Estudo identifica ponto de corte para interpretar os testes de sensibilidade à polimixina B | Revista Médica Ed. 3 - 2017

As polimixinas se aplicam à terapia para infecções por Enterobacteriaceae resistentes aos carbapenêmicos.

 Microscopia eletrônica mostra Klebsiella pneumoniae envolta em neutrófilo.


As polimixinas se aplicam à terapia para infecções por Enterobacteriaceae resistentes aos carbapenêmicos. A Klebsiella pneumoniae não sensível aos carbapenêmicos, em particular, é endêmica no Brasil e a polimixina B costuma ter ampla utilidade em nosso meio como o principal antimicrobiano no tratamento dessas infecções. Recentemente, contudo, vêm ocorrendo surtos de Klebsiella pneumoniae resistentes aos carbapenêmicos (KpRC) e às polimixinas.

Como não há publicações, na literatura, sobre a tendência anual de resistência à polimixina B em K. pneumoniae no Brasil, assim como não existem critérios definidos para a interpretação dos testes de sensibilidade a esse antimicrobiano, pesquisadores do Grupo Fleury realizaram um estudo para avaliar a concentração inibitória mínima (CIM) para a polimixina B em isolados dessa bactéria.

Durante o período de 2011 a 2015, o Fleury identificou 3.085 isolados de resistência aos carbapenêmicos em amostras de sangue e trato respiratório de pacientes internados em dez hospitais da Grande São Paulo. A CIM para polimixina B foi determinada por microdiluição em caldo não automatizado e a distribuição dos valores de CIM, avaliada para a proposição de um ponto de corte, até o momento não existente em nenhum dos comitês internacionais de antibiograma. Os pesquisadores fizeram a análise de clonalidade por eletroforese em campos pulsados (PFGE) e sequenciamento parcial de múltiplos genes (MLST).

Os resultados mostraram que houve um aumento significativo (p<0,001) de resistência aos carbapenêmicos no período de 2011 (6,8%) a 2015 (35,5%). A análise da distribuição das CIM evidenciou o valor de 2 mg/L como o ponto de corte a ser usado para interpretar os testes de sensibilidade à polimixina B. Utilizando esse critério, os autores observaram um crescimento anual alarmante da taxa de resistência à polimixina B, maior entre as KpRC. Essa taxa era de 0%, em 2011, tendo se elevado para 27,1%, em 2015 (p<0,001).

“Esses dados fornecem evidência experimental inédita sobre o ponto de corte para a interpretação dos testes de sensibilidade à polimixina B, que deve ser de 2 mg/L”, destaca o assessor médico do Fleury em Microbiologia, Jorge Luiz Mello Sampaio.