioventriculares ou insuficiência cardíaca. Estes quadros são graves e requerem a avaliação de um serviço médico de emergência. Sintomas gerais como dores articulares, náuseas e vômitos sugerem quadro infeccioso e também devem ser avaliados precocemente por um médico.

Na maioria das vezes, a miocardite surge após uma infecção viral, bacteriana, por fungos ou parasitária. Assim, pode ser uma complicação dos quadros mais comuns de gripe até de infecções diretamente relacionadas ao coração, como febre reumática e doença de Chagas. Outras infecções menos comuns também podem levar à miocardite, principalmente nos pacientes com AIDS. Devido a falhas do sistema imunológico ou mesmo por uma afinidade do microrganismo pelo tecido do miocárdio, o agente infeccioso consegue vencer as barreiras orgânicas naturais e atingir o músculo cardíaco. Os vírus são os microrganismos mais envolvidos nos quadros desta doença, destacando-se entre  eles os enterovírus, especialmente o coxsackie B, que responde pela metade dos casos de miocardite. Outros vírus também implicados são os adenovírus, causadores de gripes e resfriados, e os poliovírus, que provocam a poliomielite.  Com menor freqüência, a inflamação também pode decorrer de radiação, de exposição a agentes químicos, de medicações e de doenças auto-imunes, como o lúpus eritematoso sistêmico.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico depende do conjunto de sintomas, de achados à ausculta cardíaca, que pode revelar arritmias ou sopros no coração e da avaliação detalhada da história do indivíduo. O aparecimento súbito de palpitações, dor torácica e insuficiência cardíaca em pessoas jovens também é sugestivo de miocardite, sobretudo se houver relato de infecção recente e o paciente não tiver doença cardíaca prévia. De qualquer forma, a confirmação depende da realização de alguns exames laboratoriais. Em geral, os exames de sangue auxiliam na confirmação de processo inflamatório atual. Já os testes moleculares para pesquisar o DNA de vírus mais comumente relacionados com esse tipo de inflamação e as dosagens de enzimas cardíacas são mais indicativos de agressão ao miocárdio. Exames de imagem do coração também podem ser usados para avaliar a forma e funcionamento desse órgão, como o ecocardiograma, a ressonância nuclear magnética e a cintilografia do miocárdio com o uso de radioisótopos (ou então substâncias radioativas). Contudo, para tentar estabelecer a causa definitiva da doença pode ser necessário realizar uma biópsia endomiocárdica, um exame invasivo do coração feito através de cateterismo. Neste procedimento, o médico retira minúsculos fragmentos do miocárdio para análise microscópica, em busca de sinais de agressão ou inflamação associadas à miocardite.

Tratamento e prevenções

O objetivo do tratamento é eliminar a inflamação e tratar os danos causados à função do coração. É útil o uso de antiinflamatórios para atenuar o processo inflamatório e de imunossupressores ou imunomoduladores para reduzir a agressão do sistema imunológico ao miocárdio. Na vigência de processos infecciosos por bactéria ou fungos é preciso administrar um antimicrobiano específico para combater a infecção e evitar suas complicações. A presença de arritmias muitas vezes requer o uso de medicamentos antiarrítmicos e em alguns casos também são indicados anticoagulantes para evitar possíveis obstruções das artérias que irrigam o músculo cardíaco. Se houver insuficiência cardíaca, a terapêutica envolve o emprego de outras medicações mais específicas, além de repouso adequado. Além destas medidas uma dieta com restrição de sódio é indicada para manter a pressão arterial controlada.

Como os vírus são os agentes mais implicados na miocardite e sabidamente não há medidas específicas que atuem profilaticamente nesta causa, alguns cuidados de saúde são especialmente indicados. As crianças e pessoas que têm o sistema imunológico mais debilitado devem nos meses de maior freqüência de infecções evitar locais com aglomerações e o contato próximo com pessoas doentes. Repouso, boa alimentação e avaliação médica adequada são também medidas importantes de prevenção. O bom senso no uso de antimicrobianos nas infecções bacterianas, fúngicas e parasitárias também evitam a instalação desta doença.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Mioma

O mioma é um tumor benigno, composto de tecido muscular, que ocorre com bastante freqüência nas mulheres em idade reprodutiva, com mais de 30 anos de idade, especialmente na população feminina negra.

Costuma aparecer de forma única ou múltipla, apresentando dimensões variadas e provocando ou não a manifestação de sintomas.

Como qualquer tumor, também surge em decorrência da multiplicação desordenada e exagerada das células e, então, cresce de maneira anormal, podendo atingir o tamanho de uma bola.

O mioma, contudo, nunca evolui de forma maligna e, na maioria das vezes, não impede a gravidez. Porém, dependendo de seu tamanho e localização, pode causar, entre outros sintomas, aumento do fluxo menstrual e conseqüente anemia, devido ao excesso de sangramento.

Felizmente, hoje existem várias alternativas de tratamento, que podem variar desde simples acompanhamento clínico cuidadoso até intervenção cirúrgica.

Causas e sintomas

Os principais sintomas incluem fluxo menstrual abundante e irregular, aumento do volume abdominal e dor na região pélvica.

Conforme suas dimensões, o mioma é capaz de pressionar a bexiga e o reto, dando origem a alterações urinárias, como necessidade de urinar a toda hora, e distúrbios gastrointestinais, a exemplo de prisão de ventre e diarréia.

A infertilidade pode estar associada a miomas em poucos casos, quase sempre quando este se encontra mais próximo da parte central do útero. Contudo, muitas mulheres têm essa lesão sem que apresentem nenhuma manifestação clínica.

As causas do mioma ainda não estão bem esclarecidas. Sabe-se, contudo, que esse tumor depende do estrógeno e da progesterona, os dois principais hormônios femininos, para crescer e se desenvolver, razão pela qual regride na menopausa.

Da mesma maneira, há teorias sugerindo que a origem desse tumor esteja em alterações genéticas locais e em fatores de crescimento de vasos sangüíneos, entre outras correntes ainda em estudo.

Exames e diagnósticos

É possível estabelecer o diagnóstico pela combinação de dados da história clínica da mulher com os achados do exame ginecológico, mas existe a necessidade de confirmar a presença do mioma por métodos de imagem, como a ultra-sonografia e a ressonância magnética pélvica. Tais exames apontam a localização exata do mioma e suas dimensões, além de excluírem outras hipóteses.

Tratamento e prevenções

O tratamento é individualizado para cada mulher, conforme suas necessidades pessoais e de acordo com as características do mioma. Atualmente há várias opções conservadoras, ou seja, que procuram preservar o útero.

Em caso de proximidade da menopausa, o uso de medicamentos para inibir a produção hormonal e, assim, reduzir a dimensão do mioma é o recurso mais indicado porque, em longo prazo, ele não terá como voltar a crescer, por causa da queda natural na síntese de hormônios femininos que ocorre nessa fase da vida feminina.

Nos demais casos, o tumor precisa ser retirado cirurgicamente e o emprego de tais medicamentos só serve mesmo para diminuir seu tamanho e permitir procedimentos menos invasivos. É o caso da videolaparoscopia, que possibilita a remoção das lesões através de minúsculas incisões no abdome, e da histeroscopia, na qual a cavidade uterina é alcançada por uma sonda introduzida pela vagina.

Para os miomas maiores, a opção recai sobre a cirurgia convencional ou, como último recurso, sobre a remoção cirúrgica do útero – a histerectomia.

Algumas mulheres podem, igualmente, se beneficiar do tratamento com uma terapia não-cirúrgica denominada embolização. Essa técnica consiste na aplicação de substâncias, pela artéria femoral, que interrompem a irrigação sangüínea do mioma, impedindo-o de receber oxigênio e nutrientes para crescer.

Como as causas do mioma não estão bem estabelecidas, quase não há o que fazer em termos de prevenção primária. De qualquer forma, dada a relação do tumor com os hormônios femininos, é importante controlar o peso por meio de uma alimentação saudável e da prática de exercícios regulares, já que a gordura funciona como um depósito natural de estrógeno, e usar de parcimônia em terapias de reposição hormonal.

Mas a melhor estratégia para evitar maiores problemas é mesmo o acompanhamento ginecológico anual, que permite o diagnóstico precoce de miomas e, assim, a instituição de tratamentos menos invasivos, geralmente só possíveis quando a doença não está em fase avançada.

Não custa lembrar que, além da embolização, várias técnicas não-cirúrgicas de tratamento de lesões ginecológicas se encontram em franco desenvolvimento dentro e fora do Brasil.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Mononucleose

A mononucleose, também conhecida como doença do beijo, é uma síndrome infectocontagiosa que acomete, sobretudo, adolescentes e adultos jovens, entre 15 e 25 anos.

Para ter uma idéia de sua frequência em nosso meio, mais de 90% da população adulta possui anticorpos contra o agente que provoca essa infecção, o que significa que em algum momento da vida entraram em contato com esse vírus, mesmo que não tenham desenvolvido nenhum quadro clínico característico.

A infecção costuma cursar de forma benigna, podendo demorar um pouco mais para desaparecer em alguns indivíduos, e muitas vezes até passa despercebida.

Recentemente, descobriu-se que o material genético do vírus da mononucleose está associado a cânceres não muito comuns, como o nasofaríngeo e alguns tipos de linfoma. Esse risco de evolução maligna, no entanto, é raro, mas pode afetar indivíduos com o sistema imunológico debilitado por tratamentos ou por doenças. Afinal, é a falta de imunidade que pode reativar o vírus, uma vez que ele permanece em estado latente no organismo após a infecção.

Causas e sintomas

Os sinais clínicos mais característicos incluem febre alta, dor de garganta e aumento dos gânglios linfáticos do pescoço – as ínguas –, além de sintomas, como mal-estar, dor de cabeça, dores musculares, náuseas, entre outros. Em alguns casos pode haver aumento de fígado e baço.

Do ponto de vista laboratorial, um sinal bastante indicativo de mononucleose é o surgimento de glóbulos brancos com forma anormal, chamados de linfócitos atípicos. A doença também pode provocar manchas avermelhadas na pele, mas essa manifestação em geral só aparece se houve uso anterior de antibióticos, o que ocorre quando a mononucleose é confundida inicialmente com uma amigdalite. Muitas vezes, porém, não há nenhum sintoma e a pessoa só fica sabendo que teve a infecção ao realizar algum exame de sangue específico.

A mononucleose decorre da infecção pelo vírus Epstein-Barr, que pertence à família dos herpes-vírus e é passado de uma pessoa para outra pela convivência íntima, particularmente pelo beijo – por essa característica e pelo fato de incidir na população jovem, a virose é popularmente conhecida como doença ou febre do beijo.

Outras formas de contágio mais raras incluem as transfusões de sangue e a via transplacentária, quando a gestante adquire o vírus durante a gravidez e o passa ao feto pela placenta. Entre a aquisição do agente e a manifestação da doença podem transcorrer de duas a três semanas, em média. Nas crianças, o período de incubação costuma ser menor.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico é feito com base no conjunto de sinais clínicos e laboratoriais – como o já mencionado aparecimento de linfócitos atípicos –, mas depende da confirmação por exames de sangue que pesquisam a presença de anticorpos contra o vírus Epstein-Barr.

Tratamento e prevenções

Como a maioria das infecções causadas por vírus, o tratamento da mononucleose é sintomático, ou seja, procura aliviar a febre com antitérmicos e a dor de garganta com analgésicos. Além disso, recomenda-se que o indivíduo fique em repouso e evite circunstâncias que possam favorecer a ocorrência de um trauma abdominal, como a prática de esportes, por causa do pequeno risco de rompimento do baço, quando este estiver aumentado de tamanho.

Não há medidas para prevenir a mononucleose porque o vírus Epstein-Barr é eliminado pela saliva da pessoa que teve a infecção durante períodos que podem chegar a mais de um ano e meio. É por essa razão, aliás, que a maioria dos adultos apresenta exames laboratoriais que demonstram uma infecção pregressa por esse agente.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Obesidade

A obesidade é uma síndrome que se caracteriza pelo acúmulo excessivo de gordura no organismo, acima de 20% do peso considerado ideal para um indivíduo, de acordo com sua estatura.

Na prática, sempre que o ganho energético, obtido pela alimentação, supera o gasto de energia, o organismo acumula as calorias em forma de células de gordura. Na obesidade, porém, há um grande desequilíbrio entre a formação e a destruição dessas células.

Não obstante as questões estéticas e psicológicas implicadas com essa síndrome, é na saúde que o excesso de peso provoca os maiores estragos. A condição, afinal, constitui um forte fator de risco para diversos problemas de saúde, a exemplo de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial, artrose, varizes e vários tipos de câncer, reduzindo de modo significativo a expectativa de vida de seus portadores.

Apesar de existirem hoje muitas possibilidades de tratamento, esse mal vem tomando ares de epidemia justamente pelas facilidades da vida moderna, do controle remoto, passando pelo sistema de delivery, até a internet.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, há 1,6 bilhão de pessoas adultas acima do peso em todo o mundo, das quais 400 milhões são consideradas obesas.

Causas e sintomas

 obesidade não causa sinais e sintomas diretos, mas manifestações decorrentes das doenças que provoca. De qualquer modo, os obesos apresentam demasiado cansaço, suor excessivo, principalmente em pés, mãos, axilas e dobras, o que também os predispõe ao surgimento de micoses, além de dores nas pernas e na coluna. Dependendo do volume corporal, o indivíduo não apenas tem limitações estéticas e sociais, mas também de movimento, agravando ainda mais sua condição.

A obesidade é sempre dependente de uma combinação de predisposição genética, que faz com que o organismo seja mais lento para digerir os alimentos e utilizar os nutrientes, do ambiente em que a pessoa vive e de seu estilo de vida.

Como acontece em outras doenças, alguns fatores contribuem de forma mais direta para o acúmulo de gordura corporal. Os principais responsáveis pelo excesso de peso continuam sendo a hiperalimentação, com uma ingestão calórica muito elevada, e a inatividade física. Contudo, a causa também pode estar em aspectos emocionais e psíquicos, como ansiedade e depressão, ou em desequilíbrios hormonais, a exemplo dos que ocorrem depois de uma gravidez.

Há ainda a obesidade secundária a tratamentos prolongados com corticóides, antidepressivos e hormônios – sobretudo os estrógenos –, assim como a desencadeada por alterações endócrinas, como as da tiróide. Parar de fumar sem suporte psiquiátrico adequado igualmente traz o risco do excesso de peso patológico. Existe ainda a possibilidade de a síndrome afetar um esportista que, de repente, pára de se exercitar e mantém o mesmo padrão alimentar.

Por fim, o problema pode ter uma origem eminentemente genética, sendo decorrente de determinadas síndromes que afetam o desenvolvimento físico e mental.

Exames e diagnósticos

Para um médico, é fácil perceber quem é obeso e quem está levemente acima do peso. Mas o diagnóstico da obesidade pede uma avaliação dos riscos a que a pessoa está exposta, pois, do ponto de vista da saúde, essa é a principal preocupação.

A forma mais usada pelos especialistas para essa investigação é o índice de massa corporal (IMC), uma fórmula que consiste na divisão do peso em quilogramas (kg) pela altura em metros, elevada ao quadrado (IMC = peso / altura2). Com o valor obtido, os médicos conseguem classificar a obesidade e determinar o risco de complicações.

O valor normal do IMC vai de 18 a 24,9 kg/m2. Com um IMC acima de 30 kg/m2, a pessoa já é considerada obesa, em níveis que podem variar do I, o mais leve, até o III, o mais grave, também denominado obesidade mórbida. Além desse índice, os riscos também são avaliados pela circunferência abdominal, pela relação entre a medida da cintura e do quadril e pelo tipo da obesidade.

A chamada obesidade andróide, na qual o indivíduo tem o corpo em formato de maçã, está associada a problemas metabólicos e cardiovasculares. Já a obesidade ginecóide, na qual o formato do corpo é mais semelhante ao de uma pêra, tem mais relação com o desenvolvimento de varizes e artrose.

De qualquer forma, a investigação do obeso não prescinde de um levantamento de sua história clínica e de uma avaliação laboratorial mínima para verificar seu estado de saúde e indícios de complicações, que, se existirem, precisam de abordagem específica.

Tratamento e prevenções

O tratamento da obesidade, em qualquer caso, costuma combinar dieta balanceada de baixa caloria, sem demasiadas restrições, programa regular de exercícios, moldado de forma personalizada para o indivíduo, e, quando necessário, medicamentos, especialmente os inibidores de apetite e os promotores de saciedade, que aumentam o nível de um neurotransmissor relacionado ao bem-estar – a serotonina. Contudo, esses fármacos são prescritos em casos selecionados, pois trazem efeitos colaterais importantes, sem contar que funcionam como coadjuvantes.

Nos casos extremos, em que a obesidade representa um risco muito acentuado, pode ser necessário recorrer à chamada cirurgia bariátrica, que diminui o tamanho do estômago e a capacidade de absorção de alimentos. Qualquer que seja o tratamento, não existe nada definitivo. A manutenção do peso exige reeducação alimentar e prática continuada de exercícios – enfim, mudança do estilo de vida.

A prevenção da obesidade implica a manutenção de um estilo de vida saudável ao longo de toda a vida, com alimentação balanceada, exercícios físicos regulares e tempo para um lazer que não se resuma a ficar na frente da televisão ou do computador.

Contudo, o foco da estratégia preventiva deve estar na infância. Filhos de casais magros têm menos de 10% de chance de se tornar obesos, não só por conta da herança genética, mas pela adoção dos hábitos alimentares de seus pais. Se o indivíduo aprender desde cedo a fazer boas escolhas à mesa, será mais fácil de mantê-las numa situação que o predisponha ao ganho de peso, seja um problema de saúde, seja um abalo emocional.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Osteoporose

A osteoporose é uma doença metabólica caracterizada pela diminuição da massa óssea e alteração de sua qualidade, que afeta pessoas com mais de 60 anos em ambos os sexos, mas sobretudo a população feminina, por ter naturalmente um esqueleto mais frágil que o do homem e por conta da queda acentuada nos níveis do hormônio estrógeno, na menopausa.

Essa perda do conteúdo ósseo aumenta o risco de fraturas, que ocorrem com mais freqüência na coluna vertebral, no fêmur e no punho. Na prática, os ossos do portador de osteoporose são mecanicamente incompetentes para se recompor após uma quebra, devido à sua fragilidade. Assim, uma fratura mais complicada, como a de fêmur, pode se tornar altamente incapacitante, ceifando a autonomia da pessoa e ainda trazendo o risco de outras conseqüências graves, decorrentes da imobilização prolongada, como embolia e infecção pulmonar.

Causas e sintomas

A fragilidade dos ossos, na maioria das vezes, não apresenta sinais clínicos, uma vez que eles vão enfraquecendo silenciosamente. Quando sintomática, porém, a osteoporose está relacionada com a perda de altura e com a existência de deformidades na coluna. A dor já é um sinal da existência de fratura, que, no portador dessa condição, pode acontecer após traumas mínimos e até mesmo espontaneamente, por extrema fraqueza óssea.

A osteoporose surge basicamente em decorrência do envelhecimento e da redução nos níveis dos hormônios sexuais, que é mais acentuada na mulher, com a chegada da menopausa – tanto que, nos Estados Unidos, 30% da população feminina branca é portadora da doença nessa fase da vida.

Contudo, há uma série de fatores que predispõem as pessoas à perda de massa óssea, como composição corporal magra, enfermidades crônicas na infância e na adolescência, dieta pobre em cálcio – mineral presente no leite e em seus derivados –, tabagismo, alcoolismo, sedentarismo, alterações na glândula tiróide, doenças crônicas renais, hepáticas e pulmonares, câncer, moléstias intestinais que causam má absorção de nutrientes, uso prolongado de corticóides, hipovitaminose D e história familiar de osteoporose.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico depende da realização de uma densitometria óssea, exame que usa baixas doses de radiação, equivalentes às recebidas em um dia de sol na praia, para quantificar a massa do fêmur e das vértebras lombares e informar se o valor obtido está dentro do esperado em comparação com uma população de adultos jovens. Além disso, o método também calcula o risco de fratura.

Uma vez diagnosticada a fragilidade dos ossos, o segundo passo é pesquisar a causa da osteoporose – que pode não estar associada apenas ao envelhecimento e à queda de hormônios sexuais – para melhor direcionar o tratamento.

Tratamento e prevenções

Uma vez afastada a hipótese de a osteoporose ser decorrente de um motivo específico, como uma doença na tiróide, o tratamento costuma se basear em um conjunto de medidas, que pode incluir ou não o uso de medicamentos específicos, mas seguramente vai abranger o aumento da ingestão de cálcio, por meio da dieta ou de suplementação, a exposição solar, já que o sol faz o organismo humano sintetizar vitamina D, essencial para a absorção do cálcio pelos ossos, e a prática regular de exercícios físicos, os quais melhoram o equilíbrio, estimulam a formação óssea e fortalecem a musculatura.

Junto com essa terapêutica, recomenda-se cuidado redobrado com tudo que possa provocar acidentes, como pisos escorregadios, animais domésticos, escadas e tapetes. As estatísticas apontam que 90% das fraturas em idosos acontecem no próprio ambiente doméstico.

A prevenção da osteoporose deve começar desde a infância. As providências passam obrigatoriamente por um aporte adequado de cálcio, com a ingestão de leite e de seus derivados em todas as fases da vida, mas particularmente na adolescência, quando se dá a aquisição de massa óssea. Para as crianças e os adolescentes, a prática constante de exercícios e a manutenção de uma vida bem ativa igualmente estimulam a formação dos ossos.

Já para os adultos, exercícios com peso e atividades como correr, caminhar e pedalar ajudam a fortalecer a massa óssea e a evitar problemas futuros. A mulher, por causa da menopausa, deve fazer acompanhamento periódico de sua saúde óssea, que poderá incluir a realização de uma densitometria, a critério médico.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Otite

A otite é uma inflamação em alguma parte do ouvido. Pode ser externa, quando afeta a primeira porção do órgão auditivo, que compreende a orelha propriamente dita, o meato acústico externo e a membrana timpânica, ou média, quando envolve a chamada orelha média, uma cavidade preenchida por ar, ligada à porção interna do ouvido – o labirinto –, na qual também existe um canal de comunicação com a parte superior da faringe, logo atrás do nariz, chamado de tuba auditiva.

Essa inflamação, geralmente decorrente de uma infecção, pode ocorrer em qualquer idade, com predileção por crianças entre 6 e 36 meses de idade, sendo um problema de saúde corriqueiro e de fácil tratamento. No entanto, se não for bem resolvida, tem possibilidade de se tornar crônica.

Nessa situação, por causa dos episódios repetidos, pode determinar seqüelas auditivas e, mais raramente, tumores, além de aumentar o risco de o agente infeccioso alcançar o labirinto, o que constitui uma grande preocupação pela proximidade da região com o sistema nervoso central.

Entretanto, essas complicações estão mais associadas à falta de observação de cuidados médicos elementares e, especialmente, ao hábito da automedicação.

Causas e sintomas

Na otite média, os principais sinais clínicos com freqüência aparecem no decorrer de uma gripe e incluem dor de intensidade variada, redução da audição, inquietude, perda de apetite e geralmente são acompanhados de febre, podendo haver eliminação de secreção pela orelha. As crianças pequenas também manifestam eventualmente vômitos e diarréia. Já na otite externa, costuma haver dor severa, às vezes precedida de coceira, e abafamento do som. Nesta, não há febre nem história de quadro viral e ter freqüentado mar e/ou piscina é um fato corriqueiro.

Independentemente da porção afetada, a otite decorre de infecção por fungos, vírus e bactérias. Na externa, esses microrganismos alcançam a orelha por meio de lesões locais que a própria pessoa faz ao usar cotonetes e ao coçar a região, assim como pelo contato com água contaminada, do mar ou de piscinas, e pela introdução de corpos estranhos no ouvido.

A prática rotineira de esportes aquáticos também ajuda a remover com mais facilidade a camada de cera, que tem a função de proteger o meato acústico externo, favorecendo a entrada de agentes infecciosos. Já a otite média costuma surgir como uma complicação secundária de outras infecções respiratórias. O microrganismo envolvido sobe pela tuba auditiva e determina acúmulo de pus dentro da orelha média, cuja pressão causa dor e ainda pode perfurar a membrana timpânica, dependendo de sua intensidade.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico das otites é clínico e efetuado com base no conjunto de sintomas e no exame otológico, que permite a visualização do interior do ouvido. Na otite média, a membrana timpânica costuma se mostrar vermelha e arqueada.

Na externa, é o conduto auditivo que se encontra avermelhado e inchado, além de apresentar grande sensibilidade à manipulação.

Tratamento e prevenções

Cada otite precisa ser tratada de uma forma diferente. A externa melhora com medicação tópica, em forma de gotas, com analgésicos e com cuidados básicos, como proteger a orelha na hora do banho para evitar a entrada de água, o que freqüentemente pode agravar o quadro, e não usar cotonetes. Em pessoas mais debilitadas, porém, usam-se antimicrobianos orais ou injetáveis para impedir a evolução da doença.

A otite média, por sua vez, é geralmente tratada com antibióticos administrados por via oral, analgésicos e antitérmicos, sempre com a adoção das medidas locais de proteção já mencionadas. Em caso de haver muita secreção, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica bastante simples para permitir sua drenagem.

Já a infecção crônica da orelha média precisa de medicamentos tópicos para seu controle, mas o tratamento definitivo pode requerer a realização de cirurgia para a reconstrução dessa porção do ouvido, associada ou não a outras técnicas, dependendo da presença de outras condições.

É possível prevenir o surgimento das otites com mudanças nos hábitos de limpeza das orelhas. Os cotonetes têm que ser abolidos para essa finalidade, pois, além de retirarem a cera que protege o ouvido dos agressores externos, podem empurrá-la para dentro do meato acústico externo e provocar outros problemas. Depois do banho, a orelha deve apenas ser seca com uma toalha enrolada no dedo, sem o auxílio de nenhum outro instrumento. Quem pratica esportes aquáticos precisa usar também protetores macios de ouvido para barrar a entrada de água.

Uma forma importante de evitar otites nas crianças que ainda mamam é não deixar que tomem a mamadeira deitadas, já que essa posição facilita o refluxo de leite pela tuba auditiva até a orelha média. Além disso, recomenda-se vacinar os pequenos contra a gripe anualmente e não fumar em sua presença, pois essas medidas ampliam a proteção contra infecções respiratórias.

Vale enfatizar que a regra número um para impedir que uma otite aguda, de fácil tratamento, fique crônica e cause grandes preocupações é procurar um médico ao primeiro sintoma de dor e desconforto auditivo, sem jamais usar nenhum medicamento por conta própria.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Pancreatite

A pancreatite é a inflamação do pâncreas, uma glândula localizada na parte superior do abdome, atrás do estômago, cuja função é produzir hormônios, sobretudo a insulina, responsável pelo metabolismo da glicose, e fabricar enzimas que ajudam a digerir gorduras e proteínas.

A doença pode ser aguda, quando se caracteriza por aumento da glândula, devido ao acúmulo de secreções, ou crônica, quando o pâncreas fica atrofiado e deixa de realizar suas funções adequadamente.

A inflamação aguda pode ser bastante grave, mas costuma ter boa evolução em 80% dos casos. A crônica, como qualquer doença dessa natureza, requer tratamento e acompanhamento médico constantes para evitar as complicações decorrentes do mau funcionamento da glândula, chamado de insuficiência pancreática, como as deficiências nutricionais ocasionadas pela falta ou pela baixa produção de enzimas digestivas e o próprio diabetes.

Causas e sintomas

Nos episódios agudos, o principal sintoma é uma dor abdominal de forte intensidade, localizada na porção superior do abdome que se irradia para os lados e para as costas em pelo menos metade dos casos. Essa manifestação quase sempre começa abruptamente e pode ser acompanhada de náuseas e vômitos.

Na inflamação crônica do pâncreas, a dor se evidencia da mesma forma intensa, porém tem início menos súbito, duração maior e é recorrente. Em fase mais avançada da doença, o indivíduo apresenta diarréia de intensidade variável, por não conseguir digerir e absorver a gordura dos alimentos, eliminando fezes volumosas, que bóiam no vaso, por conta de seu conteúdo gorduroso, e de odor muito forte, além de sintomas característicos do diabetes.

A primeira grande causa da pancreatite é o cálculo biliar, conhecido como pedra na vesícula. Especialmente os cálculos pequenos são problemáticos, pela sua capacidade de obstruir os canais por onde as secreções fabricadas pelo pâncreas são levadas ao intestino. Quando isso acontece, a glândula se inflama porque não consegue escoar de forma adequada a sua produção de enzimas.

