Velho não é criança | Revista Fleury Ed. 13

O Brasil já foi um país jovem.

O Brasil já foi um país jovem. Crianças nasciam aos montes e cada família tinha três, quatro, cinco filhos, quando não muito mais. De repente, ficamos econômicos na taxa de fecundidade: no ano de 2006, alcançamos a quantidade de 1,8 filho por mulher! E não é que o País envelheceu muito rapidamente? Teremos cada vez mais idosos e menos crianças bem antes do previsto.

Os profissionais da saúde, acostumados que estavam a tratar de tantas crianças, passaram a ter de cuidar dos velhos. Mas, como as coisas demoram um pouco para se ajustar, hoje temos uma grande quantidade desses profissionais tratando os velhos como se eles fossem crianças. Eu que o diga!

Já cansei de ouvir orientações para colocar minha “perninha” de tal jeito, fechar os olhos e colocar o “dedinho” na ponta do nariz – não, não se trata do mindinho –, encolher a “barriguinha” e tudo o mais. Até já ouvi um “Muito bem, nota dez para sua descida da mesa de exercícios” de uma fisioterapeuta.

No hospital, acompanhando minha mãe, que tem mais de 80 anos, fiquei perplexa ao ver todo tipo de profissional tratando-a como se ela fosse um bebê e ainda receber orientações para tratá-la da mesma maneira. Sei que ela não iria gostar.

Não: velho não é criança, não tem barriguinha, dedinho ou perninha. Depois de 50, 60, 70 anos de vida, é constrangedor ser tratado de modo infantilizado. Um amigo médico bem que tentou me convencer de que esse poderia ser um tratamento carinhoso. Para mim não é. Ainda acho que os profissionais da saúde precisam reconhecer que envelhecemos e que o desafio agora é saber como tratar carinhosamente os velhos como velhos e não como crianças.