Cura e transformação | Revista Fleury Ed. 34

Identificar doenças graves precocemente significa mais do que ampliar as possibilidades de cura é também uma profunda experiência de evolução pessoal.

Identificar doenças graves precocemente significa mais do que ampliar as possibilidades de cura é também uma profunda experiência de evolução pessoal.

Todo mundo sabe de cor o que diz o ditado: é melhor prevenir do que remediar. Quem consulta um médico com regularidade e faz exames preventivos tem muito a ganhar, tanto em tempo como em qualidade de vida. “A detecção precoce e certeira de uma doença é sempre benéfica: favorece a longevidade, evita que outros órgãos sejam afetados e reduz o tempo de tratamento. Quem se cuida está olhando para o futuro”, afirma Dr. Carlos Alberto Avellaneda Penatti, coordenador médico do Check-Up Fleury.

Os benefícios são claros, mas poucas pessoas mantêm, na vida adulta, o hábito de fazer uma avaliação médica geral, como na infância e na adolescência. “É preciso mudar nossa forma de pensar reativamente e de ir ao médico só quando temos uma queixa”, completa Dr. Penatti. O ideal é marcar ao menos uma consulta por ano para conversar sobre a saúde e passar por exames básicos.

Essa mudança de hábito é decisiva para descobrir problemas crônicos e até tumores antes mesmo de eles começarem a dar sinais. Uma doença crônica, como diabetes ou hipertensão, identificada de antemão, pode ser tratada de maneira mais eficaz, em vez de causar um mal-estar permanente ou um episódio extremo, como um infarto. Além disso, o paciente ganha tempo para mudar seu estilo de vida, comer melhor, fazer exercícios e se estressar menos com o trabalho, aponta Dr. Penatti. “Não existe mudança de uma hora para a outra, e sim gradual.”

Quando um tumor é detectado precocemente, a perspectiva de cura é maior. “Só um exame preventivo detecta o câncer em estágio precoce, com dimensões e características favoráveis à chance de cura e que possibilitam um tratamento menos agressivo”, aponta Dra. Márcia Aracava, coordenadora médica do Grupo de Mama do Fleury. O meio de diagnóstico que comprovadamente reduz a mortalidade é a mamografia, que detecta calcificações - a forma mais inicial do câncer de mama. Os trabalhos mostram que o uso rotineiro da mamografia reduz a taxa de mortalidade em torno de 30% dependendo da população estudada.

Para saber se a saúde vai bem, Penatti considera ideal começar um acompanhamento anual, com exames básicos, a partir dos 25 anos. Depois dos 40, o nível de exigência sobe, e ele recomenda partir para um check-up (saiba mais no quadro). A partir dessa idade, as mulheres também devem fazer mamografia todo ano. Se houver fatores que aumentem o risco da doença, como casos de câncer na família, o ginecologista pode começar a pedir esse exame mais cedo, porém, ele não é indicado antes dos 25 anos. “Quando a mulher é muito jovem, sua mama em geral é densa, o que dificulta a visualização das lesões na mamografia, que é um exame que usa radiação e, portanto, deve ser bem indicado. A ultrassonografia em mulheres com mamas densas poderá ajudar na detecção das lesões. Nessas mulheres, o câncer, em geral, aparece como nódulo, que é detectável nesse exame”, diz Dra. Aracava. Para os homens, a recomendação é começar a fazer os exames preventivos de câncer de próstata em geral (toque retal e coleta de sangue para dosar o antígeno PSA) ao completar 45 anos, ou no máximo a partir dos 50 anos conforme orienta a Sociedade Brasileira de Urologia.

UM SUSTO PARA DESACELERAR

O paciente ganha tempo para mudar seu estilo de vida

Esses dois exames foram fundamentais para que o engenheiro Francisco de Fatima Pereira Braga, 61 anos, descobrisse um tumor antes que ele se disseminasse por outros órgãos. Ele já costumava ir ao urologista a partir dos 40 anos, mas as visitas ficaram mais frequentes depois de uma inflamação da próstata em 2009. A partir daí, Braga adotou o costume de checar a saúde ao menos uma vez por ano e fazer exames de toque e de sangue. Em uma dessas consultas, em dezembro de 2013, seu médico notou alterações no PSA e, com investigações mais detalhadas, chegou ao diagnóstico de câncer de próstata. Em abril de 2014, Braga foi operado para retirar a glândula, e a seguir iniciou um longo período de recuperação. Seu tratamento durou 19 meses, durante os quais ele fez 33 sessões de radioterapia e 18 de hormonioterapia. “A cirurgia foi muito boa: operei em uma sexta-feira e no domingo tive alta. Mas o tratamento exigiu muita paciência. Fui até ao psicólogo, mas o fundamental mesmo foi a minha família. Eu, minha esposa e minhas duas filhas conversamos abertamente sobre o tratamento, encaramos tudo com naturalidade. Elas me deram a força que eu achava que não tinha”, conta o engenheiro. Durante essa fase, ele avalia que foi importante manter suas atividades cotidianas, como as caminhadas e as viagens, além dos “bate e voltas” de Santos (SP), onde mora, a São Paulo, a trabalho. “É muito importante não parar para não desanimar.”

