Câncer de colo de útero (HPV)

O câncer de colo de útero é o terceiro tumor maligno mais comum na população feminina do Brasil, sendo superado apenas pelo câncer de pele e pelo câncer de mama. No País, estima-se que a incidência dessa doença chegue a quase 20 mil casos a cada ano, sobretudo na faixa dos 35 aos 55 anos.

Como qualquer tipo de tumor maligno, esse também se origina da multiplicação desordenada de células anormais, que efetivamente formam a lesão e podem ganhar a circulação, atingindo outros órgãos e tecidos do corpo. A diferença é que o câncer de colo uterino tem um vírus em sua origem – o papilomavírus humano (HPV). Alguns tipos de HPV invadem as células do colo do útero e fazem com que elas se transformem em células tumorais.

Esse processo, contudo, ocorre lentamente. Durante o passar dos anos as células vão se tornando anormais, com mutações inicialmente leves e benignas, o que se chama de displasias ou lesões pré-cancerosas. Mas essas alterações, se não tratadas, evoluem para um tumor maligno que pode crescer, destruir os tecidos à sua volta e se espalhar pelos órgãos vizinhos.

Há, portanto, tempo para interferir e impedir que tais lesões se transformem em câncer efetivamente. E, ainda que isso venha a acontecer, as chances de cura ficam próximas de 100% quando o tumor é detectado precocemente.

Apesar disso, a doença ainda representa a quarta causa de morte entre as mulheres brasileiras, o que, vale insistir, está associado ao diagnóstico tardio e à falta de acompanhamento ginecológico que toda mulher sexualmente ativa deve receber.

Causas e sintomas

Na chamada fase pré-clínica, ou seja, quando as células anormais vão se formando e dando origem a lesões precursoras da doença, quase não há sintomas, o que ratifica a importância do acompanhamento ginecológico periódico, pois é possível identificar os sinais pré-cancerosos nos exames de rastreamento desse câncer. Contudo, a infecção pelo HPV, que está por trás de todo o processo, pode causar coceira, irritação e verrugas genitais, que, eventualmente, sangram.

Conforme a doença progride, os sinais clínicos incluem sangramentos mais significativos não relacionados à menstruação, mesmo após a menopausa, além de corrimento vaginal e dor nas relações sexuais.

O papilomavírus humano está implicado em mais de 95% dos casos de câncer de colo de útero. Esse vírus é transmitido sexualmente, mas também pode passar de uma pessoa para outra por meio de roupas íntimas, objetos, instrumentos médicos e até pelo contato com mãos contaminadas, o que explica a possibilidade de contraí-lo mesmo em relações sexuais com preservativo.

Alguns fatores aumentam o risco de adquirir o HPV e, conseqüentemente, de desenvolver esse tipo de câncer, como o início precoce da atividade sexual, a multiplicidade de parceiros, o tabagismo e a higiene íntima inadequada. Como se não bastasse, mulheres com o sistema imunológico debilitado por doenças e por tratamentos também estão mais vulneráveis à ação do vírus.

Convém esclarecer que a infecção pelo HPV não deve ser vista como sinônimo de câncer. É a falta de tratamento que determina a evolução das lesões para um tumor maligno.

Exames e diagnósticos

A presença de sinais suspeitos pode ser detectada já ao exame ginecológico, feito no consultório. A confirmação, contudo, depende do resultado de métodos diagnósticos complementares. O clássico Papanicolau, que analisa as células do colo do útero, colhidas com uma espátula, mostra se existem alterações compatíveis com a doença ou mesmo com sua fase pré-clínica, ou seja, quando há apenas células com mutações leves.

A colposcopia, por sua vez, traz a imagem da região do colo do útero e permite ao médico visualizar alterações não detectadas ao exame ginecológico à olho nu. Caso seja identificada alguma lesão, é feita uma biópsia. Realizada durante a colposcopia, esse recurso consiste na retirada de minúsculos fragmentos das áreas suspeitas, que, então, são analisadas para pesquisar a presença e a natureza de suas alterações – se benigna ou maligna. O resultado da biópsia dá o veredicto.

Nas mulheres que tiverem diagnóstico confirmado de câncer de colo de útero, outros exames complementares podem ser necessários para avaliar se o tumor está restrito ao útero ou se, por acaso, atingiu a bexiga e o reto, por exemplo.

Tratamentos e prevenções

O tratamento das lesões precursoras do câncer do colo do útero é individualizado para cada caso. Varia desde o simples acompanhamento cuidadoso, a diversas técnicas, incluindo a crioterapia (congelamento) e outras formas de cauterização, até retirada da área da lesão.

O tratamento do câncer propriamente dito depende do estágio e da extensão e do estado da mulher, mas, em geral, combina cirurgia para a remoção do útero e dos gânglios próximos com radioterapia e/ou quimioterapia para eliminar as células malignas e impedir seu desenvolvimento.

Hoje em dia, já é possível preservar parte do útero para quem ainda desejar engravidar – desde que, evidentemente, se trate de um tumor em estágio inicial e limitado ao colo. Nos casos mais graves, ao contrário, pode ser necessário retirar, além do útero, outros órgãos e estruturas pélvicas.

O fato é que, assim como ocorre no câncer de mama, quanto mais precoce for a detecção do tumor, menos complexa será a intervenção cirúrgica. Vale lembrar que tanto o diagnóstico de lesões pré-cancerosas quanto cancerosas, mesmo após adequadamente tratadas requerem um acompanhamento médico bem estrito para controlar o aparecimento de novas alterações do gênero.

A prevenção do câncer de colo de útero passa por cuidados para evitar a infecção pelo HPV, o que implica o uso de preservativo em todas as relações sexuais, a boa observação das medidas de higiene pessoal, a distância do tabagismo e, principalmente, o acompanhamento ginecológico uma vez por ano, após o início da atividade sexual.

A realização do Papanicolau, exame de alta eficácia e baixo custo, é fundamental, pois consegue identificar alterações celulares compatíveis com a infecção pelo HPV antes mesmo que haja alterações visíveis. No caso de existir infecção, convém esclarecer que o parceiro sexual também precisa ser tratado para garantir a erradicação do vírus e a proteção contra o câncer.

Outra medida preventiva de destaque é a vacinação contra o HPV, indicada para mulheres de 9 a 26 anos, de preferência antes de começarem sua vida sexual. A vacina protege contra subtipos do HPV responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo uterino e por 90% dos casos de verrugas genitais e deve ser aplicada em três doses, a segunda depois de um mês e a terceira depois de seis meses, com reforço após cinco anos.

Contudo, a imunização deve ser associada às demais medidas preventivas para aumentar a proteção contra o câncer – e jamais substituí-las –, uma vez que não dá cobertura contra outros subtipos do vírus e contra outras graves doenças sexualmente transmissíveis, como a aids, por exemplo.

Fonte: Assessoria de Médicos Fleury​​