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Múltiplas capacidades | Revista Fleury Ed. 30

Talento é uma habilidade, um comportamento ou uma herança genética? Existem mesmo diferentes níveis de inteligência? Como mensurá-los?

Ilustração Eder Redder

Talento é uma habilidade, um comportamento ou uma herança genética? Existem mesmo diferentes níveis de inteligência? Como mensurá-los? Respostas a perguntas como essas nos ajudam a compreender como funciona nossa performance cognitiva. “Podemos dizer que a cognição é a forma como o cérebro percebe, capta, aprende, recorda e elabora as informações captadas pelos sentidos, na experiência de cada indivíduo. É mais do que aquisição do conhecimento. É o nosso mecanismo de adaptação ao meio”, explica a psiquiatra Terezinha Oliveira Silva, diretora médica da Clínica Adolescer, em São Paulo.

1 - Talento
É a capacidade do indivíduo de realizar atividades sem ter recebido instruções específicas sobre o assunto. É o indivíduo autodidata, que desenvolve sua capacidade espontaneamente. Todo ser humano tem algum talento a ser praticado. Muitos precisam apenas de um ambiente favorável, estímulo e orientação.

2 - Habilidade  
É a capacidade de realizar algo concreto, com foco e objetivo. Dentro dessa definição, atualmente há um intrigante questionamento: a habilidade de crianças na primeira infância com o uso dos eletrônicos. Muitos adultos, notadamente inteligentes, não se adaptam ao uso da informática, mesmo se aplicando no aprendizado.

3 - Inteligência  
Do latim intelectus, inteligere, que significa entender, compreender, abrange um conjunto complexo de fenômenos que são interiorizados e processados pelo cérebro. A Mainstream Science on Inteligence, documento assinado por pesquisadores de mais de 50 universidades em 1994, definiu inteligência como a capacidade mental que envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender ideias complexas e aprender com a experiência.

4 - Quociente de inteligência (QI)  
Os testes de QI sempre foram motivo de discussão e, embora aperfeiçoados com o passar do tempo, são imprecisos. Eles não são feitos para medir a inteligência, mas sim para objetivos específicos, como detectar as dificuldades escolares de um aluno. Afinal, a inteligência não pode ser medida de forma numérica e linear.

5 - Mas qual inteligência?
O psicólogo Howard Gardner desenvolveu a Teoria das Inteligências Múltiplas, na Universidade de Harvard, no início dos anos 1980. Essas inteligências seriam: Lógica, Matemática, Linguística, Espacial, Musical, Cinemática, Intrapessoal, Interpessoal e, duas mais recentes, Naturalista e Existencial. Já Daniel Goleman e outros autores falam de Inteligência Emocional e afirmam que esta é tão importante quanto a perspectiva tradicional da inteligência. A teoria de Goleman faz sentido quando se percebe, na clínica diária, que pessoas em situação de crise têm dificuldades de memória, criatividade, raciocínio e, assim, prejuízo no rendimento intelectual. Há ainda a Teoria de Modificabilidade Cognitiva Estrutural, do psicopedagogo Reuven Feuerstein, que afirma que todo ser humano com dificuldades, em qualquer fase da vida, pode ter sua inteligência “amplificada”, ou seja, tem capacidade de aprender.

Fonte: Terezinha Oliveira Silva, diretora médica da Clínica Adolescer,
em São Paulo.