Já o segundo maior culpado por essa doença é o alcoolismo. Quando ingerido em grande quantidade, por tempo prolongado, o álcool vai alterando progressivamente o tecido pancreático, que fica fibroso, endurecido e atrofiado.

A pancreatite aguda associa-se mais frequentemente à presença de cálculos, enquanto o alcoolismo está mais relacionado à pancreatite crônica, embora também provoque episódios agudos. Essas duas causas respondem por cerca de 80% dos casos da doença. Os demais podem decorrer de alterações no metabolismo de gorduras – níveis de triglicérides muito elevados –, e do uso prolongado de alguns medicamentos, entre outros motivos mais raros.

Exames e diagnósticos

Os sintomas e a história do indivíduo – como o consumo de álcool e o uso de medicações – podem ser bastante indicativos de inflamação no pâncreas.

De qualquer forma, o quadro precisa ser confirmado por exames de sangue, tanto para avaliar o estado geral da pessoa quanto para dosar o nível das enzimas lipase e amilase associadas à pancreatite, e por estudos de imagem, como a ultra-sonografia, a tomografia computadorizada e a ressonância magnética, que avaliam a morfologia da glândula e podem detectar a presença de cálculos.

Tratamento e prevenções

A inflamação aguda do pâncreas exige hospitalização imediata. O indivíduo precisa ficar no hospital, em jejum, recebendo analgésicos para controlar a dor e outras medicações por via intravenosa, até que a pancreatite regrida espontaneamente, já que não existem medicamentos que desinflamem essa glândula.

A internação também é importante para que o portador da inflamação permaneça monitorado quanto à ocorrência de qualquer sinal de agravamento do quadro. Isso porque, numa pequena parcela de pacientes, o episódio agudo provoca repercussões sistêmicas, com lesões em outros órgãos como os pulmões, fígado e rins.

Nos casos de pancreatite causada por cálculos, a retirada das pedras que obstruem os canais pancreáticos pode ser também necessária, o que hoje é feito por meio de endoscopia, com sedação leve, sem necessidade de cirurgia.

Já na doença crônica, o tratamento começa no hospital e continua quando o indivíduo vai para casa, com uma dieta sem gorduras para manter o pâncreas em repouso e medicamentos para o controle da dor. As pessoas que não conseguem mais produzir enzimas digestivas precisam recebê-las por via oral e se já houver presença de diabetes, deverá ser tratado de forma habitual.

Como o álcool é um dos grandes causadores da pancreatite, o consumo de bebidas alcoólicas deve ser feito com moderação ao longo de toda a vida para evitar esse tipo de complicação. As pessoas com história de inflamação pancreática motivada por álcool jamais devem voltar a beber. Por sua vez, quem tem cálculos biliares precisa discutir, com seu médico, a possibilidade de retirar as pedras e a própria vesícula para prevenir uma possível pancreatite futura.

Muitas vezes, a presença dos cálculos, especialmente dos pequenos, passa despercebida, por não produzir sintomas, mas aumenta consideravelmente o risco de o indivíduo sofrer uma inflamação aguda.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Pielonefrite

A pielonefrite é uma inflamação renal provocada pela ação de bactérias nos rins e nos ureteres, os ductos pelos quais a urina chega até a bexiga. A condição pode se manifestar de repente, de forma aguda, ou se tornar crônica após um episódio repentino. Na maioria dos casos, o agente infeccioso se instala inicialmente na uretra e na bexiga, que formam o chamado trato urinário inferior, e, por falta de tratamento adequado ou por conta de outros fatores de risco, alcança os ureteres e os rins. Essa inflamação inspira cuidados médicos estritos, exigindo internações em muitos casos, não só pela possibilidade de causar lesões que comprometam as funções renais, como também pelo risco de a bactéria ganhar a circulação e se espalhar por todo o organismo, especialmente em crianças, idosos e imunodeprimidos – aquelas pessoas que têm o sistema imunológico alterado por doenças ou tratamentos. A pielonefrite, contudo, é menos freqüente que outras nefrites, como a glomerulonefrite, afetando cerca de três a sete pessoas em cada 10 mil, sobretudo a população feminina.

Causas e sintomas

As manifestações da pielonefrite se parecem com as de uma infecção do trato urinário inferior – denominada cistite –, incluindo dor nas costas, logo abaixo da última costela, vontade de urinar freqüente, dor e ardência ao fim da micção e presença de urina escura e com odor desagradável. Esses sintomas específicos se acompanham de sinais característicos de quaisquer infecções, tais como febre, calafrios, vômitos, náuseas, fadiga e mal-estar generalizado.

A doença freqüentemente costuma ser causada por bactérias da flora intestinal, a exemplo da Escherichia coli, manifestando-se muitas vezes como a evolução de cistites – ou seja, a infecção acaba subindo para os ureteres e os rins. Evidentemente, a queda na imunidade e a ausência de um combate adequado ao microrganismo instalado no trato urinário contribuem sobremaneira para que a bactéria avance. Contudo, esse acesso do agente infeccioso às estruturais funcionais dos rins pode ser facilitado por alguns fatores, particularmente as malformações do aparelho urinário, o refluxo de urina da bexiga para os rins, a formação de cálculos – as populares pedras nos rins – ou qualquer outro tipo de obstrução local. De forma mais rara, a pielonefrite também se desenvolve pela ação de bactérias que chegam às porções renais pela circulação.

Exames e diagnósticos

O conjunto de sintomas e o exame físico, por meio do qual o médico constata a intensidade da dor lombar, já são fortemente indicativos de infecção, mas não bastam para fechar o diagnóstico. A investigação precisa continuar com a análise laboratorial da urina, tanto para confirmar a existência do processo infeccioso, que é revelado por um número anormalmente aumentado de células de defesa nesse material, quanto para identificar a bactéria por meio de seu isolamento em exame de cultura. Em alguns casos, quando não há boa resposta clínica e se suspeita de complicações, como pionefrose e abscesso perirrenal, pode ser necessário solicitar exames de imagem.

Tratamento e prevenções

Qualquer que seja a bactéria envolvida, o tratamento das pielonefrites é feito com antibióticos de amplo espectro e deve começar quanto antes para prevenir lesões nos rins e evitar que o agente infeccioso caia na corrente sangüínea e se multiplique pelo corpo do doente – processo conhecido como septicemia. Dependendo do estado geral do portador desse tipo de nefrite, portanto, é comum haver necessidade de internação para administrar a medicação por via endovenosa e monitorar as funções renais. Quando a inflamação está relacionada com cálculos e/ou com problemas anatômicos nos rins, essas condições igualmente precisam ser tratadas.

O tratamento imediato e completo das cistites pode prevenir o desenvolvimento de muitos casos de pielonefrite, assim como a correção de problemas anatômicos nos rins e a correta abordagem terapêutica para suprimir e evitar a formação de cálculos renais. Para as mulheres, mais propensas a esse tipo de infecção pela proximidade da uretra com o ânus, já que as bactérias mais implicadas com a pielonefrite vêm da flora intestinal, nunca é demais recomendar todo o cuidado possível com a higiene íntima, sobretudo na infância e na terceira idade. No mais, a manutenção de hábitos saudáveis, como alimentação adequada, prática regular de exercícios e ingestão freqüente de líquidos, sempre contribuem para a manutenção de uma boa saúde renal.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Pneumonia

Pneumonia é uma infecção nos pulmões que afeta pessoas de todas as idades, com predileção por crianças pequenas, idosos e portadores de doenças crônicas, totalizando mais de 2 milhões de casos por ano no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

Pode acometer uma parte do pulmão de maneira uniforme ou, então, heterogênea, quando se denomina broncopneumonia. Nessa doença, os alvéolos pulmonares, que são pequenos sacos de ar de onde o oxigênio sai para atingir a corrente sangüínea, se enchem de pus, muco e outros líquidos. Com isso, as células de todo o organismo não recebem oxigênio em quantidade suficiente, comprometendo o trabalho de outros órgãos e sistemas orgânicos.

Como se não bastasse, o microrganismo causador da doença pode ganhar a circulação, determinando uma infecção generalizada – a septicemia. Esses riscos, portanto, tornam a pneumonia uma moléstia bastante grave, a ponto de ela estar entre as principais causas de morte entre adultos.

Contudo, uma parte importante dos casos fatais deriva das infecções nosocomiais, que ocorrem durante internação hospitalar e envolvem agentes mais agressivos e mais resistentes a medicamentos. A possibilidade de haver complicações na doença adquirida na comunidade está relacionada com o diagnóstico tardio, quando o tratamento começa numa fase em que a pessoa já está bastante debilitada. Quanto antes a infecção é detectada, portanto, maiores as chances de cura e menores os riscos de problemas secundários.

Causas e sintomas

Os sinais clínicos mais característicos incluem febre alta, calafrios e tremores, suores intensos, tosse produtiva, com secreção de cor de ferrugem ou esverdeada, dor no peito, respiração e batimentos cardíacos rápidos e, em casos mais graves, coloração azulada nas extremidades, demonstrando elevado comprometimento respiratório, e confusão mental. Esses sintomas surgem aos poucos ou subitamente, mas muitas vezes decorrem de uma gripe ou de um resfriado. Por isso é que, diante da piora de um quadro gripal após alguns dias, é sempre importante procurar um serviço médico em qualquer idade.

A pneumonia pode ter mais de 30 causas diferentes, entre bactérias, vírus, fungos e patógenos mais raros. Geralmente ocorre invasão do pulmão por espécies bacterianas muitas vezes já habituais na cavidade oral e garganta do indivíduo.

As infecções causadas por bactérias respondem pela maioria dos casos, envolvendo principalmente o pneumococo (Streptococcus pneumoniae), também um dos principais agentes de otite média aguda, sinusite e meningite, tanto em crianças quanto em adultos.

Outro freqüente agente infeccioso envolvido nos casos de pneumonia é o micoplasma (Mycoplasma pneumoniae), um tipo de bactéria que pode ser transmitido pela inalação de gotículas da tosse ou espirro de indivíduos contaminados.

Entre os portadores de aids, é comum o surgimento de infecção pulmonar provocada por fungos, particularmente pelo Pneumocystis jiroveci. Nas pessoas diabéticas, asmáticas, com anemia falciforme e nos pacientes com doença pulmonar crônica, o risco de adquirir pneumonia é aumentado.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico depende da história da pessoa e do exame clínico, dentro do qual a ausculta do pulmão com estetoscópio já pode evidenciar sons compatíveis com a infecção local.

A confirmação, contudo, depende da realização de uma radiografia do tórax, podendo ou não necessitar de outros testes laboratoriais complementares, como o exame simples de sangue – o hemograma – , a análise de escarro e a cultura de escarro e sangue, feitas particularmente para buscar pistas do tipo de agente implicado com a pneumonia.

Tratamento e prevenções

O tratamento costuma ser feito com antibióticos que servem para combater um amplo espectro de agentes infecciosos, pela dificuldade de determinar com precisão o microrganismo causador da doença, uma vez que, como a cavidade oral das pessoas é povoada por uma série de bactérias, o exame de escarro pode fornecer informações duvidosas. Essa conduta só não vai ser efetiva para pneumonias ocasionadas por vírus, que costumam melhorar espontaneamente, apenas com as medidas de suporte necessárias a todos os casos, como repouso, boa alimentação, hidratação e, eventualmente, medicamentos para atenuar a tosse e a dor no peito. Casos mais graves podem requerer internação para a administração endovenosa dos antibióticos e recebimento de oxigênio.

Como as pneumonias muitas vezes são secundárias a gripes, receber anualmente a vacina contra o vírus influenza, responsável por muitos dos estados gripais, é uma ótima medida de prevenção em qualquer idade, particularmente para crianças pequenas, idosos e portadores de doenças crônicas. Existe também imunização contra o pneumococo, agente que responde por boa parte das infecções pulmonares bacterianas.

Atualmente existem dois tipos de vacinas antipneumocócicas disponíveis: uma é a vacina 23-valente, composta por açúcares da parte externa do pneumococo. Esta vacina não é eficaz para crianças abaixo de 2 anos de idade, mas, por outro lado, para pessoas mais suscetíveis a essa bactéria, como indivíduos idosos e os portadores de doenças crônicas e congênitas, a eficácia para pneumonias graves situa-se ao redor de 75%. Para crianças menores de 2 anos, existe uma vacina chamada 7-valente, onde 7 tipos de açúcares da cápsula do pneumococo são conjugadas com proteínas, elevando a eficácia da vacina para 65% de proteção.

Como há diversos outros patógenos que causam pneumonia, é importante aumentar a resistência às doenças respiratórias de maneira geral, mantendo bons hábitos de saúde, como alimentação apropriada, cuidados redobrados com a higiene pessoal, repouso adequado e prática regular de exercícios, entre outras providências afins. O cigarro e o álcool também aumentam muito o risco de infecções pulmonares, o primeiro porque compromete o mecanismo natural de limpeza dos pulmões e o segundo porque, quando consumido habitualmente e em excesso, debilita o organismo. Parar de fumar e evitar a ingestão de bebidas alcoólicas, portanto, são atitudes essenciais para prevenir pneumonias.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Poliomielite

A poliomielite é uma doença infectocontagiosa causada por um vírus facilmente transmissível, sobretudo entre as crianças, embora possa afetar também os adultos.

A infecção tanto pode cursar de forma simples, como uma virose qualquer, às vezes até assintomática, quanto ter uma apresentação mais grave, quando o vírus chega ao sistema nervoso e tem potencial de destruir neurônios de áreas que comandam funções motoras – daí porque é conhecida como paralisia infantil.

Na forma paralítica, a destruição de células nervosas paralisa de maneira transitória ou permanente músculos das pernas, da deglutição e da respiração, o que pode deixar seqüelas irreversíveis – como a paralisia dos membros inferiores – e até mesmo colocar a vida do portador do vírus em risco.

No entanto, graças aos programas oficiais de vacinação, a poliomielite está erradicada do Brasil desde 1989, assim como do continente americano, onde a última notificação de que se tem notícia data de 1991.

O Brasil recebeu em 1994 o certificado de erradicação da doença pela Organização Mundial de Saúde. A doença, contudo, ainda existe na Nigéria, no Paquistão, no Afeganistão e na Índia, com casos ocorrendo também na China, Oeste da África, Chad, Yemen, Indonésia, Angola, Etiópia e Somália.

Dado o movimento crescente de pessoas pelo globo, a chance de o vírus voltar ao território americano permanece iminente. Por isso, as autoridades de saúde precisam manter constantemente as campanhas de imunização da população infantil, assim como a vigilância em relação ao surgimento de novos casos.

Causas e sintomas

Estima-se que mais de 95% dos casos da doença cursem sem sintomas ou com poucas manifestações, que, quando existem, podem se assemelhar às de uma gripe, com mal-estar, febre ligeira e dor de garganta, ou às de infecções gastrointestinais, com alterações no trânsito intestinal, como prisão de ventre, além de dor abdominal, vômitos e náuseas.

Na forma paralítica, a infecção causa febre, dor de cabeça, rigidez no pescoço e nas costas, instalação repentina de deficiência motora flácida, dores musculares, dificuldade para mover os membros inferiores, dificuldade para engolir e até engasgamentos com alimentos, líquidos e até mesmo com saliva.

A doença decorre da ação de um dos três sorotipos do poliovírus, do gênero Enterovírus, família Picornaviridae. Esse agente é transmitido pela via fecal-oral, ou seja, através de água e alimentos contaminados com fezes de pessoa infectada pelo vírus. Logo, a ocorrência da doença costuma ser mais comum em regiões carentes de saneamento básico, notadamente em locais com grande concentração de pessoas, como a Índia.

As crianças pequenas são particularmente afetadas, pois ainda não têm hábitos higiênicos bem desenvolvidos e, na ausência de vacinação, não têm defesa contra o vírus.

Com menor freqüência, o poliovírus passa de um indivíduo para outro pelo contato com gotículas da saliva de pessoas infectadas. Convém esclarecer que o tempo decorrido entre o contágio e o desenvolvimento da poliomielite vai de 3 a 35 dias, com média de 7 a 12 dias.

Exames e diagnósticos

A suspeita é cogitada diante de sintomas muito característicos, como o aparecimento repentino de dificuldades motoras ou flacidez muscular, principalmente das pernas, com diminuição ou ausência de reflexos na área paralisada acompanhadas de febre, associados ao relato de estada recente em países em que a poliomielite ainda ocorre.

A confirmação, porém, depende do isolamento do vírus em exame de fezes ou, então, da detecção de material genético do microrganismo no sangue da pessoa que apresenta o quadro infeccioso.

Outros exames podem ser necessários para descartar hipóteses diagnósticas que apresentam sintomas semelhantes, como as meningites causadas por vírus e a síndrome de Guillain-Barré, entre outras.

Tratamento e prevenções

Como na maioria das doenças virais, o tratamento da poliomielite é feito com medidas terapêuticas de suporte, que, entretanto, têm de ser adotadas em ambiente hospitalar, para evitar as complicações e minimizar os riscos. Essas medidas incluem repouso, com mudança de posição do indivíduo, alívio da dor e da febre, controle da pressão arterial e manutenção do trânsito intestinal e da função dos rins e pulmões. Com a melhora da dor, o portador da infecção precisa ainda de cuidados ortopédicos e fisioterápicos para a prevenção de deformidades.

A eliminação da poliomielite do continente americano se deve à imunização da população infantil contra o poliovírus. Particularmente no Brasil, a cobertura vacinal ultrapassa os 95%. A vacina usada nessas campanhas é a Sabin – as famosas gotinhas, administradas por via oral –, que as crianças recebem aos 2, aos 4 e aos 6 meses de idade, com reforço entre os 15 e os 18 meses e antes da idade escolar, entre os 4 e os 6 anos. Existe também uma vacina injetável contra a poliomielite, denominada Salk, cuja utilização vem crescendo nos países que não possuem mais casos da doença, no Brasil, inclusive.

O motivo dessa estratégia está no fato de a Salk ser elaborada com vírus inativados, que não têm como produzir infecção, ao passo que a Sabin possui vírus vivos atenuados, os quais são liberados pelas fezes das crianças, após a vacinação, durante seis semanas.

Para as pessoas que têm o sistema imunológico em perfeito estado, não há o menor risco de contaminação, mas não se pode dizer o mesmo dos imunodeprimidos, cujas defesas não funcionam a contento, como ocorre entre os portadores de aids e os transplantados. Por isso, recomenda-se que as crianças que vivem com imunodeprimidos recebam a Salk, em vez da Sabin.

Outro problema com a Sabin é a ocorrência – rara – de infecção vacinal, decorrente de uma mutação no vírus atenuado. Dessa forma, o vírus vacinal passa a causar doença em lugar de apenas ativar a produção de anticorpos para conferir proteção contra a mesma. Isto pode ocorrer particularmente nos adultos.

A imunização é indicada para proteger viajantes que se dirigem a áreas que ainda não eliminaram a poliomielite, como Índia e Paquistão. Mesmo que sejam adultos já vacinados previamente, é importante fazer um reforço antes de viajar para evitar surpresas desagradáveis e, pensando ainda no contexo de saúde pública, que a pessoa traga de volta para o Brasil o vírus da poliomelite.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Presbiopia

A presbiopia, também conhecida como vista cansada, pode ser definida como a perda gradual da capacidade para enxergar de perto, a qual depende da elasticidade do cristalino, a lente natural que serve para focalizar as imagens na retina, e do trabalho da musculatura ciliar, um músculo que possui ligamentos aderentes ao cristalino e promove o aumento da sua curvatura durante a focalização dos objetos próximos, mecanismo chamado “acomodação”.

Quando jovem, o cristalino é muito flexível e capaz de se adaptar com rapidez e sem esforço a esse mecanismo,  para fornecer a imagem correta das coisas. A partir dos 40 anos, porém, a acomodação  inevitavelmente começa a apresentar sinais de fadiga, prejudicando o ajuste do foco de objetos próximos dos olhos e resultando numa visão de perto cada vez mais difícil.

Segundo alguns estudos, cerca de 40% da população mundial tem presbiopia e manifesta os primeiros sintomas entre a quarta e a quinta décadas de vida.

Causas e sintomas

O primeiro sinal clínico da presbiopia é a dificuldade para ver de perto, que vai aumentando lenta e progressivamente ao longo dos anos. Como o sintoma não é repentino, muitas vezes a pessoa só procura ajuda ou só se dá conta de que existe um problema quando seus esforços para ler um documento ou para observar um objeto próximo chegam no limite.

Na prática, qualquer trabalho manual fica mais difícil de ser realizado, como enfiar a linha numa agulha ou ler a bula de um medicamento, e há sempre maior necessidade de luz para enxergar detalhes. Além de tais manifestações, a vista cansada pode ser acompanhada de dor de cabeça freqüente.

A presbiopia é um acontecimento que acompanha o avanço da idade. Com o passar dos anos, o cristalino começa a perder sua flexibilidade, ficando mais rígido para se moldar segundo a necessidade visual, e o músculo ciliar já não consegue se contrair com desenvoltura para aumentar de modo suficiente a curvatura dessa lente natural.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da vista cansada é essencialmente clínico e, portanto, baseia-se no histórico de saúde do indivíduo, na avaliação da dificuldade para enxergar de perto – o oftalmologista observa a que distância dos olhos a pessoa precisa colocar um documento para conseguir fazer sua leitura – e no exame oftalmológico.

Uma vez confirmada a presbiopia, no próprio consultório são feitos testes para determinar a extensão da perda visual e estabelecer o grau mais apropriado para permitir uma visão de perto confortável.

Tratamento e prevenções

O tratamento exige o uso de óculos ou lentes de contato com grau adequado para enxergar melhor de perto. Para quem já apresenta erros de refração, como a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, há diversas combinações de tratamento que envolvem o uso de óculos com diferentes tipos de lentes, de lentes de contato e, conforme a situação, podem incluir também procedimentos cirúrgicos.

É importante lembrar que, com o passar do tempo, a dificuldade para enxergar os objetos próximos continua aumentando, não obstante o tratamento, o que implica uma visita ao oftalmologista para a mudança do grau de correção da presbiopia pelo menos a cada 18 meses.

Não há nenhuma medida capaz de evitar a vista cansada, exatamente por se tratar de um processo normal de envelhecimento ocular. Uma medida fundamental de auxílio para a leitura e para quaisquer outros trabalhos que requeiram a flexibilidade do cristalino e a contração do músculo ciliar é a iluminação adequada do ambiente. Quem gosta de ler na cama e não quer incomodar o sono do parceiro deve deixar para terminar o capítulo quando o dia raiar.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Psoríase

A psoríase é uma doença inflamatória da pele caracterizada por lesões que aparecem principalmente no couro cabeludo, nos cotovelos e nos joelhos, embora possam surgir em outras partes do corpo. Muito comum, essa enfermidade crônica e não-contagiosa atinge cerca de 1% a 3% da população mundial, sobretudo pessoas da raça branca, distribuindo-se de maneira semelhante entre homens e mulheres. As primeiras manifestações freqüentemente têm início entre os 20 e os 40 anos de idade, mas é possível que a doença surja na infância ou apenas na terceira idade. Há diferentes tipos de psoríase, que variam conforme a apresentação das lesões e o local atingido, porém a maioria cursa sem provocar complicações secundárias, a não ser o vaivém das alterações na pele – como toda doença crônica, essa também é marcada por períodos de piora e melhora. Em raros casos, pode apresentar associado um quadro de inflamação das articulações, a chamada artrite psoriásica. No entanto, o maior problema está mesmo no preconceito que cerca os portadores da psoríase, que se sentem rejeitados pelo medo injustificado das pessoas de contrair a doença, embora tal possibilidade não exista, já que as lesões não possuem origem infecciosa.

Causas e sintomas

As causas da doença ainda não estão totalmente esclarecidas, mas hoje não há dúvida de que os psoriásicos já nascem com uma predisposição genética para apresentar essa enfermidade, que se traduz por alterações em diversos genes. O surgimento das lesões, contudo, depende de fatores externos e internos – os quais, aliás, também exercem influência na exacerbação da psoríase quando ela já se manifestou. Esses fatores incluem estresse emocional, muitas vezes relacionado com a própria doença, traumas e irritações de pele,consumo abusivo de bebidas alcoólicas e até condições ambientais, como a falta de sol. Todos eles induzem uma reação imunológica alterada que faz a pele se inflamar e espessar. Convém adicionar que diversos estudos mostram que a predisposição genética parece ter também um componente hereditário, pois, em pelo menos 30% dos psoriásicos, existe história familiar da doença.

As lesões provocadas pela doença são muito típicas e se localizam em superfícies de extensão, como os cotovelos e os joelhos, e em áreas de maior traumatismo, como a sola dos pés e a palma das mãos, assim como no couro cabeludo e nas unhas. O tipo mais comum é a psoríase em placas, que se apresenta com lesões róseas ou avermelhadas, recobertas por escamas de cor branca, seguido da psoríase gutata, cujas lesões são pequenas, semelhantes a gotas. A forma palmoplantar, como sugere o nome, produz rachaduras na pele da palma das mãos e da sola dos pés, e a ungueal, a seu turno, ataca as unhas, endurecendo-as e provocando seu descolamento. Há também a apresentação classificada de invertida, que causa porções avermelhadas em regiões de dobra, como axilas e virilha, e a pustulosa, na qual as feridas soltam uma secreção parecida com o pus, mas isenta de microrganismos. As formas mais raras e mais graves incluem a psoríase eritrodérmica, com lesões que cobrem acima de 75% da superfície do corpo, e a psoríase artropática, que inflama as articulações e ocasiona, além das manifestações características, dor nas juntas e dificuldade de movimentação.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da psoríase é clínico, já que as lesões são bastante características e de fácil reconhecimento pelo dermatologista. A confirmação, no entanto, pode implicar a realização de uma biópsia, que consiste na retirada, sob anestesia local, de minúsculos fragmentos da pele para a posterior análise de suas alterações e de suas células e tecidos.

Tratamento e prevenções

A psoríase ainda não tem cura, mas pode ser bem controlada durante toda a vida de seu portador. O tratamento precisa ser individualizado, de acordo com a apresentação e a extensão da doença e também com a idade e o estado geral de saúde da pessoa. Muitas vezes, é possível controlar as manifestações apenas com banhos de sol diários, de 10 a 15 minutos de duração.. Na impossibilidade de tomar sol diariamente, a exposição aos raios ultravioleta pode ser artificial, em sessões de fototerapia. Quando essas medidas não bastam, há necessidade de recorrer a medicamentos antiinflamatórios ou que diminuam o espessamento da pele. Estes produtos são de aplicação local, e variam, conforme a área a ser tratada, entre pomadas, loções, géis e xampus. O último recurso, reservado aos casos mais graves e àquelas pessoas que não apresentaram boa resposta às estratégias anteriores, são as medicações de uso oral ou injetável para reduzir a reação imunológica anormal que ataca a pele. Independentemente da gravidade do quadro, um cuidado indispensável para o tratamento da psoríase é a hidratação permanente da pele e das lesões com cremes hidratantes, de modo a atenuar a escamação e evitar que qualquer esbarrão numa região comprometida possa agravar ainda mais a inflamação.

Uma vez que a genética está por trás do surgimento da psoríase, não há como evitá-la. Para quem já tem a doença, no entanto, preservar-se dos fatores que favorecem seu surgimento pode aumentar os períodos de melhora do aspecto das lesões ou até mesmo de desaparecimento dos sintomas. Isso implica cuidados com a saúde em geral, tratando precocemente qualquer tipo de infecção, adesão à necessidade de hidratar a pele todos os dias, sobretudo no inverno, e exposição regular à radiação ultravioleta. Essas medidas valem também para quem possui história familiar da doença, visto que, em tais casos, há um risco aumentado para apresentar alguma forma de psoríase. No mínimo, portanto, podem servir para postergar as primeiras manifestações.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Queilite

A queilite é uma inflamação nos lábios que pode ter diferentes apresentações, embora quase sempre com dor e comprometimento estético da região. As principais formas da doença incluem a queilite actínica, a angular, a de contato e a esfoliativa, cada qual com variações nas manifestações e no desenvolvimento. A actínica é considerada uma lesão pré-maligna, ou seja, em que há possibilidade de evolução para o câncer se não houver correto tratamento e acompanhamento. Ela ocorre com maior freqüência em homens brancos acima de 40 anos, que se expuseram muito ao sol. Já a angular, popularmente conhecida como "boqueira", é a mais comum dessas inflamações. Ao contrário da actínica, trata-se de uma manifestação benigna, que aparece nos cantos da boca, às vezes com períodos de melhora e recaídas, dependentes dos fatores que a desencadeiam. Por sua vez, a queilite de contato, como sugere a denominação, provém da exposição labial a quaisquer substâncias químicas. E a esfoliativa, por fim, consiste em uma manifestação crônica de escamação superficial dos lábios, mais freqüente em meninas e mulheres jovens. Em comum, todas as apresentações da doença merecem atenção médica especializada, uma vez que, dada a variedade dos processos inflamatórios, o tratamento precisa ser individualizado e voltado não só a atenuar os sintomas, mas sobretudo eliminar o que os origina.

