Por dentro da vida escolar | Revista Fleury Ed. 19

Ao entrar na escola, a criança passa por uma série de etapas e aprendizados, que acabam por transformá-la, bem como toda a sua família. Saiba como lidar, em cada fase, com aspectos importantes para a criança, que vão da educação à saúde.


Ao entrar na escola, a criança passa por uma série de etapas e aprendizados, que acabam por transformá-la, bem como toda a sua família. Saiba como lidar, em cada fase, com aspectos importantes para a criança, que vão da educação à saúde.

Com a chegada do bebê, uma nova vida começa. A rotina muda, a casa se adapta, os membros da família se or­ganizam para ajudar nas tarefas. Nos primeiros meses, mãe e filho estabelecem uma relação especial, de cuidado, carinho e atenção. São semanas de aprendizado constante e con­vivência intensa que, com a volta da mulher ao trabalho ao final da licença-maternidade, estão sujeitos a grandes modificações. Nesse momento, começa uma nova etapa da vida, que passa a incluir, além dos familiares e ami­gos próximos, em muitos casos também, uma instituição essencial para o desenvolvimento da criança: a escola. Este será o cenário para diversos processos da formação do indivíduo, como a socialização propiciada no ensino in­fantil, a alfabetização promovida no início do ensino fundamental e a preparação para a formação superior e profissionalizante durante o ensino médio.

Em cada uma dessas fases, aspectos físicos, emocionais e pedagógicos de grande importân­cia para delinear o futuro de cada criança ou adolescente serão desenvolvidos. Para isso, o ideal é que família e escola atuem em parceria, respeitando seus respectivos espaços e limi­tações, e dialogando bastante, para esclarecer dúvidas que forem surgindo ao longo do cami­nho. Quanto mais harmônica for essa relação, mais segura, confiante e saudável a criança es­tará para desempenhar seu papel, tanto em casa quanto no ambiente escolar.

Saúde e escola

Qual é o momento certo para que uma criança entre na escola? Esta é uma questão que muitas mães e pais se fazem. A resposta depende das necessidades de cada família. Para algumas, é possível que a família opte por deixar a crian­ça em casa até atingir a idade obrigatória para ingresso no ensino fundamental, aos seis anos. Para outras, entretanto, o retorno da mãe às atividades profissionais pode requerer o início mais precoce da vida escolar de seus filhos.

Quando a licença-maternidade termina, muitas mulheres optam por deixar os bebês, que nesta fase em geral estão com 4 meses, em um berçário. Os médicos explicam que, por volta dessa idade e mais intensamente após os 6 meses, o organismo infantil passa por um período de diminuição de imunida­de. Isso ocorre porque os níveis de anticor­pos herdados da mãe começam a declinar, e o sistema imunológico da criança ainda está em desenvolvimento, em um processo que se completa por volta dos 2 anos de idade. Por isso, ao começar a frequentar o berçário, é co­mum que as crianças fiquem doentes. Segun­do a pediatra Ivani Mancini, do Fleury Medi­cina e Saúde, algumas viroses podem ocorrer com maior frequência nesta faixa etária, pro­vocando febre, diarreias e resfriados. “O con­vívio com outras crianças, nessa fase, facilita o contágio”, explica a médica.

Na maioria dos casos, os quadros são leves e tendem a melhorar em alguns dias. No entan­to, o melhor procedimento quando a criança apresentar sintomas, que podem estar rela­cionados a alguma virose, é procurar o médico e deixá-la em casa até que melhore. Por isso, contar com um pediatra de confiança nessa fase é fundamental. Nas consultas regulares, esse especialista irá acompanhar o desenvol­vimento do bebê, verificar se o ganho de peso e altura está ocorrendo em ritmo adequado, orientar a alimentação apropriada para a idade e recomendar vacinações. Além disso, poderá diagnosticar qualquer alteração ou doença que eventualmente ocorra. O médico que conhece o histórico da criança é o mais capacitado para orientar a família em todas essas situações.

Alimentação saudável
A atenção com a alimentação na escola é fundamental. “Os pais precisam conversar com os filhos, orientá-los sobre o que podem comer diariamente, ensinando o que pode ser melhor para o organismo”, lembra a nutricionista Carla Yamashita. Na lancheira, sanduíches com pão integral, frutas, sucos e barras de cereais são alternativas saudáveis aos salgadinhos e chocolates. O mesmo vale para as cantinas. “Algumas escolas já oferecem uma alimentação diferenciada, mais equilibrada e com alimentos mais saudáveis, o que facilita bastante a educação alimentar dos alunos”, diz. Em alguns colégios, os pais podem até escolher quais alimentos os filhos podem comprar. E o cuidado não se restringe somente aos pequenos. “O adolescente tende a comer mais fora de casa e a preferir fast-food. Por isso, escolas e pais precisam continuar estimulando uma alimentação saudável e equilibrada”, afirma Carla.

Para que a criança permaneça saudável, a escolha do berçário também é muito impor­tante. O local precisa ser limpo e ter profissio­nais qualificados para dar todo o suporte de que o bebê necessita. “Há berçários com mui­tos recursos tecnológicos, como câmeras para as mães observarem as crianças a distância. Podem ser interessantes, mas o essencial é que tenham higiene, profissionais bem prepa­rados e um número pequeno de crianças para cada cuidador”, complementa a médica.

