As grandes famílias | Revista Fleury Ed. 33

Vários irmãos, idades diferentes, desafios diversos. As mães com muitos filhos têm muita história para contar.


Vários irmãos, idades diferentes, desafios diversos. As mães com muitos filhos têm muita história para contar.

No início dos anos 1980, quando ainda era adolescente, a advogada Andrea Biselli ficava fascinada com a numerosa família italiana do namorado. Antônio, com quem ela se casou aos 22, tinha oito irmãos. Na ocasião, ela ainda não sabia que também realizaria o sonho de ter uma grande família. Logo na volta de sua lua de mel, Andrea descobriu que estava grávida daquele que seria o primeiro de oito filhos do casal.

Mateus, hoje com 24 anos, nasceu quando Andrea estava no quinto ano da faculdade. Logo depois, vieram Tobias, 22, Regina, 20, e Lourenço, 18. ""Antes dos 30 eu já era mãe de quatro filhos, mas a Regina me pedia uma irmã"", conta Andrea. Quando tentava ter o quinto bebê, a advogada descobriu o hipotireoidismo. A disfunção fazia com que seus partos, mesmo de gestações saudáveis, se adiantassem. Além disso, com a idade avançada, ela poderia enfrentar outras complicações em uma futura gravidez. Com o problema controlado, veio Lavínia, hoje com 12 anos. E então chegaram mais três irmãos: Verônica, 10, Gregório, 8, e Isadora, 5. Cada um com sua história, seis partos normais e duas cesáreas, ambas por conta da circular de cordão – quando o cordão umbilical fica em volta do pescoço do bebê. São histórias que fizeram de Andrea uma mãe que aprendeu a se dividir, a se doar de maneiras diferentes e a aprender com cada filho uma coisa especial.

""Todo mundo quer saber as diferenças do primeiro para o último filho. E sempre digo que uma coisa ficou muito nítida para mim: há a maternidade antes dos 30 e a depois dos 35"", conta a advogada. Com os primeiros quatro filhos, ela conta que tinha muito mais disposição física, mas menos paciência. ""Nos quatro últimos, o pique já não era o mesmo. Não dou mais conta de ir em tantas festinhas, delego para os irmãos, para a babá. Mas tenho muito mais serenidade. Os mais velhos até dão uma reclamadinha que na 'época deles não era assim'"", se diverte.

""Todo mundo quer saber as diferenças do primeiro para o último filho. E sempre digo que uma delas ficou muito nítida para mim: a maternidade antes dos 30 e depois dos 35"" Andrea Biselli, 47 anos

Andrea Biselli e família
Arquivo pessoal
Da esquerda para a direita, sentados: Mateus, Andrea, Antonio e Verônica; no colo: Lavínia, Isadora e Gregório; em pé: Lourenço, Tobias e Regina
O sentimento é o mesmo de Adriana Simões, de 47 anos, também advogada e amiga de Andrea. ""Quando jovens, temos naturalmente uma certa insegurança. Mas nosso corpo dá conta de tudo, mesmo com o choque que é aprender a ter poucas horas de sono. Hoje, por conta da maturidade, eu já tiro de letra isso de ficar acordada, inclusive com os mais velhos, que vão para a balada. Eles chegam, avisam e eu já sei voltar a dormir sem crise"", conta ela, que é mãe de seis filhos: Juliana, 24, Rodrigo, 22, Rafael, 21, Daniela, 18, André, 15, e Patrícia, 8. Ela e o marido foram decidindo aos poucos se teriam mais de dois (ou três, ou quatro) filhos, mas também tinham um pouco dessa ideia na cabeça desde cedo. ""Somos em quatro irmãos na minha casa e eu sempre gostei da dinâmica de uma família grande"", diz Adriana.

PARCERIA COM OS MÉDICOS

Se ninguém nasce sabendo ser mãe, depois de várias experiências fica-se pelo menos um pouquinho mais conhecedor do assunto. ""Com os primeiros bebês, a qualquer sinal de febre eu ficava apreensiva, nervosa, ligava para o pediatra. Depois você começa a reconhecer uma otite, uma dor de barriga, de cabeça. Já passei por apendicite, por retirada de vesícula de filho. Entendo que a febre alta é defesa do organismo e consigo esperar as tais 48 horas para ver se ela baixa sem ligar pro médico"", conta Adriana.

