Papo de Médico: tire suas dúvidas sobre a incontinência urinária

Por: Fleury Medicina e Saúde

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Não é constrangedor contar para alguém sobre o diagnóstico de hipertensão arterial ou diabetes, mas é raro saber por um amigo ou parente que ele tem incontinência urinária. Somente uma em cada quatro pessoas que apresentam alterações urinárias procura atendimento médico, seja por pensar que é algo normal por conta da idade, por ter histórico familiar ou por constrangimento. Confira na entrevista com o coordenador da Urologia do Fleury, Dr. José Carlos Cezar Ibanhez Truzzi (foto), como é possível tratar e reverter esse problema.

A fisioterapia do assoalho pélvico é recomendada para para a melhoria da qualidade de vida de pessoas que convivem com disfunções relacionadas ao aparelho urinário, como incontinência urinária e bexiga hiperativa, e também para as gestantes, tanto para prevenir a incontinência como para fortalecer e preparar a região para o parto, e também na recuperação posterior. O serviço é oferecido pelo Fleury no Centro de Apoio e Reabilitação de Disfunções Urinárias, na unidade República do Líbano I. Clique aqui e saiba mais! ​ 

O que é incontinência urinária?   
A incontinência urinaria é toda e qualquer perda involuntária de urina, ou seja, em circunstâncias em que a pessoa não deseja urinar. Existem vários tipos de incontinência e, por isso, varia muito a prevalência na população, mas há uma tendência maior de surgir com o passar da idade - o que não implica que crianças, por exemplo, não apresentem esse quadro. Poderíamos estimar que, dependendo do tipo analisado, de 20% a 70% da população possa ter.   

Como saber se o(a) filhoa(a) ou o(a) companheiro(a) está com incontinência urinária?   
A continência urinária, ou seja, a capacidade de controlar o ato de urinar é desenvolvida entre os 3 e 5 anos. A partir dessa idade, se há escape da urina, já pode ser considerado o possível quadro de incontinência. Nas crianças, é mais fácil identificar pelas roupas úmidas, ao passo que, entre os adultos ou idosos, as alterações são sociais. Há um processo de afastamento e o constrangimento para sair para atividades sociais e profissionais. Assim, as pessoas tendem a ficar mais em casa, usar roupas mais escuras, trocar as peças com mais frequência – o que alerta os que estão ao redor para um potencial comportamento de perda urinária.   

Como essa perda involuntária da urina pode ter influência na qualidade de vida de um indivíduo?   
Afeta a qualidade de vida em vários aspectos. Ocasiona certo afastamento social por receio de se expor a eventos que podem evidenciar o problema. Dependendo da atividade profissional, isso pode trazer preocupações por conta do número de idas ao banheiro ou a possiblidade de ter de trocar de roupa. Além disso, a incapacidade de reter a urina pode interferir na vida sexual, pois a pessoa se sente limitada e com receio de comprometer o convívio com o parceiro. Em alguns casos, ainda desencadeia problemas psicológicos, como a depressão.   

Quem pode ter incontinência urinária?   
Geralmente, as mulheres são as mais acometidas. Entre elas, o tipo mais comum é a incontinência de esforço: a perda involuntária de urina ao tossir ou espirrar, por exemplo.  Outro tipo prevalente no sexo feminino é a incontinência associada à gestação com parto vaginal.  Além disso, existe a incontinência de urgência, que atinge portadores de problemas neurológicos de ambos os sexos. São pessoas que, em razão desses problemas, não chegam a tempo ao banheiro. Mas homens também podem apresentar incontinência urinária, mais comumente associada à pós-prostatectómica, isto é, após a cirurgia para retirada da próstata.   

Quais são as formas de tratar esse problema?   
O tratamento pode incluir desde medidas conservadoras até procedimentos cirúrgicos, dependendo do tipo de incontinência. Normalmente, é feita a terapia comportamental, associada a uma dieta específica e a algumas atividades fitoterápicas, sendo que estas consistem em exercícios para o fortalecimento da musculatura, além de estímulos elétricos, de modo a promover ou restabelecer a continência. Essa é a primeira opção independentemente do tipo de incontinência. Também pode haver, em alguns casos, a associação com medicamentos orais.   

Em quanto tempo se notam os primeiros sinais de melhora após o início do tratamento?    
Em até três meses.  Após esse período, caso necessário, parte-se para outra modalidade, como medicamentos ou intervenção cirúrgica. Mas é importante frisar que essas medidas comportamentais e os exercícios fisioterápicos devem ser adotados de forma contínua. O paciente deve manter essa conduta mesmo que termine o período de tratamento. É equivalente a um exercício físico, como a corrida ou musculação. Se a pessoa para, volta ao estado anterior.​​​​​

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