Cidade Compartilhada | Revista Fleury Ed. 29

Dividir desde espaços de trabalho até formas de transporte pode ser a solução para uma vida urbana melhor

Dividir desde espaços de trabalho até formas de transporte pode ser a solução para uma vida urbana melhor

Por Laura Folgueira

Ilustração Juliana Russo


Em 2013, um grupo de mulheres da capital paulista se uniu para pensar em maneiras de criar um protagonismo feminino em todas as áreas, das artes à tecnologia, e de construir um ambiente de trabalho que permitisse a troca e respeitasse ritmos e ciclos individuais. A Casa de Lua seria mais um coletivo comum, em uma cidade repleta deles, não fosse a mescla de perfis, histórias, sotaques e profissões em torno de uma aspiração: compartilhar ideias, trabalhos e – por que não? – afeto. Isso se materializou como um espaço de co-working – modelo de trabalho que está se popularizando no Brasil, com mais de 100 lugares do tipo –, mas trata-se, na prática, de um local para dividir tudo, de problemas a soluções. “Temos o lema ‘façamos juntas o que não podemos fazer sozinhas’ e isso é muito potente, na medida do que o acolhimento produz em termos de estímulo, apoio e fé nas ideias e nos projetos, mesmo os mais malucos e improváveis. É a sensação tranquila e certa de que não estamos sós”, afirma Vanessa Rodrigues, jornalista, escritora e cofundadora da Casa de Lua.

Compartilhar desde o trabalho até o modo de transporte é uma das formas mais eficientes de melhorar a cidade em que se vive. “A cidade é a cristalização do jeito como as pessoas se relacionam entre si. Quando você congestiona os caminhos da cidade para várias coisas, desde comprar comida até soluções para mudar os transportes, a cidade se congestiona também”, diz Natália Garcia, jornalista fundadora do projeto Cidades para Pessoas. Ela cita, como exemplo, as iniciativas de economia solidária mundo afora, que têm como objetivo fazer com que as pessoas troquem e emprestem coisas – no Brasil, para isso, existe o Bliive (veja na página 22).

Transporte compartilhado
Como o trânsito é um dos problemas mais sérios de cidades grandes como São Paulo, começaram a surgir alternativas de compartilhamento das formas de se locomover nelas. O benefício pode ser grande. “O que melhora uma cidade para as pessoas é dar mais escolha – e mobilidade é parte disso”, acredita Natália. “Compartilhando, você transforma o problema – a frota de carros numerosa, por exemplo – em recurso.” Essa é a lógica dos aplicativos de caronas, como o Caronetas ou o Zaznu. A ideia é que há muita gente que trabalha na mesma empresa e mora perto, mas usa modais individuais para se locomover. Juntá-las melhora não só o trânsito, mas a rotina das pessoas.

Outras plataformas promovem o compartilhamento de bicicletas, táxis e até mesmo carros (veja no box). São novidades que ajudam a organizar melhor a vida nas capitais. “Quando a cidade é grande, vira uma experiência de passagem, as pessoas não se encontram para rever seu repertório de possibilidades. Criar um processo para sair da inércia urbana é um passo importante”, conclui Natália.“Com a bicicleta eu, consigo praticar um esporte e, ao mesmo tempo, conhecer melhor a cidade.” Tatiane Rosseto, usuária do programa Bike Sampa

Bicicletas compartilhadas
O programa Bike Sampa, sistema de compartilhamento de bicicletas inaugurado em 2012 em São Paulo, foi sucesso imediato – hoje conta com 172 mil usuários cadastrados. Entre eles está a microempresária Tatiane Lima Rossetto, que usa as bicicletas para lazer. Em viagens ao Rio, onde o programa nasceu, ela aproveita para fazer dessas bicicletas seu transporte, evitando tomar táxis ou ônibus.

“Quando vi as estações de bike – há uma em frente à minha casa –, achei uma ótima oportunidade para praticar mais um esporte, por um valor de baixo custo, tendo em vista que não pretendo comprar uma bicicleta. Em 2013, usei todo fim de semana. O mais legal é que, com a bicicleta, eu consigo praticar um esporte e, ao mesmo tempo, conhecer melhor a cidade. Só acho que, hoje, falta mais incentivo por parte das entidades públicas e mais consciência das pessoas de que podemos fazer da bicicleta um meio de transporte.”

Dando caronas
Lorenza Lorenz, consultora de sistemas, sempre usou seu carro para ir e voltar do trabalho. Até encontrar um link para o Caronetas na intranet da empresa onde trabalha, nunca tinha pensado em compartilhar esse transporte. Resolveu testar e, hoje, arrumou uma companheira e tanto!

“O site Caronetas realizou uma referência cruzada entre trajetos e me enviou o e-mail da Taty como sugestão de carona. Eu escrevi para ela, mas a resposta pedia contato por SMS, pois a Taty é deficiente auditiva. Confesso que fiquei confusa, com medo de não saber lidar com a situação. No dia seguinte, no horário combinado, nos encontramos. Toda a minha tensão, e acredito que a dela também, sumiu. Ela é muito querida e nos comunicamos perfeitamente. A Taty trabalha na mesma empresa que eu, fomos vizinhas por cerca de sete anos e não nos conhecíamos nem de vista. Agora somos amigas! Eu vou todos os dias de carro para a empresa. Por que não compartilhar com quem faz o mesmo trajeto? Em contrapartida, tenho companhia e me sinto mais segura, já que a maioria dos assaltos ocorre com pessoas sozinhas no carro e eu mesma fui assaltada algumas vezes no trânsito.”

Iniciativas em que a missão é compartilhar:

Caronetas
O site permite que quem oferece caronas possa adquirir, em troca, produtos e serviços. É exclusivo para funcionários de empresas cadastradas.
www.caronetas.com.br

Zaznu
O aplicativo para celulares paga aos motoristas que dão carona, que podem ganhar cerca de R$ 60 por hora. Para o carona, a economia também vale a pena – fica entre 20% e 35% mais barato que um táxi.
www.zaznu.co

Zazcar
Único sistema de carsharing brasileiro, funciona da mesma forma que os de bicicletas: você vai até onde houver um veículo estacionado, cadastra seu telefone e recebe um cartão com o qual desbloqueia o carro, pagando por hora ou dia. Para ir e voltar do trabalho, vale mais a pena financeiramente do que comprar um carro, já que a hora custa a partir de R$ 6,90.
www.zazcar.com.br

Bike Sampa
O sistema de compartilhamento de bicicletas é o que faz mais sucesso em São Paulo. Pudera: são cerca de duas mil magrelas espalhadas em 200 estações – e dá para pagar com o Bilhete Único (viagens até uma hora são gratuitas e, depois, custam R$ 5 por hora).
www.mobilicidade.com.br/bikesampa/

Meia Bandeirada
Pegar táxi é confortável, mas caro. Para dar um jeito nisso, o Meia Bandeirada cadastra as empresas e seus funcionários e visualiza todos os seus deslocamentos, propondo roteiros compartilhados e garantindo menor custo para todos.
www.meiabandeirada.com.br

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