Efeitos do sal no organismo | Revista Fleury Ed. 27

O consumo de sal faz bem para o paladar, mas também pode ser o vilão de uma série de alterações no nosso corpo. Confira como esses pequenos grãos de sabor agem no organismo

Meus sais!
O consumo de sal faz bem para o paladar, mas também pode ser o vilão de uma série de alterações no nosso corpo. Confira como esses pequenos grãos de sabor agem no organismo

“Cuidado com o sal”, já diziam nossos pais, avós ou outros representantes familiares da boa e velha sabedoria popular. É que eles já sabiam: em excesso, pouca coisa faz bem, inclusive o sal. Mas qual é a medida certa para que o uso do nosso tradicional companheiro à mesa traga apenas benefícios? Como esses pequenos grãos de sabor agem e interferem no funcionamento do nosso corpo? Com a palavra, os especialistas.


O sal é necessário

“Basicamente, o sal controla o volume de líquido fora da célula”, explica o cardiologista Antonio Sergio Tebexreni, médico da Cardiologia do Fleury. Isso significa que ele faz o controle da chamada pressão osmótica. Para entender, vale lembrar as aulas de osmose da escola. No nosso organismo, o sódio que compõe o sal pode ser encontrado, principalmente, fora de nossas células. Se há pouco sódio, mais líquido entra nas células. Se há muita concentração de sódio, mais líquido sai das células. Esse líquido vai para os vasos sanguíneos, onde circula a maior parte da água de nosso corpo. É esse volume fora das células que gera o inchaço e o aumento da tensão arterial. O sódio tem ainda outras funções, entre elas atuar na condução do impulso nervoso e na contração muscular. No Brasil, o sal de cozinha também é fonte importante de iodo.

Pressão arterial

O efeito direto de ter mais sódio no corpo é o aumento da pressão arterial – quanto mais água nos vasos, mais “tensos” eles ficam. Com isso, o coração tem de trabalhar mais para bombear o sangue. “E o coração é um músculo que cresce, hipertrofia, engrossa”, explica o cardiologista. Se a hipertensão é crônica, as paredes dos vasos também vão lesionando. A baixa pressão arterial, por outro lado, causa bem menos problemas. “O indivíduo se adapta à pressão mais baixa. É só ficar hidratado, tomar mais água. É melhor tomar mais água do que ingerir sal”, recomenda.

O excesso de sal também pode levar a problemas renais, já que é o rim que trabalha para colocar tudo isso para fora do corpo. Aumenta, ainda, o risco para câncer gástrico e favorece a osteoporose. “O sódio aumenta a excreção de cálcio na urina e diminui a massa óssea”, explica Carla Yamashita, nutricionista do Fleury Medicina e Saúde. Pode até aumentar o peso na balança. Pelo acúmulo de líquidos, mas também por má escolha alimentar. “A pessoa come o alimento com mais sódio e tem mais sede. Em vez de beber água, busca bebida mais açucarada ou alcoólica”, explica Yamashita.

Ações do sal no organismo
A genética também pode atrapalhar

Além de estar relacionada à ingestão excessiva de sal, a hipertensão arterial também pode ter origem genética. Isso quer dizer que os efeitos do sal são diferentes para cada pessoa. “O rim de um indivíduo manipula melhor que dos outros”, explica Tebexreni.

Negros, por exemplo, têm propensão maior a ter problema de pressão alta. Sabe-se também que as mulheres, até a menopausa, são mais protegidas. Assim, os médicos falam em pessoas que são mais ou menos sensíveis ao sal. “Indivíduos normotensos com elevada sensibilidade à ingestão de sal apresentaram incidência cinco vezes maior de hipertensão arterial, em 15 anos, do que aqueles com baixa sensibilidade”, esclarece a nutricionista.

É preciso comer menos sal

“Mesmo modestas reduções na quantidade de sal são, em geral, eficientes em reduzir a pressão arterial”, ressalta Yamashita. Nós precisamos, para um bom funcionamento do organismo, ingerir 500 mg de sódio por dia, o que corresponde a cerca de 1,2 g de sal. Recentemente, a Organização Mundial de Saúde definiu em 5 g de sal de cozinha a quantidade considerada máxima saudável para ingestão alimentar diária, o que corresponde a 2 g de sódio, ou aproximadamente uma colher rasa de chá. O brasileiro consome, em média, o dobro do recomendado. Como diversos produtos de consumo comum contêm muito sódio, não é preciso se preocupar com a possibilidade de ingerir sal de menos. Já é bastante complicado consumir só a quantidade máxima.

Nos rótulos, procure por sódio

Todos os efeitos do sal são causados pelo sódio que ele contém. Assim, na hora de conferir os rótulos dos alimentos para equilibrar a ingestão de sal, procure por produtos com menos quantidade de sódio. Vale prestar mais atenção a enlatados, embutidos, cereais em flocos e até mesmo adoçantes.

Sal refinado, sal light, sal marinho, flor de sal...Você sabe a diferença entre eles? Confira as características de cada um na versão iPad da Revista Fleury.


Meus sais?

A expressão utilizada no título desta reportagem é de uso comum, apesar de fazer referência a sais bem diferentes dos que utilizamos na cozinha. Diz a lenda que, na época vitoriana, quando as mulheres costumavam desmaiar pelo uso de espartilhos muito apertados, também carregavam consigo um pequeno frasco do que chamavam de sais de cheiro ou aromáticos. Na época, tratava--se apenas de uma mistura de perfume com sais de amônia, cujo aroma supostamente as fazia despertar mais rapidamente.

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