Causas e sintomas

Todas as queilites produzem lesões nos lábios, porém com particularidades inerentes a cada tipo de inflamação. A actínica acomete quase exclusivamente o lábio inferior, que perde sua coloração uniforme ou, então, adquire uma tonalidade forte de vermelho. Outra característica é a perda da linha de delimitação do vermelho do lábio com a pele, que chega a dar o aspecto de estar borrada. Com o tempo a região passa a descamar e se torna ressecada e áspera. O surgimento de feridas locais pode indicar que a inflamação se transformou em uma lesão maligna. Por sua vez, a angular afeta os cantos da boca, causando ligeiro inchaço, vermelhidão, descamação e rachaduras que se estendem para a pele, além de dor e ardência local. A queilite de contato cursa da mesma maneira, só que em toda a extensão labial, e não apenas nos ângulos, formando também pequenas bolhas, cheias de líquido. Já a esfoliativa determina descamação persistente e aumento da espessura dos lábios. Nas apresentações mais raras, pode haver ainda salivação volumosa, crostas e lesões com pus.

As causas igualmente variam de acordo com o tipo de inflamação. A queilite actínica é provocada pela exposição solar sem proteção – não é à toa, portanto, que se trata de uma lesão que pode evoluir para o câncer. Já a queilite de contato se deve a reações alérgicas a determinadas substâncias químicas. Entre os produtos mais envolvidos em tais casos, merecem destaque os batons, alguns alimentos, medicamentos tópicos, pastas de dente, colutórios (para bochechos e gargarejos), materiais odontológicos e instrumentos musicais de sopro, além de canetas e de outros objetos levados à boca de modo compulsivo. A queilite esfoliativa pode ser decorrente de disfunções da tiróide e de doenças auto-imunes, mas muitas vezes não é possível identificar sua origem. Pode estar ainda associada ao hábito de morder e lamber repetidamente os lábios. A forma mais comum da queilite, a angular, tem o envolvimento isolado ou combinado de vários fatores, como é o caso de agentes infecciosos, deficiências nutricionais, inflamações de pele, alergias alimentares, debilidade do sistema imunológico – tanto a ocasionada por doenças quanto a provocada por tratamentos –, acúmulo de saliva e aspectos mecânicos, a exemplo de má oclusão da boca, queixo projetado para a frente e uso de próteses dentárias mal adaptadas. Nas queilites mais raras, geralmente não há causa conhecida.

Exames e diagnósticos

Como o aspecto das lesões costuma ser bastante característico, o dermatologista já pode suspeitar do tipo de inflamação pelo exame físico e pela história do indivíduo. No caso de uma mulher que relate o início dos sintomas depois de ter usado um novo batom, por exemplo, a origem do processo inflamatório fica evidente. Contudo, na maioria das vezes, é preciso buscar a fonte da inflamação, tanto por meio da análise laboratorial de material raspado da lesão, para a pesquisa de agentes infecciosos, quanto por meio de uma biópsia do local. Além disso, a avaliação do estado geral de saúde do portador da doença é importante, uma vez que, muitas vezes, a queilite sinaliza que algo não vai bem no organismo.

Tratamento e prevenções

A abordagem terapêutica se dirige a combater o que está por trás da inflamação. Na queilite actínica, a lesão pode ser removida com a aplicação local de cremes específicos para destruir as células alteradas e, nos casos mais graves, com procedimentos cirúrgicos. A terapia fotodinâmica é um método moderno, que permite não só eliminar as células malignas, mas também prevenir o aparecimento de novas lesões. É um método pouco invasivo, que associa a utilização de uma luz especial a um creme aplicado nas áreas afetadas. As recaídas podem ser evitadas com o uso de protetor solar labial constantemente. Já na queilite angular, há necessidade de eliminar os fatores desencadeantes da manifestação, o que pode exigir o combate ao agente infeccioso com antimicrobianos tópicos, a adequação da prótese dentária, o tratamento da deficiência nutritiva com suplementos e a correção do problema mecânico, que, não raro, requer até cirurgia. No tratamento da queilite de contato pode ser necessário o uso de corticóides de ação local ou mesmo sistêmica, além, é claro, a suspensão da utilização da substância química envolvida no processo alérgico. Por não ter causas bem definidas, a forma esfoliativa da doença também pode ser atenuada com medicamentos, mas, em algumas situações, é preciso contar com a ajuda de medidas terapêuticas contra a ansiedade, como a psicoterapia, uma vez que essa apresentação pode estar relacionada com o hábito compulsivo de morder os lábios.

Algumas medidas são fundamentais para prevenir as diversas apresentações da queilite, como a aplicação continuada de protetores solares labiais, que vale particularmente para as pessoas que passam muito tempo expostas ao sol, e a supressão do hábito de pôr objetos na boca, uma vez que eles carregam micróbios diversos, e de morder ou lamber repetidamente os lábios, já que o trauma e a constante umidade favorecem processos inflamatórios. Quem usa próteses dentárias precisa cuidar muito bem da limpeza e da desinfecção desse acessório, por se tratar de uma fonte potencial de contaminação com fungos e bactérias. Convém salientar que, diante de qualquer sintoma labial, é importante buscar rapidamente a avaliação de um especialista, sem jamais recorrer a soluções caseiras, que não só podem piorar a inflamação como também postergar o diagnóstico – algo que, na forma actínica, facilita a evolução do processo inflamatório para o câncer.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Raiva

A raiva é uma doença infecciosa aguda que pode acometer todos os mamíferos de sangue quente, sendo considerada uma zoonose por ser transmitida de alguns animais para o homem.

A moléstia decorre da ação de um vírus mortal transmitido pela saliva através da mordida ou da lambedura do animal, que, uma vez instalado no organismo humano ou animal, rapidamente se alastra dos nervos para o sistema nervoso central, causando inflamação no encéfalo, a encefalite, e outros danos neurológicos fatais.

Apesar dessa evolução grave, a doença pode ser prevenida com bastante eficácia com a imunização animal periódica e com o controle de cães e gatos errantes, que vagam pelas ruas à deriva.

A raiva é uma moléstia de ocorrência universal e, atualmente, só está erradicada de países como Japão, Reino Unido, Havaí e de determinadas ilhas do Pacífico.

No Brasil, porém, a zoonose ainda faz vítimas na população. De 1980 a 2005, houve 1.388 casos confirmados, a maioria nas regiões Norte e Nordeste, mas o número de pessoas infectadas caiu abruptamente nas últimas décadas, tendo saído de 173 casos, em 1980, para 44, em 2005.

Ainda assim, mesmo no Estado de São Paulo existem regiões endêmicas de raiva em animais, sobretudo em cães, o que exige das autoridades de saúde e da própria população uma maior atuação para evitar novas ocorrências em humanos.

Causas e sintomas

O quadro infeccioso é semelhante em homens e animais, caracterizando-se por mal-estar geral, espasmos musculares, ansiedade e inquietude extremas, convulsões, delírios e sensação de raiva, traduzida por grande agressividade.

Em animais - e muito raramente no ser humano -, a forma da doença é denominada paralítica, uma vez que ela não evolui com quadro de agressividade, mas sim de paralisia de grupos musculares relevantes. Há também um medo incontrolável de água que quando deglutida provoca um espasmo doloroso na laringe – a chamada hidrofobia –, além de sensibilidade à luz.

Os espasmos musculares na orofaringe tornam a deglutição dos alimentos também muito dolorosa e dificultam sobremaneira a alimentação. O local de contato com o vírus – geralmente uma mordedura ou arranhadura de animal – também fica sensível e dormente. Os danos cerebrais,à medida que avançam, evoluem para alterações da consciência, até o coma.

A raiva é causada por um vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae, transmitido ao homem principalmente pela saliva de animais contaminados, o que ocorre sobretudo por arranhões e mordidas, mas também por lambidas de lesões já existentes na pele humana, ainda que não tenha havido agressão.

Em áreas urbanas, o cão responde pela principal fonte de transmissão, seguido do gato, enquanto em espaços rurais, o morcego é o mais importante transmissor. No Brasil, os reservatórios domésticos mais comuns do vírus incluem, além de cães e gatos, os bovinos e os eqüinos. Já entre os animais silvestres mais implicados com a doença estão o macaco, a raposa, o guaxinim e o já mencionado morcego.

Na literatura científica, só existem casos de contaminação com o Lyssavirus de pessoa para pessoa através do transplante de córnea. Qualquer que tenha sido a forma de contato com esse vírus, o período entre a contaminação e o surgimento dos sintomas pode ser longo, variando de três semanas a dois anos, com média de 45 dias.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da raiva feito com dados do quadro clínico é sempre tardio, pois, se uma pessoa apresenta as manifestações da zoonose, o vírus já está instalado em seu sistema nervoso central. Por isso, sempre que ocorrer uma agressão por um animal, a suspeita deve ser levantada e ele deve ser observado por um período de 7 a 10 dias, além de seu dono ser inquirido a respeito do estado vacinal contra a doença.

A raiva pode ser comprovada precocemente por testes laboratoriais de sangue ou de saliva, para a pesquisa de anticorpos contra o Lyssavirus, ou mesmo por uma biópsia de pele. Neste procedimento, fragmentos do local da agressão são colhidos, sob anestesia local, para posterior análise direta de suas alterações, células e tecidos. De toda forma, o tratamento costuma ser introduzido antes mesmo de qualquer resultado ficar pronto.

Tratamento e prevenções

A instituição rápida do tratamento depende muito da agilidade de quem foi atacado por um animal doméstico ou silvestre: é imperativo lavar veementemente o ferimento com água e sabão, aplicar no local do ferimento um produto anti-séptico e procurar assistência médica imediatamente.

Conforme cada caso, o profissional de saúde vai prescrever a aplicação da vacina anti-rábica e/ou do soro anti-rábico, composto de anticorpos contra o vírus da raiva. Cabe à vítima, ainda, fornecer o máximo de informações sobre o agressor, de modo que seu proprietário ou as autoridades sanitárias possam deixá-lo em observação, até mesmo para evitar novos casos.

A medida mais importante para prevenir a raiva está mesmo na vacinação anti-rábica, sempre atualizada, dos animais de convívio próximo. A imunização humana só se aplica a pessoas que têm profissões de alto risco, como as de veterinário, criadores e adestradores.

Para a maioria da população, é fundamental manter uma distância segura de reservatórios silvestres, como o macaco e o guaxinim, que sempre inspiram grande interesse, e sobretudo de cães e gatos de rua.

Quem tem bichos de estimação precisa ficar atento a mudanças repentinas no comportamento dos animais, devendo procurar um serviço veterinário ao menor sinal de agressividade e/ou de dificuldade para engolir ou andar. E, convém insistir, diante de mordedora e arranhadura de bichos suspeitos, a agilidade na busca de socorro médico precisa ser levada a sério, ainda que se trate de um ferimento leve.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Retinopatia diabética

A retinopatia diabética é uma complicação ocular do diabetes que interfere na circulação do sangue pela retina, a porção do olho que contém as células responsáveis por perceber a luz e enviar as imagens ao cérebro.

A hiperglicemia promove uma série de alterações metabólicas locais na retina que levam a   enfraquecimento  das paredes dos vasos dando origem a minúsculas dilatações, chamadas de microaneurismas, que podem sofrer ruptura e deixar escapar sangue,  extravazamento de  lipídeos do sangue que se depositam na retina (exsudação) e a diminuição da circulação sangüinea local (isquemia ) . Essas alterações, em maior ou menor grau, levam a distorções visuais e podem comprometer a visão central.

Existem duas formas principais da doença: a forma não-proliferativa, em que ocorrem as alterações locais, sem a formação de vasos, e a forma proliferativa, em que o grau de isquemia é suficiente para determinar a proliferação de novos vasos.  Muito frágeis, esses minúsculos vasos se dilatam e se rompem com mais facilidade, formando um tipo de cicatriz que começa a repuxar a retina e a causar seu progressivo descolamento. É possível que a forma não –proliferativa progrida para a forma proliferativa, se não tratada.

Na prática, portanto, a retinopatia é potencialmente capaz de provocar a perda parcial ou total da visão, a ponto de estar entre as principais causas de cegueira na população mundial adulta. Embora afete a maioria dos diabéticos com o passar dos anos, essa complicação, que hoje tem tratamento, pode ser postergada com a manutenção de taxas adequadas de glicose no sangue.

Causas e sintomas

Inicialmente, a doença não manifesta sintomas. À medida que evolui, com o escape de sangue dos microaneurismas e, depois, com o comprometimento de novos vasos sanguíneos, o diabético pode se queixar de visão borrada, da percepção de pontos pretos e flashes e até mesmo da perda repentina de sua acuidade visual.

A causa desse distúrbio na retina está nas alterações provocadas pelo diabetes aos vasos sangüíneos. Com a permanência de níveis elevados de glicose no sangue, as veias e artérias se estreitam e suas paredes se tornam mais fracas e mais propensas a dilatações e conseqüentes rompimentos.

Contudo, o fator tempo é determinante para a instalação da complicação ocular. Na população com dez anos de diabetes, 50% das pessoas têm retinopatia, ao passo que, no grupo que é diabético há 30 anos ou mais, 90% apresentam a doença.

O dano aos pequenos vasos da retina, porém, pode aparecer mais rapidamente na vigência de outras condições, a exemplo de gravidez, anemia, hipertensão arterial, tabagismo, colesterol elevado e doenças renais.

Exames e diagnósticos

A retinopatia diabética costuma ser diagnosticada no consultório médico por meio de um exame oftalmológico, feito com as pupilas dilatadas com um colírio próprio para essa finalidade, de modo que o especialista possa avaliar o fundo do olho e identificar as eventuais alterações vasculares.

Uma vez confirmada a doença,  pode-se prosseguir com a angiografia por fluoresceínica, um exame que obtém imagens do globo ocular depois que a pessoa recebe, por via endovenosa, uma injeção de corante fluorescente. Ao alcançar a retina, a substância injetada mostra o seu fluxo sangüíneo, revelando a extensão da retinopatia, a exemplo da formação anormal de novos vasos, o que é fundamental para determinar a necessidade de tratamento local.

Tratamento e prevenções

O tratamento visa a conter o avanço da doença e, portanto, alcança melhor esse objetivo quanto mais precocemente for instituído. Em geral, costuma ser feito por fotocoagulação, uma técnica que consiste na aplicação de raios laser tanto para selar os vasos rompidos, diminuindo o inchaço em seu entorno e consequentemente o dano à visão, quanto para diminuir a proliferação dos vasos sanguiíneos e, assim, evitar suas conseqüências, de maneira a manter a retina aderida ao fundo do olho.

Mais recentemente, também têm sido usadas substâncias antiangiogênicas, ou seja, que impedem o nascimento de vasos sangüíneos, para interromper a evolução da retinopatia e, assim, evitar futuras perdas visuais.

Em casos de hemorragia significativa, pode ser necessária a realização de uma intervenção cirúrgica para remover o sangue que escapa dos vasos para o humor vítreo, o material gelatinoso que preenche o interior do olho. É claro que, qualquer que seja a necessidade terapêutica, a estratégia escolhida precisa ser combinada com um severo controle dos índices de glicose na circulação.

A prevenção da retinopatia passa obrigatoriamente pelo controle do diabetes, o que tem de ser feito ao longo de toda a vida do diabético com alimentação adequada, prática de exercícios e, algumas vezes, medicamentos apropriados, e pela manutenção da pressão arterial em níveis normais.

Esses cuidados podem ajudar a reduzir o comprometimento dos vasos sangüíneos e, portanto, contribuem significativamente para postergar a instalação da doença com o passar do tempo. O acompanhamento oftalmológico também é fundamental.

Cinco anos depois de ter recebido o diagnóstico de diabetes, toda pessoa deve visitar anualmente o oftalmologista para possibilitar a detecção da retinopatia em seu estágio inicial e a instituição precoce da intervenção local, quando necessário.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Rinite

A rinite é uma doença inflamatória da mucosa do nariz, que pode ser aguda, quando tem duração de até três semanas, ou crônica, quando se prolonga por mais de 21 dias. Numa situação normal, o nariz cumpre o papel de proteger o pulmão de substâncias tóxicas, já que é a porta de entrada do ar para nosso organismo, barrando o ingresso de agressores ou expulsando-os por meio de suas células ciliadas, cobertas por uma fina camada de muco, que se movimentam com essa finalidade de limpeza e proteção.

Outro papel fundamental dessa estrutura é o de esquentar o ar a 37ºC antes que ele chegue aos alvéolos pulmonares, ainda que a temperatura ambiente esteja bem mais fria.

A rinite, no entanto, quebra o funcionamento de todo esse mecanismo, qualquer que seja seu fator desencadeante, determinando sintomas incômodos e, o que é pior, aumentando a predisposição do indivíduo a outras doenças das vias respiratórias superiores, sobretudo a sinusite. Por isso, independentemente de sua causa, a condição merece tratamento especializado.

As inflamações da mucosa nasal são muito comuns em nosso meio. De acordo com a Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, no Brasil, alguns estudos dão conta de que a rinite alérgica, por exemplo, afeta 33% das crianças de 6 a 7 anos e 34% dos adolescentes entre 13 e 14 anos.

Causas e sintomas

Qualquer que seja o motivo da inflamação da mucosa nasal, a rinite desencadeia espirros sucessivos, coriza cristalina, congestão nasal e coceira, seguida do hábito freqüente de friccionar o nariz – o que é chamado pelos especialistas de saudação alérgica –, podendo ainda ser acompanhada de sensação de ouvido tapado e mesmo de alterações no olfato.

Está certo que as rinites causadas por alérgenos diversos – notadamente os ácaros da poeira doméstica – são muito comuns na população infantil e adolescente, mas ter essa inflamação nem sempre é sinônimo de alergia. Há várias outras causas não-alérgicas que determinam esse quadro. Entre elas, é possível citar infecções por vírus de gripes e resfriados, estresse emocional, medicamentos – como o uso crônico de medicações vasoconstritoras, para desobstruir o nariz –, fatores hormonais, alimentos e contato freqüente com substâncias irritantes.

Um exemplo clássico da combinação de alguns desses fatores é a gravidez, na qual muitas mulheres, em decorrência das mudanças hormonais que experimentam, passam a ter rinite e começam a usar gotas para desentupir o nariz, muitas vezes sob prescrição do obstetra. O bebê nasce, o equilíbrio hormonal volta, mas a mulher não abandona o vasoconstritor tópico e acaba desenvolvendo uma rinite medicamentosa.

Algumas alterações anatômicas estruturais também podem provocar sintomas de rinite, a exemplo do desvio de septo, além de obstruções como pólipos e tumores. Vale lembrar que, com exceção da rinite infecciosa, as demais não são contagiosas.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico se baseia na avaliação clínica e otorrinolaringológica do indivíduo, no levantamento de sua história, no conjunto de sintomas e nos resultados de exames complementares.

Entre os recursos diagnósticos usados, merecem destaque a radiografia e a tomografia computadorizada da rinofaringe, que mostram a anatomia da região; a citologia nasal, que analisa as células da mucosa do nariz; o exame bacteriológico, que investiga a presença local de agentes bacterianos; a rinoscopia, que visualiza a cavidade nasal com uma fibra óptica, como ocorre em uma endoscopia; e a rinomanometria, que calcula a resistência nasal ao medir a relação entre fluxo aéreo e pressão intranasal.

Além desses métodos, fazem parte obrigatória da investigação os testes de alergia para a pesquisa de anticorpos inespecíficos e específicos contra alérgenos diversos.

Tratamento e prevenções

O tratamento tem o objetivo de reduzir o contato da pessoa com substâncias irritantes e/ou alérgenos e igualmente de reduzir a inflamação. Para tanto, usam-se sobretudo antialérgicos e antiinflamatórios da categoria dos corticóides, que, contudo, não dispensam a ajuda de medidas de controle ambiental e cuidados pessoais. As cirurgias ficam reservadas apenas para a correção de alterações anatômicas, como o desvio de septo, para a remoção de pólipos ou tumores e para os casos de rinite crônica em que há aumento das conchas nasais.

As rinites alérgicas podem ser prevenidas basicamente com as mesmas medidas de controle ambiental adotadas em seu tratamento. A vacina antigripe também representa uma boa estratégia para reduzir as inflamações da mucosa nasal decorrentes de infecções das vias aéreas superiores ou mesmo o agravamento dos sintomas de quem apresenta reações alérgicas, devendo ser aplicada anualmente.

Por fim, é fundamental não usar nenhum medicamento sem prescrição médica ou por tempo superior ao recomendado, a exemplo das gotas vasoconstritoras. Por outro lado, qualquer sintoma respiratório constante, ainda que pareça simples ou pouco importante, requer a avaliação de um otorrinolaringologista ou, no mínimo, de um médico de confiança.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Rubéola

A rubéola é uma moléstia infectocontagiosa caracterizada por manchas vermelhas –  denominadas exantemas –, que surgem inicialmente no rosto e atrás das orelhas e se espalham por todo o corpo. Atinge adultos e crianças, mas, assim como o sarampo e a caxumba, faz parte das chamadas doenças comuns da infância.

Apesar de se tratar de uma infecção benigna, a rubéola costuma ser grave em sua forma congênita, ou seja, quando passada da mãe para o feto durante a gravidez, especialmente se a mulher se contamina no primeiro trimestre da gestação. Isso porque, no feto, a doença pode provocar malformações como surdez, problemas visuais, alterações cardíacas e distúrbios neurológicos.

Causas e sintomas

Com exceção das manchas vermelhas, que duram cerca de três dias e desaparecem sem deixar seqüelas, o quadro da infecção pelo vírus da rubéola se assemelha muito ao de uma gripe, cursando com sintomas como aumento dos gânglios linfáticos – as populares ínguas –, dor de cabeça, prostração, coriza, febre baixa, dores articulares e musculares e dificuldade para engolir. Convém ponderar que, em muitos casos, essas manifestações podem ser muito leves ou mesmo nem aparecer.

Um vírus da família dos togavírus é o agente causador da rubéola, instalando-se nas pessoas pelas vias respiratórias, mais precisamente pela aspiração de minúsculas gotas de saliva ou de secreção nasal de indivíduos contaminados.

Entre o contato com o vírus e a manifestação dos sintomas costuma haver um intervalo de 15 dias, no qual a doença fica incubada. A rubéola é transmissível durante um bom tempo. É possível contrair a infecção de uma pessoa contaminada desde cinco dias antes das primeiras manifestações até 10 dias depois de aparecer os exantemas. Bebês que nascem com a moléstia podem transmiti-la por até um ano.

Exames e diagnósticos

Existe a possibilidade de diagnosticar a rubéola clinicamente, só com um exame físico e com a análise dos sintomas. Mas, devido à semelhança da infecção com várias outras doenças exantemáticas, ou seja, que cursam com manchas vermelhas, seu diagnóstico preciso exige um teste laboratorial para pesquisar a presença de anticorpos contra o vírus, ou sorologia para rubéola, no sangue da pessoa que apresenta a suspeita.

Tratamento e prevenções

A rubéola é também uma doença autolimitada, contra a qual o próprio organismo se defende. Assim, o tratamento requer apenas analgésicos, para aliviar as dores, e antitérmicos, para baixar a febre, até que o quadro se reverta naturalmente. De toda forma, convém permanecer em repouso no período mais crítico da infecção, logo que os primeiros sintomas surgem.

A rubéola pode ser prevenida por meio de vacinação. Em geral, as crianças costumam receber essa imunização juntamente com as vacinas contra o sarampo e a caxumba, na chamada tríplice viral (ou SRC, ou MMR), que deve ser aplicada em duas doses, a primeira entre 12 e 15 meses e a segunda entre 4 e 6 anos.

Para ajudar a diminuir a circulação do vírus, adultos não-imunes têm indicação de ser vacinados, sobretudo as mulheres em idade fértil. Quem planeja engravidar, contudo, deve cuidar para que haja um intervalo de, pelo menos, 30 dias entre a imunização e a concepção.

A aplicação da tríplice viral não pode ser feita durante a gestação nem em estados de imunossupressão – como na vigência de aids ou após  transplante de órgãos.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Sarampo

Definida como uma moléstia infecciosa altamente contagiosa, o sarampo faz parte do grupo das chamadas doenças comuns da infância, que cursam com manchas vermelhas na pele. Certamente é a mais grave dessas infecções, uma vez que pode afetar vários órgãos, como os pulmões, os ouvidos e o sistema nervoso central.

A infecção, no entanto, acomete também adultos não vacinados ou que não a tiveram quando crianças. Por isso, diante do surgimento de placas avermelhadas na pele, o melhor a fazer é procurar imediatamente um médico, qualquer que seja a idade do portador dessa manifestação.

Causas e sintomas

A doença causa manchas ásperas avermelhadas na pele, que surgem inicialmente no rosto e vão evoluindo por todo o corpo até os pés, assim como febre alta, tosse seca, coriza, conjuntivite, mal-estar, perda do apetite e pontos brancos na parte interna da bochecha, denominados enantema de Koplik. Otite, pneumonia e encefalite também podem se desenvolver posteriormente como complicações graves do sarampo.

O sarampo decorre da infecção por um vírus, do gênero Morbillivirus, que é transmitido por via respiratória, precisamente por gotículas eliminadas pelo espirro ou pela tosse de pessoas contaminadas. Entre o contágio e o aparecimento dos sinais característicos dessa virose costuma haver um intervalo de 8 a 14 dias – é o chamado período de incubação. Convém ressaltar que um indivíduo pode passar sarampo para outro antes de apresentar sintomas e até quatro dias depois do aparecimento das manchas.

Exames e Diagnósticos

Na maioria dos casos, o diagnóstico pode ser estabelecido apenas com uma avaliação clínica, feita no consultório. Se, contudo, houver dúvidas, existem exames laboratoriais que podem confirmar a suspeita, como a sorologia que detecta a presença de anticorpos contra o Morbillivirus no sangue.

Tratamento e prevenções

O tratamento visa a atenuar os sintomas do sarampo, a exemplo da febre e da tosse, ou mesmo a tratar suas complicações. Quem tem otite decorrente dessa moléstia, por exemplo, precisa tomar antibiótico apropriado. De qualquer forma, a pessoa acometida pela doença deve fazer repouso, ingerir bastante líquido, manter uma alimentação leve e limpar os olhos com água morna, por causa da conjuntivite, até que esteja se sentindo melhor – o que significa que seu sistema imunológico naturalmente venceu o vírus. Em casos especiais, pode ser prescrita uma terapia para reforçar a imunidade do organismo.

O sarampo pode ser evitado com a vacina contra o vírus que causa a infecção, cuja aplicação é efetuada isoladamente ou em associação com as vacinas contra a caxumba e a rubéola, na chamada tríplice viral, neste caso, entre 12 e 15 meses de idade, com uma segunda dose entre 4 e 6 anos. Caso a criança receba a imunização isolada contra o sarampo mais cedo, aos 9 meses, conforme preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS) nos países que ainda têm casos da doença, o reforço deve ser feito aos 15 meses, com a tríplice. Adultos não-imunes também se beneficiam da vacinação, com exceção de gestantes e imunodeprimidos, como é o caso de transplantados e portadores de aids.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Sepse

A sepse, também conhecida como septicemia ou infecção generalizada, é um conjunto de manifestações inflamatórias graves, que ocorrem em todo o organismo em decorrência de um processo infeccioso comprovado. Na prática, a pessoa adquire uma infecção na comunidade ou no hospital e não responde bem ao tratamento com antibióticos, seja porque a terapêutica não foi feita ou seguida de modo adequado, seja porque os microrganismos se tornaram resistentes ao medicamento utilizado. Sem que tenham sido combatidas, portanto, as bactérias ganham a circulação de maneira contínua ou intermitente. Com isso, o organismo começa a apresentar uma reação inflamatória inespecífica e sistêmica, ou seja, vários órgãos são afetados. A existência dessa síndrome caracteriza a sepse, que pode evoluir rapidamente para uma forma mais grave, já com reflexos à função dos órgãos, e para o chamado choque séptico, com queda importante da pressão arterial e má oxigenação de células e tecidos. Nesse ponto, o funcionamento geral do corpo fica comprometido e não pode ser mantido sem a intervenção de aparelhos e medicamentos – e mesmo assim com alto risco de falência múltipla de órgãos. A sepse permanece como um desafio médico, uma vez que a taxa de mortalidade em geral é alta e depende de vários fatores, tais como idade, doenças subjacentes, presença de traumas físicos associados e, especialmente, da estrutura da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) onde o paciente está sendo tratado. Apesar desse curso rápido, há muito que fazer para conter a infecção, desde que o doente receba cuidados médicos intensivos a tempo.

