Dossiê prevenção | Revista Fleury Ed. 40

Conversamos com a Dra. Bruna Thompson, médica do Grupo de Diagnóstico em Imagem de Mama do Fleury, sobre as principais contradições e dúvidas das clientes em relação aos exames preventivos do câncer de mama. Confira a seguir.
Publicado em 10 de Janeiro de 2019
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Muitos ginecologistas brasileiros começam a pedir exames preventivos de câncer de mama de pacientes com mais de 35 anos, no caso do ultrassom, e a mamografia, aos 40. Mas esse é o protocolo médico correto? O ultrassom não é suficiente? É para fazer o autoexame? Conversamos com a Dra. Bruna Thompson, médica do Grupo de Diagnóstico em Imagem de Mama do Fleury, sobre as principais contradições e dúvidas das clientes em relação aos exames preventivos do câncer de mama.

Quando devo começar a fazer a mamografia?
A partir dos 40 anos de idade
Há muitas divergências sobre quando se deve começar a realização de mamografias. O indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e adotado por muitos países é fazê-lo aos 50 anos, o mesmo defendido pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) e o Ministério da Saúde. Já a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) diz que entre os 40 e 49 anos é o período ideal.
O Fleury segue as recomendações do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e da Febrasgo, que indicam a realização da mamografia uma vez ao ano para as mulheres entre 40 e 74 anos, preferencialmente com técnica digital. Também é recomendada a tomossíntese, a mamografia 3D, em associação com a versão digital, quando disponível.
Entre os pacientes de 50 a 69 anos, todas as sociedades médicas e programas de rastreamento de câncer de mama ao redor do mundo indicam a realização desse exame, e estudos apontam uma redução de 20 a 35% de mortalidade quando ele é feito. Já entre as mulheres na faixa entre 40 e 49 anos há uma discussão maior: neste grupo, a incidência do câncer de mama é menor, e a frequência de mamas densas e de tumores com crescimento rápido, maior. Entretanto, diversos estudos mostram redução da mortalidade em torno de 20 a 30% quando realizada a mamografia.

Vale lembrar:
No Brasil, todas as mulheres acima dos 40 anos têm garantido por lei o acesso à mamografia, por meio do Sistema Unificado de Saúde (SUS).

E quem tem histórico familiar?
Comece a fazer os exames antes
Os tumores nessas mulheres tendem a se desenvolver mais precocemente.
Mulheres com mutação dos genes BRCA1 ou BRCA2 (os chamados marcadores de câncer), ou com parentes de primeiro grau com essa característica devem realizar a mamografia anual a partir dos 30 e a ressonância magnética a partir dos 25 anos de idade. Já para as pacientes com mais de 20% de risco de desenvolver o câncer de mama – chega-se a essa porcentagem por meio de modelos matemáticos baseados no histórico familiar –, a recomendação é iniciar o rastreamento mamográfico dez anos antes da idade do diagnóstico do parente mais jovem (nunca antes dos 30), da mesma forma que a ressonância magnética (depois dos 25 anos).
Esse protocolo é semelhante para quem tem histórico de irradiação no tórax entre os 10 e os 30 anos, e também para mulheres com síndromes genéticas que aumentam o risco de câncer de mama (ou que tenham parentes de primeiro grau que sofrem delas). Já quem teve algumas atipias ou câncer de mama anterior deve realizar a mamografia e a ressonância magnética anualmente, a partir do diagnóstico e de acordo com a indicação do especialista.

Faça exames complementares
Nesses casos, são incorporadas a ressonância magnética ou a ultrassonografia, por conta das limitações da mamografia, que são maiores nessa faixa etária.

O ultrassom não é suficiente?  
Não existem dados que sustentem a eficácia da ultrassonografia para todas as mulheres em idade de risco, mas ela deve ser considerada como complemento à mamografia em pessoas com mamas densas. Já nas pacientes de alto risco, deve ser usada como substituta da ressonância magnética, caso não seja possível realizá-la. Ela também pode ser útil para pacientes abaixo dos 40 anos que apresentem queixa palpável, lembrando que essa indicação deve partir do médico que a examinou e levando-se em conta uma análise individualizada.

E o autoexame, ainda é indicado?
Ele não atinge um dos principais objetivos de um método de detecção precoce: a redução do índice de mortalidade. Mas tem a vantagem de ser de fácil realização e baixo custo, além de ajudar a mulher a conhecer melhor o seu corpo e buscar atendimento especializado em caso de suspeitas.

Há uma idade em que as mulheres idosas devem parar de fazer a mamografia?
São poucos os dados disponíveis sobre mulheres com 70 anos ou mais, sobretudo acima dos 75. O câncer de mama é uma das principais causas de morte nessa faixa etária e, atualmente, cerca de 26% das mortes ocorrem em casos em que o diagnóstico foi feito após os 74 anos. Por isso, muitas organizações médicas recomendam que a decisão seja discutida entre a paciente e seu médico. Entidades como o CBR, a SBM e a Febrasgo recomendam a realização da mamografia quando a expectativa de sobrevida seja superior a sete anos.