Amadurecer com diversão | Revista Fleury Ed. 33

A literatura vai além do entretenimento e marca vidas e gerações. O escritor e educador Pedro Bandeira conta como, com seus livros, busca ajudar jovens a crescer e enfrentar os desafios da vida.


A literatura vai além do entretenimento e marca vidas e gerações. O escritor e educador Pedro Bandeira conta como, com seus livros, busca ajudar jovens a crescer e enfrentar os desafios da vida.

""Nós somos o que aprendemos."" Por trás do pensamento aparentemente simples de Pedro Bandeira, está a base do que o escritor toma como missão: mais do que entreter, ele busca formar e educar por meio da literatura. É seu desafio ajudar a criança em seu processo de desenvolvimento, para que ela se torne um adulto maduro, capaz de lidar com a severidade que a vida por vezes impõe.

É uma tarefa nobre, conduzida por um autor que tem um alcance raro e duradouro no público juvenil – entre seus leitores, estão hoje adultos que aprenderam a gostar de literatura com seus livros. Em 32 anos de carreira, Pedro Bandeira já vendeu 30 milhões de exemplares e desde a década de 1980 cativa os leitores com suas histórias.

Nas obras para o público juvenil, como as da série Os Karas – em que um grupo de jovens se reúne secretamente para investigar e combater criminosos – o autor entra no universo psicológico dos adolescentes. Valores de moral e ética fundamentais para a formação de um indivíduo estão inseridos em tramas cheias de aventura, mistério, amor e provas de amizade. É uma combinação onde a profundidade não se descola da diversão e que tem origem em uma união dos interesses de Pedro. Ao escrever, ele une seu fascínio pela arte à visão de pesquisador e conferencista sobre literatura, educação e psicologia do desenvolvimento.

Para o escritor, a criança é como uma folha em branco. Desde pequenos, recebemos estímulos daqueles que nos cercam e vamos escrevendo em nós mesmos as experiências vivenciadas para formarmos a nossa identidade. Quanto mais valores forem assimilados para a construção da personalidade, mais maduros e preparados estaremos para lidar com os desafios do cotidiano. E, para isso, a literatura entra como grande aliada, pois apresenta situações que provocam angústia e tristeza, mas que são sentidas a distância, através dos personagens. ""A maior parte das coisas que você sabe, você não viveu na própria pele. Que bom! Senão você enlouqueceria"", reflete o autor. ""A criança tem de chegar à idade adulta tendo vivido através da arte muita coisa que ela jamais presenciaria em vida. Assim, poderá ser um adulto mais seguro emocionalmente e mais bem preparado para enfrentar a realidade, que não é fácil.""

Como as questões intrínsecas ao psicológico humano não mudam com o passar do tempo, Bandeira permanece atual. Suas obras, a maioria lançada nos anos 1980, estão em destaque nas grandes livrarias e o volume de venda é superior ao de décadas passadas. Dúvidas e ansiedades como a de Miguel, líder dos Karas, quanto a estar de fato preparado para assumir responsabilidades no comando do grupo de amigos da escola, ou de Isabel, a garota inteligente e desprovida de beleza que sofria por um amor não correspondido, fazem parte do cotidiano de qualquer jovem na fase da adolescência.

Quando a literatura de fato alcança o público dessa forma, nem a tecnologia passa a representar algum tipo de ameaça ou competição. Jogos, efeitos visuais, narrativas em vídeos e imagens não chegaram para afastar os jovens e adultos das obras impressas, na visão do escritor. ""Não, a tecnologia só vem para ajudar."" E mais, acrescenta Bandeira: ela é democrática, pois torna a informação barata e acessível. ""Você precisa, além de se comunicar pela internet, ir ao cinema, ao teatro, jogar futebol e também ler um livro.

Tem lugar para tudo. Não devemos ser reacionários em relação às novas tecnologias. Isso que está acontecendo é tão importante quanto a descoberta do fogo"", avalia.

Além de facilitar o acesso a livros e a outros tipos variados de informações, as novas tecnologias também aproximam o escritor de seu público. Nas redes sociais, crianças e adolescentes postam vídeos em que recitam trechos dos livros de Bandeira e mandam recados diretamente para o autor, que está sempre atento a seus fãs. ""Esse retorno do público é importante e me estimulou ao longo dos anos. Antes eram cartas, agora são e-mails. Sem ele, talvez eu tivesse desistido e procurado fazer outras coisas"", comenta.

Amadurecer com diversão

E foi exatamente no contato próximo com seu público que Bandeira vivenciou momentos emocionantes e gratificantes na sua vida profissional. Certa vez, lembra o escritor, ocorreu algo ""fabuloso"". Uma leitora, que desde menina lhe escrevia, passou a contar em suas correspondências que havia conhecido um rapaz. Um dia, chegou uma carta em que ela lhe confidenciava sua primeira experiência sexual. ""Aposto que ela não falou para os pais dela. Ela confiou em mim. Ela tinha de falar para alguém e esse alguém era aquela pessoa distante que sempre a acolheu"", relembra.

Outra leitora, que se tornou advogada e posteriormente juíza, escreveu uma carta contando que toda vez que estava diante de um processo difícil, pensava: ""como um Kara agiria numa hora dessa?"". ""É muito, não é? Imagina como eu arrepiei ao ler isso"", conta Bandeira. ""A ética dos Karas que pus nos meus livros vive dentro de uma juíza de direito. Eu a ajudei a se formar e isso para mim é mais que um Prêmio Nobel. Vale a pena morrer depois dessa"", descreve.

Das histórias tocantes às engraçadas e curiosas, como a de um garoto que pediu ao escritor que comprasse e enviasse para a casa dele uma bicicleta vermelha, ou a de uma carta mandada de dentro do presídio de segurança máxima de Avaré, Pedro Bandeira segue presente no imaginário e no cotidiano dos leitores. A eles, já dedicou muitos dos seus livros e acolheu como grandes amigos, recebendo deles mensagens, convites de casamentos e fotos de família. Nas instituições de ensino onde participa de conferências, Bandeira encontra profissionais que já foram seus leitores passando os ensinamentos recebidos na juventude, muitos assimilados com a ajuda de suas obras. ""Chego às palestras e encontro as jovens professorinhas e todas já me leram.""


Pedro Bandeira
Pedro Bandeira é o autor de literatura juvenil que mais vende no Brasil. A droga da obediência vendeu 2 milhões de exemplares e a série Os Karas retornou em 2014. Foto por: Rubens Romero

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