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Arte ou meditação? | Revista Fleury Ed. 28

Fotografia contemplativa propõe um novo olhar sobre o mundo para tornar a vida mais leve

Arte ou meditação?
Fotografia contemplativa propõe um novo olhar sobre o mundo para tornar a vida mais leve por maíra termero
Arte e meditação
Para fotografar, não basta ter os melhores equipamentos, técnica e experiência. Também não é suficiente ter um bom cenário, personagem ou objeto – é preciso, sobretudo, sensibilidade. Para os praticantes da fotografia contemplativa, conhecida por Miksang, o processo para desenvolver esse olhar delicado sobre o que nos cerca importa muito mais que a fotografia em si. O importante mesmo é se conectar ao presente e perceber a graça do cotidiano. “Miksang é uma prática de meditação, de contemplação”, esclarece o fotógrafo Yuri Bittar, que oferece workshops sobre a prática. “É um momento em que a gente se desliga do passado, do futuro, da ansiedade, das expectativas. Fotografamos simplesmente com o olhar, não com as imagens preconcebidas na mente”, explica.
Arte e meditação
“A arte maior, mais plena, é deixar que a beleza e a harmonia se expressem com sua técnica fotográfica. A arte é uma expressão do mundo: ela passa por você” Yuri Bittar


Arte e meditação

Miksang é um termo tibetano que significa “o bom olho”. O objetivo primordial da prática é o trabalho mental, mas as fotos acabam ficando, de fato, muito bonitas. “Toda sua vida se torna mais bela e agradável quando capta a beleza e a harmonia das coisas comuns”, diz Bittar. Em seus workshops, grupos de dez pessoas saem às ruas de São Paulo para andar e observar, fotografando quando algo chama a atenção. “É desestressante”, atesta.

Uma de suas alunas, Daisy Serena, confirma. “Como sou muito ansiosa, pratico para me acalmar. Faço exercícios de respiração antes e saio com a minha máquina”, conta a estudante de ciências sociais. Moradora do centro da cidade de São Paulo, Daisy dá preferência às manhãs de domingo para essas caminhadas, quando a região é mais calma. “Saio sem prazo e não penso em nada. As imagens simplesmente vêm.” Para ela, a prática do Miksang lhe é natural. Desde os 13 anos, gostava de fotografar detalhes. Cinéfila, intensificou esse gosto quando assistiu ao filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. “O filme mudou meu olhar.” Hoje, compara o Miksang a uma definição que traz do escritor argentino Julio Cortázar. “Ele diz que o fantástico é o que te tira do cotidiano. Tem muito a ver. É aquilo que você foca e não consegue olhar para outra coisa.”
Miksang

Quem pretende conhecer melhor a prática pode começar pela leitura de The Practice of Contemplative Photography: Seeing the World with Fresh Eyes, de Andy Karr e Michael Wood. Também é interessante procurar fotos de Miksang em sites de fotografia, como o Flickr, e conhecer outros praticantes. No site www.fotocultura.net, Yuri Bittar ensina e publica exercícios para se iniciar na prática.

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As fotografias que ilustram esta reportagem foram clicadas por Daisy Serena e Yuri Bittar, praticantes da meditação Miksang