Beleza rima com saúde | Revista Fleury Ed. 28

Uma médica e uma estilista falam sobre as diferenças e semelhanças entre padrões médicos e estéticos de peso e estrutura física por laura folgueira.

A modelo australiana Robyn Lawley estampou recentemente um editorial da revista Cosmopolitan que reviveu o debate sobre os restritos padrões de beleza no mundo da moda: aos 23 anos, ela foi classificada pela publicação como plus-size (“tamanho maior”), termo criado por norte-americanos para designar mulheres que vestem manequim acima do tamanho 44. O fato dificilmente causaria polêmica não fossem as características nada “plus” de Robyn: com 1,88 m de altura, ela pesa 81 kg e exibe 99 cm de busto, 78 cm de cintura e 106 cm de quadril.
Robyn reacendeu os holofotes, mais uma vez, para uma discussão tão antiga quanto urgente: em um mundo dominado pelo sobrepeso e, ao mesmo tempo, pela proliferação nas passarelas de um padrão de beleza que privilegia a magreza, como encontrar o equilíbrio? Convidamos a endocrinologista Milena Teles, do Fleury Medicina e Saúde, e a estilista Marie Toscano, que assina os novos uniformes de colaboradores e médicos do Fleury, para discutir essa questão.

Bendita fita métricaQuem não se lembra do 90-60-90, que até pouco tempo atrás simbolizava a proporção “perfeita” de busto, cintura e quadril femininos? Para os estilistas de grifes comerciais, quanto menor o número indicado pela fita métrica, melhor. O argumento para essa exigência é que as roupas ficam mais bonitas e destacadas em corpos altos e magros. “Mas, na vida real, não há essa necessidade de ser magérrima. As pessoas sabem que é uma coisa utópica”, defende Marie Toscano.
Em seu ateliê, a experiência comprova o fato: se há dez anos era comum ver mulheres, especialmente as mais jovens, bastante magras e sem gordura abdominal, hoje é raro. “Vejo, no máximo, uma mulher a cada dois anos com a tal cintura de 60 cm. E, quando há, são mulheres bastante jovens. O mais comum são as cinturas acima de 70 cm.”
Ser obeso ou magérrimo não é algo recomendável para ninguém. O que vale, mesmo, é o caminho do meio. Para a medicina, é a medida da cintura que importa – e muito. Mas sem radicalismos dignos de passarela. Apesar de geralmente se usar o IMC (Índice de Massa Corporal) para indicar sobrepeso, obesidade ou mesmo baixo peso, a fórmula pode enganar. “O IMC é um rastreamento mais geral que nem sempre tem relação com a saúde. Um halterofilista, com muita massa magra, pode ter um IMC de sobrepeso, mas ser completamente saudável”, exemplifica Milena. Muito mais confiável é a combinação do método com a medida de circunferência abdominal, que reflete com maior exatidão a concentração de gordura visceral e é usada como indicador do aumento do risco cardiovascular e metabólico associado à obesidade. Os valores mudam de acordo com o gênero e o grupo étnico. No Brasil não existe padronização dessas medidas.
Sabe a modelo plus-size que citamos logo no início desta reportagem? Robyn Lawley tem IMC de 22,9 (o valor considerado saudável está entre 18,5 e 24,9) e circunferência abdominal 10 cm menor que o limite para caucasianas, que aponta riscos à saúde apenas a partir de 88 cm de cintura. O corpo dela pode ser considerado, portanto, em equilíbrio, dentro dos padrões de saúde, ainda que suas medidas desafiem o trio 90-60-90 das passarelas. “Vale lembrar que, curiosamente, a tendência da brasileira de concentrar gordura no quadril e no bumbum traz menos riscos à saúde quando comparada à gordura acumulada no abdome”, diz Milena.

