Que dor é essa? | Revista Fleury Ed. 22

O refluxo gastroesofágico afeta bebês, crianças e adultos e tem sintomas diversos. Conheça mais sobre esse problema

O refluxo gastroesofágico afeta bebês, crianças e adultos e tem sintomas diversos. Conheça mais sobre esse problema

O que pode ser refluxo
Engana-se quem pensa que o refluxo do conteúdo do estômago para o esôfago afeta somente adultos. Cerca de 67% dos bebês, entre 4 e 6 meses, apresentam algum grau de regurgitação. A boa notícia é que na maioria dos casos não é algo grave, mas uma questão fisiológica. “Como o estômago do bebê enche rápido e o esôfago intraabdominal ainda é curtinho, o leite acaba retornando, chegando até a boca e muitas vezes para fora dela, com mais facilidade e frequência que no adulto”, explica Mauro Toporovski, gastroenterologista pediátrico e professor-assistente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Esse problema, tanto em bebês quanto em crianças ou adultos, se caracteriza pela exposição do esôfago ao suco gástrico refluído que, em casos graves, pode provocar queimaduras e machucar a mucosa local. “Isso acontece porque o estômago está preparado para as enzimas e os ácidos, mas o esôfago não”, afirma Ary Nasi, responsável pelo setor de Motilidade Digestiva do Fleury e gastroenterologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Segundo Toporovski, a realização da endoscopia em bebês não é recomendada como primeiro recurso diagnóstico. Há algumas manifestações da criança que indicam um possível refluxo: choro durante ou depois da mamada, vômito de leite, dificuldade em ganhar peso e, ainda, um jogar da cabeça para trás. O tratamento mais indicado é o uso de medicamento para tirar a dor e também para o esvaziamento mais ligeiro do pequeno estômago. “Mesmo que seja um problema às vezes associado ao crescimento, é importante ser diagnosticado e, quando necessário, tratado”, diz.
Com o crescimento, o esôfago se alonga, reduzindo as chances de regurgitação. “Na maior parte dos casos, apenas 5% a 10% das crianças que apresentavam regurgitações e refluxo fisiológico nos primeiros meses de vida mantêm estas queixas após 1 ano de idade, e parte dos mesmos pode apresentar uma inflamação crônica do esôfago denominada esofagite por refluxo”, diz o pediatra.

Após esta idade, porém, se o problema persistir, outros exames complementares como: PH-Metrica, computadorizada do Esofago, Impedâncio-phmetria, esofágica prolongada, Manometria computadorizada do Esofago e Manometria computadorizada ano retal são indicados para saber se a regurgitação deixou de ser fisiológica e tornou-se patológica.

O refluxo no adultoToda vez que nos alimentamos, o esfíncter (anel) entre o esôfago e o estômago relaxa e se abre para o alimento descer. Para expulsar o ar que entrou junto com a comida, o anel também se abre. Nesses momentos, um pouco dos ácidos e enzimas estomacais sobem naturalmente pelo esôfago, mas o seu retorno é tão rápido, tão fugaz, que não sentimos acidez. Em um dia, esse abre e fecha ocorre repetidas vezes sem nos darmos conta.

Quando existe uma falha no funcionamento do esfíncter, os líquidos estomacais sobem para o esôfago, provocando sintomas como: queimação (azia) e regurgitação, que pode chegar à boca.

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) também pode ter consequências fora do esôfago, na laringe ou no pulmão. Nesses casos, provoca sintomas atípicos como tosse crônica, chiado no peito, rouquidão, pigarro e sensação de bola na garganta. Também causar asma, bronquite, sinusite, otite ou pneumonia de repetição.

“A tosse crônica, persistente por mais de três meses, deve ser investigada”, orienta Ary Nasi. Isso porque cerca de 20% desses casos têm o refluxo como origem. “Casos de otite que não melhoram também podem ter o refluxo como base do problema”, completa Mauro Toporovski. Por isso, otorrinos e pneumologistas atendem com certa frequência pacientes com a doença.

Apesar de ser um problema mais comum do que se pode imaginar, infelizmente, não existem muitos dados sobre a prevalência da DRGE em crianças e adultos no Brasil. Uma pesquisa feita pelo Ibope investigou os sintomas sugestivos da doença – como queimação e regurgitação – em adultos de 22 cidades brasileiras. “Os resultados indicam que 12% dos pesquisados têm esses sintomas sugestivos da doença do refluxo. Estudos populacionais nos Estados Unidos e na Europa mostram que 20 a 30% da população desses locais têm a DRGE”, afirma o médico Nasi.

É importante esclarecer que nem toda azia ou tosse é refluxo. Por isso é importante fazer o diagnóstico, incluindo uma avaliação clínica e exames complementares, se necessário. O Fleury oferece todos os exames para o diagnóstico adequado da DRGE e foi pioneiro na realização do mais moderno deles: a impedâncio-pHmetria esofágica. Nesse exame, o paciente fica cerca de 24 horas com um cateter dentro do esôfago, investigando a ocorrência de refluxo ácido e não-ácido, o tipo de material refluído (líquido, gasoso ou misto), e se as queixas apresentadas pelo paciente são decorrentes do refluxo. “Técnicas mais antigas (pHmetria esofágica) identificam apenas o refluxo ácido, não avaliando a ocorrência de refluxo não-ácido, que também pode determinar sintomas”, explica Ary Nasi.

como acontece o refluxo

Uma vez confirmado o diagnóstico, a fase seguinte é o tratamento, que costuma trazer bons resultados, eliminando ou reduzindo os sintomas. “Mas não é só remédio”, explica o gastroenterologista do Fleury. O tratamento indicado para o refluxo deve abranger três pontos bastante importantes:

1) medicação para diminuir a acidez e auxiliar no esvaziamento gástrico;

2) dieta, evitando alimentos que relaxam ainda mais o esfíncter, como os gordurosos e as bebidas alcoólicas;

3) orientação comportamental. “O paciente tem que saber, por exemplo, que o excesso de peso favorece o refluxo e que atividades físicas mal orientadas também podem ser prejudiciais”, diz Ary Nasi. Sabendo quais são os fatores desencadeantes do DRGE, o paciente pode ajudar muito no seu tratamento.

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