O relógio de cada um | Revista Fleury Ed. 14

Cada organismo é único e funciona com horários próprios. Assim, conhecer o próprio corpo melhora, e muito, a qualidade de vida. E é isso que estuda a cronobiologia.

Tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac... TRIIIIIIMMMMMMMM! São 7h30 da manhã! O relógio desperta. De um lado da cidade, Maria acorda cheia de energia. Abre as janelas, entra no chuveiro, liga a cafeteira e em dez minutos está pronta para sua corrida matinal. Enquanto isso, longe dali, João está lutando contra o sono, arrastando-se para fora da cama e pensando que poderia dormir pelo menos mais umas cinco horas. Qual a diferença entre eles? Maria é um ""pássaro da manhã"", e João, uma ""coruja noturna"", exem­plos clássicos de pessoas que possuem rit­mos corporais diferentes: a primeira é aquela que gosta de acordar e dormir cedo, já a se­gunda prefere acordar e se deitar bem mais tarde. E não tem nada de errado com nenhum deles – pelo contrário, se cada um observar o próprio corpo, poderá organizar melhor suas atividades, construindo uma rotina mais agradável.

Maria e João são personagens fictícios, mas que traduzem a realidade vivenciada por milhares de pessoas. ""Cada corpo tem um ritmo. Respeitar esses ciclos sempre é melhor e muito mais saudável para o organismo. Quando se respeita a própria fisiologia, a chance de ter problemas na saúde é muito menor"", afirma o médico do esporte Páblius Staduto Braga Silva, responsável pelos Programas de Atividade Física do Fleury Medicina e Saúde. ""Aqueles momen­tos do dia em que a pessoa sente muito sono são os períodos nos quais vale a pena ela dar uma descansada. Não vai ser produtivo fazer ginástica ou se concentrar em um tra­balho muito difícil nessas horas. Esse perfil está relacionado com uma herança genética, mas também com fatores ambientais e com o estilo de vida"", explica Silva. A mensa­gem, apesar de difícil de ser seguida numa rotina atribulada – como a da maioria das pessoas –, é um incentivo gostoso para mudanças de vida, em prol de mais prazer e menos obrigação.



Isso ocorre porque esse respeito ao pró­prio corpo é a chave, segundo os médicos, para uma vida mais saudável e produtiva. É como conhecer seu relógio interno, que nem sempre está acertado com os ponteiros do horário mundial. Na verdade, num mundo onde tudo caminha para funcionar 24 horas, dormir menos e produzir mais podem ficar cada vez mais desencontrados. No caso de Maria, suas obrigações coincidem com seu ritmo biológico, acordando muito cedo para fazer ginástica e engatar o expediente no trabalho. Já João sofre por violar sua fisiolo­gia – ele se sente melhor quando dorme pela manhã e trabalha e se exercita à tarde e à noite. ""A sociedade moderna induz a uma pressa que realmente só dá prejuízo. Não posso perder isso, perder aquilo. Assim, você fica sem tempo, e a angústia é gerada. Por isso, tanta neurose hoje em dia. Então, em vez de prazer, você tem frustração. A oferta é tão grande que você não abre mão. Tem de aproveitar tudo. Mas aproveitar não seria deitar numa rede e dormir?"", questiona o endocrinologista José Gilberto Vieira, as­sessor médico em Endocrinologia do Fleury.

Para isso, o especialista sugere uma mu­dança de postura. Um esforço, um jogo de cintura, uma pausa para repensar e programar melhor em que momento as atividades do dia serão feitas. O ideal é ter em mente que esse mecanismo pessoal influencia a força, a velocidade, a energia, a coordenação, a capacidade de atenção, a concentração e a criatividade. Além disso, a pressão arterial e a circulação sangüínea seguem um ciclo próprio, e até mesmo a temperatura corporal tem seu padrão – todos eles com dura­ção de 24 horas. Não se podem ignorar o ciclo menstrual da mulher – um ciclo men­sal, no qual há várias alterações hormonais, que perduram por toda a vida fértil femini­na nem o próprio ciclo da vida, mais am­plo e tão complexo quanto o outro e que vai do nascimento à idade adulta, da fase de re­produção ao envelhecimento.


Nosso relógio interno
A medicina já descobriu o potencial e a im­portância desses ciclos, e o estudo disso tem um nome: é a Cronobiologia. ""É uma área que estuda a dimensão temporal na matéria viva. Em outras palavras, a Cronobiologia estuda as funções dos organismos vivos ao longo do tempo – 24 horas, estações do ano, etc. –, já que praticamente todas as funções do corpo humano variam"", explica a médica Claudia Moreno, especialista em Medicina Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Entretan­to, ela ressalta que, enquanto as pessoas são, de fato, diferentes – existem os matutinos, os vespertinos e ainda aqueles que não têm preferências muito definidas –, estudos científicos têm demonstrado freqüência maior de alguns fenômenos em determina­dos momentos do dia.



Ainda faltam pesquisas para esclarecer a origem genética de alguns fenômenos, mas já se sabe que as piores crises de asma costumam ocorrer por volta das 4 horas da ma­drugada, ao passo que as crises relacionadas a doenças cerebrais e cardiovasculares predominam no período da manhã. Já a absor­ção de cálcio pelo organismo acontece com maior eficiência no início da noite. E a libe­ração do hormônio do crescimento ocorre durante o sono, principalmente em um estágio específico: o sono de ondas lentas.

Mas por que é importante saber isso? Para que um médico possa receitar a um paciente cardíaco uma medicação a ser to­mada antes de dormir, mantendo-o protegido nas horas de maior vulnerabilidade; para uma mulher na menopausa, com risco de osteoporose, poder aproveitar ao máximo as doses de cálcio que ingerir, ajudando a fortalecer seus ossos; para que um especialista possa orientar os pais de uma crian­ça que não consegue dormir direito.

""Uma criança que dorme mal vai ter menor produção de hormônio de crescimento, o que poderá prejudicar seu desenvolvimento. Nesses casos, é possível tratar e melhorar esse padrão"", explica Rosana Alves, médica do sono do Fleury Medicina e Saúde. Ela também dá uma boa notícia aos adolescentes: assim como se observa que, em média, pessoas idosas sentem me­nos necessidade de sono durante a noite, os jovens precisam de mais. ""É fisiológico. Nessa fase da vida, eles precisam de mais sono, por isso é tão difícil tirar um adoles­cente da cama"", destaca, afirmando que, com o tempo, eles tendem a regularizar essa necessidade.



A Cronobiologia é extremamente útil para que os médicos conheçam melhor o funcionamento do organismo, inclusive a origem de distúrbios, aperfeiçoando remédios e tratamentos. A sua grande mensagem para os leigos é que cada corpo tem um ritmo, e vai da consciência de cada um observar em que horas se sente melhor, tentando respeitá-lo. ""Comece a se observar e separar hábitos im­portantes. Você organizará melhor sua vida, tirará maior proveito do seu tempo e será mais feliz com seu corpo"", resume Silva. No final do dia, ao respeitarem seu ritmo, Maria relaxa diante da TV e se prepara para uma boa noite de sono. E João, bastante desperto, dedica-se às atividades no computador. Cada um no seu ritmo, cada um a seu tempo.

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