Performance personalizada | Revista Fleury Ed. 30

​Como encontrar o melhor desempenho do corpo em cada fase da vida? Convidamos especialistas em saúde para debater essa questão

Como encontrar o melhor desempenho do corpo em cada fase da vida? Convidamos especialistas em saúde para debater essa questão

Com raízes no francês antigo e no latim, a palavra “performance” remete a uma série de significados. Entre eles, executar, dar forma, desenvolver, conseguir ou concluir determinada tarefa, seja ela qual for. Assim, não é preciso limitar-se a relacionar o termo apenas à sua expressão artística ou esportiva. Há muitas outras vertentes para desvendar. Do ponto de vista médico, por exemplo, performance seria melhor traduzida como “desempenho”, e é tudo o que você pode fazer com seu próprio corpo no dia a dia. Segundo os profissionais que convidamos para discutir essa questão, o conceito engloba desde uma simples brincadeira infantil até o treinamento de um atleta. Acompanhe, a seguir, a conversa entre Marcelo Nico, coordenador médico do Centro de Medicina Diagnóstica Integrada do Aparelho Locomotor, o educador físico Diego Roger Silva, Patrícia Dreyer, médica especialista em metabolismo ósseo – todos do Fleury Medicina e Saúde – e Marina Guzzo, psicóloga da Unifesp.

Na infância
Para cada indivíduo, há um modo diferente de colocar o próprio corpo em movimento. Para cada objetivo e faixa etária, claro, performances exclusivas, personalizadas. Diego acha importante diferenciar atividade física de exercício físico. “Para uma criança, atividade física é brincar, subir em árvore, pular corda, jogar futebol, tudo o que é feito de forma lúdica, sem uma meta específica”, explica. “Já o exercício físico, para crianças e adultos, tem início, meio e fim, é predeterminado, tem prescrição e prevê a busca por um objetivo.”

Mas isso não significa que não seja possível buscar um bom desempenho em cada uma dessas atividades. Diego não descarta, por exemplo, incentivar a prática de exercícios focados no fortalecimento muscular e cardiovascular da criança para que ela realize as atividades cotidianas de forma mais segura. “Para esse propósito, é possível, com acompanhamento profissional, fazer trabalhos com carga muito baixa e uma repetição um pouco mais elevada.”

Marcelo Nico pondera: “É interessante se for feito da forma correta, mas sem esquecer que faz parte da infância se machucar. A criança está em uma fase em que deve brincar ao extremo. No entanto, é importante a mãe saber que uma criança de 5 anos não precisa jogar três horas por dia num treinamento competitivo. Uma forma lúdica de brincar é melhor que atividades repetitivas que, em excesso, possam trazer algum tipo de lesão”, diz.

Nesse sentido, segundo o médico, o uso de videogames que estimulam o movimento está liberado, mas os pais devem chamar a atenção da criança para o fato de que existem outras atividades – e outros tipos de movimentos – que são importantes para elas realizarem. “Os videogames com sensores, que fazem parte da rotina da maioria das crianças hoje em dia, são interessantes porque estimulam o corpo, os movimentos e a coordenação motora, porém, quando utilizados de forma excessiva, podem gerar lesões relacionadas ao movimento repetitivo”, explica.

Além disso, devido ao sedentarismo, Nico observa uma mudança nos tipos de lesões diagnosticadas nos pequenos. “As crianças que brincam movimentam o corpo como um todo, ao contrário das que não possuem o mesmo hábito e passam a maior parte do dia sem se movimentar. Nesses casos, há crianças que apresentam uma característica comum de encurtamento músculo-tendíneo de algumas regiões”, cita.



Idade adulta
“Abdômen sequinho com treino de 15 minutos!” “Derreta gordura em nossa aula de spinning!” “A nova atividade que seca tudo!” Não é de hoje que chamadas como essas estampam capas de revistas e funcionam como grandes incentivadores nos corredores das academias. Agora, uma nova onda fitness toma conta de redes sociais como o Instagram, onde há centenas de “fit celebridades” que publicam, como em um diário virtual, fotos em que praticam exercícios pesados ou apresentam belos pratos como aliados para alcançar o corpo dos sonhos. É a cultura da alta performance trazida para o dia a dia e servindo como uma injeção de ânimo para quem já tem o hábito da malhação ou precisa de um empurrãozinho para adotá-lo.

