Outras Perspectivas | Revista Fleury Ed. 35

Como os avanços da medicina nas últimas décadas permitem viver melhor por mais tempo


Como os avanços da medicina nas últimas décadas permitem viver melhor por mais tempo

Diz-se que os 60 são os novos 50, e é fácil perceber o que isso quer dizer pela aparência das pessoas quando chegam a essa idade – em geral, são rostos e corpos rejuvenescidos, nos quais os sinais do passar do tempo mudaram de figura. Mas não se trata apenas de uma questão estética. A medicina avançou em diversas frentes e a geriatria é uma especialidade que, nas últimas décadas, se beneficiou especialmente desses avanços, da prevenção aos tratamentos de última geração. Tudo isso para garantir às pessoas não só uma vida mais longa, mas principalmente autonomia até o fim da vida.

Com a perspectiva de que a população idosa brasileira seja maior do que a de crianças com até 14 anos já em 2030, a saúde passa por uma transição. Se antes os cuidados eram voltados às doenças infecciosas, cada vez mais é necessário dar atenção às doenças crônicas e degenerativas, que demandam gestão ao longo de toda uma vida. “Nesse cenário, nós entendemos a saúde do idoso sob um paradigma funcional. O grande desafio é fazer com que essas condições crônicas não tenham um impacto funcional, ou seja, eu preciso garantir que a pessoa seja independente e dona do seu nariz até o seu último dia, apesar de tudo isso”, explica Dr. Nelson Carvalhaes, geriatra e médico do Check-Up Fleury.

Algumas mudanças na sociedade fazem com que esse critério seja ainda mais necessário. “Desde meados do século passado, não há mais aquele lar com múltiplas gerações, com filho, neto e avó morando juntos. A mulher, seja a filha ou a nora que historicamente eram cuidadoras, hoje está trabalhando. O neto está cuidando da vida. Esse idoso precisa ser independente”, contextualiza Dr. Carvalhaes.

Se os novos arranjos familiares favorecem o isolamento do idoso, as mudanças culturais no olhar para a saúde, por outro lado, abrem muitos caminhos para a autonomia. “Hoje a gente se preocupa com o que come, com praticar alguma atividade física, com gerir o estresse. Tudo indica que nós já teremos menos condições crônicas do que as gerações anteriores e, as tendo, vamos poder tratar melhor, seja porque sabemos as mudanças de estilo de vida que nos favorecem, seja porque temos medicamentos e tratamentos mais eficazes e acessíveis”, diz Dr. Carvalhaes.

Na mesa de negociação com o envelhecimento

É possível olhar para a chegada da idade avançada como uma rodada de negociação. “Quanto mais fichas você tiver, melhor o seu poder de barganha”, compara Dr. Carvalhaes. Essas “fichas” seriam diversos fatores que ajudam a viver melhor por mais tempo. Ou seja, quanto melhor você cuidou de sua saúde, quanto mais se exercitou, quanto melhor se alimentou, se tratou e cuidou da saúde mental, das suas relações humanas, e até mesmo quanto melhor cuidou do seu dinheiro, mais fichas tem para negociar uma vida mais autônoma. A partir daí, as fichas extras vêm de avanços da medicina e da tecnologia, que ajudam a conviver com as transformações dessa fase da vida.


Hormônios

A mudança mais importante nos últimos anos diz respeito ao tratamento de reposição hormonal. “No passado, o cenário era de que toda mulher precisava repor. Hoje, sabemos que os benefícios não são os que imaginávamos e os riscos existem”, pondera Dr. Carvalhaes. Por outro lado, hoje os médicos contam com diversos tratamentos voltados especificamente para os sintomas ligados à menopausa, mais seguros e direcionados, que atendem às necessidades que só a reposição atendia antes. Por exemplo, o uso de hormônios tópicos para evitar o ressecamento de mucosas e tratamentos específicos para a osteoporose. Para os homens, a reposição de testosterona é feita de maneira simples, com um gel usado sobre a pele do ombro.