Causas e sintomas

A sepse é causada por infecções graves, tanto as adquiridas na comunidade, particularmente as que envolvem pulmões, vias urinárias, abdome, pele e coração, quanto as contraídas no ambiente hospitalar. Neste último caso, os processos infecciosos ocorrem por uma variedade de situações, entre as quais se destacam procedimentos cirúrgicos em regiões mais suscetíveis – como os intestinos –, uso prolongado de dispositivos que permanecem em contato com a pele e a corrente sangüínea de uma pessoa – a exemplo de cateteres e sondas –, eventuais falhas nos processos de limpeza e esterilização de artigos médico-hospitalares e até mesmo falta de adoção das práticas universais de limpeza e desinfecção por parte da equipe de saúde. Há, porém, um grupo mais suscetível a desenvolver a sepse, formado por bebês prematuros, crianças com menos de 1 ano de idade, pessoas com mais de 65 anos de idade, usuários crônicos de drogas e álcool, indivíduos desnutridos, vítimas de traumatismos, queimaduras, acidentes automobilísticos e ferimentos à bala, pacientes hospitalizados por períodos prolongados e indivíduos com o sistema imunológico deprimido por doenças e tratamentos, como transplantados e portadores de câncer, aids e doenças crônicas.

A evolução do quadro clínico da sepse depende do local onde iniciou a infecção, da presença de outras doenças concomitantes, da idade da pessoa, do grau da resposta inflamatória, do comprometimento causado aos órgãos e até do momento do diagnóstico. De qualquer modo, os principais sintomas incluem febre ou temperatura corporal muito baixa, calafrios, falta de apetite, dores musculares, batimentos cardíacos acelerados, respiração rápida, pressão arterial baixa, volume reduzido de urina, surgimento de feridas e sangramentos, irritabilidade e alterações do nível de consciência.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da sepse quase sempre é clínico e laboratorial. Muitas vezes, o foco da infecção inicial pode ser identificado com base no exame físico e na história de saúde da pessoa – é o caso, por exemplo, do indivíduo que está recebendo tratamento para pneumonia e, de repente, começa a apresentar febre novamente. Quando não é possível localizar de imediato a origem do processo, geralmente se recorre a algum método de imagem para fazer essa pesquisa, como a ultra-sonografia e a tomografia. Qualquer que seja o caso, a investigação não prescinde da realização de alguns exames de sangue, entre eles o hemograma, que confirma o processo inflamatório ao revelar alterações no número dos glóbulos brancos, a dosagem de lactato, que pode indicar a má oxigenação de células e tecidos do corpo, e, finalmente, a hemocultura, que é capaz de isolar o microrganismo envolvido na sepse para direcionar a terapêutica. Contudo, nem sempre o agente infeccioso aparece na cultura, seja por causa do antibiótico administrado para a infecção original, seja por conta do modo de coleta, seja por não haver continuamente bactérias na circulação. Assim, outras culturas podem ser necessárias, como as da secreção expelida pelos pulmões, de urina, de eventuais feridas de pele e mesmo das partes do cateter endovenoso que mantenham contato com o doente.

Tratamento e prevenções

O tratamento tem de ser feito em unidade de terapia intensiva e obrigatoriamente deve combinar o uso de antibióticos por via endovenosa com um amplo e agressivo suporte, baseado em medicamentos e aparelhos, para restabelecer as funções do organismo e manter os sinais vitais do indivíduo em níveis adequados – temperatura corporal, batimentos cardíacos, pressão arterial e respiração. Uma vez que a taxa de mortalidade na sepse é elevada, os médicos tomam as providências terapêuticas antes mesmo de conhecer o microrganismo responsável pela infecção, inicialmente com antimicrobianos de amplo espectro, ou seja, capazes de eliminar diversas bactérias. Oportunamente, quando os resultados das culturas ficam prontos, é possível introduzir um antimicrobiano mais específico para combater o agente encontrado, se necessário.

A prevenção da sepse exige esforços individuais e coletivos para evitar infecções, sejam elas quais forem. No ambiente hospitalar, as medidas preventivas passam particularmente pela observação rigorosa das práticas universais de limpeza e desinfecção por parte da equipe de saúde e pela garantia de segurança nos processos de esterilização de artigos médicos e instrumentais. Já na comunidade, a redução do risco de infecções evidentemente requer a manutenção de bons hábitos individuais de higiene e saúde – desde lavar as mãos antes das refeições até dormir bem –, mas também depende da manutenção de uma boa qualidade de vida da população, com moradias adequadas, rede de esgoto e saneamento e acesso aos serviços médicos, só para citar itens básicos. Assim sendo, trata-se de um problema de saúde pública. Individualmente, uma vez que algum processo infeccioso se instale, é fundamental seguir o tratamento pelo tempo recomendado pelo médico, já que a interrupção pode dar origem a bactérias difíceis de eliminar, e jamais usar antibióticos sem prescrição. Além disso, em casa, deve-se agir rapidamente quando doentes em tratamento não parecem melhorar após a introdução de uma terapêutica com antibióticos. Assim como a febre, em crianças, funciona como um sinal de alerta para voltar a procurar auxílio médico, nos indivíduos com mais de 65 anos, o alarme muitas vezes é dado por pressão baixa, volume reduzido de urina e confusão mental.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Sífilis

A sífilis, ou lues, é uma doença sexualmente transmissível (DST) causada pela bactéria Treponema pallidum. É uma infecção crônica com manifestações cutâneas temporárias, de distribuição universal. Depois da aids, ocupa o posto de DST mais preocupante, uma vez que, se não tratada em suas fases iniciais, progride com manifestações que comprometem todo o organismo, principalmente olhos, pele, ossos, coração, cérebro e sistema nervoso.

A doença está dividida em três estágios: primário, secundário e terciário. As duas primeiras fases apresentam as características mais marcantes da infecção, quando se observam os principais sintomas e também quando há mais possibilidade de transmissão. Em seguida, a sífilis aparentemente desaparece por um longo período, ficando num estado de latência, ainda potencialmente transmissível, mas sem sintomas, embora com chances de recaídas para o estágio secundário, ou, então, entra em sua fase terciária, justamente quando os órgãos-alvo, tomados pela bactéria, começam a se inflamar lenta e progressivamente, resultando num quadro severo que, no mínimo, deixa seqüelas irreversíveis.

Estima-se que a sífilis faça 900 mil casos novos no Brasil a cada ano, não obstante as campanhas de prevenção de DST. Desses, pelo menos 50 mil envolvem gestantes, que acabam passando a doença para 12 mil bebês por ano, segundo cálculos do Ministério da Saúde. Apesar disso, há subnotificação da forma congênita da infecção. De 1998 a junho de 2006, foram registrados apenas 36,6 mil casos em crianças.

Causas e sintomas

Na primeira fase da infecção, chamada primária, a sífilis manifesta-se inicialmente como uma pequena ferida nos órgãos sexuais, com bordas endurecidas e profundas, chamada de cancro duro. Na mulher, essa ferida pode não ser tão aparente, ficando “oculta” dentro da vagina ou colo do útero, adiando o diagnóstico. Esta úlcera é acompanhada de ínguas (caroços) nas virilhas, que surgem entre a 2ª ou 3ª semana após a relação sexual desprotegida com pessoa infectada. A ferida e as ínguas não doem, não coçam, não ardem e não apresentam pus. Após um certo tempo, mesmo sem qualquer tratamento, a ferida desaparece sem deixar cicatriz, dando à pessoa a falsa impressão de estar curada.

Se a doença não for tratada, continua a avançar, evoluindo para a fase secundária. Nesta segunda fase a bactéria se dissemina pelo organismo, aparecem manchas avermelhadas na pele do corpo todo, inclusive nas palmas das mãos e solas dos pés, acompanhadas de sinais comuns de infecções, como mal-estar, febre, dor de cabeça e de garganta, perda de apetite e ínguas. Esta fase também acaba desaparecendo sozinha, novamente dando falsa sensação de cura ao indivíduo infectado. A partir desta fase, a doença pode passar por um longo período silencioso, sem sintomas e finalmente evoluir para a fase terciária.

A fase terciária cursa com manifestações severas nos órgãos comprometidos. No cérebro, a doença pode causar meningite e paralisia de nervos, incluindo os da visão, com risco de cegueira, e obstrução nos vasos, com probabilidade de acidente vascular cerebral isquêmico ou hemorrágico (“derrame”). Na medula espinhal, provoca a perda de reflexos e da sensibilidade dos membros, chegando a ocasionar a perda da capacidade de locomoção. No sistema cardiovascular, afeta o funcionamento do coração, por interferir no trabalho das valvas cardíacas, que têm a incumbência de controlar a chegada do sangue venoso e a partida do sangue oxigenado, e pode lesar grandes artérias do corpo, como a aorta, levando-as à dilatação – um evento conhecido como aneurisma.

Caso ocorra em grávidas, a sífilis poderá causar aborto ou má formação do feto, chamada de sífilis congênita. Na maioria destes casos os sintomas se apresentam nos primeiros meses após o nascimento, com pneumonia, feridas no corpo, cegueira, problemas ósseos, surdez e comprometimento neurológico.

Como já mencionado, a doença tem, como causa, a bactéria Treponema pallidum, que é transmitida nas relações sexuais, durante a gestação, da mãe para o feto e em transfusões sangüíneas. Evidentemente, a principal via de transmissão é mesmo a sexual. O período de incubação, ou seja, o tempo para a sífilis se manifestar após o contágio, dura, em média, 21 dias, podendo variar entre 3 e 90 dias.

Exames e diagnósticos

A lesão genital na fase inicial da infecção é altamente sugestiva da doença, mas o diagnóstico depende de confirmação. Nesta fase pode-se fazer a pesquisa da bactéria em material colhido direto do cancro e também exame de sangue para pesquisa de anticorpos antitreponema, feita por mais de um tipo de técnica para evitar resultados falso-positivos.

Na segunda fase, como há a manifestação de sintomas genéricos, que costumam aparecer também em outras moléstias infectocontagiosas, o médico pode precisar descartar hipóteses adicionais, além de investigar a presença da sífilis. Nesta fase, como não há mais presença da úlcera genital, o diagnóstico fica restrito à exames sorológicos (de sangue).

Na fase terciária, a sorologia precisa ser acompanhada da análise do líquido que circula entre as membranas que envolvem o encéfalo – o líquor –, para descobrir se a bactéria está atacando o sistema nervoso central, assim como de outros exames diagnósticos para avaliar o comprometimento do coração e dos vasos sangüíneos.

No recém-nascido, o diagnóstico requer tanto o teste sangüíneo quanto a análise do liquor, além de raios X de ossos longos para verificar se há comprometimento ósseo.

Tratamento e prevenções

Apesar de sua gravidade, a sífilis é uma doença de fácil e efetivo tratamento, no qual se emprega, em todos os casos, mesmo na infecção congênita, um dos antibióticos mais antigos e mais baratos que existem – a penicilina. Esse antimicrobiano elimina o treponema, mas não consegue reverter os estragos da infecção nos órgãos-alvo da doença quando isto já aconteceu. Uma lesão na medula ou no sistema nervoso central pode resultar em incapacidades permanentes, que, no máximo, são atenuadas com um trabalho de reabilitação. Já um defeito nas valvas cardíacas e mesmo um aneurisma de aorta têm tratamento específico com procedimentos cirúrgicos, mesmo em bebês.

A melhor forma de manter-se longe da sífilis é a prática do sexo seguro, com o uso de preservativo em todas as relações sexuais. Já a infecção congênita pode ser prevenida com um bom pré-natal, no qual o obstetra obrigatoriamente investiga se a gestante está infectada com o treponema. Em caso positivo, a mulher deve fazer um tratamento com penicilina pelo tempo recomendado pelo médico. A sífilis congênita é uma das doenças mais fáceis de evitar quando se sabe que a mãe é portadora da infecção. Contudo, sem tratamento, tem de 70% a 100% de chance de passar para o bebê, com risco de 40% de mortalidade da criança nos primeiros dias após o nascimento.

Além dessas medidas, é importante que homens e mulheres com feridas genitais procurem assistência médica imediata para esclarecer a origem das lesões.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Síndrome de Down

A síndrome de Down pode ser reconhecida por suas características físicas diferenciadas e está associada a um atraso no desenvolvimento motor e a uma maior dificuldade no aprendizado, em decorrência de redução nas habilidades intelectuais.

Ela é causada por um erro que ocorre durante a formação de um gameta, seja ele um óvulo ou um espermatozóide, fazendo com que um deles tenha um cromossomo adicional. Quando os gametas se unem para gerar um embrião, a presença desse cromossomo adicional leva a alteração na formação do bebê, o que faz com que ele apresente características diferentes das normais.

O nome dessa condição é uma homenagem ao médico inglês John Langdon Down, que em 1866, descreveu pela primeira vez, as características de uma criança com a síndrome. Sabe-se hoje que ela ocorre em um de cada 650 recém-nascidos, mas a freqüência dessa alteração por ocasião da concepção é mais elevada, havendo portanto um maior risco de interrupção espontânea da gestação.

Apesar de não ter cura, muito pode ser feito por portadores de síndrome de Down, tanto para corrigir eventuais defeitos físicos associados, tais como malformações cardíacas, como para promover a sua maior integração social e melhor desenvolvimento, por meio de programas de estimulação e inclusão social.

Causas e sintomas

Os sinais da síndrome já aparecem ao nascimento e incluem olhos com fendas palpebrais estreitas e levemente oblíquas, parte posterior da cabeça levemente achatada, boca pequena, muitas vezes com a língua projetando-se para fora, mãos curtas e largas, geralmente com uma única linha transversal nas palmas, musculatura flácida – chamada de hipotonia muscular –, pele em excesso no pescoço, orelhas pequenas, conduto auditivo estreito, estatura baixa e aumento do espaço entre o primeiro e o segundo dedo dos pés.

Cerca de 40% a 50% das crianças Down apresentam malformação do coração e podem precisar de cirurgia corretiva. Com o tempo, percebe-se que o desenvolvimento motor e a aquisição da linguagem dessas crianças são mais lentos e que elas têm dificuldade de aprender.

Todas as células humanas possuem 46 cromossomos, 23 herdados do pai e 23 da mãe. Na síndrome de Down, na maioria das vezes encontram-se 47 cromossomos, e existem três cromossomos 21, ao invés de dois. Por essa razão, a síndrome também é denominada trissomia 21. O risco desse erro ocorrer é maior em gestantes com mais de 35 anos, mas ele pode acontecer em grávidas de qualquer idade.

Em estudos que analisaram os cromossomos de embriões que foram abortados espontaneamente, a anomalia foi identificada em nada menos que 30% dos casos. Isso também significa que, ao conseguir nascer, o bebê com três cromossomos 21 venceu a primeira das muitas batalhas de sua vida

Exames e diagnósticos

Os sinais clínicos e físicos da criança já são altamente indicativos da síndrome e facilmente detectáveis ao exame feito pelo pediatra logo após o nascimento. A confirmação, no entanto, depende de um exame de sangue, o cariótipo, que é capaz de identificar a presença desse cromossomo 21 adicional. Algumas vezes levanta-se a suspeita durante a gravidez de que o bebê tenha síndrome de Down. Isso é possível graças a exames como o ultrasom, mas tem que ser confirmado por meio da contagem de cromossomos em células da placenta ou do líquido amniótico.

Tratamento e prevenções

Desde o nascimento, a criança Down necessita de um trabalho abrangente de estimulação para que tenha condições de desenvolver todo o seu potencial e de superar as primeiras dificuldades físicas provocadas pela hipotonia muscular.

Hoje em dia, existem diversas associações que oferecem apoio para o desenvolvimento e a integração social desse cidadão. Contudo, o cuidado médico com o portador da síndrome na infância e na adolescência igualmente deve ser intenso, pois a criança pode apresentar diversas complicações de saúde decorrentes da trissomia 21, como as já mencionadas doenças do coração e também disfunções da tiróide, problemas auditivos e oculares, anormalidades intestinais, distúrbios ortopédicos e alterações sangüíneas, entre outras.

Não há o que fazer para evitar que ocorra o acidente genético que causa a síndrome. Apesar de a idade avançada da mãe ser um fator de risco, muitos casos da trissomia 21 envolvem gestantes com menos de 35 anos. No entanto, existem exames que podem ser feitos durante a gestação para saber se o bebê tem maior chance de ter trissomia do 21, ou ainda confirmar-se essa suspeita.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Síndrome de Prader-Willi

A síndrome de Prader-Willi é uma doença congênita, que afeta o sistema nervoso central, causando um atraso leve ou moderado no desenvolvimento físico e mental, distúrbios de aprendizagem, alteração no comportamento, no desenvolvimento sexual e uma necessidade involuntária e constante de comer. Esse apetite compulsivo, associado ao gasto reduzido de calorias também caracteriza a doença, levando à obesidade.

A maioria das manifestações citadas decorre de interferências no funcionamento do hipotálamo, área do cérebro que regula a fome, a temperatura corporal, o sono e o balanço de líquidos no corpo, além de estar implicada no comportamento sexual e na expressão das emoções.

Descrita pela primeira vez pelos médicos suíços A. Prader, H. Willi e A. Labhart, a síndrome de Prader-Willi é a forma mais comum de obesidade de causa genética, tendo uma incidência estimada em um caso para cada grupo de 15 mil recém-nascidos vivos. Assim como ocorre em outras doenças genéticas que determinam algum grau de atraso neurológico, o bom desenvolvimento do portador da doença depende de terapias e estímulos, que evidentemente são mais eficazes quando precocemente instituídas.

O maior risco implicado com a síndrome está na instalação de obesidade precoce. No entanto, desde que seja realizada a prevenção do excesso de peso e de suas graves conseqüências – como hipertensão arterial, diabetes e dificuldades respiratórias –, a expectativa de vida desse grupo se aproxima ao da restante da população.

Causas e sintomas

O quadro de sintomas tem duas fases distintas. Na primeira, que se inicia ao nascimento, o bebê apresenta baixo peso e estatura, leves anomalias na face, choro fraco, vitalidade reduzida, baixa temperatura corporal e acentuada diminuição da força muscular – a criança é toda molinha –, o que dificulta a sucção e a deglutição. Essa manifestação, chamada de hipotonia, melhora por volta dos 8 aos 11 meses e, com isso, o bebê fica mais alerta, passa a ter mais apetite e começa a ganhar peso.

A obesidade surge, em média, aos 2 anos, com uma constante sensação de fome e um interesse exagerado por comida, e marca o início da segunda fase. Nessa etapa, o atraso neurológico fica evidente, com a demora da criança para engatinhar, andar e falar, com problemas de aprendizagem e com inatividade. Fisicamente, com freqüência observa-se menor pigmentação da pele, cabelos e olhos, tamanho reduzido de mãos, pés e genitais.

Uma manifestação marcante desta doença é a diminuição da sensibilidade à dor, o que pode levar a criança a se machucar e, ao cutucar feridas, perpetuar ferimentos na pele. Outras características referem-se a alterações faciais típicas, como testa estreita, olhos amendoados e estrabismo. Alguns portadores, particularmente entre 3 e 5 anos de idade, podem apresentar depressão, irritabilidade, mudanças repentinas de humor, desobediência ou falta de cooperação, impulsividade, agitação, obsessão por idéias, atividades ou comportamento social inapropriado. Quando adultos, costumam ser muito teimosos e temperamentais.

A síndrome de Prader-Willi resulta de anomalia no cromossomo 15, que ocorre no momento da formação dos gametas. Em 75% dos casos, a cópia paterna desse cromossomo apresenta uma falha – uma deleção, no jargão médico – em um segmento e, assim, não contém os genes que ali deveriam estar inseridos. Nos demais portadores também há ausência da informação genética paterna, mas o motivo é a presença de duas unidades maternas do cromossomo 15 e nenhuma do pai – numa situação normal, vale lembrar, a criança herda duas cópias de cada um dos 23 cromossomos: uma do pai e outra da mãe.

A alteração do material genético determina o mal funcionamento do hipotálamo, um dos responsáveis pelas manifestações da síndrome. Em geral, essas anomalias cromossômicas surgem de forma esporádica, sem história de doença genética familiar, embora existam raros casos de recorrência em uma mesma família.

Exames e diagnósticos

A suspeita da síndrome geralmente costuma ser levantada diante da hipotonia no primeiro ano de vida e pela obesidade e atraso neuromotor, anos após. O  diagnóstico, porém, depende da realização de um teste genético no sangue, que consegue identificar a ausência de informações provenientes de região do cromossomo 15 paterno.

Contudo, cada vez mais os médicos recomendam que essa investigação seja efetuada logo após o nascimento do bebê que apresentar sintomas característicos, como a hipotonia e a dificuldade de sucção. Essa conduta evita a necessidade de expor a criança a métodos diagnósticos mais invasivos e, sobretudo, permite que os pais tenham oportunidade de prevenir a obesidade e , precocemente, tenham acesso ao suporte profissional necessário para o tratamento da síndrome.

Tratamento e prevenções

Não existe meio de recuperar a informação genética perdida. Assim sendo, o tratamento se baseia em estratégias terapêuticas e educacionais para garantir à criança o melhor desenvolvimento físico e mental possível. As medidas incluem intervenções de pediatra e endocrinologista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, pedagogo e psicólogo, além do indispensável e importantíssimo apoio familiar, sobretudo no que tange aos estímulos e à manutenção de hábitos saudáveis, como a alimentação equilibrada e a prática de atividade física.

Com todo esse acompanhamento, o portador da síndrome pode chegar a um desenvolvimento e aprendizagem bastante razoável. O suporte psicológico é particularmente importante na adolescência, quando o cuidado com a alimentação pode ser mais difícil. Além disso, tem se indicado o uso de hormônio de crescimento, com o intuito de promover um aumento da estatura final.

Não há como evitar o desarranjo cromossômico que envolve a síndrome de Prader-Willi, uma vez que essa falha surge de maneira aleatória e esporádica na maioria dos casos. Sabe-se que a idade materna avançada aumenta a chance de ocorrer a forma da doença que é causada pela presença de dois cromossomos 15 maternos e nenhum paterno.

O aconselhamento com geneticista constitui uma boa saída para conhecer efetivamente qual a  probabilidade de repetição da doença, tirar dúvidas e, assim, fazer um planejamento familiar mais consciente.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Síndrome de Williams

A síndrome de Williams ou de Williams-Beuren, foi descrita pelo neozelandês J. C. P. Williams, em 1961, e pelo alemão A.J. Beuren, em 1962. Trata-se de uma doença genética decorrente da deleção de determinada região do cromossomo 7, o que acarreta a perda  de diversos genes que estão ali situados.

Entre as principais manifestações desta doença estão a ocorrência de problemas cardíacos (estenose das artérias pulmonares e aórtica), alterações faciais tais como lábios espessos e nariz pequeno, hipercalcemia, e alterações comportamentais, associando dificuldade de aprendizado com hipersociabilidade.

O desenvolvimento da linguagem se dá de forma adequada e mantém-se boa capacidade de comunicação. Estima-se que a síndrome de Willams ocorra em um em cada 20 mil recém-nascidos vivos e, embora se trate de uma doença genética, a quase totalidade dos casos ocorre de forma esporádica, em decorrência de defeito que se estabelece na hora da formação do gameta, seja materno, seja paterno. Desta forma, o risco de repetição da síndrome de Williams é muito baixo.

Causas e sintomas

O portador da síndrome de Williams nasce geralmente com baixo peso, tem dificuldade para se alimentar, costuma chorar muito e mostrar-se irritado. Desde o nascimento, o bebê já pode apresentar problemas cardíacos, mas os neurológicos muitas vezes são percebidos somente quando a criança é maior. O aspecto facial característico fica mais perceptível com o passar do tempo, sobretudo na presença de nariz pequeno e empinado, lábios cheios, dentes pequenos e sorriso freqüente.

Estas características geralmente são acompanhadas por atraso neuromotor e de crescimento, dificuldade de locomoção e equilíbrio, dificuldade de aprendizagem e déficit de atenção. São comuns também, nos primeiros anos de vida, os transtornos odontológicos, como a ausência de alguns dentes e o mau fechamento das arcadas dentárias, e as otites de repetição.

Do ponto de vista comportamental, há um perfil bastante peculiar, marcado por grande sociabilidade e entusiasmo, memória admirável para pessoas, nomes e lugares, medo de altura e hipersensibilidade a sons fortes tais como de liquidificador, motos ou britadeiras. Além disso, exibem preocupação excessiva com determinados assuntos ou objetos, preferência pela companhia de adultos, facilidade para novos idiomas, não obstante o atraso cognitivo, e um gosto exacerbado por música.

A síndrome de Williams decorre de uma perda de um pequeno pedaço de um dos dois cromossomos 7. Como nós temos duas cópias desse cromossomo, uma herdada do pai e outra da mãe, a deleção leva à redução da quantidade de informação produzida pelos genes ali localizados. Essas informações nada mais são do que receitas para se produzir proteínas. Menos receitas significa menos proteínas. Algumas vezes, o organismo tolera bem a produção de menor quantidade de certas proteínas. Em outras, porém, é necessário se ter uma dosagem certa dessas substâncias, para que haja a formação e o desenvolvimento adequado do organismo.

Entre as proteínas que são produzidas em quantidade insuficiente na síndrome de Williams, está a elastina, que confere elasticidade a vasos sangüíneos, pulmões, intestinos e pele. A sua produção deficiente leva a estreitamento de artérias do pulmão e também da aorta, o que dificulta a passagem do sangue e leva ao aparecimento de sopros no coração.

A falta de outras proteínas vai levar a ocorrência sintomas como o cálcio alto no sangue e falta  de crescimento. Finalmente, as informações produzidas por outros genes, tais como  LIMK1 e RFC2, são importantes para o desenvolvimento e a formação adequada do cérebro e os problemas neurológicos estariam relacionados em sua menor expressão.

Exames e diagnósticos

O conjunto de características e sintomas pode levantar a suspeita da síndrome de Williams. Porém, para o diagnóstico definitivo torna-se necessária a realização de um teste que procura detectar essa perda no cromossomo 7. Uma simples contagem dos cromossomos, como é feita no cariótipo, não consegue detectar essa perda, uma vez que ela não pode ser vista no microscópio. Desta forma, foram desenvolvidos outros exames mais detalhados, entre os quais a hibridização fluorescente in situ (FISH), que conseguem demonstrar a perda de material genético nessa região.

Uma vez confirmado o diagnóstico, convém acrescentar que há necessidade de uma investigação cuidadosa para detectar a existência - ou não - de problemas cardíacos ou renais na criança.

Tratamento e prevenções

De forma semelhante a outras doenças genéticas, ainda não há nenhum método capaz de corrigir a perda de material genético e com isso restabelecer o perfeito funcionamento do organismo. Por isso, o tratamento busca atenuar os sintomas, tratar as condições associadas e, sobretudo, prevenir complicações. Para tanto, essa criança deve receber um acompanhamento médico regular nos primeiros anos de vida, com ênfase á monitoração da pressão arterial e da função cardíaca, por causa do estreitamento das artéria.

Uma atenção especial também deve ser dada á função renal e ao trânsito intestinal, em decorrência do excesso de cálcio na circulação encontrada em portadores dessa síndrome. Além desses cuidados, ainda incluem-se as necessidades de avaliações oftalmológicas, odontológicas, ortopédicas e auditivas periódicas. Da mesma forma, um rigoroso seguimento da curva de crescimento e do ganho de peso da criança – afinal, 29% dessa população apresentaobesidade na vida adulta.

O tratamento igualmente passa por programas especiais de educação, uma vez que tais iniciativas favorecem o desenvolvimento da aprendizagem e a integração do portador da doença na sociedade.

