Sangue do meu sangue | Revista Fleury Ed. 21

A gravidez é um momento único e para viver plenamente esse período, assegurando o desenvolvimento saudável do bebê, é necessária a realização do prénatal.

A gravidez é um momento único e para viver plenamente esse período, assegurando o desenvolvimento saudável do bebê, é necessária a realização do prénatal. Entre todos os benefícios desse acompanhamento está o fato de que ele permite ao obstetra detectar um problema conhecido como doença hemolítica perinatal (DHPN), causada pela incompatibilidade sanguínea entre a mãe e o bebê.

A incompatibilidade relacionada ao sistema sanguíneo ABO, apesar de ser a mais comum, raramente afeta o bebê e não exige tratamento durante a gestação. Por outro lado, a incompatibilidade sanguínea, que ocorre quando a mãe é RhD negativo e o bebê é RhD positivo, pode causar sérios problemas. “Nesses casos, a mãe por não expressar o antígeno D presente nas hemácias fetais, o reconhece como estranho e passa a produzir anticorpos anti- D (sistema Rh), que têm a capacidade de destruir as hemácias do bebê (RhD positivas)”, explica Ana Paula Costa Nunes C. Cozac, assessora médica do Grupo de Hematologia do Fleury.

Como esses anticorpos são formados, em geral, no final do terceiro trimestre gestacional, eles não são capazes de causar a doença hemolítica perinatal na primeira gestação. Mas, no caso de uma segunda gravidez de um bebê Rh positivo, a mãe previamente exposta ao antígeno D tem sua memória imunológica ativada, determinando a rápida produção de anticorpos específicos, podendo provocar anemia fetal e, consequentemente, acúmulo de bilirrubina, o que pode levar à icterícia. “O bebê pode desenvolver vários graus de anemia – leve, moderada e grave -, e cabe ao obstetra monitorar essa evolução”, esclarece Cristina Pessoa, hemoterapeuta do Instituto Fernandes Figueira. Se não for tratada corretamente, a DHPN pode causar, além da anemia, deficiência mental, surdez e paralisia cerebral pelo excesso de bilirrubina, que é tóxica para o sistema nervoso.

Diagnóstico e acompanhamento
Os cuidados da mulher em relação à DHPN devem começar antes mesmo da gestação, ao conhecer seu tipo sanguíneo - ABO e Rh - assim como a do seu parceiro. Todas as gestantes devem realizar, além da tipagem sanguínea, a pesquisa de anticorpos irregulares, ou coombs indireto como habitualmente é chamado, já na primeira consula do pré-natal. Este teste é simples é realizado por meio de coleta de uma amostra de sangue materno. “Se o resultado for negativo, ele deve ser repetido na 28a semanas de gestação”, afirma Cristina.

No caso de um coombs indireto positivo, é necessário o acompanhamento da evolução do título do anticorpo, ou seja, sua quantificação, repetindo o exame mensalmente. “Com isso, o médico verifica, de forma indireta, o risco de ocorrência da doença no bebê”, diz Ana Paula.

Além dos cuidados anteriormente citados, para gestantes RhD negativas é fundamental a realização da imunoglobulina anti-D, popularmente conhecida como “vacina Rh”, na 28a semana de gestação e até 72 horas depois do parto. “A DHPN existe e pode, eventualmente, configurar um problema grave para o bebê. Porém, com tantas ferramentas de prevenção disponíveis, é absolutamente possível contorná-la e dar à luz bebês perfeitamente saudáveis. É por isso que um pré-natal bem feito tornase essencial”, conclui Ana Paula Cozac.

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