Andrea concorda. Depois de alguns filhos ela já sabia que, na idade escolar, algumas doenças são comuns. Já não se desesperava. ""Sei diferenciar uma infecção viral de uma bacteriana, não ligo mais toda hora. Nos últimos filhos, quando chegava à consulta de rotina, eu já não tinha dúvidas e quase ouvia do médico: ok, então para que mesmo que você veio?"", brinca. ""Minha irmã, que tem dois filhos, liga para mim para tirar dúvidas antes de ligar para o pediatra dela (risos).""

A parceria do médico que acompanha a gestação é ainda mais importante quando nem tudo acontece como esperado. Entre o quarto e o oitavo filho, Andrea teve três gestações que não foram até o fim. Uma delas ocorreu entre Gregório e Isadora e ela se lembra de como a experiência com seus outros sete filhos a levou a entender que algo estava errado ainda na sala de ultrassom. ""Eu sabia pelo que via e ouvia do exame que alguma coisa ali não estava muito bem, mesmo com o médico sendo cuidadoso e discreto para só me comunicar depois. Se fosse uma primeira ou segunda gestação eu talvez não notasse, mas era meu sétimo acompanhamento de gravidez"", conta Andrea. ""Lembro de ir me trocar e não conseguir sair mais do banheiro, pois não queria ouvir o que ele tinha a me dizer. Mas ele foi me buscar e, com toda paciência e atenção, foi muito sincero, mas também muito acolhedor. Tanto que fiz questão de que ele me atendesse nas outras gestações que eu por ventura tivesse – e tive mesmo – dali para frente"". O médico que a acompanhou com tamanha dedicação nessas situações tão delicadas foi Dr. Javier Miguelez, obstetra e assessor médico do Serviço de Medicina Fetal do Fleury Medicina e Saúde.

""Por conta do trabalho, agora montei um esquema de revezamento com vizinhos para levar a Daniela para o cursinho e outro dia ela comentou que sentia saudades dos nossos 'cinco minutos'"" Adriana Simões, 47 anos


Adriana Simões e família  Arquivo pessoal

Da esquerda para a direita: Patricia, Rafael, Adriana, André, Daniela, Alexandre, Juliana e Rodrigo


UM POUQUINHO PARA CADA UM

Se nas questões físicas é mais fácil entender que o corpo tem reações parecidas, a personalidade de cada filho é algo que não dá para prever ou comparar. Tanto Andrea quanto Adriana encontraram, em parceria com os pais, meios de dar a cada filho momentos de ""filho único"", algo que todo mundo precisa para se sentir especial. ""Estipulei comigo mesma que a cada dia um deles fica sendo meu filho da vez. É um momento em que abro meus olhos e ouvidos para ele, programo alguma atividade, mesmo que curta, ou só um papo com chamego no sofá"", diz Andrea.

Para Adriana – que inicialmente deixou de trabalhar para se dedicar aos filhos, depois voltou em meio-período e agora deve retornar em tempo integral –, era a função de ""motorista"" que lhe proporcionava esses momentos especiais com cada um. ""Na hora de levar na natação, buscar na consulta com a fonoaudióloga, às vezes era só um ou outro que estava comigo. E aproveitei muito esses preciosos minutos para conversar com eles. Por conta do trabalho, agora montei um esquema de revezamento com vizinhos para levar a Daniela para o cursinho, mas outro dia ela comentou que sentia saudades dos nossos 'cinco minutos'.""

Mas farra mesmo, para as duas famílias, é juntar todo mundo. Pode ser na hora do jantar – Adriana faz questão de que aconteçam o máximo de dias possíveis da semana – ou naquela festa de aniversário de alguém. Nesses momentos, até mesmo a hora de fazer a pose para caber todo mundo na foto já rende histórias para a vida toda.


Múltiplas gestações e o corpo da mulher
Engravidar diversas vezes traz algumas tranquilidades para a mãe, que ganha mais segurança para lidar com algumas situações. “Especialmente no aleitamento, questão em que a mulher recebe muitas cobranças”, explica Dr. Javier Miguelez. Por outro lado, é preciso estar atenta a todos os cuidados, ainda que a mãe já não seja de primeira viagem. Cada gestação é única. “Com muitas gestações, é provável que as últimas aconteçam quando a mulher já tem uma idade mais avançada, o que requer outros cuidados de pré-natal”, lembra Dr. Javier. Além disso, a escolha do tipo de parto deve ser mais cuidadosa. “A cesárea repetida diversas vezes pode deixar a placenta mais baixa ou aderida ao útero. Além disso, as cicatrizes feitas pelos cortes aumentam o risco de rompimento nas gestações futuras”, alerta.

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