No controle | Revista Fleury Ed. 39

Com consciência e acompanhamento, mesmo quem tem uma doença crônica não precisa abrir mão da qualidade de vida.

Com consciência e acompanhamento, mesmo quem tem uma doença crônica não precisa abrir mão da qualidade de vida

O corpo não deu praticamente nenhum sinal de que algo não ia bem.

Mas, de repente, a pessoa descobre que tem um problema chato para lidar: hipertensão, diabetes, níveis alterados de triglicérides, colesterol (as dislipidemias). Os resultados de exames aparecem alterados e os médicos apresentam uma lista de recomendações que precisam ser seguidas dali em diante. “Quando se descobre uma doença crônica, muitos pacientes demoram a se conformar, pois nunca sentiram nada de anormal. No caso da hipertensão, por exemplo, mais da metade das pessoas nem sabe que tem o problema. Mas, se por um lado essas doenças não têm cura, por outro é muito importante saber que elas têm controle”, explica a cardiologista Dra. Ivana Antelmi, Médica Assistente do Fleury.

O mesmo ocorre com o diabetes, que acomete pessoas cada vez mais jovens. Um dos grandes fatores é a hereditariedade, por isso, quando pai ou mãe têm diabetes, quanto mais cedo começar o acompanhamento, melhor. “O bom é que é possível evitar e, se descobrirmos cedo alterações nos níveis de açúcar no sangue, dá para reverter e controlar com mudança de hábitos”, explica a endocrinologista Dra. Milena Teles, Assessora Médica do Fleury. O colesterol e os triglicérides descontrolados são outras duas doenças crônicas silenciosas. Quando combinadas com a hipertensão e o diabetes, podem ocasionar a síndrome metabólica, o que aumenta ainda mais os riscos de doenças cardíacas e de um acidente vascular cerebral (AVC). “Inclusive um dos primeiros sintomas que faz a pessoa perceber que tem uma doença crônica como hipertensão é o próprio infarto, por isso, é tão importante descobrir cedo e controlar”, explica Dr. Ibraim Masciarelli, cardiologista do Fleury.

Medicamento sempre?

Uma das formas de controlar as doenças crônicas é o uso de medicamentos, que hoje têm efeitos colaterais baixos e toleráveis. Porém, todos os especialistas apontam que o melhor meio de ter qualidade de vida e bem-estar, além de minimizar os riscos atrelados às doenças crônicas, é a mudança de hábitos. “Com atividade física e alimentação saudável é possível diminuir doses de medicamentos ou, em alguns casos, até prescindir de seu uso. E é sempre melhor se podemos prescrever menos remédios para o paciente”, explica Dra. Ivana. Todas essas doenças, quando conhecidas, acompanhadas corretamente e controladas, permitem que o indivíduo leve uma vida tão normal quanto a de qualquer outra pessoa.

Para viver bem com as doenças crônicas

Faça atividade física regular (o mínimo recomendado é de 150 minutos por semana).
Cuide da alimentação: diminua o sódio (e o sal), consuma mais frutas e legumes frescos, reduza o consumo de gorduras saturadas (laticínios, produtos industrializados e carne vermelha, por exemplo).
Se você não tem nenhum problema identificado, faça exames a cada ano para controle dos seus níveis normais e habituais de triglicérides, colesterol, açúcar e pressão.
Após o problema ser descoberto, na fase de estabilização, visite o médico e repita os exames a cada mês. Depois de controlado, avalie a cada seis meses o diabetes e o perfil lipídico.

Para ficar de olho

HIPERTENSÃO

É caracterizada quando duas ou mais tomadas da pressão arterial são maiores ou iguais a 140/90 mmHg, segundo a 7a diretriz de hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Recomenda-se fazer a medição, pelo menos, a cada dois anos, para os adultos com tomadas iguais ou menores a 120/80 mmHg, e anualmente para aqueles com tomadas entre 120/80 mmHg e 140/90 mmHg.

COLESTEROL / TRIGLICÉRIDES

O nível normal varia de acordo com fatores como idade, sexo e risco cardíaco (fumo, peso e outras doenças crônicas presentes). Pelas novas diretrizes da SBC, de 2017, quem tem risco cardíaco muito alto deve manter o LDL (colesterol ruim) abaixo de 50 mg/dL, por exemplo. Os exames precisam ser repetidos a cada três meses quando em início de tratamento, a cada seis no controle e a cada um ano para pessoas que apresentam níveis normais.

DIABETES

A glicemia de jejum com resultados entre 100 e 125 é considerada pré-diabetes. Mais do que isso, já é diabetes. Para confirmar, é preciso fazer dois testes iguais ou diferentes (uma glicemia de jejum e uma hemoglobina glicada, por exemplo). Para indivíduos saudáveis, exames uma vez ao ano. Para quem apresenta alterações, a cada três meses até controlar e depois a cada seis meses.

Jejum: precisa ou não?

Quem faz exames de sangue com frequência já está acostumado a se preparar com o jejum. Até o final de 2016, para se avaliar os níveis de colesterol, era solicitado que o paciente estivesse 12 horas sem ingerir alimentos. Porém, a partir de diversos estudos internacionais, a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, a de Cardiologia e a de Análises Clínicas revisaram as diretrizes para o Brasil em 2017. “Para o perfil lipídico, basta saber há quanto tempo o paciente fez sua última refeição para avaliar os resultados com base nos parâmetros certos”, explica Dra. Viviane Zorzanelli, cardiologista, membro da equipe do Check-Up Fleury e Assessora da Cardiologia Molecular. Porém, para avaliar índices glicêmicos (que apontam, por exemplo, o diabetes), o jejum ainda é fundamental. “O melhor é que o paciente que tiver os dois exames para fazer realize a coleta no mesmo dia, com as oito horas de jejum necessárias para a glicemia”, aconselha.

Da esq. para a dir.:

Dra. Viviane Zorzanelli, cardiologista membro da equipe do Check-Up Fleury e Assessora da Cardiologia Molecular; Dra. Milena Teles, Assessora Médica do Fleury; Dr. Ibraim Masciarelli, cardiologista do Fleury; Dra. Ivana Antelmi, Médica Assistente do Fleury?

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