Em novembro de 2015, Braga finalmente ouviu do urologista a notícia que tanto esperava: seu corpo estava livre do câncer. “Antes do diagnóstico, minha vida era muito corrida, eu nem via o tempo passar. Quando comecei a me tratar, aprendi a ficar mais tranquilo, menos apressado, comecei a prestar mais atenção em tudo, ver as coisas com mais clareza, com mais brilho. Quero esticar o tempo para ver meu o neto de cinco anos crescer.”


DESAFIO SUPERADO


Já Leandro Falcone, 32 anos, passou por uma experiência intensa e acelerada ao descobrir um nódulo na tireoide após um exame de rotina no início de 2015. “Fui pego de surpresa, porque estava só fazendo uma avaliação médica para perder peso. Perdi o chão, fiquei bem abalado por uns três dias, mas depois comecei a pensar positivo. Tive muito apoio da minha esposa e, como sou cristão, me amparei também na fé”, afirma Falcone.

A primeira biópsia que ele fez revelou que, além de um nódulo benigno, havia outro maligno, mas ainda em estágio inicial. Depois de um mês, Falcone fez uma cirurgia, na qual o médico encontrou – e removeu – outros seis pequenos linfonodos na região da garganta. “Para mim, foi tudo muito rápido, porque eu estava confiante. Via cada dia como mais um passo em direção à cura.” Ele também precisou retirar a tireoide e, depois disso, passou mais um mês fazendo iodoterapia. “Tive de lutar bastante no aspecto físico. Ficar sem hormônios me afetou muito. Continuei trabalhando, mas como passo o dia na rua, o cansaço batia mais rápido, o raciocínio ficava mais lento, a percepção mudou”, conta o analista de microcrédito, que mora em Diadema (SP). O tratamento intensivo deu resultado, e hoje ele está curado. A recomendação, agora, é fazer exames a cada seis meses para checar se está tudo bem. “Depois de passar por um desafio desse tamanho, considero o hoje muito mais importante. Dou valor a cada minuto da vida, porque somos muito vulneráveis.”

Como Braga e Falcone, quem descobre uma doença grave é levado a repensar sua relação com o tempo, que ora parece acelerar, ora passa muito devagar. “Na hora do diagnóstico, o mundo desaba de repente. Mas não se pode pensar que a vida acabou. É preciso ter calma para fazer o tratamento, que parece durar uma eternidade, para mudar a rotina e se acostumar com um acompanhamento de muitos anos”, reflete Dra. Aracava. “Acho que se deve encarar essa experiência como uma oportunidade para repensar a vida e o que estamos fazendo com nosso tempo: se trabalhamos demais e aproveitamos pouco a família e os amigos. Não adianta largar tudo, porque ainda se pode viver por muitos anos.”

Quando começar a fazer check-up
A partir dos 40 anos, é preciso fazer uma bateria anual de exames para obter uma avaliação mais abrangente da saúde. “O check-up é fundamental a partir da quarta década, mas pode ser antecipado para quem tiver histórico familiar de doenças crônicas como diabetes, hipertensão ou glaucoma. Nesses casos, o recomendável é começar aos 30”, afirma Dr. Penatti.

Depois de uma conversa sobre problemas anteriores de saúde e casos de câncer e de doenças crônicas na família, o médico define que exames serão necessários – como os que apontam hipertensão arterial, diabetes, alterações nos níveis de colesterol e de triglicérides e doenças renais e cardiovasculares. “Alguns fatores, se não forem bem cuidados, vão causar problemas futuros em diferentes órgãos, como uma lesão na retina por causa de diabetes”, explica Dr. Penatti.

O roteiro do check-up geralmente inclui exames de sangue para avaliar funções do fígado, dos rins e da tireoide, ultrassom abdominal e teste ergométrico. Além desses, as mulheres devem fazer mamografia, e os homens, exames de toque retal e de sangue para identificar o antígeno PSA. Exames neurológicos mais detalhados são indicados apenas a quem tem histórico grave na família.

“A investigação para aneurisma cerebral, por exemplo, é muito invasiva. O exame não invasivo não é tão minucioso para achar todos os aneurismas”, explica Dr. Penatti. Para finalizar, ele sugere fazer também uma avaliação nutricional e outra dermatológica. “Com o envelhecimento da população, devemos pensar em como ter uma pele saudável por muitos anos”, diz.

Depois dos 50 anos, novos exames são adicionados à lista, como a audiometria. Dois problemas que podem aparecer a partir dessa faixa etária são o glaucoma e o câncer colorretal. Por isso é importante fazer também uma avaliação oftalmológica e uma colonoscopia. Esta não precisa ser feita todo ano. Se não forem encontradas alterações que sejam prenúncios de tumores, pode-se fazer a próxima até dez anos depois.


Carlos Alberto Avellaneda Penatti é Coordenador médico do Check-Up Fleury

Márcia Aracava é Coordenadora médica do Grupo de Mama do Fleury

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