Estudo confirma diferenças em parâmetros laboratoriais de pacientes com o vírus selvagem e com o vírus vacinal da febre amarela | Revista Médica Ed. 1 - 2019

As informações obtidas na pesquisa têm aplicação relevante durante a ocorrência de surtos.
Publicado em 26 de Junho de 2019
Compartilhar:

Pesquisadores do Setor de Infectologia do Fleury analisaram 250 amostras de pacientes testados para febre amarela no período de janeiro a maio de 2018, com o objetivo de verificar as diferenças existentes, em relação a alguns parâmetros laboratoriais, entre indivíduos infectados pelo vírus selvagem e indivíduos sintomáticos provavelmente devido ao vírus vacinal.

Para a realização dos exames, utilizou-se a técnica de PCR em tempo real, enquanto a diferenciação entre os grupos de pacientes portadores de vírus selvagem ou vacinal foi realizada de acordo com o histórico de cada indivíduo, descrito pelo médico. Os parâmetros avaliados incluíram carga viral, TGO, TGP, quantidade de plaquetas, tempo de protrombina, tempo de tromboplastina e bilirrubina total.

A maior frequência de entrada de amostras e de positividade ocorreu nas semanas epidemiológicas 3 e 4, tendo havido uma queda progressiva no recebimento de amostras a partir da semana epidemiológica 8. Os pesquisadores detectaram 28 amostras positivas (11,2%), provenientes de pacientes hospitalizados, que foram separadas em dois grupos: um composto por dez indivíduos vacinados havia menos de sete dias – provavelmente sintomáticos por vírus vacinal – e outro constituído de 11 não vacinados – infectados por vírus selvagem. Não foi possível recuperar o status vacinal de sete pacientes.

Os infectados pelo vírus selvagem apresentaram carga viral em log de cópias/mL significativamente maior (≥5,2) do que os do grupo de pacientes sintomáticos pelo vírus vacinal (≥3,4), de acordo com o teste t de Student (p = 0,0162). Os valores de TGO, TGP, contagem de plaquetas e tempo de tromboplastina também mostraram diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos.

“Constatamos que existem diferenças clínico-laboratoriais entre pacientes infectados pelo vírus selvagem e indivíduos com eventos adversos provavelmente advindos da vacinação, o que tem aplicação importante durante a ocorrência de surtos”, destaca o assessor médico do Fleury em Infectologia, Celso Granato.