15 coisas que você sempre quis saber sobre alimentação e digestão | Revista Fleury Ed. 28

Todo mundo sabe que comer ou beber em excesso pode causar desconforto após as refeições. Mas será que existem alimentos naturalmente indigestos, que mesmo em pequenas quantidades causam aquela sensação de estufamento?

15 coisas que você sempre quis saber sobre alimentação e digestão
Entenda os efeitos das suas escolhas e as repercussões no organismo
por rafael andrade

Todo mundo sabe que comer ou beber em excesso pode causar desconforto após as refeições. Mas será que existem alimentos naturalmente indigestos, que mesmo em pequenas quantidades causam aquela sensação de estufamento? Há mesmo horários melhores para ingerir determinados tipos de pratos, ou isso varia de acordo com o indivíduo? As nutricionistas Ana Paula Gonçalves e Karin Sarkis, a gastroenterologista Marcia Cavichio e a endocrinologista Maria Izabel Chiamolera, todas do Fleury Medicina e Saúde, respondem às perguntas mais frequentes sobre alimentação e digestão. Tire suas dúvidas!

1- O que acontece quando comemos demais ou ingerimos alimentos mais gordurosos?

Depois de exagerar no churrasco ou na feijoada, a sensação de empachamento é inevitável. A digestão de alimentos ricos em proteínas e gorduras, como as carnes vermelhas, leva a uma lentificação dos movimentos peristálticos. Com isso, o alimento fica mais tempo no estômago, o que causa uma sensação de saciedade prolongada, assim como maior probabilidade de refluxo gastroesofágico (as queimações que muitas vezes sentimos depois de comer). A moleza e o sono que se seguem a uma refeição copiosa acontecem porque o trato gastrointestinal necessita de irrigação sanguínea abundante para processar a digestão, causando uma diminuição do suprimento sanguíneo no cérebro.

2- É verdade que o estômago reduz ou dilata de acordo com a quantidade de alimentos que ingerimos?

Sim. A capacidade média do estômago de um adulto é de 1,5 litros, mas o órgão possui uma musculatura que pode se adequar à quantidade de alimentos ingeridos, chegando a até 4 litros. Porém, a regulação da sensação de fome e saciedade ocorre por mediação de vários hormônios produzidos pelo trato gastrointestinal, pâncreas e cérebro.

3- É recomendável eliminar de vez as gorduras da alimentação?

Não. Além de fornecer energia ao organismo, a gordura é elemento fundamental para a construção das membranas que envolvem as células e para a manutenção das funções básicas do corpo. O recomendado é evitar exageros e optar por gorduras de boa qualidade, como aquelas presentes em oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas), no abacate e no azeite. Além disso, é importante evitar excessos de gorduras saturadas (presentes em carnes gordas e pele de aves), trans e hidrogenada (comuns em frituras de imersão e alguns produtos industrializados).

4- É preciso reduzir a quantidade de alimentos ingeridos à noite?

O organismo tem o metabolismo reduzido durante a noite para permitir o relaxamento e o sono profundo. Portanto, o consumo excessivo de alimentos no período noturno não é indicado, pois faz o sistema digestivo trabalhar justamente quando deveria ser poupado. Isso pode causar problemas como insônia, má digestão e refluxo gastroesofágico. Uma boa opção de jantar pode ter uma porção de carboidrato (arroz, macarrão, pão e cereais – de preferência nas versões integrais), de proteína (carne magra, laticínio ou leguminosa), hortaliças e fruta.

5- O que é recomendado comer logo antes de dormir?

Chamamos de ceia a refeição imediatamente anterior à hora de dormir. Sua composição depende do horário em que o indivíduo realiza o jantar, da quantidade consumida e de sua rotina. Portanto, ela pode ser composta de diferentes formas, desde um lanche leve – como um chá com torradas – até uma fruta ou um iogurte. Caso a refeição antes de dormir seja o jantar, deve-se respeitar a composição já mencionada na questão anterior, dando preferência a alimentos menos gordurosos e ficando atento à quantidade.

