Expresso sem pressa | Revista Fleury Ed. 34

A tradicional pausa para o café como o momento para recuperar as energias e deixar nascer a inspiração

A tradicional pausa para o café como o momento para recuperar as energias e deixar nascer a inspiração

Ilustração: Sauê Ferlauto

O café é uma bebida cheia de particularidades, histórias e tradições. Um cafezinho pode trazer uma memória de infância, de encontros familiares, de locais e tempos passados. Em todo o mundo, cafeterias ficaram famosas por terem se tornado as favoritas de escritores e artistas. Não é à toa. Há séculos, os cafés são um lugar privilegiado onde a inspiração encontra tempo e espaço para brotar e crescer. Onde encontros acontecem, e também onde estar sozinho é apreciado.

É justamente a solidão que a psicóloga e escritora Manuela Pérgola busca em seus intervalos para um café. “Minhas pausas são essencialmente organizadoras de pequenos ou grandes projetos e constituem-se em momentos íntimos”, descreve ela. “Geralmente estou sozinha e passo o café ao modo antigo: primeiro, fervo a água e lavo a garrafa térmica; então, uso um coador de papel – se for o de pano, quanto mais velho, melhor –, adiciono quatro ou cinco colheres de sopa de café e, lentamente, jogo a água quente em movimentos circulares.”

Manuela conta que a cafeteira é item obrigatório em seu consultório. “Quando não posso passar o meu próprio café, ajusto a pausa à demanda e acabo comprando um carioca ou expresso, quase nunca com leite”, afirma. Em sua percepção, a “cafeína de cada dia” favorece seus processos cognitivos, mentais e psíquicos. “É quando elaboro pensamentos mais rebuscados e me organizo se estou confusa, principalmente às segundas-feiras”, diz. “Também serve para terminar poesias iniciadas no ônibus a caminho do trabalho ou na hora do almoço.”

Para despertar a criatividade em meio à correria diária, uma opção é fazer das instalações de um café a mesa de trabalho. É o que faz Cássio Aoqui, sócio da ponteAponte Empreendedorismo Socioambiental. “Em geral, ter café na minha agenda não significa um momento de lazer”, diz ele. “Ao contrário, normalmente vou aos cafés para estudar ou trabalhar. Por esses dias, ao terminar meu texto de qualificação do mestrado, me dei o privilégio de passar uma tarde inteira numa cafeteria recém-inaugurada com vista para a avenida Paulista, afundado em uma poltrona, lendo guias de viagem e revistas. Isso porque, sempre que estou labutando nesses locais, invejo os que ali vão pra só tomar uma xícara de expresso, ler um livro sem compromisso ou até tirar um cochilo no melhor estilo ‘carpe diem’.”

Em sua vivência em cafés, Aoqui observou não estar sozinho nessa rotina. “Diria que hoje há mais pessoas que vão para o café em busca de ideias e inspiração do que para jogar conversa fora”, diz. “Sobretudo em dias da semana, é um desfile de estudantes com apostilas de vestibular, sócios de empresas entrevistando novos talentos para suas startups, designers fazendo ilustrações, estrangeiros em reunião via Skype e por aí vai. Acho que todos fazem parte da metade do mundo que precisa do burburinho bom do café para ser mais produtivo – a outra metade é a que diz buscar silêncio absoluto para se concentrar.”

RELAXAR E SOCIALIZAR
Fazer pausas ao longo de um dia de trabalho equivale a algo como “recarregar as baterias” do cérebro para retomar as atividades produtivas com mais eficiência. É importante que o organismo alterne momentos de alta concentração com atividades em que consiga relaxar e fazer um break.

Esse relaxamento também pode significar o desvio do foco de uma tarefa para pensar fora da caixa e ter ideias criativas que alimentem o desenvolvimento da própria tarefa em questão. É aquele caso clássico: quando paramos o que estamos fazendo para tomar um café, podemos encontrar um amigo de outra área e, ao conversar com ele, ativar outros circuitos que poderão trazer novas soluções para o trabalho. É o momento em que começamos a fazer conexões que não conseguíamos antes.

Por ser estimulante, o café funciona como um catalisador desse processo - afinal, está diretamente relacionado à capacidade de aumentar a atividade cerebral e diminui a tendência de ficar sonolento. Não adianta, porém, levar para esse descanso as preocupações que o atormentavam antes dele. A parada é para respirar, andar, mudar a posição do corpo, sentar ao sol. Se a pessoa não muda os padrões e vive de forma estressante, essa pausa não vai contribuir para o relaxamento.

Dessa maneira, novos ares devem fazer parte do ritual. Então, em geral se recomenda que a pausa seja feita longe da mesa de trabalho, de preferência em um lugar relaxante e ao lado de pessoas não relacionadas diretamente com as obrigações do dia a dia, para promover uma espécie de jornada emocional. Há empresas que criam espaços específicos com essa finalidade, com uma ambientação mais informal e aconchegante. Quando não há esse local, a alternativa é buscá-lo fora – no café ao lado do escritório, por exemplo. Essa circulada por outros ambientes leva a um “efeito colateral” da parada: a socialização.

NEGÓCIOS CONTEMPORÂNEOS
Cafeterias inauguradas na cidade diversificam os formatos e as propostas de negócio. No Bike Café, o cafezinho serve para aproximar as pessoas de causas humanitárias. A venda da bebida em triciclos surgiu em 2013 para angariar fundos para os projetos sociais e culturais do Instituto Aromeiazero – associação sem fins lucrativos que visa a promover mobilidade, arte urbana, esportes e inovação social por meio do uso da bicicleta. “Começamos os projetos do Aromeiazero dependendo de patrocínio, doações, editais, mas tínhamos vontade de encontrar um meio próprio de captação de recursos”, diz Cadu Ronca, de 32 anos, um dos sócios do Bike Café. “A relação entre bike e café é bastante natural. Quem gosta de pedalar é, muitas vezes, um apaixonado pela bebida. Como minha família tem uma pequena propriedade de plantação de café em Guaxupé, no sul de Minas, tivemos a ideia de montar o negócio.”

Hoje, o Bike Café tem dois triciclos próprios e eventualmente aluga um terceiro. Eles podem ser vistos tanto em eventos de rua como nos corporativos, em que aparecem para o “coffee break”. Além disso, os sócios estudam a possibilidade de estabelecer pontos fixos de atuação na cidade de São Paulo, nas avenidas Sumaré e Paulista.

Em São Paulo, a busca pela cafeína nossa de cada dia pode assumir mil e uma formas. No Preto Café, que fica em Pinheiros, a proposta é proporcionar uma experiência: o cliente paga o quanto quiser por um cafezinho. No lugar do cardápio com preços, a parede expõe um quadro com os custos de manutenção do negócio. No CoffeLab, a barista Isabela Raposeiras fez de sua cafeteria um laboratório de torra, degustação e preparo de cafés. Lá, o cliente experimenta preparos únicos da bebida, com gostinho da fazenda, em um ambiente moderno da Vila Madalena.

Seja qual for o lugar, chamar alguém para tomar um café é também um convite para refletir, trocar ideias e desfrutar da paisagem urbana, mesmo que por alguns minutos. Aproveite!

Dr. Gastão Fleury da Silveira, um dos fundadores do Grupo Fleury, usava a pausa para o cafezinho como um diferencial no atendimento
Dr. Gastão Fleury da Silveira, um dos fundadores do Grupo Fleury, usava a pausa para o cafezinho como um diferencial no atendimento.



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