Síndrome nefrítica

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 Síndrome nefrítica 

A síndrome nefrítica é definida como um grupo de distúrbios que afetam os glomérulos renais, ou seja, as estruturas responsáveis pela filtração do sangue. Na maior parte dos casos, resulta dos diferentes tipos de glomerulonefrites, podendo se apresentar de forma aguda, crônica ou rapidamente progressiva. A doença aguda começa de repente e está mais associada ao desenvolvimento de hipertensão arterial, de inflamação no tecido intersticial dos rins – entre os glomérulos e os túbulos que processam a urina – e de interrupção temporária da função renal. Já a crônica cursa gradual e silenciosamente, evoluindo em longo prazo para a perda irreversível da capacidade de trabalho dos rins, embora esse curso inevitável possa ser retardado com diversas estratégias. A forma rapidamente progressiva, como sugere o nome, é a mais grave das apresentações da síndrome nefrítica, caracterizando-se pela destruição da maioria dos glomérulos. Esse efeito leva o portador da condição à insuficiência renal crônica em semanas ou dias e à conseqüente doença terminal renal, quando os rins funcionam com menos de 10% de sua capacidade e não prescindem da ajuda de medidas artificiais de filtração sangüínea, a exemplo da hemodiálise. Das três formas da síndrome, porém, a aguda é a mais freqüente em pessoas de todas as idades e também a mais simples de resolver.

Causas e sintomas

Mesmo quando são portadoras da forma aguda da síndrome nefrítica, aproximadamente 50% das pessoas não têm sintomas. Quando existem, as manifestações incluem a retenção de líquidos, caracterizada por inchaço na face e nos membros inferiores, o volume urinário reduzido e o escurecimento da urina. O quadro freqüentemente é acompanhado de elevação da pressão arterial e dor de cabeça. A seu turno, a síndrome nefrítica rapidamente progressiva já começa com fraqueza, fadiga, febre, náusea, vômitos, falta de apetite e dores abdominais e articulares. Esses sintomas antecedem a insuficiência renal que rapidamente se instala, em geral com as mesmas manifestações renais da síndrome aguda, mas potencializadas – a presença de sangue na urina, por exemplo, pode ser visível – e muitas vezes combinadas com sintomas pulmonares, como tosse com expectoração escura e dificuldade respiratória. A doença crônica, por fim, quase sempre não apresenta sinais clínicos que façam uma pessoa procurar auxílio médico, sendo descoberta, na maioria das vezes, em exames de rotina.

A síndrome aguda se manifesta como uma evolução de glomerulonefrites causadas por infecções por bactérias em várias partes do corpo, particularmente na garganta, no coração e nos órgãos abdominais, e também como resultado do comprometimento renal decorrente de doenças infecciosas como varicela (catapora), hepatites, sífilis e malária, entre outras. As reações do organismo a corpos estranhos, como próteses, igualmente podem provocar a doença aguda. Em todos esses casos, porém, a origem da inflamação renal que leva o indivíduo à síndrome nefrítica está no depósito indevido de determinadas moléculas nos glomérulos, o qual interfere no trabalho da filtração do sangue. Chamadas de imunocomplexos, essas moléculas são formadas por antígenos – qualquer substância capaz de acionar nosso sistema de defesa, como as liberadas por agentes infecciosos – unidos aos anticorpos que os neutralizaram. As causas da forma crônica, por sua vez, são desconhecidas, mas ela parece estar relacionada com alguma doença glomerular silenciosa em pelo menos 50% de seus portadores. Muitas vezes, porém, nem sequer é possível determinar quando as lesões no filtro renal começaram. A síndrome rapidamente progressiva também não tem explicação em metade dos casos. Nos demais, ou está ligada ao já mencionado depósito de imunocomplexos ou, então, a um descontrole do sistema imunológico, que passa a produzir anticorpos que atacam as células e os tecidos dos glomérulos. Cogita-se que tal reação imunológica esteja associada à presença de outras enfermidades caracterizadas por esse mesmo processo de auto-agressão, denominado auto-imunidade, a exemplo do lúpus eritematoso sistêmico.

Exames e diagnósticos

Quando existem sintomas, a hipótese de doença renal é facilmente levantada pela avaliação clínica e confirmada por exames de sangue e de urina, os quais revelam alterações urinárias compatíveis e comprometimento da função renal, assim como por métodos de imagem, a exemplo do ultrassom. Na suspeita de uma ocorrência secundária a glomerulonefrites pós-infecciosas, os médicos também procuram pesquisar, no sangue do doente, a presença de anticorpos específicos, o que ajuda a explicar o quadro e a descartar outras possibilidades. Mesmo assim, como a síndrome nefrítica pode resultar de vários distúrbios que afetam os glomérulos, seu diagnóstico preciso, em particular das formas crônica e rapidamente progressiva, requer a realização de uma biópsia renal para o estudo das características das lesões, para a investigação de sua origem e para o conhecimento de sua extensão. Feita em ambiente ambulatorial e sob anestesia local, a biópsia consiste na retirada de minúsculos fragmentos dos rins, por meio de uma punção com agulha especial, para a posterior análise de suas alterações, células e tecidos.

Tratamento e prevenções

O tratamento depende da apresentação e da causa da síndrome nefrítica. Em geral, é necessário fazer o controle da pressão arterial e do equilíbrio de sais e líquidos no corpo, o que se consegue respectivamente com medicamentos anti-hipertensivos e diuréticos, além de uma dieta com restrição de sódio e proteínas até recuperar a função renal. Havendo infecção bacteriana vigente, esse processo deve ser combatido com antibióticos adequados e no caso de doenças auto-imunes, utilizam-se corticosteróides e imunossupressores. Em alguns casos, pode ser necessário realizar uma biópsia do rim para identificar a causa ou mesmo fazer o planejamento terapêutico.

Uma vez que a síndrome nefrítica crônica representa uma evolução de outras doenças dos rins, não é possível preveni-la quando as estruturas renais internas já foram comprometidas. O importante é procurar evitar o mal que lesa originalmente os glomérulos, o que igualmente pode ser bastante difícil, pois, na maioria dos casos, as glomerulonefrites têm transtornos imunológicos em sua origem. Contudo, como as respostas imunes anormais são muitas vezes desencadeadas por infecções e por outras doenças, duas medidas parecem vitais para a manutenção da saúde renal: a primeira inclui cuidados com a saúde em geral para evitar infecções de toda sorte, o que passa por alimentação equilibrada, ingestão adequada de líquidos, bom sono, prática de atividade física e manutenção de hábitos saudáveis, entre outras estratégias do gênero; já a segunda recomendação consiste simplesmente no tratamento adequado de doenças infecciosas e infecções bacterianas. Por incrível que pareça, muita gente ainda interrompe terapêuticas com antimicrobianos quando os sintomas desaparecem, o que não só pode provocar uma recaída, como também tornar os micróbios resistentes aos medicamentos adequados para combatê-los. E quanto mais esses agentes permanecem no organismo, maior a chance de provocarem reações imunes anormais.

Fonte: Assessoria Médica Fleury