6- É verdade que algumas frutas, como o abacaxi, ajudam a “queimar gorduras”?

Não é verdade que o abacaxi tenha essa propriedade. A fruta, no entanto, contém bromelina, uma enzima que ajuda a quebrar as proteínas alimentares e facilita o processo digestivo. Pesquisas mostram que essa substância também tem propriedades anti-inflamatórias.

7- Existem alimentos indigestos. Por quê?

Pimentão, pepino e melancia são os alimentos que mais geram reclamações de indigestão. Mas os problemas de intolerância variam muito de indivíduo para indivíduo, de acordo com a sensibilidade de cada um. A melancia pode ser considerada como uma fruta leve e refrescante para alguns, e de difícil digestão para outros.

8- O que é melhor consumir: manteiga ou margarina?

Hoje em dia a composição de ambas é parecida, pois parte da gordura trans da margarina foi substituída por gordura saturada. Ou seja, na hora de optar por qualquer uma delas, vale a regra: respeite seu paladar e consuma com moderação.

9- É verdade que o café da manhã é a refeição mais importante do dia?

O café da manhã é tão importante quanto as demais refeições do dia. Como já passamos por um período noturno de jejum, é fundamental que essa refeição não seja ignorada. Procure compor seu café da manhã com porções balanceadas de carboidratos integrais (pães, cereais, biscoitos, torradas, dentre outros), proteínas (lácteos magros) e fibras (frutas).

10- Quanto tempo o organismo leva para digerir os alimentos?

Isto é muito variável, pois depende de fatores como consistência dos alimentos, composição, quantidade e mastigação. De forma geral, da mastigação até o momento em que o bolo alimentar deixa o estômago, uma boa digestão leva de duas a três horas para acontecer. Carboidratos são digeridos mais rapidamente, seguidos pelas proteínas e, depois, pelas gorduras.

11- Consumir líquidos durante as refeições prejudica a digestão?

O excesso de líquidos ingeridos durante a refeição pode atrapalhar a digestão, pois dilui as enzimas digestivas. Para evitar problemas, vale ingerir no máximo 200 ml e optar por água ou sucos naturais. Refrigerantes e bebidas alcoólicas representam um acréscimo em açúcares, contribuindo para o aumento calórico da refeição.

12- Comer muito rápido prejudica a digestão?

Sim. Quando comemos com pressa, mastigamos menos os alimentos. Dessa forma, eles chegam em pedaços maiores ao estômago, o que torna todo o processo digestivo mais lento e trabalhoso. Além disso, comer rápido demais pode atrapalhar a ação dos hormônios responsáveis pela sensação de saciedade, induzindo à ingestão excessiva de alimentos.

13- Por que é mais saudável consumir arroz integral no lugar do branco?

O grão de arroz é formado por casca, película, gérmen e endosperma. Proteínas, vitaminas , minerais e fibras estão concentrados na película e no gérmen, que se perdem quando o arroz é polido para se tornar branco, e são importantes, entre outras funções, para regular a absorção de glicose e equilibrar a produção de insulina. Por isso, vale a pena priorizar o arroz integral na alimentação sempre que possível.

14- E o cigarro, faz mal à digestão?

A nicotina provoca a diminuição da pressão do esfíncter inferior do esôfago, facilitando o refluxo gastroesofágico – que percebemos como sensação de queimação na parte superior do abdômen ou mesmo dor torácica. Além disso, a substância aumenta o risco de úlcera péptica e dificulta sua cura.

15- Questões emocionais podem interferir no processo digestivo?

Sim. O stress influencia na secreção de cortisol, aumentando a produção de ácido pelo estômago e causando dor e desconforto. Além disso, há uma regulação entre o cérebro e o intestino que é essencial para vários processos vitais, como regulação do apetite e da ingestão de alimentos. Pessoas nas quais essa regulação bilateral está comprometida podem ter manifestações de dor abdominal, diarreia ou constipação, a que chamamos de síndrome do intestino irritável.

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