Não há como evitar os desarranjos cromossômicos que envolvem a síndrome de Williams, uma vez que eles surgem esporadicamente na maioria dos casos e não podem ser previstos por nenhum tipo de exame diagnóstico. Recomenda-se, no entanto, um aconselhamento com geneticista para tirar dúvidas e fazer um planejamento familiar mais consciente.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Síndrome do intestino irritável

A síndrome do intestino irritável, antigamente denominada colite nervosa, é um distúrbio crônico que afeta predominantemente o funcionamento do intestino grosso, a porção responsável por absorver água e sais minerais provenientes da digestão dos alimentos e por fazer movimentos coordenados, mais precisamente contrações e relaxamentos sucessivos, com o objetivo de eliminar o resíduo restante do processo digestivo pela evacuação.

Esses movimentos, porém, não ocorrem de forma coordenada na síndrome, desencadeando, assim, um quadro de sintomas caracterizado sobretudo por desconforto abdominal e necessidade freqüente de evacuar.

No entanto, diferentemente de outros transtornos intestinais, a síndrome não possui nenhum componente inflamatório nem infeccioso. Trata-se, portanto, de uma doença benigna, que não se espalha para outros órgãos e nem costuma se agravar, mas que prejudica as atividades diárias de seu portador, interferindo no humor, na concentração e até mesmo nas relações sociais dos indivíduos.

No mundo, estima-se que cerca de 10 a 15% da população adulta tenha a síndrome do intestino irritável. No Brasil, como em outras partes do mundo, a doença é o principal diagnóstico no consultório dos gastroenterologistas. Entre as pessoas que procuram atendimento médico com essas queixas, as mulheres jovens são maioria.

Causas e sintomas

Os sinais clínicos incluem dor e/ou desconforto abdominal, que geralmente começam após a alimentação e melhoram com a excreção das fezes, excesso de gases, distensão do abdome e mudança nos hábitos intestinais – as pessoas evacuam muitas vezes, sobretudo de manhã, apresentam crises de prisão de ventre alternadas com períodos de diarréia, sempre com alterações no formato das fezes, e têm uma sensação constante de evacuação incompleta. Esses sintomas são bastante freqüentes na maioria dos portadores da síndrome.

Pode haver ainda outros sintomas menos específicos como náuseas, má digestão, dor de cabeça e sensação de empachamento.

Vários fatores interferem na movimentação e na sensibilidade do intestino. Entre eles, figuram hábitos alimentares inadequados, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, uso cotidiano de determinados medicamentos e, sobretudo, alterações emocionais, aí incluindo o estresse, a ansiedade, as variações de humor e a depressão.

Ocorre que o intestino funciona como ‘um segundo cérebro’, como gostam de dizer os especialistas, pois possui uma inervação própria e hormônios reguladores de seus movimentos que se assemelham aos encontrados no sistema nervoso central. É como se as estruturas intestinais respondessem diretamente ao estado emocional.

Assim sendo, existe uma relação evidente entre as emoções experimentadas pelo indivíduo e os movimentos intestinais. Além de todos esses fatores, os processos inflamatórios e infecciosos  parecem contribuir para deflagrar uma exacerbação dos sintomas.

Exames e diagnósticos

Apesar de sua elevada freqüência, a síndrome do intestino irritável apresenta um quadro de sintomas muito parecido com o de outras moléstias intestinais importantes, como a doença de Crohn e o câncer de intestino.

Dessa maneira, a primeira providência do médico, diante de tais queixas, é descartar as possibilidades diagnósticas mais graves por meio do levantamento da história de saúde do indivíduo, da realização de testes laboratoriais de sangue e de fezes. Em situações muito específicas, pode ser necessária a colonoscopia, um exame que permite a visualização da superfície do intestino grosso por meio de uma fibra óptica, introduzida por via retal.

O diagnóstico, portanto, é feito por exclusão de outras enfermidades, razão pela qual requer uma certa paciência do doente e, evidentemente, um bom esclarecimento médico.

Infelizmente, muitas vezes a conclusão demora a vir à tona. Estima-se que grande parte dos portadores da síndrome recebam o diagnóstico dessa doença cerca de três anos depois da primeira manifestação.

Tratamento e prevenções

O tratamento costuma ser feito com medicamentos e com mudanças na dieta para controlar os movimentos do intestino e recuperar sua coordenação motora normal.

As medicações usadas podem incluir as que interferem com os hormônios que ajudam a regular a movimentação local, os antiespasmódicos, que atenuam a dor e o desconforto abdominal, e os fármacos para reduzir o impacto das alterações emocionais sobre o funcionamento do intestino, como antidepressivos e ansiolíticos.

Na alimentação, recomenda-se restringir o consumo de alimentos ricos em gorduras (bacon, frituras, maionese etc.), em frutose (frutas, mel, sorvete, geléia, gelatina, biscoitos doces, goma de mascar etc.) e em sorbitol (algas marinhas, bebidas fermentadas, chicletes e algumas frutas).

O leite também pode representar um problema para muitos portadores da síndrome, por colaborar com a formação de gases e com o aumento da movimentação intestinal. Mas, dada sua importância como fonte de cálcio, recomenda-se substituí-lo por uma versão sem lactose e reduzir o consumo de seus derivados, como queijos, requeijão e manteiga.

Como os mecanismos de instalação da síndrome do intestino irritável são um tanto complexos, por envolverem fatores emocionais, é importante valorizar variações constantes de humor e estados de tristeza e ansiedade extrema, procurando um profissional especializado antes que essas condições tenham reflexo sobre o intestino e mesmo sobre outros órgãos e sistemas mais suscetíveis.

A manutenção de uma dieta equilibrada, pobre em gorduras e rica em fibras e vegetais, também contribui para a saúde e o bom funcionamento do intestino, assim como a parcimônia no consumo de bebidas alcoólicas. Por fim, todo o cuidado é pouco com o uso de medicamentos sem prescrição médica.

Convém esclarecer que, por ser uma doença com sintomas inespecíficos, comuns a várias enfermidades, torna-se fundamental buscar esclarecimento rápido diante de sintomas gastrointestinais cotidianos, tanto para descartar problemas mais graves quanto para evitar um maior impacto da síndrome ao dia-a-dia de seu portador.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Síndrome do X frágil

A síndrome do X frágil é uma condição hereditária que determina alterações no desenvolvimento intelectual e no comportamento. Embora seja considerada a segunda causa mais freqüente de retardo mental de origem genética – a primeira é a síndrome de Down –, a doença é pouco conhecida, pois as descobertas a seu respeito têm, apenas, cerca de 30 anos.

Na década de 70 já se sabia que o problema estava associado à fragilidade de um segmento do cromossomo X, o que acabou fazendo com que ela fosse denominada síndrome do X frágil. Mas só nos anos 90 se descobriu que a causa dessa fragilidade era uma mutação no gene FMR1, sigla de fragile X mental retardation gene 1, que, uma vez alterado, deixa de passar as instruções para a produção de uma proteína essencial para o sistema nervoso. A falta dessa proteína leva a uma significativa alteração na capacidade intelectual e no comportamento. Esses sintomas, no entanto, são bastante freqüentes em muitas outras condições, razão pela qual o diagnóstico da síndrome do X frágil nem sempre ocorre rapidamente.

Estudos atuais apontam que a doença afeta um em cada 4 mil meninos e uma em cada 6 mil meninas. A menor freqüência no sexo feminino se deve ao fato de a mulher possuir dois cromossomos X, que acabam por protegê-la da síndrome completa.

Só para lembrar, cada pessoa possui 23 pares de cromossomos, um dos quais é determinante do sexo: a mulher tem dois XX e o homem, um X e um Y.

Causas e sintomas

A principal manifestação da síndrome do X frágil é o comprometimento intelectual, que varia desde dificuldades de aprendizagem e problemas de atenção até diferentes graus de retardo mental. A doença não se manifesta com traços físicos tão marcantes, como ocorre em outras síndromes genéticas, a exemplo da própria Down. No entanto, existem algumas características mais típicas, como face alongada, orelhas grandes, músculos flácidos, mandíbula projetada para frente, alterações oculares (estrabismo e miopia) e, no sexo masculino, aumento do volume dos testículos após a puberdade.

Entre 15 e 20% das crianças com X frágil apresentam convulsões. As otites também podem ser recorrentes na infância. As meninas tendem a sofrer mais alterações emocionais, como ansiedade, depressão e isolamento social, entre outros sintomas afins. Com exceção da flacidez muscular, que pode estar presente ao nascimento, todos esses sinais só aparecem com o passar do tempo.

A síndrome do X frágil resulta de uma mutação em determinada região do gene FMR1, que se localiza no cromossomo X. Essa alteração é bastante peculiar e se caracteriza por aumento do número de repetições CGG, sigla de citosina-guanina-guanina, que são componentes do DNA. Tal aumento causa o silenciamento do gene e a conseqüente falta da proteína que ele codifica.

Numa situação normal, encontram-se de 6 a 50 cópias da trinca CGG nessa parte do gene FMR1. Na síndrome, há mais de 200 repetições da mesma seqüência. Existe, contudo, uma faixa intermediária, chamada de pré-mutação, que compreende os indivíduos que possuem de 50 a 200 cópias CGG. Nessa faixa, as pessoas geralmente não manifestam problemas cognitivos ou comportamentais, porém podem transmitir a seus descendentes um número de repetições superior a 200, ocasionando a expressão completa da doença, com sintomas mais marcantes no sexo masculino e atenuados no feminino.

É interessante saber que a instabilidade dessas cópias CGG é maior durante a formação dos óvulos do que na dos espermatozóides, o que faz com que, na mulher, a pré-mutação se transforme em mutação completa na geração seguinte com mais freqüência que no homem.

O padrão de transmissão, no entanto, depende do sexo do indivíduo. O homem passa a pré-mutação para todas as suas filhas, mas para nenhum de seus filhos – afinal, a alteração em questão está apenas na unidade do cromossomo X. Já os filhos da mulher portadora, independentemente de gênero, têm 50% de chance de herdar o gene alterado, pois sempre vão receber um cromossomo X da mãe.  Recentemente, demonstrou-se que, entre os portadores da pré-mutação de FMR1, as mulheres estão mais sujeitas a entrar em menopausa precocemente e os homens têm risco de desenvolver, em idade mais avançada, perda de coordenação motora e tremores.

Exames e diagnósticos

Como os sintomas se assemelham aos de outros distúrbios que envolvem o desenvolvimento intelectual, o diagnóstico da síndrome do X frágil requer um teste molecular – de análise de DNA – para confirmar a suspeita.

Feito em uma amostra de sangue, esse exame pode detectar tanto a mutação quanto a pré-mutação no gene FMR1, ao determinar o número de cópias da seqüência CGG nessa parte do DNA – vale lembrar que o gene é o segmento do DNA que funciona, ou seja, que dá as instruções para a codificação de proteínas.

A contagem dos cromossomos, também chamada de cariótipo, com pesquisa do sítio frágil no X, não é atualmente recomendada para esse diagnóstico.

Tratamento e prevenções

Por enquanto, não existe nenhuma terapêutica que possa suprir a falta da proteína deficiente na síndrome do X frágil. Dessa forma, o tratamento se baseia em um trabalho multidisciplinar, com intervenções de pediatra, neurologista, psiquiatra, fonoaudiólogo, psicoterapeuta, pedagogo e terapeuta ocupacional, entre outros.

Existem ainda medicamentos que podem ajudar a melhorar o comportamento e os problemas de atenção. À família, cabe o papel fundamental da estimulação e da inclusão da criança portadora de X frágil, para o que é possível contar com o apoio de entidades criadas por outros núcleos familiares com a intenção de dividir suas experiências.

Convém reforçar que essas medidas surtem maior efeito quanto mais cedo forem instituídas, de modo que a criança possa desenvolver todo o seu potencial e crescer num ambiente inclusivo. Daí a importância do diagnóstico correto, ainda no começo da vida.

Não há meios de impedir a falha no cromossomo X e a conseqüente mutação do gene FMR1. Contudo, por se tratar de uma doença com um padrão peculiar de herança, é possível identificar de forma relativamente simples os portadores da pré-mutação, que podem vir a ter descendentes com a doença.

Assim, sobretudo para os casais com história familiar de distúrbios que envolvem atraso no desenvolvimento mental, pode ser interessante investigar essa condição e, caso seja necessário, realizar um aconselhamento genético.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Síndrome nefrítica

A síndrome nefrítica é definida como um grupo de distúrbios que afetam os glomérulos renais, ou seja, as estruturas responsáveis pela filtração do sangue. Na maior parte dos casos, resulta dos diferentes tipos de glomerulonefrites, podendo se apresentar de forma aguda, crônica ou rapidamente progressiva. A doença aguda começa de repente e está mais associada ao desenvolvimento de hipertensão arterial, de inflamação no tecido intersticial dos rins – entre os glomérulos e os túbulos que processam a urina – e de interrupção temporária da função renal. Já a crônica cursa gradual e silenciosamente, evoluindo em longo prazo para a perda irreversível da capacidade de trabalho dos rins, embora esse curso inevitável possa ser retardado com diversas estratégias. A forma rapidamente progressiva, como sugere o nome, é a mais grave das apresentações da síndrome nefrítica, caracterizando-se pela destruição da maioria dos glomérulos. Esse efeito leva o portador da condição à insuficiência renal crônica em semanas ou dias e à conseqüente doença terminal renal, quando os rins funcionam com menos de 10% de sua capacidade e não prescindem da ajuda de medidas artificiais de filtração sangüínea, a exemplo da hemodiálise. Das três formas da síndrome, porém, a aguda é a mais freqüente em pessoas de todas as idades e também a mais simples de resolver.

Causas e sintomas

Mesmo quando são portadoras da forma aguda da síndrome nefrítica, aproximadamente 50% das pessoas não têm sintomas. Quando existem, as manifestações incluem a retenção de líquidos, caracterizada por inchaço na face e nos membros inferiores, o volume urinário reduzido e o escurecimento da urina. O quadro freqüentemente é acompanhado de elevação da pressão arterial e dor de cabeça. A seu turno, a síndrome nefrítica rapidamente progressiva já começa com fraqueza, fadiga, febre, náusea, vômitos, falta de apetite e dores abdominais e articulares. Esses sintomas antecedem a insuficiência renal que rapidamente se instala, em geral com as mesmas manifestações renais da síndrome aguda, mas potencializadas – a presença de sangue na urina, por exemplo, pode ser visível – e muitas vezes combinadas com sintomas pulmonares, como tosse com expectoração escura e dificuldade respiratória. A doença crônica, por fim, quase sempre não apresenta sinais clínicos que façam uma pessoa procurar auxílio médico, sendo descoberta, na maioria das vezes, em exames de rotina.

A síndrome aguda se manifesta como uma evolução de glomerulonefrites causadas por infecções por bactérias em várias partes do corpo, particularmente na garganta, no coração e nos órgãos abdominais, e também como resultado do comprometimento renal decorrente de doenças infecciosas como varicela (catapora), hepatites, sífilis e malária, entre outras. As reações do organismo a corpos estranhos, como próteses, igualmente podem provocar a doença aguda. Em todos esses casos, porém, a origem da inflamação renal que leva o indivíduo à síndrome nefrítica está no depósito indevido de determinadas moléculas nos glomérulos, o qual interfere no trabalho da filtração do sangue. Chamadas de imunocomplexos, essas moléculas são formadas por antígenos – qualquer substância capaz de acionar nosso sistema de defesa, como as liberadas por agentes infecciosos – unidos aos anticorpos que os neutralizaram. As causas da forma crônica, por sua vez, são desconhecidas, mas ela parece estar relacionada com alguma doença glomerular silenciosa em pelo menos 50% de seus portadores. Muitas vezes, porém, nem sequer é possível determinar quando as lesões no filtro renal começaram. A síndrome rapidamente progressiva também não tem explicação em metade dos casos. Nos demais, ou está ligada ao já mencionado depósito de imunocomplexos ou, então, a um descontrole do sistema imunológico, que passa a produzir anticorpos que atacam as células e os tecidos dos glomérulos. Cogita-se que tal reação imunológica esteja associada à presença de outras enfermidades caracterizadas por esse mesmo processo de auto-agressão, denominado auto-imunidade, a exemplo do lúpus eritematoso sistêmico.

Exames e diagnósticos

Quando existem sintomas, a hipótese de doença renal é facilmente levantada pela avaliação clínica e confirmada por exames de sangue e de urina, os quais revelam alterações urinárias compatíveis e comprometimento da função renal, assim como por métodos de imagem, a exemplo do ultrassom. Na suspeita de uma ocorrência secundária a glomerulonefrites pós-infecciosas, os médicos também procuram pesquisar, no sangue do doente, a presença de anticorpos específicos, o que ajuda a explicar o quadro e a descartar outras possibilidades. Mesmo assim, como a síndrome nefrítica pode resultar de vários distúrbios que afetam os glomérulos, seu diagnóstico preciso, em particular das formas crônica e rapidamente progressiva, requer a realização de uma biópsia renal para o estudo das características das lesões, para a investigação de sua origem e para o conhecimento de sua extensão. Feita em ambiente ambulatorial e sob anestesia local, a biópsia consiste na retirada de minúsculos fragmentos dos rins, por meio de uma punção com agulha especial, para a posterior análise de suas alterações, células e tecidos.

Tratamento e prevenções

O tratamento depende da apresentação e da causa da síndrome nefrítica. Em geral, é necessário fazer o controle da pressão arterial e do equilíbrio de sais e líquidos no corpo, o que se consegue respectivamente com medicamentos anti-hipertensivos e diuréticos, além de uma dieta com restrição de sódio e proteínas até recuperar a função renal. Havendo infecção bacteriana vigente, esse processo deve ser combatido com antibióticos adequados e no caso de doenças auto-imunes, utilizam-se corticosteróides e imunossupressores. Em alguns casos, pode ser necessário realizar uma biópsia do rim para identificar a causa ou mesmo fazer o planejamento terapêutico.

Uma vez que a síndrome nefrítica crônica representa uma evolução de outras doenças dos rins, não é possível preveni-la quando as estruturas renais internas já foram comprometidas. O importante é procurar evitar o mal que lesa originalmente os glomérulos, o que igualmente pode ser bastante difícil, pois, na maioria dos casos, as glomerulonefrites têm transtornos imunológicos em sua origem. Contudo, como as respostas imunes anormais são muitas vezes desencadeadas por infecções e por outras doenças, duas medidas parecem vitais para a manutenção da saúde renal: a primeira inclui cuidados com a saúde em geral para evitar infecções de toda sorte, o que passa por alimentação equilibrada, ingestão adequada de líquidos, bom sono, prática de atividade física e manutenção de hábitos saudáveis, entre outras estratégias do gênero; já a segunda recomendação consiste simplesmente no tratamento adequado de doenças infecciosas e infecções bacterianas. Por incrível que pareça, muita gente ainda interrompe terapêuticas com antimicrobianos quando os sintomas desaparecem, o que não só pode provocar uma recaída, como também tornar os micróbios resistentes aos medicamentos adequados para combatê-los. E quanto mais esses agentes permanecem no organismo, maior a chance de provocarem reações imunes anormais.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Síndrome nefrótica

A síndrome nefrótica é um conjunto de sinais e sintomas que se caracteriza pela perda maciça de proteínas pela urina, tais como a albumina, a transferrina, as gamaglobulinas e as microglobulinas, e pelo surgimento de complicações que afetam vários órgãos e sistemas. Com a excreção protéica exagerada, denominada proteinúria, a produção de proteínas pelo fígado torna-se insuficiente para o perfeito funcionamento do organismo, causando desnutrição. Essa queda no nível de proteína no sangue, em especial da albumina, associada a uma maior retenção de sódio pelos túbulos coletores renais por mecanismos ainda não completamente esclarecidos, provocam o edema (inchaço) característico da síndrome nefrótica, além do aumento da pressão arterial. Há também um aumento nos níveis de colesterol na circulação, que está associado a doenças cardíacas, e ocorre perda de inibidores da coagulação, o que favorece a ocorrência de tromboses venosas. É importante ponderar que todo esse conjunto de conseqüências ocorre gradualmente e pode ser interrompido com o tratamento da causa da proteinúria.

Causas e sintomas

As manifestações da síndrome nefrótica incluem inchaço generalizado, particularmente na face, nos membros inferiores e no abdome, além de ganho de peso – apesar do apetite diminuído –, fraqueza e cansaço, elevação da pressão arterial, volume urinário diminuído e presença de espuma na urina, um sinal bem característico da perda de proteínas.

A excreção exagerada de proteínas pela urina tem, como causa, quaisquer lesões nos glomérulos dos rins, que são responsáveis pela filtração do sangue e, uma vez comprometidos, deixam escapar o que devia ser mantido no organismo. Essas alterações decorrem de diversos tipos de glomerulonefrites, mas também são provocadas por doenças infecciosas, desde a toxoplasmose até a aids, e por doenças crônicas que acometem todo o organismo, a exemplo do diabetes e do lúpus eritematoso sistêmico, assim como por obstrução dos vasos sangüíneos dos rins, por alguns tipos de câncer, por problemas anatômicos congênitos e por exposição prolongada a substâncias tóxicas e a drogas de abuso.

Exames e diagnósticos

A confirmação da proteinúria, que muitas vezes já fica evidente na avaliação clínica, por causa do inchaço característico, depende de um simples exame de urina, uma vez que análise desse material quantifica o volume de proteínas urinárias. Contudo, o médico precisa investigar a causa do mau funcionamento dos glomérulos, o que pode incluir a execução de diversos tipos de testes laboratoriais de sangue para pesquisar doenças infecciosas e sistêmicas e, principalmente, a realização de uma biópsia renal para conhecer a fundo o tipo e a extensão da lesão nos glomérulos. Esse procedimento, que hoje pode ser efetuado em ambiente ambulatorial, consiste na retirada de minúsculos fragmentos dos rins por meio de uma punção especial com agulha, feita sob anestesia local, para posterior análise de suas alterações, células e tecidos.

Tratamento e prevenções

O tratamento tem o objetivo de reduzir ou suprimir a perda descontrolada das proteínas urinárias, de forma que a taxa de albumina no sangue retome seus níveis normais e os sintomas sejam atenuados. Para tanto, é necessário intervir na causa da má filtração do sangue, além de medicamentos que deprimem o sistema imunológico, já que uma parte importante das glomerulonefrites se origina de respostas imunes anormais. Em geral, as medicações hipertensivas, para controlar a pressão arterial, e diuréticas, para equilibrar o volume de líquidos e de sais no organismo, são sempre necessárias, assim como a adoção de dietas com consumo restrito de sódio e de proteínas. Além de procurarem restabelecer a boa filtração, todas essas estratégias terapêuticas visam a evitar maiores danos aos rins. Nos casos em que há obstrução de veias, problemas anatômicos ou tumores, o tratamento tem de ser realizado com intervenções cirúrgicas. Evidentemente, as complicações da proteinúria, como a hipercolesterolemia e a trombose venosa, só para citar algumas, requerem abordagens específicas.

Uma vez que a síndrome nefrótica representa um conjunto de sinais e sintomas causados por outras doenças, é importante tentar prevenir o que desencadeia essa condição. As glomerulonefrites podem ser difíceis de evitar, pois a maioria delas tem, como ponto de partida, respostas inflamatórias anormais que, por vezes, se manifestam de forma imprevisível e sem nenhuma causa associada. No entanto, algumas dessas reações surgem depois de processos infecciosos, estes, sim, evitáveis com a manutenção de bons hábitos de vida, aí incluindo alimentação equilibrada, bom sono, ingestão diária adequada de líquidos e prática de atividade física, entre outros que, comprovadamente, também previnem ou retardam a instalação de doenças ligadas ao comprometimento renal, como o diabetes. Já que nem sempre é possível levar uma vida livre da ação nociva de vírus e bactérias, qualquer infecção deve ser valorizada e adequadamente tratada pelo tempo recomendado pelo médico. Vale lembrar ainda que muitas das moléstias infecciosas associadas à síndrome nefrótica possuem meios efetivos de prevenção, como a aids e as hepatites A e B.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Sinusite

A sinusite é a inflamação da membrana mucosa que reveste a cavidade nasal e os seios paranasais – ou seios da face –, que não têm uma função muito bem definida no organismo, mas parecem servir para reduzir o peso do crânio e para dar ressonância à voz.

Contudo, o termo mais correto para esse processo inflamatório é mesmo rinossinusite, visto que a rinite e a sinusite são freqüentemente uma doença em continuidade. O fato é que, embora a rinite tenha ocorrência isolada, raramente se observa uma sinusite sem uma rinite anterior.

A rinossinusite pode ser aguda, quando dura cerca de quatro semanas, ou crônica, quando as alterações inflamatórias se prolongam por mais de 12 semanas. Qualquer que seja o tempo de duração, há sempre um componente infeccioso envolvido – na maioria das vezes, uma bactéria. A doença ocorre com muita freqüência na população geral, afetando uma em cada oito pessoas ao longo de suas vidas.

Como qualquer outra moléstia respiratória, a rinossinusite não é de difícil tratamento, mas, pela sua proximidade com áreas nobres, como os olhos e o cérebro, uma inflamação não curada ou tratada de modo inadequado pode causar complicações intra-oculares, como infecção do globo ocular, e intracranianas, a exemplo de meningite. Por isso, qualquer resfriado que não melhore em cerca de cinco dias já constitui motivo suficiente para procurar um otorrinolaringologista ou um médico de confiança.

Causas e sintomas

A maioria das pessoas com sinusite aguda ou crônica apresenta dor de cabeça, também relatada como pressão na fronte, acompanhada de congestão nasal e da produção de secreção purulenta, muitas vezes com a presença de tosse, mau hálito, dor de dente, diminuição do olfato e sensação de pressão nos ouvidos. Vale insistir que o quadro típico de uma rinossinusite aguda equivale ao de uma gripe ou de um resfriado cujos sintomas persistem por mais de cinco dias ou pioram depois de dez dias.

A inflamação da mucosa dos seios paranasais costuma ser uma evolução de infecções virais das vias aéreas superiores, como resfriados e gripes, e de rinites alérgicas e não-alérgicas. Alterações anatômicas, como desvio de septo e adenóides aumentadas, igualmente causam a rinossinusite com freqüência. Qualquer que seja a origem da queixa, a inflamação produz inchaço, muda a composição do muco e obstrui a passagem do ar, favorecendo a proliferação local de bactérias, que estão quase sempre envolvidas em tais quadros.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico é basicamente clínico e fechado com base na avaliação otorrinolaringológica, na identificação de, pelo menos, dois sintomas da rinossinusite e na história de infecção respiratória persistente por mais de cinco dias ou agravada depois de dez dias.

O valor da radiografia dos seios da face é controverso e discutível para confirmar a suspeita, segundo a Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia. Em vez disso, um exame de rinoscopia, que visualiza o interior do nariz com uma fibra óptica, como se faz em uma endoscopia, tem maior utilidade para tirar dúvidas em quaisquer queixas nasais. Já a tomografia computadorizada dos seios paranasais se mostra particularmente útil em casos crônicos ou recorrentes.

Tratamento e prevenções

O tratamento da rinossinusite aguda ou crônica é feito com antibióticos, que devem ser usados exatamente pelo tempo prescrito pelo médico e não podem ser interrompidos com a melhora dos sintomas.

Como coadjuvante dessa terapêutica, recomenda-se a instilação de solução salina ou soro caseiro no nariz e a ingestão aumentada de líquidos para contribuir com a eliminação da secreção. Dependendo do grau do inchaço da cavidade nasal, o médico também pode recomendar antiinflamatórios da categoria dos corticóides e gotas vasoconstritoras por um período limitado de sete dias. Se o tratamento não tiver sucesso, especialmente nos casos crônicos e recorrentes, o próximo passo é considerar uma cirurgia para restaurar a aeração e a drenagem dos seios paranasais.

É importante ponderar que a piora dos sintomas e/ou o surgimento de febre, fraqueza e mal-estar após 72 horas do início da antibioticoterapia devem ser encarados como uma emergência médica, pois podem ser indícios de que a infecção atingiu o globo ocular e/ou as membranas que revestem o encéfalo – as meninges.

Para prevenir as rinossinusites, há necessidade de combater suas principais causas. Assim, é importante procurar tratamento para rinites alérgicas e não-alérgicas e evitar infecções virais das vias aéreas superiores com cuidados básicos de higiene, como lavar bem as mãos antes de se alimentar e ao chegar em casa, e com a vacina antigripe, que deve ser aplicada anualmente.

Se, contudo, não der para impedir gripes e resfriados, é possível conter o acúmulo de secreção com a instilação repetida de soro caseiro ou solução salina nas narinas, ou seja, várias vezes ao dia. Convém igualmente não permanecer muito tempo sob ar condicionado, que resseca a mucosa nasal, dificulta a eliminação de muco e favorece a proliferação de microrganismos. Já quem possui alterações anatômicas no nariz precisa ser submetido a uma correção cirúrgica para impedir a ocorrência de novos episódios de rinossinusite.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Sopro cardíaco

O sopro cardíaco é um ruído que pode ser ouvido entre um batimento e outro do coração. Não se trata de uma doença, mas de um achado ao se examinar o coração com o estetoscópio, que pode ter ou não significado clínico, ou seja, indicar ou não doença do coração.

