Doce, brasileira e poderosa | Revista Fleury Ed. 38

Além do sabor e das memórias da infância, a jaboticaba oferece benefícios valiosos à saúde

Além do sabor e das memórias da infância, a jabuticaba oferece benefícios valiosos à saúde

Quando se pensa na mais brasileira das frutas, imediatamente, ela nos vem à cabeça. E é tempo dela, da jabuticaba: entre setembro e janeiro, a frutinha de casca grossa e preta pode ser encontrada em todo o Brasil, principalmente na região Sudeste. Além de ser delicioso e nativo, o fruto ainda tem um encanto extra: faz muito bem à saúde, graças aos bioativos em sua casca e em seu sumo, que têm demonstrado favorecer a redução do colesterol ruim e das inflamações.

A descoberta é de um grupo de pesquisadores do Laboratório de Nutrição e Metabolismo (Lanum) da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade de Campinas (FEA-Unicamp). Tendo à frente o professor Mário Maróstica Júnior, a pesquisa começou em 2008, quando a jabuticaba chamou a atenção dos pesquisadores por ser excelente fonte de polifenois, substâncias que possuem comprovado efeito antioxidante, prevenindo o envelhecimento da pele e de outros tecidos. “É uma fruta pouco explorada, mas muito promissora”, comenta Maróstica.

A equipe descobriu que os polifenois presentes na jabuticaba (tanto in natura quanto em outras apresentações) melhoram os níveis de colesterol e também de inflamação, o que pode ser fundamental no combate a algumas formas de câncer. “Nós temos estudado os efeitos dessa fruta na obesidade, na inflamação intestinal e, mais recentemente, na memória. Os resultados são muito animadores, pois conseguimos estabelecer uma relação importante entre o consumo moderado da fruta e diminuição de diversos marcadores destas doenças”, complementa o professor.

Até agora, a equipe já desenvolveu um chá (uma infusão da casca), um suco e um extrato, que foi desenvolvido e patenteado em parceria com a Faculdade de Biologia da Unicamp. Também vem trabalhando na produção de uma geleia, sempre com o apoio e a parceria dos agricultores, para quem o grupo do Lanum desenvolveu uma metodologia para o aproveitamento da fruta, que pode ser usada tanto por eles quanto pela indústria.

Quem diria que aquela frutinha com sabor de boas memórias teria todo esse potencial? Helena Dias, uma das doutorandas que trabalha na pesquisa da Unicamp conta que, depois desse trabalho, sua visão sobre a jabuticaba mudou. “Seu consumo está atrelado à infância, àquele pé no quintal de casa em que todos se reuniam ao redor dele. Poder olhar para essa fruta com conhecimento científico e ter percepção de todos os seus benefícios é enriquecedor."