Mãe, posso comer isto? | Revista Fleury Ed. 13

Cada vez mais crianças têm apresentado sintomas de alergia alimentar e sofrido restrições ao que colocam na boca. Saiba quais os principais tipos e como conviver com esse problema.

Mesa de festa de aniversário infantil e gôndolas de guloseimas de supermercados são dois lugares que combinam com crianças: coloridos, festivos, alegres. Um verdadeiro convite para a exploração gastronômica da meninada. Um delicioso brigadeiro ou um chocolate em barra são experiências inocentes e deliciosas para a maioria delas. Já para outro grupo de crianças, colocar essas comidinhas na boca é uma aventura perigosa. Esse grupo é o dos alérgicos a determinados alimentos. Segundo dados do Food Allergy and Anaphylaxis Network(FAAN), nos Estados Unidos, a incidência do problema entre crianças dobrou na última década. Não há dados no Brasil, mas acredita-se que os índices sigam os americanos: lá, esse tipo de alergia ocorre em 3% dos adultos e em cerca de 6% a 8% das crianças. E uma em cada 17 tem menos de 3 anos.

Ninguém sabe ao certo o motivo desse aumento. Uma suspeita recai sobre o contato cada vez mais precoce dos bebês com o leite de vaca, alimento com grande potencial alergênico. “Há cerca de uma década, era raro aparecer no consultório pediátrico bebês recém-nascidos com sintomas de alergia alimentar. Nos últimos anos, as chances de o pediatra atender uma mãe com um filho com esse problema têm sido cada vez maiores”, diz Mauro Batista de Morais, gastropediatra e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A outra suspeita é a hereditariedade. Ela seria, inclusive, a principal causadora do problema. Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), quando um dos pais tem algum tipo de alergia, não só a alimentos, há entre 20% e 40% de chance de os filhos desenvolverem a alergia alimentar. E se os dois, pai e mãe, forem alérgicos, o risco sobe para 75%.


A alergia alimentar é uma reação imunológica do corpo às proteínas de determinados alimentos. A mais comum ocorre em relação à proteína do leite de vaca. Por causa da imaturidade do sistema digestivo dos recém-nascidos, as proteínas do leite são absorvidas, da luz intestinal para o sangue, sem terem sido adequadamente digeridas e, ao caírem na circulação, desencadeiam uma reação do organismo contra elas. As proteínas de alguns outros alimentos, como a soja, o ovo, o amendoim, o peixe, os frutos do mar e o trigo, também podem provocar alergia alimentar. “No passado acreditava-se que os aditivos alimentares, como corantes e espessantes, poderiam provocar essas alergias. Hoje, eles são raramente associados ao problema”, enfatiza Morais.

Leia os rótulos com atenção! Entender o que está escrito nas embalagens dos produtos é fundamental para quem tem alergia alimentar

O quadro clínico desencadeado pela alergia alimentar é bastante variado. As manifestações mais comuns envolvem o aparelho gastrintestinal (fezes com sangue, diarréia, dor abdominal e vômitos), a pele (urticária, coceira, eczema) e o sistema respiratório (tosse, rouquidão e chiado no peito).

A boa notícia é que a alergia ao leite de vaca geralmente desaparece quando o intestino infantil ganha maturidade, por volta dos 2 ou 3 anos de idade, esclarece Márcia Wehba Esteves Cavichio, gastropediatra do Fleury Medicina e Saúde. “Alguns tipos de alergia, entretanto, permanecem a vida toda. E, ao menor contato com a substância alergênica, os sintomas aparecem”, complementa.

Independentemente do tipo, a conduta em todos os casos é retirar completamente da dieta o alimento desencadeador dos sintomas. Deve-se recorrer à criatividade nas trocas alimentares: o sorvete de chocolate será substituído pelo picolé natural de frutas, e o bolo será feito com cenoura ou laranja, sem leite, por exemplo. Nas trocas alimentares espertas, o médico ou a nutrinutricionista tornam-se grandes aliados da família sobre a dieta mais adequada, evitando a carência de nutrientes. E explicar à criança que se ingerir um cajuzinho poderá ficar doente é ensiná-la a se defender. Outra dica importante é ler sempre os rótulos dos alimentos com atenção. “As composições dos produtos industrializados são mudadas sem aviso”, lembra Márcia. Isso vale também para a mãe que amamenta, porque as proteínas do leite que ela ingere e que não são digeridas pelo corpo materno podem chegar ao bebê via leite materno e desencadear sintomas. Outras pessoas da família e que cuidam da criança também têm de ser conscientizadas de que determinados produtos fazem mal. No caso do leite de vaca, tirar o alimento por um período significa dar ao organismo infantil tempo para amadurecer. “Antes de voltar a oferecer o alimento causador da alergia, os pais devem procurar o médico. Somente ele é capaz de fazer essa avaliação”, alerta Morais. Quando o leite não causa mais nenhum efeito, os brigadeiros e os chocolates estão liberados.

Intolerância não é alergia
É muito comum confundir alergia alimentar com intolerância alimentar. A intolerância é também uma reação do corpo, só que não imunológica, e ocorre, em geral, ao açúcar do leite, a lactose, diz Márcia Wehba Cavichio. A intolerância à lactose acontece por causa da ausência de uma enzima no intestino, a lactase, que quebra o açúcar do leite. “A lactose não é digerida e seu acúmulo na luz intestinal provoca diarréia”, explica a médica. Assim como a alergia, a intolerância pode durar a vida toda, se for uma deficiência enzimática congênita ou ser transitória, causada por um agente externo, como um rotavírus, que lesa o intestino, impedindo a digestão da lactose. “Uma vez que as lesões desapareçam, a intolerância também some”, conta Márcia.

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