Pode ocorrer em crianças, adultos e idosos. Cerca de 40% a 50% das crianças saudáveis apresentam o sopro denominado inocente ou fisiológico, decorrente de fenômenos naturais. É um tipo de sopro com características próprias, que após investigação clínica não se encontra doença.

Entretanto, o sopro também pode ser representação de doenças cardíacas congênitas ou adquiridas. Por haver essa possibilidade, é preciso esclarecer sua origem. Como muitas vezes o sopro é detectado em consultas de rotina em crianças, a notícia costuma causar uma grande preocupação para os pais.

Contudo, na maioria das vezes, o sopro é do tipo inocente, ou seja, sem causa ou doença detectável e, mesmo quando há doenças responsáveis pelo seu aparecimento, as perspectivas atuais de sucesso no tratamento, quando necessário, são muito boas. 

Causas e sintomas

Como o sopro é apenas um sinal ao exame do coração, ele não produz sintomas. Os sintomas vão depender do tipo e da gravidade da doença que causa o mesmo, se existir.

Muitas doenças do coração, principalmente em crianças, não causam sintomas e só são suspeitadas quando o médico detecta o sopro durante a ausculta cardíaca. Quando há sintomas, os principais podem ser cansaço, taquicardia, desmaios repentinos e coloração azulada nos dedos e nos lábios (cianose), particularmente em crianças, em virtude da baixa oxigenação do sangue – manifestação que, aliás, requer atendimento médico imediato.

Não há uma explicação muito precisa para os sopros inocentes. O ruído pode derivar simplesmente de modificações temporárias no sistema circulatório do recém-nascido, da criança e do adolescente, ou mesmo em adultos, ou, então, de vibrações das estruturas elásticas do coração.

Outra explicação seria a maior turbulência do fluxo sangüíneo, decorrente de febre ou de um quadro de anemia, que são condições comuns em crianças.

Entre os problemas congênitos que causam sopros estão as alterações nas valvas cardíacas e as comunicações entre as cavidades esquerda e direita e entre artérias. Uma causa bastante freqüente de sopros é decorrente de alterações nas valvas cardíacas causadas por febre reumática na infância, uma complicação cardíaca secundária a infecções de garganta por uma bactéria chamada estreptococo.

Doenças degenerativas das valvas do coração, mais freqüentes em idosos, também podem causar sopro, como no caso da estenose da valva aórtica.

Exames e diagnósticos

O sopro é diagnosticado pela ausculta do coração pelo médico que atende a criança ou o adulto. Embora a história clínica e as características do sopro auxiliem na caracterização do mesmo, se inocente ou causado por alguma doença, muitas vezes, para esclarecer a causa são necessários exames complementares.

Os mais empregados nessa investigação são a radiografia de tórax, o eletrocardiograma e, principalmente, o ecocardiograma, que é um ultra-som que mostra imagens do coração e o seu funcionamento e permite o diagnóstico da maioria das causas de sopros em adultos e crianças.

Tratamento e prevenções

Os sopros propriamente não requerem tratamento. Quando existe uma doença que cause o sopro, há necessidade de acompanhamento e, algumas vezes, pode ser necessário tratamento clínico ou por meio de cirurgia ou outro procedimento invasivo.

Quando não há doença e o sopro é considerado fisiológico ou inocente não há necessidade de tratamento e as crianças que apresentam esse sinal podem levar uma vida normal, sem restrições e sem necessidade de acompanhamento cardiológico.

Apesar de haver fatores que independem de prevenção, o risco de ter um bebê com doença cardíaca que cause sopro anormal pode ser reduzido por um bom acompanhamento pré-natal, que inclua medidas de prevenção contra doenças infecciosas, particularmente a sífilis e a rubéola, e por cuidados com o uso de medicamentos e de outras substâncias que interfiram na formação do coração do feto, que ocorre até a oitava semana de gestação.

Já durante a infância, é importante tratar adequadamente a criança que contrai infecções por estreptococos, sempre pelo tempo recomendado pelo médico, para evitar uma possível evolução do quadro para febre reumática, que, em alguns casos, pode ocasionar lesões nas valvas do coração.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Tabagismo

O tabagismo é um dos maiores problemas de saúde do mundo, sendo responsável por 30% de todos os cânceres e por mais de 90% dos tumores de pulmão. Está ainda associado à bronquite crônica, ao enfisema pulmonar e a inúmeros outros problemas de saúde. É um problema que ainda está fora de controle. Só no Brasil, existem mais de 35 milhões de consumidores de cigarro.

Há inúmeros motivos para as pessoas começarem a fumar ,e, uma vez no vício, é um desafio abandoná-lo, mesmo quando assim o desejam e sabem do seu malefício. Isso se chama dependência. Porém, o tabagismo é uma condição que pode ser combatida com determinação, ajuda profissional e, às vezes, uso de medicamentos. Com esses recursos é possível vencer esse desafio.

Causas e sintomas

O tabagismo provoca dependência física, principalmente pela ação da nicotina no cérebro. O número de doenças relacionadas ao tabagismo faz com que este vício seja um dos maiores problemas de saúde em todo o mundo. No Brasil existem mais de 35 milhões de consumidores de cigarro e cerca de 500 mil internações e 80 mil mortes ao ano  relacionadas ao tabagismo.

Esses dados relacionam-se às conseqüências tóxicas dos componentes do cigarro no organismo que estão envolvidas nas causas de diversos tipos de câncer, não só de pulmão, mas de muitos outros tipos de neoplasias O cigarro ainda é a causa de mais de 80% dos casos de bronquite crônica e enfisema pulmonar e de cerca de 20% dos casos de angina e infarto agudo do miocárdio e de derrame cerebral. Todos esses problemas ocorrem porque, ao ser queimado, o tabaco produz mais de 4.500 substâncias, a maior parte delas com potencial de causar malefícios à saúde. Algumas causam danos ao pulmão. Outras, como a nicotina, atuam no cérebro e levam à dependência física.

O fumante também não está apenas se prejudicando, mas também causando danos à saúde das pessoas que vivem ao seu redor. O indivíduo não-fumante que fica exposto à fumaça do cigarro é chamado de “fumante passivo”. Essas pessoas, ao inalarem a fumaça com os produtos da queima do tabaco, entram em contato com concentrações mais baixas dessas substâncias do que o fumante, mas mesmo assim têm risco aumentado de desenvolver doenças relacionadas ao consumo do cigarro. As crianças, em particular, apresentam reações bastante conhecidas quando expostas à fumaça do cigarro, como aumento no número de infecções respiratórias e a intensidade das crises de asma e rinite. Os recém-nascidos, filhos de gestantes fumantes, têm peso mais baixo do que os de mães não-fumantes.

Exames e diagnósticos

O tabagismo pode ser considerado doença, uma vez que o cigarro causa dependência e compromete a saúde do indivíduo em diversos aspectos. Portanto, deve ser prevenido e tratado como tal.

Ao contrário do que muitos podem pensar, não são tabagistas apenas aqueles que fumam várias vezes ao dia. Qualquer número de cigarros e, ainda, todas as formas de tabagismo, como o de palha, com piteira, charuto, de corda, etc são danosos e devem ser definitivamente desestimulados.

Para avaliar os danos provocados pelo tabagismo ao organismo, o fumante deve procurar um médico clínico experiente e que, primeiramente, estabeleça uma estratégia com o cliente para a interrupção do vício. Nesse percurso o profissional norteará os exames para as avaliações de rotina e aqueles especiais para cada caso. Pois os danos aos diversos órgãos depende do quão prolongada foi essa exposição.

Tratamento e prevenções

Independentemente do tempo de exposição ao tabaco e da idade do indivíduo, sempre existem ganhos importantes com a interrupção do tabagismo.Já a partir de duas semanas de interrupção, detecta-se melhor desempenho cardiovascular e os efeitos benéficos ao longo do tempo aumentam progressivamente.

Nos últimos anos, vários esquemas de tratamento do tabagismo surgiram, o que aumentou a chance de sucesso na interrupção do fumo. O acompanhamento médico de qualidade, orientando, quando necessário, as novas medicações, e as abordagens psicoterapêuticas permitem  a interrupção do tabagismo com menor sofrimento e fazem com que a síndrome de abstinência seja mais suave.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Talassemia

A talassemia, ou anemia do Mediterrâneo, é uma doença hereditária do sangue que afeta a capacidade da pessoa de produzir hemoglobina, o pigmento existente nos glóbulos vermelhos que responde pelo transporte de oxigênio para todos os tecidos e órgãos do corpo.

Nessa condição, há um defeito geneticamente determinado em uma das quatro cadeias de proteínas, ou globinas, que formam a hemoglobina, duas denominadas alfa e outras duas chamadas de beta. Esse problema reduz ou impede a fabricação da hemoglobina normal.

Além disso, o indivíduo tem os glóbulos vermelhos menores, o que é chamado de microcitose. A talassemia pode ser classificada como alfa ou beta, dependendo da cadeia afetada, e se apresentar de duas formas: minor, quando a pessoa só possui o traço da doença, sem alterações significativas no nível de hemoglobina, ou major, com profundo comprometimento da produção do pigmento, com reflexos severos no baço, no fígado, nos ossos e no coração, o que implica cuidados médicos permanentes.

Algumas pessoas podem ter uma apresentação intermediária, com sintomas mais leves. A talassemia atinge principalmente as populações de origem italiana, grega, asiática e africana. Estima-se que, no mundo, 15 milhões de pessoas sejam talassêmicas.

Causas e sintomas

A talassemia major inicialmente causa os mesmos sintomas da anemia mais comum, determinada por deficiência de ferro, a exemplo de fadiga, irritabilidade, vulnerabilidade a infecções, atraso no crescimento, respiração curta, palidez e falta de apetite, entre outros. Com o tempo, a carência de hemoglobina provoca sinais mais específicos que incluem o aumento do baço, do fígado e do coração, a coloração amarelada dos olhos e da pele – a chamada icterícia – e a presença de deformidades ósseas. Na forma minor, a doença geralmente cursa sem sinais clínicos, mas pode causar palidez e uma leve anemia que não se resolve com a suplementação de ferro.

A causa da talassemia está em alterações existentes em um dos genes do cromossomo 16, que regula a produção das cadeias alfa de globina, ou do cromossomo 11, que controla as cadeias beta. Chamadas tecnicamente de mutações, essas alterações têm origem hereditária e podem se mostrar de centenas de formas diferentes. Contudo, para desenvolver a talassemia major, o indivíduo precisa obrigatoriamente apresentar um par de genes alterados, herdados tanto da mãe quanto do pai, que não necessariamente devem ser portadores da forma grave da doença para passá-la a seus descendentes – apenas a talassemia minor, ou seja, a mutação em uma unidade do gene, já basta para transmiti-la, desde que o parceiro também possua esse traço ou mesmo a anemia desenvolvida.

Exames e diagnósticos

No período neonatal, o rastreamento da doença no bebê pode ser feito através de um teste do pezinho ampliado. Essa triagem pesquisa, além de doenças do sangue, incluindo a anemia falciforme, outras moléstias congênitas como a fenilcetonúria, a fibrose cística e o hipotiroidismo. Em caso de resultado positivo para qualquer talassemia, a confirmação costuma ser realizada com outros testes laboratoriais de análise da hemoglobina. Pode-se incluir exames moleculares, de análise do DNA, para a identificação de mutações características dos dois tipos da doença.

Os pais da criança também podem precisar ser avaliados para a identificação do traço talassêmico que justifique a transmissão dessa doença. Na criança ou adulto, o diagnóstico começa com um simples hemograma, que, sozinho, levanta a suspeita da talassemia, tanto pelo baixo nível de hemoglobina quanto pelo formato das células vermelhas, menores que o normal.

Contudo, a comprovação exige o estudo da hemoglobina, através da eletroforese. Testes moleculares também podem ser empregados para detecção das mutações envolvidas na doença.

Tratamento e prevenções

O tratamento da talassemia major precisa ser feito ao longo de toda a vida do indivíduo, com transfusões sangüíneas periódicas, em média a cada três ou quatro semanas, para atenuar a anemia crônica, prevenir o déficit do desenvolvimento ósseo e a interferência no funcionamento do coração e assegurar que os tecidos e órgãos recebam a quantidade de oxigênio suficiente.

No entanto, como as freqüentes transfusões levam a pessoa a acumular ferro no organismo, a terapêutica também inclui o uso de medicamentos para extrair esse excesso do corpo, potencialmente capaz de provocar danos irreversíveis para órgãos vitais. Outro problema do recebimento constante de sangue é o risco de adquirir doenças infecciosas. Uma forma alternativa de tratamento da talassemia major é um transplante de medula óssea, que igualmente requer uma série de cuidados para ser bem-sucedido.

Vale lembrar que a talassemia minor não requer tratamento, a não ser durante a gravidez ou em caso de associação com outra doença do sangue.

Infelizmente, não existem medidas preventivas contra as mutações que interferem na produção de hemoglobina. Dessa maneira, o diagnóstico precoce continua sendo um grande instrumento para aumentar a proteção ao portador dessa hemoglobinopatia e prolongar sua expectativa de vida, com ou sem transplante.

Para os casais com história de moléstias do sangue na família, uma estratégia interessante de prevenção pode ser o aconselhamento com um geneticista, de modo que possam conhecer exatamente a probabilidade de ter filhos com essa ou outras anemias hereditárias e, assim, fazer um planejamento familiar mais consciente.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Tendinite

A tendinite é a inflamação de um ou mais tendões, ou seja, das estruturas fibrosas que conectam os músculos aos ossos e servem para transmitir a força de contração muscular necessária para mover uma determinada parte do corpo. A condição, que pode ocorrer em pessoas de todas as idades, envolve com mais freqüência os tendões dos ombros, cotovelos, mãos e punhos, tornozelos e pés. Em geral, costuma ser temporária, mas, se não tratada corretamente, pode se tornar crônica e incapacitar o indivíduo de executar atividades que exijam a participação do tendão doente. Uma das causas principais de afastamento do trabalho, a tendinite está relacionada com ocupações e com atividades em que se realizam esforços repetitivos, afetando, por exemplo, jogadores de vôlei e de tênis, pianistas, dançarinos, operários e profissionais de informática, entre muitos outros.

Causas e sintomas

As principais manifestações da tendinite são dor, inchaço local e dificuldade ou incapacidade para efetuar certos movimentos. Por exemplo, se a inflamação atinge os tendões dos dedos das mãos, a pessoa pode não conseguir escrever e digitar com facilidade ou até mesmo girar a maçaneta de uma porta.

A inflamação muito freqüentemente costuma ser decorrente do excesso de uso do tendão e de traumas locais, sobretudo se o indivíduo permanece com má postura e em posição desajeitada ou forçada ao realizar a atividade repetitiva e mesmo se tem mau condicionamento físico, particularmente no caso de praticantes de esportes. Da mesma forma, pode ser causada por infecção ao redor do tendão e ainda surgir como um problema secundário a outras doenças reumatológicas, como a artrite reumatóide.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da tendinite requer uma combinação entre um bom exame clínico, o levantamento da história do indivíduo, que vai evidenciar a prática de movimentos repetitivos, e exames complementares de imagem, como radiografia, ultra-sonografia e ressonância magnética da região afetada, que são capazes de apontar exatamente o tendão acometido pela inflamação e o grau da lesão.

Tratamento e prevenções

Dependendo da gravidade da lesão, o tratamento pode incluir desde o uso de antiinflamatórios e fisioterapia até a imobilização temporária da região inflamada. Nas tendinites ocasionadas por movimentos repetitivos, a reabilitação, com correção dos fatores desencadeantes, a exemplo do posicionamento correto na hora de realizar atividades traumatizantes, é fundamental.

A tendinite pode ser prevenida com a melhora dos aspectos ergonômicos no ambiente ocupacional, que implicam a adaptação do mobiliário e do posto de trabalho às necessidades do indivíduo, ou mesmo modificação dos hábitos e funções. Quem exerce atividades profissionais ou de lazer que exigem movimentos repetitivos deve também fazer intervalos para se alongar e, não menos importante, refrescar a mente. Até porque a pressão e o estresse do dia-a-dia contribuem para aumentar o risco de adquirir lesões como a tendinite. Além do alongamento, uma boa medida preventiva está na realização de exercícios regulares de fortalecimento muscular, sempre com orientação de profissional especializado, para manter saudáveis os músculos de todo o corpo. Já os praticantes de esportes, tanto os regulares quanto os esporádicos, precisam manter um bom condicionamento físico e, acima de tudo, não devem exceder seus limites para evitar tendinites e outras lesões osteomusculares.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Teste cardiopulmonar

O que é?

É um exame simples e não invasivo que avalia a função cardiovascular em conjunto com a capacidade respiratória, fornecendo dados sobre o metabolismo, a circulação e o estado clínico geral do indivíduo. Para tanto, registra o maior valor de oxigênio consumido pelo organismo durante o esforço máximo despendido na avaliação e as faixas de batimentos cardíacos que determinam o limite de atividade aeróbica que a pessoa pode suportar sem sobrecarregar o coração e os músculos. 

Para que serve?

O teste cardiopulmonar tem grande utilidade na avaliação da saúde de atletas e de indivíduos sedentários que planejam se exercitar, uma vez que discrimina a intensidade segura de exercício aeróbico para cada pessoa e oferece uma série de detalhes fisiológicos importantes para o acompanhamento de sua evolução, como as necessidades energéticas específicas, a medida do gasto calórico indireto e a determinação da capacidade funcional. O exame também é utilizado para verificar as limitações cardiorrespiratórias em portadores de qualquer tipo de comprometimento cardiovascular ou pulmonar e ainda serve para o diagnóstico e o acompanhamento de doenças do coração e do pulmão.

Como é feito?

Após um rápido interrogatório clínico e a medida da pressão arterial do indivíduo, os eletrodos de eletrocardiograma são afixados na pele do tórax para o registro da atividade elétrica cardíaca, que inicialmente é realizado em repouso e, em seguida, durante o esforço na esteira rolante ou na bicicleta ergométrica. O médico, então, avalia o resultado dos traçados, faz um breve exame físico e define o protocolo do teste de acordo com os hábitos e atividades físicas já exercidas pela pessoa – por exemplo, o protocolo de um sedentário é sempre diferente do de um esportista. Feito isso, o indivíduo é encaminhado para o ergômetro, agora usando uma máscara especial que coleta todo o ar que ele expira durante o exercício – para quem apresenta boas condições clínicas, essa etapa usualmente começa com uma caminhada e termina com uma corrida. Durante todo o período do exame, a pessoa permanece sob rigoroso controle clínico, com medidas periódicas da pressão arterial, dos batimentos cardíacos e da atividade elétrica do coração. 

Tétano

O tétano é uma doença infecciosa grave, causada pela toxina da bactéria Clostridium tetani, um microrganismo encontrado no solo, fezes de animais, poeira doméstica e superfícies de objetos com ferrugem sob a forma de esporos, ou seja, de estruturas resistentes que se formam em condições desfavoráveis para a bactéria.

A doença pode acometer indivíduos não-imunes de qualquer idade e não é transmissível de uma pessoa para outra. Ocorre com mais freqüência em regiões onde o acesso aos serviços de saúde é limitado, inspirando cuidados médicos imediatos pelo risco de haver contratura dos músculos respiratórios, com conseqüente impedimento da respiração e morte.

Causas e sintomas

A toxina do Clostridium tetani inibe o relaxamento dos músculos, provocando espasmos musculares graves e dolorosos. Os primeiros sintomas da infecção são dificuldade de abrir a boca por espasmo dos músculos da mandíbula, o que é conhecido como trismo, além de dificuldade de engolir. Esse quadro evolui para tremores e contraturas musculares que afetam todo o corpo, causando uma rigidez progressiva, que dificulta os movimentos e a respiração. Quando a doença evolui, o doente fica altamente sensível ao barulho, à luz e ao contato físico –qualquer um deles é capaz de provocar grandes espasmos de vários grupos musculares, acompanhados de dores excruciantes.

O espasmo dos músculos faciais produz uma expressão característica na face do doente, conhecida como riso sardônico. O espasmo dos músculos das costas faz o corpo ficar arqueado, em uma postura conhecida como opistótono. A infecção também pode afetar os músculos respiratórios, a ponto de praticamente impedir o paciente de respirar. As contrações chegam a ser tão fortes que podem romper os músculos e fraturar ossos.

A causa da doença é a toxina tetânica produzida por esporos do Clostridium tetani, que, no caso do tétano acidental, ingressam no organismo por meio de ferimentos, queimaduras e contaminação de lesões ou úlceras na pele.

Já o tétano neonatal se deve ao contato do cordão umbilical com essa bactéria, seja na hora do corte, seja durante o tratamento do coto umbilical, o que, vale lembrar, ocorre somente se forem utilizados substâncias e objetos contaminados.

Nas duas formas, o microrganismo envolvido só produz a toxina tetânica na presença de condições propícias para tanto – sujeira, tecidos mortos e corpos estranhos. Daí a importância de higienizar bem qualquer ferimento, por menor que seja, e de manter a vacina antitetânica em dia.

Exames e diagnósticos

O tétano é facilmente detectado em uma consulta médica, diante da combinação dos sintomas, bastante característicos, com a história de ferimento recente, não dependendo de exames diagnósticos.

Vale salientar que a pesquisa laboratorial do Clostridium tetani muito freqüentemente se mostra negativa mesmo em pessoas infectadas, pois não há necessidade de um grande número de bactérias para causar a doença.

Tratamento e prevenções

O tratamento do tétano precisa ser feito em ambiente hospitalar, de preferência em unidade de terapia intensiva, e inclui a administração de anticorpos ou soro antitetânico, antibiótico venoso e limpeza cirúrgica do ferimento.

Em geral, utilizam-se também miorrelaxantes, ou seja, medicamentos para reverter a rigidez muscular. Algumas vezes, pode ser necessário manter o paciente em coma induzido e usar respiradores por causa das contraturas, especialmente dos músculos pulmonares. Como a infecção não torna o indivíduo imune, como acontece em outras doenças infecciosas, a exemplo do sarampo e da rubéola, o doente deve ainda receber a vacina contra a toxina tetânica.

A vacinação representa a forma mais segura e eficaz de prevenir o tétano, uma vez que a bactéria Clostridium tetani está em toda parte e pode alcançar a circulação até mesmo a partir de um ferimento muito pequeno.

Toda criança, portanto, deve receber três doses da vacina – aos 2, aos 4 e aos 6 meses de idade, além de dois reforços da vacina tríplice – que combina a proteção contra tétano, difteria e coqueluche, o primeiro aos 15 meses e o segundo entre 4 e 6 anos. A partir daí, a cada dez anos é necessária uma dose única da vacina dupla contra tétano e difteria. Esse esquema está previsto no calendário oficial de vacinação.

Adultos que nunca foram imunizados requerem três doses da vacina dupla, sempre com 30 dias de intervalo entre elas, também com reforço a cada década. Além da imunização, é sempre recomendável tratar muito bem qualquer ferimento, o que implica limpeza com água abundante e sabão, mantendo a ferida sempre limpa e seca até a cicatrização.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Toxoplasmose

A toxoplasmose é uma parasitose amplamente disseminada na natureza, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, que pode infectar pássaros e um grande número de mamíferos, incluindo o homem, em todas as idades.

Após o contágio, o toxoplasma permanece no músculo do hospedeiro, na forma de cistos, ou, então, no caso específico dos gatos, é eliminado nas fezes na forma de oocistos. Os gatos são os únicos hospedeiros definitivos do Toxoplasma, ou seja, somente nestes animais o protozoário tem seu ciclo de vida completo.

Os outros mamíferos são hospedeiros intermediários e por isso, mesmo infectados, não conseguem eliminar oocistos nas fezes.

Em pessoas cuja imunidade apresenta-se normal – imunocompetentes –, a doença pode até passar despercebida. Tanto é assim que, durante o pré-natal, os anticorpos contra o toxoplasma são detectados em cerca de 50% a 80% das mulheres brasileiras, o que indica contato prévio com esse agente. Já em imunodeprimidos, ou seja, nos indivíduos que estão com o sistema imunológico debilitado por doença – como os portadores de aids – ou por tratamentos – como os transplantados –, a infecção pode ser mais severa, com chances de atingir o cérebro, causando o que se chama de neurotoxoplasmose.

A forma congênita da toxoplasmose, passada da mãe para o feto durante a gravidez, também costuma ser grave, uma vez que tem potencial de deixar sequelas neurológicas, visuais e hepáticas no bebê.

Causas e sintomas

Nas pessoas com imunidade preservada, a toxoplasmose é assintomática em cerca de 90% dos casos. Nos 10% restantes, provoca principalmente o aumento de gânglios – as ínguas – nas axilas, na virilha e no pescoço, além de febre, dores musculares, articulares, de cabeça e de garganta, infecção na retina, pontos avermelhados no corpo e aumento do fígado e do baço.

Nos imunodeprimidos, as manifestações incluem sinais de comprometimento dos pulmões, dos olhos, do coração e, sobretudo, do cérebro, neste caso com um quadro de dor de cabeça, sonolência e redução da força, que pode evoluir para uma diminuição progressiva da lucidez.

A causa é a infecção pelo toxoplasma, que decorre particularmente da ingestão de carne crua ou malcozida, com cistos desse protozoário, ou do consumo de comida contaminada por oocistos, os quais são eliminados nas fezes de gatos. Nesta última situação, a contaminação ocorre mais frequentemente pela manipulação inapropriada dos alimentos – quando a pessoa não lava bem as mãos depois de mexer no gato, por exemplo –, mas também pela simples convivência com esses animais, mesmo os bem-cuidados, pois eles podem ingerir carne crua com cistos do parasita.

A toxoplasmose ainda é adquirida de forma congênita, quando a gestante passa a doença para o bebê durante a gravidez, e em transplantes de órgãos.

Exames e diagnósticos

Uma vez que os sintomas da toxoplasmose são bastante inespecíficos, o diagnóstico implica a realização de exames de sangue para pesquisar a presença de anticorpos que caracterizam infecção recente pelo toxoplasma.

Como a doença passa despercebida na maioria das vezes, as pessoas só acabam sabendo que tiveram contato com o agente infeccioso quando precisam fazer algum check-up específico, seja em urgências, seja em rotina, seja em situações especiais, como na gestação. Nesses casos, porém, o achado é de uma categoria de anticorpos relacionada com infecção pregressa e que, portanto, indica imunidade contra a toxoplasmose.

Tratamento e prevenções

Existem medicamentos que agem contra o toxoplasma – não curam a doença, mas impedem a multiplicação do protozoário – e, assim, contribuem para a redução das complicações da toxoplasmose congênita e das formas mais agressivas da doença no adulto, desde que o tratamento seja instituído rapidamente. Para as formas leves, que cursam somente com febre e gânglios, não há necessidade do uso de medicações, pois a doença acaba regredindo espontaneamente.

A prevenção da toxoplasmose é particularmente importante para gestantes e imunodeprimidos que nunca tiveram contato com esse agente.

Para evitar o contágio, recomenda-se não comer carne crua ou malpassada e usar luvas na hora de manipular qualquer tipo de carne antes do cozimento, além de lavar muito bem legumes e verduras que serão consumidos em saladas. O convívio com gatos também precisa ser evitado, assim como a visita a locais que possam conter fezes desses animais – como tanques de areia de parques.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Traqueobronquite aguda

A traqueobronquite aguda é a inflamação dos canais que levam o ar para dentro e para fora dos pulmões, os brônquios. Nessa doença, há um acúmulo de secreção nos brônquios, estreitando-os, em geral causado pelo excesso de produção de muco e pela diminuição na ação dos minúsculos cílios locais, os quais não eliminam adequadamente esse muco.

Em geral, o quadro inflamatório surge como uma evolução de gripes e resfriados, tendo uma duração relativamente curta, de uma a duas semanas. Contudo, algumas vezes essa doença pode causar uma hiper-reação de defesa transitória do aparelho respiratório, semelhante à que ocorre na asma, com conseqüente dificuldade de respirar, o que implica cuidados médicos e terapêuticos mais prolongados.

A traqueobronquite aguda é uma situação clínica muito comum em qualquer população. Só nos Estados Unidos, responde por 10 milhões de consultas médicas por ano, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

Causas e sintomas

A tosse persistente é o principal sintoma da traqueobronquite aguda, podendo se mostrar seca ou produtiva, com expectoração de secreção, e ser eventualmente acompanhada de febre baixa e dor no peito. Falta de ar e chiado no peito também estão presentes nos casos de reação de defesa exagerada do aparelho respiratório.

