- Painéis moleculares identifica...
Painéis moleculares identificam a etiologia de diferentes doenças infecciosas
Painéis moleculares identificam a etiologia de diferentes doenças infecciosas.
Vários agentes patogênicos podem ocasionar síndromes infecciosas que apresentam sinais e sintomas semelhantes, dificultando o diagnóstico etiológico específico e a adoção de uma terapêutica mais apropriada. Embora ainda sejam amplamente utilizados, os testes diagnósticos tradicionais geralmente demandam mais tempo para a liberação dos resultados e, muitas vezes, exigem a solicitação de múltiplos exames para diferentes agentes, o que pode atrasar o início do tratamento adequado.
Nesse contexto, destaca-se a abordagem diagnóstica sindrômica, que consiste na investigação simultânea de múltiplos patógenos com base em um quadro clínico comum (ou síndrome), como febre, diarreia ou infecção respiratória, por meio de painéis moleculares que possibilitam um rápido e acurado diagnóstico etiológico, auxiliando a decisão terapêutica, além de reduzirem o uso empírico de antibióticos e promoverem um manejo clínico mais racional e eficaz.
Esses painéis configuram ferramentas com grande potencial para fundamentar a conduta médica, sobretudo em casos graves e complicados, já que ajudam a definir, de forma mais assertiva, a implementação ou não de terapias antimicrobianas ou antivirais específicas, assim como o período de duração do tratamento. Para completar, podem ter importante impacto na evolução clínica, permitindo uma melhor estimativa prognóstica e a adoção rápida de medidas eficazes de controle de infecções.
Processamento rápido
Utilizando a técnica da reação em cadeia da polimerase (PCR) em tempo real multiplex, que apresenta elevadas sensibilidade e especificidade, o Fleury realiza cinco diferentes painéis moleculares para o diagnóstico etiológico de infecções respiratórias, gastrointestinais, articulares e do sistema nervoso central.
Recentemente incorporado pelo Fleury em sua rotina, o painel para infecções articulares detecta 31 patógenos (15 bactérias gram-positivas, 14 bactérias gram-negativas, Candida spp. e Candida albicans), além de identificar oito genes de resistência aos antimicrobianos. Dada a rapidez da liberação do resultado, o exame ajuda a esclarecer o quadro e adotar a conduta com celeridade, especialmente em casos de artrite séptica e infecções articulares protéticas, que são potenciais causadoras de incapacidade, de impactos negativos à qualidade de vida e de aumento do risco da mortalidade. O ensaio, porém, não detecta Staphylococcus epidermidis e Cutibacterium acnes, que podem estar presentes em infecções precoces relacionadas a próteses.
Para o diagnóstico etiológico das meningites e encefalites, o painel molecular disponível no Fleury detecta 15 agentes, entre bactérias, vírus e fungos, e utiliza tecnologia que permite rápido processamento, com liberação em até um dia útil, em suas unidades de atendimento, ou em menos tempo, nos hospitais parceiros que oferecem o exame. Convém lembrar que, em fevereiro deste ano, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) inclusive regulamentou a cobertura obrigatória desse exame pelos planos de saúde.
Quanto às infecções respiratórias, o painel molecular para vírus e bactérias do trato respiratório alto tem utilidade para a detecção qualitativa e a identificação de bactérias atípicas e vírus, incluindo o Sars-CoV-2. Já o painel molecular para pneumonias se aplica ao diagnóstico etiológico das infecções graves do trato respiratório inferior, tanto comunitárias quanto nosocomiais. O exame fornece resultados semiquantitativos para a maioria das bactérias, utilizando, para tanto, o número de cópias do alvo genômico detectado, categorizado em faixas que variam entre 10E4 e 10E7. Embora a correspondência com as unidades formadoras de colônia (UFC/mL) empregadas para a quantificação bacteriana na cultura não seja direta, esses parâmetros são úteis para interpretar os resultados, sobretudo no sentido de diferenciar colonização de infecção. Para as bactérias atípicas e vírus, por sua vez, a detecção é qualitativa. O painel para pneumonias também pesquisa genes relacionados à resistência aos antimicrobianos. Por outro lado, não detecta o Sars-CoV-2. Vale ponderar que os achados desse teste devem ser sempre confirmados por cultura quantitativa e antibiograma.
Já para a diarreia infecciosa, ou gastroenterite – considerada, mundialmente, uma das principais causas de óbito em crianças com menos de 5 anos de idade –, o painel molecular consegue reconhecer os principais patógenos envolvidos nesses casos, tendo três particularidades que o diferenciam dos demais recursos usados para diagnosticar tais quadros: liberação rápida do resultado, pesquisa simultânea de 22 patógenos, dos quais 13 bactérias, cinco vírus e quatro protozoários, e disponibilidade 24 horas por dia nas unidades hospitalares.

E se a infecção for por mais de um agente? Devido à alta sensibilidade do método molecular, existe a possibilidade de codetecção, ou seja, da identificação de mais de um agente infeccioso na mesma amostra, especialmente em materiais provenientes de sítios não estéreis. Esse resultado não corresponde, necessariamente, à atividade infecciosa de todos os patógenos no mesmo momento. Pode se tratar, por exemplo, de excreção prolongada de ácidos nucleicos de episódios anteriores de infecção ou colonização. Mais um motivo para que o resultado de todos os painéis moleculares seja interpretado conjuntamente com os dados clínicos e epidemiológicos do paciente. |
CONSULTORIA MÉDICA
Dra. Carolina dos Santos Lázari - [email protected]
Dr. Celso Granato - [email protected]
Dr. Matias Chiarastelli Salomão - [email protected]
Dra. Paola Cappellano Daher - [email protected]
