Fluido importante para a vida | Revista Fleury Ed. 21

O sangue é um líquido viscoso que circula pela extensa rede de artérias, veias e capilares do nosso organismo, transportando nutrientes para que as células, tecidos ou órgãos funcionem de maneira eficaz. Além disso, ele leva embora aquilo de que as células não precisam mais.

O sangue é um líquido viscoso que circula pela extensa rede de artérias, veias e capilares do nosso organismo, transportando nutrientes para que as células, tecidos ou órgãos funcionem de maneira eficaz. Além disso, ele leva embora aquilo de que as células não precisam mais.

Um homem adulto possui cerca de cinco litros de sangue em circulação, ou seja, aproximadamente 7% de seu peso. O sangue é composto por elementos figurados (células) e pelo plasma. Os elementos figurados são os glóbulos vermelhos ou eritrócitos, os glóbulos brancos ou leucócitos, e as plaquetas. Esses elementos são produzidos na medula óssea a partir de células-tronco após estímulos hormonais e depois caem na circulação periférica para desempenharem importantes funções.

Glóbulos vermelhos
Os glóbulos vermelhos ou eritrócitos respondem por 40% do volume do sangue. São fabricados continuamente na medula óssea e contém, em seu interior, a hemoglobina, uma proteína que empresta a cor avermelhada ao sangue e que leva o oxigênio até os tecidos. ""A célula usa o oxigênio para todas as suas funções metabólicas"", explica o hematologista Edgar Gil Rizzatti, assessor médico do Grupo de Hematologia do Fleury Medicina e Saúde.

A diminuição do número de eritrócitos ou da hemoglobina resulta em anemia. [leia mais sobre ela nas páginas 26 a 29]. O excesso de ferro, por sua vez, é indício de uma doença chamada hemocromatose que pode ser hereditária ou secundária, e sua saúde nesses casos a pessoa absorve muito esse nutriente. ""Nosso organismo é eficaz para absorver, mas ruim para eliminar o ferro"", explica Rizzatti. E o tratamento dessa doença é bem simples e curioso: flebotomia. “Flebotomia é uma sangria terapêutica"", explica Rizzatti. ""Da maneira que era usada na Idade Média, a sangria não tinha fundamento"", ressalta o hematologista. “Hoje, porém, a retirada de sangue é bastante útil quando há o excesso de ferro ou de eritrócitos.""

E o aumento exagerado no número de eritrócitos ou do nível de hemoglobina também leva a doenças como poliglobulia (proliferação isolada da série vermelha) ou policitemia vera (proliferação de outras séries medulares além da vermelha). Nestes casos, o sangue torna-se ainda mais viscoso, o que dificulta a circulação, em especial, nos pequenos capilares, como no cérebro, rins e retina, ocasionando sintomas de dor de cabeça, tontura e confusão visual, dentre outros, afirma a médica Maria de Lourdes Chauffaille.

Glóbulos brancos
Os glóbulos brancos ou leucócitos têm função de defesa contra microrganismos causadores de infecções. São produzidos na medula óssea e ganham rapidamente a circulação periférica.Os leucócitos dividem-se em três grandes classes: os granulócitos que incluem os neutrófilos, eosinófilos e basófilos; os linfócitos e os monócitos.

Os granulócitos correspondem a 50%/60% dos leucócitos, dos quais os neutrófilos são os mais abundantes. Os neutrófilos estão envolvidos na defesa contra bactérias. Os eosinófilos são de 2% a 4% dos leucócitos e respondem pelas infecções parasitárias e processos alérgicos. Os basófilos são mais raros, menos de 1%, e também estão envolvidos em processos alérgicos. Os monócitos correspondem a 6% dos leucócitos e têm função de fagocitar (englobar) microrganismos estranhos.

O aumento do número de leucócitos (leucocitose) pode se dar por várias causas, mas a mais comum é em resposta a uma infecção, fenômeno no qual o organismo combate o agente agressor de modo rápido, liberando maior número de neutrófilos a partir da medula óssea. Já a diminuição dos leucócitos ou leucopenia também pode ocorrer por algumas infecções bacterianas ou virais, entretanto doenças mais raras e, por vezes, graves podem ser a causa dessa situação, como a leucemia e anemia aplástica.

