Sobre a importância de ser criança | Revista Fleury Ed. 21

Em setembro, o programa de TV Vila Sésamo chegou à sua 41a temporada na TV americana - onde é conhecido como Sesame Street.

Em setembro, o programa de TV Vila Sésamo chegou à sua 41a temporada na TV americana - onde é conhecido como Sesame Street. É um feito. Surgida de forma experimental no final dos anos 1960, a atração pretendia usar a grande audiência televisiva para ajudar as “crianças a aprender”. Para isso, lançou mão de recursos inusitados para a época, como os bonecos gigantes. O Garibaldo da versão brasileira, exibida por aqui nos anos 1970, é um exemplo deles. Desde então, as iniciativas, amparadas pela Sesame Workshop, uma organização sem fins lucrativos, não param de crescer. Hoje, o Vila Sésamo apresenta seus conteúdos, desenvolvidos por milhares de educadores, a crianças de cerca de 130 países, por meio de livros, rádio e internet. A fórmula se mantém: aprendizado com diversão. “As crianças precisam se divertir, rir, para que ouçam com atenção os conteúdos que queremos passar. Só assim desenvolverão o amor pelo aprendizado”, diz Robert Knezevic, vice-presidente assistente e diretor regional da Sesame Workshop.

O Vila Sésamo pretende educar no sentido mais amplo. Isso inclui oferecer às crianças noções de geografia, matemática e alfabetização, mas também saúde, condição básica para seu desenvolvimento. Foi daí que surgiu a parceria com o Fleury para a criação da Vila da Saúde, unidade voltada ao atendimento infantil, em São Paulo, encontrando-se com as premissas da ONG americana, na criação de um espaço de saúde totalmente dedicado aos pequenos. Imersos em ambientes recheados de elementos do Vila Sésamo, eles podem se divertir com brinquedos e jogos educativos enquanto cuidam da própria saúde. Até um Garibaldo gigante espera as crianças sentado em um banco de jardim a céu aberto. “A ideia é proporcionar um ambiente onde a criança se sinta confortável, sem medo do médico ou da medicina”, diz Knezevic. Na entrevista a seguir, ele e Jorge Baxter, diretor internacional de educação e pesquisa da Sesame Street, falam sobre o trabalho de ensino infantil em todo o mundo e também no Brasil e sobre a importância de estimular o imaginário das crianças.

Fleury: Qual o segredo do sucesso da Vila Sésamo, mesmo após 40 anos de existência?
Robert Knezevic: Um dos segredos para continuarmos relevantes é a pesquisa constante. Para o desenvolvimento do Vila Sésamo, estamos permanentemente coletando informações junto a instituições, pais, professores, demais membros da comunidade e, é claro, junto ao nosso público. Seja nos Estados Unidos ou no Brasil, convidamos especialistas locais, psicólogos com especialização em crianças, educadores, para saber o que é relevante do ponto de vista educacional e para a comunidade. Se acreditamos que as crianças americanas precisam de ajuda para lidar com a publicidade, com mapas ou matemática, vamos trabalhar essas questões nos nossos conteúdos. Na África, o desafio pode ser lidar com a Aids; no Egito, com a educação das meninas. Descobrimos o que é importante para as crianças, os pais e a família. Esse trabalho capturou a imaginação das crianças, a confiança dos pais e o respeito dos educadores.

Fleury: No início, a Vila Sésamo usava apenas a TV. Hoje, há programas no rádio, livros, revistas, site. Como a infância e as crianças mudaram?
Jorge Baxter: De uma certa maneira, as crianças não mudaram. Serão sempre crianças. Terão sempre uma imaginação fantástica e as mesmas preocupações. O ambiente em que elas crescem, contudo, mudou. Quando nós começamos, a TV era a principal plataforma. Hoje, elas podem encontrar conteúdos nas plataformas mais diversas. Nosso desafio é: como usar essas ferramentas que essas crianças já usam com objetivos educacionais?

Fleury: O Vila Sésamo apresenta o mundo para as crianças com ajuda de bonecos. Qual a importância desse estímulo à imaginação?
JB: É a coisa mais importante. É fundamental resgatar a voz da criança, sua imaginação, a maneira como ela vê o mundo - e não como nós vemos o mundo. É um desafio.
RK: Buscamos olhar o mundo com os olhos da criança. É uma coisa simples de se dizer, mas muito difícil de realizar.

Fleury: Além da diversão e educação, o Vila Sésamo também se propõe a apresentar às crianças temas complexos, que certamente surgirão na vida delas, como morte, diferenças entre culturas e até a crise econômica. Qual a resposta das crianças a esses temas?
JB: Nunca nos furtamos à responsabilidade de tratar desses temas. Um dos assuntos que temos tratado recentemente nos Estados Unidos é o dos pais que foram para a guerra, devido aos conflitos no Iraque e Afeganistão, e o 11 de Setembro. O que fazemos é dizer claramente: bem, vamos falar disso. E oferecemos um léxico, uma linguagem para que as crianças e também os pais possam falar a respeito e expressar seus sentimentos.

Fleury: O Vila Sésamo é exibido em diversos países e também há versões locais, produzidas a partir de parcerias com profissionais de outras nações. Assim, sua mensagem chega a diferentes povos e culturas. O que há em comum entre uma criança dos Estados Unidos, do Brasil, da África e da Índia?
JB: A infância tem sempre coisas em comum. Mas algumas coisas de fato mudam de acordo com a cultura local. Por isso, seja usando atores, bonecos ou dramatizações, nossos conteúdos sempre refletem a cultura e a realidade das crianças que estão assistindo ao nosso programa.
RK: Eu gostaria de acrescentar que, através dos anos, aprendemos que a criança aprende mais se ouvir um conteúdo em sua língua materna, em sua própria cultura. Então, tanto melhor se esse conteúdo for pensando e produzido por pessoas imersas naquela cultura. É justamente o que fazemos por meio das parcerias. Outro ponto importante são os pais. Não falamos apenas para as crianças, mas para a família inteira. É importante que os pais participem das experiências dos filhos. Por isso, durante o processo de desenvolvimento de nossos conteúdos, incluímos especialistas, artistas, escritores, psicólogos. Isso garantirá também que os conteúdos sejam divertidos, porque crianças precisam se divertir, rir, para que ouçam com atenção os conteúdos que queremos passar. Só assim, desenvolverão o amor pelo aprendizado.

Fleury: Na visão de vocês, como vai a infância no Brasil atualmente?RK: Há muitos Brasis. Há extrema riqueza e extrema pobreza no país. Mas uma das vantagens é que todos têm acesso à mídia, à TV. Nossa missão é mobilizar a mídia para usá-la como uma ferramenta para o desenvolvimento. A mídia pode preencher aquele espaço entre Brasis. E é de graça. Os educadores precisam se conscientizar de que têm um canal para enriquecer suas crianças. Talvez muitos não possam ir até a Amazônia, mas podem alcançar as crianças de lá por meio de programas que tratem da alfabetização, da matemática, da saúde e dos demais conhecimentos fundamentais.

Fleury: Como a Vila da Saúde pode ajudar no processo de cuidados com a saúde para as crianças e também seus pais?
RK: Estivemos no Fleury em São Paulo conversando com os responsáveis pelo projeto, discutindo exatamente isso. A ideia da unidade é proporcionar um ambiente onde a criança se sinta confortável, sem medo do médico e da Medicina. O objetivo disso é promover boas práticas de saúde, como a realização de check-ups regulares e a participação das crianças em campanhas de imunização. Isso vai garantir o bom desenvolvimento delas.

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