Você já riu hoje? | Revista Fleury Ed. 27

Já que o humor é contagioso, confira lições de quem provoca risadas e ria mais da vida

Já que o humor é contagioso, confira lições de quem provoca risadas e ria mais da vida
Grace Gianouskas é atriz há 30 anos e, há mais de uma década, mantém vivo nos palcos da cidade de São Paulo um espetáculo semanal que já levou milhares de pessoas às gargalhadas. Ela é a idealizadora do Terça Insana, que traz diversas situações cotidianas de forma bem-humorada – o que ela chama de tragicomédia. “É uma comédia com sarcasmo, com inteligência, é conseguir fazer humor nos momentos mais difíceis. No palco, filosofamos juntos sobre o nosso cotidiano, que, às vezes, é muito pesado”, diz. Além de atuar, Grace também escreve os textos. Mas conta que, no dia a dia, é preciso certo esforço para se manter de bom humor, mesmo trabalhando com o tema. “O mundo está cheio de situações que nos pedem pra ter um ‘piti’, mas nem sempre podemos fazer isso. Então, eu tento levar a maior parte das coisas na esportiva”, afirma. Segundo ela, o processo de criação dos espetáculos é sempre uma boa oportunidade para aprender a lidar melhor com as dificuldades cotidianas. “O Terça Insana me fez olhar o dia a dia mais a fim de me divertir. Eu observo a reação das pessoas quando falo determinadas coisas em cena e percebo que está todo mundo com aquilo entalado, sofrendo, e de repente começam a rir. Existe um alívio coletivo em tocar naquele assunto. É muito bacana”, conta.
Nos cartuns

Fazer com que as pessoas não levem tudo tão a sério também é parte do trabalho do cartunista Gilmar. “Gosto muito de fazer humor, até porque meu traço é bem escrachado, explora o lado humano de um jeito bem esquisito, estranho”. Com 25 anos de carreira, ele presenciou muitas vezes as pessoas se identificarem com suas criações. “Eu fazia desenhos de humor para trabalhadores num jornal que publicava matérias pesadas. O desenho era para ‘dar uma quebrada’. Era o que as pessoas mais liam. Tinha aquela coisa de recortar, colocar no mural da empresa e botar o nome. Elas se identificavam.” Apesar de ter o humor como um dos seus objetos de trabalho, Gilmar se define como mal-humorado. De onde vem, então, a inspiração para os traços que fazem rir? O cartunista atribui esse talento ao poder de observação. “A grande ferramenta é saber sacar uma situação e transformar aquilo numa piada de comportamento. Botar no papel aquela coisa que é a mais engraçada do ser humano.”

O cartunista Gilmar fala como faz as pessoas riremNa internet e na TV

Quem também usa situações da vida diária para fazer rir é o roteirista e jornalista Nelito Fernandes, criador do site de humor Sensacionalista – uma experiência que fez tanto sucesso que foi parar na televisão. “Fui jornalista por mais de dez anos, uma profissão bastante estressante. O humor é mais leve por si só, e o trabalho depende exclusivamente de mim. Eu sento e escrevo.” Nelito contou, com satisfação, o que havia feito antes de dar essa entrevista para a Revista Fleury. “Hoje, por exemplo, entrei 10h30 numa reunião e passei o dia inteiro rindo. Você fala, ouve e está sempre pensando em coisas engraçadas. Eu me divirto trabalhando. Pra saúde, isso é uma maravilha.” Um dos mais importantes retornos do público aconteceu quando uma fã escreveu um e-mail contando que estava em uma fase difícil da vida, com o pai hospitalizado. “Ela disse que tinha sido a primeira vez em muitos dias que tinha conseguido rir, e tinha achado aquilo maravilhoso, porque não se lembrava mais como era dar risada. Isso me tocou, foi bastante compensador. O humor tem essa função de dar uma recarregada na bateria”, avalia.

Rir faz bem

As conexões entre cérebro, mente e corpo são muito estreitas, de maneira que tanto as condições do organismo afetam o cérebro, como o contrário: o cérebro afeta diretamente o nosso organismo. “Quando a pessoa está passando por um momento difícil, o estresse acaba estimulando o nosso cérebro. Em resposta, há a liberação de certos hormônios e substâncias que podem aumentar a pressão, acelerar a frequência cardíaca, diminuir o diâmetro dos vasos. Tudo isso pode resultar em problemas cardiovasculares e aumento de glicemia no caso de diabetes, por exemplo”, explica Eduardo Tischer. Por outro lado, quando a pessoa está bem-humorada, mais tranquila, as funções básicas como pressão arterial, glicemia, a respiração, tudo tende a funcionar melhor. As substâncias do humor são neurotransmissores, como a serotonina e a dopamina, associados por diversos estudos ao bom humor e à sensação de bem-estar. “As endorfinas também são liberadas, por exemplo, quando uma pessoa faz uma atividade física. Além de diminuir a dor, as endorfinas também proporcionam a sensação de bem-estar”, complementa Tischer. Já o mau humor aciona um circuito em nosso organismo, que é o eixo hipotálamo, hipófise e adrenal. “Quando uma pessoa tem estresse, esse eixo é influenciado a produzir mais hormônios que alteram a função do organismo”, explica Tischer. O hormônio que é o principal indicador do mau humor é o cortisol. “Quando ele está aumentado, várias alterações podem estar acontecendo ao mesmo tempo. Por exemplo: a noradrenalina está aumentada, que, por sua vez, aumenta a adrenalina, que aumenta a pressão arterial, prejudicando a pessoa.” Tudo isso influencia, ainda, a nossa imunidade. “A pessoa que tem mais bom humor, que é mais tranquila, tem uma melhor defesa do organismo do que aquelas pessoas que estão em uma condição de estresse ou uma condição psicológica desfavorável”, diz o psiquiatra. Uma doença infecciosa como a herpes, por exemplo, pode não aparecer se a pessoa está bem protegida, do ponto de vista psíquico. Encarar as experiências e dificuldades do dia a dia com bom humor é uma forma de proteger o organismo dos efeitos do estresse. “Muitas pessoas valorizam os pequenos momentos com os amigos, os momentos positivos que a vida oferece. Esse otimismo e essa atitude diante da vida podem influenciar o humor”. E o humor é contagioso.

Doença do humor?


O mau humor pode estar presente em vários diagnósticos, mas há, por exemplo, a distimia. “É um quadro caracterizado por uma pessoa que apresenta tristeza, desânimo, perda de interesse e pessimismo em relação à vida”, explica Eduardo Tischer, psiquiatra e psicoterapeuta do departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Pode ser caracterizada por insônia, irritabilidade, falta de apetite e diminuição da libido. Se isso se estender por muito tempo, ao longo de vários meses, é hora de procurar ajuda.


O que favorece o alto astral?


Atividades físicas, que estimulam a liberação de endorfinas. “Elas diminuem a dor e proporcionam a sensação de bem-estar”, diz o psiquiatra e psicoterapeuta Eduardo Tischer, da Unifesp.
Alimentação equilibrada, que favorece o bom funcionamento do organismo.
Atividades de lazer.
Dormir bem. “A redução de horas de sono aumenta o risco de doenças cardiovasculares.”
Pertencer a um grupo, manter amizades. “Ter uma rede de amigos com quem se possa desabafar e compartilhar bons momentos.” Técnicas de relaxamento também ajudam a conter os efeitos do mau humor.
Espiritualidade. “Não se trata de religião, mas da relação que se tem com o transcendente. A espiritualidade ajuda a superar as dificuldades e o estresse.”

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