Manequim ideal?
Segundo Marie Toscano, no entanto, nota-se agora um movimento muito particular do universo fashion – o que antes era um manequim 42, hoje é vendido como 40 –, uma prática que pode causar a falsa impressão de que as gordurinhas estão sob controle. Como ainda não existe um padrão mundial no varejo de moda que determine as medidas mínimas e máximas de cada numeração, vale o que os fabricantes estabelecem. “As marcas mexeram na grade de numeração, principalmente nos Estados Unidos. Pessoas que usavam M agora usam P, ainda que estejam maiores”, diz Marie.
Se o ideal de beleza das passarelas não encontra tanta ressonância na vida real, qual é o corpo que as mulheres buscam – e o que fazem para consegui-lo? No Brasil, hoje há dois modelos de beleza bastante distintos estampando as páginas dos editoriais de moda e fitness: um é a mulher magérrima, ao estilo das modelos de passarela; o outro é a malhada, hipertrofiada. Tanto Milena quanto Marie acreditam que as preferência variam regionalmente. “Aqui se faz muita musculação. No ateliê vejo muita gente com coxas grandes e definidas. Na academia, as pessoas não são ‘finas’ como nas passarelas. Mas é um padrão atual, bem recente”, diz a estilista. Já Milena vê diferenças entre São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo: “No Rio, o IMC é culturalmente maior do que o de São Paulo. É algo bem regional.”
A médica, porém, chama atenção para possíveis problemas da busca por muitos músculos e pouquíssima gordura. O primeiro é o risco de lesão e sobrecarga de músculos e articulações. “Além disso, a mulher depende de uma quantidade mínima de tecido adiposo para funções básicas, como o ciclo menstrual. O problema não é o excesso da massa magra, mas a redução extrema de gordura, que pode fazer a mulher parar de menstruar. Isso também pode acontecer com quem tem baixa massa magra e o peso muito abaixo do indicado”, diz. “Mas voltando para uma constituição corpórea ideal, isso é reversível.”
Segundo a endocrinologista, é claro que ainda há quem viva atrás do corpo das revistas femininas ou da dieta da moda: detox, menos glúten, zero lactose. “Mas isso tem diminuído”, diz a médica. “Hoje, no consultório, grande parte dos pacientes procura saber como ser definido e vem também com um pedido: ser saudável. Se meu biotipo é esse, não ultrapasso as medidas de risco e tenho exames normais, ótimo”, completa.

Milena Teles, endocrinologista do Fleury Medicina e Saúde
Marie Toscano, estilista especializada em roupas de festa

EM FORMA, COM SAÚDE

Combinar a medida da circunferência abdominal ao IMC é uma excelente maneira de controlar o sobrepeso e a obesidade. Confira a tabela com os valores para caucasianos e faça sua avaliação combinada:

Outras Notícias

Relatório Anual de Sustentabilidade 2019

Acesse o Relatório Anual de Sustentabilidade 2019 do Grupo Fleury, baseado nas diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) em sua versão Standard, opção Essencial, e em linha com as orientações do Relato Integrado (IR).

Semana Mundial de Conscientização Sobre Alergias

A Organização Mundial de Alergia (World Allergy Organization/WAO) realiza anualmente, juntamente com as diversas sociedades de alergia no mundo, uma semana para a conscientização sobre as doenças alérgicas e suas alterações. A partir de hoje e até o dia 4 de julho traremos informações sobre uma alergia diferente.

Checkpoints para o seu tratamento infusional: O passo a passo para alcançar mais qualidade de vida.

Qualidade de vida é uma das maiores aspirações do ser humano, expectativa que parece distante para quem sofre de doenças crônicas e incapacitantes. Mas, com o avanço das pesquisas e dos novos medicamentos da terapia infusional, é possível um cotidiano mais confortável e com maior autonomia. Para você iniciar seu tratamento com mais tranquilidade e saber quais resultados esperar, trouxemos algumas respostas para ajudá-lo.

Grupo Fleury participa do processo de testes para vacina contra a COVID-19

Grupo Fleury realizará testes para 2 mil candidatos selecionados pela Unifesp para estudo sobre a vacina contra a COVID-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford. Em estudo conduzido pela Escola Paulista de Medicina, da Unifesp, Grupo fará exames do tipo sorológico durante triagem de participantes de experimento. Vacina está sendo testada em 50 mil pessoas em vários lugares do mundo. IMPORTANTE: Os 2000 candidatos para o estudo da vacina serão selecionados exclusivamente pela Unifesp. Nossa central de atendimento não recebe candidaturas.