Fluxo específico na rotina laboratorial detecta e soluciona os casos de pseudoplaquetopenia

Publicado em: 29/12/2011
Por:
Fleury Medicina e Saúde​

Edição: 2011 - Edição Nº 9 - Boletim

A pseudoplaquetopenia é uma alteração laboratorial frequente, causada pela formação de microagregados de plaquetas in vitro.

A identificação desses artefatos laboratoriais no esfregaço de sangue periférico pode ser bastante difícil em alguns casos, tornando desafiador o diagnóstico diferencial com situações de plaquetopenia real.

No entanto, essa diferenciação é extremamente relevante para o paciente, pois a valorização de uma contagem de plaquetas falsamente baixa pode levar a investigações desnecessárias, inclusive com risco de exposição a procedimentos invasivos, como mielograma e biópsia de medula óssea.

Nesse contexto, o uso de alguns métodos simples pode ser de grande auxílio no diagnóstico inequívoco das pseudoplaquetopenias, como é o caso da agitação por vórtex para dissolução dos agregados plaquetários e do emprego de anticoagulantes alternativos ao EDTA.

 

Lâminas mostram, à esquerda, satelitismo plaquetário em leucócito polimorfonuclear e, à direita, plaquetas agregadas

Com essa finalidade, o Grupo de Hematologia do Fleury analisou 56.337 amostras não selecionadas e sequenciais de sangue periférico, coletadas em tubos com EDTA durante um período de 30 dias. Dentre os hemogramas, 117 casos (0,2%) apresentaram pseudoplaquetopenia, identificada pela sinalização automática do equipamento para a presença de plaquetas agregadas e por meio da análise morfológica microscópica.

Essas amostras foram submetidas à técnica de agitação mecânica pelo vórtex, durante dois minutos, e reprocessadas no equipamento Sysmex XE 2100 para nova contagem plaquetária. Com esse procedimento, o número de plaquetas normalizou-se em 100 das 117 amostras (85,5%).

Nos 17 casos restantes (14,5%), houve necessidade de nova coleta de sangue periférico em tubo sem EDTA. Em 12 (10,3%) deles, confirmou-se a impressão inicial de pseudoplaquetopenia EDTA-dependente e, nos cinco (4,3%) remanescentes, a deposição de fibrina foi identificada como a causa inicial dessa alteração laboratorial. Esses resultados comprovam que a técnica de agitação mecânica pelo vórtex é eficaz e soluciona a grande maioria dos casos de pseudoplaquetopenia sem interferir na qualidade do exame.

“O estudo demonstra a importância da existência de um fluxo na rotina laboratorial para identificar e resolver tais casos, garantindo a acurácia da contagem de plaquetas”, avalia o assessor médico em Hematologia do Fleury, Alex Freire Sandes.

Autores: MOURAD, S.C.; SANDES, A.F.; TAKIHI, I.Y.; PACHECO; L.Z.C.; CHAUFFAILLE; M.L.; RIZZATTI, E.G

Assessoria Médica
Dr. Alex Freire Sandes: alex.sandes@grupofleury.com.br
Dr. Edgar G. Rizzatti: edgar.rizzatti@grupofleury.com.br
Dra. Maria de Lourdes Chauffaille: mlourdes.chauffaille@grupofleury.com.br
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