Tipos urbanos | Revista Fleury Ed. 31

O arquiteto e publicitário José Roberto D’Elboux busca nos detalhes das fachadas, em placas antigas, monumentos e até lápides, aquilo que a maioria não vê: a riqueza da tipografia de São Paulo

A pé ou de bike, com o celular ou uma câmera profissional. São esses os filtros utilizados pelo arquiteto e publicitário José Roberto D’Elboux quando anda pelas ruas de São Paulo atrás de tipos paulistanos. Não, não se trata de personagens urbanos, mas de tipografia — letreiros e números em prédios, painéis, lápides, placas e monumentos. Seu olhar se voltou para essa peculiaridade quando, em 2008, estava trabalhando em um pôster e resolveu usar como grafismo números de casas e prédios encontrados pela cidade. Na pesquisa de campo, flanando pelo centro da capital paulista, notou a maneira como os nomes e outras informações de alguns prédios antigos apareciam de forma integrada às suas linhas arquitetônicas.

O que começou como um pôster deu lugar a uma pesquisa de pós-graduação na mesma Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP), onde ele fez a graduação. A dissertação foi concluída em 2013, mas daí seu olhar já tinha novos filtros — e a cidade nunca mais foi vista da mesma forma. Para dar continuidade ao tema, criou o projeto Tipos Paulistanos, com um site (fora do ar para ser reformulado), uma página no Facebook (facebook.com/tipospaulistanos) e um perfil no Instagram (instagram.com/tipospaulistanos).

Para fazer a curadoria dos belos tipos urbanos, D’Elboux oscila entre uma busca programada e as surpresas que a cidade traz — sim, porque muitos deles surgem na espontaneidade, nas caminhadas que ele faz como um cidadão qualquer. Outras são caças pré-determinadas. “Descobri que esse é um assunto que me fascina desde pequeno, quando admirava as grandes letras do Estádio do Pacaembu. Então, muitas vezes, fui atrás de alguns letreiros que estavam na lembrança. Alguns existiam de fato, outros acho que eram só imaginários” conta, descrevendo um pouco do seu processo. Os cliques feitos pelo publicitário de 53 anos não estão delimitados a uma época específica da cidade, mas tendem a fazer parte da arquitetura mais antiga. “Já fiz algumas incursões em cemitérios. São um mundo à parte. Tenho interesse por coisas mais perenes, então, não registro pichações ou inscrições de caráter mais comercial”.

Seu olhar para aquilo que estava à vista, mas não era visto, tem feito outras pessoas pararem para observar, por exemplo, o nome de um edifício ou a placa de um monumento. Tanto que ele recebe colaboração em suas páginas na internet, em especial no Facebook, cujo mural está sempre aberto para postagem. No Instagram, bastante gente usa a #tipospaulistanos. Para 2015, o projeto é fazer um livro, entre outras ideias. “Letras são algo que nos habituamos a ver de maneira gráfica, bidimensional, e quando estão inseridas na arquitetura, ganham uma nova dimensão.”

Edifício Marrocos (antigo Cine Marrocos), na região central



2 - Detalhe de tipografia na Praça da República
3 - Tipografia em estilo art déco na rua Conselheiro Crispiniano
4 - Detalhe do edifício Cinderela, em Higienópolis


São Paulo revisitada

D’Elboux acredita que muita gente faz essa busca quando viaja, em especial para outros países e culturas diferentes. Fazer isso em São Paulo, entretanto, configura um desafio: é tentar ver o que se esconde atrás do que é familiar. Um breve causo: “É inegável a beleza da Estação da Luz, já a visitei várias vezes e passo em frente com alguma frequência. Mas foi só na última vez que passei por lá que consegui reparar que, sobre algumas janelas da estação, a ornamentação é um lindo monograma com as iniciais SPR (São Paulo Railway). São letras lindas, todas floreadas naquele estilo vitoriano típico dos ingleses. Se você não olha com calma, acaba não reparando que são letras.”

Outro caso emblemático aconteceu no prédio onde funcionava o antigo Banco São Paulo, hoje usado pela Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo. Construído em 1938, o prédio art déco tem linhas geométricas, detalhes em ferro aparente, lustres feitos de alabastro e chão de mosaico esmaltado. Mas, por ter como vizinhos os famosos Martinelli e Altino Arantes (Banespa), acaba passando despercebido. “Ele tem um conjunto fantástico de letras em diversas técnicas na fachada, mas foi só depois de visitá-lo muitas vezes que descobri a mais incrível: estava descendo a 15 de Novembro em direção à Praça Antonio Prado quando vi, no topo do prédio, em uma empena lateral, as iniciais BSP maravilhosamente ornamentadas em relevo”, conta. Em uma visita ao interior do prédio, ele confirmou seu palpite — além de ornamento, era um curioso luminoso formado por diversos bulbos incandescentes, que ficavam atrás de calotas de vidro que formam o interior dessas letras.

Para ver o que a maioria não vê, como faz D’Elboux, que tal livrar-se dos filtros habituais — do carro, da pressa, do desinteresse? É estratégia garantida para ganhar novas (e belas) imagens da cidade.


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