Todos contra um inimigo | Revista Fleury Ed. 22

A incidência do câncer colorretal cresce no mundo, mas é possível adotar hábitos preventivos na luta contra esse mal

A incidência do câncer colorretal cresce no mundo, mas é possível adotar hábitos preventivos na luta contra esse mal

Estudos recentes feitos no Brasil e no exterior têm chamado a atenção para um inimigo cada vez mais ameaçador à saúde de homens e mulheres, especialmente a partir dos 50 anos: o câncer colorretal, que afeta o intestino grosso e também pode atingir o reto.

Pesquisas mostram que este já é o terceiro tumor mais frequente na população geral. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), excetuando-se os casos de tumor de pele não melanoma, o câncer de cólon e reto já é a terceira maior ocorrência entre homens nas regiões Sul e Sudeste do país. Entre as mulheres nas mesmas áreas, é o segundo mais incidente. Entretanto, a ciência também tem boas novas a respeito: é possível adotar medidas preventivas que reduzem o risco do surgimento da doença, que se desenvolve devido a uma combinação entre predisposição genética e hábitos do indivíduo.

Em primeiro lugar, recomenda-se a adoção de um modo de vida mais saudável, baseado em alimentação balanceada e prática regular de exercícios. “Estudos populacionais demonstraram que pessoas que consomem mais gordura animal apresentam maior incidência de câncer do intestino grosso”, explica Ulysses Ribeiro, coordenador do Grupo de Gastroenterologia do Fleury e e médico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). O cigarro é, mais uma vez, inimigo do organismo nesse caso.

Por outro lado, o especialista acrescenta que uma dieta com grande quantidade de fibras, vegetais, frutas e cereais, pode oferecer proteção contra este tumor. Além disso, os alimentos ricos em caroteno (caso do tomate e da cenoura), vitamina C e micronutrientes que contêm selênio, cálcio, vitamina E e ácido fólico são aliados especiais de homens e mulheres contra esta doença. A ciência também avança, do ponto de vista terapêutico, na batalha contra o câncer colorretal. Já é possível, por exemplo, identificar precocemente os pólipos, lesões na parede do intestino que podem representar alto risco de aparecimento de um câncer. “A detecção precoce dos pólipos é feita por meio da pesquisa de sangue oculto nas fezes e dos métodos endoscópicos, como a colonoscopia, que examina visualmente o intestino por dentro”, explica Ribeiro.

Se houver ocorrência prévia da doença na família, pode ser necessário iniciar o rastreamento do tumor ainda mais cedo. “Em cerca de 30% dos casos, a herança é genética”, diz o médico. De acordo com informações do Inca, estimase que 28 mil novos casos da doença surgirão no Brasil até o fim deste ano.

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