Bandagem natural
Um ferimento cortocontuso ou uma batida pode levar à formação de uma equimose. Quando isso acontece, o sangramento é tamponado pelas plaquetas que se unem na parede interna do vaso rompido e formam uma espécie de rolha inicial para estancar o sangramento. Em seguida, 13 fatores de coagulação vêm do plasma e se unem em uma rede de fibrina que vai fechando o vaso rompido. A falta de apenas um desses fatores já compromete o processo. A hemofilia A, por exemplo, é caracterizada pela falta do fator 8. Hoje, a reposição é feita pela administração desse fator isolado a partir de doação nos bancos de sangue. ""Antigamente, era feita a transfusão de todo o plasma, o que causou a contaminação por HIV em alguns pacientes hemofílicos"", conta Ana Paula.

Plaquetas e plasmas
O outro elemento presente no sangue é a plaqueta, que cuida da coagulação. ""Elas impedem que a pessoa sangre sem parar"", explica a hematologista Maria Stella Figueiredo, chefe da disciplina de Hematologia e Hemoterapia da Unifesp. Esses fragmentos de células também ocupam pequenos orifícios na parede interna dos vasos, estabilizando sua superfície e auxiliando na cicatrização.

A diminuição do número de plaquetas geralmente ocorre em alguns quadros infecciosos, por uso de medicamentos ou por outras causas, como a imunológica, situação na qual o organismo cria anticorpos que destroem suas próprias plaquetas. Os sintomas da queda importante do número de plaquetas são pequenos sangramentos na pele, gengiva ou nariz.

O aumento exagerado do número de plaquetas pode igualmente ocorrer durante estados infecciosos ou inflamatórios. Nesses casos, não são raros o acidente vascular cerebral ou o infarto agudo do miocárdio. Além das alterações numéricas em excesso ou escassez de plaquetas, doenças que afetam suas funções de adesão, agregação e metabolismo podem induzir sintomas de sangramentos ou tromboses.

No entanto, a maior parte do sangue, 60%, é composta pelo plasma. Trata-se do líquido amarelado que dá volume ao sangue, constituído fundamentalmente por água, íons, gases e no qual circulam nutrientes, hormônios e outras substâncias. Alterações no volume plasmático, como sua diminuição, levam a doenças. ""É possível medir a presença de centenas de elementos, como proteínas, lipídios, glicose e albumina"", lista Rizzatti.

Para investigar se todos os elementos que compõem o sangue estão funcionando corretamente, os médicos se utilizam do hemograma. Esse exame é capaz de detectar tanto alterações no formato quanto na quantidade de cada tipo de célula. A análise de uma gota de sangue ao microscópio revela uma imensidade de aspectos importantes para o diagnóstico de doenças ou de características do indivíduo. Eritrócitos com morfologia estranha, por exemplo, em forma de foice, denunciam a anemia falciforme; linfócitos com aspectos não habituais e em número excessivamente aumentado podem indicar leucemia ou linfoma. Com efeito, esse caleidoscópio de milhões de células estudadas, como se comportam, se modificam, se adequam às circunstancias fisiológicas ou patológicas, se constitui no trabalho do hematologista.

Para cuidar-se bem
No dia a dia, as pessoas não se lembram do sangue. ""É um tecido tão fundamental que o organismo sacrifica todo o resto antes dele"", diz Rizzatti. Mas é necessário investir em uma alimentação saudável pode garantir, ao menos, que não faltem ao organismo os elementos básicos para produzir suas células. ""O ferro, a vitamina B12 e o ácido fólico são os três nutrientes mais importantes"", diz Carla Yamashita, nutricionista da área de Gestão da Saúde do Fleury Medicina e Saúde.

""A alimentação balanceada, a prática de exercícios físicos e evitar o estresse ajudam a saúde do organismo como um todo"" completa a hematologista Ana Paula Costa Nunes da Cunha Cozac, assessora médica do Grupo de Hematologia do Fleury Medicina e Saúde.



Futuro
Um dos maiores desafios dos cientistas é criar o sangue artificial. ""Essas pesquisas atendem interesses de grupos como testemunhas de Jeová, por exemplo, que não aceitam a doação de sangue"", explica Rizzatti. Os pesquisadores tentam arranjar um substituto à altura para os eritrócitos, que são as células mais importantes nas transfusões sanguíneas. ""O objetivo é garantir o transporte de oxigênio sem correr o risco de contaminação ou incompatibilidade"", diz Ana Paula. Os estudos ainda estão em estágios iniciais, mas são promissores. Um dos grupos já conseguiu converter o tipo B em O, o que permitiria o aumento do estoque de sangue nos bancos de doação [leia mais sobre doação de sangue nas páginas 34 e 35].

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