Mas junto de frases incentivadoras e do debate saudável sobre a adoção de novos hábitos, há também uma tendência que pode trazer riscos. Como cada corpo é diferente e tem características únicas, se esforçar para atingir a suposta perfeição que se vê nas imagens de internet pode trazer problemas que vão de frustração e ansiedade até lesões causadas pela busca de um desempenho que não condiz com seu organismo.“Quando eu falo da performance de um atleta, deixo um pouco de pensar em saúde, uma vez que o que importa é o resultado. O resultado de alto rendimento não se alcança com saúde, vencemos barreiras que o corpo não suporta”, acredita Diego. “Existe um grande preconceito contra a gordura corporal. Tudo pode ter seu lado positivo. Dependendo da faixa etária, a gordura tem várias funções fisiológicas e até preventivas”, afirma.

De acordo com a psicóloga Marina Guzzo, o desejo de ter o corpo igual ao de outra pessoa é impor uma meta que não é a sua. “As metas motivam, mas essa motivação tem que ser balanceada. A gente pode se influenciar por questões externas, mas é preciso buscar motivos internos e ter consciência do próprio corpo.” Para ela, um dos grandes inimigos da boa performance, em qualquer idade, é a expectativa. “É preciso entender o corpo como uma surpresa. As pessoas estão usando o corpo de forma muito utilitária, ‘preciso perder caloria’, ‘ganhar massa magra’, ‘treinar o bíceps’. Estão se acostumando a sentir o corpo pela dor, esquecendo de focar no prazer do movimento, na alegria. Esquecem de dar atenção ao processo, ao bem-estar, ao lúdico, ao prazer.”



Idosos
Estudos recentes apontam que a musculação apresenta papel fundamental na manutenção da saúde, tanto para quem quer melhorar a performance quanto para quem quer prevenção. Praticada em todas as idades, essa modalidade pode neutralizar dores lombares, realinhar o corpo, atuar no equilíbrio osteomuscular e dar estabilidade corporal para as funções do dia a dia, principalmente em adultos e idosos. Atualmente, a classe médica orienta o trabalho conjunto da musculação com o exercício aeróbico. “No passado, a musculação era encarada como atividade voltada para a estética corporal, porém, com o avanço dos estudos científicos, essa modalidade mostrou-se fundamental para a manutenção da saúde corporal e do movimento em todas as faixas etárias, bem como na melhor estabilidade de algumas doenças crônicas como o diabetes”, exemplifica Marcelo Nico. “Hoje, focamos no aumento da massa muscular que está diretamente ligada à massa óssea. É um binômio osso-músculo que evita que o idoso obtenha um resultado parcial na prevenção de lesões relacionadas à osteoporose e a atividades cotidianas”, afirma a médica Patrícia Dreyer.

Independentemente da faixa etária, é importante que cada indivíduo saiba qual é seu objetivo e trace um desempenho possível para sua realidade de tempo, corpo e mente.  “É importante pensar a performance como manutenção de saúde, não só para atingir um objetivo, mas também para conduzir pessoas em todas as fases da vida a um bom desenvolvimento osteomuscular”, avalia Marcelo Nico. Uma das regras importantes para movimentar-se de maneira saudável é ter consciência corporal e trabalhar as diversas inteligências do corpo, como agilidade, coordenação motora e equilíbrio, procurando sempre o auxílio médico antes de iniciar uma atividade e orientação profissional na prática dos exercícios físicos escolhidos.
Diagnóstico integrado
Especializado nas áreas de ortopedia e reumatologia,
o Centro de Medicina Diagnóstica Integrada do Aparelho Locomotor do Fleury oferece, em um único espaço, todas as modalidades na área de Diagnóstico por Imagem do sistema osteomuscular. Com especialistas nas áreas de ortopedia, reumatologia, endocrinologia e medicina esportiva, a equipe do centro tem como foco o contato direto com os médicos solicitantes, para informar e discutir todos os diagnósticos realizados em seus pacientes.
O espaço está instalado na unidade Higienópolis e também oferece a possibilidade de intervenções diagnósticas (biópsias) e terapêuticas, em ambiente ambulatorial.

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