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Como investigar leucocitúria estéril
Considera-se leucocitúria estéril a presença de mais de cinco a oito leucócitos por campo.
Considera-se leucocitúria estéril a presença de mais de cinco a oito leucócitos por campo, em aumento de 400 vezes, ou mais de 20.000 a 30.000 leucócitos/mL, na ausência de culturas positivas.
A história clínica é fundamental nesses casos, servindo de alerta a disúria e a hematúria. Ao exame físico, palidez cutânea e hipertensão arterial devem ser consideradas, enquanto a presença de rash cutâneo, edema articular e linfadenopatia fala a favor de doenças subjacentes.
O exame laboratorial inicial, a urina tipo I, precisa ser realizado com todos os cuidados de
assepsia, especialmente nas mulheres, para diminuir o risco de contaminação causada pelos leucócitos vaginais. Além disso, pode haver necessidade de testes como hemograma e provas de função hepática e renal, assim como PCR para C. trachomatis, N. gonorrhoeae e M. genitalium em pacientes sexualmente ativos.
Diante da presença de hematúria, discreta proteinúria e leucocitúria, com comprometimento do trato urinário e adrenal, além do quadro clínico e exame físico sugestivos, a tuberculose renal configura importante causa de leucocitúria estéril. Os exames que permitem o diagnóstico são, em ordem de sensibilidade crescente, a baciloscopia, a PCR para Mycobacterium tuberculosis e a cultura para M. tuberculosis. Recomenda-se que a cultura e a baciloscopia sejam feitas em, pelo menos, três amostras coletadas em dias distintos.
Vale lembrar que a urina de 24 horas não é um material adequado para a cultura para M. tuberculosis devido à proliferação de colonizantes da uretra na amostra, os quais impedem o isolamento do agente. O ideal é utilizar todo o volume da primeira urina da manhã.
Por último, os métodos de imagem podem ter utilidade, a depender da história clínica e achados no exame físico, como ultrassonografia e/ou tomografia de vias urinárias, nas quais os diagnósticos diferenciais incluem cálculo renal, massas ou nefrite. Já os procedimentos urológicos, como a cistouretroscopia e a biópsia, podem ser indicados quando se suspeita de malignidade.
Classificação da leucocitúria estéril
Infecciosas:
- Infecções sexualmente transmissíveis (Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, Mycoplasma genitalium)
- Parasitas (Schistosoma mansoni)
- Prostatite
- Uretrite
- Balanite
- Tuberculose renal
- Adenovírus
- Apendicite (quando o apêndice estiver próximo à bexiga ou ao ureter)
Não infecciosas:
- Perda de peso: malignidade pélvica e do trato renal
- Procedimentos cirúrgicos prévios: cateteres inseridos para cistoscopia, nefroscopia
- Radioterapia pélvica
- Cirurgia intra-abdominal
- Hematúria micro ou macroscópica (cálculo renal, neoplasia renal, doença policística do rim, necrose papilar renal e nefrite intersticial)
- Doenças sistêmicas (lúpus eritematoso sistêmico, doença de Kawasaki, diabetes, hipertensão maligna), gestação, alterações da pós-menopausa e cistite intersticial
- Medicamentos (anti-inflamatórios não esteroidais, corticoides, penicilina, vancomicina, inibidores da bomba de prótons)
- Tratamento recente de infecção do trato urinário (duas semanas antes da leucocitúria)
Consultoria Médica
Dr. Jorge Luiz Mello Sampaio
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Referências
Wise GJ, Schlegel PN, New Eng J Med 2015; 372 (11): 1048-1054.
Glen P, Prashar A, Hawary A. Br J General Practice 2016, e225-e227.
