Em dia com a saúde | Revista Fleury Ed. 20

Pessoas que têm doenças crônicas, como o diabetes, por exemplo, precisam manter a saúde em dia e tomar alguns cuidados importantes, e podem aprender que conviver com uma doença crônica não é um bicho de sete cabeças.

Pessoas que têm doenças crônicas, como o diabetes, por exemplo, precisam manter a saúde em dia e tomar alguns cuidados importantes, e podem aprender que conviver com uma doença crônica não é um bicho de sete cabeças. Muito pelo contrário. Seguindo alguns conselhos médicos, é possível levar uma vida normal e saudável. Confira a seguir as cinco perguntas que toda pessoa com diabetes precisa fazer para manter-se bem.

Tenho visitado meu médico regularmente?

É importante consultar o médico especialista em diabetes pelo menos duas vezes ao ano. Ele acompanhará, principalmente, a glicemia, que deve ser mantida dentro de uma faixa adequada, avaliar e ajustar a medicação em uso. “Conforme passam a se sentir melhor, muitas pessoas diminuem a dose dos medicamentos, sem consultar os médicos. Essa é uma atitude perigosa, que pode levar a um aumento da glicemia ainda maior que o nível anterior”, explica Rosana Schneider, coordenadora de Enfermagem do Programa de Gestão de Doenças Crônicas do Fleury.

Como está a minha glicemia?

Além da glicemia de jejum, o exame de hemoglobina glicada é muito importante na avaliação do controle do diabetes. A diferença entre os dois exames é que a hemoglobina glicada correlacionase com o nível de glicemia dos últimos 60 a 90 dias. Isso porque a hemoglobina (que está contida no glóbulo vermelho) incorpora glicose durante a vida média dos glóbulos vermelhos no sangue. O ideal é que a glicemia de jejum seja mantida em até 110 mg/dL e a hemoglobina glicada abaixo de 7%.


Tenho mantido uma dieta equilibrada?

“Se todas as pessoas, independentemente de serem diabéticas ou não, adotassem uma dieta equilibrada, como a recomendada para as pessoas que têm a doença, evitaríamos várias complicações de saúde ao longo dos anos”, afirma Milena Gurgel Teles Bezerra, assessora médica em Endocrinologia do Fleury. É recomendável que todos procurem reduzir a ingestão de gorduras, carboidratos e açúcares. “Não é verdade que o diabético terá uma alimentação sem graça para o resto da sua vida”, diz Rosana. A opção pelo consumo de produtos dietéticos é interessante para variar a dieta, mas a alimentação do diabético pode ser parecida com a de qualquer pessoa que tenha hábitos saudáveis, garantem as especialistas. O segredo é ter mais consciência para escolher melhor o que se come. A partir da orientação do médico e de um nutricionista, é importante distinguir quais alimentos poderão ser ingeridos, as substituições mais importantes e os grupos alimentares que deverão ser evitados, em cada caso.

Estou praticando atividades físicas?

Além dos benefícios já conhecidos, como aumento da disposição, perda de peso e melhora na circulação sanguínea (o que diminui os riscos de complicações cardiovasculares), a prática de exercícios é primordial para a saúde dos diabéticos. “Em muitos casos, as atividades físicas podem diminuir os níveis glicêmicos da pessoa”, afirma a enfermeira. A médica Milena Teles explica que, quanto maior for a aderência da pessoa à dieta e às atividades físicas, menor poderá ser a dose da medicação necessária para controle da glicemia. No entanto, para começar a se exercitar, é fundamental seguir corretamente as orientações médicas para o controle adequado dos níveis glicêmicos, e, assim, evitar problemas como a hipoglicemia.

Tenho indícios de alguma complicação da doença?

O diabetes é uma doença crônica e seu acompanhamento deve ser feito durante a vida toda. A avaliação e orientação médica visam ao tratamento adequado para manter a glicemia bem controlada e, também, à vigilância dos problemas de saúde, aos quais os diabéticos são mais suscetíveis. “O diabético pode infartar e não sentir dor no peito, típica nessa situação. Isso porque a glicemia, em longo prazo, atrapalha algumas enervações”, explica Milena. Como os pacientes têm mais suscetibilidade a doenças cardiovasculares, como infarto, angina e derrame, é importante manter o check-up em dia. A avaliação médica deve incluir o acompanhamento da função renal, assim como consultas com oftalmologista, já que as pessoas com diabetes são mais propensas a desenvolver problemas renais e oculares, como a nefropatia e a retinopatia diabética. Esta última é uma complicação do diabetes que ocorre quando os pequenos vasos sanguíneos da retina são afetados, e pode levar à cegueira. Para rastrear este problema, basta realizar, uma vez por ano, o exame de fundo de olho. Pessoas com diabetes também precisam avaliar o pé constantemente, mantê-lo hidratado, observar rachaduras entre os dedos, ter cuidado ao cortar as unhas e evitar calçados que machuquem os pés. Esses cuidados ajudam a evitar o chamado “pé diabético”, que constitui uma série de transtornos graves nessa região do corpo e podem até levar à amputação. “Um ferimento infectado pode demorar um tempo três vezes maior para sarar em alguém com o diabetes descompensado, se comparado com uma pessoa que não tem a doença”, diz a enfermeira.

""Fazer exercícios físicos também ajuda a controlar os níveis de glicemia, o que pode diminuir a quantidade de remédios tomados. Mas, antes de começar a se exercitar, procure orientação médica""

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