Por volta dos 2 anos, quando a criança está com o sistema imunológico mais desenvolvi­do, além de já ter alcançado maior maturida­de neurológica, com a aquisição da fala e do controle esfincteriano, pode ser um bom mo­mento para entrar no universo escolar. Nesta fase, o convívio com outras crianças da mes­ma idade é muito importante, pois representa o início da socialização. Por isso, mesmo que a família tenha condições de manter a criança em casa com alguém da família ou com uma babá, pode ser interessante matriculá-la numa escola, pois, além da convivência com outras crianças, o ambiente escolar trará oportu­nidade para estímulos variados e adequados para a sua faixa etária. “As brincadeiras nessa etapa da vida têm um papel fundamental para a construção de conceitos e valores, e para que sejam experimentadas novas sensações”, diz o psicólogo Thiago Pavin, do Fleury. É por meio delas que a criança estimula a imagi­nação, trava contato com o outro e começa a desenvolver sua consciência corporal, traba­lhando a coordenação motora. “A brincadeira apresenta uma forma de iniciação e de res­posta a questões que se tornarão fundamen­tais no futuro, como competição, vitórias e perdas, inibição e desinibição”, explica.

Aos 4 anos, a criança migra para outra etapa da vida escolar, e entra na educação infantil. Um período também de bastante brincadeira e mui­to movimento. “É também o momento dos jogos em grupo, de brincadeiras com bola, de correr bastante, de maneira solta”, diz o médico do es­porte do Fleury, Pablius Straduto Braga Silva. Segundo ele, a iniciação esportiva não deve ser feita com muitas regras nessa faixa etária, mas sim com bastante liberdade e estímulo.

Nessa fase da vida escolar, a criança passa a ter uma rotina em sala de aula. Ainda não tão rígida quanto terá no ensino fundamental, mas já com pequenas tarefas a desenvolver. Segun­do a educadora Silvia Colelo, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), aulas formais, separação dos conteúdos em disciplinas e cobrança pela leitura e escrita não são recomendadas nessa idade, pois isso significa pular etapas do desenvolvimento, o que pode acarretar pouco interesse pelos es­tudos e problemas de comportamento. No en­tanto, a introdução de novos conteúdos, em geral na forma de histórias e desenhos, passa a exigir maior concentração da criança, que em muito depende da integridade dos sentidos da visão e da audição. Por isso, pais e professo­res devem estar atentos se há dificuldade de aprendizado e desinteresse, que muitas ve­zes podem ser fruto de um problema em um destes sentidos. Assim, a partir dos 5 anos, é recomendado que a criança seja submeti­da a pelo menos uma avaliação auditiva, bem como a avaliações oftalmológicas anuais até os 10 anos de idade. “Sabemos hoje que alguns problemas de visão só podem ser totalmente corrigidos até aproximadamente os sete anos de idade, quando se dá a maturação completa da visão”, ressalta a pediatra Ivani.

Novas etapas

Com 6 anos, a criança começa o primeiro ano do ensino fundamental – que recentemen­te passou a ter duração de nove anos, em vez de oito. A partir daí, começa de fato o ensino formal, com aulas de português, matemática, ciências, entre outras disciplinas. Há maior cobrança dos conteúdos, e a criança passa a ter lição de casa e avaliações periódicas. É a hora de consolidar a alfabetização, escrevendo pe­quenos textos e lendo livros simples. É ainda a idade adequada para começar o ensino de música. “A área cerebral responsável por es­ses aprendizados está desenvolvida e a crian­ça aprende mais rápido, mais fácil e de forma consistente”, explica a pediatra. Ou seja, é o momento de aproveitar a propensão fisiológica para introduzir novos conteúdos e estímulos, pois a criança está mais apta a absorvê-los.

Na entrada no ensino fundamental, é pos­sível realizar uma avaliação direcionada para a prática de atividade física. É nesta idade que começam, com maior intensidade, as aulas de educação física - e também são identificadas as aptidões de cada um para o esporte. “Uma boa aula depende da criatividade e da propos­ta da escola. Mesmo dispondo apenas de uma quadra, podem ser oferecidas atividades cria­tivas.

Na segunda etapa do ensino fundamental, a partir dos 11 anos, é interessante que sejam abordados assuntos relacionados à educação sexual. O corpo começa a se desenvolver, aparecem os primeiros sinais da puberdade e as diferenças entre meninos e meninas se acentuam, pois é comum que tenham ritmos diferentes de desenvolvimento - no corpo da menina, em geral, as mudanças ocorrem mais cedo do que no corpo do menino. “É importante que a escola trabalhe o tema, dando orientação e informações corretas aos estudantes”, lembra Ivani. O acompanhamento médico, nessa fase, pode ser feito pelo hebiatra, um pedia­tra especializado em adolescentes. No caso das meninas, é também indicado começar as visitas ao ginecologista, a partir da pri­meira menstruação.

Os três últimos anos da educação bási­ca coincidem com o auge da adolescência. É quando acontecem os primeiros amores, e é despertada a sexualidade. São, ainda, os anos que antecedem a escolha da profissão, acom­panhada de uma boa dose de estresse que precisa ser bem administrado. “É uma fase de muita cobrança e pressão. O estudante preci­sa de muita estrutura e confiança para lidar bem com esse momento. O apoio da família é muito importante”, afirma Silvia. Programas de orientação vocacional, contato com profis­sionais de várias áreas e visitas a universida­des podem ajudar na escolha.

É por isso que, em todas as fases, pais e es­cola devem estar atentos ao desenvolvimen­to de crianças e adolescentes, enfrentando juntos os desafios que aparecerem e possi­bilitando o amadurecimento e o desenvol­vimento pleno da capacidade intelectual e criativa de cada criança, bem como facilitar a sua inserção plena na sociedade.

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