A vida em duas rodas | Revista Fleury Ed. 14

Além de ser uma excelente atividade física, andar de bicicleta é uma alternativa não poluente e rápida ao trânsito das grandes cidades

Trânsito, estresse, congestionamento? Isso é rotineiro para pessoas que vi­vem em grandes cidades e utilizam o carro como meio de transporte. Só na cidade de São Paulo, são 6 milhões de veículos dis­putando espaço nas ruas. Uma boa saída para fugir disso é a bicicleta. Além de ser um meio de transporte não poluente, sustentável e prá­tico, possibilita a prática de um bom exercício físico. Em alguns municípios brasileiros com menos de 50 mil habitantes, ela é utilizada como principal meio de transporte. Em mui­tos casos, pode ser até mais rápida do que um automóvel. Enquanto, em um engarrafamento, um carro anda a 5 km/h ou 8 km/h, a bicicleta pode chegar a uma média de 15 km/h.

Todas essas vantagens estão levando cada vez mais pessoas das grandes metrópoles a pedalar de casa para o trabalho, para a escola, para a faculdade. Segundo especialistas, an­dar de bicicleta é um dos exercícios aeróbi­cos mais completos que existem só perde para a corrida e a natação. No entanto, pedalar vai muito além de colocar as pernas em mo­vimento. Quem quer fazer do ciclismo uma atividade física regular tem que tomar alguns cuidados. O mesmo vale para os que vão usar a bike como meio de transporte. Em ambos os casos, é preciso se preparar fisicamente e uti­lizar os equipamentos adequados. Além disso, é necessário conhecer as regras de trânsito e saber lidar com os carros, os ônibus, os cami­nhões, e nunca se esquecer dos pedestres.

Para quem está começando, recomenda-se fa­zer uma consulta médica para avaliar a capaci­dade cardiorrespiratória e musculoesquelética. Feito isso, é só escolher o modelo predileto e ca­prichar no equipamento de segurança. Marcello Cunha, ortopedista que opera no Fleury Hos­pital-Dia, recomenda o kit completo para quem quer fazer ciclismo como esporte: joelheira, ca­pacete, cotoveleira, óculos contra raios solares e até a calça especial com almofada de prote­ção para a região da virilha. Já para quem usa a bicicleta para trabalhar, é bom usar ao menos o essencial: capacete, luva e calçado que tenha atrito com o pedal. ""Capacete, sempre. Afinal, grande parte dos acidentes fatais com bicicle­ta ocorre por causa de lesões na cabeça"", alerta o ortopedista. Ele lembra que, além da cabeça, joelhos e cotovelos são as partes do corpo que mais sofrem com as quedas.

Cunha lembra que há também os perigos decorrentes do mau uso da bicicleta. Selim muito alto e guidão muito à frente podem gerar o que os ortopedistas chamam de ""lesões tar­dias"". ""Grande parte das lesões para quem usa muito a bicicleta ocorre na coluna, por causa da postura inadequada [pescoço e lombar]. De­pois vem o joelho"", diz o médico. Uma boa dica para ajustar o selim é ficar em pé ao lado da bike e ajustá-lo na altura da bacia (quadril). Já o guidão deve estar a uma distância que permita que os cotovelos fiquem próximos do corpo. Se o braço estiver todo esticado, está errado. Por fim, nem muito sentado, nem muito deitado para frente: 45° é a inclinação ideal. ""Um alon­gamento prévio é recomendado a todos os que usam a bicicleta"", complementa Cunha.


Os benefícios da bicicleta
Pedalar faz bem para o coração, emagrece, reduz colesterol e combate o diabetes, além de aliviar o estresse. De acordo com Antonio Sérgio Tebexreni, cardiologista do Fleury, um indivíduo de peso entre 70 e 80 quilos peda­lando a 18 km/h durante uma hora pode gerar uma perda de até 600 calorias. ""Se uma pes­soa pedalar meia hora por dia, cinco vezes por semana, numa intensidade moderada, já terá ganhos significativos para a saúde"", afirma. E, lembra ele, isso vale inclusive para quem usa a bicicleta para trabalhar.

A eficiência da bicicleta tradicional e da er­gométrica é a mesma, segundo o médico. ""Mas parado, você perde o lado lúdico que a bicicle­ta tem."" Para quem só quer usar a magrela para fazer exercícios, os médicos recomendam os parques. Além de não se misturar ao trânsito, cada vez mais perigoso, o ciclista respira um ar um pouco mais puro do que o das ruas. Outra solução é acompanhar os grupos de ciclistas que invadem as ruas, sobretudo à noite, como os Night Bikers, na capital paulista.

Para quem usa a bicicleta como meio de transporte, é preciso incrementá-la com o re­fletivo, o espelho retrovisor do lado esquer­do, uma buzina ou campainha e faróis. E, de preferência, usar roupas chamativas para que todos no trânsito o notem. Nunca pedalar na contramão, ficar sempre à direita dos carros, parar quando o sinal fecha e não circular nas calçadas são algumas regras básicas. E o ci­clista deve sinalizar com as mãos, sempre que possível, para indicar o movimento que pretende fazer. Assim, os motoristas conse­guem se antecipar.

Infelizmente, as cidades não estão estrutu­radas para acolher os ciclistas de forma segura. Daí o cuidado extra. São poucas as ciclovias, e quase não há legislação para o uso da bicicleta. Contudo, aos poucos, o cenário está mudan­do. Algumas empresas já oferecem vestiários e estacionamentos para estimular esse meio de transporte. O condomínio Rochaverá-Morum­bi, onde foi inaugurada uma unidade do Fleury em julho, oferece vagas seguras para as bicicle­tas e vestiário para os usuários que quiserem tomar banho antes de trabalhar. Os clientes do Fleury também podem usar o bicicletário des­de que isso não comprometa o exame que se vai fazer. Então, antes de usar a bicicleta para chegar à unidade, informe-se em nossa Central de Atendimento ou por e-mail. São iniciativas como essa que estimulam as pessoas, aos pou­cos, a se aventurar a pedalar pela cidade.



As cidades e as bicicletas
Apesar de ser um dos meios de transporte mais populares do País, não existe muita infra-estrutura para andar de bicicleta no Brasil. São 2,5 mil km de ciclovias em todo o território nacional. Mas esse cenário já foi pior: até 2003, eram pouco mais de 600 km, de acordo com o Ministério das Cidades.

Em São Paulo, são apenas 23,5 km para as bicicletas, sendo que a maior parte das ciclovias está dentro dos parques. Para efeito de comparação, em Bogotá, uma cidade que investiu forte na bicicleta como um meio de transporte, já existem 300 km de ciclovias. Amsterdã, a ""cidade das bicicletas"", tem 400 km. O Rio de Janeiro, por sua vez, tem a maior quilometragem de ciclovia do Brasil: 140 km. As duas capitais, assim como Curitiba e Brasília, têm projetos de expansão de suas ciclovias. Em Brasília, há um projeto para atingir 600 km até 2010. Se isso acontecer, será a cidade brasileira com a maior pista.

Enquanto as prefeituras prometem esticar suas ciclovias, outra iniciativa começa a aparecer como uma tendência que veio para ficar: o empréstimo das bikes. São Paulo lançou esse serviço em setembro, quando inaugurou o aluguel de 40 bicicletas em quatro estações de metrô. O uso é gratuito na primeira hora e custa R$ 2 nas horas seguintes. Rio de Janeiro também vem investindo: até o fim do ano, a cidade ganhará as primeiras oito estações de bicicleta. A idéia é chegar a 50 estações e 500 bikes.

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