Embolia pulmonar

A embolia pulmonar, ou tromboembolismo pulmonar (TEP), é uma condição potencialmente grave que ocorre pela migração de um êmbolo ou coágulo para o pulmão. Geralmente este coágulo é formado em alguma veia do corpo, sobretudo nos membros inferiores, se desprende e segue pela circulação venosa até os pulmões, onde obstrui a passagem do sangue por uma artéria.

A repercussão dessa oclusão depende do tamanho do trombo, da área afetada e da existência de circulação local que possa suprir esta deficiência. No entanto, em casos de trombos grandes, a interrupção da circulação pode causar desde danos pulmonares na região irrigada pela artéria acometida, em decorrência da falta de oxigênio, até mesmo morte súbita.

Como a trombose venosa profunda (TVP) é a principal responsável pela ocorrência de tromboembolismo pulmonar, qualquer suspeita de coágulo nos membros inferiores deve ser prontamente avaliada e tratada para evitar a migração para o pulmão ou a obstrução da circulação de outros órgãos. Se, contudo, já existirem condições desfavoráveis de circulação no pulmão, torna-se uma emergência pelo risco de mortalidade, que se torna mais elevado.

Estima-se que cinco em cada 10 mil pessoas apresentem um episódio de tromboembolismo pulmonar na população geral.

Causas e sintomas

As manifestações da embolia pulmonar incluem falta de ar e dificuldade para respirar, dor no tórax, tosse seca ou com sangue, sensação de ansiedade, febre baixa e palpitações. Como não há nenhum sinal ou sintoma que seja específico de embolia pulmonar, é importante a consideração de fatores de risco pré-existentes para o diagnóstico de TEP. A avaliação das queixas deve ser criteriosa, uma vez que muitas delas já fazem parte do cotidiano dos pacientes tabagistas e portadores de outras doenças clínicas.

A principal causa do tromboembolismo pulmonar é a trombose venosa profunda, que costuma se formar nos membros inferiores. Um dos principais fatores de risco para ocorrência da embolia pulmonar é imobilização. Desta forma, as pessoas mais sujeitas a essa condição são as que ficam muito tempo numa mesma posição, como em longas viagens aéreas, aquelas submetidas á cirurgias de longa duração e com necessidade de hospitalização e/ou imobilização prolongadas, como ocorre em fraturas de fêmur.

Existem outros fatores de risco envolvidos, tais como o tabagismo, o uso de anticoncepcionais orais, a obesidade e a presença de varizes. De forma peculiar, os portadores de doenças malignas e de distúrbios de coagulação do sangue, apresentam uma maior predisposição á embolia pulmonar. Com menor freqüência, porém, a obstrução pulmonar também pode ser decorrente de êmbolos de gordura, de líquido amniótico – em grávidas –, de medula óssea e de fragmentos de tumor ou, então, derivar de corpos estranhos e de bolhas de ar, mais comum em mergulhadores.

Exames e diagnósticos

A confirmação diagnóstica deste quadro em tempo hábil para o tratamento é um desafio para o médico, que precisa ter em mente esta suspeita e realizar exames prontamente. Salienta-se a importância da história clínica e a atenção aos fatores de risco do paciente para embolia.

O relato de diagnóstico recente de trombose em membros inferiores e histórico prévio de eventos embólicos em pacientes com queixas pulmonares também fornecem indícios muito sugestivos de quadro de tromboembolismo.

Evidentemente, a ausência de um fator de risco recente para esse evento pode dificultar mais suspeita clínica. De toda forma, a confirmação do quadro pode necessitar realização de exames cardiológicos,  como o eletrocardiograma e o ecocardiograma, e de recursos de imagem do tórax, a exemplo de cintilografia, tomografia e ressonância magnética, e em alguns casos de arteriografia dos pulmões. Embora este último método seja invasivo e menos usado na prática, é considerado o mais preciso para o diagnóstico do tromboembolismo.

Por meio do uso de contraste, esse exame permite verificar o fluxo sangüíneo nas artérias pulmonares e identificar exatamente os pontos de oclusão.

Tratamento e prevenções

O tratamento da embolia pulmonar precisa ser feito em ambiente hospitalar e a taxa de resposta clínica depende do tamanho do êmbolo, da área afetada e do retardo no diagnóstico.

As principais medidas hospitalares são a administração de oxigênio, de analgésicos para controle da dor e de anticoagulantes para evitar a progressão dos coágulos existentes e impedir a formação de novos. O uso da heparina e de  trombolíticos,- usados no tratamento dos êmbolos-, são muito úteis, mas não estão indicados para todos os casos. Depois que o paciente recebe alta hospitalar, pode ser necessário manter a terapêutica por mais alguns meses, dependendo do fator que desencadeou o tromboembolismo. Em circunstâncias mais graves, pode ser necessária uma cirurgia de emergência para a remoção do trombo. Em pessoas que apresentam episódios recorrentes de trombose e embolia, uma alternativa é a implantação cirúrgica de um filtro na veia principal que desemboca no coração.

Além dessa indicação, o filtro de veia Cava é uma boa opção para os indivíduos com contra-indicações ao uso contínuo de anticoagulantes – ou seja, com risco aumentado de hemorragias severas –, para evitar que um coágulo desprendido possa atingir os pulmões.

Os cuidados para evitar a embolia pulmonar praticamente são os mesmos que devem ser adotados para prevenir a trombose venosa profunda. Mesmo quem não tem fatores de risco conhecidos para a formação de trombos nos membros inferiores pode se prevenir desses eventos com a prática regular de exercícios. Exercitar as pernas por meio de caminhadas diárias já constitui um método preventivo eficaz. Em pessoas que sabidamente permanecerão longos períodos acamadas por tratamentos, imobilizações ou deficiências,o uso preventivo de anticoagulantes pode estar indicado. Esse cuidado também pode ser necessário em viagens aéreas prolongadas, a depender de indicação médica prévia. De toda forma, o ato de movimentar-se no avião pode ajudar bastante à manutenção de uma adequada circulação. Como de praxe, parar de fumar e perder peso são requisitos básicos para a saúde do sistema vascular. Por fim, os casos de embolia gasosa dos mergulhadores podem ser evitados com a obediência de procedimentos adequados para mergulho seguro.

Fonte: Assessoria Médica Fleury