A doença decorre da ação de agentes infecciosos, especialmente de vírus que provocam gripes e resfriados, a exemplo do próprio influenza, do parainfluenza e do vírus respiratório sincicial. Esses microrganismos são transmitidos de uma pessoa para outra pelas vias respiratórias, mais precisamente pela inalação de gotículas da saliva ou da tosse de indivíduos contaminados.

Em menos de 10% dos casos, a tranqueobronquite pode ser provocada por alguns tipos bactérias, que, no entanto, só se multiplicam diante de condições apropriadas para tanto, como a queda na imunidade e a presença de outras moléstias.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico deve combinar uma boa avaliação clínica com exames complementares. A ausculta do pulmão e a radiografia costumam ser suficientes para a investigação e, sobretudo, para afastar a hipótese de pneumonia.

De qualquer modo, a identificação do agente infeccioso envolvido com a inflamação pode demandar alguns testes laboratoriais, como a análise da secreção pulmonar ou mesmo exames de sangue para pesquisar a existência de algum vírus.

Tratamento e prevenções

Quando causada por vírus, a traqueobronquite aguda se resolve naturalmente e, assim, requer apenas providências para o alívio da tosse, o que é feito, em geral, com medicamentos para facilitar a eliminação da secreção. Em caso de bactéria, contudo, não dá para dispensar o uso de antibióticos. Já na vigência de manifestações semelhantes às da asma, utilizam-se broncodilatadores para relaxar a musculatura local e abrir os brônquios.

Prevenir viroses constitui um verdadeiro desafio, uma vez que os agentes implicados com essas doenças são transmitidos de uma pessoa para outra com muita facilidade. De qualquer modo, é importante observar bem as medidas de higiene, procurar não permanecer muito tempo em ambientes fechados, com aglomeração de pessoas, e, em alguns casos, imunizar-se anualmente contra o vírus influenza para reduzir a chance de ter complicações respiratórias decorrentes da gripe.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Trombose

A trombose venosa profunda é uma doença caracterizada pelo surgimento de um coágulo de sangue – o trombo – em um vaso do sistema venoso profundo, o que determina a obstrução parcial ou total dessa veia e impede a circulação local.

Esse evento pode afetar qualquer parte do corpo, mas acomete com mais freqüência as veias das pernas e coxas, às vezes de forma associada a uma inflamação venosa – a flebite –, quando recebe a denominação de tromboflebite.

A formação do coágulo deriva de diversos fatores de risco, especialmente da imobilidade prolongada, sendo mais comum em pessoas com idade superior a 50 anos.

Estima-se que ocorram 50 casos de trombose venosa profunda a cada 100 mil habitantes. Apesar da elevada freqüência, todo indivíduo com essa suspeita requer atendimento médico de emergência, pelo risco de um fragmento do coágulo se desprender, ganhar a circulação com o sangue que retorna aos pulmões para ser oxigenado e ali causar um entupimento, conhecido como embolia pulmonar, que pode levar o indivíduo à insuficiência respiratória e morte.

Causas e sintomas

Os sinais clínicos clássicos da trombose venosa profunda incluem aumento da temperatura local – a perna fica quente –, inchaço, dor e rigidez da musculatura, especialmente na panturrilha (“batata da perna”). Contudo, em cerca de 50% dos casos, o trombo se instala na veia sem provocar manifestações locais. Essas são as situações de maior perigo, pois o primeiro sintoma pode ser a embolia pulmonar, que cursa com falta de ar, palpitação, febre baixa, ansiedade e dor no tórax.

O desenvolvimento da trombose venosa profunda está principalmente relacionado com a diminuição da velocidade da circulação, também chamada de estase venosa, que ocorre quando o indivíduo é obrigado a ficar numa mesma posição por muito tempo, como em hospitalizações e imobilizações prolongadas e em viagens muito longas, particularmente as aéreas.

Da mesma forma, diversas situações e doenças que tornam o sangue mais viscoso levam o organismo a produzir trombos com mais facilidade, como o uso de anticoncepcionais, a gravidez, o diabetes, a existência de tumores e as moléstias do sangue.

Outros importantes fatores de risco para a trombose ainda incluem a presença de varizes, um episódio recente de infarto do miocárdio, a obesidade, o tabagismo e o próprio envelhecimento, só para citar alguns.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico da trombose depende da história do indivíduo, na qual seus fatores de risco são evidenciados, da avaliação clínica e dos resultados de exames diagnósticos.

O exame mais usado é a ultra-sonografia com doppler, que avalia o estado das veias dos membros inferiores, podendo identificar eventuais coágulos. Outro exame utilizado é a dosagem sangüínea do dímero D, um teste de triagem que, se negativo, praticamente exclui a hipótese de tromboembolismo mas, se positivo, sugere a presença de um trombo ou embolia no organismo, sendo necessário confirmação por outros exames radiológicos. 

Tratamento e prevenções

O tratamento da trombose é feito em ambiente hospitalar, com a aplicação de anticoagulantes por via endovenosa, em altas doses, para reduzir a viscosidade do sangue, dissolver o coágulo, prevenir a ocorrência de embolia pulmonar e evitar a formação de um novo trombo.

Uma boa forma de evitar a trombose e outras doenças é ser ativo no cotidiano e, de preferência, praticar algum exercício regularmente. Quem passa muito tempo sentado por conta de sua ocupação precisa fazer pausas ao longo do dia para dar uma volta e esticar as pernas.

Numa viagem aérea para um destino distante, as pessoas mais predispostas devem fazer exercícios com os membros inferiores e caminhar de tempos em tempos no corredor do avião, aumentando ainda a ingestão de líquidos – com exceção de bebidas alcoólicas – para evitar a desidratação, que também ajuda a tornar o sangue mais viscoso.

Às pessoas que têm varizes, recomenda-se o uso cotidiano de meias de compressão (meias elásticas), assim como visitas periódicas a um especialista para avaliar a necessidade de tratamento cirúrgico, já que a insuficiência venosa igualmente facilita o aparecimento de trombos.

É fundamental manter distância do cigarro em qualquer circunstância, pois o tabagismo aumenta a probabilidade de desenvolvimento de diversas doenças, além da trombose.

Em alguns casos, como por exemplo hospitalizações prolongadas, pode ser necessária a administração preventiva de medicamentos anti-coagulantes e, adicionalmente, podem ser usados massageadores pneumáticos nas pernas para ativar a circulação local.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Tuberculose

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa que pode atacar diversos órgãos, mas que usualmente afeta os pulmões. Causada pelo Mycobacterium tuberculosis, também chamado de bacilo de Koch, por ter sido isolado pelo pesquisador alemão Robert Koch, em 1882, o agente causador da moléstia destrói os alvéolos pulmonares, os pequenos sacos de ar onde o oxigênio é absorvido nos pulmões. Com isso, formam-se escavações (ou cavernas) nos pulmões, as quais dificultam a respiração e oxigenação adequada.

A forma disseminada da doença é conhecida como “miliar”. Essa infecção já fez milhões de vítimas ao longo da história da humanidade, pois apenas em 1944 foram descobertos os primeiros medicamentos para combater o bacilo de Koch. Mas está longe de ser uma doença do passado.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, um terço da população do mundo está infectada por esse agente e, a cada ano, surgem 10 milhões de novos casos, especialmente em nações pobres e em desenvolvimento, dos quais 3 milhões são fatais.

O Brasil infelizmente está entre os 22 países que concentram 80% dos indivíduos contaminados, com 95 mil casos registrados a cada ano. Como a baixa imunidade é um fator predisponente para desenvolvimento da tuberculose, a doença tem crescido muito entre os portadores de aids e de outras doenças crônicas debilitantes e pessoas que receberam transplante.

Apesar dos números alarmantes, é importante ressaltar que essa moléstia tem cura, desde que o tratamento seja feito corretamente, com regularidade do uso dos medicamentos e pelo tempo prescrito pelo médico. A falta de adesão ao tratamento dá origem à formas resistentes da micobactéria, mais agressivas e mais difíceis de tratar.

Causas e sintomas

A tuberculose pulmonar cursa principalmente com tosse persistente, com catarro de aspecto amarelado, às vezes com sangue, febre baixa ao entardecer, suores noturnos, perda de peso, falta de apetite e fraqueza generalizada. Apenas a constância da tosse por mais de três semanas já deve ser encarada como um sinal clínico importante e suficiente para procurar um serviço médico.

A doença provém da infecção pelo Mycobacterium tuberculosis, micobactéria que é transmitida de uma pessoa para outra pela inalação de gotículas da saliva ou da tosse de indivíduos contaminados, da mesma forma que os vírus de gripes e resfriados. Como se não bastasse, esse agente tem a propriedade de poder ficar disperso no ar por horas, especialmente em ambientes fechados, com pouca luz.

Se, por um lado, é muito fácil de adquirir o Mycobacterium tuberculosis, por outro, o desenvolvimento da doença depende da imunidade do indivíduo. Se a resposta do sistema imune não for suficiente, a doença se manifestará. Ao contrário, se a vigilância do sistema imunológico estiver em pleno funcionamento, a micobactéria pode ser eliminada ou, então, permanecer em estado latente, sem causar a infecção, mas com chance de ser ativada em caso de queda das defesas naturais.

Na prática, algumas condições e doenças favorecem a instalação da tuberculose, entre as quais idade avançada, desnutrição, confinamento em locais fechados, como asilos e presídios, uso cotidiano de medicações que diminuem a defesa do organismo – a exemplo dos corticóides –, consumo de drogas ilícitas, alcoolismo, transplante, diabetes, insuficiência renal crônica e, sobretudo, aids. A chance de o portador do vírus HIV ter tuberculose chega a 10% ao ano, ao passo que, em uma pessoa com o sistema imunológico competente, essa probabilidade alcança 10% ao longo de toda a sua vida.

Exames e diagnósticos

O conjunto de sintomas e a radiografia de tórax levantam a suspeita de tuberculose pulmonar, mas o diagnóstico definitivo é fechado após detecção do Mycobacterium tuberculosis no escarro. Chamado de exame de escarro ou de baciloscopia, este exame faz uma análise direta da secreção excretada pelos pulmões.

Preferencialmente deve-se colher escarro também para isolamento do microrganismo em cultura, exame em que a secreção é colocada em meios próprios para o desenvolvimento do bacilo de Koch. Esses dois  testes podem ser feitos em diversos outros materiais biológicos além do escarro, quando houver suspeita de comprometimento de outros órgãos que não o pulmão.

As técnicas de biologia molecular, que identificam a presença do DNA do bacilo no material analisado, também têm sido bastante usados. Outro exame que pode auxiliar no diagnóstico da tuberculose é o teste tuberculínio ou PPD, um teste cutâneo para se determinar a reatividade do indivíduo à proteína do bacilo. Um exame forte reator sugere a presença da infecção.

Tratamento e prevenções

O tratamento da tuberculose é padronizado no Brasil e consiste no uso de uma combinação de medicamentos, cada qual com uma ação diferente contra o agente infeccioso. Embora isoladamente as medicações não sejam suficientes para eliminar o bacilo de Koch, o fato é que, no conjunto, elas se mostram eficazes para livrar o organismo dessa invasão.

A princípio, usa-se o chamado esquema tríplice (ou esquema 1), que congrega as substâncias rifampicina (R), isoniazida (H) e pirazinamida (Z), mas existem outras associações de segunda escolha, no caso de essa primeira não dar certo. A terapêutica não requer hospitalização, a não ser em situações mais graves, e deve ter duração de seis meses, oferecendo uma chance de cura próxima de 100% quando seguida regularmente nesse período.

Vale acrescentar que tais medicamentos são distribuídos pelo Sistema Único de Saúde em seus postos municipais de atendimento, gratuitamente. A pessoa em tratamento regular para tuberculose não precisa ser afastada das atividades profissionais e pode conviver normalmente com colegas de trabalho, amigos e família.

A vacina contra a tuberculose, a BCG, não impede a infecção pelo bacilo de Koch nem o desenvolvimento da tuberculose pulmonar, mas confere por volta de 75% a 85% de proteção contra formas mais graves da doença, como a meningite tuberculosa, que afeta o sistema nervoso central.

No Brasil, a BCG faz parte do calendário oficial de vacinação e deve ser aplicada no primeiro mês de vida da criança. Alguns pediatras têm indicado reforço entre os 6 e os 10  anos de idade, mas este reforço não faz parte do calendário oficial de vacinação. Outra medida importante passa pelo controle dos comunicantes, ou seja, das pessoas que têm contato mais íntimo com os doentes, que devem ser avaliadas quanto à necessidade de tratamento preventivo.

Como é possível contrair o Mycobacterium tuberculosis com facilidade, o mais importante, em se tratando da prevenção da tuberculose, é a detecção precoce da infecção, acompanhada do início imediato da terapêutica, pois isso evita que o doente contamine muitas pessoas ao seu redor.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Úlcera Péptica

A úlcera péptica consiste em uma lesão na camada mucosa do esôfago, do estômago ou do duodeno – a parte inicial do intestino –, decorrente de falhas no sistema de proteção desse revestimento.

Numa situação normal, o aparelho digestório produz muco e substâncias neutralizantes para não ser agredido pelo suco gástrico liberado para digestão dos alimentos, composto principalmente de ácido clorídrico e pepsina. No entanto, a presença continuada de alguns agressores desequilibra esse mecanismo, de um lado aumentando a produção do suco digestivo e, de outro, reduzindo a espessura da parede da mucosa – pela ausência da camada de muco –, o que facilita a penetração dos ácidos que, em última instância, causam a lesão.

A úlcera afeta bastante a qualidade de vida das pessoas, mas, na maioria dos casos, pode ser tratada sem provocar maiores complicações. Na falta de tratamento, contudo, existe o risco de a lesão atingir camadas mais profundas e provocar sangramento ou, ainda, de perfurar a mucosa, ocasionando o vazamento do conteúdo gástrico para a cavidade abdominal, o que exige atendimento emergencial.

Causas e sintomas

O sintoma mais comum da úlcera é a dor na região central do abdome, que aparece algumas horas após as refeições. A manifestação costuma ser referida como queimação ou dor de fome, no meio da noite, o que é bastante característico da úlcera. Além desse sintoma, a pessoa também pode ter náuseas, vômitos, perda de apetite, sensação de estômago cheio ou empachamento e, nos casos mais graves, sangramento que pode ser percebido nas fezes ou no vômito.

Em 90% dos casos, a causa da úlcera péptica é uma bactéria chamada Helicobacter pylori, que está presente em pelo menos 60% da população, embora só uma pequena parte desenvolva a doença. Ainda não está bem estabelecida a forma principal de contágio com esse microrganismo, mas já se sabe que ele costuma ingressar no trato digestivo pela ingestão de água contaminada, pelo contato com gotículas da saliva de pessoas infectadas e pela transmissão oral-fecal, que acontece principalmente por meio do consumo de alimentos manipulados por mãos contaminadas em decorrência da falta de cuidados básicos de higiene.

Os demais casos de úlcera advêm do uso de antiinflamatórios e do tabagismo, os quais não apenas favorecem o surgimento de lesões quanto dificultam sua cicatrização. Uma parcela muito pequena de pessoas pode também ser portadora de síndromes de hipersecreção, isto é, que fazem o aparelho digestório produzir, sem razão aparente, uma maior quantidade de suco digestivo. Por fim, existem ainda úlceras causadas por tumores e outras, de origem desconhecida.

Exames e diagnósticos

As queixas do indivíduo apontam fortemente para a suspeita de úlcera, mas a confirmação depende da realização de uma endoscopia digestiva alta, exame que visualiza o trato digestivo por meio de um tubo flexível com fibra óptica na ponta – endoscópio – introduzido pela boca. Além da visão direta, esse método permite a realização do teste de urease, que consiste na análise de um fragmento pequeno da mucosa gástrica para pesquisa direta da presença do Helicobacter, ou da biópsia com exame anatomopatológico, para verificar o grau de inflamação da mucosa e a natureza de suas alterações – se benigna ou maligna.

Tratamento e prevenções

O tratamento se baseia no uso de antiácidos para neutralizar o excesso de ácido existente ou de medicamentos que inibam sua produção. Se a presença doHelicobacter ficar demonstrada pelos exames diagnósticos, será necessária também a utilização de uma combinação de antibióticos para eliminar esse agente infeccioso. É oportuno ressaltar que, na maioria dos casos, a erradicação da bactéria resulta na cura da doença.

Parece difícil evitar o contato com o Helicobacter, já que mais da metade da população mundial é portadora dessa bactéria em seu trato digestivo e as formas de contágio não estão muito bem estabelecidas. De qualquer modo, assim como a proteção contra qualquer infecção gastrointestinal, a prevenção da úlcera péptica passa, obrigatoriamente, pelo cuidado com a higiene pessoal e com a ingestão de água e alimentos de procedência duvidosa.

Paralelamente a essas medidas, é importante evitar a ingestão desnecessária de antiinflamatórios, e, para quem fuma, abandonar o cigarro, que causa outras doenças graves, além da úlcera péptica.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Ultrassom Morfológico Gestacional 3D/4D

O que é?

É um método de ultrassonografia que consegue captar imagens tridimensionais em movimento, ou seja, em tempo real, o que permite a visualização muito nítida da anatomia e até mesmo imagens da face do feto.

Para que serve?

O ultrassom morfológico gestacional 3D/4D serve para a avaliação de diversos parâmetros da saúde fetal, como o estudo das estruturas craniofaciais, cerebrais, coluna,  assim como do aparelho respiratório. É um excelente método complementar à  ultrassonografia convencional, nos casos de malformação fetal, contribuindo na análise mais detalhada do tamanho e  localização das estruturas acometidas. Como se não bastasse, o ultrassom fornece imagens, em papel, que se aproximam muito à de uma fotografia, possibilitando que os pais conheçam, de antemão, um pouco da fisionomia do bebê.

Como é feita?

O exame é feito por via abdominal, com o deslizamento de um transdutor – aparelho semelhante a um leitor óptico – sobre o abdome da gestante, o qual recebe uma fina camada de gel para facilitar o procedimento. Deve ser realizado de preferência ao redor da 28ª a 34ª semana de gestação.

Urticária

A urticária consiste em uma reação alérgica que atinge a pele ou mucosas. Na prática, os fatores desencadeantes dessa condição ativam os mastócitos, que são células do sistema imunológico de defesa presentes na pele, que liberam algumas substâncias responsáveis pela reação alérgica.

A manifestação pode ser aguda, quando dura menos de 30 dias, ou crônica, quando persiste por mais seis semanas.

Em geral, cursa de forma benigna, mas existe um tipo mais grave de reação, denominado edema de Quincke, que requer atendimento de emergência pelo risco de atingir a laringe e provocar asfixia.

A urticária ocorre em todas as idades, chegando a afetar em torno de 20% da população em algum momento da vida.

Causas e sintomas

Os episódios agudos apresentam-se de modo intenso e rápido, com lesões que variam de pequenos pontos avermelhados a placas maiores, igualmente avermelhadas e inchadas, com formato irregular, que podem se juntar e atingir grandes áreas.

O principal sintoma é uma coceira muito intensa. A reação, contudo, costuma ter curta duração, desaparecendo rapidamente e surgindo de novo em outras extensões da pele, sempre com coceira intensa, ardência e, às vezes, sensação de ferroada. Já na urticária crônica, os sintomas surgem com menor intensidade, mas com maior duração. Por sua vez, o edema de Quincke, que também é uma manifestação aguda, cursa com um grande inchaço no rosto, principalmente nos lábios e nas pálpebras, podendo causar dificuldade respiratória.

Vários fatores desencadeiam esta reação exagerada do sistema imunológico, a exemplo de medicamentos, alimentos como nozes, frutos do mar, ovos e frutas, substâncias inalantes – perfumes, poeira, inseticidas e desodorantes –, infecções, verminoses, picadas de insetos, aspectos emocionais, estresse e agentes físicos como frio, calor, luz ou pressão. Não raramente, a causa pode ser desconhecida.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico costuma ser feito com base no exame físico do indivíduo e na história do aparecimento das lesões. Muitas vezes, o médico solicita exames para investigar a ocorrência de doenças que estejam funcionando como fatores desencadeantes da reação, como é o caso das verminoses e das infecções, ou para confirmar uma suspeita clínica de um determinado agente ser o responsável pelo quadro. Em casos mais raros, pode ser necessária a análise de células da pele para afastar a hipótese de o quadro ser decorrente de outros distúrbios dermatológicos.

Com freqüência o médico pode identificar o agente responsável pela alergia apenas com uma boa anamnese, mas muitas vezes é impossível identificar a causa.

Tratamento e prevenções

O tratamento da urticária, tanto crônica quanto aguda, procura combater a reação na pele com medicamentos anti-histamínicos, que bloqueiam a produção de histamina e, assim, controlam os sintomas.

No edema de Quincke, a medicação deve ser iniciada com urgência, quase sempre acompanhada de fármacos que reduzem a resposta do sistema imunológico, como os corticóides, para impedir a evolução do quadro para a laringe e reduzir o inchaço.Em todos os casos, contudo, é fundamental procurar suprimir o fator desencadeante, sem o que o tratamento será apenas paliativo.

A prevenção da urticária depende sobretudo do conhecimento do mecanismo que provoca a produção excessiva de histamina, de forma que seja possível evitá-lo. Em casos mais graves, com episódios repetidos por longos períodos, o médico pode sugerir uma estratégia de prevenção individualizada, algumas vezes com o emprego de medicamentos.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Uveíte

A uveíte é uma inflamação intra-ocular que envolve isoladamente ou em conjunto as três estruturas da úvea: a íris, que circunda a pupila e funciona como a lente de uma máquina fotográfica, controlando a entrada de luz; o corpo ciliar, formado por músculos que se contraem para permitir o foco de objetos próximos; e a coróide, que faz o revestimento interno do globo ocular. Responsável pela nutrição dos olhos, a úvea fica em sua camada intermediária e tem contato com a porção externa (esclera) e a porção interna (retina e vítreo). Por isso, o processo inflamatório na úvea pode acometer por contiguidade todas as estruturas do globo ocular. Sem tratamento, portanto, a condição é capaz de causar lesões oculares importantes podendo gerar complicações como a catarata, o glaucoma e o descolamento da retina. A uveíte freqüentemente ocorre como manifestação secundária de enfermidades inflamatórias e infecciosas, sendo mais comum no adulto jovem, entre 20 e 40 anos.

Causas e sintomas

A inflamação na úvea tem diversas causas, podendo estar associada a doenças inflamatórias sistêmicas ou doenças infecciosas. O grupo de doenças conhecidas como auto-imunes, ou seja, doenças causadas por alterações induzidas pelas próprias células de defesa do organismo, são uma causa importante de uveíte, dentre as quais destacam-se a artrite reumatóide e o lúpus eritematoso sistêmico. Entre as causas infecciosas, destaca-se no Brasil a toxoplasmose. Outras doenças infecciosas endêmicas como sífilis e tuberculose podem cursar com uveíte. Vale ressaltar ainda que em grande número de casos não se consegue determinar a etiologia da uveíte, que, dessa forma, são classificadas como “idiopáticas”. Em certas faixas etárias as uveítes idiopáticas são as mais freqüentes.

Os sintomas da uveíte dependem das estruturas afetadas. Quando a inflamação se restringe à íris e/ou ao corpo ciliar – ou seja, ao segmento anterior do olho –, o indivíduo se queixa de vermelhidão, sensibilidade à luz e algumas vezes de dor, de maneira semelhante ao que ocorre na conjuntivite. Já nos casos em que a coróide é atingida – isto é, o segmento posterior do olho –, costuma haver também alterações visuais, como visão borrada ou com pontos pretos flutuantes, que podem ser a única manifestação se a doença se concentrar nesse local.

Exames e diagnósticos

diagnóstico da uveíte é essencialmente clínico, baseando-se nos sintomas, na análise da história de saúde do indivíduo e no exame oftalmológico detalhado. A localização da inflamação (na parte posterior ou anterior do olho), lateralidade (um ou ambos os olhos) e a idade da pessoa ajudam o médico a determinar a causa do processo inflamatório. Freqüentemente, além dessas informações, o médico precisa solicitar testes laboratoriais para elucidar o diagnóstico, como, por exemplo, testes sangüíneos para dosagem de anticorpos contra agentes infecciosos e dos exames relacionados a respostas auto-imunes do organismo.

Tratamento e prevenções

O tratamento depende da origem da uveíte, mas, basicamente, procura atenuar a inflamação e dor com o uso de antiinflamatórios tópicos e colírios que causam relaxamento da musculatura da íris e do corpo ciliar. Além de amenizar a dor ocular, o efeito de dilatação pupilar impede aderências da íris ao cristalinio. Se a inflamação tem origem em causa infecciosa (como sífilis, tuberculose, toxoplasmose e herpes), deve –se empregar medicação específica para combater estes microorganismos. Se a causa é doença imunológica (auto-imune), é recomendável  o acompanhamento em conjunto com um reumatologista, que cuidará da eventual imunossupressão sistêmica.

A prevenção dos processos infecciosos mais envolvidos com a uveíte depende de cuidados específicos. Por exemplo, a sífilis é uma doença sexualmente transmissível e, como tal, pode ser evitada com o uso de preservativo. A tuberculose conta com vacina para prevenir suas formas mais graves  durante o primeiro ano de vida e com tratamentos específicos contra a bactéria. Por fim, a possibilidade de adquirir a toxoplasmose diminui evitando-se a ingestão de carne crua  ou  malpassada,  o consumo de vegetais não lavados ou de procedência duvidosa e o convívio com gatos, que são hospedeiros do parasita envolvido na infecção. Para a gestante, o pré-natal ainda complementa as medidas preventivas. Já os portadores de manifestações reumáticas devem consultar um reumatologista para uma avaliação clínica e laboratorial. Com tais informações em mãos, portanto, o oftalmologista pode estabelecer um acompanhamento estreito e diagnosticar a uveíte no começo, evitando maiores conseqüências à visão.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Varizes

As varizes são veias dilatadas de forma permanente e irreversível, nas quais o sangue tem dificuldade de retornar para o coração. Podem aparecer em homens e mulheres, especialmente na segunda metade da vida, mas incidem mais na população feminina, por conta da ação dos hormônios.

Numa situação normal, depois que o sangue irriga os membros inferiores, as veias das pernas o reconduzem de volta ao coração com a ajuda da musculatura e de um sistema de válvulas que impede seu retorno para baixo, pela ação da gravidade. Quando essas válvulas não funcionam adequadamente, parte do sangue que deveria subir até o coração fica empoçada, desencadeando a dilatação que caracteriza a condição.

As microvarizes só comprometem a estética das pernas, mas as varizes de maior calibre podem causar sintomas incômodos e aumentar a possibilidade de haver inflamação das veias, que cursa com a formação de coágulos.

No sistema venoso superficial, essa inflamação é chamada de flebite e costuma evoluir de forma benigna. Já no sistema venoso profundo, o problema atende pelo nome de trombose e traz riscos de complicações pulmonares graves, decorrentes da migração de coágulos para os pulmões.

Causas e sintomas

As varizes de maior calibre provocam principalmente dor, cansaço e sensação de peso nas pernas, os quais se acentuam no fim do dia e durante períodos de temperatura mais elevada.

Além disso, entre as queixas ainda figuram sensação de ardência, inchaço, manchas na pele ao redor das varizes, aparecimento de úlcera, cãibras e dormência.

A principal causa das varizes é mesmo o comprometimento das válvulas que impedem o refluxo do sangue, que pode ser congênito ou adquirido por um traumatismo, por exemplo.

No entanto, há uma série de fatores que contribuem para o surgimento de veias dilatadas, entre os quais o envelhecimento, a história familiar, as alterações hormonais (na mulher), a obesidade, a permanência em posição vertical por longos períodos, o uso constante de salto alto, o sedentarismo e a prática de exercícios muito intensos, como musculação com peso excessivo.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico pode ser feito apenas com um exame clínico, mas costuma incluir também a realização de uma ultrasonografia com Doppler, que os médicos pedem para conhecer a extensão da insuficiência venosa e planejar o tratamento – isso porque, quando uma veia se dilata, o mesmo acontece com todas as suas ramificações.

Feito de forma não-invasiva, apenas com o deslizamento do aparelho de ultra-som nas pernas, esse exame avalia a morfologia das veias e pesquisa a ocorrência de refluxo de sangue para os membros inferiores.