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Neurologia e saúde mental

Nessa área, o diagnóstico mais preciso de males como o Parkinson e de algumas demências permite uma melhor gestão dos seus sintomas e também a identificação de dificuldades de movimento atreladas a essas doenças. O Alzheimer, hoje, apesar de ainda contar com poucas opções eficazes de tratamento, é uma das doenças mais investigadas pelos cientistas. “Logo devem sair resultados importantes dessas pesquisas”, avalia Dr. Carvalhaes. No tratamento da depressão, que é prevalente nessa faixa etária, o avanço farmacológico é significativo, oferecendo medicamentos efetivos e com um perfil de efeitos colaterais aceitável e mais acessível aos pacientes, inclusive na rede pública.

Alimentação

Se antigamente chegar aos 60 significava ganhar uma dieta feita só de restrições, hoje os profissionais de saúde tendem a fazer uma avaliação mais global da alimentação do paciente. “Sabemos que há uma diminuição da percepção do sabor, mas que ela ocorre sobretudo com o sabor salgado”, diz Dr. Carvalhaes.

É por isso que não é incomum a pessoa passar a comer mais doces nessa fase da vida. Uma dieta muito restritiva, portanto, pode acabar levando a um quadro de desnutrição. Além de dietas mais abrangentes, os profissionais contam também com novas opções de suplementos nutricionais voltados para as necessidades específicas dessa faixa etária.

Mobilidade

Hoje, os geriatras contam com toda uma tecnologia de exercícios físicos que ajudam a manter o sistema osteomuscular funcionando bem por mais tempo. Além do pilates, é comum prescrever a chamada tetra de atividades, que inclui exercícios aeróbicos, exercícios isométricos para melhora da massa muscular, exercícios de alongamento para a amplitude de movimento e exercícios de equilíbrio, para evitar quedas. Além disso, o avanço das ferramentas de diagnóstico, especialmente a Ressonância Magnética, permite acompanhar com detalhes as articulações, tendões e ligamentos. Houve, ainda, um avanço importante nas técnicas pouco invasivas de tratamentos: infiltrações, tratamentos locais com medicamentos, substâncias que substituem os lubrificantes naturais das articulações, entre outros. E, por fim, a biomecânica, com técnicas cirúrgicas e próteses que garantem a substituição de articulações. “Hoje, uma prótese de quadril é trocada em duas horas. Isso muda a vida de uma pessoa”, diz Dr. Carvalhaes. Além disso, há o avanço da arquitetura aplicada à acessibilidade, mais difundida e acessível.

Audição

A perda de audição é compensada não só com a oferta de aparelhos de surdez, mas principalmente com a oferta de aparelhos melhores e mais versáteis. É possível selecionar modos específicos de funcionamento para assistir a concertos em
um teatro, por exemplo, ou para frequentar festas e ambientes mais ruidosos. “Um aparelho que só amplificava o som podia ser muito incômodo. Hoje, a tecnologia se sofisticou e a pessoatem o controle”, explica Dr. Carvalhaes.


Vida social

O isolamento ainda é um dos maiores riscos à saúde geral de um idoso. Porém, muitos aparelhos sociais e serviços foram criados nos últimos anos para esse público, como universidades para a terceira idade, cursos, serviços e pacotes de turismo, garantindo oportunidades de socialização e criação de redes de apoio.

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Visão

O avanço mais evidente nesta área aconteceu na técnica de cirurgia de catarata, que nos últimos 20 anos se tornou totalmente difundida e simples, permitindo que o paciente seja liberado no mesmo dia, garantindo melhor qualidade de vida aos idosos a um baixo risco.

Doenças cardiovasculares

Aqui, o maior impacto vem da chamada prevenção primária, ou seja, os cuidados com alimentação e atividade física para controle de colesterol, gorduras, pressão arterial, que diminuíram drasticamente o risco da pessoa sofrer um infarto ou um acidente vascular cerebral aos 60 anos. “Há 40 anos, o cenário comum era a pessoa chegar aos 60 hipertensa, diabética, obesa, sem tratamento e ter um infarto, de surpresa. Isso mudou”, garante Dr. Carvalhaes.


Dr. Nelson CarvalhaesDr. Nelson Carvalhaes é geriatra e médico do Check-Up Fleury


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