A cor da saúde | Revista Fleury Ed. 21

Para a mãe, nada é mais agradável do que entrar em contato com a pele de seu filho, acariciando-o, abraçando- o. E estar em contato com a pele do recém-nascido significa muito mais do que lhe propiciar as primeiras experiências e sensações, pois permite observar alterações que podem indicar algum problema de saúde.

Para a mãe, nada é mais agradável do que entrar em contato com a pele de seu filho, acariciando-o, abraçando- o. E estar em contato com a pele do recém-nascido significa muito mais do que lhe propiciar as primeiras experiências e sensações, pois permite observar alterações que podem indicar algum problema de saúde. Um exemplo importante é a icterícia neonatal. Este quadro, representado por um tom amarelado na pele logo ao nascer, afeta 60% dos bebês nascidos aos nove meses de gestação e 80% dos prematuros. ""A icterícia, na maior parte das vezes, é uma condição fisiológica, portanto, natural do recém-nascido, ocasionada pela imaturidade do bebê para o processamento da bilirrubina"", explica Ana Paula Cozac, assessora médica do Grupo de Hematologia do Fleury Medicina e Saúde.

À medida que as hemácias fetais passam por um processo de envelhecimento, que é natural, vão liberando um pigmento amarelo chamado bilirrubina, que é metabolizado no fígado. Como os recursos necessários para esse metabolismo ainda são imaturos no recém- nascido, o pigmento se acumula e, dessa forma, pode provocar icterícia. A coloração amarelada da pele habitualmente se torna visível cerca de 24 horas depois do nascimento e sua máxima intensidade ocorre entre o terceiro e o quinto dia de vida. Em casos que não estão relacionados a doenças, à medida que o bebê vai adquirindo capacidade de processar a bilirrubina – o que acontece com aproximadamente uma semana de vida – o pigmento regride a níveis normais sem que seja necessária qualquer intervenção médica.

No entanto, a icterícia do recém-nascido pode ter consequências indesejadas se a bilirrubina atingir um nível muito elevado, pois a deposição do pigmento no cérebro pode trazer complicações neurológicas. ""Quando os níveis de bilirrubina são críticos, o médico neonatologista pode indicar a fototerapia, conhecida como banho de luz, para auxiliar a excreção da substância"", explica a hematologista. A exposição à luz altera a estrutura química do pigmento, que se torna mais solúvel e mais facilmente eliminado.

A icterícia fisiológica desaparece, em média, entre o sétimo e o décimo dia de vida. Em algumas situações, pode se prolongar por até 28 dias desde o nascimento, na presença de fatores predisponentes, como, por exemplo, em descendentes de asiáticos e de pessoas procedentes da costa do Mediterrâneo. O aleitamento materno exclusivo também pode aumentar a duração da icterícia natural, até a sexta semana de vida.

Quando o surgimento da icterícia é muito precoce – ou seja, antes de 24 horas de vida – ou sua permanência é prolongada, é importante estar atento à possibilidade de causa patológica. A mesma recomendação é válida quando o nível de bilirrubina é muito elevado. Uma série de doenças pode estar relacionada à gênese da icterícia no recém nascido, como defeitos genéticos da hemoglobina ou das proteínas envolvidas no metabolismo da bilirrubina, infecções de transmissão maternofetal, e incompatibilidade sanguínea entre a mãe e o bebê. ""A incompatibilidade sanguínea entre a mãe e a criança provoca uma destruição maciça das células vermelhas do sangue, chamada de doença hemolítica perinatal. A situação clássica de incompatibilidade é o feto com RhD positivo e a mãe com RhD negativo"", explica Ana Paula.

A doença hemolítica perinatal é uma das causas mais comuns de icterícia patológica do recém-nascido. Durante a primeira gestação de uma mulher RhD negativa, em que o feto seja RhD positivo, a passagem das hemácias do feto para a circulação materna estimula a gestante a desenvolver anticorpos contra o fator Rh dessas hemácias. Isso não costuma ser um problema grave nessa gestação, já que tal produção leva tempo, e não chega a causar problemas ao bebê. Porém, na segunda gravidez, a gestante já está sensibilizada pela gestação anterior e – se o feto for novamente RhD positivo – a produção de anticorpos será rápida o suficiente para atravessar a barreira placentária, atingir a circulação do feto e destruir suas hemácias, causando-lhe anemia e icterícia.


Nesses casos, o tratamento inclui fototerapia de maneira intensiva. Porém, em alguns casos, pode ser necessária uma modalidade de transfusão sanguínea que substitui cerca de 85% do sangue do bebê, o qual tem por objetivo principal a remoção do excesso de bilirrubina na circulação fetal minimizando seus efeitos tóxicos.

É importante que o tipo sanguíneo dos pais seja conhecido desde o início da gestação, para que seja possível prever a ocorrência de incompatibilidade sanguínea entre mãe e feto. Se existe esta possibilidade, é recomendado monitorar a produção de anticorpos na mãe durante a gestação, por meio de um exame chamado coombs indireto, capaz de identificar e quantificá-los. ""Todas as gestantes, e não somente as que apresentam RhD negativo, devem fazer o coombs indireto na primeira consulta pré-natal e na 28ª semana de gestação. Se o primeiro exame já for positivo, será necessário repeti-lo ao longo dos meses, para avaliar se a quantidade de anticorpos está aumentando, o que pode levar à doença hemolítica perinatal"", explica Ana Paula.

A prevenção da doença hemolítica perinatal em mulheres que apresentem o exame de coombs indireto negativo é feita por meio de aplicações de imunoglobulina humana anti- Rh(D), que destrói as hemácias fetais na corrente sanguínea da mãe, de modo a impedir que ela seja sensibilizada e produza anticorpos anti-Rh(D). A passagem das células fetais para a circulação materna tem maior probabilidade de acontecer no final do segundo trimestre e no momento do parto, razão pela qual deve ser administrada uma dose de imunoglobulina por volta da vigésima oitava semana de gestação, e outra até 72 horas após o parto, no intuito de resguardar o feto na próxima gravidez.


Assim, a ocorrência de icterícia em bebês nos primeiros dias de vida não deve gerar angústia nos pais, uma vez que, na maioria das vezes, o sinal representa um processo natural nessa faixa etária. No entanto, deve sempre inspirar a atenção médica, para que sejam instituídas intervenções adequadas no momento certo, quando necessárias.

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