Tratamento e prevenções

Para as microvarizes, o tratamento, denominado escleroterapia, consiste na aplicação de substâncias esclerosantes nos vasos comprometidos. Uma vez injetados, esses fármacos produzem uma inflamação na parede das veias que, então, se fecham.

O mesmo procedimento também pode ser feito por laser, porém em casos bastante selecionados. Já para as varizes de maior calibre, só mesmo a cirurgia para a remoção das veias dilatadas resolve. Contudo, esse tipo de intervenção hoje é bem menos complexo do que no passado. P

or meio de minúsculas incisões, o cirurgião retira apenas os vasos doentes e o indivíduo pode deixar o hospital no mesmo dia do procedimento, recuperando-se em cerca de uma semana. O tratamento ainda pode incluir medicamentos para atenuar os sintomas e, invariavelmente, requer o uso de meias elásticas para comprimir as veias.É possível intervir em alguns fatores de risco para varizes, como o uso de salto alto, mas a grande maioria deles não pode mesmo ser evitada.

Assim, a prevenção deve se basear na realização de exercícios físicos regulares, para melhorar o retorno do sangue ao coração – pois, quando se contrai, a musculatura bombeia o sangue para cima –, e no uso de meias elásticas, para reduzir a chance de as veias se dilatarem e igualmente para diminuir o próprio leito em que o sangue fica empoçado ao retornar.

Da mesma forma, convém procurar um médico ao apresentar os primeiros sintomas, ainda que, inicialmente, o motivo seja estético. Quanto mais o tempo passa, afinal, mais veias acabam sendo comprometidas.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Vitiligo

O vitiligo é uma doença não-contagiosa na qual ocorre perda da pigmentação natural da pele, que pode ser localizada, afetando apenas um segmento do corpo, generalizada, com várias áreas atingidas, ou universal, quando mais de 50% da superfície corpórea sofre a despigmentação.

Esse processo se apresenta em forma de placas, mais freqüentemente em regiões como punhos, dorso das mãos, dedos, axilas, pescoço, genitália, rosto – ao redor da boca e dos olhos –, cotovelos, joelhos, virilha e antebraços. O local da manifestação adquire um aspecto esbranquiçado, que fica bastante sensível ao sol, requerendo proteção redobrada. À exceção desse risco maior de queimaduras, a descoloração não causa prejuízos mais sérios à saúde. Contudo, é comum que as alterações estéticas decorrentes da doença produzam distúrbios psicológicos, que são agravados pelo peso que a sociedade contemporânea dá à aparência pessoal.

Estudos demonstram que pelo menos metade dos portadores de vitiligo sofre discriminação social. Essa constatação torna o acompanhamento psicológico um aliado do tratamento, até porque o comprometimento emocional parece interferir na evolução das lesões. De qualquer forma, não se trata de uma condição rara.

O vitiligo está presente em pelo menos 1% da população geral, com predileção pela faixa etária dos 10 aos 30 anos.

Causas e sintomas

No início, surgem manchas levemente mais claras que o tom natural da pele do corpo. Com o passar do tempo, elas evoluem para manchas acrômicas, ou seja, sem cor, com bordas bem demarcadas, muitas vezes por um fino contorno de pele mais escura ao seu redor. As lesões podem permanecer estáveis durante anos, voltar a se desenvolver ou mesmo regredir espontaneamente. Em geral, as pessoas procuram o dermatologista pelo incômodo estético ou, então, por terem adquirido graves queimaduras nas áreas despigmentadas.

As causas do vitiligo ainda não estão bem esclarecidas. Uma das teorias mais bem-aceitas sugere que a doença seja determinada por um processo auto-imune, ou seja, por um descontrole no sistema imunológico que leva o organismo a produzir anticorpos contra os melanócitos, que são as células da pele que fabricam o pigmento - a melanina - que dá cor à pele.

Essa corrente ganha ainda mais força quando se observa que muitas das pessoas com vitiligo possem, na corrente sangüínea, anticorpos contra os melanócitos e que muitas delas têm também outras doenças auto-imunes, como o diabetes e os distúrbios da tiróide. Contudo, a origem dos processos auto-imunes é ainda desconhecida.

Algumas teorias defendem que a inativação dessas células possa ser decorrente da ação dos resíduos produzidos durante a síntese de melanina – os famosos radicais livres – e outras sustentam a possibilidade de o processo envolver neurotransmissores e defeitos no metabolismo dos melanócitos.

Não há dúvida, contudo, sobre a participação do fator genético no desenvolvimento da doença. Cerca de 20% indivíduos com perda de pigmentação têm parentes de primeiro grau com as mesmas manifestações.

Além disso, há outros fatores associados ao vitiligo em pessoas geneticamente predispostas, como sol em excesso, estresse a exposição a algumas substâncias tóxicas, como a hidroquinona e derivados do fenol, presentes em alguns processos industriais.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico costuma ser clínico, apenas pelo exame visual das lesões, e não impõe dificuldades. No entanto, quando o indivíduo apresenta uma mancha localizada, podem ser necessários alguns exames laboratoriais para descartar a hipótese de micose ou de outras doenças dermatológicas que causam despigmentação.

A avaliação da pele com uma lâmpada especial – Luz de Wood – costuma ser de grande utilidade para detectar manchas iniciais ou para acompanhar a evolução da doença.

Tratamento e prevenções

Há diversas técnicas para o tratamento do vitiligo, mas todas elas exigem paciência, pois há áreas que apresentam maior dificuldade de recuperar a pigmentação. Para as manchas localizadas e mesmo generalizadas, de fácil acesso, o tratamento geralmente envolve aplicações de pomadas e loções à base de corticóides, para reduzir a resposta inadequada do sistema imunológico, e a fototerapia, que consiste no uso local de substâncias fotossensibilizantes e na exposição à radiação ultravioleta – a mesma do sol, vale acrescentar.

Outra possibilidade para cobrir as áreas mais resistentes é a micropigmentação com pigmento de ferro oxidado – uma espécie de tatuagem definitiva, feita por diversas técnicas. Em caso de vitiligo universal, com mais de 50% da superfície do corpo afetada, a opção de tratamento pode ser a despigmentação total da pele, para a obtenção de uma tonalidade uniforme.

Para as pessoas que têm manchas estáveis há muito tempo, é possível usar a cirurgia para o enxerto ou o transplante de melanócitos nas áreas lesadas. Além dessas formas convencionais, existem muitas terapias alternativas que vêm ganhando espaço no tratamento do vitiligo, com resultados satisfatórios. Mas uma das grandes promessas é mesmo o uso de imunomoduladores de última geração, por via oral, para inibir o descontrole do sistema imunológico que parece desencadear o ataque aos melanócitos. Os resultados desses medicamentos têm se mostrado positivos também em outras doenças de pele, embora faltem estudos confirmatórios.

Como as causas do vitiligo não são claras, não há medidas efetivas de prevenção que realmente reduzam a chance de desenvolver a doença. De toda forma, é sempre conveniente não abusar do sol, evitando o período das 10 às 16 horas e protegendo-se sempre com filtro solar com FPS 15, no mínimo.

Já a manipulação ocupacional de produtos químicos deve ser feita sempre com os equipamentos adequados de proteção individual, como luvas, gorros e máscaras, entre outros. Por fim, quem tem alguma mancha esbranquiçada suspeita não deve esperar para ver se ela desaparece, mas procurar rapidamente um dermatologista para esclarecer sua origem, além de tomar cuidado com o sol na lesão, mesmo no dia-a-dia de exposição casual, como na rua ou na janela do carro.

Quanto antes se começa o tratamento, menores os problemas estéticos decorrentes da condição.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Xantoma e xantelasma

O xantoma é uma espécie de tumor benigno de pele composto de lipídios, que pode aparecer em qualquer parte do corpo, especialmente em cotovelos, joelhos, mãos, pés, coxas e glúteos. Já os xantelasmas são também pequenos depósitos de matéria gordurosa, só que concentrados na região das pálpebras.

Não se trata de uma doença, mas da manifestação aparente de algum distúrbio no metabolismo de lipídios, em especial o colesterol. Por isso, é importante que o xantoma não seja confundido com xantelasma, uma vez que esse último não está relacionado a alteração dos lípides. Este quadro pode ser primário ou, secundário a outras doenças e condições, tais como o diabetes, a cirrose biliar primária, doenças do metabolismo e alguns tipos de câncer.

Essas lesões se formam numa tentativa natural do organismo de se proteger contra o acúmulo das proteínas que carregam o colesterol, chamadas de lipoproteínas. Com essa intenção as células responsáveis pela limpeza orgânica, chamadas macrófagos, literalmente engolem a gordura depositada nos tecidos.

No entanto, os macrófagos não conseguem eliminar completamente os lipídios, como o fazem com microrganismos, e se transformam em células cheias de gordura, que, por não terem para onde ir, se acumulam e  se infiltram sob a superfície da pele, dando origem aos xantomas.

Diante da detecção de uma lesão nova na pele é importante a avaliação de um médico. Vale ressaltar que as alterações metabólicas e o conseqüente depósito de gordura no organismo podem constituir um importante fator de risco para doenças cardiovasculares.

Causas e sintomas

A única manifestação do xantoma é estética, pelo surgimento de lesões indolores na pele, muitas vezes em regiões da face e áreas expostas. Estes nódulos surgem como manchas em alto relevo, que podem ser percebidos pelo tato e como erupções. Independentemente de sua apresentação, são caracteristicamente macios á palpação e possuem coloração amarela ou castanha, superfície plana e bordas bem definidas. Já as dimensões variam bastante, mas particularmente os nódulos e as placas podem atingir mais de sete centímetros.

Apesar de ter características semelhantes, o xantelasma é bem menor e se restringe ás pálpebras. Embora não causem dor, esses tumores podem ser incômodos, dependendo de sua localização, sobretudo do ponto de vista estético.

O xantoma pode decorrer do excesso de colesterol na circulação, tanto o causado por doenças metabólicas hereditárias, quanto os associados à condições clínicas como diabetes, cirrose biliar primária e alguns tumores de fígado. Curiosamente, em até dois terços dos pacientes que apresentam esses tumores gordurosos, os valores de colesterol podem estar normais. No entanto, sabe-se que os níveis elevados de colesterol levam os macrófagos a agir e a formar o infiltrado de gordura sob a pele.

Exames e diagnósticos

Se a pessoa já tem história de alguma das doenças que provocam xantomas e xantelasmas, o diagnóstico pode ser feito pela inspeção e pela palpação da lesão. Do contrário, a investigação de nódulos cutâneos novos também pode requerer testes laboratoriais de sangue para dosar os níveis sangüíneos de glicose, de lipídios – colesterol e triglicérides – e de substâncias relacionadas com o funcionamento do fígado.

Raramente exames de imagem, como a ultra-sonografia e a tomografia computadorizada estão indicados na avaliação de xantomas. Em situações especiais o médico pode indicar uma biópsia da lesão ou do nódulo na pele. Esse procedimento, feito sob anestesia local, consiste na remoção de fragmentos da lesão para a análise de sua natureza.

Tratamento e prevenções

Caso haja aumento nos valores sanguíneos do colesterol, o tratamento deve ser realizado com medicações próprias para a redução, os chamados hipolipemiantes. Outra medida indicada é o controle adequado das doenças que causam xantomas e xantelasmas, e caso indicado a adoção de medidas terapêuticas específicas para essas enfermidades.

O diabetes, por exemplo, é uma doença que exige alimentação balanceada, prática regular de exercícios físicos e o uso regular de medicamentos. Já o câncer de fígado pode requerer cirurgia e quimioterapia. Nos casos de comprometimento estético, o tratamento pode incluir a remoção cirúrgica do tumor gorduroso.

Por ser uma lesão cutânea associada a alterações do metabolismo lipídico, as medidas de controle dos níveis de colesterol no sangue são as mais úteis para evitar a instalação de novos nódulos. Assim, as orientações de uma dieta equilibrada, rica em fibras e pobre em gorduras, e a prática regular de atividade física são recomendadas para todos os pacientes. Esses cuidados são particularmente reforçados para quem tem história familiar de distúrbios metabólicos, pelos riscos de doenças cardiovasculares diretamente associados a níveis elevados de lipídios na circulação.

O controle adequado de outras enfermidades clínicas que estejam implicadas na instalação dos xantomas também está indicado. Ou seja, nesses casos, a adesão ao tratamento é a base para a prevenção contra novas lesões.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Xeroftalmia

Mais comumente conhecida como "olho seco", a xeroftalmia ou ceratoconjuntivite seca é uma condição que se caracteriza pela deficiência na produção de lágrimas, resultante de uma disfunção das glândulas lacrimais. Provocada por múltiplos fatores, como medicamentos e algumas doenças, essa disfunção determina tanto a redução do volume lacrimal quanto alterações em sua composição. O fato é que, sem contar com o perfeito funcionamento do sistema lacrimal, os olhos reagem com manifestações bastante incômodas na conjuntiva e, sobretudo, na córnea, que fica mais suscetível a se inflamar e a sofrer lesões capazes de comprometer a qualidade da visão das pessoas. As lágrimas, afinal, respondem pela nutrição e pela lubrificação da córnea, facilitam a visão e defendem a superfície ocular das agressões externas. A xeroftalmia é uma queixa muito comum na população mundial, mas que deve ser corretamente investigada e tratada. Ocorre que ela pode ser desde um sintoma decorrente da idade, de alterações hormonais ou do uso de algum medicamento, até uma manifestação de distúrbios auto-imunes, nos quais o sistema imunológico se volta contra constituintes do próprio corpo - como é o caso da síndrome de Sjögren, que, não por acaso, é também conhecida como "síndrome de olho seco".

Causas e sintomas

Os sintomas da xeroftalmia incluem um incômodo permanente nos olhos - como se houvesse areia ou algum corpo estranho -, além de ardência, coceira, visão borrada, sensibilidade à luz e vermelhidão, que se acentua no fim do dia.

Há muitas causas para o olho seco. A condição pode se originar em decorrência de fatores ambientais, como a exposição a ar-condicionado, fumaça de cigarro, clima seco, poluição e contaminação ambiental, a permanência em lugares fechados ou com calefação. O uso de lentes de contato e de muita maquiagem nos olhos também favorece o surgimento de alterações no sistema lacrimal, assim como a idade, já que, aos 65 anos, nosso organismo fabrica 60% menos lágrimas que aos 18 anos. Outro motivo freqüente de olho seco é a administração cotidiana de determinados medicamentos, tais como alguns descongestionantes, anti-histamínicos, tranqüilizantes, antidepressivos, anticoncepcionais, diuréticos, anestésicos e remédios usados na hipertensão arterial e em alguns tipos de arritmia cardíaca, os famosos betabloqueadores. A xeroftalmia pode ainda ser uma manifestação de algum outro distúrbio ocular, como a inflamação das pálpebras e a queratite, e de doenças como hipotiroidismo e doenças auto-imunes, por exemplo a artrite reumatóide, o lúpus eritematoso sistêmico, a sarcoidose e, claro, a síndrome de Sjögren, entre outras. Por fim, igualmente pode haver fatores nutricionais por trás do olho seco, como a carência de vitamina A e o consumo exagerado de gordura.

Exames e diagnósticos

O diagnóstico depende do conjunto de sintomas, da história clínica da pessoa, da avaliação oftalmológica e de exames específicos. O teste de Schirmer é o mais utilizado para essa finalidade e consiste em colocar a ponta de uma tira de papel-filtro sob a pálpebra inferior para avaliar a quantidade de lágrima pela medida da extensão da umidade do papel. Alguns exames de sangue também podem ser necessários para investigar a possível associação dessa condição a outras doenças, quando o indivíduo desconhece sua existência. Em tais casos, a abordagem do caso vai precisar do envolvimento de outros especialistas, a exemplo de clínicos, endocrinologistas, reumatologistas e dermatologistas.

Tratamento e prevenções

O tratamento depende da causa e da gravidade do quadro, mas em geral usam-se colírios lubrificantes, que podem ser viscosos, para olhos mais secos, ou aquosos, para olhos mais úmidos, além de medidas ambientais. Para alguns pacientes pode ser necessário utilizar outros medicamentos, como antiinflamatórios e imunomoduladores tópicos, ou mesmo intervenção cirúrgica.

A prevenção da xeroftalmia passa obrigatoriamente pela proteção dos olhos contra os agressores externos, como vento, poeira, fumaça e produtos em spray, só para citar alguns. Convém evitar a permanência prolongada sob ar condicionado e, principalmente, sob aquecedores. Nos dias mais secos, e também nos locais que abrigam computadores em constante funcionamento, o emprego de umidificadores ou mesmo de recipientes com água devolve aos ambientes a umidade necessária para a manutenção da saúde dos olhos. Os usuários de lentes de contato, por sua vez, devem cuidar muito bem de sua manutenção e limpeza, além de manter os olhos sempre bem lubrificados e de consultar um oftalmologista periodicamente. Não menos importante é evitar a todo custo a automedicação, já que muitos medicamentos interferem na produção de lágrimas. 

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Yersiniose

A yersiniose é uma infecção causada por bactérias do gênero Yersinia. Na maioria dos casos de infecções sintomáticas, a parte do organismo mais acometida é o intestino delgado, o que se denomina enterocolite. Essa condição se caracteriza por diarréia e febre, podendo ser confundida com apendicite ou com outras doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.

Embora a maioria dos casos tenha uma evolução clínica similar à de outras infecções gastrointestinais, em alguns casos a yersiniose está associada a complicações.

Em cerca de 10% dos adultos infectados podem surgir nódulos bastante dolorosos nas pernas e pés, que são chamados de eritemas nodosos.

Outra manifestação é a inflamação das articulações, ou artrite, observada em nada menos que metade dos infectados. Já cerca de 10% a 30% das crianças acometidas pela doença apresentam também diarréia com sangue.

Outro risco, presente em qualquer processo infeccioso importante, é o de a infecção tornar-se sistêmica, ou seja, disseminar-se em todo o organismo, o que requer cuidados médicos imediatos e intensivos.

A yersiniose tem distribuição mundial, porém é uma condição de baixa freqüência, que ocorre mais no norte da Europa, na Escandinávia e no Japão. Essa doença acomete principalmente crianças, idosos, indivíduos debilitados e imunodeprimidos, ou seja, aquelas pessoas cujo sistema imunológico não responde bem às inflamações devido a doenças e a tratamentos. Enquanto nos Estados Unidos há uma estimativa de cerca de 17 mil casos ao ano, no Brasil não há dados disponíveis para avaliação da ocorrência dessa infecção.

Causas e sintomas

Em crianças, a yersiniose costuma se apresentar com diarréia aguda e febre. Já os adultos também se queixam de dor abdominal do lado direito, de forma bastante semelhante à manifestação principal da apendicite – tanto é assim que esse sinal clínico, denominado linfadenite mesentérica, é conhecido como pseudo-apendicite. O quadro infeccioso pode durar de uma a três semanas.

Essa gastroenterite decorre da ação das espécies da yersínia, a Yersinia enterocolitica e a Yersinia pseudotuberculosis, que estão presentes em porcos, vacas, pássaros, esquilos, gatos e cachorros. A transmissão desses microrganismos basicamente se dá pela ingestão de água ou  de comida contaminadas.

Y. enterocolitica, em particular, é encontrada em uma grande variedade de alimentos, tais como as carnes de boi e de carneiro, as ostras, os peixes, o leite não pasteurizado e, principalmente, na carne suína crua ou malcozida e em seus derivados.

É importante salientar que mesmo que a conservação de tais alimentos tenha sido feita em geladeira há risco de transmissão, uma vez que esse bacilo resiste à refrigeração e a baixas concentrações de oxigênio.

Raramente, a yersiniose pode ser adquirida pelo contato com pessoas e animais infectados, assim como por transfusões sangüíneas e pela permanência prolongada em hospitais, já que existem relatos de infecção hospitalar por esses bacilos. Vale salientar que, após a contaminação, os sintomas surgem rapidamente, em cerca de três a sete dias.

Exames e diagnósticos

Como as gastroenterites podem ser decorrentes de diferentes agentes infecciosos, o diagnóstico definitivo de yersiniose depende do isolamento do microrganismo em exame de cultura de fezes ou em outros materiais biológicos (vômito, sangue ou apêndice).

Os testes laboratoriais de sangue para a pesquisa de anticorpos específicos contra as duas espécies da yersínia também podem ser empregados para esse diagnóstico. De qualquer modo, a doença constitui uma daquelas situações clínicas em que a análise minuciosa dos sintomas e da história clínica do indivíduo é fundamental, dada a possibilidade de confusão diagnóstica com outras condições gastrointestinais.

Tratamento e prevenções

Em muitos casos, o tratamento pode se resumir a medidas de hidratação do doente, que poderá ser feita tanto por via oral quanto por via endovenosa, de acordo com a severidade da diarréia. O uso de antibióticos está reservado aos casos mais graves, especialmente na presença de outras doenças e nas situações em que a yersínia ganha a circulação e se espalha para outros órgãos e tecidos. A boa notícia é que esse agente pode ser combatido eficientemente por vários antimicrobianos.

A forma mais eficiente de prevenir a yersiniose é procurar não consumir alimentos de procedência duvidosa e carnes cruas ou malcozidas, principalmente de suínos. Da mesma maneira, deve-se evitar a ingestão de água não tratada e de leite não pasteurizado e seus derivados.

Embora dentro de casa essas medidas pareçam muito simples, nos locais públicos elas escapam ao nosso controle, principalmente porque não há conhecimento da forma como os alimentos são preparados, sobretudo aqueles vendidos por ambulantes. A falta de água corrente para higienizar as mãos, utensílios e as condições do ambiente de preparo estão diretamente implicados nos riscos de contaminação dos alimentos pelo bacilo que causa a infecção. Já em áreas habitadas por roedores e por outros animais que carregam a yersínia, é fundamental proteger alimentos, plantações e reservatórios de água da contaminação com as fezes desses animais portadores. Como sempre, convém acrescentar que a melhoria das condições de saneamento básico das cidades igualmente contribui de modo expressivo para a prevenção da yersiniose.

Fonte: Assessoria Médica Fleury

Zumbido

O zumbido no ouvido e/ou na cabeça não é uma doença, mas um sintoma que pode estar relacionado com várias doenças e condições clínicas. Ele manifesta-se como um ruído que não é provocado por uma fonte sonora externa e, por isso, é definido como uma percepção auditiva fantasma, ou seja, não é notado por qualquer outra pessoa senão o próprio portador do zumbidoasos. O distúrbio, no entanto, produz um grande desconforto e interfere sobremaneira em sua qualidade de vida, já que compromete o sono, a concentração, o desempenho no trabalho, a vida social e, conseqüentemente, o equilíbrio emocional. Não por acaso, o zumbido é considerado um dos piores sintomas para o ser humano, só ficando atrás das dores intensas e das tonturas intratáveis, sintoma que também é gerado por doença no labirinto. Contudo, descrevem-se intensidades diferentes desse ruído interno, que vão da leve, quando o indivíduo o percebe apenas em algumas situações, até a grave, quando ele se torna contínuo e intolerável. Por ser uma percepção subjetiva, não compartilhada por outras pessoas, o nível de desconforto, de intolerância e de perda da qualidade de vida provocados pelo zumbido ao portador dependem menos da sua intensidade e mais das sensações desencadeadas pelo tipo de som, assim como pela sua constância, duração e localização. Essas sensações têm impacto psicológico intenso. Estima-se que o zumbido acometa 17% da população mundial, o que, no Brasil, se refere a 32 milhões de pessoas. Mesmo que a causa não seja encontrada ou não possa ser suprimida, hoje em dia ninguém mais está condenado a dormir com um barulho desses.

Causas e sintomas

Diversas doenças e condições clínicas podem desencadear a lesão auditiva que se expressa por meio do zumbido. Dentre estas, destacam-se as alterações metabólicas (hipoglicemia, diabetes, distúrbios da tiróide e problemas no metabolismo de gorduras) e as cardiovasculares (hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, etc.). As doenças mais graves, como esclerose múltipla, tumores cerebrais, traumatismos cranianos e seqüelas de meningites e encefalites, também podem causar zumbido. As alterações psicológicas/psiquiátricas (estresse emocional, depressão e ansiedade) são fatores que pioram a sensação do zumbido e, muitas vezes, o tornam intolerável. Determinados medicamentos também podem causar zumbidos irreversíveis. Calcula-se que haja cerca de 70 substâncias capazes de desencadear a manifestação, entre elas o ácido acetilsalicílico – a popular Aspirina – e alguns antiinflamatórios, antidepressivos e antibióticos. A auto-medicação e o uso indiscriminado de certas drogas é um dos aspectos mais importantes desse problema. O zumbido ainda advém de perdas da audição, tanto as decorrentes da exposição prolongada a ruídos muito altos quanto as provenientes do avanço da idade.

O portador do zumbido geralmente define o sintoma de várias maneiras, como um chiado, um apito ou uma campainha, como o barulho de chuveiro ou de cachoeira, como o som emanado de uma concha, como o canto de uma cigarra, como o escape da panela de pressão, como o esvoaçar de um inseto e como a pulsação do coração, entre outras comparações. Esse barulho pode se apresentar de maneira contínua ou intermitente, com um ou mais tons e intensidades diferentes.

Exames e diagnósticos

Como o zumbido é um sintoma de algum distúrbio geralmente situado no labirinto, órgão que abriga as funções da audição e do equilíbrio corporal, a pesquisa de sua origem requer uma avaliação clínica completa. Isso inclui um minucioso levantamento da história de saúde do indivíduo, das características do sintoma - como o tipo, a intensidade e a constância - e, sobretudo, do nível de desconforto provocado pelo quadro. Esse levantamento, evidentemente, passa por um detalhado exame físico e otorrinolaringológico, que é feito no consultório. Nele já é possível detectar algumas condições corriqueiras, como excesso de cera e infecções nos ouvidos. A investigação deve prosseguir com a realização de uma avaliação otoneurológica que envolve testes auditivos e vestibulares (equilíbrio). Os achados desta avaliação aliados aos dados obtidos na história clínica indicam quais os demais exames de laboratório e de imagem que devem ser realizados.

Tratamento e prevenções

Uma vez que se constate que o zumbido tem por trás alguma condição clínica, essa causa é tratada de forma específica, o que normalmente suprime ou, pelo menos, atenua a manifestação. Para os casos em que a origem não fica bem estabelecida, o tratamento varia de pessoa para pessoa. Em geral, usam-se medicamentos que interferem nas células nervosas das vias auditivas. Também podem ser indicados alguns tipos de vasodilatadores - reguladores do fluxo sangüíneo - e algumas medicações que melhoram o estado emocional, como ansiolíticos e antidepressivos. Atualmente, existe ainda a opção de fazer uma terapia comportamental, que visa a treinar o portador da manifestação a não reagir ao som do zumbido e a eliminar os sentimentos negativos associados ao mesmo. Essa técnica se desenvolve por meio de sessões de orientações e do chamado enriquecimento sonoro, que consiste no uso de geradores individuais de som, semelhantes aos aparelhos de surdez, para diminuir a percepção do barulho e aumentar a tolerância do indivíduo a ele. O zumbido de causa não reconhecida também pode contar com o reforço da acupuntura.

Dada sua associação com diversos problemas de saúde, evitar o zumbido depende da prevenção das doenças que o provocam, o que nem sempre é possível. Contudo, está comprovado que a adoção de um estilo de vida saudável, com dieta equilibrada, prática regular de exercícios físicos, sono regular, distância do tabagismo e de outros maus hábitos, ajuda a prevenir o surgimento de diversas enfermidades, especialmente as cardiovasculares e o diabetes. De qualquer maneira, é sempre importante passar por check-ups periódicos, conforme orientação médica. Além disso, todo o cuidado é pouco com o uso indiscriminado de medicamentos de venda liberada, sem a prescrição médica. A saúde auditiva, particularmente, exige ainda que os ouvidos sejam resguardados de excessivo barulho desde cedo. Se não é possível fazer isso fora dos ambientes de casa e do trabalho – tendo em vista a poluição sonora dos ambientes públicos –, pelo menos dentro dos ambientes que são familiares o volume da tevê, do aparelho de som e do computador deve ser reduzido – e atenção ao mp3 player da garotada, que não incomoda os pais, mas o som pode estar nas alturas! Já na hora da higiene, depois do banho, as orelhas devem ser enxugadas com uma toalha enrolada no dedo – nada de cotonetes, cujo uso indevido está bastante ligado a inflamações e lesões auditivas. Tudo isso não garante que um zumbido nunca vá aparecer, mas certamente reduz essa possibilidade de modo significativo.

Fonte: Assessoria Médica Fleury